sexta-feira, 3 de abril de 2026

JESUS CRISTO: O SERVO SOFREDOR DA HUMANIDADE (quarto cântico)


JESUS CRISTO: O SERVO SOFREDOR DA HUMANIDADE
(quarto cântico)
 

IV - O QUARTO CÂNTICO DO SERVO SOFREDOR – LIVRO DO PROFETA ISAÍAS  (Is 52,13-53,12)

 

O quarto Cântico é o mais longo e mais conhecido dos cânticos do servo, e retrata a fase final do Exílio (entre 550 e 539 a. C.).
 
Temos a descrição do Servo como alguém que é desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de dores e familiarizado com o sofrimento.
 
Ele é ferido por causa das transgressões do povo e esmagado por causa de suas iniquidades; mas o castigo que ele sofre traz a cura para muitos, e por suas feridas eles são sarados.
 
Oprimido e afligido, não abre a boca, e como um cordeiro é levado para o matadouro, de tal modo, é cortado da terra dos viventes por causa das transgressões do povo.
 
Por meio de seu sofrimento, o servo justificará muitos e levará sobre si as suas iniquidades; e a após a angústia de sua alma, ele, finalmente,  verá a luz e ficará satisfeito.
 
Com este Cântico refletimos  sobre o incrível Amor de Deus, que não sabe fazer outra coisa senão nos amar e nos amar até o fim, dando Sua vida em nosso favor.
 
O autor tem uma clara mensagem: uma vida vivida na simplicidade, na humildade, no sacrifício, na entrega e no dom de si mesmo, não é aos olhos de Deus uma vida maldita, perdida e fracassada, ao contrário é uma vida fecunda e plenamente realizada que trará libertação, verdade, esperança e amor à humanidade.
 
Aprendemos com o Servo Sofredor no que consiste o verdadeiro Amor que se concretiza na obediência filial, fidelidade incondicional e na sinceridade e transparência vivida contra todo abandono, traição, negação, ultraje, humilhação, aniquilamento, desfiguração “... – tão desfigurado Ele estava que nem parecia ser um homem ou ter aspecto humano...” (Is 52,14).
 
Os primeiros cristãos, pela beleza e profundidade desta passagem, atribuíram-na à figura de Jesus, que como professamos, morreu pela nossa salvação. Somente em Jesus esta figura enigmática do “Servo de Javé” encontra seu pleno significado.
 
Deste modo, temos como mensagens:
 
-  Deus Se encontra nos simples, humildes, desfigurados, naquilo que enche o coração de paz;
 
-  O sofrimento pelo sofrimento não tem sentido. Jamais na Bíblia encontramos o elogio, a apologia do sofrimento pelo sofrimento, (que se denomina masoquismo). O sofrimento só tem sentido se gerar vida.
 
Jesus é, para nós que cremos, o Servo Sofredor, que foi encontrado com aspecto humano, Se humilhou fazendo-Se obediente até a morte, e Morte de Cruz; e como disse Isaías: “Ele suportou nossos sofrimentos e padeceu nossas dores “ (Is 53, 1-3).
 
Contemplaremos Seu Coração trespassado: “... mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança e logo saiu Sangue e Água.” (Jo 19,34) – Água e Sangue jorram simbolizando o nascimento e o alimento, o Batismo e a Eucaristia.
 
De onde nascemos jorra também o nosso Alimento. Deus não somente quis nos fazer renascer, mas quis Se fazer e Se dar em Alimento no Seu Corpo e Sangue: a Santa Eucaristia!
 
O Doutor da Igreja Santo Atanásio de Alexandria (séc. IV) nos disse:
 
“Sendo assim, não foi vexado de dores por Sua causa, mas pela nossa; nem foi abandonado por Deus, mas por nós; e por nós, os abandonados, Ele veio ao mundo. E quando diz: ‘Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o nome que está acima de todo nome’, fala do Templo de Seu Corpo”.
 
Sobretudo ao celebrar a Semana Santa, caminhamos com Jesus, celebramos o Mistério de Sua Paixão e Morte, para celebrarmos com alegria transbordante a Sua Páscoa, num alegre Aleluia que se voltará a cantar exultantes.
 
Meditemos sobre este amor indizível e imensurável:
 
- Aquele que suportou dores indescritíveis por amor de nós, ainda que por vezes o abandonemos;
 
 - Aquele que desceu ao mais profundo do Mistério da Solidão, passando pela morte e descendo à mansão dos mortos.
 
Mas Sua Morte é a morte de nossa morte. A Sua morte é a nossa redenção, nossa reconciliação, para que então, Ressuscitado, n’Ele vivendo e crendo, anunciando e testemunhando, vida nova e eterna tenhamos.
 
Reflitamos:
 
- Como pautamos a nossa vida: a lógica do mundo ou a lógica de Deus?
- Temos coragem de seguir os passos do Servo Sofredor, na fidelidade a Jesus Cristo, com renúncias necessárias, carregando a nossa cruz de cada dia?
 "Pai Nosso que estais nos céus..."


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