sábado, 6 de junho de 2026

A autêntica e frutuosa religião (XXXIIDTCB)

                                                          

A autêntica e frutuosa religião

Com a Liturgia do 32º Domingo do Tempo comum (Ano B), refletiremos sobre o culto verdadeiro e agradável a Deus, tão diferente dos cultos marcados pelas aparências dos rituais. 

A Deus não interessa grandes manifestações religiosas ou ritos externos suntuosos. Duas pobres viúvas são o centro da Liturgia deste Domingo. 

Deus não mede nossas ações e gestos com algarismos, ao contrário, mede com o amor; avalia de acordo com os valores interiores da pessoa porque Ele vê além das aparências, vai até o coração.

O culto autêntico deve ser marcado na atitude de vida: doação, confiança e entrega total em favor do próximo, esvaziando-se de si mesmo e colocando-se plenamente nas mãos de Deus.

A passagem da primeira Leitura (1Rs 17,10-16) narra uma história de natureza popular (a acolhida do Profeta Elias pela viúva e a solidariedade feita).

Ressalta-se que a vida marcada pela partilha e solidariedade na fidelidade a Javé é garantia de vida em abundância; portanto, uma história de natureza tão popular com notáveis mensagens:

 -   A comunicação e revelação do Amor de Deus pelos empobrecidos;

   -   Deus é o grande vencedor e não baal (ídolo);

 -   A graça de Deus é para todos, sem distinção de raças, fronteiras ou crenças religiosas.

Reflitamos:

- Do que precisamos  nos despir, para que nosso coração não fique atravancado, e assim impedido de acolher os desafios e as propostas de Deus?

-  Quais são os bens que temos para repartir, a fim de que se tornem fonte de vida e de bênção para nós e para todos aqueles que deles se beneficiam?

- De quais ídolos devemos nos libertar para adoração a Deus de coração sincero, em espírito e verdade?

A passagem da segunda Leitura (Hb 9,24-28) nos apresenta Jesus Cristo como o Sumo Sacerdote perfeito, que  entregou Sua vida em favor da humanidade, tornando-Se o mediador da Nova e Eterna Aliança.

A entrega de Cristo, com o sacrifício consumado do dom total de Sua Vida, teve eficácia total e universal: assim Ele conseguiu a destruição da condição pecadora do homem e da mulher, a salvação foi nos alcançada.

O autor da Carta aos Hebreus, dirigindo-se aos cristãos em dificuldade, com a perda do entusiasmo inicial, pois grandes eram as dificuldades, os reanima para que não corram o risco de renunciar ao compromisso assumido no dia do Batismo. 

É notável o seu esforço em animar e revitalizar a experiência de fé de seus destinatários. Do mesmo modo, é preciso que renovemos nossa adesão incondicional a Jesus, fazendo de nossa vida um dom de amor aos irmãos, apesar de nossas fragilidades e debilidades. 

Não podemos nos afastar da comunhão com Deus e da vida eterna, mas nos colocarmos numa constante “metanoia”, transformando radicalmente para viver no amor, serviço, perdão e dom da vida. Como isto se manifesta em nossa vida e em nossos compromissos pastorais?

A passagem do Evangelho (Mc 12,38-44) nos apresenta a oferta da viúva no templo. 

Esta passagem está situada em Jerusalém, nos dias que antecedem à prisão, julgamento e morte de Jesus.

Jesus faz uma crítica aos ritos vazios, desmascarando a hipocrisia, a incoerência dos cultos e ritos realizados no templo pelos doutores da lei, e nos ensina como deve ser um culto agradável a Deus. De fato Deus vê além das aparências. 

Os doutores da lei têm comportamentos hipócritas, uma devoção de fachada, revelando que os ritos externos que realizam, os gestos teatrais, o cumprimento das regras, ainda que religiosamente corretas, não aproximam as pessoas de Deus, e nem as conduzem à santidade de Deus. 

Os discípulos de Jesus deverão ter outra atitude diante de Deus e do próximo: dom total, despojamento pleno, entrega radical e sem medida. Viver a fé cristã não é uma representação teatral.

De fato, o verdadeiro crente é aquele que nada guarda para si, mas no dia a dia, no silêncio e nos gestos mais simples, sai do seu egoísmo e da sua autossuficiência, colocando toda sua existência nas mãos de Deus.

Há momentos em que tudo escurece, falta-nos apoio, nossa vida parece tremer. É nesta hora que damos o autêntico testemunho da solidez de nossa fé, e verdadeiramente, podemos dizer: 

“Senhor, eu creio, mas vem em auxílio de minha pouca fé, e minha fraqueza. Pai, entrego-me em Tuas mãos”.

Urge que nos coloquemos totalmente nas mãos de Deus, oferecendo a Ele toda a nossa vida, vivendo na gratuidade, e não na troca de favores, sem a procura da  fama e dos privilégios.

Também precisamos nos despojar de nossos projetos pessoais e preconceitos, a fim de nos entregarmos com total confiança nas mãos de Deus, com completa doação, dando um salto em total abandono no Senhor, sem nenhuma dúvida ou hesitação. 

Assim viveremos uma fé amadurecida, na doação total inclusive nas situações mais adversas, no testemunho da pobreza evangélica, acompanhada da humildade e fecundidade da fé, num amor sem limites e incondicional.

Tão somente assim teremos uma verdadeira motivação de nosso engajamento pastoral, em total expressão de gratuidade, sem procura de honrarias, valorização, promoção ou elogios.

Oremos:

"Que Deus, afastando de nós todos os obstáculos, nos acompanhe para que inteiramente disponíveis nos coloquemos a serviço do Reino, na fidelidade a Jesus Cristo, com a força do Santo Espírito. Amém

PS: apropriado para reflexão da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 21,1-4)

Ela ofereceu tudo o que tinha para viver

                                                  

Ela ofereceu tudo o que tinha para viver

 “Eles ofertaram muito do muito que tinham; ela deu tudo o que possuía. Tinha muito, pois tinha Deus no seu coração. É mais possuir Deus na alma do que ouro na arca. Quem deu mais do que essa pobre viúva que não reservou nada para si?” (Santo Agostinho)


Reflexão à luz das passagens do Evangelho (Mc 12,38-44; Lc 21,1-4), sobre a oferta da pobre viúva no templo.

Reflitamos sobre o culto verdadeiro e agradável a Deus, tão diferente dos cultos marcados pelas aparências dos rituais: a Deus não interessam grandes manifestações religiosas ou ritos externos suntuosos. 

Deus não mede nossas ações e gestos com algarismos, ao contrário, mede com o amor; avalia de acordo com os valores interiores da pessoa porque Ele vê além das aparências, vai até o coração.

O culto autêntico deve ser marcado na atitude de vida: doação, confiança e entrega total em favor do próximo, esvaziando-se de si mesmo e colocando-se plenamente nas mãos de Deus.

Esta passagem é situada em Jerusalém, nos dias que antecedem à prisão, julgamento e morte de Jesus.

Jesus faz uma crítica aos ritos vazios, desmascarando a hipocrisia, a incoerência dos cultos e ritos realizados no templo pelos doutores da lei, e nos ensina como deve ser um culto agradável a Deus. 

Os doutores da lei têm comportamentos hipócritas, uma devoção de fachada, revelando que os ritos externos que realizam, os gestos teatrais, o cumprimento das regras, ainda que religiosamente corretas, não aproximam as pessoas de Deus, e nem as conduzem à santidade por Ele querida. 

Os discípulos de Jesus deverão ter outra atitude diante de Deus e do próximo: dom total, despojamento pleno, entrega radical e sem medida. Viver a fé cristã não é uma representação teatral.

De fato, o verdadeiro crente é aquele que nada guarda para si, mas no dia a dia, no silêncio e nos gestos mais simples, sai do seu egoísmo e da sua autossuficiência, colocando toda sua existência nas mãos de Deus.

Há momentos em que tudo escurece, falta-nos apoio, nossa vida parece tremer. É nesta hora que damos o autêntico testemunho da solidez de nossa fé, e verdadeiramente, podemos dizer: “Senhor, eu creio, mas vem em auxílio de minha pouca fé, e minha fraqueza. Pai, entrego-me em Tuas mãos”.

Urge que nos coloquemos totalmente nas mãos de Deus, oferecendo a Ele toda a nossa vida, vivendo na gratuidade, e não na troca de favores, sem procurar fama e privilégios.

Precisamos nos despojar de nossos projetos pessoais e preconceitos, a fim de nos entregarmos com total confiança nas mãos de Deus, com completa doação, dando um salto em total abandono no Senhor, sem nenhuma dúvida ou hesitação. 

Assim viveremos uma fé amadurecida, na doação total inclusive nas situações mais adversas, no testemunho da pobreza evangélica, acompanhada da humildade e fecundidade, num amor sem limites e incondicional.

Tão somente assim teremos uma verdadeira motivação de nosso engajamento pastoral, em total expressão de gratuidade, sem procura de honrarias, valorização, promoção ou elogios.

Oremos:

Ó Deus, afastai de nós todos os obstáculos, e nos acompanhe para que inteiramente disponíveis nos coloquemos a serviço do Reino, na fidelidade a Jesus Cristo, com a força do Santo Espírito. Amém.

Jesus, o único Caminho, Verdade e Vida

                                         

Jesus, o único Caminho, Verdade e Vida

Sejamos enriquecidos pelo Comentário sobre João, escrito pelo presbítero Santo Tomás de Aquino (Séc. XIII).

“O caminho é o próprio Cristo, conforme ele próprio disse: Eu sou o caminho. E com muita razão, pois temos por ele acesso junto ao Pai.

Porque, porém, este caminho não está distante do seu termo, mas unido a Ele, Cristo acrescenta: Verdade e vida; de sorte que é ao mesmo tempo o caminho e o termo. É o caminho, segundo a humanidade; é o termo, segundo a divindade. Assim, como homem, diz: Eu sou o caminho; e, como Deus, acrescenta: A verdade e a vida. Por estas duas realidades, indica bem o término deste caminho.

O término deste caminho é a meta do desejo dos homens e o homem deseja principalmente duas coisas: primeiro, o conhecimento da verdade, o que lhe é próprio; segundo, a permanência no ser, o que é comum a todos os seres. Cristo é o caminho que leva ao conhecimento da verdade, porque é Ele mesmo a Verdade: Conduze-me, Senhor, à Tua verdade e entrarei em Teu caminho. Cristo é também o caminho que faz chegar à vida; é Ele próprio a vida: Fizeste-me conhecer os caminhos da vida.

Por este motivo, designou o término do caminho como verdade e vida: ambas se referem a Cristo. Em primeiro lugar, porque Ele é a vida: N’Ele era a vida; em seguida, porque ele é a verdade: Era a luz dos homens. Ora, a luz é a verdade.

Se, portanto, indagas por onde passar, acolhe a Cristo, o próprio caminho: É este o caminho, caminhai por ele. E Agostinho disse: Caminha pelo homem e chegarás a Deus. É melhor claudicar no caminho do que caminhar com desembaraço fora dele.

Pois quem manqueja no caminho, conquanto demore, chegará ao termo. Quem, ao contrário, vai por fora do caminho, embora correndo, se afasta, cada vez mais, do termo.

Se agora perguntas para onde ir, adere a Cristo, que é a verdade, meta de nossa caminhada: Minha boca meditará tua verdade. Se buscas permanecer, adere a Cristo, a própria vida: Quem me encontra, encontra a vida e haurirá a salvação vinda do Senhor. 

Adere, por conseguinte, a Cristo, se queres ter segurança; não te desviarás, porque Ele é o caminho. Os que a Ele aderem, não andam fora, mas no caminho reto. Também não podem enganar-se, pois, com efeito, é Ele a verdade e ensina toda a verdade, conforme Suas mesmas palavras: Para isto nasci e vim aqui, para dar testemunho à verdade. E ainda, nada te perturbará, porque Ele mesmo é a vida e o que dá a vida: Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância.” (1)

De fato, Jesus é o caminho para se chegar à verdadeira vida: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”, como lemos no Evangelho de São João (Jo 14,6).

Como Igreja Sinodal, Povo de Deus caminhando juntos, sejamos iluminados pelo esplendor da Verdade que é o próprio Jesus Cristo, pois tão somente esta Verdade é que nos liberta - “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,32), a fim de que tenhamos vida plena e definitiva (Jo 10,10). Amém.


(1) Liturgia das Horas - Volume Tempo Comum III - Editora Paulus - p. 280-282

 

Generosa oferta da pobre viúva no templo

                                            


Generosa oferta da pobre viúva no templo

Sejamos enriquecidos pela Carta n.32 de São Paulino de Nola (séc.V).

Tens algo - diz o Apóstolo - que não tenhas recebido? Portanto, amadíssimos, não sejamos avaros de nossos bens como se eles nos pertencessem, mas negociemos com eles como com um empréstimo.

Foi-nos confiada a administração e o uso temporal dos bens comuns, não a eterna posse de uma coisa privada. Se na terra a consideras tua somente temporalmente, poderás torná-la tua eternamente no céu.

Se recordares aqueles empregados do Evangelho que receberam alguns talentos de seu Senhor e o que o proprietário, ao seu regresso, deu a cada um em recompensa, reconhecerás quanto mais vantajoso é depositar o dinheiro na mesa do Senhor para fazê-lo frutificar, que conservá-lo intacto com uma fidelidade estéril; compreenderás que o dinheiro ciosamente conservado, sem o menor rendimento para o proprietário, tornou-se para o empregado negligente em um enorme desperdício e em um aumento de seu castigo.

Recordemos também aquela viúva, que se esquecendo de si mesma e preocupada unicamente pelos pobres, pensando somente no futuro, deu tudo o que tinha para viver, como o testemunha o próprio juiz.

Os outros - diz - lançaram daquilo que tinham de sobra; porém esta, mais pobre talvez do que muitos pobres - já que toda a sua fortuna se reduzia a duas moedas -, mas em seu coração mais admirável que todos os ricos, posta sua esperança somente nas riquezas da eterna recompensa e ambicionando para si somente os tesouros celestiais, renunciou a todos os bens que procedem da terra e à terra retornam.

Lançou o que tinha, para possuir os bens invisíveis. Lançou o corruptível, para adquirir o imortal. Aquela pobrezinha não menosprezou os meios previstos e estabelecidos por Deus em vista da consecução do prêmio futuro; por isso o legislador também não se esqueceu dela, e o árbitro do mundo antecipou sua sentença: no Evangelho ele elogia aquela que coroará no juízo.

Negociemos, portanto, ao Senhor com os próprios dons do Senhor; nada possuímos que dele não tenhamos recebido, sem cuja vontade nem sequer existiríamos. E, sobretudo, como poderemos considerar algo nosso, nós que, em virtude de uma hipoteca importante e peculiar, não nos pertencemos, e não só porque fomos criados por Deus, mas por sermos redimidos por ele?

Congratulemo-nos por sermos comprados a grande preço, ao preço do sangue do próprio Senhor, deixando por isso mesmo de sermos pessoas vis e venais, já que a liberdade que consiste em sermos livres da justiça é mais vil que a própria escravidão.

Aquele que assim é livre, é escravo do pecado e prisioneiro da morte. Restituamos, pois, ao Senhor os seus dons; demos a Ele, que recebe na pessoa de cada pobre; demos, insisto, com alegria, para receber dele a plenitude da alegria, como Ele mesmo disse.” (1)

“Lançou o que tinha, para possuir os bens invisíveis. Lançou o corruptível, para adquirir o imortal.”. Muito temos que aprender com esta pobrezinha viúva no templo.

Peregrinando na esperança, como discípulos do Senhor, temos que confiar na divina providência, em alegre entrega do pouco que temos, para que aconteça o milagre da partilha, e sejamos cumulados de todos bens e graças, e nada nos faltará.

De fato, a generosidade da viúva, sua humilde oferta, nos questiona quanto à nossa colaboração na manutenção da ação evangelizadora em todas as suas dimensões (religiosa, missionária, social e caritativa) (cf. Doc. 106 CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

 

(1)  Lecionário Patrístico Dominical, Editora Vozes, 2013 - pp. 502-503.

PS: Passagens do Evangelho – (Mc 12,38-44; Lc 21,1-4)

Conversa ao pé do fogão

                                          

Conversa ao pé do fogão

A lenha apanhada com todo carinho e colocada de modo que facilitasse o seu acender. O sopro suave daquelas viúvas fez com que imediatamente acendesse o fogo. 

Chaleira com água pela metade, bule preparado e o mancebo com seu coador esperando a água a ser vertida para coar aquele café torrado e moído pelas suas próprias mãos.

Abaixo do fogão, o forno continha um pão já assado, pronto para ser comido. Pão ou bolo de fubá, não sei bem ao certo, não dava para ver, mas um dia havia comentado que o cheiro exalava deliciosamente daquela casa tão simples, tão singela, na encosta de um morro.

Quem são estas viúvas ali conversando como que num entoar de canto de louvor, tamanho entusiasmo com que são tomadas na troca de palavras e de olhares, multiplicação de gestos tão suaves que não apenas atingem o olhar, mas como que tocam, marcam o coração de quem vê?

São as viúvas mencionadas incontáveis vezes na Sagrada Escritura, (cf. 1Rs 17,10-16) ; Mc 12,38-44).

Muito mais do que duas viúvas, refere-se àquelas pessoas que nada retêm para si, e oferecem a Deus e ao próximo o melhor que possuem.

Que acolhem os profetas, como a presença e visita do próprio Deus.

Que confiam na providência de Deus, que rompem o limite do intransponível.

Que renovam a esperança, onde já não mais parecia possível, porque com Deus estão.

Que têm olhar ultrapassando o horizonte da morte com sinais luminosos de vida.

Que não esperam nada em troca quando oferecem o melhor de si para que outro fique bem.

Que se sentem enriquecidos quando dão de sua pobreza, que por amor se tornam riqueza.

Que oferecem o máximo que possuem ainda que para o olhar humano nada pareça.

Que dão até mesmo o que possuem para viver, na grandeza de generosidade.

Que vivem a generosidade como expressão do amor e da alegria, sem coerção.

Que pautam a existência pelo despojamento, entrega, doação, radicalidade de amor.

Que sentem o coração palpitar incessantemente de alegria, porque sabem que quem em Deus confia, nada falta: abundância, vida plena. Aleluia!

Evidentemente que elas nunca se encontravam como tal descrito, mas as encontramos em nossas comunidades: mulheres e também homens anônimos multiplicando a história de gratidão, graça e gratuidade.

Comprometidos e comprometidas nas pastorais, serviços e movimentos; pessoas que não se calam e nem se curvam diante da ditadura da economia homicida da acumulação, da exploração, do consumo, das necessidades ilusórias criadas.

Em tantos lares, ensinando seus filhos que a vida é bela, não porque fazemos grandes coisas dignas de “guiness book”, mas porque é feita de pequenos gestos de amor, que se tornam deliciosas e esperadas páginas no maior livro: O Livro da Vida, do qual Deus é o Autor.

Aproximando-se mais um fim de ano litúrgico, avaliemos o quanto de amor, generosidade temos vivido.

Que nos silenciemos e continuemos contemplando a conversa daquelas viúvas. E sem réplicas inúteis, buscando diretamente os textos sagrados, deixemo-nos questionar por exemplos de tão belos perenes da história da humanidade.

Quanto podemos com elas aprender para que possamos o mundo mudar, transformar, sendo sal, fermento e luz.

Vamos tomar um café com elas, comer um pedaço de bolo ou pão assado, ou nada comer e beber, mas no caminho de santidade nos colocarmos e a conversão buscarmos, sem jamais desistirmos.

Que nos convertamos, vendo tão belos testemunhos à alegria do pão partilhado, pois somente este é que sacia a nossa fome. Somente a água partilhada é que sacia a sede que possuímos...

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Sois o Amor, Senhor!

                                                                  

Sois o Amor, Senhor!

Senhor, não sois para mim um simples personagem histórico, tão pouco um mero objeto da razão humana, fruto dos estudos e conhecimento teórico, como alguém que existiu e passou como tantos passam, ficando apenas na memória frutuosa lembrança.

Senhor, sois para mim uma Pessoa viva, uma Pessoa que somente pode ser verdadeiramente conhecida através do encontro e do relacionamento, que se renova a cada instante, de modo especial no Banquete da Eucaristia, e quando O acolhemos nos pequeninos, Vossos rostos de tantos nomes.

Senhor, sois para mim glorioso, Ressuscitado, e para sempre presente e atuante na história minha pessoal e comunitária, caminhando, como fizestes com os discípulos de Emaús, fazendo o coração arder quando comunicais Vossa Palavra, abrindo os olhos quando Vos dais no Pão partilhado sobre o Altar.

Senhor, sois para mim o Cristo, e não Vos chamo de Jesus Cristo, apenas com nome e sobrenome, mas assim creio que sois verdadeiramente o Messias, o Ungido de Deus, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Deus Encarnado, o Redentor de toda a humanidade.

Senhor, sois para mim o Caminho, a Verdade e a Vida, e sei que me chamastes e me escolhestes e me enviastes para, com a Seiva do Amor, com a Seiva do Vosso Espírito, muitos frutos, e frutos eternos, produzir, não apenas como mero ouvinte de Vossa Palavra, mas  praticante, sem o que  me distanciaria de Vós e não me reconheceríeis no dia do juízo final. Amém.



PS: Breve profissão de fé à luz das passagens dos Evangelhos: Lc 9, 18-22; Mc  8,27-35; 12,35-37; Lc 24,12-35

"Fiquemos firmes no combate”

                                                               

"Fiquemos firmes no combate”

A Igreja celebra, no dia 5 de junho, a Memória de São Bonifácio, e meditamos na Liturgia das Horas uma de suas Carta que em muito nos enriquecerá na fidelidade ao Senhor.

Seu nome significa aquele que realiza boas ações, foi Bispo e mártir da Igreja, exemplo de Pastor solícito, vigilante no cuidado do rebanho de Cristo a ele confiado. Nascido em 673 e martirizado em 754.

“A Igreja é como uma grande barca que navega pelo mar deste mundo. Sacudida nesta vida pelas diversas ondas das tentações, não deve ser abandonada a si mesma, mas governada.

Na Igreja primitiva temos o exemplo de Clemente, Cornélio e muitos outros na cidade de Roma, de Cipriano em Cartago, de Atanásio em Alexandria. Sob o reinado dos imperadores pagãos, eles governaram a barca de Cristo, ou melhor, a Sua caríssima esposa, que é a Igreja, ensinando-a, defendendo-a, trabalhando e sofrendo até ao derramamento de sangue.

Ao pensar neles e noutros semelhantes, fico apavorado; o temor e o tremor me  penetram e o pavor dos meus pecados me envolve e deprime! (Sl 54,6); gostaria muito de abandonar inteiramente o leme da Igreja, se encontrasse igual  precedente nos Padres ou na Sagrada Escritura.

Mas não sendo assim, e dado que a verdade pode ser contestada, mas nunca vencida nem enganada, nossa alma fatigada se refugia nas palavras de Salomão: Confia no Senhor com todo o teu coração, e não te fies em tua própria inteligência; em todos os teus caminhos, reconhece-O, e Ele conduzirá teus passos (Pr 3,5-6). E noutro lugar: O nome do Senhor é uma torre fortíssima. Nela se refugia o justo e será salvo (cf. Pr 18,10).

Permaneçamos firmes na justiça e preparemos nossas almas para a provação; suportemos as demoras de Deus, e lhe digamos: Vós fostes um refúgio para nós, Senhor, de geração em geração (Sl 89,1).

Confiemos n’Aquele que colocou sobre nós este fardo. Por não podermos carregá-lo sozinhos, carreguemo-lo com o auxílio d’Aquele que é onipotente e nos diz: O meu jugo é suave e o meu fardo é leve (Mt 11,30).

Fiquemos firmes no combate, no dia do Senhor, porque vieram sobre nós dias de angústia e de tribulação (cf. Sl 118, 143). Se Deus assim quiser morramos pelas Santas Leis de nossos pais (cf. 1Mc 2,50), a fim de merecermos alcançar junto com eles a herança eterna.

Não sejamos cães mudos, não sejamos sentinelas caladas, não sejamos mercenários que fogem dos lobos, mas pastores solícitos, vigilantes sobre o rebanho de Cristo. 

Enquanto Deus nos der forças, preguemos toda a doutrina do Senhor ao grande e ao pequeno, ao rico e ao pobre, e a todas as classes e idades, oportuna e inoportunamente, tal como São Gregório escreveu em sua Regra Pastoral." (1)


Provações, inquietações, dificuldades, contrariedades, às vezes perseguições, incompreensões no ontem da história da Igreja, hoje e sempre. Elas também podem se apresentar na vida e história de cada um de nós.

Façamos silêncio, acolhamos a palavra de alguém que selou com o sangue derramado o amor e a sedução por Jesus, alguém que soube morrer como grão de trigo para frutos de eternidade produzir.

Neste silêncio e oração, a Palavra de Deus encontre em nosso coração um bom pedaço de terra fértil para cair e também frutos abundantes produzir.

Sejamos como São Bonifácio e tenhamos o que sua vida nos inspira: coragem, fidelidade, testemunho, coerência, amor por Jesus e Sua Igreja e muito mais que se possa dizer...

Aprendamos com ele a não fugir do bom combate da fé, tenhamos fortaleza de ânimo, contando com a força e ação do Santo Espírito, como discípulos missionários do Senhor e amados filhos do Pai que nos quer felizes agora e sempre.

Com São Bonifácio, e com tantos outros mártires da Igreja, aprendemos a mais bela notícia: a morte dos justos, dos santos não têm a última palavra e como o Salmista rezamos:

“É sentida por demais pelo Senhor a morte dos Seus Santos, Seus amigos.” (Sl 115). E tamanho sentimento encontrou a mais bela vitória, quando o Pai Ressuscitou o Filho que morreu na Cruz, e este morrendo fez morrer a morte, para que vivêssemos para sempre. Amém!

(1) Liturgia das Horas - Volume II - Tempo da Quaresma/Páscoa - pág. 1618-1619

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