quinta-feira, 4 de junho de 2026

Em poucas palavras... (Eucaristia)

                               


Eucaristia: centro da vida da Igreja

Era sobretudo «no primeiro dia da semana», isto é, no dia de domingo, dia da ressurreição de Jesus, que os cristãos se reuniam «para partir o pão» (At 20, 7).

Desde esses tempos até aos nossos dias, a celebração da Eucaristia perpetuou-se, de maneira que hoje a encontramos em toda a parte na Igreja com a mesma estrutura fundamental. Ela continua a ser o centro da vida da Igreja.” (1)

 

 

(1) Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n.1343

Jesus, maná divino e vivificante

                                       


Jesus, maná divino e vivificante

Sejamos enriquecidos por um dos Comentários elegantes sobre o Livro do Êxodo, escrito por São Cirilo de Alexandria, doutor da Igreja (séc. V).

“Penso que o maná é sombra e tipo da doutrina e dos dons de Cristo, que procedem do alto e nada possuem de terreno; pelo contrário, antes estão em aberta oposição com esta carnal execração, e que na realidade são pasto não somente dos homens, mas também dos anjos. De fato, o Filho nos manifestou o Pai em si mesmo, e por meio dele fomos instruídos na razão de ser da santa e consubstancial Trindade, e até nos introduziu no nobre caminho de todas as virtudes. 

Na verdade, o reto e verdadeiro conhecimento destas realidades é alimento do espírito. Contudo, Cristo repartiu em abundância a doutrina à plena luz e de dia. Também o maná foi dado aos antepassados ao raiar do dia e à plena luz. Realmente em nós, os crentes, o dia já tem despontado, como está escrito, e o luzeiro nasceu em todos os corações, e saiu o sol de justiça, a saber, Cristo, o doador do maná inteligível. E que aquele maná sensível foi algo assim como uma figura, e este, em vez disso, o maná verdadeiro, Cristo mesmo assegura-nos com todas as garantias, quando diz aos judeus: Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram.

Ele, pelo contrário, é o pão que desce do céu, para que o homem dele coma e não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Aquele que comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo. Nosso Senhor Jesus Cristo nos alimenta para a vida eterna tanto com os seus preceitos que estimulam a piedade como mediante seus místicos dons. Ele é, portanto, realmente em pessoa aquele maná divino e vivificante.

Aquele que dele comer não experimentará a futura corrupção e escapará da morte; mas não aqueles que comeram o maná sensível, pois o ‘tipo’ não era portador da salvação, mas era unicamente figura da verdade. Deus, fazendo cair o maná do céu em forma de chuva, ordena que cada um recolha o que possa comer, e se quer, pode recolher também para aqueles que vivam na mesma tenda. Que cada um - diz - recolha o que possa comer e para todas as pessoas que vivam em cada tenda. Que ninguém guarde para amanhã. Devemos estar bem penetrados da doutrina divina e evangélica.

Portanto, Cristo distribui a graça igualmente para pequenos e grandes, e a todos alimenta igualmente para a vida; quer reunir os demais com os mais fracos, e que os fortes se sacrifiquem por seus irmãos até assumir sobre si os trabalhos deles, e fazer-lhes partícipes da graça celestial. Isto é o que - a meu juízo - ele disse aos próprios santos Apóstolos: De graça recebestes, de graça dai. Portanto, aqueles que recolheram para si maná abundante, apressaram-se a reparti-lo entre os que viviam sob as mesmas tendas, isto é, na Igreja. Os discípulos realmente exortavam a todos e os estimulavam a coisas mais dignas; comunicavam a todos em abundância a graça que de Cristo alcançaram.” (1)

Cremos em Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos alimenta para a vida eterna, pois, como afirmou o São Cirilo, Ele é, portanto, realmente em Pessoa Aquele maná divino e vivificante”. 

Como peregrinos da esperança, precisamos de um Alimento Salutar, que renove e revigore nossas forças, e este maná é Jesus, o Pão da Vida, Pão da Eternidade.

Fundamental que participemos assiduamente da Eucaristia, para ouvir a Sua Palavra de Vida Eterna e, alimentados, continuarmos nossa travessia pelos mares da vida, empenhados na construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Amém.

(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - pp.443-444

Eucaristia: Divino Alimento (Corpus Christi)

                                                      

Eucaristia: Divino Alimento

Pão e vinho, no Corpo e Sangue do Senhor transubstanciados,
Da Ceia divina participando: verdadeira Comida e Bebida recebidos,
N’Ele transformados e Sua presença no mundo agraciados.

Nossos olhos pelo colírio da fé são curados e iluminados.
Renova-se o olhar da esperança para rever os caminhos feitos,
E se abrem novas sendas de comunhão, amor e fraternidade.

Nossos ouvidos são abertos para a escuta atenta da Voz divina
Que em Sua Santa Palavra, de modo sempre novo anunciada,
E caindo no mais profundo de nós, vidas transformadas.

Nossa mente cede lugar para salutares pensamentos,
Já não há lugar para lembranças que não nos edifiquem,
Porque a Palavra ouvida, acolhida e vivida, permite-nos novos sonhos.

Nosso coração de todo o pecado é purificado,
Porque na Eucaristia nossos pecados são destruídos,
E abre-se espaço para que nele transborde a graça divina.

Nossas mãos não mais se fecham em pecaminoso egoísmo,
Abrem-se para a alegria da generosidade e serviço ao próximo,
Revitalizadas, servidoras, em alegre e generosa partilha.

Nossos joelhos são fortalecidos, para não nos curvarmos
Diante do inimigo de mil nomes que nos tenta e seduz,
Para que somente diante do Senhor nossos joelhos se dobrem.

Nossos pés são protegidos para nos pormos a caminho,
Vencer as dores de todo o cansaço, dores pelas pedras pisadas,
E também não esmorecer, ainda que também pisemos em espinhos.

Nossa alma é cumulada de todos os dons do Espírito,
Também pelas virtudes divinas revigorados, enriquecidos,
Em fidelidade total ao Senhor, como alegres discípulos missionários.

Ó dulcíssimo e Santíssimo Sacramento, recebido na Ceia da Eucaristia:
Venham sobre nós os raios da glória da Jerusalém Celeste,
Para Iluminar nossa vida e escrevermos novas linhas da História. Amém!   

Eucaristia celebrada e na vida prolongada (Corpus Christi)

                                                             

Eucaristia celebrada e na vida prolongada

O antigo opúsculo “Doutrina dos doze Apóstolos” nos diz como a Igreja, no princípio, celebrava a Eucaristia.

Dai graças assim, primeiro sobre o Cálice:
'Nós te damos graças, Pai nosso, pela Santa Videira de Davi, Teu servo, que nos deste a conhecer por Jesus, Teu servo; a Ti a glória pelos séculos'.

Em seguida, sobre o pão partido:
'Nós Te damos graças, ó Pai nosso, pela vida e ciência que nos deste a conhecer por Jesus, Teu servo; a Ti a glória pelos séculos.

Do mesmo modo como este Pão estava espalhado pelos montes e, colhido, tornou-se uma só coisa, assim, desde os confins da terra, se reúne Tua Igreja em Teu Reino; porque Te pertencem a glória e o poder, por Jesus Cristo, nos séculos'.

Ninguém coma ou beba da Vossa Eucaristia que não tenha sido batizado em nome do Senhor.

De fato, sobre isto disse ele: Não jogueis aos cães as coisas santas.

Refeitos, dai graças assim: 'Nós Te damos graças, Pai Santo, por Teu Santo Nome, cujo trono puseste em nossos corações, e pela ciência, pela fé e imortalidade, que nos manifestaste por Jesus, Teu servo; a Ti a glória pelos séculos'.

Senhor onipotente, Tu criaste tudo por causa de Teu nome, deste aos homens o alimento e a bebida, a fim de Te agradecerem; a nós, porém, concedeste o Alimento e a Bebida espirituais e a vida eterna, por Teu servo. Antes de tudo Te damos graças por seres poderoso; a Ti a glória pelos séculos.

Lembra-Te, Senhor, de Tua Igreja para defendê-la de todo mal e torná-la perfeita em Tua caridade; reúne-a, santificada, dos quatro ventos em Teu reino que lhe preparaste; porque Teu é o poder e a glória pelos séculos.

Venha a graça e passe este mundo! Hosana ao Deus de Davi! Quem é santo, aproxime-se; se não o for, faça penitência; Maranathá, amém.

Congregados no Dia do Senhor, parti o Pão e dai graças, depois de terdes confessado vossos pecados, a fim de ser puro vosso sacrifício.
Todo aquele, porém, que tiver uma desavença com seu companheiro, não se junte a Vós antes de se terem reconciliado, para que não seja profanado vosso sacrifício.

Pois foi o Senhor que disse:
'Em todo lugar e em todo tempo oferecer-me-eis um sacrifício puro, porque sou o Grande Rei, diz o Senhor, e é admirável o meu nome entre as nações.”  (1)

Sejamos elevados a pronunciar ou a ouvir tais palavras ao celebrar e participar da Ceia Eucarística, e questionemos se temos o coração puro para recebê-La.

Participemos ativa, consciente e piedosamente  na Ceia Eucarística, e redescubramos o Salutar Sacramento da Penitência (conhecido como Sacramento da Confissão) para reconciliarmo-nos com Deus e com nosso próximo. 

É sempre tempo para celebrarmos o Sacramento da Penitência, com uma boa confissão de nossos pecados, e renovados pela misericórdia e perdão divinos.

Corramos, sem demora, se necessário, ao exame de consciência, contrição, confissão e compromisso de tornar mais verdadeira e frutuosa a Eucaristia que celebramos, para que ela não seja reduzida a um culto isolado, mas se prolongue em nossa vida, com gestos de acolhida, perdão, ternura, amor, solidariedade...


(1) Lit. das Horas - Vol. III - pág. 418-419.

Em poucas palavras... (Corpus Christi)

                                                     


"Do Corpo de Deus...”

“Do Corpo de Deus brotou para mim uma fonte eterna; Cristo bebeu minhas amarguras para dar-me a suavidade de Sua graça.” (1)


(1) Santo Ambrósio, Bispo e Doutor da Igreja (séc. IV)

 


Oração a Nossa Senhora - Mãe de bondade e misericórdia... (Corpus Christi)

                                                   


Oração a Nossa Senhora

“Ó Mãe de bondade e misericórdia, 
Santa Virgem Maria,
eu, pobre e indigno pecador,
a vós recorro com todo o afeto do meu coração,
implorando a vossa piedade.


Assim como estivestes de pé junto à cruz do vosso Filho,
também vos digneis assistir-me,
não só a mim, pobre pecador, 
como a todos os sacerdotes
que hoje celebram a Eucaristia em toda a santa Igreja.


Auxiliados por vós,
possamos oferecer ao Deus uno e trino
a vítima do seu agrado.
Amém.” (1)

 

(1)             Missal Romano – p. 1019

Corpus Christi: “Corpo de Cristo… Corpo nosso” (Corpus Christi)

                                    


Corpus Christi: “Corpo de Cristo… Corpo nosso”

 

“Enquanto comiam, Ele tomou um pão, abençoou, partiu-o e lhes deu, dizendo: Tomai, comei, isto é o meu Corpo. 

Depois tomou um cálice, rendeu graças, deu a eles, e todos dele beberam. E disse-lhes: ‘Isto é o meu Sangue, o Sangue da Aliança, que é derramado em favor de  muitos”.  (Mc 14,22-24)

Com a Celebração da Festa do Corpo e Sangue do Senhor (Corpus Christi), celebramos a Sua real presença no Santíssimo Sacramento, e caminhamos em procissão pelas ruas, com coração exultante e cheio de alegria por Sua divina companhia.

Ressaltamos que em cada Eucaristia que celebramos, temos a graça deste encontro tão necessário, encontro divinal com Jesus, presente na Eucaristia, em oferenda agradável ao Pai, e com o Espírito que sobre ela invocamos.

Nela, ouvimos a iluminadora proclamação da Palavra Divina, somos nutridos e fortalecidos pelo Pão da Eucaristia partilhado, para que a prática da caridade seja no cotidiano testemunhada.

Temos também a graça de nossos pecados serem destruídos, nossas virtudes crescerem e nossa alma ser enriquecida de todos os dons como nos falou o Presbítero e Doutor Santo Tomás de Aquino (séc. XIII).

Concluindo, rezemos a Oração de José María Olaizola (SJ), contemplando a presença do Senhor na Eucaristia, no Pão e Vinho Transubstanciados:

 “Olhos inquietos por verem tudo.

Ouvidos atentos aos lamentos, aos gritos, aos chamados.

Língua disposta a falar verdade, paixão, justiça…

Cabeça que pensa, para encontrar respostas e

adivinhar caminhos, para romper noites com brilhos novos.


Mãos gastas de tanto servir, de tanto abraçar, de tanto

acolher, de tanto repartir pão, promessa e lar.

Entranhas de misericórdia para chorar as vidas

golpeadas e celebrar as alegrias.

Os pés em marcha em direção a terras abertas

e a lugares de encontro.

Cicatrizes que falam de lutas, de feridas,

de entregas, de Amor, de Ressurreição.

Corpo de Cristo… Corpo nosso”. (1)


“Graças e louvores se deem a todo momento. Ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento. Glória ao Pai...”

 

(1) José Maria Olaizola, SJ

 

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