quarta-feira, 8 de abril de 2026

Páscoa: transbordemos de alegria!

                                                      

Páscoa: transbordemos de alegria!

“Não estava ardendo o nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24,32)

Reflexão à luz da passagem dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35); um itinerário para aquele que quer descobrir a presença do Ressuscitado.

Descobrir o Senhor que conosco Se põe a caminho, para podermos confessá-Lo com palavras e obras, não nos curvando diante das problemáticas e dificuldades existenciais, com suas contradições, contrariedades.

Aquele que crê é sempre chamado a sair de si para o encontro com o Absoluto, Deus, que Ressuscitou e nos dirige Sua Palavra e nos comunica Sua amável presença, reconhecida no partir do Pão, em cada Banquete Eucarístico que participamos.

Como todo itinerário, temos etapas a serem vivenciadas em contínuo movimento:

Repensar as experiências passadas, procurando reler os fatos, percebendo a presença de Deus em Sua aparente ausência. O que aparentemente se nos apresenta como derrota, pode se transformar em vitória; o caos que parece eterno pode ser iluminado com o esplendor da luz do Ressuscitado. Às possíveis situações em que não aparecem perspectivas, com asfixia eminente, aparece de repente uma fresta por onde o ar entra e nos revitaliza.

Pôr-se em atenta escuta da Palavra do Senhor, sobretudo em vida comunitária. A comunidade cristã há que ser sempre o espaço privilegiado da escuta da Palavra do Senhor, que está sempre pronto a iluminar nossa vida, de modo que nossos horizontes se alarguem em conformidade com os desígnios divinos, superando quaisquer resquícios de individualismos e acomodações indesejáveis, com matizes de fechamentos e empobrecimentos, dor, sofrimento, luto e morte sem perspectivas de Ressurreição.

- E, assim, nesta escuta atenta, deixar ressoar a força da Palavra do Ressuscitado e deixar Sua chama ardente fazer arder nossos corações (como aconteceu aos discípulos de Emaús). O Encontro entre a Palavra e a vida torna-se fecundo, neste aquecimento desejável, porque nos ajuda a avaliar, rever, reorientar o caminho com novas perspectivas. Sem voltar para Emaús, mas voltar para Jerusalém, lugar do conflito, dos desafios, da continuidade, do não desistir do corajoso anúncio e testemunho do Ressuscitado – Emaús ou Jerusalém, qual é a nossa escolha?

- Desta escuta, vem um passo fundamental: a Oração – “Fica conosco Senhor”. É bom estar com o Senhor, permitir que Ele faça morada conosco e em nós. Como é bom estar do lado do Amado! Bem disse Pedro: “Só Tu tens Palavras de vida eterna” (cf. Jo 6,68), e por isto o discípulo amado chegou primeiro ao túmulo para ver e acreditar na presença nova do Ressuscitado, que caminha com a comunidade (cf. Jo 20,1-9).

- Chega-se ao momento ápice: o partir do Pão e o reconhecimento do Senhor Jesus, Ressuscitado, fazendo o mesmo gesto que tantas vezes fizera com eles. Uma anamnese maravilhosa “Anunciamos Senhor a vossa morte e proclamamos a vossa Ressurreição, vinde Senhor Jesus”, e como falamos na Missa, quando partimos o Pão: “Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós..."

A escuta da Palavra, a partilha do Pão preanunciam a Eucaristia (com as Mesas da Palavra e da Eucaristia), remetendo-nos ao cotidiano, multiplicando gestos de amor, comunhão, partilha, compromisso e solidariedade.

A comunidade que ouve a Palavra e celebra a Eucaristia é agora aquela que continuará a Missão do Ressuscitado. Isto deve fazer transbordar nosso coração de alegria. 

Continuar a missão do Ressuscitado, que mais Deus poderia nos confiar?

Renovemos em cada Banquete Eucarístico esta graça. Ele Se faz presente na comunidade, na Palavra proclamada, ouvida, acolhida, acreditada e vivida.

Ele Se faz presente na comunidade quando o Pão é partilhado no Altar, levando-nos também à partilha do pão cotidiano com os que mais precisam.

De Banquete em Banquete caminhamos para o Encontro do Banquete Eterno quando O veremos face a face.

Que a Páscoa seja de fato o nos sentirmos uma nova criatura, buscando as coisas do alto (cf. Cl 3,1-4).

Ouvidos que a Palavra acolhem, coração que arde,
olhos que se abrem, mãos que também assim o fazem,
pés que se põem a caminho para o alegre anúncio
e testemunho do Ressuscitado.
Com Ele morramos, com Ele ressuscitemos. 
Aleluia! Aleluia!

Olhos que se abrem, corações que ardem…

                                                             

Olhos que se abrem, corações que ardem…

“E aconteceu que, estando com eles à mesa, tomando o pão, abençoou e partiu-o, e lho deu. Abriram-se-lhes então os olhos,
e o conheceram, e Ele desapareceu-lhes. 
E disseram um para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, 
e quando nos abria as Escrituras?” (Lc 24,30-32)

Naquela tarde, dois discípulos para Emaús caminhavam:
Desilusão, fracasso, sonhos frustrados, pura decepção.
Ainda não tinham acolhido, no mais profundo de si mesmos,
A graça revitalizadora da Boa Nova da Ressurreição.

É a caminhada daqueles que se dobram diante da morte;
Daqueles que da luta se retiram na perda do sentido;
Daqueles que da vida nada mais esperam,
A não ser viver apenas por ter vivido.

Cléofas e o anônimo discípulo, que para Emaús retornam,
São imagens da não vida, do vazio, escuridão e não confiança.
Daqueles para quem já não há mais esperança,
Que jamais assim façamos, e com o Senhor caminhemos...

Caminhando, redescobrem a chama que fora acesa,
Repensam o caminho e refazem seus sonhos e planos,
Acolhem na intimidade Aquele que dera Sua vida,
Para que o mundo fosse mais fraterno e humano.

Que tarde memorável daqueles discípulos,
Que no caminhar, o Verbo que fora vivo e morto,
Agora com eles, Ressuscitado para sempre está:
Âncora segura, luz resplandecente, seguro porto.

Daqueles lábios de que tantas palavras se ouviram,
Agora voltam a acolher outras belas e tantas.
Somente destes lábios saem palavras que ardem,
Pois não são vazias, porque são eternas e santas.

Corações que ardem ao acolherem aquelas memoráveis palavras,
Palavras que no dia a dia plenificam, preenchem, sustentam;
Palavras de sabedoria que revigoram, corrigem, orientam;
Palavras vivas para quem com a vida se compromete, pois por elas se deixam conduzir.

Olhos que se abrem, dos discípulos ontem e em todo tempo.
Olhos que se abrem quando o Pão Verdadeiro é partilhado,
Gesto que Ele tantas vezes com eles realizara,
Sinal profético do Banquete a ser na vida prolongado.

Só é possível reconhecer a presença do Ressuscitado,
Quem com Ele se puser, sem dúvida e medo, a caminho;
Quem deixar inflamar o coração com Sua ardente Palavra,
Suportando, com amor, dificuldades, dores e espinhos.

Só é possível reconhecer a presença do Ressuscitado,
Quem com Ele à mesa se assentar para o Pão partilhar,
Na Mesa da Eucaristia belas lições sempre aprender.
Prolongando-as na vida, vida nova há de brilhar.

Como cristãos, vivamos a experiência atualizada de Emaús.
Como homens e mulheres de Deus, para lá jamais voltaremos,
Pois sabemos que a Jerusalém é aqui mesmo,
As forças da morte com disposição enfrentaremos.

Que a graça do Amor de Deus no coração seja impressa,
Acendei Senhor, em nós, a chama do amor sedutor e eterno.
Tudo nos será mais fácil: faremos grandes coisas muito depressa,
E com pouco trabalho, faremos o mundo mais belo e fraterno.

Olhos que se abrem, corações que ardem!
Ontem, hoje e sempre, somos discípulos do Senhor também.
Olhos que se abrem, corações que ardem
No coração da Sua amada Igreja. Amém! Aleluia! Aleluia!

PS: Poesia inspirada na passagem do Evangelho dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35).

Em poucas palavras...

                                                   


“O milagre de Pedro...”

“O milagre de Pedro não é mais que ‘outro’ milagre de Jesus. Basta compará-lo com os milagres que Cristo opera no Evangelho.

Na Igreja os sinais extraordinários da salvação, e suscita ainda no homem, salvação, maravilha, estupor.”  (1)

 

(1) Comentário da passagem dos Atos dos Apóstolos ( At 3,1-10) - Missal Cotidiano - Editora Paulus - p. 341

A Palavra do Senhor realiza maravilhas

                                                              


A Palavra do Senhor realiza maravilhas

Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou:
em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda” 
(At 3,6).

Na passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 3,1-10), Pedro e João curam um coxo de nascença sentado à porta do tempo, chamada Formosa.

A cura é realizada, com as palavras dita pelos apóstolos:  “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda”  (At 3,6).

Vemos que nosso testemunho da Ressurreição não pode ficar restrito às palavras, que  anunciam e narram a ação de Deus apenas, como vemos nesta cura realizada.

As palavras são acompanhadas de gestos e de ações, para que se torne visível o poder do Ressuscitado, capaz de transformar a vida de todas as pessoas e a vida totalmente.

Crer na Palavra do Ressuscitado e ajudar outros a esperar, a reencontrar o gosto da vida e das relações autênticas, a fim de que se abram ao louvor de Deus.

Crer na palavra do Ressuscitado  é testemunhar com gestos, ainda que simples, mas com total eficácia que, na verdade, Jesus Cristo está Ressuscitado e é o Autor e Senhor da Vida.

Crer na Palavra do Ressuscitado, e se tornar instrumento da ação divina em favor, de modo especial, dos que mais precisarem de nós, como sinais visíveis de Sua misericórdia.

Oremos: 

Exulte sempre o vosso Povo, Senhor, com a renovada juventude da alma, de modo que, alegrando-se agora por se ver restituído a glória da adoção divina, aguarde o dia da Ressurreição na esperança da felicidade eterna”.

Amém. Aleluia! Aleluia!

“Fica conosco, Senhor, suplicamos...”

                                          


“Fica conosco, Senhor, suplicamos...”
 
Na Liturgia das Horas, encontramos esta oração nas Vésperas, que nos remete ao Evangelho de Lucas (Lc 24, 13-35), que podemos repetir em cada entardecer, certos de que a noite cai lentamente, cede lugar ao anoitecer; como o sol poente cederá lugar à lua, em suas fases naturais:
 
“Ficai conosco, Senhor Jesus, porque a tarde cai e, sendo nosso companheiro na estrada, aquecei-nos os corações e reanimai nossa esperança, para Vos reconhecermos com os irmãos nas Escrituras e no partir do Pão. Vós, que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo”. (1)
 

Oremos:
 
Fica conosco, Senhor, e ao participarmos da Tua Mesa,  e na partilha do Pão da Eucaristia, reconheçamos Tua real presença, como os discípulos que Te reconheceram ao partir o Pão, e os olhos foram abertos.
 
Fica conosco, Senhor, e jamais nosso coração seja endurecido e tardio para entender o Mistério de Tua Paixão, Morte e Ressurreição; e que a Tua Palavra nos ilumine e faça arder nosso coração.

 
Fica conosco, Senhor, sobretudo para que solidifiquemos nossa amizade e intimidade contigo, de modo especialíssimo ao participarmos da Ceia da Eucaristia.

 
Fica conosco, Senhor, em todos os momentos, favoráveis ou adversos, obscuros ou luminosos, opacos ou radiantes de luz, alegres ou tristes, angustiados ou cheios de esperança.

 
Fica conosco, Senhor, fortaleça nossa fé, reanima nossa esperança e inflama nossos corações, na mais pura e desejável caridade para com o nosso próximo.

 
Fica conosco, Senhor, pois és nosso “companheiro na estrada”, companheiro de viagem, sobretudo quando passarmos por vales tenebrosos e montanhas de dificuldades.

 
Fica conosco, Senhor, na travessia de desertos áridos da existência, a fim de que vençamos as tentações (ter, poder e ser), porque, contigo, mais que vencedores o somos.

 
Fica conosco, Senhor, a Ti nos dirigimos confiantes, pois Tu vives e Reinas com o Teu Pai, na comunhão com o Espírito Santo, na mais perfeita comunhão de amor.  Amém. 

 

(1)   Oração das Vésperas- Liturgia das Horas (cf Lc 24,13-35)

O Senhor caminha conosco! Aleluia!

                                                                     

O Senhor caminha conosco! Aleluia!

Que a Boa Nova da Ressurreição de Jesus
seja nossa força na missão: A Ressurreição
de Jesus se descobre caminhando.

Uma reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 24,13-35), sobre a caminhada dos discípulos de Emaús.

Urge que descubramos Cristo vivo, que Se manifesta caminhando com os discípulos e com a humanidade.

Com Sua Palavra, medo, mágoas, tristezas, desânimo são superados, dando lugar à coragem, ao perdão, à alegria, à esperança.

Assim como Sua voz fez arder o coração dos discípulos de Emaús, enquanto lhes falava das Escrituras, também o nosso em cada Eucaristia que participamos e a Palavra de Deus ouvimos.

Do mesmo modo, nossos olhos se abrem ao partir e repartir o Pão, Corpo e Sangue do Senhor, como também o fez com os discípulos, ficando com eles naquele entardecer inesquecível, assim faz conosco em cada Banquete Eucarístico que participamos.

Contemplemos a presença de Cristo Vivo, Ressuscitado e Vitorioso, que caminha com a comunidade. Enche o coração dos discípulos de esperança, fazendo o mesmo arder, e Se dá a reconhecer na partilha do Pão.

Deus não intervém de forma espetacular, mas no caminhar, no comunicar Sua Palavra e no simples gesto do Partir do Pão (simples e com tons Eucarísticos).

Esta passagem é uma página verdadeiramente catequética, e não uma reportagem jornalística. O Evangelista quis levar a comunidade à acolhida da Palavra do Ressuscitado, para retomar o caminho com ardor missionário, nutridos pela presença do Ressuscitado, encontrada no Pão Eucarístico, na Ceia piedosa, consciente, ativa e frutuosamente celebrada, como a Igreja nos ensina ao longo dos tempos.

É preciso passar do contexto do fracasso, do desencanto, da frustração para uma nova postura: alegres e corajosos discípulos missionários que encontram e sentem a presença do Ressuscitado caminhando. A fé não permite que haja recuos, desistência da Novidade do Reino por Jesus inaugurado.

O Evangelista dirige sua mensagem à comunidade dos que creem e caminham; pelas dificuldades, desanimados e sem rumo, para que não deixem morrer os sonhos que parecem diluir e desmoronar, diante da realidade monótona, ou hostil, com suas provações e adversidades.

Quando se sente a presença de Jesus, que Se faz companheiro, que caminha junto, que conhece nossas alegrias e tristezas, angústias e esperanças, sentimos que não estamos sós, que Alguém, ainda que não vejamos, conosco caminha, e esta presença se dá desde que Ele nos comunicou, com o Seu Divino Sopro, o Espírito, e nos enviou como Suas testemunhas: ”Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!” (Mc 16,15).

Coloquemo-nos a caminho, com a convicção de que Jesus caminha conosco, ao nosso lado, para que superemos crises, fracassos, desalentos, desânimos.

Reflitamos:

- Qual o lugar da Palavra de Deus em nossa vida?
- Arde nosso coração quando lemos, proclamamos, refletimos, pregamos a Palavra de Deus, sobretudo nas Missas que participamos?

- Nossos olhos se abrem na Partilha do Pão e reconhecemos a presença do Ressuscitado?
- Repetimos este gesto de amor e partilha, com nossos irmãos, no cotidiano?

- Voltar para Emaús e desistir ou voltar para “Jerusalém” e, com coragem, proclamar a Boa Nova da Ressurreição?

- Em nossas Missas, sentimos o que aconteceu com os discípulos de Emaús: arde nosso coração e se abrem nossos olhos?

- Cléofas e outro caminhavam de volta, desanimados, tristes, derrotados. Também já nos sentimos assim na caminhada da comunidade?

Vemos, portanto, que a história dos discípulos de Emaús é a nossa história de cada dia:

“Os nossos olhos fechados que não reconhecem o Ressuscitado... os nossos corações que duvidam, fechados na tristeza... os nossos velhos sonhos vividos com decepção... o nosso caminho, talvez, afastando-se do Ressuscitado...

N’Ele, durante este tempo, ajustemos o Seu passo ao nosso para caminhar junto de nós no caminho da vida.  Há urgência em abrir os nossos olhos para reconhecer a Sua Presença e a Sua ação no coração do mundo e para levar a Boa Notícia: Deus Ressuscitou Jesus! Eis a nossa fé! (1)

Renovemos a alegria de caminhar com Jesus, e também, a alegria de ser discípulo missionário, cujo coração arde pelo fogo da Palavra proclamada, acolhida, crida e vivida; cujos olhos se abrem e reconhecem Jesus no partir do Pão, um gesto tão simples, tão belo, tão divino, que há de se repetir em outros tantos gestos de amor e partilha no cotidiano a fim de que todos tenhamos vida plena, abundante.

A Ressurreição de Jesus se descobre caminhando, e esta é força na missão, a Boa Nova que nos dá coragem para avançarmos para as águas mais profundas, em plena confiança na Palavra de Deus.

Em cada Missa que participarmos, ouçamos Deus que nos fala ao coração, e que nos abre os olhos para que O reconheçamos.

Urge que o desalento, o desânimo, a frustração, o fracasso e a derrota cedam lugar à fidelidade, à esperança, à coragem, aos sonhos, à alegria. Tudo isto é possível quando o Amor de Deus é derramado em nossos corações por meio do Cristo Ressuscitado e a presença do Seu Espírito. 

Aleluia! Aleluia! Aleluia!

O Senhor Ressuscitado caminha conosco

                                                                  

O Senhor Ressuscitado caminha conosco

Que a Boa Nova da Ressurreição de Jesus
seja nossa força na missão: A Ressurreição
de Jesus se descobre caminhando.

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 24,13-35) sobre a caminhada dos discípulos de Emaús, que descobrem a presença do Cristo Ressuscitado caminhando com eles e com a humanidade.

Quando ouvimos, acolhemos e cremos na Palavra do Cristo Ressuscitado, o medo, mágoas, tristezas, desânimo são superados, e dão lugar à coragem, ao perdão, à alegria, à esperança.

Assim como Sua voz fez arder o coração dos discípulos de Emaús, enquanto lhes falava das Escrituras, também o nosso em cada Eucaristia que participamos e a Palavra de Deus ouvimos.

Do mesmo modo, nossos olhos se abrem ao partir e repartir o Pão, Corpo e Sangue do Senhor, como também o fez com os discípulos, ficando com eles naquele entardecer inesquecível, assim faz conosco em cada Banquete Eucarístico que participamos.

Contemplemos a presença de Cristo Vivo, Ressuscitado e Vitorioso, que caminha com a comunidade. Enche o coração dos discípulos de esperança, fazendo o mesmo arder, e Se dá a reconhecer na partilha do Pão.

Deus não intervém de forma espetacular, mas no caminhar, no comunicar Sua Palavra e no simples gesto do Partir do Pão (simples e com tons Eucarísticos).

Esta passagem é uma página verdadeiramente catequética, e não uma reportagem jornalística. O Evangelista quis levar a comunidade à acolhida da Palavra do Ressuscitado, para retomar o caminho com ardor missionário, nutridos pela presença do Ressuscitado, encontrada no Pão Eucarístico, na Ceia piedosa, consciente, ativa e frutuosamente celebrada, como a Igreja nos ensina ao longo dos tempos.

É preciso passar do contexto do fracasso, do desencanto, da frustração para uma nova postura: alegres e corajosos discípulos missionários que encontram e sentem a presença do Ressuscitado caminhando. A fé não permite que haja recuos, desistência da Novidade do Reino por Jesus inaugurado.

O Evangelista dirige sua mensagem à comunidade dos que creem e caminham; pelas dificuldades, desanimados e sem rumo, para que não deixem morrer os sonhos que parecem diluir e desmoronar, diante da realidade monótona, ou hostil, com suas provações e adversidades.

Quando se sente a presença de Jesus, que Se faz companheiro, que caminha junto, que conhece nossas alegrias e tristezas, angústias e esperanças, sentimos que não estamos sós, que Alguém, ainda que não vejamos, conosco caminha, e esta presença se dá desde que Ele nos comunicou, com o Seu Divino Sopro, o Espírito, e nos enviou como Suas testemunhas: ”Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!” (Mc 16,15).

É preciso sempre pôr-se a caminho, com a convicção de que Jesus caminha conosco, ao nosso lado, para que superemos crises, fracassos, desalentos, desânimos.

Reflitamos:

- Qual o lugar da Palavra de Deus em nossa vida?
- Quando lemos, proclamamos, refletimos, pregamos a Palavra de Deus, sobretudo nas Missas que participamos sentimos também nosso coração arder?

- Nossos olhos se abrem na Partilha do Pão e reconhecemos a presença do Ressuscitado?
- Repetimos este gesto de amor e partilha, com nossos irmãos, no cotidiano?

- Voltar para Emaús e desistir ou voltar para “Jerusalém” e, com coragem, proclamar a Boa Nova da Ressurreição?

- Ao participarmos das Missas, sentimos como os discípulos de Emaús: o arder do coração e a abertura dos olhos reconhecendo Sua Divina presença?

- Cléofas e outro caminhavam de volta, desanimados, tristes, derrotados. Também já nos sentimos assim na caminhada da comunidade?

Concluindo, vemos que a história dos discípulos de Emaús é a nossa história de cada dia:

“Os nossos olhos fechados que não reconhecem o Ressuscitado... os nossos corações que duvidam, fechados na tristeza... os nossos velhos sonhos vividos com decepção... o nosso caminho, talvez, afastando-se do Ressuscitado...

N’Ele, durante este tempo, ajustemos o Seu passo ao nosso para caminhar junto de nós no caminho da vida.  Há urgência em abrir os nossos olhos para reconhecer a Sua Presença e a Sua ação no coração do mundo e para levar a Boa Notícia: Deus Ressuscitou Jesus! Eis a nossa fé! (1)

Renovemos a alegria de caminhar com Jesus, e também, a alegria de ser discípulo missionário, cujo coração arde pelo fogo da Palavra proclamada, acolhida, crida e vivida; cujos olhos se abrem e reconhecem Jesus no partir do Pão, um gesto tão simples, tão belo, tão divino, que há de se repetir em outros tantos gestos de amor e partilha no cotidiano a fim de que todos tenhamos vida plena, abundante.

Seja de fato, Boa Nova da Ressurreição de Jesus, força na missão, e Sua Ressurreição de Jesus se descobre caminhando.

Em cada Missa que participarmos, ouçamos Deus que nos fala ao coração, e que nos abre os olhos para que O reconheçamos.

É sempre oportuno reafirmar: o desalento, o desânimo, a frustração, o fracasso e a derrota tem que ceder lugar à fidelidade, à esperança, à coragem, aos sonhos, à alegria.

Tudo isto é possível, pois o Amor de Deus foi derramado em nossos corações por meio do Cristo Ressuscitado e da presença do Seu Espírito. 

Amém. Aleluia! Aleluia!



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