quinta-feira, 11 de junho de 2026

Quando a Cruz parecer pesada demais... Sejamos cristãos de fato! (parte I)

                                                              

Quando a Cruz parecer pesada demais... Sejamos cristãos de fato!

Sejamos iluminados pela Carta aos Romanos, escrita pelo Bispo e Mártir Santo Inácio de Antioquia (séc I).

“A ninguém jamais seduzistes, mas ensinastes a outros. Quanto a mim também quero que continue firme o que ensinais e prescreveis.

Pedi apenas para mim as forças interiores e exteriores, a fim de que não só fale, mas o queira; para que não só seja chamado de cristão, mas reconhecido como tal.

Se me reconhecerem, então serei chamado cristão e minha fé será manifesta, quando não mais aparecer aos olhos do mundo.

Nada do que é aparente é bom. Pois o nosso Deus, Jesus Cristo, Ele mesmo, de novo vivo no Pai, agora Se manifesta sempre mais.

O Cristianismo não é resultado de persuasão, mas de grandeza, quando é objetivo de ódio para o mundo.

Tenho escrito a todas as Igrejas e a todas elas faço saber que com alegria morro por Deus, contanto que vós não me impeçais.

Suplico-vos: Não demonstreis por mim uma benevolência intempestiva.

Deixai-me ser alimento das feras, porque através delas, pode-se alcançar a Deus.

Sou trigo de Deus: Que seja eu triturado pelos dentes das feras para tornar-me puro Pão de Cristo!

Instigai, ao contrário, os animais para que neles encontre o meu sepulcro e nada reste de meu corpo para não ser pesado a ninguém, depois de adormecer.

Então serei verdadeiramente discípulo de Cristo, quando o mundo não mais vir sequer o meu corpo.

Suplicai a Deus por mim, que por este meio me torne uma hóstia para Deus.

Não vos dou ordens como Pedro e Paulo. Eles são apóstolos, eu, um condenado, eles, livres, eu, escravo até agora.

Mas se eu sofrer serei um liberto de Jesus Cristo e n’Ele ressurgirei livre. Agora, algemado, aprendo a nada cobiçar.

Desde a Síria até Roma venho lutando, com as feras, de dia e de noite, por terra e mar, amarrado a dez leopardos, isto é, ao grupo de soldados.

Eles, ao receberem benefício tornam-se ainda piores. Aprendo mais com suas injúrias, mas só por isso não sou justificado.

Quem me dera alegrar-me com as feras preparadas para mim! Desejo-as bem velozes. Afagá-las-ei para que me devorem depressa.

Não aconteça comigo como a alguns nos quais nem sequer, medrosas, tocaram. Se elas resistirem e não me quiserem, eu as obrigarei à força.

Perdoai-me! Eu sei o que me convém. Agora começo a ser discípulo.
Que nada, tanto das coisas visíveis quanto das invisíveis, segure o meu espírito, a fim de que eu possa alcançar Jesus Cristo.

Que o fogo, a cruz, um bando de feras, os dilaceramentos, os cortes, a deslocação dos ossos, o esquartejamento, as feridas pelo corpo todo, os duros tormentos do diabo venham sobre mim para que eu ganhe unicamente a Jesus Cristo!”

Esta Carta nos oferece incontáveis questionamentos, pois Santo Inácio é uma ressonante voz de quem se enamorou, irrenunciavelmente e irrevogavelmente, por Jesus Cristo.

O mundo Pós-Moderno precisa de “Inácios de Antioquia”. A cada tempo a Igreja tem seus “Inácios”, corajosos e confiantes no Senhor!

A Comunhão dos Santos, verdade de nossa fé, nos coloca em plena comunhão com uma voz que nunca mais calou:

Porque morto, por amor a Jesus, por Deus foi Ressuscitado.  Santo Inácio está junto daqueles que continuam falando conosco, pela memória, pela palavra anunciada e testemunhada.

Santo Inácio não falou apenas com palavras, com os lábios, mas com a vida, e, no ato máximo da doação, com o martírio.

Acolher seu testemunho nos fará mais fortes nas provações, inquietações, incompreensões na família, na comunidade e em todo lugar.

Percebemos o quanto ainda nos falta amadurecer na fé, na fidelidade, na coragem, no seguimento, na missão que o batismo nos confiou.

Recoloca-nos no caminho da fidelidade mais audaciosa e mais corajosa no seguimento de Cristo.

Reclamaremos sempre menos, quando o nosso amor por Jesus for um pouco mais.

É preciso que sejamos cristãos, de fato. Verdadeiramente cristãos, fazendo de seu exemplo mais uma luz a acender em nosso caminho e revigore nossa espiritualidade cristã!

Reflitamos:

- Como tenho vivido meu Batismo?
- Tenho sido cristão, de fato, em todos os lugares e circunstâncias?

- Quais as provações que já enfrentei por causa de Jesus e Seu Evangelho?
- Quais as que ainda persistem no meu caminho?

- O que este tão belo testemunho desperta em minha reflexão?
- Sou puro trigo de Deus, para ser puro pão de Cristo como Santo Inácio o foi?

Creio em Deus Pai todo Poderoso...

PS: Liturgia das Horas Vol.III - pp. 289-290. 

Quando a Cruz parecer pesada demais… Sejamos cristãos de fato! (parte 2)

                                               

Quando a Cruz parecer pesada demais…
Sejamos cristãos de fato! 

Continuemos a leitura da Carta do Bispo Santo Inácio de Antioquia aos Romanos, escrita num contexto de perseguição, sofrimentos, martírios.


“Nem as delícias do mundo nem os reinos terrestres me interessam.
Mais vale para mim morrer em Cristo Jesus do que imperar até os confins da terra.

Procuro Aquele que morreu por nós: Quero Aquele que por nós ressuscitou.

Meu nascimento está iminente. Perdoai-me, irmãos! Não me impeçais de viver, não desejeis que eu morra, pois desejo ser de Deus.

Não me entregueis ao mundo nem me fascineis com o que é material.

Deixai-me contemplar a luz pura, onde, lá  chegando, serei homem.
Concedei-me ser imitador da paixão de meu Deus.

Se alguém O possui no coração, entenderá o que quero e terá compaixão de mim, sabendo da ânsia que me atormenta.

O príncipe deste mundo deseja arrebatar-me e corromper meu amor para com Deus.

Nenhum de vós, aí presentes, o ajude. Ponde-vos antes de meu lado, ou melhor, do lado de Deus.

Com efeito, não podeis pronunciar o nome de Jesus Cristo, enquanto cobiçais o mundo.

Não more em vós a inveja. Mesmo que eu em pessoa vos rogasse algo diferente, não me escuteis.

Crede antes no que vos escrevo. Vivo, vos escrevo, desejando morrer. Meu amor está crucificado.

Não há em mim fogo que busque alimentar-se da matéria, apenas uma água viva e murmurante dentro de mim, dizendo-me em segredo: Vem para o Pai!

Não sinto prazer com o alimento corruptível nem com as volúpias deste mundo.

Quero o Pão de Deus, a carne de Jesus Cristo, que nasceu da linhagem de Davi.

E quero a bebida, O Seu Sangue, que é a caridade incorruptível.
Não quero mais viver como os homens. Isto acontecerá se vós quiserdes.

Querei-o, rogo-vos, para que sejais vós também queridos. Com poucas palavras dirijo-me a vós.
Acreditai-me: Jesus Cristo vos manifestará que digo a verdade,
Ele que é a boca verdadeira pela qual o Pai verdadeiramente falou.
Pedi vós por mim, para que o consiga.

Não por motivos carnais, mas segundo a vontade de Deus que foi que vos escrevi. Se for martirizado, vós me quisestes bem. Se for rejeitado, vós me odiastes.

Lembrai-vos em vossas Orações da Igreja da Síria, que tem Deus em meu lugar. Em lugar do bispo, Jesus Cristo e a vossa caridade a governarão.

Envergonho-me de ser contado entre seus membros, pois não sou digno disto, já que sou o ultimo deles e como que um aborto.

Na verdade, alcançarei a misericórdia de ser alguém se possuir a Deus.

Saúdam-vos o meu espírito e a caridade das Igrejas que me recebem em nome de Jesus Cristo e não como um passante qualquer.

De fato, as Igrejas, que não se acham no caminho por onde vou passando, antecipam-se a meu encontro em cada cidade” (1)

Como crerão na Ressurreição se não morrermos por Ele?
Como enfrentarmos a morte, sem a esperança da eternidade?

O que leva a estes testemunhos e atos heroicos? 

A notícia mais revolucionária que nossa fé professa é a promessa da imortalidade, a Ressurreição dos Mortos.  

Crer no Mistério da Páscoa, na passagem da morte para a vida, a âncora da esperança da imortalidade, que levou a atos heroicos Santo Inácio e tantos outros, como já o dissemos.

São memoráveis testemunhos a serem lidos com a dimensão pascal, em que a vida venceu a morte.

A consciência de que uma vida consumida e entregue por Cristo, será retomada na glória dos céus.

Santo Inácio, como tantos, não desejou a morte pela morte. Não se trata de um ato masoquista, de desvalorização ou falta de apreço pela vida presente. 

Trata-se da fé em Deus e de um amor que transcende às compreensões puramente humanas, concepções gerais da vida e quaisquer categorias de pensamentos filosóficos, além de todas as explicações lógicas, puramente materiais, existenciais e temporais.

Numa palavra: a fé em Deus e o amor por Ele transcendem a tudo que possamos pensar e tentar explicar, porque é de racionalidade transcendente por natureza.

A pós-modernidade, que prega o individualismo, o hedonismo, a finitude da vida, o consumismo, o relativismo de todas as coisas, não consegue captar e compreender seu sentido e conteúdo.

Com esta introdução, coloquemo-nos em imediata leitura da Carta.
Deixemos que o Espírito suscite instigantes pensamentos e questionamentos.


Reflitamos:

- Por quantas verdades nos movemos?
- Por quantas verdades somos capazes de morrer?

- Creio na Ressurreição da Carne, na vida eterna?
- Tenho uma fé genuinamente Pascal, a exemplo de Santo Inácio de Antioquia?

Reflitamos e contemplemos a convicção e o testemunho de Santo Inácio, e de todos que na vida o sangue derramaram por amor de Cristo, sejam semente de novos cristãos e cristãs.

Que a vida por amor sacrificada, de Santo Inácio, nos leve ao esforço de nos tornarmos alegre e agradável oferenda a Deus, como hóstias santas e imaculadas!

Inspirados pelo seu exemplo, sejamos mais, decididamente, comprometidos e apaixonados por Cristo, na espera de um dia gozarmos as delícias da eternidade. Amém!  


PS: Liturgia das Horas - Tempo Comum - Vol. III - pág. 293-294.

Quando a Cruz parecer pesada demais... Sejamos cristãos de fato! (parte 3)

 


Quando a Cruz parecer pesada demais... 

Sejamos cristãos de fato!  

Em Antioquia, pela primeira vez, os seguidores de Jesus foram chamados de cristãos (At 11,19-26), e é fundamental que peregrinos da esperança, sejamos cristãos de fato, quando:

- Subimos a escada que nos leva aos céus, mas que não nos exime de sagrados compromissos com a vida da humanidade e do planeta, nossa Casa Comum (Papa Francisco em Encíclica Laudato Si – Papa Francisco);

- Com palavras e atos, iluminados pela Palavra, que é Pão e Luz; que nos sacia e nos ilumina. Revigorados e nutridos pelo salutar Pão de Eternidade, o Pão da Eucaristia. Amém.

 


Na solidão da noite, a fogueira foi acesa

                                                         

Na solidão da noite, a fogueira foi acesa

"O amor de Deus foi derramado em nossos corações 
pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5,5)

Na solidão do quintal acendi minha fogueira,
e como que uma corte celestial de anjos,
traziam lenhas para mantê-la acesa.
Ouvia o crepitar das chamas, 
como uma suave melodia cantando aos céus.

Olhando para as chamas, pedi a Deus que em meu coração,
Também fossem acesas, e que jamais se apaguem,
Bem como no coração de tantos quantos oro e nele carrego.
Seja nosso coração reflexo e sinal da Folha Ardente de Caridade:
O doce amado Sagrado Coração de Jesus.

Na solidão do quintal, fogueira acesa, fogo crepitante.
Fui queimando meus pensamentos negativos,
Possíveis medos, inseguranças e angústias tão humanas.
Fossem também queimados os mesmos de tantos que
A vida com sonhos, pesadelos, cansaços e esperanças comigo compartilham.

Supliquei a Deus que fossem queimados para sempre
A hipocrisia, a ganância, chagas abomináveis dos preconceitos,
A banalização do mal e a violação da sacralidade da existência humana.

Na solidão do quintal, fogueira acesa, músicas pelos anjos cantadas.
Não há quadrilhas, bebidas típicas que venham à memória.
Mas vem um novo canto de um inédito amanhecer.
Onde o mal cede lugar ao bem, o ódio ao amor, a morte à vida.
Um suave canto de louvor pela criação e criaturas.
Não mais abusadas, vilipendiadas, destruídas,
E nossa Casa Comum melhor cuidada, porque não fala mais alto
A ambição desmedida do lucro, sobrepondo-se à beleza da vida.

Na solidão do quintal, fogueira acesa, bebidas pelos anjos servidas,
Pré-anunciando um banquete celestial por Deus para nós preparado.
Saciados no tempo presente pela bebida do néctar do amor divino,
Refazemos nossas forças, celebrando a beleza da vida,
Tão ameaçada, machucada, esmagada, insanamente destruída.
Néctar do amor, bebida que nos cura de nossa loucura destruidora,
Bebida e saboreada porque não permite a eternidade da noite escura
E na luminosidade divina confia, nesta superação, necessária travessia.

As fogueiras não foram acesas, dirão; responderei: de fato.
Não nos encontramos, não ouvimos músicas como outrora.
Não saboreamos delícias das festas juninas.
Não hasteamos bandeiras, tão pouco dançamos quadrilha.
Nem pipoca, nem batata-doce, canjica, pé-de-moleque,
Nem qualquer outra comida ou bebida.
Talvez para que reaprendamos esta beleza, por ora esquecida,
Do encontro, da festa, da vida, do sorriso, da fraterna vivência.

Na solidão do quintal, fogueira acesa?
No coração com certeza, mais que acesa,
Para que vençamos o frio da noite prolongada que vivemos.
E brevemente, podermos celebrar,
E falar das fogueiras tantas que Deus vai acendendo:
A chama do fogo do amor do Espírito,
Que em nossos corações, pelo Espírito foi derramada,
Como tão bem expressou o Apóstolo Paulo (Rm 5,5). 
Amém. Aleluia!

A pira e a Fornalha

                                                                 

A pira e a Fornalha

Não são sinônimos para quem crê, para quem tem fé,
Para quem não permite que morram os belos sonhos,
Para quem não deixa que se pulverizem as vitais utopias,
Para quem pela Paixão do Reino se consome avidamente.

Na pira não se queimam mais cadáveres em sacrifício,
Queimam suas atitudes que nos roubam a beleza do viver,
De modo especial, os pecados capitais que nos seduzem:
Soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça.

Vejo suas labaredas crepitarem e aos céus subirem,
Como pontas fumegantes alcançando as alturas,
Precedendo às cinzas que dos pecados ficarão
Porque foram tirados das entranhas de nossa alma.

Pira com fogaréu em chamas como línguas de fogo;
Seu fogo por enquanto não poderá ser apagado, 
Sobretudo quando ainda  há os que resistem nela não jogar
Sentimentos de ódio, orgulho, petulância, ambição.

Mas há outra Fornalha para sempre acesa, eu creio,
Fornalha ardente de caridade: o Sagrado Coração de Jesus.
Fogo inextinguível, implacável e imortal em labaredas,
Ao contrário, nos vem dos céus, inflamando nosso coração.

Coração incandescente e eternamente luminoso,
Que nos comunica a luz em sombrias travessias,
Para que não tropecemos no dia ainda que claro,
Mas por vezes escuro pelas reais dificuldades.

Ó Divina Fornalha ardente, também vejo Suas chamas,
Ouço o suave ruído do crepitar de Suas chamas descendo,
Cumulando minha alma dos sete dons, como em Pentecostes:
Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Temor e Piedade.

Viver é fazer escolhas sábias, sem hesitações e letargias;
Nas piras, queimarmos o que for necessário para que mais humanos sejamos,
Pela Fornalha ardente do Coração de Jesus sendo inflamados,
Porque somente assim felizes seremos, porque divinamente amados.

O coração do Padre à luz dos mais Belos Corações!

                                                             

O coração do Padre à luz dos mais Belos Corações!

Retomo esta reflexão que fiz, por ocasião do encerramento do Ano Sacerdotal (2009-2010), para que tenhamos Presbíteros conforme o Coração de Jesus.

O Lema que o motivou ressoará para sempre no coração de cada Sacerdote e no coração de todo o Povo de Deus: “Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote”, bem como a célebre frase do Padroeiro de todos os Padres: “O Sacerdote é o amor do Coração de Jesus” – São João Maria Vianney.

É preciso tornar o coração do Presbítero semelhante aos mais Belos Corações: O Imaculado Coração de Maria e o Dulcíssimo Sagrado Coração de Jesus, e assim o lema e a frase acima encontrem conteúdo e iluminem o seu caminhar.
  
A exemplo de Maria, o Presbítero deve ter: 

- um coração pleno de ternura, para ser sinal d’Aquele que é Fonte de toda ternura;
- um coração radiante porque se nutre Daquele que é a Fonte dos bens mais necessários;

- um coração alegre, porque servidor Daquele que é Fonte da plena alegria;
- um coração pleno de esperança, porque a reacende na Fonte da preciosa e eterna chama que jamais se apaga;

- um coração transparente, para revelar ao mundo a Face Divina, em perfeita configuração ao Cristo, em envolvente relação de apaixonamento;
- um coração singelo e meigo, para acolher no coração a Semente do Verbo, em que flores e frutos do Reino abundantemente se multiplicam;

- um coração que perdoa, porque servo do perdão que vem Daquele que da humanidade é Fonte de redenção;

- um coração com marcas da solidariedade, porque aprendiz e servidor da Solidariedade Divina, que não consentiu que ficasse para sempre decaída a humanidade pelo pecado;
- um coração pleno de virtudes, porque enriquecido por Aquele do qual procede todos os carismas, virtudes em infinidade;

- um coração plenamente livre, porque ama, testemunha o Evangelho Daquele que é a Verdade que nos Liberta;
- um coração iluminado, pleno de luz, porque é sinal d’Aquele que das nações é a Eterna Luz;

- um coração cristalino, porque sacia sua sede Naquele que é Fonte de toda Água cristalina!
- um coração inebriante, porque  se nutre do mais puro Pão, do Sangue d’Aquele que na Cruz, abundantemente derramou. Sangue inebriante, que nos redime e inebria, presente na Eucaristia!

Deste modo será apaixonado pela vida, porque servidor d'Aquele que dela é Fonte, e por isto amante e defensor da sacralidade da vida, portadora da imaculada e inviolável dignidade.

Deste modo, viverá o Puro Amor, amando a humanidade como Aquele que a humanidade, até o fim amou, com um coração indiviso à vontade Divina, para servir e consagrar Aquele que foi Todo fidelidade a Deus!São estes, entre outros, os compromissos que devem estar enraizados em seu coração, ocupando as entranhas de sua alma...

É imperativo que o sacerdote tenha um coração semelhante ao Imaculado Coração de Maria, porque somente assim ele será o amor do Coração do Filho, o amor do Coração de Jesus!  Somente assim poderá, revigorado a cada dia em seu Ministério, ser da massa o fermento, da terra o sal, do mundo um raio de luz! 

Resquiescat in pace - Descanse em paz!

                                          


Resquiescat in pace  - Descanse em paz!

O sol escondido sob as nuvens, dia sombrio, como ficaram os dias sem você, desde quando partiu, e meus olhos nadam em lágrimas vertentes.

Hoje, uma lembrança com misto de tristeza suave e dilacerante me consome, e volto meus olhos para o passado, procurando preencher o vácuo que você deixou, que por vezes parece impreenchível.

Não fosse a fé na ressurreição da carne, ficaria apenas a sombra do túmulo, eterna sombra da morte; eterno descanso; ocaso sem esperança; derradeira pulsação da vida, sem desabrochar na outra margem.

Não fosse a fé na ressurreição da carne, aquele momento supremo da vida, seria um eterno sábado; o véu da morte ficaria para sempre posto, e não reconheceríamos os sinais do Ressuscitado, “os panos dobrados e colocados à parte” desde aquela memorável madrugada (cf. Jo 20, 7).

Mas creio na ressurreição da carne, e a morte é o descansar no regaço do Senhor; o dormir o sono da noite, sem horas após o último suspiro e o cerrar dos olhos à luz; o sentimento do frio pelas asas da morte a roçar a fronte; o fugir dos últimos lampejos da vida.

RIP – Resquiescat in pace – Descanse em paz amigo/a. Que o Senhor se compadeça de sua alma e o tenha para sempre em Sua glória, até que um dia também faça a necessária e derradeira passagem e viveremos o epílogo da eternidade e comunhão na glória dos céus, com os anjos e santos. Assim creio. Assim espero. 

Tenho que seguir em frente, lembrando com carinho de cada momento que vivemos; cada sorriso compartilhado; cada lágrima enxugada; cada dificuldade superada...

Descanse em paz! O brilho do Sol nascente vem nos iluminar, até que um dia possamos nos céus nos encontrar. Amém.

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