segunda-feira, 1 de junho de 2026

Inquieta está a nossa alma: do combate ao repouso eterno

                                                                       

Inquieta está a nossa alma: do combate ao repouso eterno

O Bispo Santo Agostinho (séc. V) nos ajuda a encontrar o verdadeiro repouso que somente pode em Deus ser encontrado, no livro de suas Confissões.

“Grande és Tu, Senhor, e sumamente louvável: grande é a Tua força, e a Tua sabedoria não tem limites! Ora, o homem, esta parcela da criação, quer Te louvar, este mesmo homem carregado com sua condição mortal, carregado com o testemunho de seu pecado e com o testemunho de que resistes aos soberbos.

Ainda assim, quer louvar-Te o homem, esta parcela de Tua criação! Tu próprio o incitas para que sinta prazer em louvar-Te. Fizeste-nos para Ti e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em Ti.

Dá-me, Senhor, saber e compreender o que vem primeiro: o invocar-Te ou o louvar-Te? Começar por conhecer-Te ou por invocar-Te? Mas quem Te invocará sem Te conhecer?

Por ignorância, poderá invocar alguém em lugar de outro. Será que é melhor seres invocado, para seres conhecido? Como, porém, invocarão aquele em quem não creem? ou como terão fé, sem anunciante?

Louvarão o Senhor aqueles que O procuram. Quem O procura encontra-O e tendo-O encontrado, louva-O. Buscar-Te-ei, Senhor, invocando-Te; e invocar-Te-ei, crendo em Ti. Tu nos foste anunciado; invoca-Te, Senhor, a minha fé, aquela que me deste, que me inspiraste pela humanidade de Teu Filho, pelo ministério de Teu pregador.

Invocarei o meu Deus, o meu Deus e Senhor: mas como? Porque ao invocá-Lo eu O chamarei para dentro de mim.

Que lugar haverá em mim, aonde o meu Deus possa vir? Aonde virá Deus em mim, o Deus que fez o céu e a terra? Há, então, Senhor, meu Deus, algo em mim que Te possa conter?

O céu e a terra, que fizeste e nos quais me fizeste, são eles capazes de Te conter? Ou, se sem Ti nada existiria de quanto existe, é porque tudo quanto existe Te contém? 

Portanto eu, que também existo, que tenho de pedir Tua vinda em mim, em mim que não existiria se não estivesses em mim? Ainda não estou nas profundezas da terra e, no entanto, ali também estás. Pois, mesmo que desça às profundezas da terra, ali estás.

Não existiria, pois, meu Deus, de forma alguma existiria, se não estivesses em mim. Ou melhor, não existiria eu se não existisse em Ti, de quem tudo, por quem tudo, em quem todas as coisas existem?

É assim, Senhor, é assim mesmo. Para onde Te chamo, se já estou em Ti? Ou donde virás para mim? Para onde me afastarei, fora do céu e da terra, para que lá venha a mim o meu Deus, que disse: Eu encho o céu e a terra?

Quem me dera descansar em Ti! Quem me dera vires a meu coração, inebriá-lo a ponto de esquecer os meus males, e abraçar-Te a Ti, meu único bem! Que és para mim? Perdoa-me, se falo.

Que sou eu a Teus olhos, para que me ordenes amar-Te e, se não o fizer, Te indignares e ameaçares com imensas desventuras? É acaso pequena desventura não Te amar?

Ai de mim! Dize-me, por compaixão, Senhor meu Deus, o que és Tu para mim. Dize à minha alma: Sou Tua salvação. Dize de forma a que ela Te escute. Os ouvidos de meu coração estão diante de Ti, Senhor.

Abre-os e dize à minha alma: Sou Tua salvação. Correrei atrás destas palavras e segurar-Te-ei. Não escondas de mim Tua face. Morra eu, para que não morra, e assim possa contemplá-La.”

Há o tempo do combate, há o tempo do repouso. Retomo três citações literais para início da reflexão:

- “Grande és Tu, Senhor, e sumamente louvável: grande é a Tua força, e a Tua sabedoria não tem limites!”

- “Tu próprio o incitas para que sinta prazer em louvar-Te. Fizeste-nos para Ti e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em Ti.”

- “Quem O procura encontra-O e tendo-O encontrado, louva-O. Buscar-Te-ei, Senhor, invocando-Te; e invocar-Te-ei, crendo em Ti.”

 

Assumir esta confissão como nossa é preciso. Reconhecer a força do Senhor e a Ele elevar louvores sem fim. Abrir-se à Sua sabedoria infinita para que não haja em nós lugar para a loucura que nos afasta do outro e do próprio Deus, fonte inesgotável da divina sabedoria!

Não se encontra por vezes inquieto nosso coração?

Reflitamos sobre as inquietudes de tantos nomes que possamos sentir e passar, vendo nelas uma provisoriedade.

Este trecho do seu “Livro das Confissões” nos ajuda a procurar respostas para a inquietude de nosso coração enquanto não repousa no Senhor…

Há muitas inquietações que não deveriam nos consumir tanto, se maior fosse a nossa fé e a nossa amizade com o Senhor, que nos ama e nos tem como amigos.

Contemplemos a graça de termos no mais profundo de nós a presença do Espírito Santo, como morada d’Ele, como Templos Sagrados de Deus que o somos, hóspedes do mais belo Amor.

Mais confiança, melhor procura, nossa alma encontrará a paz que tanto ansiamos e o sentido para o existir: "A vida nos é dada para procurar Deus; a morte, para encontrá-Lo; e a eternidade, para possuí-Lo".

Repouso só encontraremos no Senhor. Por ora, é o nosso tempo de trilhar, caminhar, peregrinar… Nisto consiste a fé. Não nos permite parar, estagnar…

Abrir sempre os horizontes da fé em inadiáveis compromissos com o Reino até que alcancemos a glória da imortalidade – eternidade – céu!

Ainda não é hora do repouso, mas do combate até que chegue a grande hora de nossa partida e encontro mais que desejável, porém não sabedores, de quando, o somos. Importa a vigilância ativa…

No auge da inquietação  “inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Ti”, Deus, a quem procuramos encontrar no mais pleno deleite da alma.

Ansiemos também por este encontro, por esta calma que somente os que a Deus encontram, desfrutam. 

Se repouso tivermos será o provisório para o refazer das forças, para que jamais desistamos do repouso eterno que é o mais precioso mergulho na plenitude do Amor Divino.

Ponhamo-nos em incansável procura, já O tendo encontrado. Mas como o próprio Santo Agostinho diz, Deus é um Mistério tão inextinguível que uma vez encontrado ainda falta tudo por encontrá-Lo.

Quando encontramos o Senhor, sentimos falta e desejo do louvor, do encontro, do Banquete, do sentar-se para escutá-Lo…

Invocá-Lo e, com fé, crendo, sempre e mais do que sempre, indubitavelmente seremos atendidos. Amém.

Somente no Senhor encontramos a Salvação

Somente no Senhor encontramos a Salvação

Reflexão à luz da passagem da Carta de Paulo aos Gálatas (Gl 1,1-2.6-10).

Comentário do Missal Dominical (p. 1139):

“Hoje se apresentam como mediadores de salvação a ciência, a técnica, a psicanálise, a guerra, a revolução. Muitos homens depositam aí sua esperança.

A visão da Lei como salvação não estará ainda presente no mito da mudança das estruturas, segundo o qual, mudadas as estruturas sociais, nasceria como que magicamente o homem novo?
 
A tese paulina da Lei como pedagogo da salvação não poderia ser aplicada à ciência, à técnica, às estruturas?

Se é verdade que estas são radicalmente insuficientes para salvar o homem, é também verdade que, conservadas em seu papel de instrumentos, são meios a serem usados para o bem do homem”.
Citação da “Evangeli Nuntiandi” sobre a renovação da humanidade:

“Evangelizar, para a Igreja, é levar a Boa-Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude, e pelo seu influxo transformá-las a partir de dentro e tornar nova a própria humanidade:

 "Eis que faço de novo todas as coisas". No entanto não haverá humanidade nova, se não houver em primeiro lugar homens novos, pela novidade do batismo e da vida segundo o Evangelho.

A finalidade da evangelização, portanto, é precisamente esta mudança interior; e se fosse necessário traduzir isso em breves termos, o mais exato seria dizer que a Igreja evangeliza quando, unicamente firmada na potência divina da mensagem que proclama, ela procura converter ao mesmo tempo a consciência pessoal e coletiva dos homens, a atividade em que eles se aplicam, e a vida e o meio concreto que lhes são próprios”.

Ansiamos pela salvação, pela renovação da humanidade, e esta não se dá pela absolutização do que na verdade são instrumentos, meios apenas (técnica, ciência, estruturas, poderes constituídos, sistemas de governo, ou quaisquer outras formas de construção que sejam da derivação humana, resultando da ação e intervenção humana).

A Igreja longe de ignorar a contribuição da ciência, vê a necessária relação que deve existir entre a fé e a razão, com vistas ao bem da humanidade.

Que os infinitos recursos que dispomos e a os saberes que possuímos cumpram este fim, o bem de toda a humanidade.

Concluindo, “Não haverá humanidade nova, se não houver em primeiro lugar homens novos, pela novidade do batismo e da vida Segundo o Evangelho”. E bem sabemos que o Espírito de Deus sopra onde quer, e todos podemos nos abrir à Sua ação, ainda que não percebamos, e assim tudo fazermos pela promoção do bem comum, a fim de que tenhamos vida plena, digna e feliz.

Quaresma: cuidemos melhor da vinha do Senhor

                                                          

Quaresma: cuidemos melhor da vinha do Senhor 

Na Liturgia da segunda Sexta-feira da Quaresma, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 21,33-43.45-46), e refletimos sobre a Vinha, que é a imagem do Povo de Deus, e dos frutos que devemos produzir: amor, paz, justiça, bondade e misericórdia.

O Senhor espera encontrar frutos abundantes em nossa vida, porque muito nos foi dado. Mas, como batizados, se não produzirmos os frutos por Deus esperados, frustrando Sua esperança, Ele tirará de nós a Vinha e a confiará a outros. Grande é, portanto, a nossa responsabilidade.

Muito antes, o Profeta Isaías, que exerceu o seu ministério em Jerusalém por um longo período, nos remete à reflexão sobre a Vinha.

Após uma fase mais tranquila, deparou-se com uma realidade marcada pela exploração dos empobrecidos, contrastando com o fausto cultural, incoerente e mentiroso, porque não era resultado de verdadeira adesão a Javé e Seu projeto de vida plena para todos. 

Falando do Povo como Vinha, o Profeta (Is 5,1-7) a compara à esposa que deixou de ser fiel e se converteu numa prostituta (Is 1,21-26). É preciso superar a infidelidade à Aliança voltando-se para Deus.   

Ele se apropria da imagem da Vinha como que de uma “cantiga de amor”, como recurso para a transmissão da mensagem que Deus lhe confiou, a fim de que resgate o povo a que pertence, em total e incondicional fidelidade ao Pai que não se cansa de amar, perdoar e libertar Seu povo. É próprio do Amor de Deus não se cansar e não desistir da nossa salvação.  

O Profeta/Poeta brinca com as sonoridades e com o ritmo, em alternância de sons doces de canções de amor e a aspereza das canções de trabalho.  Mas num momento ápice o cântico se transforma em queixa e grito pela justiça, numa interpelação direta de seus interlocutores para que cessem os gritos de horror que procedem dos empobrecidos que são como os frutos selvagens de que fala o Profeta/Poeta. 

Estes frutos são as injustiças, arbitrariedades, violência e sangue dos inocentes e, consequentemente, a não defesa do direito dos pobres. Deste modo, a imagem da vinha e seus frutos amargos é a mais perfeita expressão da imagem do povo infiel a Deus, que multiplica o número dos sofredores. De outro lado, o Profeta é incansável em proclamar o amor de Deus que nos ama para nos transformar, de modo que, transformados por Seu amor, amemos nosso próximo. 

Reflitamos: 

- De que modo correspondemos ao amor de Deus?

- Produzimos frutos de tolerância, misericórdia, bondade e compreensão? 

- Nossas Missas e Celebrações têm nos levado a inadiáveis compromissos com a vida dos mais necessitados?

- Quais são as implicações concretas de nossos cultos e louvores? 

Voltando à passagem do Evangelho, que nos apresenta como cenário Jerusalém, temos a presença dos opositores de Jesus que O levarão à prisão, julgamento, condenação e morte. Jesus está plenamente consciente do destino que lhe está reservado. 

Jesus enfrenta os dirigentes de Seu tempo (aqueles que detêm os poderes políticos, religiosos, econômicos e ideológicos); sabe que será condenado implacavelmente, porque não acolherão a Boa-Nova do Reino que veio inaugurar. 

A Parábola contada por Jesus é riquíssima em simbolismos: 

- A Vinha é Israel, o Povo de Deus;

- O Dono da Vinha é o próprio Deus;

- Os vinhateiros homicidas são os líderes religiosos;

- Os servos assassinados são os Profetas que Deus havia enviado; 

- O Filho assassinado é o próprio Jesus. 

Com a Parábola, Jesus insiste na necessidade de se produzir os frutos do Reino, vivendo na radicalidade à Sua proposta. 

Reflitamos: 

-  Qual é o nosso compromisso com o Reino?

-  Quais os frutos que estamos produzindo na nossa vida, dentro e fora da Igreja com o nosso agir?

-  Como temos assumido a missão de trabalhar na Vinha do Senhor? 

-  É muito simples condenar os vinhateiros homicidas, mas o que fazemos com o Mandamento da Lei de Deus, que se resume no amor a Deus e ao próximo? 

-  Escutamos os mensageiros que nos foram enviados por Deus?     

-  O que precisa ser transformado em nossa vida, para que produzamos frutos mais saborosos e abundantes possamos multiplicar? 

Trilhando o itinerário quaresmal, reflitamos sobre a nossa missão; revendo o quanto é decisivo e fundamental o trabalho na Vinha do Senhor. 

Ao chamar os Seus para que O seguisse, Jesus lhes dá uma missão precisa: anunciar o Evangelho do Reino a todas as nações (cf. Mt 28, 19; Lc 24, 46-48). Por isso, todo discípulo é missionário, pois Jesus o faz partícipe de Sua missão, ao mesmo tempo em que o vincula como amigo e irmão.  

Deste modo, “Cumprir essa missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã, porque é a extensão testemunhal da Vocação mesma” (Aparecida, n.144). 

Neste sentido, apropriadas são as palavras do Apóstolo Paulo: “Irmãos ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor; é o que deveis ter no pensamento” (Fl 4,8). 

Eis a nossa Missão: como batizados, trabalhar com alegria,  amor e fidelidade na Vinha do Senhor. 

Oremos: 

“Pai justo e misericordioso, que velas incessantemente
sobre a Vossa Igreja, não abandoneis a Vinha que à
 Vossa direita plantou: continuai a cultivá-la e a
enriquecê-la de servos missionários escolhidos,
para que, enxertada em Cristo, verdadeira Videira,
 produza frutos abundantes de Vida Eterna.
 Amém”!



PS: Apropriado para aprofundamento da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 12,1-12)

Em poucas palavras...

                                                           

              

Jamais a desventura de não aceitar o Senhor

“... há muitos modos de dizer ‘não a Deus’, e todos se voltam contra nós: recusar a luz é ficar na escuridão, recusar o calor é permanecer no frio, recusar o alegre anúncio é tristeza.

Contudo, luz, calor, alegre anúncio irão para os outros que os acolherão. Cristo é a ‘Salvação’: não aceitá-Lo é desventura.” (1)

 

 

(1)             Comentário do Missal  Cotidiano, sobre a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 12,1-12)  

Editora Paulus – pág. 846

A Vinha do Senhor e os frutos esperados por Deus (XXVIIDTCA)

                                                       

A Vinha do Senhor e os frutos esperados por Deus

Com a Liturgia do 27º Domingo do Tempo Comum (ano A), refletimos sobre os frutos abundantes que  o Senhor espera encontrar em nossa vida.

Verdadeiramente abundantes porque muito nos foi dado, à luz de uma imagem tão bela e inspiradora, a imagem da Vinha que é a imagem do Povo de Deus, e dos frutos que, como Povo de Deus, devemos produzir: amor, paz, justiça, bondade e misericórdia...

Se não produzirmos os frutos por Deus esperados, Ele tirará de nós a Vinha e confiará a outros; grande é, portanto, a nossa responsabilidade.

Na passagem da primeira Leitura, o Profeta Isaías falando do Povo como Vinha (Is 5,1-7),  a compara como uma esposa que deixou de ser fiel e se converteu numa prostituta (Is 1,21-26). É preciso superar a infidelidade à Aliança voltando-se para Deus.  

O Profeta Isaías exerceu o seu ministério em Jerusalém por um longo período. Após uma fase mais tranquila, deparou-se com uma realidade marcada pela exploração dos empobrecidos, contrastando com o fausto cultural, incoerente e mentiroso, porque não era resultado de verdadeira adesão a Javé e Seu projeto de vida plena para todos.

Ele se apropria da imagem da Vinha como que de uma “cantiga de amor”, como recurso para a transmissão da mensagem que Deus lhe confiou, a fim de que resgate o povo a que pertence, em total e incondicional fidelidade ao Pai que não se cansa de amar, perdoar e libertar Seu povo. É próprio do Amor de Deus não se cansar e não desistir da nossa salvação.

O Profeta/Poeta brinca com as sonoridades e com o ritmo, em alternância de sons doces de canções de amor e a aspereza das canções de trabalho.  Mas num momento ápice o cântico se transforma em queixa e grito pela justiça, numa interpelação direta de seus interlocutores para que cessem os gritos de horror que procedem dos empobrecidos que são como os frutos selvagens de que fala o Profeta/Poeta. Estes frutos são as injustiças, arbitrariedades, violência e sangue dos inocentes e consequentemente a não defesa do direito dos pobres. 

Deste modo a imagem da vinha, com seus frutos amargos, é a mais perfeita expressão da imagem do povo infiel a Deus, que multiplica o número dos sofredores. De outro lado o Profeta é incansável em proclamar o Amor de Deus que nos ama para nos transformar, de modo que, transformados por Seu amor, amemos nosso próximo.

A história da Vinha da primeira Leitura é, numa palavra, a História do Amor de Deus por nós que não cessa.

Reflitamos:

- De que modo correspondemos a este Amor?
- Quais os frutos que estamos produzindo? São os frutos esperados por Deus?

- Produzimos frutos de tolerância, misericórdia, bondade e compreensão?
- Nossas Missas e Celebrações têm nos levado a inadiáveis compromissos com a vida dos mais necessitados?

- Quais são as implicações concretas de nossos cultos e louvores que a Deus sobem?

A passagem da segunda Leitura (Fl 4,6-9) é escrita por Paulo; preso provavelmente em Éfeso expressa mais uma vez o seu carinho pela comunidade. Fala um pouco de si e exorta a comunidade à fidelidade, recordando as obrigações inadiáveis de uma comunidade que professa a fé no Ressuscitado.

O Apóstolo lembra que em nossa fraqueza é preciso que nos apoiemos na oração. Devemos pedir a graça da fidelidade, para que possamos dar muitos frutos, guardando nossos corações e pensamentos em Cristo Jesus.
A comunidade deve viver na alegria, porque vive na comunhão com Cristo. Deve sentir-se segura nos braços de Deus, na presença constante da bondosa mão de Deus.

Enumera certas questões que a comunidade deve cultivar e apreciar: a verdade, a nobreza, a justiça, a pureza, amabilidade e a boa reputação, ou seja, tudo que for digno de louvor. Esta Carta de Paulo é a chamada “magna carta do humanismo cristão”.
A comunidade deve multiplicar os arautos e testemunhas dos valores humanos. Deve viver os valores humanos em confronto constante com a Palavra, e com fidelidade sem jamais trair e renegar a Boa Nova do Evangelho. Ser sal, fermento e luz de um Mundo Novo(cf. Mt 5,13-16).

A comunidade enxertada em Cristo pode produzir muito mais, na serenidade e tranquilidade em total confiança em Deus, o que a caracterizará não como comunidade de fracassados, alienados e falhos, mas uma comunidade constituída pelos mais do que vencedores n’Aquele que nos amou, Jesus.

Reflitamos:

- - Como comunidade, como vivemos aacolhida, a simpatia que deve interligar todos entre si, a amabilidade, a verdade, a coerência?
- - Como estando no mundo não comungar aquilo que venha afetar e esvaziar a nossa fé?
- - Como viver a fé sem cair em contradições que empobreceria a nossa missão?

Com a passagem do Evangelho (Mt 21,33-43) mais uma vez voltamos à temática da Vinha. 

O cenário é a cidade de Jerusalém, com a presença dos opositores de Jesus que o levarão à prisão, julgamento, condenação e morte. Jesus está plenamente consciente do destino que lhe está reservado. 


Jesus enfrenta os dirigentes de Seu tempo (aqueles que detêm os poderes políticos, religiosos, econômicos e ideológicos); sabe que será condenado implacavelmente, porque não acolherão a Boa Nova do Reino que veio inaugurar.

A Parábola contada por Jesus é riquíssima em simbolismo:

A Vinha é Israel, o Povo de Deus;
O Dono da Vinha é o próprio Deus;
Os vinhateiros homicidas são os líderes religiosos;
Os servos assassinados são os Profetas que Deus havia enviado; o Filho assassinado é o próprio Jesus.

Com a Parábola, Jesus insiste na necessidade de se produzir os frutos do Reino, vivendo na radicalidade à Sua proposta.

Os frutos são: amor, serviço, doação, justiça, paz, tolerância, partilha... É preciso dizer não ao comodismo, à instalação, a procura de facilidades.

Reflitamos:

- Qual é o nosso compromisso com o Reino?
- Quais os frutos que estamos produzindo na nossa vida, com o nosso agir?

- Como temos assumido a missão de trabalhar na Vinha do Senhor?
- Quais os frutos que produzimos dentro e fora da Igreja?

- É muito simples condenar os vinhateiros homicidas, mas o que fazemos com o Mandamento da Lei de Deus, que se resume no amor a Deus e ao próximo, como Ele nos ordenou?

 - Escutamos os mensageiros que nos foram enviados por Deus?     
 - O que precisa ser transformado em nossa vida, para que, na Vinha trabalhando, frutos mais saborosos e abundantes possamos multiplicar?

Deus nos ama e espera pacientemente que nos convertamos. Trabalhando na Vinha que Ele nos confia, jamais faltarão frutos saborosos em nossas mesas. Deus nunca desiste de Sua obra de amor e salvação.   
                   
Se nada produzimos ou se frutos amargos produzimos, não é culpa de Deus, mas porque não soubemos corresponder ao amor e confiança que Ele em nós depositou.

É tempo de nos convertemos, para que Deus fique satisfeito com os frutos que venhamos a produzir, que na verdade não serão para Ele, mas para nós mesmos.

Deus não quer outra coisa senão a nossa felicidade! Frutos doces e saborosos sempre, amargos jamais!

Esterilidade da Vinha impensável, frutos abundantes e permanentes jamais faltarão se a Ele nos abrirmos e n’Ele  confiarmos, correspondendo cada vez mais ao Seu Amor!

Somos todos membros do Povo de Deus, a Igreja, que tem a missão de produzir frutos, para não frustrar as esperanças do Senhor na hora da colheita.

Ao chamar os Seus para que O seguisse, Jesus lhes dá uma missão precisa: anunciar o Evangelho do Reino a todas as nações (cf. Mt 28, 19 ; Lc 24, 46-48). Por isso, o discípulo é missionário, pois Jesus o faz partícipe de Sua missão, ao mesmo tempo em que o vincula como amigo e irmão:

“Cumprir essa missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã, porque é a extensão testemunhal da Vocação mesma” (Aparecida, 144).

Nesta perspectiva, consideremos e meditemos as palavras de S. Paulo: “Irmãos ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor; é o que deveis ter no pensamento” (Fl 4,8).

Eis a nossa Missão: como batizados, trabalhar, com
alegria, amor e fidelidade, na Vinha do Senhor.
Não desapontemos o querer de Deus!

Oremos:

“Pai justo e misericordioso, que velas incessantemente
sobre a Vossa Igreja, não abandoneis a Vinha que à
 Vossa direita plantou: continuai a cultivá-la e a
enriquecê-la de servos missionários escolhidos,
para que, enxertada em Cristo, verdadeira Videira,
 produza frutos abundantes de Vida Eterna.
 Amém”!

 

PS: Oportuno para reflexão sobre a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 12,1-12), proclamada na segunda-feira da 9ª Semana do Tempo Comum.


Oremos pelo nosso País

  Oremos pelo nosso País 

 “A verdadeira paz começa no seu coração”

Diante do grave momento vivido por nosso país, dirijamos nossa oração a Deus, para que dê a paz ao Brasil e ao mundo inteiro. “Reconhecemos a necessidade de rezar constantemente pela paz, porque a oração protege o mundo e o ilumina. A paz é o nome de Deus”. (Papa Francisco)

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!
Vivemos um momento triste, marcado por injustiças e violência. Necessitamos muito do vosso amor misericordioso, que nunca se cansa de perdoar, para nos ajudar a construir a justiça e a paz, em nosso país.

Pai misericordioso, nós Vos pedimos pelo Brasil!
Estamos indignados, diante de tanta corrupção e violência que espalham morte e insegurança. Pedimos perdão e conversão. Cremos no Vosso amor misericordioso que nos ajuda a vencer as causas dos graves problemas do País: injustiça e desigualdade, ambição de poder e ganância, exploração e desprezo pela vida humana.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!
Ajudai-nos a construir um país justo e fraterno. Que todos estejam atentos às necessidades das pessoas mais fragilizadas e indefesas! Que o diálogo e o respeito vençam o ódio e os conflitos! Que as barreiras sejam superadas por meio do encontro e da reconciliação! Que a política esteja, de fato, a serviço da pessoa e da sociedade e não dos interesses pessoais, partidários e de grupos!

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!
Vosso Filho, Jesus, nos ensinou: “Pedi e recebereis”. Por isso, nós Vos pedimos confiantes: fazei que nós, brasileiros e brasileiras, sejamos artesãos da paz, iluminados pela Palavra e alimentados pela Eucaristia.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!
Vosso filho Jesus está no meio de nós, no Santíssimo Sacramento, trazendo-nos esperança e força para caminhar. A comunhão eucarística seja fonte de comunhão fraterna e de paz, em nossas comunidades, nas famílias e nas ruas.

Seguindo o exemplo de Maria, queremos permanecer unidos a Jesus Cristo, que convosco vive, na unidade do Espírito Santo. Amém!

Pai nosso! Ave, Maria! Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!



PS: Oportuno retomarmos a Oração enviada pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), para a Missa de Corpus Christi (15/06/2017) na realização da Jornada de Oração pelo País.

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG