sábado, 22 de agosto de 2026

Em poucas palavras... (XXIDTCA)

                                                                


As cicatrizes do Ressuscitado

“O Senhor não podia ressuscitar sem as cicatrizes? Sem dúvida, mas sabia que no coração de seus discípulos ficavam feridas que haveriam de ser curadas pelas cicatrizes conservadas em seu corpo.” (1)

(1) Sermão de Santo Agostinho (séc. V).

“Em tuas mãos entrego minhas chaves”

 


“Em tuas mãos entrego minhas chaves”
 
“É ao Pedro/Petra que Jesus confia as chaves do Reino. A partir de Pedro, a entrega das “chaves” se estende a todos nós, seus seguidores. Assim como disse a Pedro, Jesus continua dizendo a cada um de nós:
 
'Em tuas mãos eu entrego minhas chaves; chaves para abrir as portas fechadas do teu coração, e as portas dos corações duros e insensíveis; chaves para te mostrar todos os tesouros escondidos nas arcas, baús, de teu interior, e poder tirar dali as coisas boas e nobres.
 
Chaves para perdoar ofensas, tirar medos e culpabilidades, para andares de cabeça erguida, sem o peso que te faz ficar encurvado. Chaves para que ninguém encontre as portas de teu caminho fechadas, mesmo que seja noite escura.
 
Chaves para desatar leis injustas, mandatos frios, editos e normas de senhores, chefes e prepotentes.
 
Chaves para libertar os que sentem que tem as portas fechadas e a vida bloqueada e formatada.
 
A ti te entrego as chaves; chave da vida, para que vivas tu e todos os que te cercam.
 
Chaves para poder abrir o que os outros fecharam – fronteiras, igrejas, religiões...,
 
A ti entrego as chaves: em tuas mãos ponho a Criação inteira, também meu Reino, meus sonhos e minha confiança e Palavra de Pai. Vou te constituir como porteiro de esperanças e projetos para que te sintas livre e responsável'”. (1)

(1) Reflexão de Adroaldo Palaoro sobre a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 16,13-20)

Encorajados pelo testemunho do Apóstolo Pedro (XXIDTCA)

                                                             

Encorajados pelo testemunho do Apóstolo Pedro

Nas Vésperas da Liturgia das Horas, ao celebrarmos a Festa da Cátedra de São Pedro, a Igreja nos enriquece com este Hino:

“'Pescador de homens te faço!'
Ouviste, ó Pedro, de Deus:
redes e remos deixando,
ganhaste as chaves dos céus.

Negando Cristo três vezes,
três vezes clamas amor:
então, de todo o rebanho,
tornas-te mestre e pastor.

Ó Pedro, és pedra da Igreja,
que sobre ti se constrói,
que vence as forças do inferno,
e quais grãos de Cristo nos mói.

Quando no mar afundavas,
o Salvador deu-te as mãos:
com as palavras da vida
confirma agora os irmãos.

Pés para o alto apontando,
foste pregado na cruz:
cajado que une o rebanho,
barca que a todos conduz.

Ao Cristo Rei, demos glória,
rendamos nosso louvor;
voltando à terra, Ele encontre
um só rebanho e pastor”.

O testemunho de Pedro nos encoraja na fidelidade ao Senhor, para que superemos as dificuldades possíveis na vida de fé, a fim de que sejamos pacientes na tribulação, resistentes nas tentações, e tenhamos sentimentos de gratidão a Deus na prosperidade.

Oremos:

“Concedei, ó Deus todo-poderoso, que nada nos possa abalar, pois edificastes a Vossa Igreja sobre aquela pedra que foi a profissão de fé do Apóstolo Pedro. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!

Senhor, sois para mim... (XXIDTCA)

                                                          

Senhor, sois para mim...

Senhor, sois para mim o Messias desde sempre esperado,
E na plenitude dos tempos, na história da humanidade encarnado.

O descendente de Abraão,
E exulto por Vos conhecer, crer e testemunhar.

Sois muito mais do que Moisés,
Pois por ele veio a Lei, por Vós, Amor e fidelidade.

Sois o Filho de Davi prometido,
A quem clamo Hosana no mais alto dos céus;

A grande promessa por Deus feita,
E em nada decepcionastes a promessa, em fidelidade incondicional.

Senhor, sois a Divina Fonte da Sabedoria,
Muito mais que qualquer humano, até mesmo Salomão;

Mais do que João Batista,
Porque ele a voz no tempo, Vós a Palavra eterna, desde sempre...

Sois a máxima expressão do Amor de Deus,
Que, desde sempre, pelos Profetas anunciado, promessa realizada.

Aquele que entra em nossos sonhos e desejos,
Não para sufocá-los, mas para ampliá-los, elevá-los e realizá-los.

Sois o Dom do Pai ao mundo enviado,
E para sempre em nosso meio, com o Santo Espírito, Ressuscitado.

Sois o Amor perene e irrevogável,
Que suporta inconstâncias e infidelidades.

A Palavra que se fez Carne,
Palavra que vivifica e garante a perfeita liberdade;

Sois a revelação maravilhosa de Deus Pai,
Pois dissestes: “Quem me vê, vê o Pai que me enviou”.

Sois um Deus incompreendido, rejeitado,
Que esperais como resposta tão apenas ser amado;

Um Deus que Se fez homem, por Amor;
Entrastes no mundo com humildade para transformá-lo e renová-lo.

Sois a mais bela História da Salvação Divina,
E a cada dia que vivo, posso escrever uma página nesta história.

Sois Aquele que, assumindo a natureza humana,
Sem pecado, a elevou a uma esfera mais alta, a esfera divina.

Senhor, sois para mim o meu Tudo,
Porque sem Vós, sou simplesmente nada.

Sois Aquele de quem ainda que muito tenha falado
Ainda nada disse, porque Mistério inesgotável.

Aquele que está sempre comigo.
Quantas vezes esta presença suave tenho sentido:

Presença no Pão da Palavra e no Pão da Eucaristia,
Mas também presença em cada irmã e irmão.

Sois Aquele que me chama,
Me envia, me acompanha no carregar da cruz cotidiana.

Aquele que não me deixa desfalecer,
Porque há um mundo a ser iluminado, fermentado.

Senhor, sois Aquele que não permite minha insipidez,
Porque há um mundo que precisa o sabor de Deus conhecer. Amém.

PS: Apropriado para as passagens do Evangelho de São Mateus (Mt 13,54-58; Mt 16,13-19)

"E vós, quem dizeis que Eu Sou?" (XXIDTCA)

                                                      

"E vós, quem dizeis que Eu Sou?" 

Uma pergunta que Jesus fez aos discípulos e que ressoa, permanentemente, em nosso coração: “E vós, quem dizeis que Eu Sou?” (Lc 9,20).

Pedro deu sua resposta, contando com a revelação divina, como o próprio Senhor o disse: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”.

O Apóstolo Paulo também deu a Cristo incontáveis nomes, como nos falou o Bispo São Gregório de Nissa, no século IV:

- Virtude de Deus
- Sabedoria de Deus
- Paz
- Luz inacessível onde Deus habita
- Expiação
- Redenção
- Máximo Sacerdote e Páscoa
- Propiciação pelas almas
- Esplendor da glória
- Figura de sua substância
- Criador dos séculos
- Alimento e Bebidas espirituais
- Pedra
- Água
- Fundamento da fé
- Pedra angular
- Imagem do Deus invisível
- Grande Deus
- Cabeça do Corpo da Igreja
- Primogênito da nova criação
- Primícias dos que adormeceram
- Primogênito entre os mortos
- Primogênito entre muitos irmãos
- Mediador entre Deus e os homens
- Filho Unigênito coroado de glória e de honra
- Senhor da glória
- Princípio das coisas
- Rei da Justiça
- Rei da Paz
- Rei de tudo
- Possuidor do domínio sobre o Reino que não tem limite. (1)

O Papa São Paulo VI, em memorável Homilia em Manila (1970), também nos presenteou com estas palavras: “Jesus é o centro da história e do universo.Ele nos conhece e ama, é o companheiro e o amigo em nossa vida, o homem das dores e da esperança.

Ele é quem de novo virá, para ser o nosso juiz, mas também – como confiamos – a eterna plenitude da vida e nossa felicidade.
Jamais cessarei de falar sobre Ele.

Ele é a luz, é a verdade, mais ainda, é o Caminho, a Verdade e a Vida. É o Pão e a Fonte de água viva, saciando a nossa fome e a sede. É o Pastor, o guia, o modelo, a nossa força, o nosso irmão.

Assim como nós, mais até do que nós, Ele foi pequenino, pobre, humilhado, trabalhador, oprimido, sofredor.

Em nosso favor, falou, fez milagres, fundou Novo Reino onde os pobres são felizes, onde a paz é a origem da vida em comum, onde são exaltados e consolados os de coração puro e os que choram, onde são saciados os que têm fome de justiça, onde podem os pecadores encontrar perdão e onde todos se reconhecem como irmãos (…)

Cristo Jesus é o princípio e o fim, o alfa e o ômega, o Rei do mundo novo, a misteriosa e suprema razão da história humana e de nosso destino. É Ele o mediador e como que a ponte entre a terra e o céu.

É Ele, o Filho do Homem, maior e mais perfeito do que todos por ser o eterno, o infinito, Filho de Deus e Filho de Maria, bendita entre as mulheres, Sua mãe segundo a carne, nossa mãe pela comunhão com o Espírito do Corpo Místico.

Jesus Cristo, não vos esqueçais, é a nossa inalterável pregação.

Queremos ouvir Seu nome até os confins da terra e por todos os séculos dos séculos!” (2)

Procuremos a resposta que nos fale ao coração. Porém, mais do que respostas que possam ser acrescentadas, urge que cristãos o sejamos, de fato!

Urge conhecer Seu Nome e, muito mais do que isto, amar profundamente Sua Pessoa, assumir Seu projeto de vida, a nós apresentada com a Boa Notícia do Reino por Ele inaugurado.

Urge, também, mais do que nunca, um encontro pessoal, intimo e sincero com o Senhor, bem como estabelecer, amadurecer e aprofundar nossas relações sinceras de amor com Ele e com nosso próximo, até que Deus seja tudo em todos. Amém.


(1) Liturgia das Horas - vol. III - pp. 351-352
(2) idem – pp. 376-377

Em poucas palavras... (XXIDTCA)

  



“A escolha dos Doze...”

“O Senhor Jesus dotou a sua comunidade duma estrutura que permanecerá até ao pleno acabamento do Reino. Temos, antes de mais, a escolha dos Doze, com Pedro como chefe (Mc 3,14-15).

Representando as doze tribos de Israel (Mt 19,28; Lc 22,30), são as pedras do alicerce da nova Jerusalém (Ap 21,12-14).


Os Doze (Mc 6,7) e os outros discípulos (Lc 10,1-2) participam da missão de Cristo, do seu poder, mas também da sua sorte (Mt 10,25; Jo 15,20). 

Com todos estes atos, Cristo prepara e constrói a sua Igreja.” (1)

 

(1)              Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 765


Testemunhar a quem tanto amamos (XXIDTCA)

                                                    


Testemunhar a quem tanto amamos

Na Liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum (Ano A), ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 16,13-22), e somos interpelados por Jesus: – “E vós, quem dizeis que Eu sou?” (Mt 16,15)

A nossa resposta deve contemplar a realidade de alguém que é mais do que um homem, um ídolo, um revolucionário, uma pessoa de sabedoria incomum...

Nossa resposta deve ser a de Pedro – “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16).

De fato, é Aquele que fora esperado que trouxe vida para toda a humanidade em todo o tempo, e mais que isto, vida eterna.

Somos convidados a renovar a nossa fé e aprofundar nossa pertença à Igreja, revigorando a dimensão profética e missionária recebida no dia do batismo.

Afastemos todo desânimo; sejamos revigorados em nossas fraquezas, sem vacilar na fé, esmorecer na esperança e esfriar na caridade.

Avancemos para águas mais profundas (Lc 5,1-11), alegres e convictos pela Salvação, que deve ser elemento constitutivo de nossa caminhada de discípulos missionários, comprometidos com a Boa Notícia do Reino de Deus.

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG