sexta-feira, 13 de março de 2026
Amados para amar
Amor a Deus e ao próximo
Não pequemos contra o amor de Deus
Não pequemos contra o amor de Deus
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de São Marcos (Mc 12,28b-34) sobre os inseparáveis mandamentos do amor (amor a Deus e ao próximo).
Sejamos enriquecidos pelo que nos diz o Catecismo da Igreja Católica (1).
A fé no amor de Deus implica o apelo e a obrigação de corresponder à caridade divina com um amor sincero, de tal modo que amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo por Ele e por causa d’Ele.
Apresenta cinco modos em que se peca contra o amor de Deus:
1º - a indiferença: negligência ou recusa a consideração da caridade divina, com o menosprezo da iniciativa de Deus em nos amar, negando a Sua força;
2º - a ingratidão: omite ou se recusa a reconhecer, por desleixo ou recusa formal, a caridade divina, não retribuindo amor com amor;
3º - a tibieza: hesitação ou negligência em corresponder ao amor divino, que pode implicar a recusa de se entregar ao dinamismo da caridade;
4º - a acídia ou preguiça espiritual: chega a recusar a alegria que vem de Deus e a ter horror ao bem divino;
5º - o ódio a Deus que nasce do orgulho: opõe-se ao amor de Deus, cuja bondade nega, e ousa amaldiçoá-lo como Aquele que proíbe o pecado e lhe inflige o castigo.
Urge que, como discípulos missionários do Senhor, façamos progressos contínuos na prática dos inseparáveis Mandamentos do Amor, amando como Jesus nos amou, como Ele mesmo nos ordenou – Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (cf. Jo 13,34).
Oremos:
Ó Deus, livrai-nos de toda indiferença, ingratidão ao Vosso infinito amor por nós.
Que jamais a preguiça, a tibieza e o ódio a Vós criem raízes em nós,
No seguimento do Vosso Filho e com o Espírito Santo, trilhemos o caminho que nos leva até vós, vivendo, incansavelmente o Mandamento do Amor. Amém.
(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafos 2093-2094
Amores inseparáveis: a Deus e ao próximo
É preciso a imersão no Amor de Deus para transbordar, comunicar o amor ao próximo: eis o sentido do existir e do ser cristão em todo tempo.
Evidentemente, os pobres estavam impossibilitados deste conhecimento, e por eles eram considerados impuros e distantes de Deus.
Tudo que Deus faz é simplesmente por amor, e esta é essencialmente a marca de Seu agir. Assim, tudo quanto fizermos, tanto os gestos mais grandiosos de fidelidade quanto os menores, se ausente o amor, perdem a sua beleza e consistência.
Bem sabemos que este Amor que ama até o fim incomodou aqueles bem estabelecidos, porque com os preferidos de Deus jamais comprometidos:
Quaresma: Vivamos o Novo Mandamento do Amor
Fidelidade e prática dos Mandamentos divinos
Fidelidade e prática dos Mandamentos divinos
Sejamos enriquecidos pelo Tratado contra as heresias escrito por Santo Irineu de Lião (séc. II).
“A tradição dos seus maiores que eles fingiam observar como derivada da Lei era contrária à Lei dada por Moisés. Por isso disse Isaías: Teus taverneiros colocam água no vinho, indicando que ao austero preceito de Deus os maiores tinham misturado uma tradição aguada, isto é, uma lei adulterada e contrária à Lei, como o manifestou o Senhor, dizendo-lhes: Por que vós anulais o mandamento de Deus por causa da vossa tradição?
E não só anularam a Lei de Deus por suas transgressões, colocando água no vinho, mas erguendo contra ela sua própria lei, lei que ainda hoje se chama ‘farisaica’. Nesta lei tiram algumas coisas, acrescentam outras e interpretam não poucas ao seu bem-querer. De tudo isto se servem particularmente os seus próprios mestres.
Querendo reivindicar tais tradições, não quiseram submeter-se à Lei de Deus que os orientava para a vinda de Cristo; antes, recriminavam ao Senhor porque curava em sábado, coisa que certamente - como já vimos - a Lei não proibia, já que, de certo modo, ela também curava, prescrevendo a circuncisão naquele dia; porém, cuidavam-se muito bem de acusarem a si mesmos por transgredir o preceito em nome de sua tradição e da mencionada ‘lei farisaica’, não levando em conta o principal mandamento da Lei, que é o amor a Deus.
Sendo este o primeiro e principal preceito e o segundo o amor ao próximo, o Senhor ensinou que toda a Lei e os profetas dependem destes dois mandamentos. E Ele mesmo não nos deu nenhum mandamento maior do que este, mas o renovou, ordenando aos seus discípulos amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a si mesmos.
E Paulo diz que o amor é o cumprimento perfeito da Lei, e quando desaparecem os demais carismas, permanecerão a fé, a esperança e o amor, porém o maior dos três é o amor; e que o conhecimento sem o amor de Deus não tem valor nenhum, nem conhecer todos os segredos, nem a fé, nem a profecia, visto que tudo é tolice e vaidade sem o amor; que o amor torna o homem perfeito, e quem ama a Deus é um homem perfeito neste mundo e no futuro: porque jamais deixaremos de amar a Deus, mas quanto mais o contemplemos, mais o amaremos.
Sendo, portanto, na Lei e no Evangelho o primeiro e maior mandamento é o mesmo, isto é, amar o Senhor Deus de todo o coração, e o segundo, semelhante a ele, amar o próximo como a si mesmo, é evidente que um só e o mesmo é o Autor tanto da Lei como do Evangelho. Assim, sendo os mesmos, em ambos os Testamentos, os mandamentos fundamentais da vida, apontam para um mesmo Senhor, o qual deu, é verdade, preceitos particulares adaptados a cada Testamento, porém propôs em ambos alguns mandamentos comuns, os mais importantes e sublimes, sem os quais não é possível salvar-se.” (1)
Tanto na Lei como no Evangelho, o primeiro e principal mandamento é amar a Deus, que não se separa do segundo mandamento que se expressa no amor ao próximo como Jesus Cristo nos falou na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 22,34-40).
Trata-se, portanto. de um duplo preceito inseparável que devemos viver na relação com Deus e com nosso próximo, que nos credencia, se vividos, caminhar para a eternidade. Amém.
(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - pp. 458-459
PS: Oportuno para a reflexão da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 12,28b-34).







