quinta-feira, 11 de junho de 2026

Amor puro e verdadeiro

                                                        

Amor puro e verdadeiro

"Se a vossa justiça não for maior que a
justiça dos mestres da Lei e dos fariseus,
vós não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 5, 20).

Na quinta-feira da décima Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5, 20-26), desdobramento do Sermão da Montanha (Mt 5,1-12a).

Contemplamos o Projeto de Salvação para a humanidade, cientes de que somente na fidelidade ao Senhor e aos Seus Mandamentos,  alcançaremos vida plena e feliz.

Não será o cumprimento das regras externas que nos levará ao alcance da felicidade e de uma religião a Deus agradável, mas antes a atitude de adesão interior a Deus e à Sua Proposta.

Viver as Bem-Aventuranças, e ser sal da terra e luz do mundo, é viver um amor que quer e cria o bem do amado. 

Deste modo, somos remetidos a dois grandes Santos da Igreja, São Tomás de Aquino e São João da Cruz que, respectivamente, assim disseram:

“Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada" .

"O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do Amor, tornar aquele que Ama semelhante ao amado."

Por isto, Jesus dá o exemplo de que o amor verdadeiro e puro tem que falar mais alto, se sobrepondo a qualquer sentimento de ódio, indiferença, ira, posse, condenação, falsidade. 

Urge fortalecer as relações fraternas, promovendo a contínua necessidade da reconciliação, pois o amor fraterno, preocupado com a reconciliação, torna frutuoso e agradável o sacrifício que oferecemos a Deus.

E ainda, o Senhor nos alerta que quem comparecer diante do divino Juiz sem haver perdoado será condenado a pagar até o último centavo (v.24).

A questão essencial é: para quem quiser viver na dinâmica da Boa Nova do Reino de Deus, não basta o cumprimento rigoroso e escrupuloso da Lei, seguindo a casuística das regras da Lei.

Deve-se procurar a justiça através do perdão e do amor, um amor novo, gratuito que vai além dos méritos; uma justiça que leva em conta não somente as ações em si, mas suas retas intenções:

A oferenda da própria vida em oblação a Deus ( 1 Cor. 13,3) e o próprio sacrifício eucarístico não são aceitos por Deus, se não procedem do amor e da paz recíproca” (1).

É preciso que se tenha uma atitude interior nova, que revele um compromisso verdadeiro com Deus, envolvendo a pessoa toda, transformando seu coração, suas escolhas, seus relacionamentos, sua postura diante do Criador e Suas criaturas.

Em relação a Deus sejamos filhos e filhas, em relação ao próximo sejamos fraternos e solidários.

O Sermão de Nosso Senhor foi e continua sendo ouvido na montanha, mas é preciso que desçamos à planície do cotidiano. Eis o grande desafio para todos nós.

Temos a missão de ser sal da terra e luz do mundo. Por isto, se faz necessária a invocação da Sabedoria Divina, a Sabedoria do Santo Espírito, para que sejamos uma Igreja no coração do mundo, e ao mesmo tempo homens e mulheres do mundo no coração da Igreja.

Somente assim não seremos sal insípido, sem gosto, que para nada serve, como já nos alertara o Senhor.

Reflitamos:

- Cumprimos os Mandamentos da Lei Divina por medo ou amor?

- Para Jesus, “não matar” é evitar tudo aquilo que cause dano ao próximo (egoísmo, prepotência, autoritarismo, injustiça, indiferença...). O que podemos evitar para que sejamos fiéis ao Senhor?

- Em que as afirmações dos Santos da Igreja, citadas acima, nos ajudam para que vivamos as Bem-Aventuranças e sejamos sal da terra e luz do mundo?

- Fazemos dos Mandamentos Divinos sinais indicadores no caminho que conduz à vida plena?

Oremos: 

"Ó Pai, que nos amais a todos como filhos, ajudai-nos a tirar o véu dos nossos corações, para que possamos remover os obstáculos que se opõem à comunhão convosco e amar-nos verdadeiramente como irmãos." (1)

(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - pp. 198-199 
(2) Lecionário Comentado - Volume Tempo Comum - Editora Paulus - p. 498

quarta-feira, 10 de junho de 2026

A Palavra do Senhor é luz em nosso caminho

                                                               

A Palavra do Senhor é luz em nosso caminho

Reflexão à luz da passagem da Carta de São Pedro (1Pd 5,5b-7):

“Revesti-vos todos de humildade no relacionamento mútuo, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes. Rebaixai-vos, pois, humildemente, sob a poderosa mão de Deus, para que, na hora oportuna, Ele vos exalte. Lançai sobre Ele toda a vossa preocupação, pois é Ele quem cuida de vós”.

À luz das palavras do Apóstolo, como discípulos missionários do Senhor, é urgente solidificar os pilares da evangelização (Palavra, Pão da Eucaristia, Caridade e Ação Missionária), rever e renovar a alegria da missão.

Assim, retomemos os verbos: “revesti-vos”, “rebaixai-vos” e “lançai sobre Ele”, numa breve reflexão.

Urge que sejamos todos revestidos de humildade no relacionamento mútuo, porque Deus resiste aos soberbos e dá a Sua graça aos humildes.

Maria também nos falou sobre esta verdade, como podemos ver no canto do Magnificat, que ela cantou quando de sua visita a Isabel (cf. Lc 1,46-55).

Da mesma forma, é necessário que nos rebaixemos humildemente, sob a poderosa mão de Deus, para que no tempo oportuno ele nos exalte.

Em vários momentos, junto aos Seus discípulos, Jesus falou da humildade necessária, do colocar-se a serviço dos pequenos, fazendo-se o último de todos e a serviço de todos.

Ressaltou atitudes de humildade, confiança e abertura à misericórdia de Deus, colocando-Se totalmente em Suas mãos.

No discipulado vivido, não são poucas as preocupações, inquietações, provações, adversidades. 

Nestes momentos, ressoem as palavras do Apóstolo – lançai sobre Ele toda a vossa preocupação, pois é Ele quem cuida de vós.”

Assim é nosso discipulado, como uma longa travessia no mar revoltoso, em que somos interpelados a vencer todo o medo, confiantes na presença da Trindade, que nos envolve com Seu amor e proteção, experimentando em nossas fraquezas e limitações, a onipotência da misericórdia e força divinas.

Sigamos em frente, como alegres e corajosos discípulos missionários do Senhor, revestidos de amor mútuo, crescendo na solidariedade e fortalecendo os vínculos de comunhão e fraternidade.

Em Vossas mãos, Senhor, nos colocamos

                                                            

Em Vossas mãos, Senhor, nos colocamos

Uma breve passagem da Sagrada Escritura, para refletirmos sobre os relacionamentos, dentro e fora da comunidade, para que nossa fé seja luminosa e fecunda (1 Pd 5,5b-7):

“Revesti-vos todos de humildade no relacionamento mútuo, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a Sua graça aos humildes. Rebaixai-vos, pois, humildemente, sob a poderosa mão de Deus, para que, na hora oportuna, Ele vos exalte. Lançai sobre Ele toda a vossa preocupação, pois é Ele quem cuida de vós”.

Observemos os três verbos no imperativo que o texto bíblico nos apresenta: “revesti-vos”, “rebaixai-vos” e “lançai”.

Oremos:

Senhor, revisti-nos com a humildade necessária no relacionamento mútuo, colocando nosso coração em Vossas mãos para ser transformado e inflamado de amor.

Senhor, concedei-nos a graça de nos rebaixarmos diante de Vós, colocando-nos sob Vosso poderoso amparo, em salutar e revigorante refúgio para o bom combate da fé.

Senhor, que saibamos em Vós confiar, colocando em Vossas mãos nossas inquietações, confiantes, com súplicas e ação de graças, pois jamais nos desamparais.

Experimentemos, nós, a força de Vossa Palavra, como nos falaram os Profetas:

“Mas os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão” (Is 40,31). Amém.

Adoremos o Senhor no Santíssimo Sacramento

                                                       

Adoremos o Senhor no Santíssimo Sacramento

Reflexão à luz da passagem do Livro de Josué (Js 3,7-10a.11.13-17).

A Arca da Aliança do Senhor de toda a terra vai atravessar o Jordão, adiante do Povo de Deus, manifestando a presença e ação divina na condução de Seu Povo.

O Comentário do Missal  Cotidiano assim conclui a reflexão sobre a passagem:

“Venerar assiduamente a Eucaristia far-nos-ia passar a pé enxuto as águas tumultuosas das lutas espirituais, levar-nos-ia à paz”. (1)

Discípulos missionários do Senhor que somos, como Sua Igreja, precisamos venerar e adorar cada vez mais a presença de Jesus no Santíssimo Sacramento, em silêncio profundo para que possamos ouvi-Lo, pois sempre terá algo a nos dizer.

Venerar e adorar assiduamente a Eucaristia, pois cada dia tem suas inquietações, dificuldades, desafios, provações, que o comentário chamou de “águas tumultuosas das lutas espirituais”.

Somente quando soubermos fazer silêncio adorante diante do Senhor, é que reencontraremos a paz, a serenidade, a mansidão para a travessia do mar do cotidiano, enfrentando seus ventos e, por vezes, tempestades, certos de que estas jamais terão a última palavra, e, com o Senhor e Sua Divina Palavra, podemos chegar à margem do outro lado.

Com Ele, não somente atravessaremos a pé enxuto, como também não naufragaremos no mar das dificuldades e provações próprias da vida, da história de todos nós.

“Graças e louvores se deem a todo momento,
Ao Santíssimo e diviníssimo Sacramento...”

(1)         Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.1146

Uma Oração que eleva pensamentos e refrigera a nossa alma!

                                                     


Uma Oração que eleva pensamentos e refrigera a nossa alma!

Com a Oração do Bispo São Boaventura (séc. XIII) somos agraciados por uma leve Brisa Divina, numa suave expressão do sopro do Espírito.

“Ó inefável beleza do Deus altíssimo e puríssimo esplendor da Luz eterna, Vida que vivifica toda vida, Luz que ilumina toda luz, e conserva em perpétuo esplendor a multidão dos astros, que desde a primeira aurora resplandecem do trono da Vossa divindade.

Ó eterno e inacessível, brilhante e suave manancial daquela Fonte oculta aos olhos de todos os mortais! Sois profundidade infinita, altura sem limite, amplidão sem medida, pureza sem mancha! De Ti procede o rio que vem trazer alegria à cidade de Deus,

Para que entre vozes de júbilo e contentamento possamos cantar hinos de louvor ao Vosso nome, sabendo, por experiência que em Vós está a Fonte da vida, e em Vossa Luz contemplamos a luz”.

Contemplemos o Sagrado Coração de Jesus, e n’Ele o Mistério do Amor de Deus por nós, do qual jorra uma torrente que tudo depura e arrasta, e assim teremos elevados nossos  pensamentos e nossa alma refrigerada, com este sopro que vem do Espírito.

Reflitamos:

- O que a oração, de São Boaventura nos desperta?
- O que significa o Amor de Deus em minha vida?

- Qual a profundidade e intensidade do Amor de Deus que sinto em minha vida?
- Como percebem em mim a presença do Amor vital de Deus?

- Tenho correspondido e agradecido o Amor de Deus por mim?
- Com que palavras posso agradecer o Amor de Deus por mim?

Supliquemos a Deus para que Seu inefável Amor, continue sendo derramado em nosso favor, e façamos silêncio diante da Palavra de todas as Palavras  e digamos depois:

Deus como Te amo!
E por mais que Te ame
É nada, absolutamente nada,
Diante do Teu amor, mas Te amo!
E quero amar, a cada dia,  cada vez mais. Amém.

Praticar e ensinar a Lei do Senhor

                                                           

Praticar e ensinar a Lei do Senhor

Reflexão à luz da passagem do Evangelho (Mt 5,17-19), em que Jesus diz não ter vindo revogar à Lei, mas para dar-lhe pleno cumprimento.

Assim nos diz o Lecionário Comentado:

O crente, animado pelo fogo divino, não é levado à intolerância ou ao fanatismo, mas procura acolher as sementes do bem e de liberdade onde quer que se encontrem, e aproxima-os, acendendo neles a vida do Espírito” (p.493).

Oremos:

Ó Pai de Amor, cremos em Vosso Amado Filho,
E suplicamos o fogo divino do Vosso Santo Espírito.

Vós que sois o bem, todo o bem, o sumo bem,
Orientai nossos passos no caminho do bem.

Vosso Filho, que é o Caminho que a Vós nos conduz,
Firmai nossos passos no caminho da justiça e da paz.

Vosso Filho, que é a verdade que nos liberta,
Libertai-nos de todo mal e de tudo que nos escravize.

Vosso Filho, que é a vida e nos dá vida plena e definitiva.
Não permitais que enveredemos na cultura da morte.

Vosso Espírito, que é fogo que inflama, aquece e ilumina,
Seja-nos comunicado para orientar todo o nosso pensar e agir.

Vosso Espírito, que cura, revigora e nos salva,
Para que, refeitos de nossas fragilidades, ponhamo-nos a caminho.

Vosso Espírito de amor, a nós comunicado como sopro e fogo,
Seja nosso Advogado, o Paráclito, o fogo que queime nossos medos.

Deste modo, ó Deus, amemos e vivamos o que Vosso Filho nos ensinou,
Com a proteção e assistência do Espírito, que vive em plena comunhão,

Amemos e sigamos “Jesus que dá tudo por tudo (Deus aos homens)
E pede tudo por tudo (fidelidade plena)”.

Amemos, adoremos e sigamos Jesus, que Se entregou por amor a nós,
Totalmente, e pede que também nos doemos totalmente.

Tão somente assim, Vossa divina Lei praticando e ensinando, Seremos considerados grandes no Reino dos Céus (Mt 5,19). Amém.

Bem-Aventuranças vividas, sal e luz seremos

                                                          

Bem-Aventuranças vividas, sal e luz seremos


"Enquanto o amor humano tende
a apossar-se do bem que encontra no seu objeto,
o Amor Divino cria o bem na criatura amada" .

Na Liturgia, da Quarta-feira da 10ª Semana do Tempo comum, ouvimos a passagem do Evangelho em que Jesus diz que não veio abolir a Lei e os Profetas, mas para dar pleno cumprimento, exortando-nos à prática e ao ensinamento dos mesmos, para nos tornarmos grandes no Reino dos Céus (Mt 5, 17-19).

Vemos que Deus tem um Projeto de Salvação para a humanidade, mas somente na fidelidade a Ele e aos Seus Mandamentos é que alcançaremos vida plena e feliz.

Estamos diante de um desdobramento do Sermão da Montanha - (Mt 5, 1-12). Na continuidade Jesus com Seus ditos nos exorta à prática das Bem-Aventuranças, com seus desdobramentos no cotidiano.

Não será o cumprimento das regras externas que nos levará ao alcance da felicidade e de uma religião a Deus agradável, mas antes a atitude de adesão interior a Deus e à Sua Proposta.

O Missal Dominical afirma que “o amor é querer o bem do amado”, de modo que, viver as Bem-Aventuranças, e ser sal e luz do mundo, é viver um amor que quer e cria o bem do amado. Isto nos remete a dois grandes Santos da Igreja:

- São Tomás de Aquino: “Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada".

- São João da Cruz: "O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do Amor, tornar aquele que Ama semelhante ao amado."

Por isto, Jesus dá quatro exemplos em que o amor verdadeiro e puro tem que falar mais alto, se sobrepondo a qualquer sentimento de ódio, indiferença, ira, posse, condenação, falsidade...:

1 - As relações fraternas e a contínua necessidade da reconciliação;
2- O adultério e a necessidade de conversão, vendo no outro a imagem e templo de Deus;

3 - A confirmação da aliança indissolúvel do matrimônio, desde a criação, ratificando, assim, o Plano de Deus.

4 - A importância de nos relacionarmos na sinceridade e na confiança, tornando os relacionamentos sadios e edificantes.

A questão essencial é: para quem quiser viver na dinâmica da Boa-Nova do Reino de Deus, não basta o cumprimento rigoroso e escrupuloso da Lei, seguindo a casuística das regras da Lei.

É preciso que se tenha uma atitude interior nova, que revele um compromisso verdadeiro com Deus, envolvendo a pessoa toda, transformando seu coração, suas escolhas, seus relacionamentos, sua postura diante do Criador e Suas criaturas.

Em relação a Deus, sejamos filhos e filhas, em relação ao próximo, sejamos fraternos e solidários.

Reflitamos:

- Cumprimos os Mandamentos da Lei Divina por medo ou por amor?

- Para Jesus, “não matar” é evitar tudo aquilo que cause dano ao próximo (egoísmo, prepotência, autoritarismo, injustiça, indiferença...). O que podemos evitar para que sejamos fiéis ao Senhor?

- Em que as afirmações dos Santos da Igreja, citadas acima, nos ajudam para que vivamos as Bem-Aventuranças e sejamos sal da terra e luz do mundo?

- Fazemos dos Mandamentos Divinos sinais indicadores no caminho que conduz à vida plena?

O Sermão de Nosso Senhor foi e continua sendo ouvido na montanha, mas é preciso que desçamos à planície do cotidiano.

Eis o grande desafio: a missão de ser sal da terra e luz do mundo, iluminados pela Sabedoria Divina, a Sabedoria do Santo Espírito, para que sejamos uma Igreja no coração do mundo, e ao mesmo tempo homens e mulheres do mundo no coração da Igreja.

Somente assim não seremos sal insípido, sem gosto, que para nada serve, como já nos alertara o Senhor.

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