sábado, 4 de abril de 2026

A noite da escuridão precede a luminosidade eterna!

                                                  

A noite da escuridão precede a luminosidade eterna!

Sem a escuridão da noite não haverá a luz de um novo dia; sem o Itinerário Quaresmal percorrido não haveria o esplendor, o transbordamento da alegria Pascal; sem o Mistério da Paixão e Morte de nosso Senhor, não haverá na madrugada a alegre notícia de Sua Ressurreição.

Sem Ele, sem o Sol Divino, sem Seus raios de luz e vida, a humanidade estará condenada à escuridão desoladora, desesperadora, ao caos eterno, à vida sem sentido, ao descentro e à falta de perspectivas.

Concluído o Itinerário Quaresmal rumo à Páscoa do Senhor, temos a graça de, como Igreja, celebrar mais uma Semana Santa que, para quem crê, é o ponto de chegada e simultaneamente o ponto de partida para novos e intransferíveis compromissos na construção do Reino, em paixão incondicional pelo Senhor vivo e Ressuscitado.

Com o Domingo de Ramos aclamamos o Senhor como nosso Rei: Ele vive, Ele Reina, Ele é Senhor. Aclamamos e com Ele caminhamos, com Ele vivemos, com Ele morremos, para podermos um dia ressuscitar e na glória alegremente e esperançosamente adentrar...

Quando o Sol Divino irromper na madrugada da Ressurreição muitos sinais de morte ainda estarão clamando por vida: o planeta continuará gemendo em dores de parto; as crianças ainda estarão morrendo famelicamente; as drogas ainda teimosamente permanecerão nas mãos de tantos, inclusive de crianças; relacionamentos ainda não transfigurados em autênticas amizades; omissões e apatias ainda teimarão em permanecer no coração de muitos; a mentira ainda terá seus fiéis discípulos; o mal ainda rondará.

Porém não será mais hora de lamentação inútil e estéril. O Sol Divino virá ao nosso encontro abraçando-nos, acolhendo-nos, enviando-nos, pois é próprio do Amor de Deus continuar acreditando na humanidade.

É próprio do Amor de Deus plantar, no coração de pessoas de boa vontade, a confiança e a esperança, que concretizadas em ações de caridade autêntica assegurarão o novo que Deus tem para nós. Ele, de fato, faz novas todas as coisas, sobretudo no coração do que crê e ama.

Quando o Domingo da Páscoa chegar, precedido pela bela e antiquíssima Vigília Pascal mãe de todas as vigílias, algo novo em nosso coração vai reluzir, alegria abundante jorrará, nossos olhos voltarão a brilhar...

Os sinos soarão em vibração contagiante e os suores da luta se multiplicarão porque não há, quando por amor, esforços que sejam insignificantes.

Não tenha sido em vão o Suor de Sangue do Amado. Derramemos o nosso, se preciso for, por um mundo novo, alegre, cheio de vida, paz, justiça, fraternidade e amor.

Jamais percamos a graça da participação ativa, consciente e piedosa na Semana Santa, somente assim o Sol Divino irromperá na madrugada, iluminado nossa existência, revigorando nossos passos, refazendo nossos sonhos e sagrados compromissos que brotam da fé.

A noite da escuridão precede a luminosidade eterna! 
E quando chegar o tão esperado amanhecer do Domingo da Páscoa, 
o Sol Divino, Jesus, 
estará mais do que vivo no meio de nós, e aclamaremos:

"Ressuscitou! 
Aleluia!
A vida venceu a morte. 
Aleluia!

Vigília Pascal: O Sábado Santo!

                                                


                             Vigília Pascal: O Sábado Santo!

Sábado Santo! 

Parece que as horas não passam...

Estamos aguardando a grande Vigília Pascal – a mãe de todas as vigílias, por ser a mais antiquíssima delas.

A grande Vigília tem sua beleza própria: a fogueira, o fogo novo, o Círio pascal, a proclamação da passagem, a nossa Páscoa, a riqueza da Palavra de Deus, a bênção da água e a renovação batismal de todos os fiéis, a Eucaristia...

Chegue logo a noite escura tão esperada!

O Fogo novo do Círio Pascal, Palavra Proclamada, Água santificada e aspergida, Eucaristia comungada – Será a Páscoa tão desejada, após um rico e longo Itinerário Quaresmal, e o culminar de um Santo Tríduo Pascal.

Chegue a noite escura tão esperada!
Pois quando o sol se puser 
e a luz da lua vier iluminar a noite,  celebraremos a Verdade 
que ilumina todas as noites escuras de nossa existência.
Pouco a pouco, 
a alegria da Boa-Nova da Ressurreição vai aparecendo 
em nossos olhos e lábios, 
porque, de fato, Ele Ressuscitou!
Então cantaremos exultantes de alegria o Aleluia!
Aleluia! Aleluia! 

Sábado Santo: celebremos a vitória do amor divino

                                                            

Sábado Santo: celebremos a vitória do amor divino

“...Desceu à mansão dos mortos...”

Segundo uma antiquíssima tradição, celebraremos amanhã, Sábado Santo, a Vigília Pascal em honra do Senhor, “A Mãe de todas as Vigílias”, como nos fala o Bispo e Doutor da Igreja, Santo Agostinho.

Ela deve ser realizada à noite (mas não começar antes do início da noite, terminando antes da aurora do Domingo, dia da Ressurreição do Senhor).

Trata-se da maior e a mais nobre de todas as Solenidades do Ano Litúrgico, pois nela celebramos em Memória da noite Santa em que Cristo Ressuscitou.

Com a Vigília, mantemos a vigilância à espera da Ressurreição do Senhor, e são celebrados os Sacramentos da Iniciação Cristã.

A Missa da Vigília é, por sua vez, a Missa Pascal do Domingo da Ressurreição, e consta de quatro partes:

a)          A bênção do fogo com o acender do Círio Pascal, sinal do Cristo Ressuscitado, seguido pelo precônio Pascal.
b)          A Liturgia da Palavra;
c)           A Liturgia Batismal com a renovação das promessas do Batismo ou mesmo Batismo (quando houver).
d)          Liturgia Eucarística

Enquanto aguardamos a Celebração da Vigília, reflitamos:

“Hoje, no Sábado Santo – o grande sábado, como foi chamado pelos Padres da Igreja -, não há nenhuma celebração Eucarística.

Somente as horas do Ofício Divino são rezadas, e são celebradas a capela, isto é, sem qualquer acompanhamento instrumental.

A Igreja observa um silêncio reverente neste dia em que o Senhor ‘repousou de toda a obra que fizera’ (Gn 2,2), toda a obra de amor e entrega que Ele realizou no Lenho da Cruz.

O grande teólogo suíço, Hans Urs Von Balthasar vê neste dia o ponto culminante da obra redentora de Cristo.

Descido à região dos mortos, Cristo se coloca no lugar da máxima distância do Pai – a distância entre o céu e o inferno.

Mas, como o eterno Filho, inseparável do Pai, Cristo transforma este lugar desprovido de Deus, fora do alcance de Deus, em um lugar dentro do abraço que une o Pai e o Filho.

Para Von Balthazar, assim a vitória do amor divino se manifesta como completa.

Por isto, todo joelho, ‘no céu, na terra e debaixo da terra se dobra e toda língua proclama ‘ Jesus Cristo é o Senhor’, para a glória de Deus Pai’ (Fl 2,10-11)”. (1)

“Creio em Deus Pai todo-poderoso...”


(1)         Igreja em Oração – Nossa Missa do dia a dia – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB - Ano V – n. 64 – abril 2020 – p.68

Contemplo o Mistério Pascal

                                                           

Contemplo o Mistério Pascal

Contemplo o Mistério Pascal
Acolho na fé a Deus Pai
Que por Amor a todos nós,
Ainda que não entendamos,
Mais ainda, mesmo que não mereçamos,
Se dá pelo Cristo Ressuscitado,
Torna-Se pelo Espírito
Presente em nossos corações,
Faz de nós Sua morada.

Contemplo o Mistério Pascal...
Deixo-me envolver por um movimento indizível:
O movimento do amor,
Para uma vida nova viver,
Buscando as coisas do alto,
Onde habita Deus.

Contemplo o Mistério Pascal...
Fortalecido e pleno de confiança:
Em Deus que é Amante – Pai
Em Deus que é Amado – Filho
Em Deus que é Amor – Espírito

Contemplo o Mistério Pascal...
A vida do Filho Amado;
Uma vida filial que dia após dia
Revela-nos, com Sua humanidade plena e perfeita.
Uma vida inteiramente pela ação do Espírito
Conduzida, assistida, do nascer ao na Cruz morrer;
Que rebentou na madrugada da Gloriosa Ressurreição,
Com suas Flores e Frutos Pascais:
Alegria, amor, paz, presença,
Que ninguém jamais trouxe, traz e trará.

Contemplo o Mistério Pascal...
Acontecimento que regenera e recria
A humanidade, e continuamente a nossa fé;
Que dá um novo sentido a nossa existência,
Que é a  mais bela de todas as experiências:
O experimentar da Vida do Ressuscitado,
A vida em sua beleza e esplendor,
Como deve e haverá de ser
A vida cristã.
Aleluia! Aleluia!

  
PS: Fonte inspiradora Leccionário Comentado - Páscoa - Ed. Paulus.

A Alegria Pascal

                      


A Alegria Pascal

O Tempo Pascal tem matiz exponencial de Alegria:

A Alegria é um dos temas característicos de Lucas e dos Atos dos Apóstolos: manifestação do Espírito, ela não consiste numa simples ausência de sofrimento ou numa alegria esfuziante, mas numa Alegria interior tranquila pela salvação recebida, fruto da fé.

Como já a comunidade Jerusalém (At 2,46), e depois os pagãos (cf. At 13,48-52), também a Samaria se abre à alegria. A alegria, tal como a vida, já está presente na História, no mundo dos homens: espera a nossa fé para ser libertada, e difundir-se”. (1)

Quando nos atemos ao Livro dos Atos dos Apóstolos, vemos o clima de Alegria contagiante das primeiras comunidades, que as leva a multiplicar os sinais do Ressuscitado, continuadoras que são de Sua Missão:

Cura, libertação, conversões, Batismos, Eucaristias, Orações, Comunhão Fraterna, partilha, viagens missionárias, sinais inumeráveis...

Mas, esta Alegria não nasce nem floresce sem a marca da Cruz, da perseguição, do martírio, do sangue derramado em libação.

Alegria Pascal que não passa e não nasça da Cruz, não é a verdadeira Alegria que o Senhor prometera, ainda que paradoxalmente pareça.

Alegria Pascal implica necessariamente no carregar da cruz, exemplo do corajoso testemunho dado pelos Apóstolos das primeiras comunidades.

Romper às portas fechadas por medo, colocar-se a caminho, confiante na ação e força do Ressuscitado, certeza de paz e alegria, porque nos comunica com o sopro a assistência do Espírito Santo.

A Alegria Pascal não consiste, jamais, em ver tudo a partir de um prisma róseo. Ela pode ser vislumbrada no horizonte próximo ou longínquo, mas não separadamente da Cruz.

Ela é a superação da tristeza, do pranto, da dor, do luto, da morte que anda par em par com a história, no cotidiano de cada um de nós. 

Alegria Pascal é não sucumbir no mar da desesperança, da ausência de perspectivas; é não submergir nas lágrimas que se multiplicam, porque não foram secas pela confiança na promessa do Ressuscitado.

A Alegria Pascal consiste em sorver as Delícias Divinas, mas não como ópio que nos afaste de compromissos inalienáveis com a justiça e a paz. 

Não consiste num frenesi, num delírio dos inconsequentes e descomprometidos com a solidificação de laços mais fraternos.

A Alegria Pascal vem quando nossa alma vive a serenidade, não vacilando na fé, não esmorecendo na esperança e tão pouco esfriando na caridade.

Ela é vista no coração daqueles que permitiram que o Senhor lhes falasse ao coração, para ser sentida e irradiada.

É Páscoa!
Que o transbordamento da Alegria não seja apenas força de expressão, mas a mais Bela Notícia, que nos move e que cremos: do Senhor, a Ressurreição! Aleluia! Aleluia!


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - 2011 - p. 467.

O Senhor nos garante Sua eterna presença

                                                         

O Senhor nos garante Sua eterna presença

Senhor Jesus, quando estavas prestes a concluir a missão para a qual foste enviado, pelo Pai de amor e bondade, bem sabias que Tua presença histórica junto aos discípulos estava próxima do fim, pois avistavas, em um horizonte próximo, a crudelíssima morte na Cruz.

Senhor, assim iniciavas a preparação dos Apóstolos, para que viessem, pouco mais tarde, reconhecerem Tua nova forma de ser presença,  vivo e Ressuscitado, rompendo portas fechadas, colocando-Se no centro da comunidade, e permitindo a Tomé ver e tocar Tuas Chagas Gloriosas.

Senhor, estavas preparando os discípulos para receberem o Espírito Santo, e assim serem conduzidos à missão evangelizadora, por Ti confiada, sem jamais experimentarem qualquer sombra de abandono, para que jamais temessem ou recuassem ao dar testemunho da fé e a razão da esperança.

Senhor, acenavas também ao destino último daqueles que em Ti confiam e se entregam em fidelidade total e incondicional no seguimento: a eternidade, pois és, de fato, o único Caminho que nos conduz ao Pai, a Verdade que nos liberta e nos garante Vida plena e definitiva que aspiramos, na plena comunhão Trinitária.

Senhor, que ouvindo e meditando esta iluminadora passagem do Evangelho, renovemos a certeza de que estás conosco, ontem, hoje e sempre, com Teu Espírito, na comunhão com Teu Pai, e assim continuemos trilhando o itinerário de fé Pascal que nos faz comprometidos com Tua Igreja a serviço do Reino, por um mundo mais justo e fraterno. Amém. 

PS: Meditação à luz da passagem do Evangelho (Jo 14, 1-6) 

Sentido derradeiro da existência: a Ressurreição

                                                         

Sentido derradeiro da existência: a Ressurreição

Sentido derradeiro da existência: a Ressurreição.
Sem ela, ausência de sentido: vida sem alegria e emoção.
Amadurecimento que se alcança: cruz carregada
Superando a imaturidade do espírito: fuga, medo, omissão.

Sentido derradeiro da existência: a Ressurreição.
Crer nela é ter perspectivas novas a cada amanhecer.
Dificuldades vencidas, não há nada por temer.
Caminho da fidelidade assumido, amadurecer.

Sentido derradeiro da existência: a Ressurreição.
Quando tudo parecer sem perspectivas, horizontes...
Quando nela se crê, a Ressurreição tão desejada,
Somos saciados por graça e luz da Divina Fonte.

Sentido derradeiro da existência: a Ressurreição.
Move mestres, discípulos, aprendizes, profetas,
Porque ancorados nesta última Palavra Divina,
Possibilita realizar nossos belos sonhos e metas.

Sentido derradeiro da existência: a Ressurreição.
Verdade que deve ser crida e cultivada no coração,
Porque quando a morte irrompe, tudo parece perdido,
Nela crendo, não terá sido em vão ter morrido.

Sentido derradeiro da existência: a Ressurreição.
Faz-nos crer que sementes, com amor, lançadas;
Como trigo que mesmo sem saber morreu
Para se multiplicar, tornando-se pão, eternizadas.

Sentido derradeiro da existência: a Ressurreição.
Para que não vivamos entristecidos e solitários,
Redescobrindo a alegria da amizade/comunhão,
Irmanados nos sonhos, nas lutas solidários!

Sentido derradeiro da existência: a Ressurreição.
Doença, dor, luto, ou sofríveis e indesejáveis prantos
Passarão, porque com a Páscoa tudo se fez novo!
Alegres, melodiosos, radiantes serão nossos cantos.

Sentido derradeiro da existência: a Ressurreição.
Mistério cotidianamente celebrado com alegria,
Do Banquete de riquezas insondáveis e inesgotáveis
Faz-Se presença e alimento no Pão da Eucaristia.

Sentido derradeiro da existência: a Ressurreição.
Sentido do princípio da existência: por Deus criado.
Sentido de todo existir: n'Ele vivemos, nos movemos e somos.
Sentido provisório da existência: Morte e Paixão
Sentido derradeiro da existência: a Ressurreição



PS: Poesia inspirada na Mensagem Quaresmal 2011 do Papa Bento XVI:

“... A fé na ressurreição dos mortos e a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência: Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à política, à economia”. 

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