segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
Ó Deus, leve-me nas asas do Santo Espírito!
Ó Deus, leve-me nas asas do Santo Espírito!
Ó Deus, leve-me nas asas do Santo Espírito.
Leve-me bem mais alto que possa.
Quero ver do alto o chão que piso
E o mais profundo que possa pisar.
Ó Deus, leve-me nas asas do Divino Espírito,
Para que possa ver o mar a atravessar,
Com seus desafios, ventos, mistérios,
E o medo que nos acompanha, vencer.
Ó Deus, leve-me nas asas do Santo Espírito.
E, num voo que me refaça as forças,
O Teu amor derrame sobre mim,
E a quantos eu, humildemente, suplico.
Ó Deus, leve-me nas asas do Divino Espírito,
Pois com Teu amor em nós derramado,
E tão somente com ele, a Lei Divina e preceitos sagrados
A nós confiados, pleno cumprimento se faz possível.
Ó Deus, leve-me nas asas do Santo Espírito.
Derrama copiosamente o Teu amor,
Para que eu viva a loucura da cruz,
E com ela, assistido pela Sabedoria divina.
Ó Deus, leve-me nas asas do Divino Espírito.
Mistério da fé vivido, esperança testemunhada,
Caridade no coração inflamada,
E sábias escolhas, na liberdade, feitas.
Ó Deus, leve-me nas asas do Santo Espírito.
Amor, Sabedoria e Liberdade não me faltarão.
A cruz, com coragem e fidelidade, o Amado seguirei.
Fonte inspiradora: Eclo 15,16-21; 1 Cor 2,6-10; Mt 5,17-37
Humildade e simplicidade
Humildade e simplicidade
‘Aquele que se fizer pequeno como esta criança,
esse será o maior no Reino dos céus’.
Com o Sermão de São Máximo de Turim (séc. V), somos exortados à humildade necessária para chegarmos ao Reino de Deus, e a simplicidade entramos no Céu.
“Se escutastes com atenção a Leitura Evangélica podereis compreender o respeito que se deve aos Ministros e Sacerdotes de Deus e a humildade com que os próprios clérigos devem prevenir-se uns aos outros.
De fato, tendo os Seus discípulos perguntado ao Senhor quem deles seria o maior no Reino dos Céus, aproximando a uma criança, a colocou no meio deles e lhes disse: ‘Aquele que se fizer pequeno como esta criança, esse será o maior no Reino dos céus’. De onde deduzimos que pela humildade se chega ao Reino, pela simplicidade se entra no Céu.
Portanto, quem deseje escalar o cume da divindade empenhe-se por alcançar os abismos da humildade; quem deseje preceder ao seu irmão no Reino, deve antes antecipar-se no amor, como diz o Apóstolo:
'Estimando aos demais mais do que a si mesmo’. Supere-se na afabilidade, para poder vencer-lhe em santidade. Pois se o irmão não te ofendeu é credor ao dom de teu amor; e se talvez tiver te ofendido, é ainda mais credor a dádiva de tua superação. Esta é realmente a quintessência do cristianismo: devolver amor por amor e responder com a paciência a quem nos ofende.
Assim, quem for mais paciente em suportar as injúrias, mais potente será no Reino. Porque ao império dos céus não se chega mediante um brilhante título abonado pela faustuosidade das riquezas, mas mediante a humildade, a pobreza, a mansidão. ‘Quão estreita é a porta e quão apertado o caminho que conduz à vida!’.
Em consequência, quem estiver rompante de honras e carregado de ouro, qual jumento sobrecarregado, não conseguirá passar pelo apertado caminho do Reino. E no preciso momento em que acreditar ter chegado à porta estreita, ao não dar espaço a sua carga, lhe impedirá de entrar e se lhe obrigará a retroceder.
A porta do céu é para o rico tão apertada como estreita é ao camelo o furo de uma agulha. ‘É mais fácil um camelo passar pelo furo de uma agulha que um rico entrar no Reino dos Céus’”. (1)
Aspirando o cume da divindade, urge que nos empenhemos em viver a humildade, sem o que nos distanciamos do Reino e não entraremos no Céu, como tão bem expressou São Máximo.
É sempre necessário que nos despojemos do supérfluo, provisório, para nos enriquecermos do essencial e dos valores eternos que dão sentido ao nosso existir.
Enriquecidos pela graça de Deus, nosso Sumo Bem, seremos mais fiéis ao Senhor, e por esta porta estreita poderemos passar, porque também conduzidos e cumulados das riquezas do Santo Espírito que em nós habita.
Como a santidade não é um processo acabado, é preciso que nos coloquemos sempre num contínuo esforço de vivermos na humildade e simplicidade de coração, com absoluta confiança em Deus, que age em nós e por meio de nós.
“Não deixemos que nos roubem a esperança”
Vivendo tempos sombrios, marcados por tantos sinais de dor e sofrimento, corrupção, prantos e morte, retomemos o parágrafo da Exortação Evangelli Gaudium, parágrafo n.86, no qual o Papa Francisco nos exortou a não perdermos a esperança:
“É verdade que, nalguns lugares, se produziu uma «desertificação» espiritual, fruto do projeto de sociedades que querem construir sem Deus ou que destroem as suas raízes cristãs. Lá, «o mundo cristão está a tornar-se estéril e se esgota como uma terra excessivamente desfrutada que se transforma em poeira».
Noutros países, a resistência violenta ao cristianismo obriga os cristãos a viverem a sua fé às escondidas no país que amam. Esta é outra forma muito triste de deserto. E a própria família ou o lugar de trabalho podem ser também o tal ambiente árido, onde há que conservar a fé e procurar irradiá-la.
Mas «é precisamente a partir da experiência deste deserto, deste vazio, que podemos redescobrir a alegria de crer, a sua importância vital para nós, homens e mulheres. No deserto, é possível redescobrir o valor daquilo que é essencial para a vida; assim sendo, no mundo de hoje, há inúmeros sinais da sede de Deus, do sentido último da vida, ainda que muitas vezes expressos implícita ou negativamente.
E, no deserto, existe, sobretudo, a necessidade de pessoas de fé que, com suas próprias vidas, indiquem o caminho para a Terra Prometida, mantendo assim viva a esperança». Em todo o caso, lá somos chamados a ser pessoas-cântaro para dar de beber aos outros.
Às vezes o cântaro transforma-se numa pesada cruz, mas foi precisamente na Cruz que o Senhor, trespassado, Se nos entregou como fonte de água viva. Não deixemos que nos roubem a esperança!”
Oremos:
Senhor Jesus, concedei-nos a graça de cultivar a virtude divina da esperança, que se constitui em um distintivo dos cristãos, discípulos missionários Vossos, em meio às provações e contrariedades.
Senhor Jesus, renovai em nós a confiança em Vossa Palavra e poder, pois cremos que a última palavra é a Vossa, pois Vós tendes Palavras de vida eterna, que nos orientam e nos firmam os passos nesta travessia do deserto árido de nossa história.
Senhor Jesus, ajudai-nos a aprofundar nossas raízes, não em nós mesmos, mas em Vós, no amor de Vosso Pai, nutridos pela Seiva de Amor do Vosso Espírito, suportemos também as podas necessárias para produzirmos saborosos frutos de amor, vida e paz.
Senhor Jesus, que tão apenas em Vós confiemos, pois “Mais vale refugiar-se no Senhor do que confiar nos poderosos” (Sl 117,9), pois cremos, como disse Vosso Apóstolo: – “Se Deus é por nós, quem estará contra nós?” (Rm 8,31).
Senhor Jesus, não deixeis jamais que nos roubem a esperança, para que jamais nos percamos no caminho, e tenhamos sempre à nossa frente, o horizonte do inédito a ser buscado, construído, sem esmorecimentos, vacilações e recuos. Amém.
Com cantos e louvores, celebremos as maravilhas de Deus
Com cantos e louvores, celebremos as maravilhas de Deus “Louvem a Javé, nações todas, e O glorifiquem todosos povos! Pois o Seu Amor por nós é firme, e afidelidade de Javé é para sempre! Aleluia!”(Sl 117,1-2) Sejamos enriquecidos com o “Comentário sobre os Salmos”, do bispo e mártir São João Fisher (Séc. XVI): “Primeiramente, Deus, realizando muitos portentos e prodígios, libertou o povo de Israel da escravidão do Egito. Deu-lhe passagem a pé enxuto através do mar Vermelho. Sustentou-o com o Pão vindo do céu, maná e codornizes. Da pedra duríssima fez jorrar água abundante para os sedentos. Deu-lhe vitória sobre os inimigos que lhe moviam guerra. Fez com que o Jordão, contrariando o seu ímpeto, retrocedesse por algum tempo. Repartiu entre as tribos e as famílias a terra prometida. Concedeu-lhes tudo isto com amor e generosidade. No entanto, ingratamente, aqueles homens esquecidos de tudo, desleixando e mesmo repudiando o culto a Deus, não poucas vezes se emaranharam no inominável crime da idolatria. Depois, também a nós, quando ainda pagãos íamos atrás dos ídolos mudos, ao sabor de nossas inclinações, Ele nos cortou da oliveira selvagem da gentilidade e, quebrados os ramos naturais, nos enxertou na verdadeira oliveira do povo judaico, tornando-nos participantes da graça fecunda de Sua raiz. Por fim, nem sequer poupou ao próprio Filho, mas O entregou por todos nós como sacrifício e oblação de suave odor, a fim de nos remir e de tornar puro e aceitável para Si um povo. Todos estes fatos, absolutamente certos, não são apenas provas de Seu Amor e de Sua generosidade para conosco, mas também acusações. Pois, ingratos, ou melhor, ultrapassando todos os limites de ingratidão, nem damos atenção ao Seu Amor nem reconhecemos a grandeza dos benefícios.
Rejeitamos e temos por desprezível o liberal doador de tão grandes bens. A imensa misericórdia que Ele demonstrou incessantemente para com os pecadores não nos comove nem nos leva a adotar uma norma de vida conforme Seu Mandamento Santo. Tudo isto bem merece ser escrito para as gerações futuras, em perpétua memória. E assim todos aqueles que no futuro receberem o nome de cristãos, reconhecendo a infinita bondade de Deus para conosco, não deixem nunca de celebrá-Lo com louvores divinos.” A primeira reflexão que nos desperta, é sobre a beleza e a riqueza inesgotável dos Salmos, que são a expressão da oração do Povo de Deus, com as diferentes sentimentos e realidades por que passamos. Não há nada de humano que tenha escapado aos salmistas. Com eles, podemos falar com Deus: alegrias e tristezas, angústias e esperanças, dúvidas e certezas, prantos e sorrisos, sonhos e pesadelos, sofrimentos e realizações, sombras e luzes, pecado e graça. Cantos e louvores a Deus: Pela Sua ação criadora e recriadora, desde os primeiros amanheceres no Éden, até que venha o novo céu e a nova terra. Pela Sua bondade e misericórdia, conduzindo o Povo pelo deserto, libertando-o da escravidão do Egito, e de toda forma de escravidão em todos os tempos. Pela experiência do amor e presença, através dos Profetas que prepararam a vinda do Messias, e com Ele, o tempo da graça, a inauguração do Reino. Pela proximidade de Deus no Verbo que Se fez Carne, que desceu ao nosso encontro assumindo nossa condição humana, igual a nós, exceto no pecado, para nos redimir e nos elevar à glória da eternidade. Pela bondade e misericórdia nas Palavras e ação de Jesus, que nos revelou a face misericordiosa do Pai, porque inserido na plena comunhão de amor do Santo Espírito. Pelo amor que ama até o fim, que elevado na Árvore da Vida, deixou-Se trespassar e morrer de amor por nós. Pela presença do Santo Espírito, o Paráclito, que nos foi concedido quando voltou para junto do Pai, para conduzir, iluminar e fortalecer a Sua Igreja, para que jamais sentíssemos orfandade, fragilidade e abandono. Reflitamos: - O que mais Deus poderia ter feito por nós?Nada, absolutamente nada! Pois não poupou Seu Próprio Filho, para que n’Ele creiamos e tenhamos vida eterna (Jo 3,16). - O que podemos fazer para corresponder ao Amor de Deus?Muito mais, porque, ainda que algo tenhamos feito, é nada diante do tudo que a Trindade Santíssima fez, faz e sempre fará em nosso favor. O tempo é breve, a figura deste mundo passa. Façamos de cada instante, de cada palavra e gesto multiplicado uma correspondência ao indizível e infinito amor de Deus por nós, tão somente assim felizes o seremos. A segunda reflexão é sobre a graça de podermos celebrar as maravilhas de Deus. No comentário, vemos retratadas as maravilhas que Deus realizou sempre em favor da humanidade, cuja expressão máxima encontra-se em Jesus, entregue por todos nós como sacrifício de suave odor. Também hoje, precisamos reconhecer as maravilhas que Deus continua a realizar, em meio às dificuldades, provações, angústias e tristezas que se possam notar. Não podemos incorrer no risco de não perceber a ação de Deus, a cada segundo em nossa vida, e não cairmos na tentação de ver tão apenas o que haja de negativo. Celebremos com louvores divinos a ação permanente de Deus, para que tenhamos vida plena e feliz.
Redescobrir a Sua vontade e realizá-la, é um dos caminhos de acolhida da Palavra de Jesus, com a força do Espírito, apresentada no Sermão da Montanha: as Bem-Aventuranças (cf.Mt 5,1-12). Louvemos e agradeçamos as maravilhas que Deus realiza em nosso favor, pois a gratidão é, verdadeiramente, o tesouro dos humildes (Shaekesperare); a gratidão, humildade, paz e felicidade caminham juntas. Contemplemos as maravilhas de Deus com os olhos do mesmo coração que celebra a Sua misericórdia e bondade, na plena comunhão com o Espírito, por meio de Jesus, a quem rendemos toda a honra, glória, poder e louvor. Amém.
“Vida Líquida” Urge encontrar caminhos para um mundo novo possível (Introdução)
Urge encontrar caminhos para um mundo novo possível
É preocupação constante da Igreja, e há de ser de todos nós que, pela graça do Batismo, somos chamados a construir o novo e a nova terra queridos por Deus para toda a humanidade, saber que “a criação está gemendo em dores de parto” (Rm 8,23).
Neste pensamento, ofereço uma síntese, acompanhada da minha reflexão pessoal, de um livro que li recentemente: “Vida Líquida”, que retrata o tema da fluidez da existência contemporânea.
O autor do mesmo é Zygmunt Bauman, um sociólogo polonês que, de forma clara e objetiva, nos conduz à compreensão da pós-modernidade, que vive uma verdadeira mudança de época.
Impressionante sua capacidade de percepção e análise da vida social, chamando a atenção para os reais problemas que a atual condição do sistema capitalista multiplica como desafios para a condição humana.
Leva-nos a repensar a necessidade do encontro de caminhos para superação do ritmo criativo e alucinante do mercado, entretanto destrutivo, e com o consequente temor que nos acompanha de ficarmos ultrapassados, descartados.
O autor apresenta o desafio de vivermos nos dias atuais, numa sociedade onde há o imperativo permanente do consumo, que o autor denomina de “modernidade líquida” e a configuração da “vida líquida”: há sempre o risco de se tornar descartável, dejeto, lixo, um ninguém.
Como ele próprio diz “’A vida líquida’e a ‘modernidade líquida’ estão intimamente ligadas. A ‘vida líquida’ é uma forma de vida que tende a ser levada adiante numa sociedade ‘líquido-moderna’.
‘Líquido-moderna’ é uma sociedade em que as condições sob as quais agem seus membros mudam num tempo mais curto do que aquele necessário para a consolidação, em hábitos e rotinas, das formas de agir.
A liquidez da vida e da sociedade se alimentam e se revigoram mutuamente. A ‘vida líquida’, assim como a sociedade líquida-moderna, não pode manter a forma ou permanecer por muito tempo” (p. 7).
Neste contexto, mostra a necessidade de procurarmos caminhos para a construção de um mundo mais hospitaleiro para a humanidade. Vê na educação e na autoeducação formas para influenciar a mudança de eventos que nos levem a tal objetivo.
Um antigo provérbio chinês pode expressar melhor este caminho a ser feito, como ele cita aludindo ao Programa “Aprendizagem por toda a vida”, que baliza as atividades da Comissão das Comunidades Europeias (séc. XXI):
“Planejando para um ano, plante milho. Planejando para
uma década, plante árvores. Planejando para a vida,
treine e eduque pessoas”.
Vida Líquida (I,II,III)
Destaco esta citação, que expressa o drama da existência de uma vida líquida:
“Em nossa sociedade de indivíduos que buscam desesperadamente sua individualidade, não há escassez de auxílios, consagrados ou autoproclamados, que (pelo preço certo, é claro) se mostrarão totalmente dispostos a nos guiar pelos calabouços sombrios de nossas almas, onde os nossos autênticos ‘eus’ permanecem supostamente aprisionados, lutando para escapar em busca da luz” (p. 28).
Não há mais autoevidência incontestável e a transparência que permitia travessias livres de encruzilhadas e obstáculos a serem evitados, negociados ou forçados.
Ø Por onde caminhar?
Ø Qual a nossa singularidade?
Ø O que aprender com jangadeiros e marinheiros para construirmos nossa identidade e fazermos nossa travessia?
O autor, a partir desta metáfora, procura as respostas: “Jangadeiros que descem o rio sobre troncos de árvores só fazem seguir a corrente. Não precisam de bússola – ao contrário de marinheiros em mar aberto, que não navegam sem uma.
Os jangadeiros se deixam levar pela força do rio, ocasionalmente auxiliando-a com os remos ou afastando a jangada das rochas e cachoeiras, evitando bancos de areia e margens pedregosas.
Os marinheiros, porém, estariam perdidos se confiassem sua trajetória ao sabor dos ventos e às mudanças das correntes. Eles não podem deixar de controlar os movimentos do barco. Devem decidir para onde ir e por isso precisam de uma bússola que lhes diga quando e onde virar com o intuito de chegar ao destino” (p. 31).
Temas muito pertinentes são abordados neste capítulo: a procura da identidade; o alcance da liberdade; a questão gravíssima de repensar o consumo responsável para não destruirmos o planeta (se a população mundial vivesse o conforto do norte-americano, precisaríamos de mais três planetas); os efeitos negativos da globalização excludente e o repensar um novo caminho.
Capítulo II – “De mártir a herói e de herói a celebridade”
O autor afirma que a sociedade de consumo “líquido-moderna”, na parte rica do planeta, não tem espaço para mártires ou heróis, porque não há espaço para sacrifício das satisfações imediatas em função de objetivos distantes e não há porque sacrificar satisfações individuais em nome de uma causa ou do bem-estar de um grupo:
“À medida que avança a sociedade “líquido-moderna”, com seu consumismo endêmico, mártires e heróis vão batendo em retirada...
A sociedade-líquido-moderna de consumidores considera os feitos dos mártires, heróis e todas as suas versões híbridas quase incompreensíveis e irracionais, e, portanto, ultrajantes e repulsivos...” (p. 64-65).
Nesta sociedade há lugar para as “celebridades” que aparecem do nada e facilmente podem cair no esquecimento. Há a possibilidade de numerosas celebridades, bem como suas combinações: “O culto a uma celebridade (ao contrário da adoração de mártires e heróis, que limita a liberdade de escolha dos adoradores) não tem aspirações monopolistas.
Por mais que as celebridades sejam competitivas elas não estão realmente competindo. O culto a uma delas não exclui, muito menos proíbe, que alguém se junte à comitiva de outra... ”(p.69).
A sociedade “líquido-moderna” precisa da multiplicação das celebridades, mais que mártires e heróis.
Capítulo III – “Cultura rebelde e ingovernável”
A cultura “líquido-moderna” não se apresenta mais como a cultura do aprendizado e do acúmulo, como nos revelam historiadores e etnógrafos. Surge uma nova cultura do desengajamento, da descontinuidade e do esquecimento.
Nesta cultura o tempo flui, não “marcha mais” – “Há mudança, sempre mudança, nova mudança, mas sem destino, sem ponto de chegada e sem a previsão de uma missão cumprida. Cada momento vivido está prenhe de um novo começo e de um novo fim...” (p.88).
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