JESUS
CRISTO: O SERVO SOFREDOR DA HUMANIDADE
(quarto
cântico)
IV - O
QUARTO CÂNTICO DO SERVO SOFREDOR – LIVRO DO PROFETA ISAÍAS (Is 52,13-53,12)
O quarto Cântico é o mais
longo e mais conhecido dos cânticos do servo, e retrata a fase final do Exílio
(entre 550 e 539 a. C.).
Temos a descrição do
Servo como alguém que é desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de dores
e familiarizado com o sofrimento.
Ele é ferido por causa
das transgressões do povo e esmagado por causa de suas iniquidades; mas o
castigo que ele sofre traz a cura para muitos, e por suas feridas eles são
sarados.
Oprimido e afligido, não
abre a boca, e como um cordeiro é levado para o matadouro, de tal modo, é
cortado da terra dos viventes por causa das transgressões do povo.
Por meio de seu
sofrimento, o servo justificará muitos e levará sobre si as suas iniquidades; e
a após a angústia de sua alma, ele, finalmente,
verá a luz e ficará satisfeito.
Com este Cântico
refletimos sobre o incrível Amor de
Deus, que não sabe fazer outra coisa senão nos amar e nos amar até o fim, dando
Sua vida em nosso favor.
O autor tem uma clara
mensagem: uma vida vivida na simplicidade, na humildade, no sacrifício, na
entrega e no dom de si mesmo, não é aos olhos de Deus uma vida maldita, perdida
e fracassada, ao contrário é uma vida fecunda e plenamente realizada que trará
libertação, verdade, esperança e amor à humanidade.
Aprendemos com o Servo
Sofredor no que consiste o verdadeiro Amor que se concretiza na obediência
filial, fidelidade incondicional e na sinceridade e transparência vivida contra
todo abandono, traição, negação, ultraje, humilhação, aniquilamento, desfiguração “... –
tão desfigurado Ele estava que nem parecia ser um homem ou ter aspecto
humano...” (Is
52,14).
Os primeiros cristãos,
pela beleza e profundidade desta passagem, atribuíram-na à figura de Jesus, que
como professamos, morreu pela nossa salvação. Somente em Jesus esta figura
enigmática do “Servo de Javé” encontra seu pleno significado.
Deste
modo, temos como mensagens:
- Deus Se
encontra nos simples, humildes, desfigurados, naquilo que enche o coração de
paz;
- O sofrimento
pelo sofrimento não tem sentido. Jamais na Bíblia encontramos o elogio, a
apologia do sofrimento pelo sofrimento, (que se denomina masoquismo). O
sofrimento só tem sentido se gerar vida.
Jesus é, para nós que
cremos, o Servo Sofredor, que foi encontrado com aspecto humano, Se humilhou
fazendo-Se obediente até a morte, e Morte de Cruz; e como disse Isaías: “Ele
suportou nossos sofrimentos e padeceu nossas dores “ (Is 53, 1-3).
Contemplaremos Seu
Coração trespassado: “... mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança e
logo saiu Sangue e Água.” (Jo 19,34) – Água e Sangue jorram simbolizando
o nascimento e o alimento, o Batismo e a Eucaristia.
De onde nascemos jorra
também o nosso Alimento. Deus não somente quis nos fazer renascer, mas quis Se
fazer e Se dar em Alimento no Seu Corpo e Sangue: a Santa Eucaristia!
O Doutor da Igreja Santo
Atanásio de Alexandria (séc. IV) nos disse:
“Sendo
assim, não foi vexado de dores por Sua causa, mas pela nossa; nem foi
abandonado por Deus, mas por nós; e por nós, os abandonados, Ele veio ao mundo.
E quando diz: ‘Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o nome que está
acima de todo nome’, fala do Templo de Seu Corpo”.
Sobretudo ao celebrar a
Semana Santa, caminhamos com Jesus, celebramos o Mistério de Sua Paixão e
Morte, para celebrarmos com alegria transbordante a Sua Páscoa, num alegre
Aleluia que se voltará a cantar exultantes.
Meditemos
sobre este amor indizível e imensurável:
- Aquele que suportou
dores indescritíveis por amor de nós, ainda que por vezes o abandonemos;
- Aquele que desceu ao mais profundo do
Mistério da Solidão, passando pela morte e descendo à mansão dos mortos.
Mas Sua Morte é a morte
de nossa morte. A Sua morte é a nossa redenção, nossa reconciliação, para que
então, Ressuscitado, n’Ele vivendo e crendo, anunciando e testemunhando, vida
nova e eterna tenhamos.
Reflitamos:
- Como pautamos a nossa
vida: a lógica do mundo ou a lógica de Deus?
- Temos coragem de seguir
os passos do Servo Sofredor, na fidelidade a Jesus Cristo, com renúncias
necessárias, carregando a nossa cruz de cada dia?
"Pai Nosso que estais nos céus..."
Nenhum comentário:
Postar um comentário