terça-feira, 9 de junho de 2026

Que cada um faça bem e com amor o que lhe é próprio!

                                                         


Que cada um faça bem e com amor o que lhe é próprio!

Há muito tempo a Igreja insiste na Pastoral de Conjunto e no respeito às instâncias decisivas e participativas dentro ou até mesmo fora dela, do qual não podemos esquecer, pois estaríamos nos afastando no retrato das primeiras comunidades: “Os cristãos eram perseverantes na doutrina dos apóstolos...” (Atos 2,42-45).

Nas páginas bíblicas contemplamos o agir de Deus e vemos que é próprio do Seu amor nos educar para a liberdade, a responsabilidade e a verdade.

Lamentavelmente, muitos ainda não aprenderam a corresponder à altura este amor, pois não querem ou não se abrem para estes ensinamentos que nos conduziriam inevitavelmente a uma autêntica espiritualidade e maturidade cristã, e consequente fortalecimento de nossas comunidades, conferindo à evangelização mais ardor e renovação em expressões e métodos.

Isto nos leva a refletir sobre a necessidade de retomar um princípio muito forte, o Princípio da Subsidiariedade, que tem seus momentos nascentes na Encíclica “Quadragesimo Anno” (1931), quando o Papa Pio XI já chamava o mundo para a necessária busca de caminhos para uma verdadeira ordem internacional.

O Princípio da Subsidiariedade deve promover uma harmonização das relações entre os indivíduos e as sociedades, instaurando uma verdadeira ordem internacional, sendo também fundamental para a construção de relações de poder e serviço dentro da própria Igreja, devendo ser incansavelmente aprendido em âmbito paroquial, regional, diocesano, enfim, na Igreja como um todo.

Vejamos o que diz o Catecismo da Igreja acerca do referido Princípio no parágrafo 1883: “Segundo este Princípio, uma sociedade de ordem superior não deve interferir na vida interna de uma sociedade inferior, privando-a de suas competências, mas deve, antes, apoiá-la em caso de necessidade e ajudá-la a coordenar sua ação com as dos outros elementos que compõem a sociedade, tendo em vista o bem comum”

E no parágrafo 1884, insistindo na liberdade humana para a qual Deus nos criou e que deve ser acompanhada e inspirada de sabedoria no governo, independente de que ordem seja, diz que: “Deus não quis reter só para si o exercício de todos os poderes. Confia a cada criatura as funções que esta é capaz de exercer, segundo as capacidades da própria natureza. Este modo de governo deve ser imitado na vida social. O comportamento de Deus no governo do mundo, que demonstra tão grande consideração pela liberdade humana, deveria inspirar a sabedoria dos que governam as comunidades humanas. Estes devem comportar-se como ministros da providência divina”.

Portanto, se o Princípio da Subsidiariedade, em nossas comunidades, bem entendido e vivido o for, o poder será a expressão do serviço, como nos ensinou o Senhor; a abertura ao outro e a alegria em servir se farão presentes em todos. Importa nos espaços da Igreja, no bom desempenho da pastoral observar o que lhe é próprio e intransferível sem invadir o espaço do outro.

Concluindo:

Temos ainda muito a aprender para, de fato, correspondermos ao amor e a confiança que Deus, em nós, deposita. Somente assim cresceremos e amadureceremos para aquilo que Deus espera de nós, pois é próprio do Amor de Deus querer sempre o melhor de nós... Eis uma das faces da Misericórdia Divina que alguns já descobriram...

Princípio da Subsidiariedade vivido, pastoral frutuosa será, a começar das comunidades, mas se espraiando na Igreja como um todo.

Temos ainda muito a nos converter para sua prática, estejamos onde estivermos, ou independentemente de onde ou em que participamos.

Que o Princípio da Subsidiariedade jamais seja esquecido! Pois se levado em conta, nos ajudará a avançar para águas mais profundas na perfeita comunhão e participação... 

Em poucas palavras...

                                                 


Provações

“Deus nos ‘prova,’ nos ‘experimenta’ como o ouro, para levar-nos a maior pureza, gratificar-nos e premiar-nos mais.”(1)



(1)            Missal Cotidiano – Editora Paulus – pág. 869 - passagem bíblica - Tb 12,1.5-15.20

Sabor e Luz

                                                                

Sabor e Luz

Reflexão à luz da passagem do Evangelho, em que Jesus nos diz que, como Seus seguidores, devemos ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-16).

Assim lemos no Comentário do Missal Cotidiano:

Todo pequeno esforço para o bem não fica perdido: é como um fiozinho de erva que contribui para tornar verde um campo.

Tem-se hoje a tentação de desconhecer os pequenos valores, mas uma pequenina luz ilumina passo sobre passo.

‘Ser’ cristão é um empenho social, missionário. Não depreciemos a mais ínfima contribuição para a construção do Reino: o oceano e feito de gotas” (1).

De fato, nisto consiste a vida cristã: ser sinal da presença de Deus, com nossos pequenos gestos, mas se por amor, tornam-se grandes aos Seus olhos.

Cada gesto de amor que fizermos é sal que dá gosto de vida ao outro; uma luz que se acende, por vezes, em situações adversas e sombrias.

Estamos no mundo, na exata medida, para sermos sal da terra e luz do mundo. Entretanto, em nome de fazer grandiosas ações, muitas vezes, nos calamos, com indesejável omissão, e perdemos a oportunidade e a graça de sermos a presença de Deus na vida de nosso próximo.

Reavivemos a chama da fé em nosso discipulado, renovando em nós e no coração do outro, a esperança, ainda que com gestos pequenos de caridade, fazendo a diferença na vida de quem mais precisa de nossa acolhida, compreensão e solidariedade.

Um dos caminhos que a Igreja nos ensina é a prática das Obras de misericórdia corporais e espirituais.

As obras de misericórdia corporais: 
1ª Dar de comer a quem tem fome;
2ª Dar de beber a quem tem sede;
3ª Vestir os nus;
4ª Dar pousada aos peregrinos;
5ª Assistir aos enfermos;
6ª Visitar os presos;
7ª Enterrar os mortos.

As obras de misericórdia espirituais são:
1ª Dar bom conselho;
2ª Ensinar os ignorantes;
3ª Corrigir os que erram;
4ª Consolar os aflitos;
5ª Perdoar as injúrias;
6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;
7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos

(Catecismo de S. Pio X. Capítulo IV. "Das obras de misericórdia").

Oremos:

Ó Deus, que nos confiastes a graça de sermos sal da terra e luz do mundo, ajudai-nos a viver na fidelidade aos Vossos desígnios, para que jamais percamos o sabor e não ofusquemos o esplendor que  nos concedestes no dia de nosso Batismo. 

Ajudai-nos também a dar sabor, como o sal ao alimento, a quantos precisarem redescobrir o gosto de viver, de Vos conhecer e amar, e assim, da luminosidade divina,  frágeis instrumentos Vossos sejamos. Amém.

(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - p.881

Resplandeçamos a luz divina

                                                                          

Resplandeçamos a luz divina

Ao ouvirmos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5,13-16), sejamos enriquecidos com esta Catequese batismal escrita por São João Crisóstomo, bispo e doutor da Igreja (séc. V).

“Realmente, assim como aqueles que ao mostrarem sobre as vestes na altura do peito as insígnias imperiais destacam-se diante de todos, da mesma forma nós, que de uma vez por todas fomos revestidos de Cristo e considerados dignos de tê-Lo morando em nós, se verdadeiramente O queremos, mediante uma vida perfeita, até mesmo silenciando, poderemos mostrar a força d’Aquele que reside em nós.

E da mesma forma que agora a desenvoltura de vosso vestuário e o brilho das vestimentas atrai todos os olhares, assim também, e para sempre – contanto que o queirais e conserveis o resplendor de vossa régia vestimenta –, podereis com muito mais rigor que agora, por meio de uma conduta perfeita segundo Deus, atrair a todos os que observam um mesmo zelo e para a glorificação do Senhor.

Por essa razão, Cristo dizia de forma incontestável: brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus. Observa como Ele exorta a que brilhe a luz que existe em nós, não através das vestes, mas mediante as obras?

De fato, ao dizer: brilhe vossa luz, acrescentou: para que vejam as vossas boas obras. Esta luz não se detém nos limites dos sentidos corporais, mas sim ilumina as almas e as mentes dos que observam, e, após dissipar a treva da maldade, persuade aos que a recebem para que iluminem com luz própria e imitem a virtude.

Brilhe, diz, a vossa luz diante dos homens. E disse bem: diante dos homens. ‘Vossa luz seja tão grande que não somente ilumine a vós, mas que ilumine também diante dos homens que necessitam da sua abundância’.

Portanto, como esta luz sensível afugenta a obscuridade e faz que caminhem corretamente os que tomaram este caminho sensível, assim também a luz espiritual que provém da conduta louvável ilumina aos que têm a vista da mente enturvada pela obscuridade do erro, e são incapazes de ver com precisão o caminho da virtude, limpa a remela dos olhos de suas mentes, os guia para o bom caminho e faz que de agora em diante caminhem pelo caminho da virtude.

Para que vejam vossas obras e glorifiquem ao vosso Pai que está nos céus. ‘Vossa virtude, diz, vossa perfeição na conduta e o êxito de vossas boas obras desperte aos que observam a glorificar ao comum Senhor de todos’.

Assim, cada um de vós, vo-lo suplico, coloque todo o seu empenho em viver com tal perfeição que eleve para o Senhor o louvor de todos os que vos contemplam.” (1)

Somos exortados a fazer resplandecer a luz divina que em nós habita, através de nossa conduta, expressa em boas obras, para a honra e glória de Deus.

Como discípulos missionários do Senhor, urge que façamos progressos contínuos na perfeição de conduta, deixando-nos iluminar e guiar pela Palavra de Deus, tendo-a na mente e no coração, de tal modo que também poderá ser vista em nossas obras.

Fazemos a luz de Deus brilhar, quando não dissociamos a Palavra de Deus do Pão da Eucaristia, e movidos pela chama da Caridade, pomo-nos a caminho, em atitude missionária, em todos os âmbitos da existência.

Eis a missão da Igreja, portanto, eis a missão de todos nós.

(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - pp.129-130
Oportuna reflexão para a passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 8,16-18)

Sal e luz

                                                                

Sal e luz

Na missão de ser sal da terra e luz do mundo, à luz da passagem do Evangelho de São Mateus (Mt 5,13-16), destacam-se quatro características do testemunho cristão:

1 – A publicidade: a luz, por sua natureza, existe para iluminar, para se mostrar visível e pública, e não para ficar escondida. Não se pode ficar no anonimato.

2 – A universalidade: sal da terra e luz do mundo. No entanto, esta universalidade que Jesus anuncia deve começar pelos últimos, a fim de que os primeiros também sejam incluídos: os últimos devem ser os primeiros, e assim não haverá nenhuma possibilidade de exclusão.

3 – A consistência: o testemunho se dá pelas obras e não pelas palavras ou teorias. Não se pode incorrer na tentação das palavras em excesso. É preciso as obras de misericórdia (Mt 25,31), pela partilha realizada, pela Palavra de Deus colocada em prática (Mt 7,21).

4 – Transparência: o discípulo, na prática das boas obras, não concentra a atenção sobre ele próprio, mas leva os outros a dirigirem o olhar para Deus, que é nosso Pai – “Vendo as vossas boas obras, glorifiquem Vosso Pai que está nos Céus” (M 5,16). De fato, Jesus foi a verdadeira transparência do Pai pelas palavras, obras e na Sua própria Pessoa – “Quem me viu, viu o Pai” (Jo 14, 9). (1)

Somente com as obras de misericórdia (corporais e espirituais), seremos, de fato, sal e luz.  Não seremos também pelas obras do poder, da riqueza ou do sucesso, mas do amor vivido concretamente em solidariedade concreta com os empobrecidos.

Este é o caminho que todo o discípulo de Jesus deve fazer, assim como o Apóstolo Paulo e tantos outros, o caminho da fraqueza da Cruz e não o caminho do poder ou da glória.

Supliquemos a Deus que estas características: publicidade, universalidade, consistência e transparência, estejam presentes em nosso agir, assim como em todas as nossas atividades pastorais. E assim, na fidelidade ao Senhor, confiando em Sua Palavra, Pessoa e presença, seremos da terra o sal e do mundo a luz.


(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – 2010 – p. 206-207

Peregrinar...

                                                       

Peregrinar...

Em qualquer  tempo,  urge peregrinar...

Peregrinar não significa caminhar sem destino, até muito pelo contrário, é ter um destino, mesmo sabendo que a jornada não é fácil.

Somos como os místicos dizem “peregrinos longe  do Senhor”, paradoxalmente, com Ele tão perto.
Ansiamos Sua vinda, desejamos Sua contemplação...

Já O sentimos, já O contemplamos, mas não ainda face a face...
Peregrinar é preciso. Alimentar-se para chegar à meta também.

Há âncoras neste peregrinar rumo à eternidade: O Pão da Palavra Divina e o Pão da Eucaristia saboreados, vividos traduzidos em fé, esperança e caridade, hão de nossas forças revigorar, e assim a grande travessia realizarmos...


PS: Fonte inspiradora - 2 Cor 5,6-10


Peregrinos da esperança e da consolação divinas

                                        


Peregrinos da esperança e da consolação divinas

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação.

Ele nos consola em todas as nossas aflições, para que, com a consolação que nós mesmos recebemos de Deus, possamos consolar os que se acham em toda e qualquer aflição.” (2 Cor 1,3-4)

Peregrinos da esperança, aprendemos, como filhos e filhas, ao experimentar a bondade do Pai que tanto nos ama, a sermos bondosos com os irmãos e irmãs, com quem angústias e esperanças, alegrias e tristezas compartilhamos.

Aprendamos com o Apóstolo Paulo que, por Deus, não só foi consolado, mas também soube a muitos, nas provações, consolar, animar e pôr-se no caminho do discipulado, perfeitamente configurados ao Senhor, na fidelidade em carregar a cruz cotidiana.

Como precisamos do calor da caridade de Deus derramada em nossos corações, por meio do Seu Espírito, a fim de que comuniquemos aos outros a experiência de amor vivida, que nos impele na missão de discípulos missionários do Senhor.

Tão somente assim nossa experiência será convincente, porque transmitirá algo de vivo e pessoal, na maturidade de sofrermos com Cristo, aprofundando a solidariedade que nos faz alcançar a perfeita e plena alegria, tão somente com Ele, como nos falou (cf. Jo 15).

Peregrinos da consolação e da esperança sejamos, e assim, livres para amar e servir, de tal modo que se a dor vier, perderá sua força  obsessiva e opressora, experimentando a misericórdia, bondade e consolação divinas, e nosso sofrimento será embebido de amor e serenidade. Amém.

Fonte: Missal Cotidiano – Editora Paulus – p. 874 – Comentário sobre a passagem da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios (2Cor 1,1-7)

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