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domingo, 22 de março de 2026
Sejamos como um grão de trigo (VDTQB)
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O surpreendente Amor de Deus (VDTQC)
“Tempo da germinação secreta” (VDTQB)
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“Creio na Ressurreição da carne, na vida eterna...” (VDTQB)
“Creio
na Ressurreição da carne, na vida eterna...”
Reflexão da
passagem do Evangelho de São João (Jo 12,20-33), proclamado no quinto Domingo
da Quaresma, à luz do Sermão escrito por São João Crisóstomo (séc. IV).
“O que significa:
Se o grão de trigo não cai na terra e não
morre? Ele fala da crucificação.
Para que não se perturbassem ao ver que Ele condenava a morte, justamente
quando os gentios se aproximavam d’Ele, lhes diz: ‘É precisamente isto que os fará vir a mim; isto é o que estenderá o
anúncio’.
Em seguida, como
não conseguia persuadi-los totalmente com as Suas palavras, os estimula
colocando-lhes diante da experiência e lhes diz: ‘O mesmo acontece com o trigo, que quando morre aí é que frutifica; Se
nas sementes acontece isso, muito mais acontecerá em mim’.
Porém, os
discípulos não entenderam Suas palavras. E o evangelista repete com frequência
este dado, para escusá-los, visto que se dispersarão. Também Paulo fez alusão
ao grão de trigo quando falou da ressurreição.
Que desculpa
terão os que não creem na ressurreição? Porque cada dia podemos vê-la nas
sementes, nas plantas e nas gerações humanas. Primeiro é necessário que a
semente se corrompa, para que a partir disso ocorra a brotação.
Falando de forma
geral, quando é Deus quem realiza algo, não se necessitam explicações. Como Ele
nos criou do nada? Isto eu digo aos cristãos que professam crer nas Escrituras.
Porém, acrescentarei algo mais do raciocínio humano.
Alguns homens são
maus; outros são bons. Dos que são maus, muitos chegaram à idade avançada com
prosperidade, enquanto que aos bons lhes aconteceu tudo ao contrário. Então
quando, em que momento cada um receberá o que merece? Tu insistes dizendo: ‘Sim!, porém os corpos não ressuscitam’.
Estes não ouvem a
Paulo que diz: ‘E necessário que o
corruptível se revista de imortalidade. Ele não fala da alma, pois a alma
não é corruptível; e a ressurreição é própria de quem morreu; e é o corpo que
morreu.
Mas por que não
admites a ressurreição da carne? Será, por acaso, impossível pra Deus?
Afirmá-lo seria recorrer o extremo da necessidade. Mas não convém? Por que não
convém que este elemento corruptível, que padeceu os sofrimentos e a morte,
participe das coroas?
Se não conviesse,
nos princípios nem sequer teria sido criado o corpo. Nem Cristo teria assumido
nossa carne. Porém, Ele de fato a assumiu e ressuscitou, ouve como ele mesmo o
afirma: Coloca aqui teus dedos e vede que
os espíritos não têm carne nem ossos.
Por que
ressuscitou a Lázaro desta forma, se era melhor ressuscitar sem corpo? Por que
colocou a ressurreição no número dos milagres e dos benefícios? Por que para a
ressuscitada lhe proporcionou alimentos?
Em consequência,
caríssimos, que os hereges não vos enganem. Existe a ressurreição, existe o
juízo. Os negam todos os que não querem dar conta de suas obras. É necessário
que a ressurreição seja como foi a de Cristo. Ele é primícia e o primogênito
dentre os mortos.” (1)
A fé na
Ressurreição é o mistério central da nossa fé, que nos move em todos os
momentos, sobretudo nos momentos adversos, e o cume deles, a morte.
Crer no Mistério
da Fé, na Ressurreição de Jesus, dá um novo sentido para a existência humana e
seu fim último, a vida eterna, passando necessariamente pela morte.
Crer na Ressurreição
do Senhor, como rezamos ao professar a fé, abre sempre novas perspectivas para
quem crê n’Ele, em premente atitude de resistência a dor e a morte, num
encantamento pela vida, com sagrados compromissos com a Boa-Nova do Reino, para
que tenhamos vida plena desde já, e, um dia, eternamente na glória dos céus.
Crendo na
Ressurreição, empenhemo-nos para que um dia também possamos nos céus, com
aqueles que nos antecederam, nos encontrarmos, na plenitude do Amor Trinitário
com todos os anjos e santos. Amém.
Renovemos em
nós a graça batismal, e, assim, vivamos o tempo presente com inadiáveis e
santos compromissos com a vida e sua sacralidade, e professemos nossa fé, à luz
do Símbolo Niceno-Constantinopolitano:
“Creio
em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas
visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, Jesus Cristo...”
(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - pp.321-322
PS: Oportuno para reflexão da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 20,27-40)
Aguardamos a radiosa manhã da Páscoa eterna (VDTQB)
A Oração nos fortalece na missão de cada dia (VDTQB)
A Oração nos fortalece na
missão de cada dia
Reflexão à luz da passagem da Epístola aos Hebreus (Hb 5, 7-9), em que o
autor nos apresenta Jesus como o Sumo Sacerdote da Nova Aliança, solidário com
a humanidade e aponta o caminho da Salvação através da obediência e fidelidade
a Deus.
Escreve para estimular a vida cristã e o crescimento na fé, descrevendo
Jesus, verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus, como fora definido pelo
Concílio de Niceia (325d.C.)
Como homem, sofreu, chorou, teve medo, angústia, cansaço. Um homem que,
vivendo entre os homens, compreendeu as fraquezas humanas.
Fez-Se igual a todos nós, exceto no pecado, e somente na oração pôde
viver a adesão incondicional ao Pai, fazendo de Sua vida uma perfeita oferenda,
como fonte de Salvação eterna.
Ele, Ressuscitado, caminha conosco, e, conhecedor das fragilidades
humanas, pôde cumprir integralmente o Projeto de Amor do Pai para toda a
humanidade, ontem, hoje e sempre.
Contando com a força da
oração, que nos fortalece na missão de cada dia, renovemos nossa fidelidade a
Jesus Cristo Ressuscitado, como discípulos missionários Seus, carregando nossa
cruz de cada dia, com confiança e renúncias necessárias.
A dimensão Pascal do sofrimento (VDTQB)
A dimensão Pascal do sofrimento
Reflexão à luz da passagem da Carta aos Hebreus (Hb 5,7-9):
“Cristo, nos dias de Sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, Àquele que era capaz de salvá-Lo da morte, e foi atendido, por causa de Sua entrega a Deus.
Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que Ele sofreu. Mas, na consumação de Sua vida, tornou-Se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem”.
Uma página emocionante e de extrema beleza, que nos revela a plena humanidade de Jesus Cristo associada à Sua divindade.
Sua existência terrena foi acompanhada de Orações e súplicas, com fortes clamores, e assim, aprendeu a obediência na escola do sofrimento, que teve o momento ápice na agonia vivida no Horto das Oliveiras.
A Oração de Jesus não O livrou da morte, assumida por amor e obediência ao Projeto do Pai, mas O libertou definitivamente do sepulcro com Sua gloriosa Ressurreição: não poderia ficar morto para sempre Aquele que nos amou até o fim. N’Ele e com Ele, a Vida venceu a morte.
Nesta escola de dor e sofrimento, também somos chamados a viver, em contínuo aprendizado com Ele que, apesar de ser Filho, percorreu este caminho, que se tornou loucura para os gregos, escândalo para os judeus.
Jesus Cristo Se fez semelhante a nós, exceto no pecado para destruí-lo, e assim nos libertar definitivamente de suas amarras, e uma vez amando, Seus preceitos confirmados no amor a Deus e ao próximo, fôssemos introduzidos na vida nova da graça e da paz.
Nesta escola do sofrimento, Ele deixou ao mundo as mais belas lições de amor, obediência e fidelidade. Aprendemos com o Divino Mestre que esta obediência custa o sacrifício, a dor e mesmo a morte em sua máxima expressão.
Aprendiz e Mestre para a humanidade, Jesus tornou-Se perfeito, fonte de Salvação Eterna, a quem rendemos toda honra, glória, poder e louvor.
Continuando nosso itinerário quaresmal, nesta escola do sofrimento, aprendamos a fazer do sofrimento fonte de vida e solidariedade. Evidentemente que não se trata da apologia do sofrimento pelo sofrimento, mas o sofrimento assumido conscientemente por amor e obediência ao Projeto de Deus, como o grão de trigo que morre para não ficar somente um grão de trigo, como nos falou o Senhor: “Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto” (Jo 12,24).
Sofrimento com matizes pascais, vividos e assumidos para completar em nossa carne o que falta à Paixão de Jesus, por amor à Sua Igreja (Cl 1,24).
Neste momento, unamo-nos elevando a Deus nossas orações e expressando nossa solidariedade, com todos aqueles que sofrem.
Saibamos reler, a partir da fé, os sofrimentos que possivelmente estejamos passando, com a certeza de que, se assumidos com fé, poderão dar frutos de vida e esperança, como a expressão do amor verdadeiro, que tudo crê, tudo suporta (1 Cor 13), amor que não desiste diante do impossível e não desanima diante das dificuldades.
Fonte de Pesquisa:
Comentários à Bíblia Litúrgica - texto unificado - Gráfica Coimbra 2 - PP.
1681-1682







