sábado, 3 de janeiro de 2026

A graça da contemplação da face divina

                                                            

A graça da contemplação da face divina

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda
não é manifestado o que havemos de ser.
 Mas sabemos que, quando Ele se manifestar,
seremos semelhantes a Ele; porque assim
como é O veremos” (1 Jo 3,2)

Reflexão à luz da passagem da Primeira Carta de São João (1 Jo 2,29-3,6), na qual ele diz que somos, a partir de Jesus, filhos amados, capazes de manifestar ao mundo o amor do Deus Pai.

Como filhos de Deus, devemos viver o tempo presente na prática da justiça, pois no Paraíso já não haverá necessidade de praticá-la, visto que já estaremos mergulhados na plenitude do amor de Deus.

Deste modo, por sermos filhos de Deus, três consequências são fundamentais:

- já não pertencemos ao mundo, que não recebeu Jesus (Jo 15,18-19; 17-14-16);

- devemos procurar uma vida na pureza e na santidade, como Cristo, evitando o pecado (Jo 18,17-19), empenhados nas obras de justiça por sermos filhos de Deus.

- esperar confiantes pela salvação ainda maior que, no futuro, se realizará (Jo 17,24).

Precisamos viver livres dos tentáculos do mundo, com suas seduções e pecado, em permanente vigilância e conversão, para não cairmos em tentação e nos afastarmos da comunhão com Deus e com nosso próximo.

Viver este tempo na prática do bem, na fidelidade a Jesus, guiados e conduzidos pelo Espírito, para estarmos em perfeita comunhão com o Pai, e assim, um dia, possamos contemplar a face da Trindade Santa, mergulhar neste amor indizível e imensurável.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos

                                                         

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos

Senhor, quando chega o Domingo Vossa família se reúne para escutar a Palavra da Salvação e participar no Pão da Vida, celebrando o Memorial do Senhor Ressuscitado, reafirmando a esperança do Domingo que não tem ocaso.

Neste dia toda a humanidade entrará no Vosso descanso. Então veremos o Vosso rosto e louvaremos sem fim a Vossa Misericórdia.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos:
Libertai-nos de toda forma de paralisia da qual a humanidade é acometida: paralisia pelo medo, falta de esperança e da divina confiança.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos:
Libertai Vossas famílias dos laços que a imobilizam pela falta da acolhida, carinho, perdão, transparência e diálogo.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos:
Libertai nossas comunidades das paralisias que a imobilizam e a instalam às margens do mar da vida, sem o necessário lançar das redes em águas mais profundas.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos:
Libertai os pensamentos e desejos daqueles que decidem o futuro das nações, para que não se limitem no curto espaço de suas ambições e interesses pessoais, mas tenham em vista o bem comum. Que não sejam imobilizados pela cumplicidade e pacto com a sedução do poder, acúmulo e prestígio.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos:
Libertai os pensamentos e sonhos dos poetas, o grito audacioso e corajoso dos Profetas. Libertai as amarras das cordas vocais dos que cantam para que proclamem ao mundo a Vossa suave e bela melodia de um mundo mais justo, humano e fraterno.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos:
Perdoai nossos pecados nas palavras, pensamentos e omissões, e em toda e qualquer forma de ação que não corresponda ao Vosso desígnio de vida e paz para toda a humanidade.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos:
Perdoai os pecados de Vossa Igreja, santa e pecadora, para que melhor se torne instrumento do Reino, levedando-o silenciosamente pela Lógica Eucarística – amor a Vós e ao próximo.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos:
Perdoai nossos pecados, para que bom fermento na massa sejamos, fermentando um mundo novo, pelo qual a vida de Vosso Filho não poupastes.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos:
Ajude-nos a manter acesa a Chama Batismal, para que ao mundo, gosto de Deus venhamos a dar e da terra sal sejamos.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos:
Que participemos alegremente do Banquete da Eucaristia, ouvindo e acolhendo Vossa Palavra. Que nos alimentemos do Pão, que é o Corpo do Vosso próprio Filho, inflamados pela presença e Amor do Vosso Espírito. Amém

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Oração para repelir as tempestades

                                                        

Oração para repelir as tempestades

O Missal Romano oferece uma Oração para várias necessidades, e retomo uma delas. 

Oremos:

Ó Deus, a quem todos os elementos obedecem,
Aplacai as tempestades,
para que o temor, inspirado pelo vosso poder,
se transforme em louvor.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,
Na unidade do Espírito Santo. Amém.

Anos passados passados celebrei a Missa pedindo a Deus por Belo Horizonte-MG, uma vez que os noticiários estão alertando para a forte chuva que cairia naquele dia.

Bem sabemos dos graves problemas que enfrentam as cidades no que se refere à infraestrutura, conservação do córregos e rios, ausência de políticas públicas que previnam e evitem possíveis calamidades.

Sejam acompanhadas de nossas orações compromissos de todas as pessoas de boa vontade de criar melhores condições em nossas cidades, mais investimentos, preservação e melhor interação com o meio ambiente.

Elevemos quando preciso as orações a Deus, sem jamais eximir de nossas responsabilidades, que desde o princípio da criação por Ele a nós foram confiadas, como lemos nas primeiras páginas do Livro do Gênesis, na Sagrada Escritura.

Abençoados por Deus e protegidos por Maria

                                                     


Abençoados por Deus e protegidos por Maria

Senhor, iniciaremos mais um ano, e pedimos todos os dias Vossa bênção e proteção.
Fazei resplandecer sobre nós Vosso rosto, e tenha misericórdia de nós,
Humildemente, em Vossas mãos, colocamos nossa miséria por Vós redimida.

Senhor, volvei para nós o Vosso rosto e dai-nos a Vossa verdadeira paz,
A plenitude de todos os dons, enriquecendo-nos imensuravelmente com eles,
Pois valem mais do que todo o ouro e riqueza do mundo inteiro.

Senhor, concedei-nos, a cada dia, um coração contemplativo e meditativo,
Como o coração de Vossa Amantíssima Mãe que,
Contemplando os Mistérios divinos, nos ensinou o mesmo fazer.

Senhor, com este olhar, saibamos silenciar o coração e amar como amais,
Sobretudo quando as águas turbulentas de nossa história se agitarem,
jamais percamos a fé e esperança, porque em Vós não se decepciona quem confia.

Senhor, como aos Vossos pastores, concedei-nos Vosso Santo Espírito,
Para louvar e glorificar a Vossa incansável ação em nosso favor,
Vós que nos cumulais de copiosas graças e infinitas maravilhas.

Senhor, por Vós iluminados e conduzidos pelo Vosso Santo Espírito,
Proclamemos Vossa divina Palavra, como alegres mensageiros
Discípulos missionários, com os pés a caminho, em permanente missão.

Senhor, enfim, nós Vos agradecemos, porque ao Se Encarnar e por nós morrer,
Nos redimistes e Deus nos adotou por filhos, e nos fez herdeiros por Vossa graça,
Herdeiros da mais bela riqueza, hospedeiros do mais belo Hóspede: o Santo Espírito.

Trindade Santa, sejamos, portanto, a cada dia deste ano, abençoados,
E, por Vossa Mãe, no colo carregados, e também amados e protegidos,
Por maiores que as dificuldades sejam, maior seja a força que vem de Vós. Amém.

Por novos caminhos...

                                                            


 Por novos caminhos...

 
“E avisados em sonho para não voltarem a Herodes,
retiraram-se para sua terra, por outro caminho” (1)
 
Por diversos modos, Deus quer falar conosco,
Importa olhar e escutar atentos para compreensão.
 
“Ninguém que, de boa vontade,
encontra a Cristo volta da mesma maneira” (2)
 
Iniciando um novo ano, é tempo de graça,
De trilhar novos caminhos, se preciso for.
 
Não pode ser reduzido a troca de algarismos,
Ou de agenda, calendário na parede ou na mesa...
 
Tendo celebrado o Nascimento de Jesus,
Ofereçamos a Ele nossos presentes.
 
Uma vida pautada pela Sua Palavra,
Caminhos iluminados, fé renovada.
 
Pés fortalecidos, peregrinos de esperança,
Caridade no coração inflamada.
 
Sagrados compromissos com a vida,
E com Ele, Jesus, o Emanuel, nossa verdadeira Paz.
 
Sonhar e promover a autêntica paz,
Vibrar e se deixar conduzir pela Sua Saudação Pascal.
 
“A paz esteja convosco” ressoa Sua voz, (3)
No recôndito mais profundo de nosso coração.
 
Não a paz que o mundo dá, com traços de morte,
Violência, mentira, destruição, aniquilação,
 
Mas a paz que nos vem do Alto para nos brindar,
Com cantos de alegria em cada amanhecer.
 
Trilhar em campos dourados com Sua presença,
Fazendo-nos crer que a vida é bela, sagrado viver.
 
Paz desarmada e desarmante bradou aos céus;
Bendita e profética mensagem que, pelo Papa, fomos agraciados.
 
Paz desarmada sem soldados, armas ou bombas,
Sangue de inocentes, gritos e lamentos de dor.
 
Paz desarmada, fruto da fragilidade de sua humanidade,
Com a força ímpar do Divino Mandamento do Amor.
 
Paz desarmante, expressa em gestos de bondade:
Caridade, solidariedade, compaixão, proximidade.
 
Pois tão somente assim, de forma desarmante,
Construiremos uma nova civilização do amor.
 
Paz desarmada e desarmante, nova cultura:
A do encontro, que constrói pontes, não muros.
 
Que aproxima as pessoas com laços de ternura,
Novas páginas, somente com Ele se inauguram. Amém.
  
 
(1)   Mt 2,12
(2)  Vida de Cristo – Fulton J. Sheen – Molokai – 2024 – p. 85
(3)  Jo cf. Jo 20, 19-29


 

Portadores da mais bela notícia

                                         

Portadores da mais bela notícia 

“João declarou: ‘Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor – conforme disse o Profeta Isaías’.”
 (Jo 1,23) 
 
No dia 02 de janeiro, ouvimos a passagem do Evangelho de São João (Jo 1,19-28), que nos apresenta João Batista, a voz que clamou no deserto, como anunciara o Profeta Isaías (Is 40,3).
 
Reflitamos sobre a importância do testemunho do precursor (v.19): sua pessoa, e resposta aos sacerdotes, aos quais declara que não é o Messias, nem Elias, nem o profeta esperado no fim dos tempos.
 
João se autodefine como tão somente “uma voz que clama no deserto para preparar os caminhos do Senhor” (vv.19-23).
 
Quanto ao seu Batismo, é feito somente ‘na água’, à espera d’Aquele que o fará com ‘fogo’, que ‘está no meio de vós’ e que ‘vós não conheceis’(vv.25-26).
 
Santo Agostinho assim falou de João: “João é a voz no tempo; Cristo é, desde o princípio, a Palavra eterna”.
 
Ontem João, hoje a nossa vez, a nossa missão, como batizados, discípulos missionários do Senhor.
 

Oremos: 

Senhor, por mais breve, simples e escondida que possa ser nossa vida, saibamos dar-lhe um valor infinito, tirando as pedras de tantos nomes do caminho, do coração de nosso próximo e do nosso, a fim de aplainar a estrada para a Vossa vinda gloriosa.

Senhor, que aprendamos com João Batista que, fortalecido na solidão do deserto, pela meditação e a penitência, procurou quase desaparecer ante de Vós, que deveis de fato ser ao mundo apresentado, Vossa Pessoa, Palavra e Projeto.

Senhor, renovai-nos em nós a graça e a alegria de sermos cristãos, e assim vivermos a missão de precursores Vosso, uma voz que grita no deserto do mundo, portadores Vosso e de Vossa Palavra, alegres mensageiros do Vosso Evangelho, sobretudo nas periferias existências que nos desafiam.

Senhor, colocamos em Vossas mãos nossa pobreza e impotência; nossa voz, nossas forças e toda a nossa vida, a serviço da Evangelização, como Igreja Sinodal, misericordiosa, alegre e missionária.

Senhor, que todos os dias do próximo ano, nos deixemos invadir pelas chamas de Vosso amor, a ponto de nos deixarmos queimar, como círios no altar, irradiando e testemunhando a Vossa Luz da Verdade, a serviço da vida e da esperança, sinais de Vossa Salvação presente entre nós. Amém.

 

 

Fontes: Lecionário Comentado – Volume Advento/Natal – pág.297-300 e Missal Cotidiano – Editora Paulus – pág. 127

 

Lágrimas do cotidiano

                                                       


                               Lágrimas do cotidiano
 
 “Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu: tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar”. (Ecl 3, 1-4)

Ontem, minhas lágrimas se confundiram com as gotas da chuva,
Quando pensava nas estatísticas dos que partiram cedo demais,
Porque quando amamos, assim repetimos, em súplica de dor.
 
Confundiram-se quando ouvi o que não nunca deveria ser dito,
Sobretudo de lábios dos quais só poderiam sair palavras edificantes
E que revigorasse a coragem, acenando para sinais de esperança.
 
Confundiram-se quando chorei a dor absurda dos que passam fome,
Privados do pão cotidiano, que precisa ser melhor partilhado,
Em alegres sinais de comunhão e partilha como o Senhor o fez.
 
Ora minhas lágrimas eram mais fortes que as gotas dos céus,
Mas não tão maiores e intensas do que a Graça que nos vem do alto,
Nos cumulado de bênçãos, luz, sabedoria para o árduo caminho.
 
Mas minhas lágrimas também se confundiram com as gotas chuva,
Por contemplar, com emoção, tantas histórias de doação e coragem,
Dos que arriscam a vida em solidariedade e cuidado de vidas enfermas.
 
Da mesma forma pela gratidão de sinais da bondade divina,
Lágrimas derramadas por nada merecermos, pela miséria que somos,
Mas pela eterna misericórdia divina, que nos acolhe, ama e perdoa.
 
Lágrimas vertidas sobre a face e gotas de chuvas se misturavam.
Ora em expressão de angústia e tristeza, ora esperança e alegria,
E que quando de tristeza, secas pelo calor do Sol Nascente.
 
Lágrimas e gotas de chuva presentes no cotidiano humano:
Se preciso chorar pela dor, choremos, mas em Deus confiemos,
e vertamos também lágrimas a Deus, de eterna dívida e gratidão. Amém.
 

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG