terça-feira, 6 de outubro de 2026

Em poucas palavras...

                                           


O desejo do amor verdadeiro

“Estava totalmente vazio de tudo o que fosse espiritual, e sentia-me sem apetite algum pelos alimentos incorruptíveis; não por estar saciado, evidentemente, mas porque, quanto mais vazio, menos desejava o amor verdadeiro” (1)


(1) Santo Agostinho, Confissões, 3, 1, 1

Em poucas palavras...

                                                         

É feliz quem em Deus confia!

“Somos chamados a colaborar com Ele (Jesus). Ele é o primeiro a intervir, mas sua intervenção se torna eficaz em relação à nossa correspondência.

Após Sua irrupção na história e na vida de cada um, não mais podemos permanecer neutros, ‘não alinhados’ ou ‘não empenhados’. Viver significa optar, pela liberdade.”  (1)

 

(1) Comentário do Missal Cotidiano – Editora Paulus – p. 1411 - passagem da Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 6,19-12) 

Peregrinar na esperança

                                                     


Peregrinar na esperança

Santidade
Caminhando com o Senhor, subimos a Escada da Santidade, progredindo no amor e no entendimento; aprendemos com Ele a cada instante a caridade inteligente

Graça
Trabalhar na obra do Senhor é graça que recebemos desde o dia de nosso Batismo.

Recompensa
A recompensa, o prêmio é garantido sem nenhuma dúvida, sem nenhuma subtração…

Amor e lei
O Senhor nos ensina que o Amor ao próximo deve estar acima da lei. 
A lei só tem sentido se estiver a serviço da vida.

Cura
Ontem e hoje o Senhor vem nos curar.

Esvaziar-se
Com o Senhor descobrimos que é preciso nos esvaziar do que não serve e preencher o nosso coração com o que agrada a Deus.

Sentido da vida
O Senhor nos revela que viver é passar pelo mundo fazendo o bem, como Ele o fez!

Peregrinar na esperança sempre...

Desacelera!

 


Desacelera!


Atividades se multiplicam.

Compromissos assumidos a cumprir,

Uma única agenda não parece ser o bastante.

As cobranças por resultados,

Ora externas, ora autocobranças.

O tempo parece escapar pelos dedos.

Consumidos, por vezes, sem atividade alguma consumar.

 

A vida da cidade impõe seu ritmo,

Mobilidade que exaure forças,

Cansaço, trânsito, acidentes.

A busca por um pequeno espaço,

Tem seus cenários que encantam,

Outros nem tanto assim.

E a vida segue, por vezes, freneticamente.

 

Um suspiro, respiro, paro, reflito.

Me ocorre as palavras do Amado:

"E porque ficar preocupados quanto ao vestuário?

Aprendei dos lírios do campo, como crescem.

Não trabalham, nem fiam, e, no entanto, eu vos digo,

Nem Salomão, em toda a sua glória,

Jamais se vestiu como um só dentre eles.”(1)

 

E ainda um momento a contemplar:

“Naqueles dias, Jesus foi à montanha para orar,

E passou a noite em oração a Deus.” (2)

E o Seu convite é preciso ouvir, jamais recusar,

Ontem aos discípulos, a nós e em todo o tempo:

"Vinde vós, sozinhos, para um lugar deserto,

e descansai um pouco." (3)

 

Desacelerar é mais do que preciso:

Encontrar tempo para o silêncio,

Para a meditação, a alma em oração.

Repouso no Espírito, forças renovar.

Cuidar da mente, do corpo, inseparavelmente.

Encontro com o outro, diálogo, escuta, proximidade.

Criar vínculos de comunhão, sagrada amizade.

 

Façamos silêncio, ainda que por um curto tempo:

Ouçamos a Deus na ausência de nossas palavras.

Ouvir dos lábios do Divino Mestre, palavras que iluminam,

Refazem nossos sonhos, renovam nossas forças.

Desaceleremos e sentemo-nos aos pés do Senhor,

Como outrora fizera Maria, ouçamos Sua Divina Voz.

E com ela aprender a escolher a melhor parte. (4)

Não será jamais uma perda do tempo, mas o resignificá-lo. Amém.

 

 

(1)               Mt 6,28-29

(2)             Lc 6,12

(3)             Mc 6,31

(4)            Lc 10,38-42

 

Sagrados compromissos com a promoção do bem comum

 


Sagrados compromissos com a promoção do bem comum

 

Em tempo de eleições e promessas, oportuno lembrar que o compromisso na promoção do bem comum é para todas as pessoas, de modo especial para aqueles que se propõem à cargos públicos.

 

Sejamos iluminados pelos parágrafos n.1905-1917 do Catecismo da Igreja Católica, sobre o que vem a ser o bem comum.

 

De acordo com a natureza social do homem e da mulher, o bem de cada um/a está necessariamente relacionado ao bem comum; e este, por sua vez, abrange o conjunto das condições sociais que permitem aos grupos e às pessoas atingir a sua perfeição, do modo mais pleno e fácil.

 

São três os elementos essenciais do bem comum:

 

1º.  O respeito e a promoção dos direitos fundamentais da pessoa;

2º. A prosperidade ou desenvolvimento dos bens espirituais e temporais da sociedade (exigência do bem-estar social e o desenvolvimento da própria sociedade);

3º. A paz e a segurança do grupo e dos seus membros.

 

Concluindo, importa que o bem comum esteja sempre orientado para o progresso das pessoas, de modo que a ordem das coisas deve estar subordinada à ordem das pessoas, e não o inverso.

 

Esta ordem, por sua vez, constrói-se na justiça e é vivificada pelo amor e tem como base a verdade, cabendo ao Estado defendê-lo e promovê-lo na sociedade civil; em favor de toda a família humana e da sociedade internacional.

 

Que o Espírito do Senhor nos conduza e nos ilumine para sagrados compromissos com o bem comum, somando com quem realmente tem histórias e compromissos com ele, e não ajam com exclusivos interesses próprios.

Dar razão de nossa esperança

                                              

                      Dar razão de nossa esperança
"Estejam sempre preparados para responder a
qualquer que lhes pedir a razão da esperança
que há em vocês." (1Pd 3, 15)

Esperança é como uma frágil semente, que precisa ser cuidada e semeada no chão dos acontecimentos, para que floresça e dê frutos que levem à saciedade, e mais que isto, à certeza de que fomos bem alimentados.

A esperança é a construção da própria existência na base sólida da Palavra de Deus, nutrindo-se pelo Pão de Eternidade, que é o Cristo Senhor, que Se dá a nós no Banquete da Eucaristia, toda vez que dele participamos.
Sua solidez não permite confundir com esperanças aéreas, imaginosas, ou frutos especulativos de nossa fantasia, de nossos enganos, ilusões que não contribuem para que alcancemos o melhor que Deus tem para cada um de nós.
Como pássaros, que batem suas asas para voo certeiro ao encontro do alimento, do filhote ou do ninho, dos seus semelhantes para sobreviverem, a esperança é o adejar das asas de nossa alma para encontros com a vida, com os sonhos, com nossas conquistas...
Cultivar a esperança sempre, sem permitir a perda das utopias, convictos de que o céu sombrio tem sua provisoriedade, e que dias melhores sempre haverão de vir.
Não permitamos a morte da esperança, não nos aliemos aos que promovem o seu cortejo, não a sepultemos no vale dos que nada mais esperam, nada mais buscam, porque ela já não mais vive em seu interior, num vazio absurdamente entristecedor e enlouquecedor.
Não percamos jamais a esperança, para que nossos dias não sejam avaramente contados, sem voos anunciados nas asas da esperança, que nos levam ao encontro das coisas do alto onde habita Deus e que devemos sempre buscar, como tão bem falou o Apóstolo (Cl 3,1-4).
Que não se mate a esperança,
Que não matemos a esperança.

Demos sempre razão de nossa esperança.
Há motivos para crer, há motivos para esperar...

Temos fé, e ainda mais,
Somos discípulos e testemunhas
D’Aquele que, por Sua Morte e Ressurreição,
Vem ao encontro de nossa fragilidade,
Humana debilidade...

Ele vem para nos ensinar que
Fé aliada à esperança,
De braços com a caridade
Mundo Novo, Reino presente entre nós veremos,
Novo céu e Nova terra buscaremos e alcançaremos.

Com Ele para sempre viveremos,
A Ele toda honra, glória, poder e louvor
Para sempre cantaremos.
Amém. 

Assentar-se aos pés do Senhor para amar e servir

                                                      

Assentar-se aos pés do Senhor para amar e servir

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 10,38-42), em que Jesus vai à sua casa e de seus irmãos, Maria e Lázaro.

Vemos como Maria acolhe Jesus e se assenta aos Seus pés, para escutar o amigo e Divino Mestre, escolhendo a melhor parte que não lhe será tirada, como garantiu o Senhor. De outro lado, vemos Marta agitada, inquieta, de certo modo até advertindo Aquele que havia recebido como hóspede:

“Marta ainda não havia compreendido, e com ela pudemos aprender, que a atenção prestada ao Senhor não nos afasta da vida, mas ao contrário: “confere ao nosso viver um fôlego maior”. 

Marta representa cada um de nós: esgotados, estressados pelo muito a fazer, sem parar diante do Senhor, privando-nos do essencial; do tempo da oração, e o maior de todos os momentos, o Banquete da Eucaristia, fonte e ápice da vida cristã.

A atitude de Maria nos convida a contemplar tantas pessoas muito ativas que, embora no meio de muitas ocupações, vivem interiormente em profunda paz, numa contemplação secreta, com o coração unido ao Senhor, porque assíduos na participação do Banquete da Eucaristia, ouvem e conduzem sua vida pela Palavra proclamada, ouvida, acolhida e na vida em prática colocada, com a força do Espírito, que nos assiste e nos conduz.

São tantas as pessoas que no viver a fé, dando razão da esperança e na prática da caridade, fazem tudo o que devem fazer, não num desapego artificial das coisas, mas com a plena tranquilidade de quem, mesmo nos serviços mais abrangentes, ama o Senhor, servindo-O no próximo.

Recuperemos o “fôlego”, assentando-nos aos pés do Senhor. Ele não apenas quer ser acolhido, mas quer nos dirigir Sua Palavra, que nos reorienta, revigora, e dá sentido ao nosso existir, pois com Ele, e somente com Ele, fazemos bem e melhor todas as coisas.

Recuperemos o “fôlego”, acolhamos o sopro do Espírito, para que não esmoreçamos na missão que o Senhor nos confia, vivendo com zelo, amor e alegria, pois somente quem para diante do Senhor, é capaz de ir bem mais longe, até que alcance o fim desejado, a eternidade, e a contemplação definitiva de Sua face.


Fonte inspiradora: Lecionário Comentado - Ed Paulus - Lisboa Portugal - p.769.

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