sexta-feira, 8 de maio de 2026

Cremos em Jesus Cristo, o Filho de Deus

                                                         

Cremos em Jesus Cristo, o Filho de Deus

Cremos que, pelo Espírito Santo, o Filho do homem nasceu da Virgem Maria como nossa cabeça; pelo mesmo Espírito, nós também renascemos na fonte batismal, como filhos de Deus e membros do Corpo de Cristo.

Cremos que Ele nasceu livre de todo o pecado, e quanto a nós,  renascemos pela remissão de nossos pecados: mortos para o pecado e vivos para Deus (Rm 6,11).

Cremos em Jesus Cristo, verdadeiramente Homem, verdadeiramente Deus. Um homem feliz é Cristo, que nos assegura a verdadeira felicidade, pois dela é inesgotável a Divina Fonte.

Cremos que, assim como a cabeça e o corpo formam um só homem, assim o Filho da Virgem e Seus membros escolhidos formam um só homem e um só Filho do homem. Cristo completo e total, Ele a cabeça e nós, Sua Igreja, o Seu Corpo, pois Cristo é total.

Cremos em Jesus, a cabeça, unido ao Seu corpo, a Igreja, assim como todos os membros juntos constituem um só corpo unido à Sua cabeça, como Jesus assim rezou: “Quero, Pai, que assim como Eu e tu somos um, também eles sejam um em nós” (cf. Jo 17,21).

Cremos que o Filho de Deus está unido com Deus por natureza, e assim o Filho do homem está unido como Filho de Deus, numa só pessoa; por sua vez, os membros do seu corpo estão unidos a Ele sacramentalmente.

Cremos que Ele é, por natureza, Filho de Deus e nós, como membros, somos por participação, e assim, o que Ele é em plenitude, nós o somos parcialmente.

Cremos que o Filho de Deus é por geração, e nós, membros, somos por adoção, como está escrito: “Recebestes um espírito de filhos adotivos, no qual todos clamamos: Abá – ó Pai’’ (Rm 8,15).

Cremos que este Espírito nos deu a capacidade de nos tornarmos filhos de Deus (Jo 1,12), para que o primogênito de muitos irmãos pudesse nos ensinar e dizer: “Pai nosso que estais nos céus’ (Mt 6,9), e ainda, “‘Subo para junto do meu Pai e vosso Pai” (Jo 20,17).

Cremos que, na cruz, Ele tomou sobre Seu corpo de carne os pecados de todo o corpo, do mesmo modo, pela graça da regeneração, concedeu ao Seu corpo espiritual que não lhe fosse atribuído nenhum pecado, como está escrito: ‘Feliz o homem a quem o Senhor não acusa de pecado’ (Sl 31,2).

Cremos que, enquanto cabeça do Cristo místico, é Deus e perdoa os pecados; enquanto cabeça do corpo, é o Filho do homem, nada tendo que Se lhe deva perdoar; e enquanto o corpo da cabeça é formado por muitos, nada se lhe atribui.

Cremos que Ele é justo em Si mesmo e justifica-se a Si mesmo, nosso Redentor, que tomou sobre Seu corpo, na cruz, os pecados daquele corpo que Ele purifica por meio da água do Batismo, e continua salvando pela Cruz e pela água.

Cremos que Ele é o Cordeiro de Deus que tira e carrega o pecado do mundo (Jo 1,29), e assim é, ao mesmo tempo, sacerdote e vítima do sacrifício, Altar e Cordeiro.

Cremos, finalmente, que Ele é Deus; oferecendo-Se a Si mesmo, por Si reconciliou-Se consigo mesmo, com o Pai e com o Espírito Santo. Amém.



PS: “Profissão de Fé” à luz de um dos Sermões do Bem-aventurado Isaac, abade do Mosteiro de Stella (Séc. XII), em que nos apresenta Jesus Cristo, o primogênito de muitos irmãos - Liturgia das Horas - Volume II - Tempo Quaresma/Páscoa  - p. 771-772

Submersos nos Mistérios Divinos

                                                                    

Submersos nos Mistérios Divinos

Um livro é como uma garrafa jogada ao mar, que será levada pelo movimento das ondas, com uma mensagem por alguém deixada, há algum tempo, comunicando segredos de felicidade tão desejados.

Um livro é como lançar uma garrafa ao mar, e dentro desta colocar conteúdos que vêm da alma do autor com o desejo de que cheguem ao destinatário de múltiplos nomes, em diversas situações por que possam passar: agradáveis ou não, sombrias ou luminosas, alegres ou angustiantes, confortáveis ou não, momentos de ápice e auge ou declínio e abismo.

A vida não é uma linha reta, sem entornos e contornos. Oscilações são possíveis, mas que não sejam de tal modo que tudo possa ruir. Portanto, é necessário que coloquemos sólidos fundamentos em nossa vida, para que possa resistir aos ventos e tempestades que teimam contra a nossa vida, em todos os âmbitos (família, Igreja, etc.)

De um livro, com diferentes temas, como uma garrafa lançada ao mar, espera-se o encontro de sólidos fundamentos para manter de pé projetos e sonhos, sem a perda da esperança, no revigoramento da fé, para dar cor e conteúdo à virtude maior de todas: a caridade.

Sendo o conteúdo sobre a fé, à luz da Palavra de Deus, o mais sólido fundamento da vida, certo que estas mensagens chegarão a mãos e corações, como nos disse o Senhor - "Portanto, quem ouve estas minhas Palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha.”  (Mt 7, 24)

É de se desejar que a mensagem sacie, abundantemente, a sede e a fome de quantos a tenham; sede de alegria, amor e paz. Sede de ver um mundo mais justo e fraterno, como o mais belo rebento a surgir num horizonte não tão distante; famintos de uma palavra que se faça pão, saciando a fome de acolhida, carinho e compreensão, amor, alegria. E tudo isto celebrado na Mesa da Palavra e da Eucaristia, na qual o Senhor Se dá em verdadeira Comida e verdadeira Bebida.

Seja a mensagem desta “garrafa”, isto é, do livro, uma luz acesa no momento mais escuro que se possa passar, crendo que no auge da escuridão se dá o início de um novo dia, cumprindo o que nos disse o Senhor: Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16).

Encontrar a garrafa, abrir, saciar a sede, matar a fome, reencontrar o vigor necessário para da luta não sucumbir, se preciso for, do luto à luta, sem fuga, omissão, medo e covardia.

Um livro nas mãos é como uma garrafa naufragada e encontrada; uma âncora para que não naufragues nas dificuldades possíveis ao atravessar o mar da vida, que teima em nos submergir.

Se há uma submersão desejada é a que fazemos nos Mistérios de Deus, e uma boa leitura possibilita esta submersão, e então, teremos a certeza de que chegaremos à outra margem. 

Maria, tão serena e plena de liberdade!

                                              

Maria, tão serena e plena de liberdade!

Maria, tão serena e plena de liberdade!
Seja assim a Igreja, seja assim a nossa comunidade.
Seja assim também nossa família,
Na harmonia, diálogo, ternura e fidelidade.

Olhemos sempre para Maria, silenciosamente.
Contemplemos sua serena e plena liberdade
Na realização da vontade divina,
Com alegria e disponibilidade sem igual.

Maria, tão serena e plena de liberdade:
Na manhã da memorável Anunciação,
Na tarde da dolorosa Paixão,
Na manhã da Gloriosa Ressurreição.
No belo Dia de Pentecostes.

Maria, tão serena e plena de liberdade!
Meditemos o seu Sim, que ecoou em cada momento,
Sempre com confiança, esperança, coragem,
Irradiando amor e luz, sem desespero, crises ou estéreis lamentos.

Maria, tão serena e plena de liberdade!
Mais que rezar à Maria, rezemos como Maria.
Mais que pedir à Maria, ouçamos o que ela disse:
“Fazei tudo o que Ele Vos disser” (Jo 2, 5).

E assim, serenos e plenos de liberdade também seremos. 

A presença do Espírito e a missão da Igreja

                                                           

A presença do Espírito e a missão da Igreja

Na sexta-feira da 5ª semana do Tempo Pascal, ouviremos a passagem do Livro dos Atos  dos Apóstolos (At 15,22-31), em que nos fala das decisões do Concílio de Jerusalém, e da carta enviada aos irmãos da Igreja de Antioquia, com as decisões.

Trata-se do epílogo de uma controvérsia de que sai a Igreja reforçada na comunhão, purificada na prática; mais dinâmica e eficiente na ação apostólica, expressão de autêntica sinodalidade.

Sejamos enriquecidos pelo Comentário do Missal Cotidiano, que nos ajuda a edificar uma Igreja decididamente missionária, viva e criativa:

“O encontro da Igreja com os pagãos (de ontem e de hoje) obriga-a sempre a um esforço de purificação, de busca do essencial; numa palavra, de fidelidade a seu Senhor e fundador. Só uma Igreja missionária é viva, criativa fiel a si mesma. Uma Igreja que defende suas posições internas sem ardor nem audácia é uma Igreja em decomposição” 

Tudo isto é possível, contando com a presença constante e ativa do Espírito, pois sem o mesmo, estaríamos órfãos e incapazes de encontrar luzes para os caminhos, e para acertadas decisões, como vemos afirmado no Missal Cotidiano:

“A presença constante e ativa do Espírito preserva a Igreja desse processo de morte, e impele-a sempre a novas direções. A consciência da Igreja de ter consigo o Espírito (v. 28) não supõe nem pretende para ela o monopólio da verdade (notar certo conceito material de infalibilidade), mas a certeza de que, entre os erros e deficiências, ele permanece substancialmente fiel à mensagem de Cristo, seu fundador”.(1)

Deste modo, em todos os momentos precisamos invocar e nos abrir ao sopro e luz do Espírito Santo, que enche os corações dos fiéis com Seu Amor e Sabedoria, para que trilhemos os caminhos de fidelidade ao Senhor, empenhados na edificação da Igreja a serviço do Reino, que Deus nos envia a anunciar e da construção participar.


(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus – 1998 – p.442

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Confiança inabalável no Espírito Santo

                                              

Confiança inabalável no Espírito Santo

Reflexão à luz da passagem da Primeira Carta do Apóstolo Pedro (1Pd 3,15-18), em que encontramos uma exortação para que a comunidade permaneça confiante, apesar das hostilidades e dificuldades encontradas.

Nela,  temos uma espécie de conduta da vida cristã em meio às contradições do mundo, de modo que, a comunidade deve manter:

“... audácia humilde e respeitosa para com todos na profissão de fé; constância na realização do bem, custe o que custar; em todas as circunstâncias, comportamento como o de Cristo, o inocente que morreu ‘pelos pecadores para nos conduzir a Deus’” (1)

Os sofrimentos e perseguições ofereciam um contexto fundamental para o testemunho sereno da fé, num autêntico amor, até mesmo pelos seus perseguidores, assim como o próprio Cristo, que fez da Sua vida um dom de Amor a todos.

Em todo o tempo, os discípulos missionários do Senhor, devem, também, estar sempre dispostos a apresentar as razões da sua fé e da sua esperança, testemunhando a Palavra de Deus e as verdades que nos orientam e garantem vida e liberdade.

No entanto, sem a agressividade, mas com necessária delicadeza,  modéstia, respeito, boa consciência, vivendo um amor universal, por isto, até mesmo pelos seus perseguidores.

Ainda mais, em qualquer circunstância – mesmo diante do ódio e da hostilidade dos perseguidores, haverão de preferir fazer o bem do que fazer o mal. 

Tão somente assim, os perseguidores ficarão desarmados e sem argumentos; e todos perceberão mais facilmente de que lado está a verdade e a justiça.

A comunidade dos que creem em Deus deve pautar a vida pela lógica de Jesus e não pela lógica do mundo, fazendo a doação da vida, por amor, alcançando assim, a glória da Ressurreição.

Por fim, deve manter viva a confiança, a alegria, a fidelidade, a esperança, contando sempre com a assistência do Espírito do Ressuscitado.

Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal 
(1)        Missal Quotidiano, Dominical e Ferial – Editora Paulus – Lisboa – 2012 -  p.767
PS: Apropriado para a passagem:1Pd 3,18.21b-22

"Amor, obediência e alegria"

                                                                 

"Amor, obediência e alegria"

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de São João (Jo 15,9-11).

Antes de tudo, é necessário o amor de Jesus por nós; Ele que por sua vez, é amado pelo Pai, e este amor de Jesus pede nossa resposta: 

“Permanecei no meu amor”, que corresponde ao convite – “Permanecei em mim”.

Este amor é notável na observância dos Mandamentos de Jesus, que dá o exemplo, caminhando ao encontro da morte em obediência ao Pai, de tal modo que, vivido na obediência, tem como fruto a plena alegria.

Portanto, para amar a Deus, pressupõe, antes de tudo, que é preciso deixar-se amar por Ele, porque amar a Deus nunca é iniciativa nossa, mas sempre uma resposta do dom que nos vem de Deus, que nos comunica o Seu infinito amor.

Oremos:

Concedei-nos, ó Deus, a graça de viver esta tríplice relação de amor, obediência e alegria, no seguimento de Jesus Cristo, Vosso Filho, em comunhão com o Espírito Santo. Amém.


PS: Missal Cotidiano – Editora Paulus – p. 440

Construamos pontes de paz!

                                                      

Construamos pontes de paz!

Os discípulos missionários do Senhor constroem pontes de paz e não muros que criam separações e inimizades, e para isto temos que ter os mesmos pensamentos e sentimentos de Jesus, e com Ele aprendermos sempre, num processo contínuo de conversão.

Jesus é o modelo de Pastor e a responsabilidade no cuidado do rebanho e as contas que teremos de prestar:
“A Igreja no seu conjunto, e em particular os responsáveis, deve prestar contas a Deus de como desempenha a missão recebida d’Ele, tendo diante dos olhos o modelo de Jesus, Bom Pastor”.

O perigo do ativismo e a necessidade de recuperar a serenidade e a força: 
“É útil recordá-lo também aos agentes de pastoral, sempre a correr de uma tarefa para outra, mas também a cada cristão, que precisa muito de se desligar da sua atividade, para recuperar serenidade e força".

O rebanho não é propriedade nossa – devemos cuidar com amor:
“É importante relembrar que o Povo é de Deus, não dos pastores de serviço: Mateus insistirá em dizer que o único Mestre é Cristo (Mt 23,8) e João colocará a ênfase no dever de apascentar as ovelhas do Senhor (Jo 21,15-17)”.

A amizade e intimidade com Jesus e o assimilar de Sua proposta, Seu Evangelho e modo de viver:
“O apostolado não é um ofício entre os outros: nasce da fé e da proximidade constante com o Mestre, do qual se aprendem os conteúdos e o estilo da evangelização; porventura seria mais apta a expressão ‘d’Ele se assimilam’ os conteúdos e o estilo da evangelização.

Para tal assimilação é preciso tempo, calma, descanso ‘sobre o peito’, como disse João (Jo 13,25). Deve também ser repensado o conteúdo na evangelização que não se refere só a conceitos teológicos, mas também à autêntica paixão pelo homem e pelas suas necessidades.”

O cuidado pastoral origina-se na fé e nos coloca em atitude de ida ao encontro do outro:
“O cuidado pastoral nasce da fé, dizia-se, mas também do coração que sabe comover-se e adaptar-se com flexibilidade aos programas, para ir ao encontro das expectativas concretas das pessoas”.

Sejamos fascinados e apaixonados por Cristo e Sua Igreja:
“Deus tomou um coração de carne e utilizou uma linguagem humanamente quente para nos falar de Si mesmo, por vezes acontece que nós esquecemos o nosso coração de carne e assumimos uma linguagem friamente teológica para falar de Deus. E então as pessoas deixam de nos procurar: não nos veem comovidos como Jesus”.

Anunciar e testemunhar a Boa Nova, com palavra e ação:
“A Boa Notícia que se deve anunciar a todos é que a paz já foi assinada por Cristo na Cruz. Mas deve ser ratificada por cada um.”

O discípulo constrói pontes de paz:
“O cuidado pastoral acompanha com generosidade e paciência a ratificação e a realização da paz para todos. Em lugar de construir muros de separação, é-nos pedido que construamos pontes de paz”.

Renovemos a alegria de sermos discípulos missionários do Senhor, e renovemos também a chama batismal, para que possamos no coração do mundo ser um raio de Sua luz, comunicando o gosto e a beleza da vida, pela qual o Senhor Se entregou, morreu e Ressuscitou.

Este é também nosso caminho, este também é o nosso destino: somos Pascais, carregamos em vaso de argila o tesouro do Espírito, como templos divinos. Carregamos a semente da eternidade. Amém!

PS: Citações extraídas do Lecionário Comentado - Volume I Tempo Comum - Editora Paulus - Lisboa - pp. 760-764

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