sexta-feira, 3 de abril de 2026

JESUS CRISTO: O SERVO SOFREDOR DA HUMANIDADE (segundo cântico)


 

JESUS CRISTO: O SERVO SOFREDOR DA HUMANIDADE
(segundo cântico)
 
II – O SEGUNDO CÂNTICO DO SERVO SOFREDOR – LIVRO DO PROFETA ISAÍAS (Is  49,1-13): 
 
Neste cântico, Profeta anuncia um Servo Sofredor chamado desde o ventre materno para ser uma luz para as nações e trazer a salvação até os confins da terra para toda a humanidade.
 
Vemos quão difícil é a missão profética que brota e se sustenta do próprio Deus. Sendo eleito vive da Palavra e para a Palavra de Deus.
 
A vocação é, portanto, dom de Deus, pois é Ele quem toma a iniciativa. O Profeta vive uma especial relação de amizade e intimidade com Deus, tornando visível Sua ação salvadora, que fará nascer uma luz que iluminará todos os povos. A ação divina é o derramamento de graça, bondade, amor. Deus jamais se esquece de nós e nos quer plenos de vida, alegria, felicidade.
 
A Tradição cristã viu sempre nesta página o anúncio profético do Messias, que veio ao mundo como luz e Salvação para a Humanidade.
 
Deste modo, “O Cristão é aquele que segue Cristo, primeiro nos sofrimentos; depois, na glória.”, segue os passos do Servo Sofredor, Jesus Cristo, com total e incondicional fidelidade.
 
Assim compreendemos a passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 9,43b-45).
 
Depois do primeiro anúncio da Paixão do Senhor e da confissão de Pedro, o Evangelista nos apresenta as consequências que os discípulos deverão assumir no seguimento de Jesus, “O Filho do Homem que vai ser entregue nas mãos dos homens” (Lc 9, 44).
 
Nesta afirmação de Jesus, encontramos a união de duas imagens do Filho do Homem e do Servo:
 
- “Filho do Homem” – revela a transcendência de Sua origem celeste (Dn 7,13);
- “Entregue nas mãos dos homens” – entregue à morte, traído – Servo de Deus, como vemos na passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 53,8).
 
Assim lemos no Comentário do Missal Cotidiano:
 
“Na Páscoa está o grande momento da Salvação, mas os apóstolos não compreendem a associação de dois títulos para eles contraditórios. Compreendê-lo-ão somente após a Ressurreição e a descida do Espírito Santo, então, compreenderão melhor ainda a própria missão. O Cristão é aquele que segue Cristo, primeiro nos sofrimentos; depois, na glória.” (1)
 
Como discípulos missionários do Senhor, renovemos a alegria da missão que Ele nos confere, pedindo a Deus a graça necessária para segui-Lo, testemunhá-lo, com fé sólida e coragem criativa, sobretudo, nos momentos de provações que marcam nossa vida.
 
Não corremos atrás de aplausos, elogios e aclamações, como o Senhor nunca o fez; e assim deve ser marcado o nosso discipulado.
 
Por ora, vamos carregando nossa cruz, em comunidade, alimentados pela Santa Eucaristia, e conduzidos pela Palavra divina, para que jamais esmoreçamos na fé, vacilemos na esperança e tão pouco esfriemos no essencial e que nos distingue como discípulos do Senhor, a prática do Mandamento do Amor a Deus e ao próximo.
 
Iluminadoras as palavras do Bispo São Basílio Magno (Séc. IV):
“...A vinda de Cristo na carne, os exemplos de Sua vida apresentados pelo Evangelho, a Paixão, a Cruz, o Sepultamento e a Ressurreição não tiveram outro fim senão salvar o homem, para que, imitando a Cristo, ele recuperasse a primitiva adoção filial.
 
Portanto, para atingir à perfeição, é necessário imitar a Cristo, não só nos exemplos de mansidão, humildade e paciência que Ele nos deu durante a Sua vida, mas também imitá-Lo em Sua morte, como diz São Paulo, o imitador de Cristo: 'Tornando-me semelhante a Ele na Sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos' (Fl 3,10)”.
Reflitamos:
 
- Como vivo a vocação profética que recebi no dia do meu Batismo?
- Qual tem sido a intimidade/amizade que vivo com Deus, para Sua Palavra com credibilidade anunciar?
- Como sinto a presença e a força de Deus no viver da vocação profética que me confiou?
- O que sou capaz de suportar para viver esta vocação?
 
À luz da do segundo Cântico do Servo Sofredor, uma reflexão -  A minh’alma seja ferida de amor”:
 
“Fez de minha boca uma espada afiada, protegeu-me
à sombra de sua mãe, fez de mim como uma seta
escondida e em Sua aljava me escondeu”
(Is 49,2)
 
Contemplo-Vos, ó Deus, que sois a plena comunhão de amor
 com o Vosso Filho e o Espírito Santo,
a comunhão de três amores eternos.
 
Adoro-Vos, ó Deus, e o Vosso Filho Jesus Cristo,
que lançam “setas” em nossos corações
para os ferirem de amor,
e assim ficarem inflamados de amor pelo Fogo do Espírito.
 
Glorifico-Vos, ó Deus, por Vosso Filho Jesus
que é “seta de amor” que sai da Vossa aljava,
porque tanto amastes o mundo que no-Lo destes,
para que todo aquele crer, não morra, mas tenha a vida eterna (Jo 3,16).
 
Suplico-Vos, ó Deus, que feridos por esta “seta de amor”,
renovemos os sagrados compromissos com o Vosso Reino,
seguindo o Vosso Filho Jesus Cristo – “Caminho, Verdade e Vida”,
Caminho que a Vós nos conduz;
Verdade que nos ilumina
e Vida que renova todos os dias. Amém.
 
(1)    Missal Cotidiano – Editora Paulus – 1995 – p.1319
 

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