sexta-feira, 26 de junho de 2026

Rezando com os Salmos - Sl 86 (87)

 


A Jerusalém celeste que cremos esperamos 


‘’–1 O Senhor ama a cidade
que fundou no Monte santo;
–2 ama as portas de Sião
mais que as casas de Jacó.
–3 Dizem coisas gloriosas
da Cidade do Senhor:

–4 'Lembro o Egito e Babilônia
entre os meus veneradores.
= Na Filisteia ou em Tiro
ou no país da Etiópia,
este ou aquele ali nasceu'.
=5 De Sião, porém, se diz:
'Nasceu nela todo homem;
Deus é sua segurança'.
=6 Deus anota no Seu livro,
onde inscreve os povos todos:
'Foi ali que estes nasceram'.
–7 E por isso todos juntos
a cantar se alegrarão;
– e, dançando, exclamarão:
'Estão em Ti as nossas fontes!'”
 
Com o Salmo 86(87)  glorificamos a “Jerusalém”, a mãe de todos os povos, a Jerusalém celeste que é livre, e é a nossa mãe (Gl 4,26):                                                                                                       
“Jerusalém, a cidade que Deus estabeleceu sua morada, será a pátria de todos os povos e fonte de sua alegria, pois nela são chamados a conhecer e a amar o verdadeiro Deus.”(1)
 
Ao celebramos a Eucaristia renovamos a nossa esperança da Jerusalém Celeste, como tão bem expressou o Papa São João Paulo II:
 
“A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço do céu que se abre sobre a terra – é um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da história e vem iluminar nosso caminho.” (2)
  
(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – pág. 800
(2)Papa São João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia – 2003.

“Jesus: Sublime Mestre, Divino Salvador”

                                                      

“Jesus: Sublime Mestre, Divino Salvador”

Na reflexão da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 8,1-4), proclamado na sexta-feira da 12ª Semana do Tempo Comum, encontramos esta afirmação do Missal Cotidiano:

“No monte, Jesus é o Mestre Sublime; na planície onde vivem os homens despedaçados pela dor e pelo pecado, é o Salvador...” (pág. 952). 

De fato, na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5,1-12), encontramos o Sermão de Jesus, o Sermão da Montanha.

No alto do monte Ele é verdadeiramente um Sublime Mestre, que nos ensina um novo modo de ser e viver.

Oferece-nos novos princípios e nos desafia a novas atitudes, desdobradas nos capítulos 6 e 7, e ainda encontramos a graça de aprendermos a rezar como Ele nos ensinou: “Pai nosso que estais nos céus...”

Não temos mais belo e sublime Mestre do que Jesus e nem programa de vida mais amplo, revolucionário que o programa das Bem-Aventuranças.

Se de um lado, na montanha Jesus é o Sublime Mestre, na planície da existência humana (a partir do capítulo 8 de Mateus), no chão da história, para toda a humanidade é o Divino Salvador. 

Com sua Vida vivida no amor que ama até o fim, amor sem limites, amor que ama até as últimas consequências. Pelo Sangue, por amor derramado, é que nos vem a Salvação.

Antes de consumar em ato extremo de amor, amor que muitas vezes é incompreendido que nos dá “vertigem”, porque ultrapassa nossa compreensão, limitações e medidas, e todo o parâmetro, a todos Se apresentou, mais ainda foi e é para todo o sempre o Divino Salvador, por isto a Ele toda honra, glória, poder e louvor.

Oremos:

Ó Sublime Mestre da montanha,
Divino Salvador de nossa planície!

Ó Divino que viestes do Pai, viestes do Alto,
Elevai-nos um dia para junto de Vós,
Que à direita do Pai, glorioso estais!


Divino Salvador, como não amá-Lo e segui-Lo?
Divino Salvador, como não ter de Vós os mesmos pensamentos e sentimentos?                                                                                              
Divino Salvador que cura, liberta, ensina, anima, acolhe, perdoa, e salva.
Divino Salvador que a fome sacia, que a tristeza transforma em alegria...
Divino Salvador que a escuridão faz clara como a luz de um belo dia...

Divino Salvador, Vós sois o Caminho que nos conduz ao Pai.
Divino Salvador, Vós sois a verdade que ilumina os povos.
Divino Salvador, Vós sois a vida que renova o mundo!

Divino Salvador, que fortalece nossa fé,
Divino Salvador, que revigora nossa esperança,
Divino Salvador, que a chama de nosso amor inflama!

Nós vos suplicamos sem nenhum merecimento:
Purificai-nos de tudo aquilo que fere a nossa dignidade,
Afastai tudo que crie divisões e desigualdades.
Acalmai-nos e protegei-nos nas mais impetuosas tempestades!

Na montanha, quão belas lições,
Na planície, quão belas ações...
Nós vos amamos,  Sublime Mestre,
Nós vos adoramos, Divino Salvador! 
Amém.


quinta-feira, 25 de junho de 2026

A insustentabilidade da crítica

                                                            


A insustentabilidade da crítica
 
A insustentabilidade da crítica é
diretamente proporcional à incapacidade da autocrítica.
 
A crítica, bem-feita, é sempre bem-vinda,
mas de mãos dadas com a autocrítica.
 
Deste modo, ela acontece
Quando acompanhada da humildade,
Finas flores da caridade e sinceridade.
 
Crítica, bem-feita, pede complemento: 
Construtiva, edificante, sincera, simplesmente.
 
Precisamos reaprender o poder
Fermentador da crítica,
Germinadora para frutos produzir,
como semente em sua pequenez.
 
Preciosa e mútua colaboração seja,
Para um mundo mais fraterno e humano
Sobretudo se temos a chama
Do Amor Divino, do Espírito Santo iluminador.
 
Sejamos críticos! 
Acolhamos a crítica!
Mas regada, acompanhada de amor,
Sem o que, faremos mal à alma: indesejável dor.
 
Não deixemos de acreditar na semente do novo,
que brota da crítica e autocrítica, 
como expressão de bondade e caridade, 
para edificar relacionamentos mais sinceros e fraternos.
 
Crítica de mãos dadas e entrelaçadas com a autocrítica, 
certeza de caridade vivenciada. Amém.
 
PS: Oportuno para a reflexão das passagens do Evangelho (Lc 6,39-45; Mt 7,1-5) e também que cresçamos com a crítica e autocrítica no dia a dia, sempre acompanhada da caridade que edifica.

Confiança plena somente no Senhor

                                                            

Confiança plena somente no Senhor

“...Que é a Rocha sobre a qual deve ser edificada a nossa vida,
pois Ele é o verdadeiro legislador e verdadeiro Mestre.”

A Liturgia da quinta-feira da 12ª semana do Tempo Comum (ano par) nos apresenta a página de um momento dificílimo vivido pelo Povo de Deus, como vemos na primeira Leitura (2 Rs 24,8-17).

Jerusalém, confiando nas forças humanas, caminhou para a sua própria destruição, tornando-se escrava de um poder esmagador, avassalador.

Com a subida do jovem rei Joaquim ao trono, por sua má conduta, atrai sobre Jerusalém a invasão do império dos babilônios (ano de 597 a.C.) com seu Rei Nabucodonosor  e soldados. Ocorre a primeira deportação e com isto um cenário desolador marcado por saques.

Ocorre a deportação das pessoas adultas da população; a família real é deportada para a Babilônia, com os funcionários, guerreiros, guias espirituais, artesãos e homens de valor.

Os tristes acontecimentos históricos, com todo cuidado narrados pelo hagiógrafo, nos apresentam um aparente fim, mas a promessa do rei da descendência de Davi se cumprirá mais tarde, com a vinda do Messias, Jesus Cristo, no qual se pode confiar plenamente.

Este momento vivido não consiste numa simples narrativa, pois traz implícita uma mensagem para aqueles que têm fé, que ultrapassarem aquele momento vivido:

“Mesmo as vicissitudes mais dolorosas, mesmo os acontecimentos mais obscuros ganham sentido se lidos à luz da Palavra de Deus, e se são acolhidos com confiança e obediência, entram a fazer parte de um desígnio de salvação. Nada é neutral na nossa vida” (1)

E relacionando com a passagem do Evangelho deste mesmo dia (Mt 7,21-29), sobre a construção da casa sobre a rocha, evidencia uma outra mensagem: nossa segurança somente se encontra no Senhor, que é a Rocha sobre a qual deve ser edificada a nossa vida, pois Ele é o verdadeiro legislador e verdadeiro Mestre.

O Senhor Jesus não é alguém que veio transmitir palavras alheias, mas a Palavra do Pai, sendo Ele a própria revelação de Deus:

“Quem me viu, viu o Pai” (Jo 14,9); e ainda, “Eu e o Pai somos um” (17, 22).

Toda vida humana, se não enraizada em Cristo e em Sua Palavra, tende ao vazio, ao desmoronamento. Somente sobre Ele e Sua Palavra é que se pode construir uma vida marcada pelo êxito e solidez, que suporte “os ventos e tempestades” que nos acompanham no entrelaçar dos acontecimentos de nossa história, bem como de nossas famílias, comunidade e a própria história da humanidade, num contexto mais amplo.

Os verdadeiros discípulos missionários do Senhor, não colocam sua confiança nos homens, nos poderes que passam, mas tão somente em Deus, que deve ser adorado e amado com todo coração, alma e entendimento.

A garantia de uma vida feliz, alcançamos na escuta e na prática a Palavra de Deus, indispensável para que entremos no gozo da eternidade, no Reino dos Céus, como o próprio Jesus afirmou.


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus- Lisboa - pp. 593-594.

Oportuno para a reflexão da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,43-49).

Ouvintes e praticantes da Palavra do Senhor

                                                      

Ouvintes e praticantes da Palavra do Senhor

"Quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática,
é como um homem prudente, que construiu
sua casa sobre a rocha" (Mt 7,24)

Ouvimos na quinta-feira da 12ª Semana do Tempo Comum a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 7,21-29).

A vida cristã é edificação de nossa vida sobre o fundamento que é o próprio Jesus, Sua Palavra e Projeto do Reino, do qual somos instrumentos.

Refletimos sobre o modo como edificamos a nossa vida; sobre a base em que construímos nossos projetos, que alavancam sonhos cultivados no mais profundo de nós, sempre regados pela graça da vigilância ativa e Oração.

Sonhos, utopias, desejos, metas, conquistas, novos horizontes... O Reino de Deus presente já em nosso meio, e ainda não plenamente. O novo céu e nova terra, a Jerusalém Celeste, sempre haverão de nos acompanhar, e se renovar.

É preciso pensar no juízo de Deus, que será como uma tempestade violenta que só deixará em pé as construções sólidas, as que estiverem fundadas, diz Jesus, sobre a Sua Palavra, sobre os valores por Ele propostos, sobre as Suas Bem-Aventuranças, um Projeto de vida e felicidade.

Não ficar submerso num verbalismo religioso, individual, comunitário ou até mesmo litúrgico, profundamente lamentável e abominável pelo Senhor, porque seria uma piedosa ilusão.

Construir nossa vida sobre a Rocha Consistente, que jamais será abalada, a Palavra de Deus que ouvimos, lemos, meditamos; Palavra que se faz Pão, Vida, Luz, Libertação, se vivida, garantia de Salvação.  Ele é a Rocha Consistente, nós uma pedra viva e preciosa aos Seus olhos.

Venham os ventos, as adversidades, as provações, as inquietações, as seduções, que aparentemente nos roubam forças e nos aniquilam, mas, se com fé enfrentadas, com o Esplendor e Vigor da Palavra e da Eucaristia, nada ruirá, nada sucumbirá, porque Deus fala, promete e cumpre.

Somente n’Ele uma vida solidificada, as tramas da existência entrelaçadas; páginas do cotidiano com a Tinta do Amor do Santo Espírito escrita, é que alcançaremos o desejo universal inerente a todo ser humano: a felicidade, que somente encontramos na Divina Fonte da Felicidade, Jesus, se ouvirmos e pusermos em prática a Sua Palavra.

Oportuno para a reflexão da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,43-49).

Somente o Senhor sacia nossa sede de eternidade

                                                                 

Somente o Senhor sacia nossa sede de eternidade

Fizeste-nos para Ti e inquieto está nosso coração,
enquanto não repousa em Ti.”

Sejamos enriquecidos pela Homilia do Bispo São Gregório de Nissa (séc. IV).

“O que costuma acontecer a quem do alto de um monte olha para o vasto mar lá embaixo, isto mesmo se dá com o meu espírito em relação à altíssima Palavra do Senhor: dessa altura olho para a inexplicável profundidade de seu sentido.

A mesma vertigem que se pode sentir em alguns lugares da costa, quando se olha desde uma grande elevação a cavaleiro das ondas para o mar profundo, do alto saliente de um penhasco que, do lado do mar, parece cortado pelo meio do vértice até a base mergulhada nas profundezas, sobrevém a meu espírito suspenso à grande Palavra proferida pelo Senhor:

‘Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus’.

Deus Se oferece à visão daqueles que têm o coração purificado. ‘Deus, ninguém jamais O viu’, diz o grande João. Confirma esta asserção, Paulo, aquele espírito sublime: ‘A quem homem algum vê nem pode ver’.

Eis aqui o penhasco, escorregadio, despenhadeiro sem fundo, talhado a pique, que não oferece em si nenhum ponto de apoio para a inteligência da criatura!

O próprio Moisés sentiu-se esmagado pela Palavra: ‘Não há, diz ele, quem veja a Deus e continue a viver’. Ele sentenciou que este penhasco é inacessível, porque nunca nossa mente pode lá chegar, por mais que se esforce por alcançá-Lo, erguendo-se até Ele.

Ora, ver a Deus é gozar a vida eterna. No entanto, que Deus não possa ser visto, as colunas da fé, João, Paulo e Moisés, o afirmam.

Percebes a vertigem que arrasta logo o espírito para as profundezas do conteúdo desta questão?

De fato, se Deus é a vida, quem não vê a Deus não vê a vida. Mas que não se possa ver a Deus, tanto os Profetas quanto os Apóstolos, levados pelo Espírito divino, o atestam. Em que angústias, portanto, se debate a esperança dos homens?

Contudo, o Senhor vem erguer e sustentar a esperança vacilante, assim como fez a Pedro, a ponto de afundar, firmando-o na água tornada resistente ao caminhar, para que ele não se afogasse.

Portanto, se a mão do Verbo se estender para nós, que vacilamos no abismo de nossas especulações, colocando-nos em outra perspectiva, perderemos o medo e, já seguros, abraçaremos o Verbo que nos conduz como que pela mão, dizendo:

‘– Bem-aventurados os puros de coração porque eles verão a Deus’.”

Ver a Deus consiste no mais sublime desejo que habita nossa alma, como assim o foi na vida de todos os Santos e Santas, e que levou Santo Agostinho a dizer:

– “Fizeste-nos para Ti e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em Ti.”

Enquanto isto, importa suplicar ao Senhor, como falou o bispo; que O Senhor estenda Sua mão para que não vacilemos no abismo das especulações inúteis e estéreis, e assim não nos percamos no labirinto das verdades efêmeras, e tão pouco permitamos que nosso coração se curve às paixões que nos afastem da Paixão maior e incondicional, e, assim, nosso coração seja tomado pelo fogo abrasador do Amor de Deus, como rezou o Salmista (Sl 68/69):

“Por vossa causa é que sofri tantos insultos, e o meu rosto se cobriu de confusão; eu me tornei como um estranho a meus irmãos, como estrangeiro para os filhos de minha mãe. Pois meu zelo e meu amor por vossa casa/ me devoram como fogo abrasador.”

Em sua Homilia, o bispo nos apresenta Deus como um rochedo inacessível, mas sempre voltado para nós, nas inquietações que nos acompanham, no árduo caminho da fé que fazemos ao Seu encontro, para que um dia O contemplemos face a face.

Deste modo, sejamos movidos por uma esperança sem vacilos indesejáveis, e firmados numa fé, que nos impulsiona para os compromissos do Reino, na prática da inseparável virtude da caridade, que torna crível nossa fé e não ilusória nossa esperança, rumamos para a eternidade, ao mais belo e desejado dos Encontros.

Que a cada Eucaristia que participarmos, bebamos do Rochedo, que é o próprio Cristo, que nos dá vida nova pelo Batismo e nos sacia com o Sangue jorrado de Seu lado, para nos nutrir neste bom combate da fé, até que possamos merecer receber um dia, a coroa da glória, aos justos reservada. Amém!

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Aprendamos com São João Batista

 

Aprendamos com São João Batista

“João é a voz; o Senhor, porém, no princípio era a Palavra (Jo 1,1). João é a voz no tempo; Cristo é, desde o princípio, a Palavra eterna.”  (1)

Dez virtudes a aprendermos com São João Batista na missão evangelizadora, como discípulos missionários do Senhor, o Bom Jesus.

Se, verdadeiramente, vividas, seremos como pedras vivas de uma Igreja sinodal, um povo que caminha sempre juntos, com renovados compromissos na promoção da verdadeira paz que tão somente o Senhor pode nos conceder (2).

1 – Humildade;

2 – Coragem;

3 – Fidelidade;

4 – Coerência;

5 – Confiança;

6 – Desprendimento;

7 –  Serenidade;

8 – Docilidade;

9 – Resistência;

10 – Cumplicidade.

 

Oremos:

“Ó Deus, que suscitastes são João Batista, a fim de preparar para o Cristo um povo perfeito, concedei ao vosso povo a graça das alegrias espirituais e dirigi os corações de todos os fiéis pelo caminho da salvação e da paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo. Amém.” (1)

 

(1)               Santo Agostinho (séc. V)

(2)             Cf. Jo 20,19-29

(3)             Oração do dia da Missa da Natividade de São João Batista

 

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