quinta-feira, 16 de julho de 2026

Em poucas palavras...

                                            


Autenticidade do testemunho cristão

“Os anciãos costumavam dizer: ‘O capuz é o símbolo da inocência, o escapulário é o da cruz, o cinto é o da coragem.

Vivamos, portanto, de acordo com nosso hábito, fazendo tudo com diligência, para não parecer que estamos vestindo um hábito inapropriado’.” (1)

 

 

(1)  Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – Editora Vozes – 2023 – n. 55 – p. 68

Em poucas palavras...

                                                   


Maria, Mãe de Deus e nossa 

“Maria ficará para sempre ‘mãe’, Mãe do homem Jesus Cristo e Mãe do Altíssimo. O seu seio é o lugar onde se encontram a imensidão de Deus e a pequenez e fragilidade da criatura humana. 

É esta a ‘admirável permuta’ que muda o nosso destino, porque agora também a mais pobre carne humana encerra o tesouro de uma semente de humanidade.” (1) 

 

(1) Lecionário Comentado – Tempo do Advento/Natal – Editora Paulus – Lisboa – 2011 - p.292

Vinde a mim!

                                                              

     Vinde a mim!

 
Acolhamos a mensagem da Palavra de Deus da quinta-feira da 15ª semana do Tempo Comum (ano ímpar) que nos questiona e não nos permite a acomodação na fé, e acima de tudo nos convida à confiança e à busca de forças tão somente em Deus, nos cansaços possíveis ao enfrentar os desafios da missão no testemunho da fé.
 
Na primeira Leitura (Ex 3,13-20) Deus se apresenta a Moisés como “Eu sou Aquele que sou” e a ele confia a missão de conduzir o Povo de Deus, libertando-o da escravidão do Egito para uma terra nova onde corre leite e mel.
 
Não será fácil esta missão, mas Moisés deve confiar sempre na presença e ação divinas em todos os momentos.
 
Também nós, hoje, como discípulos missionários do Senhor, como cristãos, não podemos fechar nossos ouvidos a Deus que Se revela a cada um de nós, nos chama pelo nome e nos envia em missão de vida e paz. Não podemos construir uma história na indiferença a Deus e ao Seu Amor por nós.
 
Nisto consiste a vitalidade e fecundidade de uma fé autêntica: crer em Deus e, no alegre testemunho, levar quantos possamos a esta descoberta e encontro que transforma a nossa vida e sempre nos prepara o melhor.
Reflitamos:
Como cada um de nós participa na construção do Projeto que Deus tem para a humanidade?
Sentimo-nos responsáveis pela transformação do mundo em que vivemos?  
O que fazemos para transformar s sinais de escuridão em sinais de luz; os sinais de morte em sinais de vida? 
Quais são as belas lições que Moisés nos ensina na vivência de nossa fé?
 
Na passagem do Evangelho (Mt 11, 28-30) ouvimos a Palavra de Jesus que alcança as entranhas mais profundas de nossa alma e coração: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e Eu vos darei descanso”.
 
Somente Jesus pode nos oferecer o verdadeiro “descanso”, porque é “manso e humilde de coração”, e nos oferece os distintivos, que haveremos de carregar e viver, para que o mundo O reconheça e O veja em nós: a Cruz e o Mandamento do amor a Deus e ao próximo.
 
Não há discipulado, não há seguimento de Jesus sem a Cruz, que é garantia de Vitória, passagem para a glória – “Quem quiser me acompanhar, renegue-se a si mesmo, tome sua cruz e venha” (Mt 16, 24). Oferece o jugo que Ele mesmo carregou e conosco carrega.
 
Nosso cristianismo somente pode ser vivido, com alegria e plenamente, na certeza de que Ele caminha ao nosso lado – “Quem se arrasta atrás de seu jugo com subterfúgios e compromissos, é derrubado pelo tédio e abatido pela solidão” (Missal Cotidiano - pág. 1035). 
 
Que jamais nos deixemos abater pela solidão, tristeza, desânimo, para que possamos carregar nossa cruz com alegria, confiança, disponibilidade, coragem e firmeza, até o fim.
 
Carreguemos o jugo da cruz, vivendo a Lei do Senhor, a Lei do Amor “... Este é o meu Mandamento: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 15,12). 
 
Somente o amor faz viver. O Mandamento do Amor se constitui na expressão máxima da vida cristã, porque Cristo mesmo nos disse – “... Ninguém teve maior Amor do que Aquele que dá a vida por Seus amigos.“ (Jo 15,13). 
 
E disse o Evangelista João: “Deus amou tanto o mundo que nos deu o Seu Filho único para que não morra quem n’Ele crer mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).
 
O Senhor entregou Sua vida por nós, aceitou a morte, e morte de Cruz, amando-nos, amou-nos até o fim. Façamos por Ele e pelo nosso próximo o mesmo: descanso, forças e alegria no tempo presente encontraremos, e na eternidade plenamente viveremos. A glória da Cruz e a Lei do Amor, para sempre Amém!

quarta-feira, 15 de julho de 2026

A fé ilumina nosso peregrinar

                                                     

A fé ilumina nosso peregrinar

Sejamos enriquecidos pelo Brevilóquio do Bispo São Boaventura (Séc. XIII), sobre o conhecimento de Jesus Cristo, que emana da compreensão de toda a Sagrada Escritura.

“A fonte da Sagrada Escritura não está na investigação humana, mas na divina revelação que brota do Pai das luzes, de quem toda paternidade no céu e na terra recebe o nome. 

Desse Pai, por Seu Filho Jesus Cristo, vem a nós o Espírito Santo e por este Espírito Santo, que reparte e distribui os dons a quem quer, é-nos dada a fé: pela fé Cristo habita em nossos corações. Ela é o conhecimento de Jesus Cristo, donde Se origina a firmeza e a compreensão de toda a Sagrada Escritura.

Por conseguinte, é impossível a alguém propor-se conhecer a Sagrada Escritura antes de receber a fé em Cristo em si, infundida como lâmpada, porta e mesmo fundamento de toda ela.

Enquanto estamos peregrinando longe do Senhor, a fé é o fundamento que sustenta, a lâmpada que orienta, a porta que introduz a todas as iluminações espirituais. Além do que nos é necessário medir pela medida da fé até mesmo a sabedoria que nos é dada por Deus, a fim de não saber mais do que convém, mas com sobriedade e cada um conforme a medida da fé a ele concedida por Deus.

Não é um resultado ou um fruto qualquer o benefício da Sagrada Escritura, em que estão as Palavras de vida eterna. Ela foi escrita não apenas para que crêssemos, mas para que possuíssemos a vida eterna, onde veremos, amaremos e teremos satisfeitos todos os nossos desejos.

Sendo assim, aprenderemos verdadeiramente a incomparável ciência da caridade e seremos repletos de toda a plenitude de Deus. Nesta plenitude, esforça-se a Sagrada Escritura por introduzir-nos segundo a verdade da citada afirmação apostólica. Com este fim e nesta intenção deve-se perscrutar, ensinar e também ouvir a Sagrada Escritura.

Para alcançarmos esse fruto e meta, avançando pelo reto caminho das Escrituras, cumpre começar do princípio. É necessário que nos aproximemos do Pai das luzes com fé pura, dobrando os joelhos do coração para que, por Seu Filho, no Espírito Santo, nos conceda o verdadeiro conhecimento de Jesus Cristo e, com o conhecimento, também o Seu amor.

Conhecendo-O, então, e amando-O, firmes na fé e arraigados na caridade, poderemos entender a largura, a extensão, a altura e a profundidade da Sagrada Escritura e por esta ciência chegar àquele intensíssimo conhecimento e desmedido amor da Santíssima Trindade. A ela atendem os desejos dos santos e nela se encontra a plenitude de toda a verdade e de todo o bem”.

Peregrinamos longe do Senhor e com Ele tão perto, ainda que não O vejamos. E para que este peregrinar nos conduza ao encontro desejado, precisamos da luz da  Sagrada Escritura.

No entanto, é preciso reler a Sagrada Escritura com o olhar de fé que se firma, quando olhos fixos no Senhor, e assim somos n’Ele enraizados na plena e verdadeira caridade.

Sejamos fortalecidos no testemunhar de nossa fé, iluminados pela Palavra, dando razão de nossa esperança e vivendo o Mandamento do Amor que Nosso Senhor nos deixou: amor a Deus e ao próximo, inseparavelmente.

Não basta o conhecimento da Palavra, é preciso colocá-la em prática, traduzi-la em pequenos e grandes gestos de compromisso com a Boa-Nova do Reino por Jesus inaugurado.

Bálsamo para as feridas de nossa alma

                                                                

Bálsamo para as feridas de nossa alma

Como afirmou o Papa Francisco, na Encíclica 'Laudato Si', o Universo desenvolve-se em Deus, que o preenche completamente.

Deste modo, temos um mistério a contemplar seja numa folha, numa vereda, no orvalho, no rosto do pobre.

O Papa ressalta que o ideal não é só passar da exterioridade à interioridade para descobrir a ação de Deus na alma, mas também chegar a encontrá-Lo em todas as coisas, como ensinava São Boaventura: 

A contemplação é tanto mais elevada quanto mais o homem sente em si mesmo o efeito da graça divina ou quanto mais sabe reconhecer Deus nas outras criaturas”.

Na nota deste parágrafo, cita um mestre espiritual, Ali Al-Khawwas, que, partindo da sua própria experiência, assinalava a necessidade de não separar demasiado as criaturas do mundo e a experiência de Deus na interioridade:

“Não é preciso criticar preconceituosamente aqueles que procuram o êxtase na música ou na poesia. Há um ‘segredo’ sutil em cada um dos movimentos e dos sons deste mundo. Os iniciados chegam a captar o que dizem o vento que sopra, as árvores que se curvam, a água que corre, as moscas que zunem, as portas que rangem, o canto dos pássaros, o dedilhar de cordas, o silvo da flauta, o suspiro dos enfermos, o gemido dos aflitos…” (2)

Sejamos revigorados e iluminados pela Sagrada Escritura, para rever nossas posturas diante da existência, rever nossos critérios, valores e princípios, que muitas vezes clamam por conversão, colocando a vida em primeiro plano, acima do lucro, da ambição, do egoísmo com consequências conhecidas e que maculam a história.

Bebamos da fonte da Tradição da Igreja, como nos falou São João da Cruz:

“As montanhas têm cumes, são altas, imponentes, belas, graciosas, floridas e perfumadas. Como estas montanhas, é o meu Amado para mim. Os vales solitários são tranquilos, amenos, frescos, sombreados, ricos de doces águas. Pela variedade das suas árvores e pelo canto suave das aves, oferecem grande divertimento e encanto aos sentidos e, na sua solidão e silêncio, dão refrigério e repouso: como estes vales, é o meu Amado para mim”. (3)

Nestes tempos difíceis por que passamos, com acontecimentos que vitimam tantas pessoas, até mesmo com a morte, destruição da vida em todos os sentidos (vidas humanas e da terra), o planeta em que habitamos, nossa casa comum, recorramos à música ou à poesia, como bálsamo para alívio de nossas dores. Através delas e de outros meios, redescubramos o reencantamento pela vida, revigoramento de nossas forças, para irrenunciáveis compromissos em sua defesa.

(1)         - Encíclica Laudato Si’– Papa Francisco – 2015 – n.233
(2)        -  Nota citado pelo Papa Francisco na Encíclica Laudato Si’ – n.233 –
Eva De Vitray-Meyerovitch (ed.), Anthologie du soufisme (Paris 1978), 200. –
(3)        Citado na Laudato Si’  - n.234.

Uma Oração que eleva pensamentos e refrigera a nossa alma!

                                                           


Uma Oração que eleva pensamentos e refrigera a nossa alma!

Com a Oração do Bispo São Boaventura (séc. XIII) somos agraciados por uma leve Brisa Divina, numa suave expressão do sopro do Espírito.

“Ó inefável beleza do Deus altíssimo e puríssimo esplendor da Luz eterna, Vida que vivifica toda vida, Luz que ilumina toda luz, e conserva em perpétuo esplendor a multidão dos astros, que desde a primeira aurora resplandecem do trono da Vossa divindade.

Ó eterno e inacessível, brilhante e suave manancial daquela Fonte oculta aos olhos de todos os mortais! Sois profundidade infinita, altura sem limite, amplidão sem medida, pureza sem mancha! De Ti procede o rio que vem trazer alegria à cidade de Deus,

Para que entre vozes de júbilo e contentamento possamos cantar hinos de louvor ao Vosso nome, sabendo, por experiência que em Vós está a Fonte da vida, e em Vossa Luz contemplamos a luz”.

Contemplemos o Sagrado Coração de Jesus, e n’Ele o Mistério do Amor de Deus por nós, do qual jorra uma torrente que tudo depura e arrasta, e assim teremos elevados nossos  pensamentos e nossa alma refrigerada, com este sopro que vem do Espírito.

Reflitamos:

- O que a oração, de São Boaventura nos desperta?
- O que significa o Amor de Deus em minha vida?

- Qual a profundidade e intensidade do Amor de Deus que sinto em minha vida?
- Como percebem em mim a presença do Amor vital de Deus?

- Tenho correspondido e agradecido o Amor de Deus por mim?
- Com que palavras posso agradecer o Amor de Deus por mim?

Supliquemos a Deus para que Seu inefável Amor, continue sendo derramado em nosso favor, e façamos silêncio diante da Palavra de todas as Palavras  e digamos depois:

Deus como Te amo!
E por mais que Te ame
É nada, absolutamente nada,
Diante do Teu amor, mas Te amo!
E quero amar, a cada dia,  cada vez mais. Amém.

Acorramos à Divina Fonte (SCJ)

                                                                

Acorramos à Divina Fonte

Reflexão à luz de um trecho das Obras do Bispo São Boaventura (Séc. XIII), em que ele nos apresenta Jesus como a fonte de vida para a humanidade:

Considera, ó homem redimido, quem é Aquele que por tua causa está pregado na Cruz, qual a Sua dignidade e grandeza.

A Sua morte dá a vida aos mortos; por Sua morte choram o céu e a terra, e fendem-se até as pedras mais duras.

Para que, do lado de Cristo morto na Cruz, se formasse a Igreja e se cumprisse a Escritura que diz:

‘Olharão para Aquele que transpassaram’ (Jo 19,37), a divina Providência permitiu que um dos soldados lhe abrisse com a lança o sagrado lado, de onde jorraram Sangue e Água.

Este é o preço da nossa salvação. Saído d'Aquela fonte divina, isto é, no íntimo do Seu Coração, iria dar aos Sacramentos da Igreja o poder de conferir a vida da graça, tornando-se para os que já vivem em Cristo Bebida da fonte viva que jorra para a vida eterna (Jo 4,14).

 Levanta-te, pois, tu que amas a Cristo, sê como a pomba que faz o seu ninho na borda do rochedo (Jr 48,28), e aí, como o pássaro que encontrou sua morada (cf. Sl 83,4), não cesses de estar vigilante; aí esconde como a andorinha os filhos nascidos do casto amor; aí aproxima teus lábios para beber a água das fontes do Salvador (cf. Is 12,3).

Pois esta é a fonte que brota no meio do paraíso e, dividida em quatro rios (cf. Gn 2,10), se derrama nos corações dos fiéis para irrigar e fecundar a terra inteira.

Acorre com vivo desejo a esta fonte de vida e de luz, quem quer que sejas, ó alma consagrada a Deus, e exclama com todas as forças do teu coração:

‘Ó inefável beleza do Deus altíssimo e puríssimo esplendor da luz eterna, vida que vivifica toda vida, luz que ilumina toda luz e conserva em perpétuo esplendor a multidão dos astros, que desde a primeira aurora resplandecem diante do trono da Vossa divindade. 

Ó eterno e inacessível, brilhante e suave manancial d'Aquela fonte oculta aos olhos de todos os mortais! Sois profundidade infinita, altura sem limite, amplidão sem medida, pureza sem mancha!’

De Ti procede o rio que vem trazer alegria à cidade de Deus (Sl 45,5), para que entre vozes de júbilo e contentamento (cf. Sl 41,5) possamos cantar hinos de louvor ao Vosso nome, sabendo por experiência que em Vós está a fonte da vida, e em Vossa luz contemplamos a luz (Sl 35,10).” (1)

Nesta Divina Fonte de Amor, bebemos da água cristalina do Amor:

- Que jamais termina, mesmo quando parece terminar nossas forças para trilhar o caminho da fé;

- Para que a secura de nossa alma, por vezes experimentada, seja novamente “hidratada”, e assim possamos avançar no horizonte da esperança que se dilata, amplia, redimensiona;

- Ao participamos do Altar em que Ele Se faz verdadeiramente Comida e Bebida para nos revigorar, e o Mandamento Maior que nos ordenou, ao mundo anunciar, testemunhar.

A esta Divina Fonte de Amor acorramos sem demora, de tal modo que,  fome e sede jamais teremos; senão a sede e fome de justiça, de ver acontecer um novo céu e uma nova terra, porque discípulos missionários do Senhor, que esta sede, no Sermão da Montanha, proclamou: “Bem-Aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados” (Mt 5, 6).

À esta Divina Fonte sempre acorramos, sem demora, porque tão apenas n’Ela encontramos a Fonte inesgotável e indizível de Amor. 


(1) Liturgia das Horas - Vol. III - Tempo Comum - p. 571-572

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