segunda-feira, 6 de abril de 2026

Rezando com os Salmos - Salmo 20 (21)

 


Com o Senhor Jesus, mais que vencedores

“–1 Do mestre de canto. Salmo. De Davi.

–2 Ó Senhor, em Vossa força o rei se alegra;
quanto exulta de alegria em Vosso auxílio!
–3 O que sonhou seu coração, lhe concedestes;
não recusastes os pedidos de seus lábios.

–4 Com bênção generosa o preparastes;
de ouro puro coroastes sua fronte.
–5 A vida ele pediu e Vós lhe destes
longos dias, vida longa pelos séculos.

–6 É grande a sua glória em Vosso auxílio;
de esplendor e majestade o revestistes.
–7 Transformastes o seu nome numa bênção,
e o cobristes de alegria em Vossa face.

–8 Por isso o rei confia no Senhor,
e por seu amor fiel não cairá.

–9 Que Vossa mão alcance os Vossos inimigos
e Vossa destra esmague os Vossos adversários.
–10 Colocai-os na fornalha abrasadora,
quando o fulgor de Vossa face aparecer.

– Queimai-os, ó Senhor, em Vossa ira,
devorai-os como a chama da fogueira.
–11 Da terra extirpai a sua prole
e a sua descendência dentre os homens.

–12 Pois contra Vós tramam o mal, armam ciladas,
mas nada obterão com suas tramas.
–13 Porque Vós os obrigais a pôr-se em fuga
com Vosso arco, apontando suas faces.

–14 Levantai-vos com poder, ó Senhor Deus,
e cantaremos celebrando a Vossa força!”

O Salmo 20(21) é uma Ação de Graças pela vitória do Rei:

“O povo reza agradecido pela vitória do rei, cuja força e poder são dons de Deus. Assim, as vitórias do rei são vitórias de Deus. O rei não poderá usar essa força para oprimir o povo ou implantar projetos pessoais. Ele é instrumento de Deus na construção de uma sociedade justa e fraterna. A vitória do rei é a vitória do povo.” (1)

Este Salmo o rezamos com seus acenos messiânicos e escatológicos, de modo que, ao rezá-lo, glorificamos a Jesus Cristo, o Rei e Senhor do Universo, pois como afirma Santo Irineu, o Cristo ressuscitado recebeu a vida para sempre.

Ao glorificarmos o Senhor, renovemos a alegria de sermos Seus discípulos missionários, e com Ele mais que vencedores, como nos falou o Apóstolo Paulo:

“Mas em todas essas coisas, somos bem mais que vencedores, graças Àquele que nos amou. 

Pois estou convencido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes, nem a altura, nem a profundeza, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do Amor de Deus, manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor” (cf. Rm 8,37-39).

 

 

(1) Nota da Bíblia Edição Pastoral – Editora Paulus

Rezando com os Salmos - Sl 77(78)

 


A irrevogável bondade divina e as nossas infidelidades


–1 Escuta, ó meu povo, a minha Lei,
ouve atento as palavras que eu te digo;
–2 abrirei a minha boca em parábolas,
os mistérios do passado lembrarei. 

–3 Tudo aquilo que ouvimos e aprendemos,
e transmitiram para nós os nossos pais,
–4 não haveremos de ocultar a nossos filhos,
mas à nova geração nós contaremos: 

– As grandezas do Senhor e Seu poder,
as maravilhas que por nós realizou;
–5 um preceito em Jacó Ele ordenou,
uma lei instituiu em Israel.

– Ele havia ordenado a nossos pais
que ensinassem estas coisas a Seus filhos,
–6 para que a nova geração as conhecesse
e os filhos que haveriam de nascer. 

– Levantem-se e as contem a seus filhos,
7 para que ponham no Senhor sua esperança;
– das obras do Senhor não se esqueçam,
e observem fielmente os seus preceitos. 

–8 Nem se tornem, a exemplo de seus pais,
rebelde e obstinada geração,
– uma raça de inconstante coração,
infiel ao Senhor Deus, em seu espírito. 

–9 Os filhos de Efraim, hábeis no arco,
no dia do combate debandaram;
–10 não guardaram a Aliança do Senhor,
recusaram-se a andar na sua Lei. 

–11 Esqueceram os seus feitos gloriosos
e os prodígios que outrora lhes mostrara;
–12 na presença de seus pais fez maravilhas,
no lugar chamado Tânis, lá no Egito. 

–13 Rasgou o mar e os conduziu através dele,
levantando as Suas águas como um dique;
–14 durante o dia orientou-os pela nuvem,
e de noite por um fogo esplendoroso. 

–15 Rochedos no deserto Ele partiu
e lhes deu para beber águas correntes;
–16 fez brotar água abundante do rochedo,
e a fez correr como torrente no deserto.

–17 Mas pecaram contra Ele sempre mais,
provocaram no deserto o Deus Altíssimo;
–18 e tentaram o Senhor nos corações,
exigindo alimento à sua gula. 

–19 Falavam contra Deus e assim diziam:
‘Pode o Senhor servir a mesa no deserto?’
–20 Eis que fere os rochedos num momento
e faz as águas transbordarem em torrentes.
– “Mas será também capaz de dar-nos pão,
e a Seu povo poderá prover de carne?”

=21 A tais palavras, o Senhor ficou irado,
uma fogueira se ateou contra Jacó,
e Sua ira se acendeu contra Israel;
–22 porque não creram no Senhor Deus de Israel,
nem tiveram confiança em sua ajuda.

–23 Ordenou, então, às nuvens lá dos céus,
e as comportas das alturas fez abrir;
–24 fez chover-lhes o maná e alimentou-os,
e lhes deu para comer o pão do céu.

–25 O homem se nutriu do pão dos anjos,
e mandou-lhes alimento em abundância;
–26 fez soprar o vento leste pelos céus
e fez vir, por seu poder, o vento sul. 

–27 Fez chover carne para eles como pó,
choveram aves como areia do oceano;
–28 elas caíram sobre os seus acampamentos
e pousaram ao redor de suas tendas. 

–29 Eles comeram e beberam à vontade;
o Senhor satisfizera os seus desejos.
–30 Mal, porém, se tinham eles saciado,
e a comida ainda estava em suas bocas,

=31 inflamou-se a sua ira contra eles
e matou os mais robustos entre o povo,
abatendo a fina flor de Israel.

–32 Com tudo isso, eles pecaram novamente,
não deram fé às maravilhas do Senhor.
–33 Foram seus dias consumidos como um sopro,
e seus anos bem depressa se encurtaram. 

–34 Quando os feria, eles então o procuravam,
convertiam-se correndo para Ele;
–35 recordavam que o Senhor é sua rocha
e que Deus, seu Redentor, é o Deus Altíssimo. 

–36 Mas apenas o honravam com seus lábios
e mentiam ao Senhor com suas línguas;
–37 seus corações enganadores eram falsos
e, infiéis, eles rompiam a Aliança. 

–38 Mas o Senhor, sempre benigno e compassivo,
não os matava e perdoava seu pecado;
– quantas vezes dominou a sua ira
e não deu largas à vazão de seu furor.
–39 Recordava-se que eles eram carne,
sopro que passa e jamais torna a voltar. 

–40 Quantas vezes o tentaram no deserto
e provocaram Seu furor na solidão!
–41 Eles tentavam o Senhor sempre de novo,
e irritavam o Deus Santo de Israel;
–42 não se lembravam do poder de Sua mão
nem do dia em que os livrou do opressor; 

–43 quando fez tantos milagres no Egito,
Seus prodígios no lugar chamado Tânis;
–44 em sangue fez mudarem os seus rios,
para que deles não pudessem mais beber. 

–45 Mandou-lhes moscas com o fim de devorá-los,
e também rãs que infestaram toda a terra;
–46 pragas vorazes devoraram suas colheitas,
e gafanhotos, o produto de seus campos. 

–47 Arrasou as suas vinhas com granizo
e com geada destruiu suas figueiras;
–48 a saraiva acabou com o seu gado
e a peste exterminou o seu rebanho. 

–49 Descarregou todo o ardor de Sua ira,
a angústia e o terror em cima deles;
– com multidões de mensageiros da desgraça,
50 deu livre curso à vazão de Seu furor. 

– Da morte não poupou as suas almas,
e à peste entregou as suas vidas;
–51 feriu os primogênitos do Egito,
as primícias dos varões de suas tendas.

–52 Fez sair seu povo eleito como ovelhas,
conduziu-os qual rebanho no deserto;
–53 Ele os guiou com segurança e sem temor,
mas encobriu seus inimigos com o mar. 

–54 Conduziu-os para a Terra Prometida,
para o Monte que seu braço conquistou;
–55 expulsou diante deles outros povos
e repartiu-lhes suas terras como herança. 

– Nas tendas de outros povos fez morar
todas as tribos e as famílias de Israel.
–56 Mesmo assim, eles tentaram o Altíssimo,
recusando-se a guardar os seus preceitos.

–57 Como seus pais, se transviaram, e o traíram
como um arco enganador que volta atrás;
–58 irritaram-no com seus lugares altos,
provocaram-lhe o ciúme com seus ídolos. 

–59 Deus ouviu e enfureceu-se contra eles,
e repeliu com violência a Israel;
–60 abandonou o tabernáculo de Silo
e a tenda em que morava em meio aos homens. 

–61 Entregou a Sua arca ao cativeiro,
e às mãos do inimigo a sua glória;
–62 fez perecer seu povo eleito pela espada,
e contra a sua herança enfureceu-se. 

–63 O fogo devorou seus filhos jovens,
as suas virgens não puderam mais casar;
–64 seus sacerdotes pereceram pela espada,
suas viúvas não puderam mais chorar.

–65 Mas o Senhor se despertou, como de um sono,
como um guerreiro dominado pelo vinho;
–66 feriu seus inimigos pelas costas
e entregou-os à vergonha sempiterna. 

–67 Rejeitou então a tenda de José,
e a tribo de Efraim não escolheu;
–68 preferiu, porém, a tribo de Judá
e o monte de Sião que sempre amou. 

–69 E construiu seu santuário como um céu,
como a terra que firmou eternamente.
–70 A Davi, seu servidor, Ele escolheu
e tirou-o do aprisco das ovelhas; 

=71 ovelhas e cordeiros fez deixar,
para seu povo de Jacó pastorear,
e a Israel que escolheu por sua herança;
–72 com reto coração apascentou-os
e com mão habilidosa os conduziu.”

Com o Salmo 77(78) refletimos e rezamos sobre a infinita e indizível bondade de Deus e a infidelidade do Seu povo ao longo da história da Salvação:

“Salmo histórico-didático. O sábio deve revelar o que se esconde na memória (v.2), para que o povo agradeça a Deus o bem que fez e não repita os erros e a ingratidão de seus pais. Da memória do passado, o salmista tira sobretudo a lição da confiança em Deus. A recordação do passado termina na eleição de Davi, início de um futuro ‘messiânico’”. (1)

O Apóstolo Paulo na Primeira Carta aos Coríntios afirma:

“Esses acontecimentos se tornaram exemplos pra nós, a fim de não desejarmos coisas más, como eles desejaram.” (1 Cor 10,6).

Oportuno que retomemos na íntegra a passagem (1 Cor 10,1-13).

Deste modo, é sempre tempo de contemplarmos a onipotência da misericórdia divina, e fazer uma necessária revisão das páginas de nossa história, para que melhor correspondamos ao Projeto de Vida que Ele tem para nós, superando toda e qualquer forma de infidelidade, porque traz consigo amargos frutos não queridos por Ele para toda a humanidade. 

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – pág. 791

 

Pássaro solitário

                                   

Pássaro solitário

“Espere no Senhor. Seja forte! Coragem!
Espere no Senhor.”
(Sl 27,14)

Como que sem vontade de voar,
Olhar fixo no horizonte do nada,
Por algum tempo, um pássaro ali parado.
E meu olhar fixo nele, à distância

Não queria que ele voasse.
Não por mais um instante.
Aquela solidão, um céu cinza de fundo,
Reportam à solidão de muitos,

Que também fixam o olhar
No horizonte do nada,
Sem mais esperança alguma:
Por que resistir? Melhor se entregar...

A solidão e o pássaro imóvel,
Um breve instante que soou como uma eternidade.
Assim, por vezes, alguém pode se sentir.
Mas é preciso bater asas,

Crer que o céu para sempre cinza, não ficará.
Mais cedo ou mais tarde, voltará o azul,
E também os voos em busca do melhor.
Forças revigoradas, asas bater, voar...

O pássaro e o cinza do céu,
Cenário do cotidiano que me fez pensar:
Se preciso, pousar e silenciar,
Ainda que por um instante.

Se dos olhos tristes lágrimas verterem,
Que não seja expressão de esforços em vão;
De ações multiplicadas inúteis e desgastantes.

O cinza do céu, apenas uma passagem,
Que na vida de todos presente pode estar,
Mas não para sempre, assim cremos.

Viver sem perder a fé e a esperança,
virtudes que se cultivam no coração,
de mãos dadas com a virtude maior:

O amor necessariamente renovado,
Novos céus há que se esperar e buscar...

A solidão e a aparente tristeza do pássaro,
O cinza do céu, o silêncio
O recolhimento, a oração...

Voemos nas asas do Espírito,
Que renova nossas forças,
Comunica graça e paz,

E derrama, copiosamente, o amor divino;
para voos mais altos e para o eterno,
Haveremos de, incansavelmente, buscar.

Amém. Aleluia! Aleluia!

“Jesus Cristo: Jardineiro do Pai”

                                                        

“Jesus Cristo: Jardineiro do Pai”

Na segunda-feira na oitava da Páscoa, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 28,8-15), que nos apresenta a aparição do Ressuscitado a Maria Madalena, a “Apóstola dos Apóstolos”, como nos falou o Presbítero e Doutor da Igreja, Santo Tomás de Aquino (séc. XIII).

Maria Madalena, num primeiro momento, não reconhece a presença de Jesus Cristo Ressuscitado, até mesmo O confundindo com um jardineiro.

Sobre esta identificação, sejamos enriquecidos por este pequeno comentário:

“Essa imagem é carregada de simbolismo. Jesus é, de fato, o jardineiro do Pai. Como vemos no Livro do Gênesis, o mundo foi criado à imagem e semelhança de um jardim, o Jardim do Éden.

Ali foi colocado o ser humano, na figura de Adão e Eva, para cuidar desse jardim e nele viver bem e felizes.

Adão seria, portanto, o jardineiro de Deus. Porém, pela sua ambição (desejo de ser Deus), o jardim foi destruído.

Deus, no entanto, envia Seu Filho para recuperar a imagem e a dignidade desse jardim maltratado.

Jesus (o novo Adão) veio para a originalidade da criação, para que todos pudessem ter vida e a ter em plenitude (Jo 10,10).

Mais uma vez a humanidade não entendeu o projeto do Pai e quis eliminar Aquele que veio para resgatar o jardim, o Paraíso. Porém, dessa vez, o bem venceu o mal.

A Ressurreição de Jesus, jardineiro do Pai, é a prova cabal dessa história...” (1)

Eis a missão para quem crê no Cristo Ressuscitado: como jardineiros do Criador, também somos chamados a restaurar o jardim de Deus, o Paraíso não como uma estéril lembrança, mas compromisso sagrado que nos impulsiona com a Boa Nova do Reino.

Deste modo, temos que ver de que modo estamos fazendo florescer o jardim que Deus nos confiou:

- Quais as sementes que estamos lançando nos corações daqueles
que a Igreja nos confia, como discípulos Missionários do Senhor?

- Quem são aqueles que dão a vida e se comprometem para que o Paraíso querido por Deus para todos nós, não seja saudade, mas compromisso e esperança?

- Numa perspectiva de Ecologia Integral, quais atitudes que precisam ser repensadas para que nossa Casa Comum seja cuidada e preservada?

Vivemos um tempo favorável de reflexão e avaliação de nossas ambições desmedidas, por vezes de braços dados com o delírio da onipotência.

Ainda hoje o Senhor continua nos chamando pelo nome, como assim o fez com Maria Madalena, e nos chama para o testemunho de Sua vitória sobre a morte; para que anunciemos ao mundo a Boa Nova de Sua Ressurreição.

Crer na Vida Nova do Ressuscitado é se tornar alegre discípulo missionário; verdadeiramente comprometido com a construção do Paraíso, na busca de um novo céu e uma nova terra, como nos fala o autor do Livro do Apocalipse:

“Depois vi um novo céu e uma nova terra. O primeiro céu e a primeira terra tinham desaparecido e o mar já não existia mais. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus. Ela estava vestida como uma noiva enfeitada para o seu marido. Então ouvi uma voz forte que vinha do trono, dizendo:

Agora, a morada de Deus vai ser com os homens. Deus habitará com eles e eles serão povos de Deus. Então, o próprio Deus estará com eles e Ele lhes será por Deus. Deus enxugará todas as lágrimas de seus olhos e a morte já não existirá mais. Não haverá mais luto, nem choro e nem dor, porque as coisas velhas já passaram”. (Ap 21,1-4)

(1) Liturgia da Palavra I – Reflexões para os dias da Semana – 2014 – Editora Paulus – p.85

“Creio em Vós, Jesus, o Cristo”

                                                          


“Creio em Vós, Jesus, o Cristo”

Na Liturgia das Horas, da Segunda-feira da oitava da Páscoa, nos é apresentada, para Oração, a Homilia sobre a Páscoa, do Bispo de Sardes, Melitão (Séc. II).

“Prestai atenção, caríssimos: o Mistério Pascal é ao mesmo tempo novo e antigo, eterno e transitório, corruptível e incorruptível, mortal e imortal.

É Mistério antigo segundo a Lei, novo segundo a Palavra que se fez carne; transitório pela figura, eterno pela graça; corruptível pela imolação do Cordeiro, incorruptível pela vida do Senhor; mortal pela Sua sepultura na terra, imortal pela Sua Ressurreição dentre os mortos. 

A Lei, na verdade, é antiga, mas a Palavra é nova; a figura é transitória, mas a graça é eterna; o Cordeiro é corruptível, mas o Senhor é incorruptível, Ele que, imolado como Cordeiro, Ressuscitou como Deus. 

Na verdade, era como ovelha levada ao matadouro, e, contudo, não era ovelha; era como cordeiro silencioso (Is 53,7), e, no entanto, não era cordeiro. Porque a figura passou e apareceu a realidade perfeita: em lugar de um cordeiro, Deus; em vez de uma ovelha, o homem; no homem, porém, apareceu Cristo que tudo contém. 

Por conseguinte, a imolação da ovelha, a celebração da Páscoa e a escritura da Lei tiveram a sua perfeita realização em Jesus Cristo; pois tudo o que acontecia na antiga Lei se referia a Ele, e mais ainda na nova ordem, tudo converge para Ele. 

Com efeito, a Lei fez-se Palavra e, de antiga, tornou-se nova (ambas oriundas de Sião e de Jerusalém); o preceito deu lugar à graça, a figura transformou-se em realidade, o cordeiro em Filho, a ovelha em homem e o homem em Deus.

O Senhor, sendo Deus, fez-Se homem e sofreu por aquele que sofria; foi encarcerado em lugar do prisioneiro, condenado em vez do criminoso e sepultado em vez do que jazia no sepulcro; Ressuscitou dentre os mortos e clamou com voz poderosa:

“Quem é que me condena? Que de mim se aproxime (Is 50,8). Eu libertei o condenado, dei vida ao morto, ressuscitei o que estava sepultado.

Quem pode me contradizer? Eu sou Cristo, diz Ele, que destruí a morte, triunfei do inimigo, calquei aos pés o inferno, prendi o violento e arrebatei o homem para as alturas dos céus. Eu, diz Ele, sou Cristo.

Vinde, pois, todas as nações da terra oprimidas pelo pecado e recebei o perdão. Eu sou o vosso perdão, vossa Páscoa da salvação, o Cordeiro por vós imolado, a Água que vos purifica, a vossa vida, a vossa Ressurreição, a vossa Luz, a vossa Salvação, o vosso Rei.

Eu vos conduzirei para as alturas, vos ressuscitarei e vos mostrarei o Pai que está nos céus; eu vos levantarei com a minha mão direita”.

Contemplemos a ação de Cristo, a quem tributamos toda honra, glória, poder e louvor.

Nos dois últimos parágrafos, o próprio Senhor fala a cada um de nós. E, é exatamente assim que sentimos e cremos, é como vivenciamos nestes dias da Semana Santa, culminando com o Domingo da Páscoa:

Celebrando, sentimos a presença de Cristo, que viveu o ápice da agonia da alma no Getsêmani e a agonia do corpo ao longo da flagelação, culminando com a crudelíssima Morte na Cruz que nos redimiu.

Concluo com uma pequena profissão de fé:

 Creio em Vós, Jesus, o Cristo que destruiu a morte,
triunfou do inimigo,

Calcou aos pés o inferno, prendeu o violento e
nos elevou  para as alturas dos céus.

De Vós recebemos o perdão, 
porque sois a nossa Páscoa da Salvação,
o Cordeiro por nós imolado, Sangue derramado que nos redime,
e que Se tornou para nós Verdadeira Bebida e
Alimento de Eternidade, na Eucaristia.

Vós sois a Água que nos purifica.
Em Vós somos banhados e renovados.

Vós sois a nossa Vida, Ressurreição, Luz,
Salvação, Rei e Redentor.

Conduzi-nos, Senhor, sempre para as alturas.
Ressuscitai-nos! Mostrai-nos o Pai que está nos céus.

Levantai-nos com a Vossa mão direita.
Enviai-nos, do Pai, o Vosso Espírito.
Amém! 
Aleluia! Aleluia!

Creio no Senhor Ressuscitado

                                                             

Creio no Senhor Ressuscitado

Creio em Vós, Jesus, o Cristo que destruistes a morte,
triunfastes do inimigo,

Calcastes aos pés o inferno, prendestes o violento e
nos elevastes  às alturas dos céus.

De Vós recebemos o perdão,
porque sois a nossa Páscoa da Salvação,
o Cordeiro por nós imolado, 
Sangue derramado que nos redime,
e que Vos tornastes para nós Verdadeira Bebida 
Alimento de Eternidade, na Eucaristia.

Vós sois a Água que nos purifica.
Em Vós somos banhados e renovados.

Vós sois a nossa Vida, Ressurreição, Luz,
Salvação, Rei e Redentor.

Conduzi-nos, Senhor, sempre para as alturas.
Ressuscitai-nos! 
Mostrai-nos o Pai que está nos céus.
Levantai-nos com a Vossa mão direita.
Enviai-nos, do Pai, o Vosso Espírito.

Amém! Aleluia! Aleluia!


Fonte de inspiração: Homilia sobre a Páscoa, do Bispo de Sardes, Melitão (Séc. II)

Parábolas do cotidiano

                                                            


Parábolas do cotidiano

Uma história que traz uma mensagem essencial, sobretudo para os tempos em que vivemos.

“Há muito tempo, a Verdade, a Mentira, o Fogo e a Água estavam viajando e chegaram a um rebanho de gado. Discutiram o assunto e chegaram à conclusão de que seria melhor dividir o rebanho em quatro partes iguais para que cada um pudesse levar consigo uma quantidade igual de animais.

Mas a Mentira era gananciosa e arquitetou um plano para ficar com uma parte maior.

- Ouça o meu conselho - sussurrou ela, puxando a Água para um canto. - O Fogo está planejando queimar toda a relva e as árvores das suas margens para conduzir seu gado pelas planícies e ficar com os animais para si. Se eu fosse você, acabaria com ele logo agora, e assim repartiríamos a parte dele entre nós.

A Água foi tola o suficiente para acatar o conselho da Mentira e lançou-se sobre o Fogo, apagando-o.

E a Mentira dirigiu-se em seguida para a Verdade, sussurrando-lhe:

- Veja só o que fez a Água! Acabou com o Fogo para ficar com o gado dele. Não deveríamos associar-nos a alguém assim. Deveríamos pegar todo o gado e partir para as montanhas.

A Verdade acreditou nas palavras da Mentira e concordou com seu plano. E, juntas, levaram o gado para as montanhas.

- Esperem por mim - disse a Água, correndo no seu encalço, mas é claro que não conseguiu correr morro acima. E foi deixada para trás, no vale.

Ao chegarem no topo da montanha mais alta, a Mentira virou-se para a Verdade e pôs-se a rir.

- Consegui enganá-la, sua idiota! - disse ela, soltando uma risada estridente. - Agora você vai me dar todo o gado e será minha escrava, ou eu a destruirei.

- Ora essa! Você me enganou - admitiu a Verdade. - Mas eu jamais serei sua escrava.

E as duas brigaram; e enquanto se batiam, os trovões ecoavam pelas montanhas. As duas se agrediram como o quê, mas nenhuma conseguiu destruir a outra.

Acabaram decidindo chamar o Vento para decidir quem seria a vencedora da disputa. E o Vento subiu a montanha a toda velocidade, e escutou o que ambas tinham a dizer. E por fim falou:

- Não me cabe apontar a vencedora. A Verdade e a Mentira estão fadadas à disputa. Às vezes, a Verdade ganhará; outras vezes a Mentira prevalecerá; neste caso, a Verdade deverá se erguer e tornar a lutar. Até o fim do mundo, a Verdade deverá combater a Mentira e jamais buscar o descanso ou baixar a guarda; caso contrário, será aniquilada para sempre.

Assim é que a Verdade e a Mentira continuam lutando até hoje”.

De fato, a Verdade e a Mentira continuam lutando até hoje, e esta luta ganhou dimensões imensuráveis no mundo digital, haja vista toda problemática de “Fake News”, com seus promotores e vítimas incontáveis.

Quanto sofrimento, perdas, amizades destruídas, e injustiças realizadas, e a morte em sua expressão máxima: morte de indivíduos, mas também a morte de nossa Casa Comum.

Também em nossos relacionamentos este duelo se faz presente, na família, na comunidade eclesial que participamos, ou qualquer outra forma de comunidade, e mesmo no emaranhado dos pensamentos e atitudes de cada pessoa.

Vigilantes sejamos, para não sermos envolvidos pelas tramas diabólicas da mentira, cujo pai é “Satanás”, como lemos na passagem do Evangelho (Jo 8,44):

“Vós sois do diabo, vosso pai, e quereis realizar os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque nele não há verdade: quando ele mente, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira”.

 

(1)  O Livro das Virtudes - William J. Bennett - Editora Nova Fronteira

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