quarta-feira, 4 de março de 2026

Em poucas palavras...



“Misericordiae Vultus”  e as Obras de Misericórdia

“É meu vivo desejo que o povo cristão reflita, durante o Jubileu, sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual.

Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina.

A pregação de Jesus apresenta-nos estas obras de misericórdia, para podermos perceber se vivemos ou não como seus discípulos.

Redescubramos as obras de misericórdia corporal: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos.

E não esqueçamos as obras de misericórdia espiritual: aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas molestas, rezar a Deus pelos vivos e defuntos.” (1)

 

(1) Bula de Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia - Misericordiae Vultus – 11 de abril de 2015 – Papa Francisco.

PS: Ano da Misericórdia – 08/12/15 a 20/11/16

Quaresma: “Tempo de combate e suores”

                                                            

Quaresma: “Tempo de combate e suores”

Na quarta-feira da 2ª Semana do Tempo da Quaresma, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 20,17-28), na qual a mãe dos filhos de Zebedeu, João e Tiago, pede a Jesus para que seus filhos se assentem em Seu Reino, um à direita e outro à esquerda.

Uma das Homilias do Bispo São João Crisóstomo (Séc. IV), muito nos enriquece nesta reflexão.

“Os filhos de Zebedeu pedem a Cristo: Deixa-nos sentar um à Tua direita e outro, à Tua esquerda (Mc 10,37). Que resposta lhes dá o Senhor? Para mostrar que no seu pedido nada havia de espiritual, e se soubessem o que pediam não teriam ousado fazê-lo, diz: Não sabeis o que estais pedindo (Mt 20,22), isto é, não sabeis como é grande, admirável e superior aos próprios poderes celestes aquilo que pedis.

Depois acrescenta: Por acaso podeis beber o Cálice que Eu vou beber? (Mt 20,22). É como se lhes dissesse: ‘Vós me falais de honras e de coroas; Eu, porém, de combates e de suores. Não é este o tempo das recompensas, nem é agora que minha glória há de se manifestar. Mas a vida presente é de morte violenta, de guerra e de perigos’.

Reparai como o Senhor os atrai e exorta, pelo modo de interrogar. Não perguntou: ‘Podeis suportar os suplícios? Podeis derramar vosso sangue? Mas indagou: Por acaso podeis beber o Cálice? E para os estimular, ainda acrescentou: que Eu vou beber?

Assim falava para que, em união com Ele, se tornassem mais decididos. Chama Sua Paixão de Batismo, para dar a entender que os sofrimentos haviam de trazer uma grande purificação para o mundo inteiro. Então os dois discípulos lhe disseram: Podemos (Mt 20,22). Prometem imediatamente, cheios de fervor, sem perceber o alcance do que dizem, mas com a esperança de obter o que pediam.

Que afirma o Senhor? De fato, vós bebereis do meu Cálice (Mt 20,23), e sereis batizados com o Batismo com que Eu devo ser batizado (Mc 10,39). Grandes são os bens que lhes anuncia, a saber: ‘Sereis dignos de receber o martírio e sofrereis comigo; terminareis a vida com morte violenta e assim participareis da minha paixão’. Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais Ele os preparou (Mt 20,23). Somente depois de lhes ter levantado os ânimos e de tê-los tornado capazes de superar a tristeza é que corrigiu o pedido que fizeram.

Então os outros dez discípulos ficaram irritados contra os dois irmãos (Mt 20,24). Vedes como todos eles eram imperfeitos, tanto os que tentavam ficar acima dos outros, como os dez que tinham inveja dos dois?

Mas, como já tive ocasião de dizer, observai-os mais tarde e vereis como estão livres de todos esses sentimentos. Prestai atenção como o mesmo apóstolo João, que se adianta agora por este motivo, cederá sempre o primeiro lugar a Pedro, quer para usar da palavra, quer para fazer milagres, conforme se lê nos Atos dos Apóstolos.

Tiago, porém, não viveu muito mais tempo. Desde o princípio, pondo de parte toda a aspiração humana, elevou-se a tão grande santidade que bem depressa recebeu a coroa do martírio”.

Como discípulos de Jesus, não devemos procurar as “honras e coroas”, como nos falou o Bispo, mas estarmos sempre prontos para “os combates e os suores”.

São Tiago, que nasceu em Betsaida, e seu irmão, João, filhos de Zebedeu, estiveram presentes nos principais milagres realizados por Jesus Cristo.

Foi morto no ano 42, por Herodes, e é venerado com grande devoção em Compostela (Espanha), onde se construiu uma célebre basílica dedicada ao seu nome.

Roguemos a Deus para que nos dê a coragem e o ardor deste Apóstolo, assim como do Apóstolo São João, na fidelidade ao Senhor, sem procurar um pseudocristianismo de honras e coroas”, glória sem cruz

Supliquemos, também, que tenhamos  maturidade para as renúncias necessárias e o carregar da cruz cotidiana, com a força e a sabedoria do Espírito Santo, que vem sempre em socorro de nossa fraqueza para os “combates e os suores”, iluminados pela Palavra do Senhor e alimentados pelo Seu Corpo e Sangue recebidos na Eucaristia.

Conduzidos pelas Obras de Misericórdia

 


                                         Conduzidos pelas Obras de Misericórdia
 
Tão certo quanto o rio que deságua no mar,
A alegria no coração quando não se cansa de amar.
 
A Igreja, perita em humanidade, tem algo a nos ensinar.
Da Sagrada Tradição luzes a nos conduzir e iluminar.
 
Obras de Misericórdia corporais e espirituais,
Em prática postas, quaresma santa e fecunda.
 
Sete obras de misericórdia corporais:
Dar de comer a quem tem fome; 
dar de beber a quem tem sede; 
vestir os nus; 
dar pousada aos peregrinos; 
assistir aos enfermos; 
visitar os presos; 
enterrar os mortos. 
 
Sete obras de misericórdia espirituais:
Dar bom conselho; 
ensinar os ignorantes; 
corrigir os que erram; 
consolar os aflitos;
perdoar as injúrias; 
sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; 
rogar a Deus por vivos e defuntos.  
 
Primeiros passos de um santo itinerário,
Com o Senhor mais perfeitamente configurados,
d’Ele mesmos sentimentos tenhamos,
Aprendizes do Verbo, fortalecidos e encorajados sejamos.
 
Ao Seu Divino Amor correspondamos:
O mesmo do presépio, barca, cruz e sepultura.
Na glória Ressuscitado, entre nós caminha.
E na Páscoa, cantemos exultantes o Aleluia. Amém.

Como o fragor de muitas águas Deus nos fala!

                                                      


Como o fragor de muitas águas Deus nos fala! 

"Sua voz era como o fragor de muitas águas" (Ap 1,15)

Como o fragor de muitas águas Deus nos fala!
Que em meio a ruídos ensurdecedores, 
Sua voz, atentos, possamos escutar,
E de nossos compromissos sagrados jamais nos furtar!

Como o fragor de muitas águas Deus nos fala!
Se não O ouvimos é porque outros barulhos nos ensurdecem...
E, curvados sob o jugo de ídolos, de forças subtraídos,
Somos aniquilados, espiritualmente enfraquecidos!

Como o fragor de muitas águas Deus nos fala!
No grito do silêncio dos inocentes,
No gesto de amor puro, verdadeiro, sem publicidades,
Cujo objetivo maior é, do outro, a felicidade!

Como o fragor de muitas águas Deus nos fala!
Em exercícios edificantes de jejum, oração e esmola,
Cultura da vida e da paz, solícitos, juntos construir
Seu Reino, mais que sonho, um mundo novo que há de vir!

Como o fragor de muitas águas Deus nos fala!
Calemo-nos, silenciemo-nos, nem mais uma palavra!
Acolhamos, sintamos Sua amável e indescritível presença.
Não haverá obstáculos cujas forças maiores nos vençam!

Com Ele, com Sua voz, Sua Palavra...
Uma certeza divina que jamais nos decepciona!
Fragor de Suas palavras, no coração, ecoadas,
Mais que vencedores, já o somos, em árduas jornadas! 

A Voz Divina como o fragor de muitas águas!

                                               


A Voz Divina como o fragor de muitas águas!

Que Deus nos fale pela voz do Bispo Santo Irineu (séc. II), através de seu Tratado contra as heresias de ontem e de todo tempo:

“... Eis por que João diz no Apocalipse: “Sua voz era como o fragor de muitas águas” (Ap 1,15).

Na verdade, são muitas as águas do Espírito de Deus, porque é muita a riqueza e a grandeza do Pai.

E, passando através de todas elas, o Verbo concedia generosamente o Seu auxílio a quantos lhe estavam submetidos, prescrevendo uma lei adaptada e adequada a cada criatura.

Deste modo, dava ao povo as leis relativas à construção do tabernáculo, à edificação do templo, à escolha dos levitas, aos sacrifícios e oblações, às purificações e a todo o restante do serviço do Altar.

Deus não precisava de nada disso, pois é desde sempre rico de todos os bens, e contém em Si mesmo a suavidade de todos os aromas e de todos os perfumes, mesmo antes de Moisés existir. Mas educava um povo sempre inclinado a voltar aos ídolos, dispondo-os através de muitas etapas, a perseverar no serviço de Deus.

Por meio das coisas secundárias chamava-o às principais, isto, pelas figuras à realidade, pelas temporais, às eternas, pelas carnais, às espirituais, pelas terrenas, às celestes, tal como foi dito a Moisés: Farás tudo segundo o modelo das coisas que viste na montanha (Êxodo 25,40)...

Por meio dessas figuras, portanto, eles aprendiam a temer a Deus e a perseverar em seu serviço.

E assim a Lei era para eles, ao mesmo tempo, norma de vida e profecia das realidades futuras”.

Quanto bem faz à alma acolher a voz divina como o fragor de muitas águas! 

Deus nos fala, às vezes, através de figuras, para que possamos “apreender e aprender” o essencial, escutar e vivenciar o que há de imprescindível para uma vida mais santa e frutuosa.

O julgamento final e as obras de misericórdia

                                                            


                       O julgamento final e as obras de misericórdia

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 25,31-46), que nos fala sobre o juízo final, quando o Senhor virá em Sua glória para nos julgar a todos.

Trata-se de uma passagem fundamental para todos nós, pois nos ilumina para que vivamos uma religião pura e verdadeira aos olhos de Deus.

Deste modo, nossas orações, tudo o que professamos e celebramos, precisa ser mais do que nunca acompanhado de compromissos concretos, como vemos nas obras de Misericórdia Corporais e Espirituais:

Obras de misericórdia corporais: Dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; dar pousada aos peregrinos; assistir aos enfermos; visitar os presos; enterrar os mortos. 

Obras de misericórdia espirituaisDar bom conselho; ensinar os ignorantes; corrigir os que erram; consolar os aflitos; perdoar as injúrias; sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; rogar a Deus por vivos e defuntos.  

São iluminadoras as palavras do Bispo e Doutor Santo Agostinho sobre esta passagem:

“Todo o mal que os maus fazem é registado – e eles não o sabem. No dia em que ‘Deus virá e não se calará’ (Sl 50, 3) [...]. Então, Ele Se voltará para os da Sua esquerda: ‘Na terra, dir-lhes-á, Eu tinha posto para vós os meus pobrezinhos, Eu, Cabeça deles, estava no céu sentado à direita do Pai – mas na terra os meus membros tinham fome: o que vós tivésseis dado aos meus membros, teria chegado à Cabeça. Quando Eu coloquei os meus pobrezinhos na terra, constituí-os vossos portadores para trazerem as vossas boas obras ao meu tesouro. Vós nada depositastes nas mãos deles: por isso nada encontrais em Mim’” (1).

Tenhamos sempre esta solicitude para com os “pobrezinhos na terra”, pois são eles os “portadores” que levam nossas boas obras ao tesouro do Senhor.

Empenhemo-nos neste “depósito”, para que possamos ouvir dos lábios do Senhor:

“Vinde benditos de meu Pai! Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo” (Mt 25,34).  

(1)         Sermão de Santo Agostinho – cf. Catecismo da Igreja Católica n. 1039


PS: Apropriado para o dia de Finados ou da Solenidade de Cristo Rei e Senhor do Universo, quando se proclama esta passagem do Evangelho de Mateus (Mt 25,31-46)

Em poucas palavras... (IIIDTQA)

 


“Nascentes, lençóis de água e pântanos”

“Em nosso percurso existencial encontramos, muitas vezes, pessoas que são verdadeiras nascentes. São límpidas e transparentes, inspiradoras e mobilizadora, habitualmente delicadas. Estar na presença delas é saciar nossa sede, saímos renovados. São pessoas-fonte que despertam em nós o desejo de acessar nosso manancial interior de desejos, criatividade e busca… É ali, na fonte interior, que a vida se renova.

Outras vezes nos encontramos com pessoas que são verdadeiros lençóis de água. Subterrâneas, circulam debaixo da terra, discretas, silenciosas, mas surpreendentemente criativas. Trabalham no silêncio e fazem mover a engrenagem do mundo com seus gestos escondidos, simples, mas eficazes; suas presenças fazem a diferença. Sem elas não seria possível a vida.

É certo que também há as pessoas pântano, pessoas charco, pessoas “águas paradas” ou águas poluídas, pessoas “enxurrada” que tudo destroem. Claramente, nem todas as águas são boas!” (1)

 

(1) Comentário sobre a passagem do Evangelho de João (Jo 4,5-42) – Adroaldo Palaoro, SJ

 

 

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG