quinta-feira, 11 de junho de 2026

O coração do Padre à luz dos mais Belos Corações!

                                                             

O coração do Padre à luz dos mais Belos Corações!

Retomo esta reflexão que fiz, por ocasião do encerramento do Ano Sacerdotal (2009-2010), para que tenhamos Presbíteros conforme o Coração de Jesus.

O Lema que o motivou ressoará para sempre no coração de cada Sacerdote e no coração de todo o Povo de Deus: “Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote”, bem como a célebre frase do Padroeiro de todos os Padres: “O Sacerdote é o amor do Coração de Jesus” – São João Maria Vianney.

É preciso tornar o coração do Presbítero semelhante aos mais Belos Corações: O Imaculado Coração de Maria e o Dulcíssimo Sagrado Coração de Jesus, e assim o lema e a frase acima encontrem conteúdo e iluminem o seu caminhar.
  
A exemplo de Maria, o Presbítero deve ter: 

- um coração pleno de ternura, para ser sinal d’Aquele que é Fonte de toda ternura;
- um coração radiante porque se nutre Daquele que é a Fonte dos bens mais necessários;

- um coração alegre, porque servidor Daquele que é Fonte da plena alegria;
- um coração pleno de esperança, porque a reacende na Fonte da preciosa e eterna chama que jamais se apaga;

- um coração transparente, para revelar ao mundo a Face Divina, em perfeita configuração ao Cristo, em envolvente relação de apaixonamento;
- um coração singelo e meigo, para acolher no coração a Semente do Verbo, em que flores e frutos do Reino abundantemente se multiplicam;

- um coração que perdoa, porque servo do perdão que vem Daquele que da humanidade é Fonte de redenção;

- um coração com marcas da solidariedade, porque aprendiz e servidor da Solidariedade Divina, que não consentiu que ficasse para sempre decaída a humanidade pelo pecado;
- um coração pleno de virtudes, porque enriquecido por Aquele do qual procede todos os carismas, virtudes em infinidade;

- um coração plenamente livre, porque ama, testemunha o Evangelho Daquele que é a Verdade que nos Liberta;
- um coração iluminado, pleno de luz, porque é sinal d’Aquele que das nações é a Eterna Luz;

- um coração cristalino, porque sacia sua sede Naquele que é Fonte de toda Água cristalina!
- um coração inebriante, porque  se nutre do mais puro Pão, do Sangue d’Aquele que na Cruz, abundantemente derramou. Sangue inebriante, que nos redime e inebria, presente na Eucaristia!

Deste modo será apaixonado pela vida, porque servidor d'Aquele que dela é Fonte, e por isto amante e defensor da sacralidade da vida, portadora da imaculada e inviolável dignidade.

Deste modo, viverá o Puro Amor, amando a humanidade como Aquele que a humanidade, até o fim amou, com um coração indiviso à vontade Divina, para servir e consagrar Aquele que foi Todo fidelidade a Deus!São estes, entre outros, os compromissos que devem estar enraizados em seu coração, ocupando as entranhas de sua alma...

É imperativo que o sacerdote tenha um coração semelhante ao Imaculado Coração de Maria, porque somente assim ele será o amor do Coração do Filho, o amor do Coração de Jesus!  Somente assim poderá, revigorado a cada dia em seu Ministério, ser da massa o fermento, da terra o sal, do mundo um raio de luz! 

Resquiescat in pace - Descanse em paz!

                                          


Resquiescat in pace  - Descanse em paz!

O sol escondido sob as nuvens, dia sombrio, como ficaram os dias sem você, desde quando partiu, e meus olhos nadam em lágrimas vertentes.

Hoje, uma lembrança com misto de tristeza suave e dilacerante me consome, e volto meus olhos para o passado, procurando preencher o vácuo que você deixou, que por vezes parece impreenchível.

Não fosse a fé na ressurreição da carne, ficaria apenas a sombra do túmulo, eterna sombra da morte; eterno descanso; ocaso sem esperança; derradeira pulsação da vida, sem desabrochar na outra margem.

Não fosse a fé na ressurreição da carne, aquele momento supremo da vida, seria um eterno sábado; o véu da morte ficaria para sempre posto, e não reconheceríamos os sinais do Ressuscitado, “os panos dobrados e colocados à parte” desde aquela memorável madrugada (cf. Jo 20, 7).

Mas creio na ressurreição da carne, e a morte é o descansar no regaço do Senhor; o dormir o sono da noite, sem horas após o último suspiro e o cerrar dos olhos à luz; o sentimento do frio pelas asas da morte a roçar a fronte; o fugir dos últimos lampejos da vida.

RIP – Resquiescat in pace – Descanse em paz amigo/a. Que o Senhor se compadeça de sua alma e o tenha para sempre em Sua glória, até que um dia também faça a necessária e derradeira passagem e viveremos o epílogo da eternidade e comunhão na glória dos céus, com os anjos e santos. Assim creio. Assim espero. 

Tenho que seguir em frente, lembrando com carinho de cada momento que vivemos; cada sorriso compartilhado; cada lágrima enxugada; cada dificuldade superada...

Descanse em paz! O brilho do Sol nascente vem nos iluminar, até que um dia possamos nos céus nos encontrar. Amém.

Amor puro e verdadeiro

                                                        

Amor puro e verdadeiro

"Se a vossa justiça não for maior que a
justiça dos mestres da Lei e dos fariseus,
vós não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 5, 20).

Na quinta-feira da décima Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5, 20-26), desdobramento do Sermão da Montanha (Mt 5,1-12a).

Contemplamos o Projeto de Salvação para a humanidade, cientes de que somente na fidelidade ao Senhor e aos Seus Mandamentos,  alcançaremos vida plena e feliz.

Não será o cumprimento das regras externas que nos levará ao alcance da felicidade e de uma religião a Deus agradável, mas antes a atitude de adesão interior a Deus e à Sua Proposta.

Viver as Bem-Aventuranças, e ser sal da terra e luz do mundo, é viver um amor que quer e cria o bem do amado. 

Deste modo, somos remetidos a dois grandes Santos da Igreja, São Tomás de Aquino e São João da Cruz que, respectivamente, assim disseram:

“Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada" .

"O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do Amor, tornar aquele que Ama semelhante ao amado."

Por isto, Jesus dá o exemplo de que o amor verdadeiro e puro tem que falar mais alto, se sobrepondo a qualquer sentimento de ódio, indiferença, ira, posse, condenação, falsidade. 

Urge fortalecer as relações fraternas, promovendo a contínua necessidade da reconciliação, pois o amor fraterno, preocupado com a reconciliação, torna frutuoso e agradável o sacrifício que oferecemos a Deus.

E ainda, o Senhor nos alerta que quem comparecer diante do divino Juiz sem haver perdoado será condenado a pagar até o último centavo (v.24).

A questão essencial é: para quem quiser viver na dinâmica da Boa Nova do Reino de Deus, não basta o cumprimento rigoroso e escrupuloso da Lei, seguindo a casuística das regras da Lei.

Deve-se procurar a justiça através do perdão e do amor, um amor novo, gratuito que vai além dos méritos; uma justiça que leva em conta não somente as ações em si, mas suas retas intenções:

A oferenda da própria vida em oblação a Deus ( 1 Cor. 13,3) e o próprio sacrifício eucarístico não são aceitos por Deus, se não procedem do amor e da paz recíproca” (1).

É preciso que se tenha uma atitude interior nova, que revele um compromisso verdadeiro com Deus, envolvendo a pessoa toda, transformando seu coração, suas escolhas, seus relacionamentos, sua postura diante do Criador e Suas criaturas.

Em relação a Deus sejamos filhos e filhas, em relação ao próximo sejamos fraternos e solidários.

O Sermão de Nosso Senhor foi e continua sendo ouvido na montanha, mas é preciso que desçamos à planície do cotidiano. Eis o grande desafio para todos nós.

Temos a missão de ser sal da terra e luz do mundo. Por isto, se faz necessária a invocação da Sabedoria Divina, a Sabedoria do Santo Espírito, para que sejamos uma Igreja no coração do mundo, e ao mesmo tempo homens e mulheres do mundo no coração da Igreja.

Somente assim não seremos sal insípido, sem gosto, que para nada serve, como já nos alertara o Senhor.

Reflitamos:

- Cumprimos os Mandamentos da Lei Divina por medo ou amor?

- Para Jesus, “não matar” é evitar tudo aquilo que cause dano ao próximo (egoísmo, prepotência, autoritarismo, injustiça, indiferença...). O que podemos evitar para que sejamos fiéis ao Senhor?

- Em que as afirmações dos Santos da Igreja, citadas acima, nos ajudam para que vivamos as Bem-Aventuranças e sejamos sal da terra e luz do mundo?

- Fazemos dos Mandamentos Divinos sinais indicadores no caminho que conduz à vida plena?

Oremos: 

"Ó Pai, que nos amais a todos como filhos, ajudai-nos a tirar o véu dos nossos corações, para que possamos remover os obstáculos que se opõem à comunhão convosco e amar-nos verdadeiramente como irmãos." (1)

(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - pp. 198-199 
(2) Lecionário Comentado - Volume Tempo Comum - Editora Paulus - p. 498

quarta-feira, 10 de junho de 2026

A Palavra do Senhor é luz em nosso caminho

                                                               

A Palavra do Senhor é luz em nosso caminho

Reflexão à luz da passagem da Carta de São Pedro (1Pd 5,5b-7):

“Revesti-vos todos de humildade no relacionamento mútuo, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes. Rebaixai-vos, pois, humildemente, sob a poderosa mão de Deus, para que, na hora oportuna, Ele vos exalte. Lançai sobre Ele toda a vossa preocupação, pois é Ele quem cuida de vós”.

À luz das palavras do Apóstolo, como discípulos missionários do Senhor, é urgente solidificar os pilares da evangelização (Palavra, Pão da Eucaristia, Caridade e Ação Missionária), rever e renovar a alegria da missão.

Assim, retomemos os verbos: “revesti-vos”, “rebaixai-vos” e “lançai sobre Ele”, numa breve reflexão.

Urge que sejamos todos revestidos de humildade no relacionamento mútuo, porque Deus resiste aos soberbos e dá a Sua graça aos humildes.

Maria também nos falou sobre esta verdade, como podemos ver no canto do Magnificat, que ela cantou quando de sua visita a Isabel (cf. Lc 1,46-55).

Da mesma forma, é necessário que nos rebaixemos humildemente, sob a poderosa mão de Deus, para que no tempo oportuno ele nos exalte.

Em vários momentos, junto aos Seus discípulos, Jesus falou da humildade necessária, do colocar-se a serviço dos pequenos, fazendo-se o último de todos e a serviço de todos.

Ressaltou atitudes de humildade, confiança e abertura à misericórdia de Deus, colocando-Se totalmente em Suas mãos.

No discipulado vivido, não são poucas as preocupações, inquietações, provações, adversidades. 

Nestes momentos, ressoem as palavras do Apóstolo – lançai sobre Ele toda a vossa preocupação, pois é Ele quem cuida de vós.”

Assim é nosso discipulado, como uma longa travessia no mar revoltoso, em que somos interpelados a vencer todo o medo, confiantes na presença da Trindade, que nos envolve com Seu amor e proteção, experimentando em nossas fraquezas e limitações, a onipotência da misericórdia e força divinas.

Sigamos em frente, como alegres e corajosos discípulos missionários do Senhor, revestidos de amor mútuo, crescendo na solidariedade e fortalecendo os vínculos de comunhão e fraternidade.

Em Vossas mãos, Senhor, nos colocamos

                                                            

Em Vossas mãos, Senhor, nos colocamos

Uma breve passagem da Sagrada Escritura, para refletirmos sobre os relacionamentos, dentro e fora da comunidade, para que nossa fé seja luminosa e fecunda (1 Pd 5,5b-7):

“Revesti-vos todos de humildade no relacionamento mútuo, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a Sua graça aos humildes. Rebaixai-vos, pois, humildemente, sob a poderosa mão de Deus, para que, na hora oportuna, Ele vos exalte. Lançai sobre Ele toda a vossa preocupação, pois é Ele quem cuida de vós”.

Observemos os três verbos no imperativo que o texto bíblico nos apresenta: “revesti-vos”, “rebaixai-vos” e “lançai”.

Oremos:

Senhor, revisti-nos com a humildade necessária no relacionamento mútuo, colocando nosso coração em Vossas mãos para ser transformado e inflamado de amor.

Senhor, concedei-nos a graça de nos rebaixarmos diante de Vós, colocando-nos sob Vosso poderoso amparo, em salutar e revigorante refúgio para o bom combate da fé.

Senhor, que saibamos em Vós confiar, colocando em Vossas mãos nossas inquietações, confiantes, com súplicas e ação de graças, pois jamais nos desamparais.

Experimentemos, nós, a força de Vossa Palavra, como nos falaram os Profetas:

“Mas os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão” (Is 40,31). Amém.

Adoremos o Senhor no Santíssimo Sacramento

                                                       

Adoremos o Senhor no Santíssimo Sacramento

Reflexão à luz da passagem do Livro de Josué (Js 3,7-10a.11.13-17).

A Arca da Aliança do Senhor de toda a terra vai atravessar o Jordão, adiante do Povo de Deus, manifestando a presença e ação divina na condução de Seu Povo.

O Comentário do Missal  Cotidiano assim conclui a reflexão sobre a passagem:

“Venerar assiduamente a Eucaristia far-nos-ia passar a pé enxuto as águas tumultuosas das lutas espirituais, levar-nos-ia à paz”. (1)

Discípulos missionários do Senhor que somos, como Sua Igreja, precisamos venerar e adorar cada vez mais a presença de Jesus no Santíssimo Sacramento, em silêncio profundo para que possamos ouvi-Lo, pois sempre terá algo a nos dizer.

Venerar e adorar assiduamente a Eucaristia, pois cada dia tem suas inquietações, dificuldades, desafios, provações, que o comentário chamou de “águas tumultuosas das lutas espirituais”.

Somente quando soubermos fazer silêncio adorante diante do Senhor, é que reencontraremos a paz, a serenidade, a mansidão para a travessia do mar do cotidiano, enfrentando seus ventos e, por vezes, tempestades, certos de que estas jamais terão a última palavra, e, com o Senhor e Sua Divina Palavra, podemos chegar à margem do outro lado.

Com Ele, não somente atravessaremos a pé enxuto, como também não naufragaremos no mar das dificuldades e provações próprias da vida, da história de todos nós.

“Graças e louvores se deem a todo momento,
Ao Santíssimo e diviníssimo Sacramento...”

(1)         Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.1146

Uma Oração que eleva pensamentos e refrigera a nossa alma!

                                                     


Uma Oração que eleva pensamentos e refrigera a nossa alma!

Com a Oração do Bispo São Boaventura (séc. XIII) somos agraciados por uma leve Brisa Divina, numa suave expressão do sopro do Espírito.

“Ó inefável beleza do Deus altíssimo e puríssimo esplendor da Luz eterna, Vida que vivifica toda vida, Luz que ilumina toda luz, e conserva em perpétuo esplendor a multidão dos astros, que desde a primeira aurora resplandecem do trono da Vossa divindade.

Ó eterno e inacessível, brilhante e suave manancial daquela Fonte oculta aos olhos de todos os mortais! Sois profundidade infinita, altura sem limite, amplidão sem medida, pureza sem mancha! De Ti procede o rio que vem trazer alegria à cidade de Deus,

Para que entre vozes de júbilo e contentamento possamos cantar hinos de louvor ao Vosso nome, sabendo, por experiência que em Vós está a Fonte da vida, e em Vossa Luz contemplamos a luz”.

Contemplemos o Sagrado Coração de Jesus, e n’Ele o Mistério do Amor de Deus por nós, do qual jorra uma torrente que tudo depura e arrasta, e assim teremos elevados nossos  pensamentos e nossa alma refrigerada, com este sopro que vem do Espírito.

Reflitamos:

- O que a oração, de São Boaventura nos desperta?
- O que significa o Amor de Deus em minha vida?

- Qual a profundidade e intensidade do Amor de Deus que sinto em minha vida?
- Como percebem em mim a presença do Amor vital de Deus?

- Tenho correspondido e agradecido o Amor de Deus por mim?
- Com que palavras posso agradecer o Amor de Deus por mim?

Supliquemos a Deus para que Seu inefável Amor, continue sendo derramado em nosso favor, e façamos silêncio diante da Palavra de todas as Palavras  e digamos depois:

Deus como Te amo!
E por mais que Te ame
É nada, absolutamente nada,
Diante do Teu amor, mas Te amo!
E quero amar, a cada dia,  cada vez mais. Amém.

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG