segunda-feira, 4 de maio de 2026

Em poucas palavras... (VIDTPA)

                                                  


 

Vinde Espírito Santo...

“A forma tradicional de pedir o Espírito é invocar o Pai, por Cristo, nosso Senhor, para que nos dê o Espírito Consolador (Lc 11,13). Jesus insiste nesta petição em seu nome no próprio momento em que promete o dom do Espírito de verdade (Jo 14,17; 15,26; 16,13).

Mas, também é tradicional a oração mais simples e mais direta: «Vinde, Espírito Santo». Cada tradição litúrgica desenvolveu-a em antífonas e hinos:

«Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor» (Sequência de Pentecostes).

«Rei celeste, Espírito consolador, Espírito da verdade, presente em toda a parte e tudo enchendo, tesouro de todo o bem e fonte da vida, vem, habita em nós, purifica-nos e salva-nos, Tu que és Bom!» (Liturgia Bizantina).(1)

   (1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2671

Em poucas palavras... (VIDTPA)

                                                        


O envio do Paráclito

“Antes da sua Páscoa, Jesus anuncia o envio de um «outro Paráclito» (Defensor), o Espírito Santo.

Agindo desde a criação (Gn 1,2) e tendo outrora «falado pelos profetas» (Símbolo niceno-constantinopolitano), o Espírito Santo estará agora junto dos discípulos, e n’eles (Jo 14,17), para os ensinar (Jo 14,26) e os guiar «para a verdade total» (Jo 16, 13). E, assim, o Espírito Santo é revelado como uma outra pessoa divina, em relação a Jesus e ao Pai.” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 243

Em poucas palavras... (VIDTPA)

                                                    


O Paráclito

Jesus, ao anunciar e prometer a vinda do Espírito Santo, chama-Lhe o «Paráclito», que, à letra, quer dizer: «aquele que é chamado para junto», ad vocatus (Jo 14, 16. 26; 15, 26; 16, 7).

«Paráclito» traduz-se habitualmente por «Consolador», sendo Jesus o primeiro consolador (1Jo2,1). O próprio Senhor chama ao Espírito Santo «o Espírito da verdade» (Jo 16,13).” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – n. 692

Enviai-nos o Espírito Santo, o Paráclito, o Consolador (VIDTPA)

                                                              


Enviai-nos o Espírito Santo, o Paráclito, o Consolador

“Senhor Jesus Cristo,
Enviai também sobre nós o Espírito,
Que nos dá o conhecer e o querer,
E concedei-nos cooperar,
Em quanto nos for possível,
Com tudo o que depende de nós,
De modo a tornarmo-nos templos do mesmo Espírito.

Enviai-nos o Paráclito, o Consolador,
Por meio do qual podemos reconhecer-Vos e amar-Vos,
De modo a sermos dignos de chegar até Vós,
Que sois bendito pelos séculos dos séculos.
Amém”.



P S: Oração ao Espírito Santo de Santo Antônio de Lisboa – citado pelo Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – Volume Quaresma/Páscoa – p 522

Reconciliados com Deus por meio de Jesus Cristo (VIDTPA)

                                                 

Reconciliados com Deus por meio de Jesus Cristo

“Tudo vem de Deus que, por Cristo, nos reconciliou consigo” (2Cor 5,18)

Sejamos enriquecidos pelos Comentários escritos pelo Bispo São Cirilo de Alexandria (Séc. V), sobre a Segunda Carta aos Coríntios, sobre a reconciliação que Deus nos possibilitou por meio de Jesus Cristo, confiando-nos o Ministério da Reconciliação.

“Os que possuem o penhor do Espírito e vivem na esperança da Ressurreição, como se já possuíssem aquilo que esperam, podem dizer que desde agora não reconhecem a ninguém segundo a carne; pois somos todos espirituais e isentos da corrupção da carne.

Com efeito, desde que brilhou para nós a Luz do Unigênito de Deus, fomos transformados no próprio Verbo que dá vida a todas as coisas. E assim como nos sentíamos acorrentados pelos laços da morte, quando reinava o pecado, agora ficamos livres da corrupção, ao chegar à justiça de Cristo.

Por conseguinte, doravante ninguém vive mais sob o domínio da carne, isto é, sujeito à fraqueza carnal. A ela com certeza, entre outras coisas, deve ser atribuída a corrupção.

Neste sentido afirma o apóstolo Paulo: ‘Se uma vez conhecemos Cristo segundo a carne, agora já não o conhecemos assim’ (2Cor 5,16). Como se quisesse dizer: ‘O Verbo se fez carne e habitou entre nós’ (Jo 1,14), sujeitando-se à morte segundo a carne, para a salvação de todos.

Foi deste modo que o conhecemos; todavia, desde este momento, já não é mais assim que o reconhecemos. É verdade que ele conserva a sua carne, pois ressuscitou ao terceiro dia, e vive no céu, à direita do Pai; mas a sua existência é superior à vida da carne. ‘Tendo morrido uma vez, Cristo não morre mais; a morte já não tem poder sobre Ele. Pois aquele que morreu, morreu para o pecado uma vez por todas; mas aquele que vive, é para Deus que vive’ (Rm 6,9-10).

Então, se Ele se apresentou diante de nós como modelo de vida, é absolutamente necessário que também nós, seguindo seus passos, façamos parte daqueles que não vivem mais na carne, mas acima da carne. É o que diz o grande Paulo, com toda razão: ‘Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. O mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo’ (2 Cor 5,17).

Fomos justificados pela fé em Cristo e terminou o domínio da maldade. Uma vez que ele ressuscitou por nossa causa, calcando aos pés o poder da morte, nós conhecemos aquele que por sua própria natureza é o verdadeiro Deus. É a ele que prestamos culto em espírito e verdade, por intermédio de seu Filho que distribui sobre o mundo as bênçãos divinas do Pai.

Por esse motivo, São Paulo diz com muita sabedoria: ‘Tudo vem de Deus que, por Cristo, nos reconciliou consigo’ (2Cor 5,18). Realmente, o mistério da encarnação e a renovação a que ela deu origem não se realizaram sem a vontade do Pai. É por Cristo que temos acesso ao Pai, como ele próprio afirma: ninguém pode ir ao Pai senão por Ele. Portanto,’ tudo vem de Deus que, por Cristo, nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação’”. 

Jesus com sua morte, calcou aos pés o poder da morte e nos reconciliou com Deus, e ainda mais, confiou-nos o Ministério da Reconciliação, libertando-nos dos laços do pecado e da morte, que nos mantinha acorrentados. Bem expressou o Apóstolo Paulo aos Gálatas – “É para a liberdade que Cristo nos libertou. Permanecei firmes, portanto, e não vos deixeis prender de novo ao jugo da escravidão” (Gl 5,1), procurando sempre deixar-se conduzir pelo Espírito e não satisfazendo os desejos da carne (Gl 5,16-24).

Reconciliados com Deus, vivendo a vida nova que alcançamos pelo batismo, morremos para o pecado para vivermos totalmente para Deus, vivendo como uma nova criatura (cf. Rm 6,11), nos passos de Jesus, tendo como projeto de vida as Bem-Aventuranças que o Senhor nos apresentou no alto da Montanha (Mt 5,1-12).

Somente o Senhor renova nossas forças (VIDTPA)

                                                      


Somente o Senhor renova nossas forças

No 6º Domingo da Páscoa, quando ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 14,15-21) sejamos enriquecidos pelo Sermão de São João Máximo de Turim (séc. V),  que nos ajuda a viver intensamente a graça do Batismo.

“Irmãos: recordará vossa santidade que recentemente disse em minha pregação que o homem recupera sua juventude e que, mesmo debilitado pela idade, converte-se novamente em criança pela inocência de seus costumes; de maneira que, mediante o sacramento, vemos os anciãos transformarem-se em crianças.

Realmente, abandonar o que alguém era para assumir o que antes tinha sido não deixa de ser uma espécie de inovação. É, repito, uma inovação.

Por isso são chamados ‘neófitos’, pois graças a uma concreta novidade têm abandonado as marcas da velhice e assumido a graça da simplicidade, como diz o Apóstolo: Despojai-vos da velha condição humana, com suas obras, e vesti-vos da nova condição criada à imagem de Deus.

E o santo Davi também afirma: E como uma águia se renova tua juventude, dando a entender que, pela graça do Batismo, é possível fazer reviver o que de envelhecido há em nossa vida, e renovar-se com uma nova juventude o que em nós estava arruinado pela caducidade do pecado.

E para que compreendas que o profeta fala da graça do Batismo, compara a inovação batismal com a renovação da águia, da qual se diz que prolonga sua vida mediante a contínua troca de plumagem e que, ao irem-se caindo as plumas velhas, se rejuvenesce com a nova plumagem da qual vai se revestindo, de maneira que, depostos os sinais da velhice, veste-se o ornato da renovada novidade. De onde podemos deduzir que a velhice da águia se faz sentir não em seus membros, mas na plumagem. De fato, veste-se novamente, e, ao bater das asas, outra vez a velha mãe se converte em aguioto (filhote de águia).

Pois temos de compará-la aos franguinhos quando, com a plumagem aveludada recém-estreada, têm que treinar-se novamente em seus lentos voos e reduzir, como ave novata, a estreiteza do ninho e a algumas inseguras tentativas, os majestosos voos de outros tempos. Porque ainda que o costume lhe tenha dotado da arte de voar, a escassez da plumagem lhe diminui a confiança em si mesma.

Esta profecia do salmista se refere, pois, à graça do Batismo. De fato, também nós neófitos, batizados recentemente, depondo como a águia os sinais da velhice, revestiram-se das novas vestes da santidade; e enquanto as antigas marcas vão desprendendo-se quais leves plumas, ornam-se com a renascida graça da imortalidade. De tal maneira que neles somente envelhecem os caducos pecados da senilidade, não a vida. E assim como a águia se transforma em aguioto, assim eles voltam à infância. Estão inteirados da vida no mundo, porém lhes assiste a segurança da reencontrada justiça.

Mas examinemos ainda com maior atenção o que diz o santo Davi. Não diz: se renova como as águias, mas: como uma águia se renova tua juventude. Afirma, pois, que nossa juventude se há de renovar como a de uma só águia. E eu diria que esta só e única águia é em realidade Cristo o Senhor, cuja juventude se renovou quando ressuscitou dentre os mortos.

Pois, depostos os mortais despojos da corrupção, voltou a florescer mediante a assunção da carne rediviva, como Ele mesmo diz pela boca do profeta: Minha carne floresceu novamente, lhe dou graças de todo o coraçãoMinha carne, diz, floresceu novamente.

Observai que verbo utilizou. Não disse: ‘floresceu’, mas ‘refloresceu’, pois não refloresce a não ser o que já floresceu. Floresceu verdadeiramente a carne do Senhor quando, pela primeira vez, saiu do incontaminado seio da Virgem Maria, como diz Isaías: Brotará um renovo do tronco de Jessé, e de sua raiz florescerá um rebento.

Refloresceu, ao invés, quando cortada pelos judeus a flor do corpo, germinou rediviva no sepulcro pela glória da ressurreição; e como uma flor, exalou sobre todos os homens o aroma e o esplendor da imortalidade, espargindo por toda parte com suavidade o odor das boas obras e manifestando com majestade a incorruptibilidade da eterna divindade.”  (1)

Vivamos a graça do Batismo, como discípulos missionários do Senhor, renovando n’Ele e com Ele nossas forças, participando ativa, consciente e piedosamente do Banquete da Eucaristia.

Discípulos missionários do Senhor precisam sempre a coragem de buscar novos caminhos, para que vivam maior fidelidade a Ele, e sempre abertos à ação Espírito Santo, na procura de respostas necessárias aos inúmeros desafios presentes na ação evangelizadora.

Concluo com as palavras do Apóstolo Paulo aos Colossenses (Cl 3,1-2):

“Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres.” (cf. Cl 3,1-2)

 

(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes - 2012 - p. 107-108.

A indispensável presença do Paráclito (VIDTPA)

                                                        


A indispensável presença do Paráclito

"Não vos deixarei órfãos. 

Eu virei a vós." (Jo 14,18)

 

No 6º Domingo da Páscoa, quando ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 14,15-21), em que Jesus nos promete a vinda do Paráclito, a fim de que não fiquemos desamparados, sejamos enriquecidos pelo Sermão de São João Crisóstomo (séc. V):

Se me amais, guardareis os meus Mandamentos. Eu vos dei um Mandamento: que vos amei mutuamente e façais uns aos outros como Eu fiz convosco. Nisto consiste o amor: em cumprir os Mandamentos e colocar-se a serviço do amado. E Eu pedirei ao Pai que vos dê outro Defensor. São palavras de despedida. E como ainda não O conheciam bem, era muito provável que eles teriam de buscar ansiosamente a companhia do ausente, Suas palavras, Sua presença física, e que não teriam de aceitar, uma vez que Ele tivesse partido, nenhum tipo de consolo. E o que Ele diz? Eu pedirei ao Pai que vos dê outro Defensor, isto é, outro como Eu.

Depois de tê-los purificado com o Seu sacrifício, então sobrevoou o Espírito Santo. Por que não veio quando Jesus estava com eles? Porque ainda não se tinha oferecido o sacrifício. Mas uma vez que o pecado foi apagado e eles, enviados aos perigos, se disporiam para a luta, era necessário o envio do Consolador. E por que o Espírito não veio imediatamente depois da Ressurreição? Justamente para que, avivados por um desejo mais ardente, O recebessem com maior fruto.

De fato, enquanto Cristo estava com eles, não conheciam a aflição; mas quando Ele Se foi, ao ficarem sozinhos e tomados de temor, haveriam de recebê-Lo com um maior anelo. Que permaneça sempre convosco, isto é, não vos abandonará nem mesmo depois da morte. E para que, ao ouvir falar do Defensor, não pensassem em uma nova encarnação e acolhessem a esperança de vê-Lo com seus próprios olhos, a fim de afastar semelhante suspeita, diz: O mundo não pode recebê-Lo porque não O vê.

Porque não viverá convosco como Eu, mas sim habitará em vossas almas, pois é isso que quer dizer permaneça convosco. O chama Espírito da verdade, ligando assim as figuras da antiga Lei. Para que permaneça convosco. Que significa permaneça convosco? O mesmo que disse de si mesmo: Eu estou convosco. Mas ainda insinua outra coisa: Não vai padecer o que Eu padeci, nem se ausentará.

O mundo não pode recebê-Lo porque não O vê. Mas como? É porque o Espírito se contava entre as coisas visíveis? Em absoluto. O que acontece é que Cristo Se refere aqui ao conhecimento, pois acrescenta: nem O conhece, já que habitualmente se chama visão ao conhecimento penetrante. Realmente, sendo a vista o mais destacado dos sentidos, mediante ela sempre designa o conhecimento penetrante. Ele chama aqui ‘mundo’ aos perversos, e desta forma consola aos Seus discípulos, oferecendo-lhes este precioso dom. Vede como exalta a grandeza deste dom. Diz que é distinto d’Ele; acrescenta: ‘não vos deixará’; insiste: virá unicamente a eles, como também Eu vim. Disse: Permaneça em vós; mas nem mesmo assim dissipou sua tristeza. Ainda O buscavam, queriam Sua companhia. Para tranquilizá-los diz: Tampouco Eu vos deixarei desamparados, voltarei. Ele diz: Não temais; não disse que vos enviarei outro Defensor, porque Eu vou deixar-vos para sempre; nem disse: vive em vós, como se não tenha de voltar a vê-los. Na realidade, também Eu virei a vós. Não vos deixarei desamparados.”

Alegremo-nos, não caminhamos sozinhos e desamparados, o Senhor prometeu e cumpriu e nos enviou, junto do Pai, o Espírito Santo, o Paráclito, o Advogado, o Defensor.

Inúmeros são os desafios na ação evangelizadora, e como somos fortalecidos e animados, em saber que podemos contar com a presença e a ação do Espírito Santo que nos ilumina.

Concluímos com as palavras do Bispo São Cirilo (séc. V): 

 

“A Sua chegada é precedida por esplêndidos raios de luz e ciência. Ele vem com o amor entranhado de um irmão mais velho: Vem para salvar, curar, ensinar, aconselhar, fortalecer, consolar, iluminar a alma de quem O recebe, e, depois por meio desse, a alma dos outros.”

 

Alegremo-nos, de fato, pois não estamos órfãos. O Espírito por Jesus prometido nos foi enviado. Aleluia!

 

 

(1): Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 - p. 105-106.

 

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