sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Abençoados por Deus e protegidos por Maria

                                                     


Abençoados por Deus e protegidos por Maria

Senhor, iniciaremos mais um ano, e pedimos todos os dias Vossa bênção e proteção.
Fazei resplandecer sobre nós Vosso rosto, e tenha misericórdia de nós,
Humildemente, em Vossas mãos, colocamos nossa miséria por Vós redimida.

Senhor, volvei para nós o Vosso rosto e dai-nos a Vossa verdadeira paz,
A plenitude de todos os dons, enriquecendo-nos imensuravelmente com eles,
Pois valem mais do que todo o ouro e riqueza do mundo inteiro.

Senhor, concedei-nos, a cada dia, um coração contemplativo e meditativo,
Como o coração de Vossa Amantíssima Mãe que,
Contemplando os Mistérios divinos, nos ensinou o mesmo fazer.

Senhor, com este olhar, saibamos silenciar o coração e amar como amais,
Sobretudo quando as águas turbulentas de nossa história se agitarem,
jamais percamos a fé e esperança, porque em Vós não se decepciona quem confia.

Senhor, como aos Vossos pastores, concedei-nos Vosso Santo Espírito,
Para louvar e glorificar a Vossa incansável ação em nosso favor,
Vós que nos cumulais de copiosas graças e infinitas maravilhas.

Senhor, por Vós iluminados e conduzidos pelo Vosso Santo Espírito,
Proclamemos Vossa divina Palavra, como alegres mensageiros
Discípulos missionários, com os pés a caminho, em permanente missão.

Senhor, enfim, nós Vos agradecemos, porque ao Se Encarnar e por nós morrer,
Nos redimistes e Deus nos adotou por filhos, e nos fez herdeiros por Vossa graça,
Herdeiros da mais bela riqueza, hospedeiros do mais belo Hóspede: o Santo Espírito.

Trindade Santa, sejamos, portanto, a cada dia deste ano, abençoados,
E, por Vossa Mãe, no colo carregados, e também amados e protegidos,
Por maiores que as dificuldades sejam, maior seja a força que vem de Vós. Amém.

Por novos caminhos...

                                                            


 Por novos caminhos...

 
“E avisados em sonho para não voltarem a Herodes,
retiraram-se para sua terra, por outro caminho” (1)
 
Por diversos modos, Deus quer falar conosco,
Importa olhar e escutar atentos para compreensão.
 
“Ninguém que, de boa vontade,
encontra a Cristo volta da mesma maneira” (2)
 
Iniciando um novo ano, é tempo de graça,
De trilhar novos caminhos, se preciso for.
 
Não pode ser reduzido a troca de algarismos,
Ou de agenda, calendário na parede ou na mesa...
 
Tendo celebrado o Nascimento de Jesus,
Ofereçamos a Ele nossos presentes.
 
Uma vida pautada pela Sua Palavra,
Caminhos iluminados, fé renovada.
 
Pés fortalecidos, peregrinos de esperança,
Caridade no coração inflamada.
 
Sagrados compromissos com a vida,
E com Ele, Jesus, o Emanuel, nossa verdadeira Paz.
 
Sonhar e promover a autêntica paz,
Vibrar e se deixar conduzir pela Sua Saudação Pascal.
 
“A paz esteja convosco” ressoa Sua voz, (3)
No recôndito mais profundo de nosso coração.
 
Não a paz que o mundo dá, com traços de morte,
Violência, mentira, destruição, aniquilação,
 
Mas a paz que nos vem do Alto para nos brindar,
Com cantos de alegria em cada amanhecer.
 
Trilhar em campos dourados com Sua presença,
Fazendo-nos crer que a vida é bela, sagrado viver.
 
Paz desarmada e desarmante bradou aos céus;
Bendita e profética mensagem que, pelo Papa, fomos agraciados.
 
Paz desarmada sem soldados, armas ou bombas,
Sangue de inocentes, gritos e lamentos de dor.
 
Paz desarmada, fruto da fragilidade de sua humanidade,
Com a força ímpar do Divino Mandamento do Amor.
 
Paz desarmante, expressa em gestos de bondade:
Caridade, solidariedade, compaixão, proximidade.
 
Pois tão somente assim, de forma desarmante,
Construiremos uma nova civilização do amor.
 
Paz desarmada e desarmante, nova cultura:
A do encontro, que constrói pontes, não muros.
 
Que aproxima as pessoas com laços de ternura,
Novas páginas, somente com Ele se inauguram. Amém.
  
 
(1)   Mt 2,12
(2)  Vida de Cristo – Fulton J. Sheen – Molokai – 2024 – p. 85
(3)  Jo cf. Jo 20, 19-29


 

Portadores da mais bela notícia

                                         

Portadores da mais bela notícia 

“João declarou: ‘Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor – conforme disse o Profeta Isaías’.”
 (Jo 1,23) 
 
No dia 02 de janeiro, ouvimos a passagem do Evangelho de São João (Jo 1,19-28), que nos apresenta João Batista, a voz que clamou no deserto, como anunciara o Profeta Isaías (Is 40,3).
 
Reflitamos sobre a importância do testemunho do precursor (v.19): sua pessoa, e resposta aos sacerdotes, aos quais declara que não é o Messias, nem Elias, nem o profeta esperado no fim dos tempos.
 
João se autodefine como tão somente “uma voz que clama no deserto para preparar os caminhos do Senhor” (vv.19-23).
 
Quanto ao seu Batismo, é feito somente ‘na água’, à espera d’Aquele que o fará com ‘fogo’, que ‘está no meio de vós’ e que ‘vós não conheceis’(vv.25-26).
 
Santo Agostinho assim falou de João: “João é a voz no tempo; Cristo é, desde o princípio, a Palavra eterna”.
 
Ontem João, hoje a nossa vez, a nossa missão, como batizados, discípulos missionários do Senhor.
 

Oremos: 

Senhor, por mais breve, simples e escondida que possa ser nossa vida, saibamos dar-lhe um valor infinito, tirando as pedras de tantos nomes do caminho, do coração de nosso próximo e do nosso, a fim de aplainar a estrada para a Vossa vinda gloriosa.

Senhor, que aprendamos com João Batista que, fortalecido na solidão do deserto, pela meditação e a penitência, procurou quase desaparecer ante de Vós, que deveis de fato ser ao mundo apresentado, Vossa Pessoa, Palavra e Projeto.

Senhor, renovai-nos em nós a graça e a alegria de sermos cristãos, e assim vivermos a missão de precursores Vosso, uma voz que grita no deserto do mundo, portadores Vosso e de Vossa Palavra, alegres mensageiros do Vosso Evangelho, sobretudo nas periferias existências que nos desafiam.

Senhor, colocamos em Vossas mãos nossa pobreza e impotência; nossa voz, nossas forças e toda a nossa vida, a serviço da Evangelização, como Igreja Sinodal, misericordiosa, alegre e missionária.

Senhor, que todos os dias do próximo ano, nos deixemos invadir pelas chamas de Vosso amor, a ponto de nos deixarmos queimar, como círios no altar, irradiando e testemunhando a Vossa Luz da Verdade, a serviço da vida e da esperança, sinais de Vossa Salvação presente entre nós. Amém.

 

 

Fontes: Lecionário Comentado – Volume Advento/Natal – pág.297-300 e Missal Cotidiano – Editora Paulus – pág. 127

 

Lágrimas do cotidiano

                                                       


                               Lágrimas do cotidiano
 
 “Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu: tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar”. (Ecl 3, 1-4)

Ontem, minhas lágrimas se confundiram com as gotas da chuva,
Quando pensava nas estatísticas dos que partiram cedo demais,
Porque quando amamos, assim repetimos, em súplica de dor.
 
Confundiram-se quando ouvi o que não nunca deveria ser dito,
Sobretudo de lábios dos quais só poderiam sair palavras edificantes
E que revigorasse a coragem, acenando para sinais de esperança.
 
Confundiram-se quando chorei a dor absurda dos que passam fome,
Privados do pão cotidiano, que precisa ser melhor partilhado,
Em alegres sinais de comunhão e partilha como o Senhor o fez.
 
Ora minhas lágrimas eram mais fortes que as gotas dos céus,
Mas não tão maiores e intensas do que a Graça que nos vem do alto,
Nos cumulado de bênçãos, luz, sabedoria para o árduo caminho.
 
Mas minhas lágrimas também se confundiram com as gotas chuva,
Por contemplar, com emoção, tantas histórias de doação e coragem,
Dos que arriscam a vida em solidariedade e cuidado de vidas enfermas.
 
Da mesma forma pela gratidão de sinais da bondade divina,
Lágrimas derramadas por nada merecermos, pela miséria que somos,
Mas pela eterna misericórdia divina, que nos acolhe, ama e perdoa.
 
Lágrimas vertidas sobre a face e gotas de chuvas se misturavam.
Ora em expressão de angústia e tristeza, ora esperança e alegria,
E que quando de tristeza, secas pelo calor do Sol Nascente.
 
Lágrimas e gotas de chuva presentes no cotidiano humano:
Se preciso chorar pela dor, choremos, mas em Deus confiemos,
e vertamos também lágrimas a Deus, de eterna dívida e gratidão. Amém.
 

Como gotas de chuva...

Como gotas de chuva...

As gotas caem suavemente lá fora, regando o chão e com a perspectiva de que as sementes florescerão nos jardins, quer dos campos, quer das cidades.

E assim, todas as reflexões postadas neste blog são escritas com muito carinho e o propósito de não ser apenas mais um, mas que seja como uma gota de chuva, que a outra se irmana em perfeita e suave melodia.
  
Algumas nascem diretamente da Sagrada Escritura, das Liturgias Dominicais ou Feriais. Outras da realidade, do cotidiano por vezes sombrios, outras vezes nem tanto. Outras ainda vêm como que num ato relâmpago, como uma ânsia de expressão da alma.

Ora brotam de sofrimentos, ora brotam de momentos alegres, pois a vida comporta em si os contrários.

Brinco com as palavras para falar do amor humano que concretiza o Amor divino. Como crer no amor ao Invisível se não o concretizarmos na pessoa do outro, tornando-o visível e crível?

Por vezes, alguns “posts” brotaram de uma esperança nascente; outros de uma esperança não apenas nascente, mas com força maior, pois de uma esperança da morte ressuscitada.

Em outros, vou à riquíssima tradição da Igreja e seus textos memoráveis, iluminados e iluminadores. Alguns absolutamente desconhecidos da maioria, mas que quando conhecidos tornam-se fonte genuína de espiritualidade, como a pureza de uma gota de chuva.

Aos poucos vão desvelando e descortinando uma nova realidade, um sonho, uma espera...

Assim, como gotas de chuva, acolhamos cada texto. Deixemos que eles reguem nosso coração, para que a Semente do Verbo possa cair, morrer e frutificar, como bem nos falou o Divino Mestre – Jesus – sobre o grão de trigo.

Se o grão de trigo não morrer não produzirá frutos. Se a chuva não cair e no chão não penetrar, vida também não haverá.

Desejo que cada “post” seja acolhido, para que corações sejam regados, sementes germinadas, o Jardim de Deus florescendo...

Evangelizadores com ardor missionário

 


Evangelizadores com ardor missionário

Iniciando mais um ano de intensas atividades pastorais, é oportuno refletirmos, à luz do parágrafo n. 875 do Catecismo da Igreja Católica, sobre a missão evangelizadora de toda a Igreja.

Na passagem da Carta aos Romanos, o apóstolo Paulo nos apresenta instigante questionamento: «Como hão de acreditar n’Aquele de quem não ouviram falar? E como hão de ouvir falar, sem que alguém O anuncie? E como hão de anunciar, se não forem enviados?» (Rm 10, 14-15).

De fato, como afirma o apóstolo, «A fé surge da pregação» (Rm 10, 17), de modo que ninguém, nenhum indivíduo ou comunidade, pode anunciar a si mesmo o Evangelho.

Impensável que alguém possa dar a si próprio o mandato e a missão de anunciar o Evangelho, pois o enviado do Senhor fala e atua, não por autoridade própria, mas em virtude da autoridade de Cristo, em nome de Cristo, pela graça d’Ele recebida.

Deste modo, os bispos e presbíteros recebem a missão e a faculdade (o «poder sagrado») de agir na pessoa de Cristo Cabeça e os diáconos a força de servir o povo de Deus na «diaconia» da Liturgia, da Palavra e da caridade, em comunhão com o bispo e com o seu presbitério.

Este ministério é recebido por um Sacramento próprio. E na missão recebida os ministros ordenados, na sinodalidade vivida, o fazem em comunhão com os diversos ministérios assumidos pelos cristãos leigos e leigas das comunidades, pela graça do Batismo recebido.

Urge que todos os batizados, com o Sacramento da Ordem ou não, pela graça do batismo, se tornem alegres discípulos missionários do Senhor, para anunciar e testemunhar a Palavra do Senhor em todo o tempo e em todo o lugar - “E disse lhes: ‘Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda a criatura’” (Mc 16,15).

Amizade verdadeira! Quem dela não precisa?

                                                       

Amizade verdadeira!
 Quem dela não precisa?

No dia 2 de janeiro, quando celebramos a memória de São Basílio Magno e São Gregório de Nazianzo, Bispos e Doutores da Igreja (séc. IV), acolhamos esta reflexão sobre a importância de amizades verdadeiras, por Deus queridas e abençoadas, e também por Ele, Jesus, vivenciadas:

“Encontramo-nos em Atenas. Como o curso de um rio, que partindo da única fonte se divide em muitos braços, Basílio e eu nos tínhamos separado para buscar a sabedoria em diferentes regiões.

Mas voltamos a nos reunir como se nos tivéssemos posto de acordo, sem dúvida porque Deus assim quis. Nesta ocasião, eu não apenas admirava meu grande amigo Basílio vendo-lhe a seriedade de costumes e a maturidade e prudência de suas palavras, mas ainda tratava de persuadir a outros que não o conheciam tão bem a fazerem o mesmo. Logo começou a ser considerado por muitos que já conheciam sua reputação. Que acontece então?

Ele foi quase o único entre todos os que iam estudar em Atenas a ser dispensado da lei comum; e parecia ter alcançado maior estima do que comportava sua condição de novato.

Este foi o prelúdio de nossa amizade, a centelha que fez surgir nossa intimidade; assim fomos tocados pelo amor mútuo. Com o passar do tempo, confessamos um ao outro nosso desejo: a filosofia era o que almejávamos.

Desde então éramos tudo um para o outro; morávamos juntos, fazíamos as refeições à mesma mesa, estávamos sempre de acordo aspirando aos mesmos ideais e cultivando cada dia mais estreita e firmemente nossa amizade.

Movia-nos igual desejo de obter o que há de mais invejável: A ciência; no entanto, não tínhamos inveja, mas valorizávamos a emulação. Ambos lutávamos, não para ver quem tirava o primeiro lugar, mas para cedê-lo ao outro. Cada um considerava como própria a glória do outro.

A única tarefa e objetivo de ambos era alcançar a virtude e viver para as esperanças futuras, de tal forma que, mesmo antes de partirmos desta vida, tivéssemos emigrado dela. Nesta perspectiva, organizamos toda a nossa vida e maneira de agir.

Deixamo-nos conduzir pelos mandamentos divinos estimulando-nos mutuamente à prática da virtude. E, se não parecer presunção minha dizê-lo, éramos um para o outro a regra e o modelo para discernir o certo e o errado.

Assim como cada pessoa tem um sobrenome recebido de seus pais ou adquirido de si próprio, isto é, por causa da atividade ou orientação de sua vida, para nós a maior atividade e o maior nome era sermos realmente cristãos e como tal reconhecidos.”

Um  belo exemplo de amizade verdadeira, que são tão imprescindíveis em nossa vida, mesmo que bem poucas tenhamos, já teremos tesouros, como nos assegura a Palavra Divina.

Reflitamos sobre a amizade a partir desta bela e santa amizade. Sim, bela e santa amizade, sem qualquer sombra de malícia.

Na Bíblia Sagrada, também encontramos várias páginas de amizades que se tornaram eternas.

De fato, amizades edificadas sobre o altar e iluminadas pela Palavra têm o germe da eternidade. Amizades verdadeiras são como laços eternos, indestrutíveis.

Amizade verdadeira, onde Cristo Se faz presente. Lembra-nos o Livro do Eclesiastes: “O cordão de três dobras não se arrebenta com facilidade” (Ecl 4,12). A terceira dobra é Cristo!

Reflitamos:

- O que mais me toca em tão belo testemunho de amizade?
- Tenho amizades semelhantes a esta?
- Como cativar e cultivar verdadeiras amizades?

Urge que se multipliquem santas, belas, e verdadeiras amizades! Ainda que não muitas, substanciais.

Oremos pelos nossos amigos e amigas:
“Pai Nosso...”

PS: São Basílio morreu em 1º de janeiro de 379 e São Gregório em 25 de janeiro de 389.

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG