quarta-feira, 29 de abril de 2026

Em poucas palavras...

                                                         


Graças e dons divinos recebidos

“Eu distribuo as virtudes tão diferentemente, que não dou tudo a todos, mas a uns uma e a outros outra […] A um darei principalmente a caridade, a outro a justiça, a este a humildade, àquele uma fé viva. […] 

E assim dei muitos dons e graças de virtudes, espirituais e temporais, com tal diversidade, que não comuniquei tudo a uma só pessoa, a fim de que vós fôsseis forçados a usar de caridade uns para com os outros; […] 

Eu quis que um tivesse necessidade do outro e todos fossem meus ministros na distribuição das graças e dons de Mim recebidos” (1)

 

(1) Santa Catarina de Sena (séc. XIV)

Em poucas palavras...

                                                    


As diferentes virtudes divinas a nós concedidas

“Estas diferenças fazem parte do plano de Deus que quer que cada um receba de outrem aquilo de que precisa e que os que dispõem de «talentos» particulares comuniquem os seus benefícios aos que deles precisam.

As diferenças estimulam e muitas vezes obrigam as pessoas à magnanimidade, à benevolência e à partilha: e incitam as culturas a enriquecerem-se umas às outras:

«Eu distribuo as virtudes tão diferentemente, que não dou tudo a todos, mas a uns uma e a outros outra [...] A um darei principalmente a caridade, a outro a justiça, a este a humildade, àquele uma fé viva. [...] E assim dei muitos dons e graças de virtudes, espirituais e temporais, com tal diversidade, que não comuniquei tudo a uma só pessoa, a fim de que vós fosseis forçados a usar de caridade uns para com os outros; [...] Eu quis que um tivesse necessidade do outro e todos fossem meus ministros na distribuição das graças e dons de Mim recebidos» (Santa Catarina de Sena).” (1)

 

(1)Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 1937

Participando deste Diálogo nossa alma se eleva…

                                                


Participando deste Diálogo nossa alma se eleva…

Contemplemos o Diálogo sobre a Providência Divina, da Virgem e Doutora Santa Catarina de Sena (Séc. XIV), cuja Memória celebramos dia 29 de abril.

“Com a indizível benignidade de Sua clemência, o Pai eterno dirigiu o olhar para esta alma, e começou a falar:

Caríssima filha, determinei com firmeza usar de misericórdia para com o mundo e quero providenciar acerca de todas as situações dos homens.

Mas o homem ignorante julga levar à morte aquilo que lhe concedo para a vida, e assim se torna muito cruel, para si próprio; no entanto, dele Eu cuido sempre. Por isso quero que saibas: tudo quanto dou ao homem provém da Suprema Providência.

E o motivo está em que, tendo criado com Providência, olhei em mim mesmo e fiquei cativo da beleza de minha criatura. Porque foi de meu agrado criá-la com grande Providência à minha imagem e semelhança. Mais ainda, dei-lhe a memória para guardar meus benefícios em seu favor, por querer que participasse de meu poder de Pai eterno.

Dei-lhe, além disto, a inteligência para conhecer e compreender na sabedoria de meu Filho a minha vontade, porque sou com ardente caridade paterna o máximo doador de todas as graças.

Concedi-lhe também a vontade de amar, participando da clemência do Espírito Santo, para poder amar aquilo que a inteligência visse e conhecesse.

Isto fez minha doce Providência. Ser o único capaz de entender e de encontrar seu gozo em mim com alegria imensa na minha eterna visão. E como de outras vezes te falei, pela desobediência de vosso primeiro pai Adão, o céu estava fechado. Desta desobediência decorreram depois todos os males no mundo inteiro.

Para fazer desaparecer do homem a morte de sua desobediência, em minha clemência providenciei, entregando-vos meu Filho unigênito com grande sabedoria, para que assim reparasse vosso dano. Impus-lhe uma grande obediência, a fim de que o gênero humano se livrasse do veneno que se difundira no mundo pela desobediência de vosso primeiro pai.

Assim, como que cativo de amor e com verdadeira obediência, correu com toda a rapidez, correu à ignominiosa Morte Sacratíssima, deu-vos a vida, não pelo vigor de Sua humanidade, mas da divindade”.

Neste Diálogo contemplamos sublimes revelações do Senhor a esta doutora mulher e muito nos inspira e fortalece no discipulado.

Tudo quanto Deus concede ao homem provém de Sua suprema Providência. Criou o homem e a mulher com grande  Providência a Sua imagem e semelhança. Mais do que isto, concedeu-lhe a memória, a Inteligência e a vontade de amar.

Instaurando a criatura o pecado, e com ele o rompimento de uma aliança de amor, entregou-nos o Seu Filho unigênito com grande sabedoria impondo-lhe uma grande obediência.

Ele encarnando-Se, na fidelidade incondicional e com verdadeira obediência, como que cativo de amor, correu com toda a rapidez, correu à ignominiosa Morte Sacratíssima. Com Sua morte concedeu-nos a vida, vida presente, vida plenamente, vida eternamente…

Esta vida a nós concedida, paradoxalmente vem não pelo vigor de Sua humanidade, mas da divindade.

Na fragilidade humana assumida, quando encarnada a nós, Se assemelhou, a nós Se fez igual, exceto no pecado, para que pudesse destruí-lo e recuperássemos tudo que perdêramos, pela falta de correspondência ao plano de Deus, um puro plano de amor…

Em Sua Encarnação, Morte e Ressurreição, já não somos mais quem fomos, pois n’Ele e com Ele somos uma nova criatura, mortos para o pecado e vivos para Deus, como o Apóstolo Paulo nos disse.

Como Deus nos ama!
Seu amor ultrapassa nossa lógica
e capacidade de compreensão…
Vida Nova com Sua Morte e Ressurreição!

terça-feira, 28 de abril de 2026

“Sete pecados sociais”

                                                             

“Sete pecados sociais”

Atribui-se a Mahatma Gandhi esta afirmação:

“Sete pecados sociais: política sem princípios, riqueza sem trabalho, prazer sem consciência, conhecimento sem caráter, comércio sem moralidade, ciência sem humanidade e culto sem sacrifício.”

Embora vivamos em tempos e lugares diferenciados, os “sete pecados sociais” estão presentes em nosso cotidiano, somos vítimas e ao mesmo tempo sujeitos.

“Política sem princípios”:
A ausência de princípios éticos abre brechas para medidas e posturas que aumenta o abismo dos ricos e empobrecidos; a política e seus atores caem na vala comum: da apatia, indiferença, desconfiança e perda de esperança de tempos novos. A falta de princípios faz com que a política deixe de ser a prática sublime de caridade, e assim deixamos de buscar e promover o bem comum, com vida e cidadania digna para todos, sem resquícios de exclusão.

“Riqueza sem trabalho”:
Porque certamente conseguida com trabalho de outros, por vezes mal remunerado, direitos sociais vilipendiados, conquistas não asseguradas, mutiladas, reduzidas, aniquiladas; retrocessos de conquistas alcançadas. Ou por vezes da especulação de qualquer ordem, da acumulação, extorsão, ágios, lucros não partilhados...

“ Prazer sem consciência”:
Porque pode ser a máxima expressão do hedonismo; do prazer inconsequente, com preços altos a serem pagos; comprometimento de futuros e projetos que poderiam serem evitados, por vezes impossíveis de serem revertidos, porque deu à história de quem ao prazer se curvou, um outro indesejável e infeliz sentido.

“Conhecimento sem caráter”:
A busca do conhecimento é como uma espiral que tende ao infinito. Mas todo conhecimento somente tem sentido quando ele se volta em favor do próprio homem e mulher que pensam e tem sede do conhecimento. Há conhecimentos sem caráter, sem utilidades, conhecimentos fúteis e inúteis, que não corroboram para que a vida humana seja mais bela. Todo conhecimento a ser buscado e alcançado é para que se favoreçam novos relacionamentos, e, com isto, promover a fraternidade e possibilidade de que todos dele desfrutem.

“Comércio sem moralidade”:
Há valores sagrados que não se negociam; exploração abundantemente execrada pelos Profetas na Sagrada Escritura; tráficos de qualquer espécie que desconsideram a beleza, dignidade e sacralidade da vida (tráfico de drogas, armas, órgãos humanos), da concepção ao declínio natural. Negociatas para garantir vantagens, postos, privilégios, ainda que muitos sejam prejudicados.

“Ciência sem humanidade”:
Ciência é saber que deve também fazer seus progressos numa busca inacabada do saber, com a religação de todos os saberes, mas sem jamais colocar em risco a existência da humanidade.  O grande pecado da ciência é quando aqueles que a buscam e promovem não têm como meta a elevação das possibilidades de existência da  condição humana. A ciência somente tem razão de existir, quando  em favor do próprio homem e mulher que a busca e a promove.

“Culto sem sacrifício”:
Independentemente do credo professado, da religião vivida, todo culto exige daquele que o realiza, abertura, disponibilidade, doação, entrega, renúncias, para que todos possamos viver melhor; que um mundo mais humano e fraterno construamos. Pode parecer um sonho, uma ilusão, mas é exatamente o ponto convergente de todos os cultos, e para isto, a necessidade de sacrifícios, penitência e conversão permanente.

Concluindo: 
Continuemos aprofundando sobre os pecados sociais, firmando nossos passos na busca de um mundo mais humano e fraterno.

“O Amor jamais passará”

                                                             

“O Amor jamais passará”

“Agora, portanto, permanecem estas três coisas:
a fé, a esperança e o amor. A maior delas, porém, é o amor.”
(1Cor 13, 13)

Senhor Jesus, aprendemos, com o discípulo que amáveis,
Que não quereis que sejamos Vossos servos tão apenas,
Quereis muito mais: que sejamos Vossos amigos.
Quereis conosco uma relação de intimidade e comunhão.

Bem sabemos que o servo trabalha,
E vive em função de um justo salário,
Sem compromissos maiores com o seu senhor,
Além do vínculo do trabalho, de formais responsabilidades.

Sois nosso Amigo Maior, de todos os amigos que tenhamos.
Um Amigo que Se comprometeu com a humanidade,
Amando, e a vida entregando no trono da Cruz;
Amor total, pleno, irrenunciável e incondicional.

Queremos ser Vossos sinceros amigos,
Crendo nos valores pelos quais morrestes,
Na sedução necessária por Vossa Pessoa e Palavra,
Comprometidos pela Boa Nova do Vosso Reino.

Senhor, contando com a Vossa divina presença,
E com o Espírito Santo Paráclito de Deus,
No bom combate da fé, que nos impele,
Darmos, com amor, razões de nossa esperança.

Senhor, que amigos Vossos para sempre sejamos;
Comprometidos convosco, sem medos e recuos,
Colocando nossos dons a serviço da vida plena,
Empenhados na construção da civilização do amor.

Amor que não fala, Amor que apenas ama.
Amor ágape, Amor que cria laços indestrutíveis,
Quando selado e nutrido pelo Pão de imortalidade,
Recebido e celebrado em cada Mesa da Eucaristia.

Que vivamos o Vosso autêntico Amor,
Pelo Apóstolo eternamente cantado,
Na inesquecível Carta aos Coríntios:
O Amor que basta a si mesmo, 
Amor que jamais passará. Amém. Aleluia!

Pequei, Senhor Deus

                                                         

Pequei, Senhor Deus

Um ato penitencial em tempos difíceis por que passamos passar.
Ora menos, ou mais, são nossas súplicas, que sobem como incenso,
chegando ao mais alto dos céus; alcançando a misericórdia divina.

Pequei, Senhor Deus. Tenha misericórdia de mim, porque sou pecador.
Por vezes ter naufragado no mar impetuoso das paixões desmedidas,
Ou mesmo por ter inflamado as labaredas do incêndio das vãs paixões.

Pequei, Senhor Deus. Tenha misericórdia de mim, por ter consentido
E me entregado, desenfreadamente, aos pecados capitais:
Soberba, avareza, luxúria, gula, ira, inveja e preguiça.

Pequei, Senhor Deus. Tenha misericórdia de mim, quando desnorteado,
Ardendo em impaciência, por objetivos não alcançados,
até mesmo ignorando Tua presença, existência, amor e bondade.

Pequei, Senhor Deus. Tenha misericórdia de mim, pelo sono não dormido;
Por tresnoitar, passando noites em claro, duvidando de Tua graça,
Como se dela prescindir pudesse, e tudo por próprias forças resolver.

Pequei, Senhor Deus. Tenha misericórdia de mim, por cegueira vivida,
Mergulhado em tormentos, aflição e angústias do cotidiano,
Procurando respostas e saídas tão apenas com recursos humanos.

Pequei, Senhor Deus. Tenha misericórdia de mim, quando desfaleci,
Sem forças para me levantar, levado pelos ventos dos dissabores,
E deixei-me arder e me consumir, na frágua do padecer, quase morrer.

Pequei, Senhor Deus. Tenha misericórdia de mim, quando desertificado,
E em meu apertado coração, como um cálice de amargura,
Não me uni ao Cálice Sagrado, e não bebi da Tua Salutar Bebida.

Pequei, Senhor Deus. Tenha misericórdia de mim. Volto a Ti
De coração contrito e humilhado, meus pecados tantos confesso,
Indigno e pecador que sou, clemência e misericórdia Te peço. Amém. Aleluia!

PS: Oportuno para rezarmos o Salmo 50

Não quero a desventura...

                                                         

Não quero a desventura...

Felizes os íntegros em seu caminho,
os que andam conforme a Lei do Senhor!
Felizes os que guardam Seus testemunhos,
procurando-O de todo o coração,
e que, sem praticar a iniquidade,
andam em Seus caminhos!” 
Sl 119,1-3
Não quero a desventura de quem nada crê.
Jamais o infortúnio que roube a graça de viver.

Não andarei sob o jugo do medo,
Mas procurarei quem me ajude a enfrentá-lo.

Não sucumbirei com os que se curvam diante do mal,
Mas me revigorarei com os que se empenham pelo bem.

Não vou somar com quem nada espera,
Mas sonhar com os que sabem esperançar.

Não serei aprendiz de verbos que roubem a beleza da vida,
Mas, com o Divino Mestre, verbos salutares reaprender a conjugar.

Não farei crescer a fila dos que se entregam a mediocridade,
Mas, com pessoas de boa vontade, construir laços de fraternidade.

Não quero a desventura dos que se entregam aos pesadelos.
Jamais o infortúnio que roube a beleza e a força dos belos sonhos.

Quero firmar os passos nos caminhos do Senhor,
Com o Santo Espírito, os preceitos divinos viver. 

Continuarei, com fé, peregrinando na esperança,
de um novo céu e uma nova terra (Ap 21,1). Amém. Aleluia!


Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG