domingo, 11 de outubro de 2026

MENSAGEM DO SANTO PADRE LEÃO XIV PARA O X DIA MUNDIAL DOS POBRES (síntese)

 



MENSAGEM DO SANTO PADRE LEÃO XIV
PARA O X DIA MUNDIAL DOS POBRES (síntese)

Ao celebrarmos, no XXXIII Domingo do Tempo Comum, 15 de novembro de 2026, o X Dia Mundial dos Pobres, sejamos enriquecidos por esta síntese de sua mensagem que tem como motivação/inspiração  bíblica um versículo do Salmo: “O Senhor é o refúgio do pobre” (cf. Sl 14, 6)

O contexto do salmista bem como o atual é marcado por injustiça social que brota de uma corrupção arrogante, tão deplorável quanto discriminatória, acompanhada da perda de transcendência da vida cotidiana. Mais do que negar a existência de Deus, não se considera a sua bondade e misericórdia na construção da justiça pessoal e social.

O clamor dos pobres, que se vê aumentado em muitas sociedades, é abafado por muitas técnicas, cada vez mais dissimuladas, a ponto de silenciar os esforços de se fazer ouvir as suas reivindicações.

Além disto, fomenta-se um preconceito contra eles, com o aumento da cortina de indiferença que envolve suas causas, radicalizado, hoje pelo ambiente digital.

Em Cristo, também nós somos chamados a nos tornarmos pobres e a sermos refúgio para os pobres.

Eis o desafio que se impõe a toda a Igreja: ser presença de Deus para os pobres encontrem refúgio em nós:

“A comunidade cristã não pode permanecer insensível perante tantos que hoje se encontram à porta e permanecem invisíveis para aqueles que estão fechados entre as suas próprias paredes”.

Em sua Mensagem, o Papa apresenta algumas perguntas que devemos nos fazer urgentemente, e outras que poderão ser feitas:

-   Somos sinal de um Deus que é refúgio para os pobres?

-   Temos consciência da nossa pobreza e preferimo-la à riqueza injusta?

- Chegamos onde se encontram os pobres, experimentando a sua marginalidade?

-   Ouvimos os seus pensamentos e partilhamos as suas expectativas?

-    Pronunciamos os seus nomes com ternura divina?

-    A nossa caridade reaviva e sustenta neles o desejo de justiça e redenção?

Na fidelidade a Jesus Cristo somos impelidos a viver o autêntico amor:

“O amor de Cristo torna-nos, na verdade, participantes da vida de amor de Deus. Neste sentido, os cristãos são chamados não só a procurar refúgio em Deus, mas também a tornar-se, em Deus, um refúgio para os outros...

Somos a Igreja do Senhor, uma Igreja de pobres, todos preciosos, todos sujeitos, cada um portador de uma Palavra singular de Deus. Cada um é um dom para os outros» (Homilia, 17 de agosto de 2025).”

Apresenta-nos São Francisco de Assis, como ícone de acolhida e refúgio para os pobres, especialmente quando estamos celebrando o oitavo centenário de sua morte.

Como São Francisco “Queremos testemunhar que é possível, também hoje, experimentar a mesma alegria ao colocar-se no lugar dos pobres e ao ouvi-los, em vez de apenas falar sobre eles. Quem tem Deus como refúgio é livre para fazer escolhas proféticas, que testemunham como tudo pode ser repensado a partir de baixo, na humildade e na fraternidade que, por si sós, curam um mundo ferido pela prepotência.”

Finalizando expressando o desejo e confiança de que o X Dia Mundial dos Pobres seja uma etapa significativa na redescoberta do rosto de tantos irmãos e irmãs que procuram refúgio em Deus e desejam sentir-se em casa nas nossas comunidades.

Deste modo, é fundamental que mantenhamos viva a obediência à Palavra de Deus, que nos convida à conversão do coração, contando com a intercessão de Maria:

“Possa a Virgem Maria, que na carne crucificada do Filho contemplou o amor de Deus que enche de bens os famintos e despede os ricos de mãos vazias (cf. Lc 1, 53).” Amém.

 

https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/poor/documents/20260613-messaggio-giornata-poveri.html

Temos fome do Pão Celeste

                                                         


Temos fome do Pão Celeste

Uma reflexão sobre a Eucaristia, à luz do parágrafo n. 2837 do Catecismo da Igreja Católica.

Eucaristia designa diretamente o Pão da Vida, o Corpo de Cristo, “remédio de imortalidade”, conforme nos diz Santo Inácio de Antioquia, sem a qual não temos vida em nós (Jo 6,53-56).

Em cada Eucaristia, participamos antecipadamente do Banquete do Reino que, por sua vez, é o antegozo do Reino que vem, e deste modo é conveniente que ela seja celebrada cada dia.

Vejamos o que nos diz Santo Agostinho sobre a Eucaristia:

“A Eucaristia é o nosso pão de cada dia […]. A virtude própria deste alimento é a de realizar a unidade a fim de que, reunidos no corpo de Cristo, tornados seus membros, sejamos o que recebemos.

[…] E também são pão de cada dia as leituras que em cada dia ouvis na Igreja; e os hinos que escutais e cantais, são pão de cada dia. 

Estes são os mantimentos necessários para a nossa peregrinação”.

Na Oração que o Senhor nos ensinou, pedimos o Pão Celeste, o “Pão nosso de cada dia”, como filhos do céu; e este Pão é Ele mesmo, o Cristo (Jo 6,51), e O Pai celeste nos exorta a pedirmos como filhos do céu.

Concluo com as palavras do Bispo e Doutor da Igreja, São Pedro Crisólogo (séc. V), sobre este Pão Celeste que é o próprio Cristo:

“...é Ele mesmo o Pão que, semeado na Virgem, levedado na carne, amassado na paixão, cozido no forno do sepulcro, guardado em reserva na Igreja, levado aos altares, fornece cada dia aos fiéis um alimento celeste”.

Sejamos, portanto, alimentados pelo Pão da Palavra e da Eucaristia, para que vivamos uma fé inquebrantável, uma esperança viva e uma caridade generosa, como discípulos missionários do Senhor que o somos.

A participação no Banquete Divino (XXVIIIDTCA)

                                                    


A participação no Banquete Divino

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 14,15-24), sobre o convite de Jesus ao banquete do Reino.

Já no Antigo Testamento, o Profeta Isaías nos falava através da imagem do Banquete (Is 25,6-10a), comunicando, em meio a sinais de morte e desolação, o desejo de Deus, um horizonte esperançoso e promissor: um Banquete de amor e vida a toda humanidade oferecido. 

O Profeta, com sua palavra, exorta a confiança e a esperança numa nova era de paz e de felicidade sem fim, porque Deus vai destruir a morte para sempre e enxugar as lágrimas de todas as faces, eliminando, assim, o opróbrio que pesa sobre o Seu povo.

Voltando à passagem do Evangelho, Jesus nos fala do Banquete, que Ele mesmo veio realizar, em Sua Pessoa e missão, como profetizara o Profeta Isaías. 

De Deus nos vem o permanente convite para participarmos de Seu Banquete de Amor, vida, felicidade, alegria e paz, e embora respeite a nossa liberdade, não dispensa de que vivamos no amor, partilha, serviço, misericórdia, com o dom da própria vida.

Participar do Banquete de Deus implica em estarmos na mais perfeita e profunda comunhão, amizade e intimidade com Ele e com nosso próximo.

Com o Batismo se dá o início desta aceitação e compromisso para uma vida em comunidade. Nesta vivência da fé, o batizado e a própria comunidade correm o grande perigo de perder seu entusiasmo inicial, com consequente instalação e acomodação, esvaziando assim as exigências do Evangelho. 

Como batizados, fomos revestidos por Cristo e, deste modo, somos sinais de comunhão com o outro, para que nossa comunhão com Deus seja credível, agradável e sinal do Banquete Eterno que prefiguramos em cada Eucaristia que celebramos e participamos.

Não há exclusão no Banquete do Reino, mas esta aceitação do convite  implica em dar prioridade e corresponder à altura do Amor de Deus, em compromissos incansáveis com os valores do Reino.

É preciso eliminar a autossuficiência e viver em total atitude de humildade, de pobreza e de simplicidade, numa dinâmica de constante conversão, uma vez que a Salvação não é conquista findada.

Saibamos dar um alegre SIM a este convite, para que participantes do Banquete da Eucaristia, por ora, um dia possamos participar do Banquete da Eternidade que o Senhor nos preparou, e que só poderemos participar quando a morte irromper no horizonte de nossa existência, mas vencida, rompida, superada, com a fé na Ressurreição, que nos garante a imortalidade e eternidade de amor ─ o Céu que tanto falamos, cremos e desejamos. Façamos por merecê-lo! 

Reflitamos:

- Tenho aceitado este convite do Senhor?
- Tenho me comprometido com este Banquete?

- Deus nos ama apesar e por causa de nossas fraquezas e nos convida para nos assentarmos à mesa com Ele. Qual é a nossa resposta?

Oremos:

Ó Deus, Pai Santo, Vós que sois tão misericordioso, que desejais a Salvação do mundo inteiro, convidando-nos para as núpcias do Vosso Filho Amado,

Nós vos pedimos, embora sem nenhum mérito, mas com toda a confiança, que envieis à Vossa Igreja, o Vosso Espírito, para que enriquecidos dos sete dons, testemunhemos com alegria, esperança e confiança a fé que abraçamos, vivendo com ardor a missão por Vós confiada.

Concedei-nos a graça de estarmos sempre prontos e disponíveis na participação de Vosso Banquete de Amor, vida, paz e felicidade, até que um dia possamos nos inebriar no Banquete da Eternidade,  saciados e nutridos pelo Pão e Vinho de imortalidade. Amém! 

PS: Oportuno para a reflexão da passagem paralela do Evangelho de São Mateus (Mt 22,1-14).

Em poucas palavras... (N.Sra. Aparecida)

                                                           



Rainha da Paz, rogai por nós!

Maria, no Mistério da Encarnação do Verbo é a humilde serva do Senhor que, pelas palavras do Arcanjo Gabriel, recebeu o anúncio e concebeu no seio Virginal o Príncipe da Paz, Jesus Cristo, Aquele que nos restituiu a paz, reconciliando em Si a terra e os céus (cf. Lc 1,26-38).


Curados e agradecidos ao Senhor (XXVIIIDTCC)

                                                   

Curados e agradecidos ao Senhor

Com a Liturgia do 28º Domingo do Tempo Comum (ano C), refletimos sobre o Projeto de Salvação que Deus tem para toda a humanidade, e ao mesmo tempo, um convite para acolhê-lo com amor e gratidão, embora não merecedores sejamos.

A misericórdia de Deus não exclui ninguém do Seu Projeto, e Ele está sempre pronto a acolher, curar e perdoar, para que assim, com Ele, possamos manter uma relação de amor, fidelidade e gratidão, numa fé solidificada, que cumulará graça sobre graça.

Na passagem da primeira leitura (2 Rs 5,14-17), temos a cura de um leproso,  o sírio Naamã. A mensagem desta cura: a vida e a salvação de Deus destinam-se a todos os povos, sem exceção, e uma vez alcançada, deve ser acompanhada de gratidão à fonte da cura e salvação: Deus, e não baal (ídolo).

A passagem é um convite para que os israelitas redescobrissem os fundamentos de sua fé, abandonando toda possibilidade de idolatria, numa confiança exclusiva em Deus, Autor da criação e da vida.

É uma catequese sobre Deus: Deus é o Deus da vida; único, salva a todos, espera a gratidão de suas criaturas e, por fim, não se deixa manipular por nenhuma pessoa, ou qualquer outro poder.

Também, trata-se de um convite a colocarmos nossa esperança de vida plena tão somente em Deus, e não nos ídolos (falsos deuses), que possam nos seduzir.

A passagem da segunda Leitura (2Tm 2,8-13) tem como mensagem a nossa identificação com Jesus Cristo, dando substancial matiz à nossa vida cristã, marcada pela fidelidade, doação, amor e entrega, em confiança inabalável em Deus, em todas as circunstâncias, favoráveis ou  adversas.

Urge que perseveremos na fé; mantenhamos fidelidade à doutrina da fé que abraçamos e na pertença à comunidade, uma vida marcada pela total dedicação e serviço à causa da evangelização, do anúncio e testemunho do Evangelho.

Na passagem do Evangelho (Lc 17,11-19), temos a cura de dez leprosos e somente um que foi curado, volta para agradecer a Jesus pela cura alcançada.

Interessante notar que a cura se deu quando estavam a caminho; de modo que também a nossa cura se dá quando não nos instalamos, acomodamos, mas quando nos colocamos sempre no caminho, em total fidelidade e comunhão com o Senhor e Seu Projeto de vida e salvação.

Trata-se de mais um aprendizado para os discípulos que estão caminhando com Jesus, rumo a Jerusalém, onde culminará a Sua missão, passando pela paixão, morte e Ressurreição: a salvação (cura) é dom de Deus, e deve ser acompanhada sempre de nossa gratidão. É preciso uma resposta de gratidão e de adesão à Salvação que Deus tem a nos oferecer.

Este acontecimento é narrado exclusivamente no terceiro Evangelho (Lucas) e tem como objetivo a apresentação de Jesus, como o Deus que Se fez um de nós, exceto no pecado, trazendo-nos a salvação e libertação, com Palavras e gestos concretos, tendo como privilegiados destinatários os empobrecidos, excluídos e marginalizados.

Com a passagem, contemplamos um Deus que dá a graça a todos, e nós haveremos de dar graças a Deus pelo dom de Seu amor em nosso favor, Sua misericórdia que jamais nos abandona.

Envolvidos pela ternura e amor divinos, vida plena e feliz teremos. De todos os males que nos marginalizam, nos atemorizam e nos fazem sofrer, seremos libertos; em nossas fragilidades seremos fortalecidos e, nossos escuros caminhos, pela Luz da Sua Sagrada Palavra serão iluminados, e iluminantes seremos.

Sejamos curados por Deus de nossas enfermidades. Reconheçamos Seu poder e ação libertadora em nossas vidas. Mas também reaprendamos a dizer “obrigado a Deus”, de modo especial na Eucaristia, o momento maior de Ação de Graças, onde expressamos nosso obrigado a Deus, que Se fez nosso Alimento, Comida e Bebida que nos fortalecem, enquanto estamos a caminho da eternidade, e um dia possamos alcançar, com inadiáveis e irrenunciáveis compromissos com a Boa-Nova do Evangelho, como frágeis e desejáveis instrumentos por Deus querido.

Concluindo, digamos:

“Basta-nos a Sua graça, Senhor”.  Muito obrigado!

PS: Apropriado para o 6º Domingo do Tempo Comum (ano B), se for proclamada a Leitura opcional (2 Rs 5,9-14)  e para a terceira segunda-feira do Tempo da Quaresma , quando se proclama (2 Rs 5,1-15a)

Somente Deus nos concede a verdadeira riqueza (XXVIIIDTCB)

                                                             

Somente Deus nos concede a verdadeira riqueza

No 28º Domingo do Tempo Comum (ano B), somos convidados a refletir sobre o essencial e o efêmero em nossa vida; quais são as nossas verdadeiras riquezas, quais são as escolhas que fazemos. É preciso aprender a renunciar a certos valores perecíveis, a fim de adquirir os valores da vida verdadeira e eterna.

Na passagem da primeira Leitura (Sb 7,7-11), o Livro mais recente do Antigo Testamento tem uma mensagem clara: apresentando o jovem Salomão como modelo de homem sábio, nos mostra que a verdadeira sabedoria é mais valiosa que ouro, riqueza, saúde, e consiste em acolher as propostas de Deus com humildade e disponibilidade. 

Há nesta passagem um ensinamento fundamental: somente Deus garante a verdadeira sabedoria e a verdadeira felicidade. A sabedoria consiste em escolher as coisas certas; tomar as corretas decisões para o alcance do êxito, da felicidade. É preciso ter ouvidos e coração abertos à sabedoria de Deus que é dom para todos.

A sabedoria é dom de Deus e garante o alcance da liberdade diante de todos os bens.

A passagem da segunda Leitura (Hb 4,12-13) nos exorta: é preciso acolher a sabedoria de Deus, revelada em Jesus Cristo, como nossa maior e mais valiosa riqueza, pois a vida de quem crê é marcada pelo sacrifício de louvor e entrega de amor.  
                                        
Num contexto de monotonia e mediocridade, o autor tem a preocupação de levar a comunidade a viver uma fé comprometida, coerente, empenhada com a construção do Reino, numa acolhida frutuosa da Palavra de Deus. É preciso retomar, reavivar o entusiasmo inicial.

A Palavra de Deus quando acolhida com sinceridade transforma sentimentos, pensamentos e orienta nossos valores, opções e atitudes. Ela é força decisiva, dá conteúdo salutar à história e comunica a vida e a Salvação, portanto é preciso confrontar sempre a nossa vida diante das exigências da Palavra de Deus.

Ela questiona, transforma, indica os caminhos para a realização da vontade de Deus, para que possamos alcançar a vida eterna, dando passos em patamares sucessivos:

- Viver de acordo com as propostas de Deus – é preciso disponibilidade e abertura para escutar a Deus e por Ele ser desafiado;

- Integrar-se à comunidade do Reino que toca o coração de todos para a abertura à Comunidade do Reino;

- Viver as exigências de quem se coloca a serviço do Reino, não centrando sua vida nos bens que passam; viver a partilha e solidariedade; seguir Jesus Cristo no caminho de amor e entrega.

A passagem do Evangelho (Mc 10,17-30) tem como mensagem: escutar, acolher e viver a proposta de Jesus, numa autêntica resposta de amor marcada por uma vida de doação, partilha, solidariedade, entrega, fidelidade, para além de toda perseguição e incompreensão.

A opção por Jesus não nos empobrece, muito pelo contrário, nos enriquece e nos garante a verdadeira felicidade a caminho da eternidade. O Caminho do Reino é exigente e garante a vida eterna.

A opção de seguir Jesus tem seu preço, mas tem também seus ganhos/recompensas: uma vida plena e feliz e por fim a eternidade. 

A vida eterna é, portanto, dom de Deus e compromisso nosso, e ela começa já, numa vida marcada, inevitavelmente, pelo amor, doação e serviço.

Ser cristão não é ser um pobre coitado condenado a passar ao lado da vida e da felicidade, mas é, sobretudo, ser alguém que renunciou a certas propostas falíveis, passageiras, parciais de felicidade, encontrando em Jesus e na Boa Nova do Reino a sua grande riqueza.

Deste modo, a Palavra de Deus é para nós fonte inesgotável de sabedoria e vida, sobretudo quando somos transformados por Ela.

Reflitamos:

- Com nossa vida e testemunho, provocamos o encantamento por Jesus diante daqueles com quem convivemos?
- Como correspondemos à proposta amorosa que Jesus conosco renova em cada Eucaristia?

- O que nos impede de viver a sabedoria de Deus, assumindo com coragem o Projeto Divino?
- Há algo que ainda nos escraviza e nos torna autossuficientes diante da proposta de Jesus?

- De que modo acolho a sabedoria divina e de que modo oriento minha existência por ela?
- Quais são os valores efêmeros e eternos de minha vida?

- Qual é a hierarquia de valores em minha vida?
- Qual é a eficácia da Palavra de Deus em minha vida?

Oremos:

Senhor, que tão amados por Vós,
Saibamos corresponder ao Vosso Amor.
Dai-nos a liberdade de coração para segui-Lo,
Ouvindo e acolhendo Vossa Palavra.

Libertai-nos de nossas aparentes riquezas,
para que Vós sejais nossa mais bela e imensurável riqueza,
que não se corrói, que não se estraga, que não se rouba,
que nos garante a felicidade no tempo presente
e a glória da imortalidade. Amém!

Graça, gratidão e gratuidade (XXVIIIDTCC)

                                                               


Graça, gratidão e gratuidade  

“...Um deles, ao perceber que estava curado,
voltou glorificando a Deus em alta voz;
atirou-se aos pés de Jesus, com o
 rosto por terra, e lhe agradeceu.”

A Liturgia da Palavra do 28º Domingo do Tempo Comum (ano C) - (2 Reis 5,14-17; 2 Tm 2,8-13; Lc 17,11-19) -  retrata de modo especial a cura que Deus propicia a todos, além das fronteiras de um determinado povo. Não há limites geográficos para a ação curativa de Deus.

Não há dúvida que o Amor, a bondade e o Projeto de Salvação de Deus destinam-se a todos os povos.

O que Deus espera de nós é a acolhida, com alegria, abertura, confiança, amor e gratidão.

E este é o grande questionamento que a Liturgia nos propicia: rever nossa abertura à Graça Divina, acompanhada pela gratidão por tudo que Ele realiza em nosso favor.

Se de um lado a gratidão é uma virtude que enobrece, por outro nada é mais desagradável do que conviver com pessoas ingratas, nada é mais empobrecedor do que o cultivo da autossuficiência, sobretudo da relativização da presença divina.

Viver como se de Deus não precisássemos é mergulhar no vazio de si mesmo, com perda de sentido, e horizontes restritos; é condenar-se a não realização; é o sequestrar-se de si mesmo quase que sem preço de resgate...

Somente em Deus o resgate, logo, sem voltar-se para Ele, não há alternativa, não há caminho, somente dor, desolação, vazio, sofrimento – caos jamais superável!

Como configurados a Cristo que devemos ser (segunda Leitura), jamais nos faltará Sua graça, portanto a gratidão e a gratuidade serão maneiras de fazermos com que O vejam em nós.

A passagem da primeira Leitura nos apresenta o rosto e o ser de Deus: Ele é único, dá a vida, salva a todos, pois a salvação carrega em si a marca da universalidade, espera a gratidão e não se deixa manipular por ninguém...

A Espiritualidade genuinamente Eucarística leva-nos a dizer “obrigado a Deus” e ao nosso próximo por tantos bens e graças recebidas.

Pode ocorrer que a cegueira, o desejo desmedido do dinheiro, do poder, da fama, dos privilégios, nos levem a uma secura diante do Mistério do Amor Divino, que nos inebria com o mais Sublime dos Vinhos, com o mais precioso dos pães, o Pão da Imortalidade.

Pessoas eucarísticas sabem dar graças a Deus em todas as circunstâncias, como nos disse o Apóstolo Paulo:
“Em todas as circunstâncias dai graças…” (1Ts 5, 18).

E como o escritor romano Sêneca:
 “Só os espíritos bem formados são capazes de cultivar a gratidão!”

Palavras de William Shakespeare:
“A gratidão é o único tesouro dos humildes.”

O grande Bispo Santo Agostinho, sobre a gratidão, já nos dizia:
“Que coisa melhor podemos trazer no coração,
pronunciar com a boca, escrever com a pena,
do que estas palavras: ‘graças a Deus’?  

Não há nada que se possa dizer com maior brevidade,
nem ouvir com maior alegria, nem sentir com maior
elevação, nem realizar com maior utilidade.”

Agradecer sempre pelo que somos e pelo que temos sem nos tornarmos reféns de nossa ingratidão. Temos uma fertilidade de memória, para as nossas necessidades e carências, maior do que para os nossos bens de Deus recebidos.

Assim completa Santo Agostinho:

“Nada é nosso, a não ser o pecado que possuímos.
Pois que tens tu que não tenhas recebido? (1Cor 4, 7).”

Finalizando, agradeçamos a alguém pelo que significa em nossa vida. E, diante de Deus, também elevar nosso infinito “muito obrigado, Senhor!”.

A acolhida da graça, acompanhada da gratidão,
leva-nos a viver cada vez mais
intensamente na gratuidade:
De graça recebemos, de graça
devemos dar, disse-nos o Senhor!

PS: Apropriado para a quarta-feira da 32ª Semana do Tempo Comum.

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