terça-feira, 26 de maio de 2026

Na Trindade vemos o Amor (Santíssima Trindade)

                                                              

Na Trindade vemos o Amor

Retomemos parte do “Tratado sobre a Santíssima Trindade”, do Bispo Santo Agostinho (séc. V).

“Nosso Senhor Jesus Cristo, ao realizar Seus milagres, como querendo dar uma lição mais sublime aos que d’Ele se admiravam, e conduzir as secretas e eternas realidades a estes espíritos atentos e como que suspenso no fascínio de Seus prodígios, lhes diz:

Vinde a mim todos vós que estais cansados sob o peso de vossos fardos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo. Ele não disse: ‘Aprendei de mim a ressuscitar mortos de quatro dias’, mas aprendei de mim que sou manso e humilde de coração.

A solidíssima humildade é mais poderosa e mais segura que os cumes soprados pelos ventos. Por isso segue e diz: E encontrareis descanso para as vossas almas.

A caridade não se ensoberbece, e Deus é caridade; e os fiéis no amor descansarão n’Ele, chamados do estrondoso exterior aos deleites interiores. Se Deus é caridade, para que andar correndo desatinados pelos cumes dos céus e das profundezas da terra em busca d’Aquele que mora em nós, se nós queremos estar junto d’Ele?

Ninguém diga: ‘Não sei o que amar’. Ame ao irmão e amará ao Amor. Conhece melhor a dileção que lhe impulsiona ao amor que ao irmão a quem ama. Eis aqui como podes conhecer melhor a Deus que ao irmão; mais conhecido porque está mais presente; mais conhecido porque é algo mais íntimo; mais conhecido porque é algo mais correto.

Abraça ao Deus Amor e abraça a Deus por amor. É o amor que nos une com vínculo de santidade a todos os anjos bons e a todos os servos de Deus; consolida-nos a eles e nos submete a Ele.

Quanto mais imunizados estejamos contra o inchaço do orgulho, mais plenos estaremos de amor. E aquele que está cheio de amor, do que está preenchido a não ser de Deus?

Porém tu dirás: ‘Vejo a caridade e a contemplo, enquanto posso, com os olhos de minha inteligência, e deposito fé à Escritura, que diz:

Deus é amor, e quem permanece no amor em Deus permanece; mas quando medito no amor, não descubro a Trindade’ Vês a Trindade se vês o Amor.” (1)

É este caminho de santidade que devemos percorrer, num mergulho constante no Mistério do Amor de Deus, crescendo a cada dia no amor a Ele, concretizado no amor ao próximo, para não nos tornarmos míopes de Deus, como bem disse o Papa Bento XVI, em sua primeira Encíclica “Deus Caritas Est”:

"O citado versículo Joanino (1Jo 4,20 ) deve, antes, ser interpretado no sentido de que o amor ao próximo é uma estrada para encontrar também a Deus, e que o fechar os olhos diante do próximo torna cegos também diante de Deus" (n.16).

Supliquemos ao Senhor que nos conceda a graça da imunização contra o “inchaço do orgulho”.

Supliquemos, também, para que sejamos cumulados do Seu Amor, para que, ao desejar abraçar ao Deus Amor, abracemos a Deus por amor, na pessoa de nosso próximo, pois somente amando o irmão estaremos amando ao Amor, somente vendo o Amor, é que veremos a Santíssima Trindade de Amor, como ele tão bem expressou:

“Vês a Trindade se vês o amor”.


(1): Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes -  p. 169-170

A inesgotável compreensão de Deus! (Santíssima Trindade)

                                                              

A inesgotável compreensão de Deus!

Mistério encontrado, amado e conhecido, mas ainda tudo por ser, deliciosamente, encontrado, amado e conhecido!

Mistério que não cabe em minha limitada mente que me desafia ao movimento inverso: Mergulhar meus pensamentos e inquietações pessoais n’Ele, o Grande Mistério de Amor por mim.

Mistério que descoberto ainda falta tudo para descobrir.
E uma vez amado ainda há muito para amar.

Mistério que nos envolve ampliando nossa liberdade.
Que nos abraça, acalenta, reorienta, reencanta.

Mistério que se revela aos poucos, porque não somos capazes de acolher no seu todo.
Mistério que nos acompanha, ainda que não o acompanhemos e o percebamos.

Mistério que aceita minha indignação, e às vezes que em vez de declarar amor, diante Dele, permaneço mudo.
Mistério que nos desafia ao constante encontro, reencontro.

Mistério que abre novos horizontes,
Para não nos fixarmos em horizontes mesquinhos e egoístas.

Ó inesgotável compreensão de Deus!
Que nos convida sempre a dar um novo passo e um novo rumo.

Que nos propõe sempre relação de carinho e ternura,
Porque somos obras de Sua mão, amada criatura.

Ó Mistério inesgotável!
Embora algo tenha dito de Vós,
Nada, absolutamente nada, disse.

Tendo algo escrito sobre Deus,
Nada, absolutamente nada, escrevi.

Tendo descoberto algo sobre Deus,
Absolutamente nada, descobri.

Pensando no que fiz por Deus
Nada, absolutamente nada, ainda fiz.

Tendo expressado gratidão a Deus
Miseravelmente agradeci.

Tendo dado o melhor de mim para Deus...
Nada para Deus eu dei.
Mas Deus  deu tudo e muito mais para mim.

O Seu Amor por mim Revelado pelo Seu Filho, nosso Porto Seguro.
O Seu Amor por mim Comunicado pelo Seu Espírito de Amor.

O Seu Amor em mim despertado por tantos timoneiros,
De Sua Palavra portadores, fiéis mensageiros...

Nada de mim para Deus ainda.
Tudo de Deus para mim e
quanto mais o quiser.
Amém! 

A inesgotável compreensão de Deus! - continuação - (Santíssima Trindade)

                                                           

A inesgotável compreensão de Deus!

Ainda sobre a “inexaurível compreensão de Deus”, completo a reflexão com estas palavras do Bispo Santo Agostinho:

“O Pai cria todas as coisas por meio do Verbo, no Espírito Santo; e deste modo, se afirma na Unidade da Santíssima Trindade…

Reina sobre tudo como Pai, princípio e origem; age em tudo, isto é, por meio do Verbo; e permanece em todas as coisas no Espírito Santo…

Pois onde está a Luz, aí também está esplendor da Luz; e onde está o Esplendor, aí também está a Sua Graça eficiente e esplendorosa…

Com efeito, toda a graça que nos é dada em nome da Santíssima Trindade, vem do Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. Assim como toda a graça nos vem do Pai por meio do Filho, assim não podemos receber nenhuma graça senão no Espírito…”.

E assim reflitamos:

“O Pai é a Fonte que Se dá, eternamente, gratuitamente.
O Filho surge deste dom como a perfeita imagem do Pai.
Quanto ao Espírito, Ele, é este mesmo Movimento de amor
Que liga eternamente o Pai e o Filho”. (1)

Mergulhar no Amor Trinitário sempre!
Um amor verdadeiramente indizível.
Construir uma comunidade do Amor, incansavelmente!
Uma comunidade verdadeiramente credível!

Assim como o conhecimento de Deus é inexaurível
E Seu amor indizível, também nossa comunidade, pelo seu modo de viver, há de ser mais credível!



O Amor Trinitário (Santíssima Trindade)

                                                       

O Amor Trinitário

Amemos o Amante, o Amor, o Amado.
Amemos a Trindade Santa.

Amemos o Pai que nos ama, ainda que não O amemos.
Amemos o Filho Amado que, por amor, 
teve o coração trespassado, 
o Sangue por nós derramado.

Amemos o Amor, que se dá a todos, 
e ainda tudo tem para dar.

Ó Santo Espírito de Amor, sabedoria e paz,
envolvei-nos, com Vossa chama eterna de Amor. 
Amém!

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Maria, Mãe da Igreja, caminha conosco

                                                              

Maria, Mãe da Igreja, caminha conosco

“Maria, Mãe da Igreja, soube desatar os nós da vida
com a força suave do amor”

Transcrevo parte do Decreto de março de 2018, em que o Papa Francisco instituiu a Celebração da Memória obrigatória de Santa Maria, Mãe da Igreja, na segunda-feira depois da Solenidade de Pentecostes:

“De certa forma, este fato, já estava presente no modo próprio do sentir eclesial a partir das palavras premonitórias de Santo Agostinho e de São Leão Magno. De fato, o primeiro diz que Maria é a mãe dos membros de Cristo porque cooperou, com a sua caridade, ao renascimento dos fiéis na Igreja. O segundo, diz que o nascimento da Cabeça é, também, o nascimento do Corpo, o que indica que Maria é, ao mesmo tempo, mãe de Cristo, Filho de Deus, e mãe dos membros do Seu corpo místico, isto é, da Igreja. Estas considerações derivam da maternidade divina de Maria e da sua íntima união à obra do Redentor, que culminou na hora da Cruz”.

Maria é “cooperadora”, com a sua caridade no renascimento dos fiéis na Igreja, como nos diz o Bispo e Doutor Santo Agostinho; assim como é Mãe da Igreja, Corpo Místico de Cristo, que por sua vez é a Cabeça da Igreja, como nos falou o Papa São Leão Magno.

O Decreto nos apresenta Maria, que nos é dada como Mãe aos pés da Cruz pelo Seu Filho, e na figura do discípulo amado somos seus filhos, a ela recorrendo como Mãe e a tendo em nosso lado em todos os momentos e em todas as situações, favoráveis ou adversas:

"A Mãe, que estava junto à Cruz (cf. Jo 19, 25), aceitou o testamento do amor do seu Filho e acolheu todos os homens, personificado no discípulo amado, como filhos a regenerar a vida divina, tornando-se a amorosa Mãe da Igreja, que Cristo gerou na Cruz, dando o Espírito. Por sua vez, no discípulo amado, Cristo elegeu todos os discípulos como herdeiros do Seu amor para com a Mãe, confiando-a a eles para que estes a acolhessem com amor filial”.

Concluo com a Oração a Maria, em que o Papa Francisco nos convida a confiarmos em uma Mulher que teceu a humanidade de Deus no seio, e soube guardar e meditar tudo em seu coração (cf. Lc 2, 19), e pode nos ajudar a “desatar os nós da vida com a força suave do amor”.

Oremos:

Ó Maria, mulher e mãe, 
Vós tecestes no seio a Palavra divina, 
Vós narrastes com a vossa vida as magníficas obras de Deus.

Ouvi as nossas histórias, 
guardai-as no vosso coração 
e fazei vossas também as histórias 
que ninguém quer escutar. 

Ensinai-nos a reconhecer o fio bom que guia a história.
Olhai o cúmulo de nós em que se emaranhou a nossa vida, 
paralisando a nossa memória. 
Pelas vossas mãos delicadas, todos os nós podem ser desatados.

Mulher do Espírito, Mãe da confiança, 
inspirai-nos também a nós. 
Ajudai-nos a construir histórias de paz, histórias de futuro. 
E indicai-nos o caminho para as percorrermos juntos”. (1)


Ave Maria, cheia de graça...

(1) Oração extraída da mensagem para o 54º Dia Mundial das Comunicações Sociais

Santa Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós

                                         

                     Santa Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós

Na segunda-feira depois da Solenidade de Pentecostes, celebramos a Memória obrigatória da Virgem Maria, Mãe da Igreja.

Ouvimos as passagens bíblicas: Gn 3,9-15.20 ou At 1,12-14;Sl 86; Jo 19,25-34.

Para aprofundamento, voltemo-nos para a conclusão da terceira sessão do Concílio Vaticano II, dia 21 de novembro de 1964, em que o Papa São Paulo VI, em seu discurso, os apresenta Maria como a Mãe da Igreja:

“Considerando as estreitas relações de Maria com a Igreja, para a glória da Santa Virgem e para nosso conforto, proclamamos Maria Santíssima Mãe da Igreja, isto é, de todo o povo de Deus, tanto dos fiéis como dos Pastores, que lhe chamam Mãe amorosíssima; e queremos que, com este título suavíssimo, a Mãe de Deus seja doravante ainda mais honrada e invocada por todo o povo cristão.

Trata-se de um título que não é novo para a piedade dos cristãos; pois é justamente com este nome de Mãe, de preferência a qualquer outro, que os fiéis e a Igreja toda costumam dirigir-se a Maria. Na verdade, ele pertence à genuína substância da devoção a Maria, achando sua justificação na própria dignidade da Mãe do Verbo Encarnado.

Efetivamente, assim como a Maternidade divina é o fundamento da especial relação de Maria com Cristo e da sua presença na economia da salvação operada por Cristo Jesus, assim também essa Maternidade constitui o fundamento principal das relações de Maria com a Igreja, sendo ela a Mãe daquele que, desde o primeiro instante da sua Encarnação, no seu seio virginal, uniu a si, como Cabeça, o seu Corpo Místico, que é a Igreja. Maria, pois, como Mãe de Cristo, também é Mãe dos fiéis e de todos os Pastores, isto é, da Igreja.

Portanto, é com ânimo cheio de confiança e de amor filial que elevamos o olhar para ela, não obstante a nossa indignidade e fraqueza. Ela, que em Jesus nos deu a fonte da graça, não deixará de socorrer a Igreja com seu auxílio materno, sobretudo neste tempo em que a Esposa de Cristo se empenha, com novo alento, na sua missão salvadora.

A nossa confiança é ainda mais reavivada e corroborada quando consideramos os laços estreitíssimos que prendem esta nossa Mãe celeste ao gênero humano. Embora na riqueza das admiráveis prerrogativas com que Deus a adornou para fazê-la digna Mãe do Verbo Encarnado, ela está, todavia, pertíssimo de nós. Filha de Adão, como nós, e por isto nossa irmã por laços de natureza, ela é, entretanto, a criatura preservada do pecado original em vista dos méritos de Cristo, e que, aos privilégios obtidos, junta a virtude pessoal de uma fé total e exemplar, merecendo o elogio evangélico de: Bem-aventurada és tu, porque acreditaste (Lc 1,45).

Na sua vida terrena, ela realizou a perfeita figura do discípulo de Cristo, espelho de todas as virtudes, e encarnou as bem-aventuranças evangélicas proclamadas por Cristo Jesus. Por isso, toda a Igreja, na sua incomparável variedade de vida e de obras, encontra nela a forma mais autêntica de perfeita imitação de Cristo”.

Também enriquecedoras as palavras do Prefácio da Virgem Maria (III), em que nos é apresentada como modelo e Mãe da Igreja:

“Na verdade... Deus eterno e todo-poderoso, e na celebração da santa Virgem Maria engrandecer-vos com os devidos louvores.

Acolhendo a Vossa Palavra no coração sem mancha, mereceu  concebê-Lo no seio virginal e, ao dar à luz o Fundador, acalentou a Igreja que nascia. Recebendo aos pés da cruz o testamento da caridade divina, assumiu todos os seres humanos como filhos e filhas, renascidos para a vida eterna, pela morte de Cristo.

Ao esperar com os Apóstolos o Espírito Santo, unindo suas súplicas às preces dos discípulos,  tornou-se modelo da Igreja orante.

Arrebatada à glória dos céus, acompanha até hoje com amor de mãe a Igreja que caminha na terra, guiando-lhe os passos para a pátria, até que venha o dia glorioso . ..
”.

Com Maria, retomamos a caminhada do Tempo Comum,  contando com a presença de nossa querida Mãe de Deus, da Igreja e nossa.

Mais do que nunca, precisamos e podemos contar com a sua presença, de modo que nossa devoção a ela seja enraizada e alimentada pela Palavra de seu Filho, de modo que a Sagrada Escritura deve ser lida, meditada e vivida por todos nós.

Quanto maior a nossa devoção a Maria, maior será nossa fome e sede da Palavra de Deus, para que possamos ouvir e por em prática o que seu Amado Filho nos disse nas Bodas de Caná (Jo 2,5).

Vivamos a graça do discipulado, e na pessoa de João, o discípulo amado, sintamo-nos verdadeiramente filhos de Maria, que nos ampara e nos envolve com seu amor terno de Mãe.

Nesta mesma graça, jamais deixemos de recorrer a Maria, medianeira junto ao seu Filho; ela que está assentada no cume das virtudes, oceano de carismas, abismos de graças, como nos falou Santo Amadeu:

“Maria está assentada no mais alto cume das virtudes, repleta do oceano dos carismas divinos, do abismo das graças, ultrapassando a todos, derramava largas torrentes ao povo fiel e sedento...

Quem jamais partiu de junto dela doente ou triste ou ignorante dos mistérios celestes?

Quem não voltou para casa contente e jubiloso,  tendo impetrado de Maria, a Mãe do Senhor, o que queria?...

Ela é como fonte dos jardins inteligíveis,  poço de águas vivas e vivificantes, que correm impetuosas do Líbano divino, fazendo descer do monte Sião até as nações estrangeiras vizinhas rios de paz e mananciais de graças vindas do céu...”.

Oremos:

“Deus, Pai de misericórdia, Vosso Filho, pregado na Cruz, nos deu por mãe a Sua Mãe. Pela intercessão amorosa da Virgem Maria,  fazei que a Vossa Igreja se torne cada vez mais fecunda e se alegre pela santidade de Seus filhos e filhas, atraindo para o seu convívio as famílias de todos os povos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.”


PS: Apropriado para refletirmos a passagem da primeira Leitura da Liturgia do dia 7 de outubro (At 1,12-14) - Memória de Nossa Senhora do Rosário; bem como Solenidade da Imaculada Conceição em que se proclama a passagem do Livro de Gênesis (Gn 3,9-15.20)

Maria, tu és para nós...

                                                          

Maria, tu és para nós...


Maria, tu és para nós:
 
A aurora radiante, e o teu Amado Filho,
O Sol Nascente da justiça que nos veio visitar,
Para nossos caminhos obscuros iluminar.
 
O paraíso terrestre, a árvore da vida,
E Teu Filho, bendito fruto, na cruz crucificado,
Água e Sangue do coração jorrados.
 
A Arca da Nova e Eterna Aliança;
Mais que a arca da Aliança  trouxeste em ti
O Verbo, que nos reatou e, com Deus nos reconciliou.
 
Maria, tu és para nós:
 
A escada de Jacó que nos leva aos céus,
Porque és modelo de  fidelidade plena a Deus, 
E contigo, aprendemos a nunca desistir de esta escada subir.
 
A sarça ardente, maternidade e virgindade vividas,
Ardeste de amor por Deus e não foste corrompida.
Em ti, Deus revelou Seu poder e Sua plenitude.
 
O vaso de ouro, pensado e querido desde sempre;
Sobre ti pousou a sombra do Altíssimo, disse o anjo.
Em ti, se realizou a graça da Encarnação do Verbo.
 
Maria, tu és para nós:
 
O ramo florido de Aarão, o ramo florido de Jessé.
E deste ramo florido, nasceu Aquele que esperávamos:
O Salvador e Redentor de toda a humanidade.
 
A terra fecunda, em que a Palavra gerou frutos
Mais incontáveis que os grãos de areia do mar,
E ainda, mais que todas as estrelas do céu. 
 
A pérola da virgindade, Mãe da Igreja,
Antes, durante e depois do parto, assim cremos e professamos.
Alma pura e cristalina, plenamente fiel a Deus, igual a ti, ninguém.
 
Maria, tu és para nós:
 
A motivação para sagrados compromissos com a cidade de Deus que tanto queremos;
Sinal profético para nossas cidades que ceifam vidas,
Pecaminosamente sacrificam inocentes, com a cultura de morte.
 
A estrela da manhã anunciando um novo dia,
Em que sonhos de um novo céu e uma nova terra, cultivados,
Se veem em pequenos gestos de amor e partilha realizados. Amém.

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG