quinta-feira, 29 de maio de 2025

O Espírito da Verdade nos será enviado (14/05)

                                                                         

O Espírito da Verdade nos será enviado

"Ainda um pouco de tempo, e já não me vereis;
e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver,
porque vou para junto do Pai." (Jo 16,16)

Ouvimos na quinta-feira da 6ª Semana do tempo da Páscoa a passagem do Evangelho de João (Jo 16,16-20).

Dentro de poucos dias celebraremos a Solenidade da Ascensão do Senhor, e com esta  termina o tempo de Sua presença em nosso meio, como foi fundamental para os discípulos e para toda a Igreja.

Sua nova presença será reconhecida na fé, com a acolhida do Espírito que nos enviou de junto do Seu Pai.

Vendo a história da Igreja, como também a história espiritual de todo o cristão, às vezes, há momentos em que Jesus parece estar ausente ou mesmo esquecido.

Estes momentos são marcados pela dúvida, obscuridade do espírito, da “noite”, como absoluta ausência de luz no caminho, da aparente ausência e silêncio de Deus, que parece irreversível.

Alguns chamam estes momentos de “secularização”, de ‘eclipse do sagrado”, de  “morte de Deus”.  Mas é exatamente nestes momentos que podemos redescobrir a verdadeira e purificada presença de Deus.

Oportunas são as palavras do Papa São Leão Magno (séc. V) e do Bispo Santo Agostinho (Séc. V) em suas Confissões, respectivamente:

“Toda a vida cristã se funda e se eleva sobre uma série admirável de ações divinas, pelas quais a graça de Deus nos manifesta sabiamente todos os Seus prodígios.

De tal modo isto acontece que, embora se trate de Mistérios que escapam à capacidade humana de compreensão e que inspiram um profundo temor reverencial, nem assim vacile a fé, esmoreça a esperança ou esfrie a caridade.”

“Tarde te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Estavas dentro de mim e eu estava fora, e aí te procurava... Estavas comigo e eu não estava contigo... Mas Tu me chamaste, clamaste e rompeste a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste e curaste a minha cegueira.”

Assim nos ensina a fé: Deus está muito perto, e precisamos apreender os sinais de Sua divina presença, fazendo resplandecer Sua luminosidade em todos os âmbitos, por mais desafiadores que sejam, dando razão de nossa esperança, inabaláveis na fé, e movidos pela caridade que jamais passará.


Fonte: Missal Cotidiano – Editora Paulus – pp. 461-462

quarta-feira, 28 de maio de 2025

As inseparáveis virtudes divinas (28/05)


As inseparáveis virtudes divinas

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 10,46-52), sobre a cura do cego Bartimeu (filho de Timeu). 

Vejamos o que nos diz o comentário do Missal Dominical:

“Se no passado, a fé podia constituir uma explicação ou uma interpretação do universo, um lugar de segurança diante dos absurdos da história e do mistério do mundo, hoje não é mais assim. 

Os movimentos de ideias, o processo tecnológico, a expansão do consumo, os movimentos migratórios e turísticos, a urbanização crescente e caótica com as consequentes dificuldades de integração comunitária, a agressão da publicidade, a instabilidade política, econômica e social, com todos os problemas daí derivados, concorrem para aguçar a dilaceração interior, ainda mais sensível nos homens de cultura. 

Nesse quadro, a carência de uma fé consciente e robusta favorece a dissolução da religiosidade, até a ruptura com a prática religiosa” (1)

Vivemos num mundo secularizado, com fortes marcas de ateísmo, em que o espaço do sagrado muitas vezes é sinônimo de alienação, atraso, anti-história...

O Papa São João Paulo II refletiu sobre estas questões na Encíclica Fé e Razão: não são inconciliáveis a fé e a razão. Uma não pode prescindir da outra, do contrário não corroboram para o processo de fraternidade e promoção da vida, da dignidade humana. 

Evidentemente que podemos cultivar uma fé ingênua, marcada pelo infantilismo, renunciando aos compromissos inerentes a mesma. Delegando a Deus o que é tarefa humana, descomprometendo-se, lamentavelmente, com aquilo que é próprio e inadiável nosso.

Vejamos a fé como resposta, e não uma fuga dos problemas; e mais do que uma resposta, uma proposta transformadora, fundada e nutrida pelo Pão da Palavra e pelo Pão da Eucaristia. 

A fé deve consistir na resposta sedenta de sentido de vida, ultrapassando todo pragmatismo evasivo; todas as explicações que se encerram em si mesmo.

Cultivemos uma fé consciente e robusta, procurando respostas aos incontáveis problemas mencionados, de modo que a fé, a esperança e caridade, como virtudes teologais, amadureçam inseparavelmente em nosso interior, afastando toda a estimulação e excitação de dilaceramentos interiores... Tão somente assim, veremos a fé expressa em gestos concretos, afetivos e efetivos de caridade.

Urge uma  viva e uma Esperança com âncoras nos céus, onde se encontra o Ressuscitado! E, assim a Caridade dará respostas libertadoras para o mundo que precisa ser transformado.
  
(1)  Missal Dominical - Editora Paulus - pág. 1057
PS: Oportuno para a reflexão da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 18,35-43)

Conduzidos pelo Espírito da Verdade (13/05)

                                                            

Conduzidos pelo Espírito da Verdade

Ouvimos na quarta-feira da sexta Semana da Páscoa a passagem do Evangelho de  João (Jo 16,12-15), em que Jesus nos promete a vinda do Espírito da Verdade que conduziria os discípulos à plena verdade:

“Quando, porém vier o Espírito da Verdade, Ele vos conduzirá à plena verdade. Pois Ele não falará por Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará” (Jo 16,13).

De fato, Jesus cumprindo a missão que o Pai lhe confiou, possui plenos poderes e participa dos Mistérios de Deus, pois Ele e o Pai são um, e tudo o que é do Pai é d’Ele. Por isto pode comunicar a vinda do Espírito da Verdade junto do Pai (cf Jo 10,30; 16,15):

“Era necessário dar conta de que Jesus era o plenipotenciário do Pai, o Seu agente, enviado para a Salvação do mundo. Só quem está na posse dos segredos de Deus como o Seu Espírito, pode conhecer tudo isto e dá-lo a conhecer” (1).

Oremos:

Dai-nos, ó Deus, a graça de abrir a mente e o coração para acolher vossos segredos e desígnios para que participemos do Vosso projeto de amor, vida e paz.

Ajudai-nos, ó Deus, para que  jamais sucumbamos à quaisquer sinais de ignorância, fechamento à graça divina que quereis sempre derramar em nosso coração.

Libertai-nos, ó Deus, por Vosso Divino poder, de todas as amarras e armadilhas do medo, da falta de esperança, incertezas e falta de fé, que roubem nossa alegria e realização humana.

Concedei-nos, ó Deus, continuar a missão realizada pelo Vosso Filho, pleno de poderes, e a nós comunicado com o sopro do Espírito, para trilharmos caminhos da verdade, justiça e fraternidade. Amém. Aleluia!


(1). Comentários à Bíblia Litúrgica – Gráfica Coimbra 2 – pág. 1319-1320

Sagrados compromissos com a Boa-Nova do Reino (28/05)


Sagrados compromissos com a Boa-Nova do Reino

A Igreja, fiel à sua ação evangelizadora, se coloca a serviço da vida plena e feliz para todos, na prática da autêntica caridade.

É preciso reler a história para não repetir os erros, revigorando a construção da verdadeira democracia, restaurando o verdadeiro sentido da política, que consiste na arte sublime do exercício da caridade, na promoção o bem comum.

Urge propiciar uma vida plena e feliz para todos, e não o alcance de privilégios para poucos, em detrimento de muitos que são condenados ao abandono, ao desemprego, analfabetismo, doença, e tantas outras situações que roubam a beleza e maculam a sacralidade da vida, desde sua concepção até seu declínio natural.

Queremos uma nação que ofereça reais possibilidades para uma vida digna, como prevê a própria Constituição. E isto não é uma ilusão, desde que os recursos sejam investidos sem extravios e corrupção, mas com transparência e prioridades estabelecidas.

Iluminadora é a passagem do Evangelho, em que o cego Bartimeu suplica a Jesus que o cure de sua cegueira: - “Mestre, que eu veja” (Mc 10,46-53). Que seja esta também a nossa súplica ao Senhor, para que tenhamos um olhar crítico, discernindo os fatos, suas causas e consequências, exercendo o nosso direito legítimo ao voto, de forma cada vez mais consciente e consequente, com o acompanhamento daqueles que elegemos.

“Mestre, que eu veja” a história como um processo que se desenvolve em páginas, que são escritas como um grande enredo, em que os fatos não são se dissociam, mas têm implicações permanentes, muitas vezes com efeitos penosos sobre a vida do povo.

“Mestre, que eu veja” caminhos a serem trilhados numa participação ativa, consciente e frutuosa, no âmbito da política, para que, bem exercida, produza os frutos saborosos por Deus esperados, e por todos nós desejados.

Que nosso olhar não apenas fique condenado à cegueira, mas que também não seja um olhar derrotista, que nos leve a cair no imobilismo e indiferença política, com funestas consequências, que tão somente agravariam a situação em que estamos submetidos em todos os âmbitos (econômico, político, econômico, cultural, social).

Curados de nossa “cegueira”, tenhamos um olhar que ultrapasse a linha do horizonte do inédito que Deus tem a nos oferecer, mas que depende de cada um o melhor de si dar e, num compromisso afetivo e efetivo com a justiça, a fraternidade, a cada dia, renovar.

Curados, compreendamos e renovemos sagrados compromissos com a Boa-Nova do Reino, sem jamais na fé vacilar, na esperança esmorecer, e a chama da caridade permitir que se apague.

Supliquemos ao Divino Mestre, Jesus, que vejamos o Paraíso não como algo que ficou no passado, perdido, mas que pode ser, aqui e agora, reconstruído.

terça-feira, 27 de maio de 2025

Em poucas palavras... (12/05)

                                      


Conduta clara, franca e serena

“A conduta clara, franca e serena dos verdadeiros discípulos do Evangelho abre fendas de dúvida na indiferença de quem vive no ateísmo prático e na superficialidade.

Exatamente por estas aberturas é que entra a fé, a um só tempo tranquilizadora e inquietante.” (1)

 

(1)          Comentário da passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos (At  16,22-34) - Missal Cotidiano  Editora Paulus -  p.452

São Beda: memorável testemunha do Senhor diante da morte (25/05)

São Beda: memorável testemunha do Senhor diante da morte

 

Sejamos enriquecidos pela “Carta de Cutberto”, sobre o momento da morte do Venerável São Beda, Presbítero e Doutor da Igreja (Séc. VIII), em que expressa seu desejo de ver a Cristo.

 

“Ao chegar a terça-feira antes da Ascensão do Senhor, Beda começou a respirar com mais dificuldade e apareceu um pequeno tumor em seu pé. Mas, durante todo aquele dia, ensinou e ditou as suas lições com boa disposição.

 

A certa altura, entre outras coisas, disse: ‘Aprendei depressa; não sei por quanto tempo ainda viverei e se dentro em breve o meu Criador virá me buscar’. Parecia-nos que ele sabia perfeitamente quando iria morrer; tanto assim que passou a noite acordado e em ação de graças.


Raiando a manhã, isto é, na quarta-feira, ordenou que escrevêssemos com diligência a lição começada; assim fizemos até às nove horas. A partir desta hora, fizemos a procissão com as relíquias dos santos, como mandava o costume do dia. Um de nós, porém, ficou com ele, e disse-lhe: ‘Querido mestre, ainda falta um capítulo do livro que estavas ditando. Seria difícil pedir-te para continuar?’ Ele respondeu: ‘Não, não custa nada; toma a tua pena e tinta, e escreve sem demora’. E assim fez o discípulo.

 

Às três horas da tarde, disse-me: ‘Tenho em meu pequeno baú algumas coisas de estimação: pimenta, lenços e incenso. Vai depressa chamar os presbíteros do nosso mosteiro para que distribua entre eles os presentinhos que Deus me deu’.

 

Quando todos chegaram, falou-lhes, exortando a cada um e pedindo-lhes que celebrassem missas por ele e rezassem por sua alma; o que lhe prometeram de boa vontade.

 

Todos choravam e lamentavam, principalmente por lhe ouvirem manifestar a persuasão de que não veriam mais por muito tempo o seu rosto neste mundo. No entanto, alegraram-se quando lhes disse: ‘Chegou o tempo, se assim aprouver a meu Criador, de voltar para aquele que me deu a vida, me criou e me formou do nada quando eu não existia. Vivi muito tempo, e o misericordioso Juiz teve especial cuidado com a minha vida.

 

Aproxima-se o momento de minha partida (2Tm 4,6), pois tenho o desejo de partir para estar com Cristo (Fl 1,23). Na verdade, minha alma deseja ver a Cristo, meu rei, na sua glória’. E disse muitas outras coisas, para nossa edificação, conservando a sua alegria de sempre até à noitinha.

 

O jovem Wilberto, já mencionado, disse: ‘Querido mestre, ainda me falta escrever uma só frase’. Respondeu ele: ‘Escreve depressa’. Pouco depois disse o jovem: ‘Agora a frase está terminada’. ‘Disseste bem, – continuou Beda – tudo está consumado (Jo 19,30). Agora, segura-me a cabeça com tuas mãos, porque me dá muita alegria sentar-me voltado para o lugar santo, onde costumava rezar; assim também agora, sentado, quero invocar meu Pai’.

 

E colocado no chão de sua cela, cantou: ‘Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo’. Ao dizer o nome do Espírito Santo, exalou o último suspiro.

 

Pela grande devoção com que se consagrou aos louvores de Deus na terra, bem devemos crer que partiu para a felicidade das alegrias do céu”

 

Nasceu no território do mosteiro beneditino de Wearmouth (Inglaterra), em 673; foi educado por São Bento Biscop e ingressou no referido mosteiro, onde recebeu a ordenação de presbítero; e morreu no ano de 735.

 

Desempenhou o seu ministério dedicando-se ao ensino e à atividade literária, escrevendo obras de cunho teológico e histórico, seguindo a tradição dos Santos Padres e explicando a Sagrada Escritura de forma simples e profunda.

 

O testemunho do Venerável nos permite contemplar um homem de grande sabedoria e simplicidade de vida (como ele mesmo fala no final da vida, ao repartir com os seus os “presentinhos de Deus”, serenidade e confiança em Deus no momento último da existência (a morte).

 

Oremos:

 

“Ó Deus, que iluminais a Vossa Igreja com a erudição do Vosso presbítero São Beda, o Venerável, concedei-nos sempre a luz da sua sabedoria e o apoio de seus méritos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

 

PS: Memória Facultativa celebrada no dia 25 de maio. 

Amor oblativo (27/05)

                                                          

Amor oblativo

“Pois o Filho do Homem não veio para ser servido,
mas para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos”

Peregrinamos rumo à eternidade, haja vista que não temos aqui moradas eternas, reflitamos sobre o convite que Deus nos faz para a autêntica fidelidade ao Senhor, que implica em ter na vida sempre a atitude de serviço e amor oblativo, como Ele próprio nos fala na passagem do Evangelho (Mc 10,32-45), quando Tiago e João pediram para assentar-se um à direita e o outro à esquerda no Reino da Glória.

A resposta de Jesus ao pedido foi uma admoestação que ele fez aos dez que ficaram indignados com os dois:

Sabeis que aqueles que vemos governar as nações as dominam, e os seus grandes as tiranizam. Entre vós não será assim: ao contrário, aquele que dentre vós quiser ser grande, seja o vosso servidor, e aquele que quiser ser o primeiro dentre vós, seja o servo de todos. Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos” (v. 42-45).

O discípulo missionário do Senhor ao beber do Cálice Sagrado, ao ser batizado com o Batismo do Senhor no Espírito, tem que estar sempre pronto a dar a sua vida como o Mestre, numa fidelidade incondicional com atitudes de serviço e amor oblativo.

Mas em que consiste o amor oblativo?
É o amor puro e verdadeiro, doação, entrega, serviço, compromisso, vivendo na mais bela gratuidade como resposta de gratidão a Deus que nos cumula de Bênçãos e graças infinitas. Impossível compreendê-lo se não experimentarmos o segredo salvífico do caminho da Cruz.

O Apóstolo Paulo bem anunciou e viveu este amor como vemos em sua Carta aos Coríntios (1 Cor 13).

É o amor que o Apóstolo Pedro nos convida a viver, quando nos fala de nossa redenção e regeneração pelo precioso Sangue de Cristo, muito mais precioso que ouro e prata, aliás incomparável a qualquer outra coisa (1Pd 1,18-25).

Resgatados e redimidos pelo Sangue do Redentor, a única resposta que Deus espera de nós é uma resposta de amor: o abandono de uma vida fútil, a vivência de um amor sem fingimento, amor fraterno, amor de coração e com ardor.

Somente assim, como Igreja que nasceu em Pentecostes, na alegre e fervorosa acolhida do Espírito Santo, seremos mais fiéis Áquele que a fundou, correspondendo ao Projeto de Amor que Deus tem para a humanidade.

Vivendo o amor oblativo buscaremos a glória do amanhã, carregando e assumindo, corajosamente, a cruz hoje.

Servindo com amor oblativo, que Jesus testemunhou plenamente ao entregar Sua vida na Cruz, seremos uma Igreja alegre e tranquila.

Oremos:

 "Fazei, ó Deus, que os aconte­cimentos deste
mundo decorram na paz que desejais, e Vossa Igre­ja
Vos possa servir, alegre e tran­quila. Por nosso
Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,
na unidade do Espírito Santo.
 Amém!”

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG