sábado, 14 de março de 2026

Em poucas palavras...

                                                


"A oração é a elevação da alma para Deus...”

“«A oração é a elevação da alma para Deus ou o pedido feito a Deus de bens convenientes» (São João Damasceno). 

De onde é que falamos, ao orar? Das alturas do nosso orgulho e da nossa vontade própria, ou das «profundezas» (Sl 130, 1) dum coração humilde e contrito?

Aquele que se humilha é que é elevado (Lc 18,9-14). A humildade é o fundamento da oração. «Não sabemos o que havemos de pedir para rezarmos como deve ser» (Rm 8, 26). A humildade é a disposição necessária para receber gratuitamente o dom da oração: o homem é um mendigo de Deus (Santo Agostinho)” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo 2559

Em poucas palavras...

                                           


Três parábolas sobre a oração

São Lucas transmite-nos três parábolas principais sobre a oração.

A primeira, a do «amigo importuno» (Lc 11,5-13), convida-nos a uma oração persistente: «Batei, e a porta abrir-se-vos-á». Aquele que assim ora, o Pai celeste «dará tudo quanto necessitar» e dará, sobretudo, o Espírito Santo, que encerra todos os dons.

A segunda, a da «viúva importuna» (Lc 18,1-8), está centrada numa das qualidades da oração: é preciso orar sem se cansar, com a paciência da fé. «Mas o Filho do Homem, quando voltar, achará porventura fé sobre a terra?».

A terceira, a do «fariseu e do publicano» (Lc 18,9-14), diz respeito à humildade do coração orante. «Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador». A Igreja não cessa de fazer sua esta oração: «Kyrie, eleison!».”

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2613

Amo poesia...

                                                  


Amo poesia...
 
Amo poesia,
Dela, me alimento...
Minha alma tem fome de algo que a alcance e a envolva,
Palavras que tragam nelas e entre elas, no vácuo das mesmas,
E para além delas próprias, algo que não se lê,
A não ser por um coração que ama e crê.
 
A vida sem poesia é como um dia sem luz,
Verão sem o calor e a prosa de um fim de dia;
Primavera sem flores, antecedida por um outono que prepara sua Chegada aceitando perder suas flores e folhas;
E mais ainda, precedida pelo frio do inverno,
Aquecido pelo cobertor ou por um gesto puro e fraterno de amor...
 
Assim como o alimento está para o corpo,
A poesia está para a alma.
Leva ao inebriamento às vezes indizível,
Possibilita o retorno do sonho,
Renova esperança no recôndito mais profundo da alma,
Assim como incendeia o coração com a chama da caridade.
 
A poesia que contemplo da veia dos Profetas bíblicos,
Que contemplo no olhar poético do Verbo
Ao se referir aos lírios dos campos;
Ao nosso valor maior que os pardais,
Às sementes que crescem silenciosamente;
Às plantas com seus frutos, precedidos das podas;
À pureza das crianças para entrarmos nos céus...
 
Aquela que me faz pensar, rever caminhos;
Renovar sagrados compromissos;
Reinventar o que precisa ser superado;
Reorientar passos, bem como firmá-los;
Abrir janelas quando portas se fecharem,
Quando a utopia parecer insólita;
E quando situações parecerem inóspitas...
 
Poesia que entranha no mais profundo do meu coração;
Que devolve a luminosidade às situações obscurecidas;
Que me acompanham no Mistério da Paixão e Morte,
Assim como não me permite perder a fé
Na vida fundada na certeza de que a vida venceu a morte,
Fazendo transbordar e irradiar a Alegria Pascal.
 
Amo poesia,
Dela, me alimento.
Amém!


PS: Comemora-se o Dia Nacional da Poesia em 14 de março.

Quaresma e Poesia

                                                   

Quaresma e Poesia

Em plena Quaresma, somos agraciados com o Dia da Poesia.
Mas que tem a ver Quaresma e poesia?

Se considerarmos o olhar de ternura do Senhor,
Ao qual nada escapava, e fluía abundantemente em Suas pregações
Com exemplos e comparações simples e tocantes;

Se considerarmos o Coração de Jesus,
No qual transbordava o Amor pela vida de cada pessoa,
E a cada um dirigia uma Palavra iluminadora;

Se considerarmos as Palavras ardentes
Que saíram de Seus lábios como fogo devorador,
Expressão da misericórdia para com o pecador;

Então, não tenho dúvida que aprenderemos com o Senhor
A mais bela relação entre Quaresma e poesia.
E, assim, nos tornaremos mais fraternos nesta travessia.


PS: Comemora-se o Dia Nacional da Poesia em 14 de março.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Sejamos curados de nossa cegueira (IVDTQA)

                                                           

Sejamos curados de nossa cegueira

A Igreja no quarto Domingo da Quaresma (Ano A), celebra o conhecido “Dominica Laetare”, em que refletimos sobre o tema da luz. No terceiro, refletimose sobre a água e no próximo sobre a vida.

Trata-se de um Domingo luminoso por sublinhar que a vida cristã é penitência, mas também alegria (antífona de entrada da Missa e a Oração sobre as Oblatas):

A Alegria do caminho pascal exprime-se no tema da luz: a luz é vida, é alegria, é Cristo (aclamação antes do Evangelho), e o percurso quaresmal é viagem em direção à luz, redescoberta da luz que no Batismo foi acesa para nós no Círio Pascal”) (1)

Três temas que nos introduzem e nos preparam para a Semana Santa (água, luz e vida) e para recebermos o Batismo, ou renovar nossas promessas batismais na Vigília Solene da Páscoa.

A passagem da primeira Leitura (1Sm 16,1b.6-7.10-13a) não se refere diretamente ao tema da luz, mas nos permite a reflexão sobre o dia do nosso Batismo, quando somos ungidos para sermos testemunhas da luz.

Davi foi escolhido não pela lógica dos homens, mas segundo a lógica de Deus, que não se deixa levar pelas aparências. Davi, o filho mais novo de Jessé, é escolhido, embora jovem, anônimo e desconhecido que guardava o rebanho do seu pai.

A mensagem da Leitura é essencialmente esta: Deus escolhe e chama, habitualmente, os pequeninos, os mais fracos, aqueles que o mundo marginaliza e considera insignificantes. Paradoxalmente, Deus manifesta Sua força através deles.

Urge que aprendamos a ver como Deus vê: ver para além das aparências. Somente quem tiver fé profunda e solidificada conseguirá ver como Deus vê, porque a partir da lógica mais profunda, a lógica do amor, que cria e faz novas todas as coisas.

Na passagem da segunda Leitura (Ef 5,8-14), o Apóstolo Paulo nos coloca frente a uma escolha: luz ou trevas. Viver na luz significa viver a bondade, a justiça e a verdade.

O viver na luz, mais ainda, consiste na acolhida do dom da Salvação que Deus nos oferece gratuitamente, aceitando e vivendo a vida nova que Ele nos propõe (viver na liberdade como filhos de Deus e irmãos uns dos outros).

De outro lado, viver nas trevas consiste em pautar a vida pelo egoísmo, orgulho e autossuficiência; viver à margem de Deus, e, consequentemente, recusar Suas propostas; prisioneiro das próprias paixões, dos falsos valores.

Ser batizado e viver como filhos da luz, portanto, não nos permite cruzar os braços diante da maldade, do egoísmo, da injustiça, da exploração, dos contravalores que a sociedade propõe, tornando menos bela a vida da humanidade.

Viver como filhos da luz exige que descruzemos os braços, abramos o nosso coração e nossas mãos, em alegres e solícitos gestos de partilha e solidariedade. Incomodar-se permanentemente com a escuridão do mundo, procurando todas as formas para torná-lo luminoso.

Na passagem do Evangelho (Jo 9,1-41), Jesus, curando o cego de nascença, é apresentado pelo Evangelista São João como “a luz do mundo”, cuja missão é a libertação da humanidade das trevas.

A adesão à proposta de Jesus nos coloca num caminho de liberdade e alcance da vida plena e feliz e, no fim dela, a eternidade.

A cegueira no tempo de Jesus, segundo a concepção da época, era um castigo de Deus de acordo com a gravidade da culpa. Ela era considerada o resultado de um pecado especialmente grave. Ser cego é ao mesmo tempo ser impedido de servir de testemunha no tribunal e de participar das cerimônias religiosas do templo.

O “cego” curado por Jesus é um símbolo de todos os homens e mulheres que vivem na escuridão, com a indesejável privação da luz, e, portanto, prisioneiros das cadeias que os impedem de chegar à felicidade e à plenitude da vida.

No gesto da cura feita por Jesus, juntando barro à Sua saliva, é o juntar da própria energia que gera vida, repetindo assim, o gesto de Deus ao criar o homem (Gn 2,7). Nisto consiste a missão de Jesus: criar um Homem Novo e animado pelo Espírito que O acompanhou e nos acompanha ao longo de toda a História.

O banhar na piscina de Siloé (que significa “enviado”) é uma clara alusão a Jesus, o enviado do Pai, que nos oferece a água que nos banha e nos purifica de nossos pecados, tornando-nos Homens Novos, livres de toda treva e escravidão.

Diante da cura, temos atitudes diferenciadas:

- dos vizinhos que se acomodam em seu canto;
- dos fariseus que não se dispõem a acolher e a aceitar a missão de Jesus;

- dos pais que não querem se comprometer;
- do homem curado que faz um percurso que passa por um processo até que se torne adulto, maduro, livre e sem medo, em total adesão a Jesus (etapas: encontro com Jesus, adesão, amadurecimento, homem livre e o seguimento).

Reflitamos:

- A missão de Jesus é a criação de Homens Novos, e esta também consiste a missão de Sua Igreja. Como batizados, o que fazemos para que isto aconteça?
- O que nos impede de sermos livres no seguimento de Jesus?

- O que consiste “viver na luz”?
- Quais são as situações obscuras em que podemos comunicar a luz de Deus com nossa palavra e ação?

- Com quem nos identificamos na passagem do Evangelho: com os opositores, medrosos, acomodados, inertes ou com o próprio cego curado que se torna um discípulo missionário do Senhor?

- Quaresma é tempo de conversão para que a luz de Deus possa melhor brilhar através de cada um de nós. O que temos feito para que esta conversão aconteça?

Concluo com um trecho do Prefácio da Missa, e com as iluminadoras palavras do Papa Bento XVI em sua Mensagem Quaresmal (2011), respectivamente:

“...Pelo Mistério da Encarnação, Jesus conduziu à luz da fé a humanidade que caminhava nas trevas. E elevou à dignidade de filhos e filhas os escravos do pecado, fazendo-os renascer das águas do Batismo”

“O Domingo do cego de nascença apresenta Cristo como luz do mundo. O Evangelho interpela cada um de nós: ”Tu crês no Filho do Homem?”. “Creio, Senhor” (Jo 9, 35.38), afirma com alegria o cego de nascença, fazendo-se voz de todos os crentes.

O milagre da cura é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. Ele ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como ‘filho da luz’”.

Que o Senhor nos cure de nossas cegueiras e ilumine nosso caminho de penitência e conversão, para celebrarmos, com exultação e alegria, a Páscoa do Senhor, envolvidos pela mais bela e desejada luminosidade que Deus quer nos oferecer, e no mundo haveremos sempre de ser. 

Deus nos criou, escolheu, chamou e nos enviou para sermos testemunhas credíveis de Sua Luz!


1) Lecionário Comentado - Volume Quaresma/Páscoa - Editora Paulus - Lisboa - 2009 - p. 178.

Rezando com os Salmos - Sl 80 (81)

                                  


Incondicional fidelidade à Aliança com Deus

“–1 Ao maestro do coro. Segundo ‘Os lagares’. Asaf.

“–2 Exultai no Senhor, nossa força,
e ao Deus de Jacó aclamai!
–3 Cantai salmos, tocai tamborim,
harpa e lira suaves tocai!
–4 Na lua nova soai a trombeta,
na lua cheia, na festa solene!


–5 Porque isto é costume em Jacó,
um preceito do Deus de Israel;
–6 uma lei que foi dada a José,
quando o povo saiu do Egito.

= Eis que ouço uma voz que não conheço:
7 'Aliviei as tuas costas de seu fardo,
cestos pesados eu tirei de tuas mãos.
=8 Na angústia a mim clamaste, e te salvei,
de uma nuvem trovejante te falei,
e junto às águas de Meriba te provei.

–9 Ouve, meu povo, porque vou te advertir!
Israel, ah! se quisesses Me escutar:
–10 Em teu meio não exista um deus estranho
nem adores a um deus desconhecido!
=11 Porque eu sou o teu Deus e teu Senhor,
que da terra do Egito te arranquei.
Abre bem a tua boca e eu te sacio!

–12 Mas meu povo não ouviu a minha voz,
Israel não quis saber de obedecer-Me.
–13 Deixei, então, que eles seguissem seus caprichos,
abandonei-os ao seu duro coração.

–14 Quem me dera que meu povo me escutasse!
Que Israel andasse sempre em meus caminhos!
–15 Seus inimigos, sem demora, humilharia
e voltaria minha mão contra o opressor.

–16 Os que odeiam o Senhor, o adulariam,
seria este seu destino para sempre;
–17 eu lhe daria de comer a flor do trigo,
e com o mel que sai da rocha o fartaria'.”
 

O Salmo 80(81) é uma Solene renovação da Aliança:

“Convite a celebrar com alegria a festa das Tendas, restituída pelo próprio Deus, como lembrança da libertação do povo. Num oráculo de poesia comemorativa (v. 7-17), Deus reafirma que está pronto a repetir seus grandes gestos de salvação.”(1)

Permaneçamos fiéis a esta Aliança de Amor de Deus conosco, vigilantes e orantes, como nos exorta o autor da Carta aos Hebreus:

“Cuidai, irmãos, que não se ache em algum de Vós um coração transviado pela incredulidade que o afaste do Deus vivo” (cf. Hb 3,12). Amém. 

Meditemos o refrão do Salmo da Missa, quando se proclama a passagem do Livro de Oseias (Os 14,2-10):

"Ouve meu povo, porque eu sou no Teu Deus".

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 796

PS: Salmo rezado na terceira Sexta-feira da Quaresma.

“Pai, nunca mais longe de Ti”

                                                     


“Pai, nunca mais longe de Ti”

“Serei como orvalho para Israel; 
ele florescerá como o lírio e lançará raízes como plantas do Líbano. 
Seus ramos hão de estender-se; 
será seu esplendor como o da oliveira 
e seu perfume como o do Líbano” (Os 14,6-7)

Sejamos enriquecidos por este Comentário do Missal Cotidiano, sobre a passagem do Profeta Oseias (Os 14,2-10):

“Deus é o amor que previne, antecipa Sua intervenção, manifesta Seu perdão antes mesmo que os filhos Lho peçam. O que Lhe interessa é que os filhos sejam salvos, voltem a Ele, reencontrem o caminho certo...

É de se perguntar se não configuramos Deus como um juiz prestes a proferir sentença de morte e se por ventura sentimos a necessidade de nos abandonar nos braços do Pai, para lhe dizer com imenso amor: ‘Pai, nunca mais longe de Ti’”.   (1)

Oremos:

“Pai, nunca mais longe de Ti”.
Pai, nunca mais longe do Teu amor imensurável por nós.
Pai, nunca mais ídolos ocuparão Teu lugar e jamais adorá-los.
Pai, nunca mais infidelidade a Tua Aliança de Amor conosco.
Pai, nunca mais indiferença ao teu orvalho de amor sobre nós.
Pai, nunca mais a surdez à Tua Palavra, luz para nossos passos.
Pai, nunca mais crer nas forças que passam, pois só Tu tens poder.

Pai, para sempre contigo e com Teu Amado Filho e o Santo Espírito.
Pai, para sempre mergulhado no mar imenso de Teu amor.
Pai, para sempre envolvidos pela Tua imensa misericórdia.
Pai, para sempre entrelaçados e abraçados pelos laços de Tua ternura.
Pai, para sempre Te amar, nos passos do Teu Filho, com o Espírito de Amor.
Pai, para sempre no seguimento de Teu Filho, a cruz com fé carregar.
Pai, para sempre, com Teu Reino, comprometidos seremos.

Nunca mais longe do Pai.
Nunca mais longe do Filho.
Nunca mais longe do Espírito.
Nunca mais longe do Amante, Amado e Amor.
Nunca mais longe de Teu Evangelho.
Nunca mais longe dos pequeninos e pobres, Teus amados.
Nunca mais longe de Tua amada Igreja que somos. Amém.


(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus – 1995 – p.1010

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