segunda-feira, 15 de junho de 2026

Em poucas palavras...

                                     


Alcancemos o cume da virtude 

“Observas a que degraus subiu e como nos elevou até o próprio cume da virtude? Quero que o medites, enumerando-os desde o princípio: o primeiro grau é não injuriar; o segundo, quando injuriados, não nos vingarmos; o terceiro, não aplicar sobre o autor o mesmo castigo com o qual nos fere, mas sim ter mansidão; o quarto, oferecer-se voluntariamente a sofrer injúrias; o quinto, oferecer ao injuriador muito mais do que ele nos exige; o sexto, não odiar a quem nos faz semelhante injustiça; o sétimo, inclusive amá-lo; o oitavo, ainda favorecê-lo. Finalmente, o nono: rogar a Deus por ele” (1)


(1) São João Crisóstomo (séc. V) – Mt 5,38-42


A chama profética (XIIDTA)

                                                   

A chama profética 

Reflitamos sobre a vocação profética a ser vivida, sobretudo, pela graça recebida no dia do Batismo, à luz da passagem do Livro do Profeta Jeremias ((Jr 20,10-13).

Assim lemos no Missal Dominical:

“O Povo de Deus experimentou, durante toda a sua história, a violenta oposição dos povos vizinhos.

O mistério da perseguição, embora estando ligado ao do sofrimento em geral, distingue-se dele.

O sofrimento constitui um problema angustiante, porque atinge todos os homens, também os justos e os inocentes.

A perseguição atinge os justos precisamente porque justos; dirige-se especialmente aos Profetas por causa do seu amor a Javé e da fidelidade à Sua Palavra.

Jeremias ocupa entre os perseguidos um lugar especial: exprimiu melhor do que os outros a estreita ligação entre perseguição e missão Profética”. (1)

A figura de Jeremias (Jr 20,10-13) nos remete à figura profética do Servo sofredor, que “realiza o Plano de Deus com a aceitação dos maus-tratos que o povo lhe inflige. A razão profunda do drama do justo perseguido é ressaltada pelo livro da Sabedoria: tornou-se insuportável para os ímpios até mesmo ver os justos (cf Sb 2,14); é "incômodo" (Sb 2,12) um testemunho do Deus vivo que se prefere desconhecer.

Condenando Jesus ao suplício da Cruz, os judeus continuam a  injustiça  de  seus  antepassados   que   perseguiram  os Profetas, e assim tentam opor-se ao Plano de Deus.

Mas o cálculo do homem pecador se revela errado. Os ‘príncipes deste mundo’, crucificando o ‘Senhor da glória’, tornam-se, na verdade, os instrumentos da Sabedoria divina (1Cor 2,8), porque a morte de Cristo se torna salvação do mundo e glória de Deus”. (2)

No ensinamento de Jesus, à luz do Sermão da Montanha (Mt 5,1-12), a perseguição “se torna objeto de bem-aventurança: ‘Bem-aventurados vós quando vos insultarem, vos perseguirem (Mt 5,11). É inevitável: ‘O servo não é maior que seu Senhor. Se perseguiram a mim, perseguirão também a vós’.

Comprometer-se a viver no caminho de Deus significa encontrar no próprio caminho dificuldades sempre novas e cada vez maiores.

Num mundo dominado pelo egoísmo e pela busca do próprio interesse, quem rega o amor, a pobreza e o perdão será inevitavelmente perseguido, porque o pecado está profundamente radicado no coração do homem.

Mas o perseguido não teme. Tem confiança no Senhor. Os perseguidores podem matar o corpo; não têm poder para arruinar a alma.

O cristão enfrenta a perseguição com alegria: os Apóstolos ‘saíram do sinédrio contentes por terem sido ultrajados por amor do Nome de Jesus’ (At 5,41), e São Paulo: ‘Transbordo de alegria em todas as nossas tribulações’ (2 Cor 7,4)”(3).

Mas o Missal acentua a diferença que existe entre a verdadeira e a falsa perseguição:

“O Concílio pediu à Igreja mudança de atitude perante o mundo; ela não é mais a fortaleza isolada: é o fermento que quer animar e impregnar a massa com o Evangelho.

Não devemos pensar que esta reconciliação seja fácil, e que, depois dela, os homens irão se estender as mãos com espontaneidade.

À medida que alguns puserem verdadeiramente em prática as Bem-Aventuranças evangélicas por uma autêntica promoção humana, outros sofrerão perseguição. A oposição entre a sabedoria do mundo e a de Cristo é inevitável e irredutível.

No entanto, nem todas as vezes que a Igreja sofre perseguição isso se dá por sua fidelidade ao Evangelho e pela imitação de Cristo no caminho da Cruz, algumas vezes foi perseguida e hostilizada em virtude de seu atraso com relação à história, por comodismo ou falta de confiança e coragem. É doloroso constatar como encontraram resistência, suspeitas e às vezes posição em alguns setores da Igreja, ideias cristãs e evangélicas como: liberdade, igualdade, direitos humanos, democracia.

Outras vezes, a hostilidade contra a Igreja nasceu de um amor ilusório para com ela. As limitações humanas da Igreja e dos cristãos, as conivências-inconsciência talvez, mas reais - com situações de injustiça e de poder, os medos e as hesitações, os silêncios, a falta de coragem e de confiança... fizeram que contra ela se revoltassem homens honestos e de boa vontade.

Em muitos casos, as perseguições contra a Igreja têm sua origem numa concepção errada da religião, que parece restringir a liberdade e autonomia do homem.

Mas, enfim, há também uma perseguição que podemos denominar; ‘satânica’. É o fermento funesto do mundo, que se difunde e ramifica como um câncer que corrói os tecidos da humanidade; é como um corpo místico do mal, com o qual, apesar de todos os gestos de boa vontade, a Igreja não pode entrar em diálogo, porque se trata do inimigo irredutível, do adversário que luta contra Cristo e Seu Reino. E isto, apesar de tanto ceticismo, é um mal que existe”. (4)

Celebrando a Eucaristia, acolhamos a Palavra proclamada, e peçamos a Deus a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, e os dons do Santo Espírito, para que vivamos a vocação profética, como Igreja que somos, e nos tornemos instrumentos que favoreçam a realização do Reino de Deus, e não obstáculo para tal.

Em tempos difíceis que vivemos, tenhamos a confiança e a coerência dos Profetas, que a Bíblia nos apresenta, entre eles Jeremias, vivendo fidelidade incondicional a Deus e a Sua Nova e Eterna Aliança de Amor, selada conosco pelo Sangue de nosso Redentor, como celebramos em cada Eucaristia, e um apaixonamento indiscutível e perceptível pela Palavra de Deus.

Acesa chama do Espírito em nosso coração, apesar de nossas fragilidades, comunicaremos às situações mais obscuras da vida, o raio da luz divina, porque a Divina Fonte de Luz em nós fez morada, Se fez um Hóspede, nos divinizou.
  

(1); (2); (3); (4) -  Missal Dominical ©Paulus, 1995 – pp. 723-724.

domingo, 14 de junho de 2026

Chamados, amados e enviados pelo Senhor (XIDTCA)

                                                  



Chamados, amados e enviados pelo Senhor

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 9,36-10,8), em que Jesus, tomado de compaixão pelo povo, envia os discípulos em missão, e para aprofundamento, sejamos enriquecidos pelo Sermão de Eusébio de Emessa.

“Dois homens entravam na cidade; dois homens sem provisão de pão, sem dinheiro, sem túnica reserva. Quem tu imaginas que os recebia? Que portas lhe seriam abertas? Quem era aquele que os reconhecia? Que hospedagem lhes era preparada e onde? Não te admiras o poder de quem os envia e a fé dos que são enviados? Dois peregrinos faziam sua entrada na cidade. De que eram portadores? O que é que pregavam? ‘Foi crucificado’, diziam.

Para os judeus, eram homens de origem humilde, ignorantes, sem cultura, pobres. Sua pregação: a Cruz! Daí a fé. Porém o valor abre passo através das dificuldades. Prega-se a cruz e os templos são destruídos; prega-se a Cruz e são vencidos os reis. Prega-se a Cruz e os sábios são convencidos de erro, as festas pagãs são abolidas e seus deuses suprimidos.

Por que te admiras de que se tenha dado crédito aos apóstolos, ou de que tinham sido capazes de crer, ou por que tenham se convertido ou sido acolhidos? Que não nos passem por alto tantas maravilhas.

Alguns peregrinos, desconhecidos, que a ninguém conheciam, portadores de nada chamativo, percorreram o mundo pregando ao Crucificado, opondo o jejum à libertinagem, a molesta castidade à lascívia. Normas estas que necessariamente resultariam em intoleráveis aos povos menos predispostos a aceitar algumas exortações de honestidade tão disputadas com seus nefandos costumes.

E, contudo, apropriavam-se das pessoas e ocupavam cidades. Com que efetivos? Com a força da Cruz. Aquele que os enviou não lhes deu ouro. O tinham – e em abundância – os reis. Porém lhes digo algo que os reis são incapazes de adquirir ou possuir: para alguns homens mortais lhes deu o poder de ressuscitar mortos; a eles, homens sujeitos à enfermidade, autorizou-lhes a curar as enfermidades. Um rei não pode ressuscitar a um soldado dentre os mortos, e o próprio rei está sujeito à enfermidade.

Mas quem os enviou ressuscita e cura os enfermos. Compara agora as riquezas dos reis e as riquezas dos apóstolos. Fixa-te na diversa condição social: o rei é nobre, os apóstolos, humildes; porém, sendo mortais, realizaram coisas divinas com a ajuda de Deus. E se alguém pretende que os apóstolos não fizeram milagres, nossa admiração se eleva. De fato, ressuscitaram-se mortos, deram vista aos cegos, fizeram os coxos caminharem e limparam os leprosos, mediante estes sinais varreram a irreligiosidade e implantaram a fé; é realmente admirável não acreditem nestes milagres dos quais existe escrita constante.

Antes da crucificação os discípulos não fizeram milagre algum; depois da crucificação realmente os fizeram. E se fizeram alguma coisa antes da crucificação, não teve nenhuma repercussão: mas quando o sangue divino apagou o registro que nos condenava com suas cláusulas e era contrário a nós; quando nós, imundos, fomos lavados no sangue; quando a morte foi vencida pela morte; quando por um Homem, Deus abateu aquele que devorava os homens; quando pela obediência, deu morte ao pecado; quando Adão foi reabilitado por um homem; quando por meio da Virgem, foi cancelado o erro originário, é então que os apóstolos obedecem e as sombras despertam aos homens que dormem.

É que a força divina se tinha apoderado daqueles a quem ela lhes foi enviada. Já não eram como antes, aquilo que nós éramos: tinham sido revestidos. E assim como o ferro, antes de ser colocado junto ao fogo, é frio e em tudo semelhante a qualquer outro ferro, porém quando é posto no fogo e se torna incandescente, perde a sua frieza natural e irradia outra natureza abrasada, idêntica operação realizam os homens mortais que foram revestidos de Jesus. Assim o ensina Paulo quando diz: ‘Já não sou eu que vivo – estou morto com uma ótima morte! – é Cristo que vive em mim’” (1)

Assim aconteceu nos primeiros momentos das comunidades, professando a fé no Cristo Crucificado, Morto e Ressuscitado.

Hoje também continuamos a missão de Jesus, conforme mencionado no Evangelho, contando com a graça, força e presença do Espírito Santo, enviado do Pai em Seu nome, conforme prometera.

Evangelizamos com recursos ainda que limitados, sobretudo hoje através dos meios de comunicação social, proclamando a Palavra de Deus, oportuna e importunamente, como nos falou Paulo a Timóteo (2Tm 4,1-5).

Edificamos uma Igreja com as marcas da misericórdia e compaixão, missionária em sua essência e natureza, em todos os lugares para que a luz divina resplandeça e o Reino de Deus se vislumbre, em pequenos sinais.

Renovemos a alegria de continuar a missão de Jesus, alimentados pela Eucaristia, tendo em mente e no coração o testemunho daqueles primeiros que o Senhor chamou como bem quis por amor e com amor.

Seja sempre nossa missão de evangelizadores uma alegre, generosa e gratuita resposta de amor ao Senhor que nos chama também e nos envia para proclamar a Sua Palavra. Sejamos sinais e instrumentos da compaixão divina, sobretudo para com os que mais precisarem.



(1) Lecionário Patrístico Dominical, Editora Vozes, 2013 - pp. 157-158.
Apropriado para a reflexão da passagem de Mateus (Mt 10,7-13)

A paradoxalidade do Amor de Deus: Amar na contramão da história... (XIDTCA)

                                                              

A paradoxalidade do Amor de Deus:
Amar na contramão da história...

À luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 9,36-10,8), refletimos sobre a compaixão, o Amor misericordioso de Deus, que nos chama e envia para sermos sinal desta compaixão, no trabalho da Messe, no cuidado do rebanho.    
  
O cristão é, fundamentalmente, alguém que descobriu que Deus o ama. Por isso, enfrenta a cada dia o bom combate da fé com serenidade e alegria. Possui uma esperança que brota da certeza fundamental: o Amor de Deus.

Este Amor deve ser para nós o grande tesouro de que nos fala a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 6,19-23): “…ajuntai tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, nem os ladrões assaltam e roubam… Pois onde estiver teu tesouro, aí estará também o teu coração”. 

O cristão condiciona e fundamenta toda sua vida nesta certeza, e vive a alegria de quem encontrou e experimentou o Amor de Deus que o faz discípulo missionário, Sal e Luz, ou seja, Eucarístico.  

Com a Palavra, Jesus Cristo revelou o Deus Bíblico: Deus de Amor, pois o Espírito do Senhor repousava sobre Ele na mais perfeita relação de comunhão e Amor.

A reflexão sobre o Amor de Deus é convite para que embarquemos na aventura da Aliança de Amor. Não um amor qualquer, mas no exato sentido da Palavra Amor, pois Deus é Amor.

Deus ama o Povo e o tem como Seu tesouro, Sua propriedade e o constitui povo de sacerdotes e nação santa (Ex 19,2-6a).

Ama apesar de toda infidelidade, traição, idolatria, abandono, morticínios, sacrifícios inúteis, abominações, reclamações sem fundamento, provação, provocação, lamentações infundadas, ingratidão, atrocidades cometidas, amor não correspondido…

De que Amor se fala?
Do Amor de Deus, que é o Amor que ama na contramão da história, daí sua paradoxalidade: Ama um povo pequeno, aos olhos humanos, absolutamente desprezível, débil, frágil e insignificante. 

Encarna-Se para redimi-lo e não somente este povo, mas toda a humanidade, em Cristo Jesus, e perpetua Seu Amor na presença do Espírito Santo, não nos deixando órfãos!

Reflitamos:

 Ø   E, por que não corresponder na exata medida deste Amor?
 Ø   Por que não fazer do Amor de Deus e de Sua presença em nós o bem maior que se possa querer e ter?

Deus habita em cada um de nós como templo Seu, sendo para nós o mais belo Hóspede!

Vejamos os tantos modos de falar sobre o Amor de Deus a partir de apenas uma simples vogal:

Idealizador,
Idílico, Ilimitado, Ilimitado,
Ilógico, Iluminador, Ilustre, Imaculado,
Imortal, Impecável, 
Imperante, 
Imperdível,
Imperturbável, Implacável, Impressionante, Imutável, Imprescindível, Inalienável, Inalterável, Incandescente,
Incansável, Incendiário, Incessante, Incomensurável,
Incomparável, Incondicional, Inconfundível,
Incontestável, Incorruptível,
Indelével, Indiscutível, 
Indispensável, 
Indissociável, 
Incrível Indubitável, Indulgente, Inédito, Inerente, Inesgotável, Inesquecível, Inestimável, Inexplicável, Infalível, Infiltrante, Infinito, Inflamável, Inigualável, Iniludível, Inimitável, Inovador, Inqualificável, Inquebrável, Insaciável, Insigne, Inspirador, 
Insubstituível, 
Inteligente,
Interminável, Íntimo, Inusitado, Inviolável,
Irradiante, Irrecusável, Irrenunciável,
Irresistível, Irrestrito, Irretocável,
Irreversível, Irrevogável,
Irrigador...

A missionariedade consistirá em corresponder ao Amor de Deus. Somente no verdadeiro encontro e apaixonamento por Cristo e Seu Evangelho estaremos, como João Batista, vivendo nossa vocação profética, ontem, hoje e sempre.

Contemplemos na Cruz o Mistério do Encontro/presença de um Deus que é Amante (Pai), Amor (Espírito Santo), Amado (Filho).

“Alegria do Evangelho” (XIDTCA)

                                                     


“Alegria do Evangelho

Senhor, a Vós recorremos confiantes e suplicamos:
Dai-nos Vossa Sabedoria em todos os instantes,
Para que sejamos corajosas testemunhas Vossas,
Com a indispensável graça para a perseverança.

A Vossa Sabedoria que nos preserva de riscos indesejáveis,
Como o da autossuficiência e indiferença,
Numa autêntica fidelidade à Vossa Palavra
Em todas as circunstâncias, favoráveis ou não.

Testemunhar a fé contra o risco de perdê-la.
Quando situações adversas e ventos contrários
Teimosamente insistirem em soprar,
Saibamos confiar em Vossa terna presença.

Comunicai-nos Vossa Divina Sabedoria,
Para que diante da provação inevitável,
Seja a dor, o pranto, o sofrimento e a morte,
Fiéis a Vós, sejamos humildes e fortes.

Deus, Forte, Santo e infinitamente misericordioso,
Afastai de nós as aflições e as lágrimas da condição humana,
Quando copiosa e teimosamente verterem,
Consolai-nos, confortai-nos, afagai-nos, Senhor!

Fortalecei nossa necessária perseverança,
Sem permitir que morra a fina flor da Esperança,
Que brota, morre e renasce continuamente,
Quando a nossa Fé não se separa da Caridade.

Dai-nos, Senhor, Vossa Divina Sabedoria
Para compreendermos a dura linguagem da Cruz,
Loucura para alguns, escândalo para outros,
Que para a vida plena e eterna nos conduz.

Vossa força e graça nos acompanhem todos os dias,
Para que, ao testemunhar nossa Fé em Vós,
Sejamos discípulos missionários perseverantes,
Comunicando a “Alegria do Evangelho” com sabedoria. Amém.

Fidelidade à missão que o Senhor nos confia (XIDTCA)

                                             

Fidelidade à missão que o Senhor nos confia

Com a Liturgia do 11º Domingo do tempo Comum (ano A), somos convidados a refletir sobre a missão que Deus nos confia, sendo no mundo instrumentos de Sua compaixão e misericórdia.

Somos chamados e enviados por Deus para que sejamos sinais vivos do Seu amor e testemunhas de Sua bondade, em gestos contínuos de amor, partilha e solidariedade.

Na passagem da primeira Leitura - Livro do Êxodo (Ex 19, 2-6a), o autor nos apresenta o Deus da Aliança, e como Ele estabelece laços de comunhão e familiaridade.

Uma Aliança com pretérito, presente e futuro, como vemos na passagem, de modo que a eleição como Povo de Deus não é um privilégio, mas uma missão profética para ser sinal do Deus vivo.

Somente quando o povo se põe em conquista da liberdade, se torna, de fato, sinal de Deus, vivendo com Ele a Aliança.

Como Povo de Deus, é preciso reconhecer a Sua presença na Sua aparente ausência. É preciso ouvir sua voz, guardar a Aliança e pôr-se a caminho, em total fidelidade a Ele, como que “embarcando na aventura da Aliança”.

Reflitamos:

- Sou sinal do amor vivo de Deus e Sua bondade?
- Como correspondo à Aliança de Amor de Deus conosco?
- Percebo a presença de Deus em minha vida, na vida da comunidade?

Na passagem da segunda Leitura, o Apóstolo Paulo nos apresenta a missão da comunidade: testemunhar o amor eterno de Deus pela humanidade, um amor inquebrantável, inqualificável, incrível, ilógico, inexplicável, gratuito e absolutamente único, e nada e ninguém poderá vencê-Lo, derrotá-Lo ou eliminá-Lo (Rm 5, 6-11).

Também insiste que a salvação é dom do amor de Deus e não uma conquista do homem e da mulher. Para ele, a História da Salvação é uma incrível história de amor.

Reflitamos:

- Sinto a presença e o amor de Deus em minha vida?
- Como comunidade somos sinais deste amor de Deus?
- O que precisamos fazer para corresponder ao amor de Deus?
- Salvação é dom divino e resposta nossa. Como respondemos a este dom divino?

Na passagem do Evangelho, encontramos o “discurso da missão”, acompanhado de uma catequese sobre a escolha, o chamamento e o envio dos doze discípulos (Povo de Deus) para anunciar a chegada do Reino de Deus (Mt 9, 36-10,8).

O texto foi escrito num contexto de grandes dificuldades para o anúncio do Evangelho, e com isto a desorientação e a perturbação enfrentadas. Por isto, o Evangelista apresenta como que um “manual do missionário cristão”, enraizando sua missão em Jesus Cristo.

A iniciativa do chamado é do próprio Jesus. E o número “doze” é simbólico, lembrando as doze tribos que formavam o antigo Povo de Deus, e com isto representa a totalidade do novo Povo de Deus.

A missão confiada aos discípulos é a de lutar contra tudo que destrua (pecado) a vida e a felicidade das pessoas, física ou espiritualmente.

O envio é acompanhado de Instruções: a salvação se destina a todos os povos, e deve ser realizada na gratuidade e na confiança plena em Deus, de modo que a missão dos discípulos é a própria missão de Jesus.

Reflitamos:

- Tenho vivido com fidelidade a Missão que o Senhor me confiou?
- Como Igreja temos realizado com zelo a missão pelo Senhor confiada?

- Realizo com confiança e gratuidade a missão confiada pelo Senhor?
- O que me impede para ser sinal da compaixão e solidariedade divina no mundo?

- Há consistência e audácia no testemunho de nossa fé?

A messe é grande e os operários são poucos. Peçamos que o Senhor envie operários para a messe, mas antes, coloquemo-nos com alegria e generosidade nesta missão. Façamos nossa parte com zelo, amor e alegria, pois assim exige a evangelização. Não há “desemprego no campo missionário”.

Fonte inspiradora:  www.Dehonianos.org/portal

Em poucas palavras... (XIDTCA)

A missão pelo Senhor a nós confiada

“IDE E PREGAI, DIZENDO: Aproxima-se o reino dos Céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demônios…

Este mandato do Senhor, que lemos no Evangelho da Missa (Mt 10,7-13), deve ressoar no coração de todos os cristãos.

É a missão apostólica que cada um deve empreender pessoalmente no lugar onde se vai desenvolvendo a sua vida: a cidade, o bairro, a empresa, a Universidade…

Encontraremos mortos, que teremos de levar ao sacramento da Penitência para que recuperem a vida sobrenatural; enfermos, que não podem valer-se a si mesmos e é preciso ajudar para que se aproximem de Cristo; leprosos, que ficarão limpos pela graça através da nossa amizade; endemoninhados, cuja cura exigirá de nós uma generosa oração e penitência…” (1)


(1) Coleção Falar com Deus - Vol. IV - Francisco Fernandes-Carvajal - Editora Quadrante - p. 323


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