sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

“Creio na Igreja una”

                                                     


“Creio na Igreja una”

«Que admirável mistério! Há um só Pai do universo, um só Logos do universo e, também, um só Espírito Santo, idêntico em toda a parte; e há também uma só mãe, Virgem, à qual me apraz chamar Igreja». (1)

Deste modo, creio que a Igreja é una, pois pertence a sua própria essência que ela seja una:

Creio na Igreja una, graças à sua fonte: «O supremo modelo e princípio deste mistério, é a unidade na Trindade das Pessoas, dum só Deus, Pai e Filho no Espírito Santo». (2)

Creio na Igreja una, graças ao seu fundador: «O próprio Filho encarnado [...] reconciliou todos os homens com Deus pela Sua Cruz, restabelecendo a unidade de todos num só povo e num só Corpo». (3)

Creio na Igreja una, graças à sua «alma»: «O Espírito Santo que habita nos crentes e que enche e rege toda a Igreja, realiza esta admirável comunhão dos fiéis e une-os todos tão intimamente em Cristo, que é o princípio da unidade da Igreja». (4) Amém.

 

Fonte: Parágrafo n. 813 do Catecismo da Igreja Católica 

 

(1) Clemente de Alexandria, Paedagogus 1, 6, 42: GCS 12, 115 (PG 8, 300).

(2) II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 2: AAS 57 (1965) 92.

(3) II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 78: AAS 58 (1966) 1101.

(4) II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 2: AAS 57 (1965) 91.

“As bem-aventuranças do político”

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“As bem-aventuranças do político”

“A boa política está ao serviço da paz” –
“A paz esteja nesta casa” (Lc 10,5)

Em sua Mensagem do Papa Francisco para o 52º Dia Mundial da Paz,  celebrado no dia 1º de janeiro de 2019, o Papa Francisco nos enriqueceu com as “bem-aventuranças do político”, escritas por uma testemunha fiel do Evangelho, o Cardeal vietnamita Francisco Xavier Nguyen Van Thuan, falecido em 2002:

“Bem-aventurado o político que tem uma alta noção 
e uma profunda consciência do seu papel.

Bem-aventurado o político de cuja pessoa irradia a credibilidade.

Bem-aventurado o político que trabalha para o bem comum 
e não para os próprios interesses.

Bem-aventurado o político que permanece fielmente coerente.

Bem-aventurado o político que realiza a unidade.

Bem-aventurado o político que está comprometido 
na realização duma mudança radical.

Bem-aventurado o político que sabe escutar.

Bem-aventurado o político que não tem medo”.

Urge que tenhamos o exercício da boa política a serviço da paz e da promoção do bem comum; respeitando e promovendo os direitos humanos fundamentais, que são igualmente deveres recíprocos, para que se teça um vínculo de confiança e gratidão entre as gerações do presente e as futuras.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Dai-nos, Senhor, um “olhar de pomba”

                                                       


Dai-nos,  Senhor, um “olhar de pomba”

Retomemos um parágrafo da Exortação Verbum Domini, sobre a importância do Espírito Santo na vida da Igreja e no coração dos fiéis, na compreensão da Sagrada Escritura.

“Conscientes deste horizonte pneumatológico, os padres sinodais quiseram lembrar a importância da ação do Espírito Santo na vida da Igreja e no coração dos fiéis relativamente à Sagrada Escritura: sem a ação eficaz do «Espírito da Verdade» (Jo 14, 16), não se podem compreender as palavras do Senhor.

Como recorda ainda Santo Irineu: «Aqueles que não participam do Espírito não recebem do peito da sua mãe [a Igreja] o alimento da vida; nada recebem da fonte mais pura que brota do corpo de Cristo». 

Tal como a Palavra de Deus vem até nós no corpo de Cristo, no corpo eucarístico e no corpo das Escrituras por meio do Espírito Santo, assim também só pode ser acolhida e compreendida verdadeiramente graças ao mesmo Espírito.

Os grandes escritores da Tradição cristã são unânimes ao considerar o papel do Espírito Santo na relação que os fiéis devem ter com as Escrituras.

São João Crisóstomo afirma que a Escritura «tem necessidade da revelação do Espírito, a fim de que, descobrindo o verdadeiro sentido das coisas que nela se encerram, disso mesmo tiremos abundante proveito». 

Também São Jerônimo está firmemente convencido de que «não podemos chegar a compreender a Escritura sem a ajuda do Espírito Santo que a inspirou». 

Depois, São Gregório Magno sublinha, de modo sugestivo, a obra do mesmo Espírito na formação e na interpretação da Bíblia: «Ele mesmo criou as Palavras dos Testamentos Sagrados, Ele mesmo as desvendou».

Ricardo de São Víctor recorda que são necessários «olhos de pomba», iluminados e instruídos pelo Espírito, para compreender o texto sagrado.

Desejaria ainda sublinhar como é significativo o testemunho a respeito da relação entre o Espírito Santo e a Escritura que encontramos nos textos litúrgicos, onde a Palavra de Deus é proclamada, escutada e explicada aos fiéis. É o caso de antigas orações que, em forma de epiclese, invocam o Espírito antes da proclamação das leituras: «Mandai o Vosso Espírito Santo Paráclito às nossas almas e fazei-nos compreender as Escrituras por Ele inspiradas; e concedei-me interpretá-las de maneira digna, para que os fiéis aqui reunidos delas tirem proveito».

De igual modo, encontramos orações que, no fim da homilia, novamente invocam de Deus o dom do Espírito sobre os fiéis: «Deus salvador (…), nós Vos pedimos por este povo: Mandai sobre ele o Espírito Santo; o Senhor Jesus venha visitá-lo, fale à mente de todos e abra os corações à fé e conduza para Vós as nossas almas, Deus das Misericórdias». Por tudo isto, bem podemos compreender que não é possível alcançar o sentido da Palavra, se não se acolhe a ação do Paráclito na Igreja e nos corações dos fiéis.”(1)

Fundamental que invoquemos o Espírito Santo para melhor compreensão da Sagrada Escritura, e colocá-la em prática:

“Vinde Espírito Santo”
“Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
 e acendei neles o fogo do Vosso Amor.
Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado
e renovareis a face da terra.


Oremos:

Ó Deus que instruíste os corações dos vossos fiéis,
com a luz do Espírito Santo,
fazei que apreciemos retamente todas as coisas
segundo o mesmo Espírito
e gozemos da sua consolação.
Por Cristo Senhor Nosso. Amém”
 

 

(1) Exortação Apostólica Pós-Sinodal Verbum Domini – Papa Bento XVI – 2010 – parágrafo 16

Em poucas palavras...

 


A Luz resplandecente do Senhor

“Cristo morto e ressuscitado atravessou as trevas dos infernos para fazer resplandecer a Sua luz: a noite do pecado é o lugar onde mais resplandece luminosa a Sua graça.” (1)

 

(1)        Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – 2010 – p. 143 – Comentário da passagem do Evangelho de São Marcos (Mc 4,21-25)

Fundamentais dimensões da oração

 


Fundamentais dimensões da oração

À luz da passagem do Segundo Livro de Samuel (2 Sm 7,18-19.24-29), podemos apresentar cinco dimensões que devem estar presentes na vida do orante:

1 – Permitir que Deus faça brotar o melhor d’Ele em nosso coração.

2 – Ter consciência de que a graça de Deus nos é concedida por Ele não pelos nossos méritos, que por sinal, não existem.

3 – Crer que o amor de Deus excede infinitamente em relação ao  pensamento, desejo e imaginação do nosso coração.

4 – A necessária abertura à realização da vontade divina que cumpre, irrevogavelmente, Suas promessas, em inaudita gratuidade.

5 – Ter a plena convicção da nossa pequenez diante de Deus, para que nos abramos a acolhida de Seus dons infinitos, e os façamos frutificar.

Oremos:

“Pai Santo, fonte da luz da vida e de todo o dom perfeito, fazei que a luz radiosa do Vosso Filho Jesus Cristo, elevado na Cruz, dissipe as trevas do mal que ainda ameaçam o nosso coração: dilatai em nós os espaços da caridade, para que, vivendo na fé e na esperança, possamos acolher numa medida cada vez maior o dom do Vosso Espírito, como princípio da nossa vida no tempo. Amém.” (1)

 

(1)    Lecionário Comentado – Volume I – Tempo Comum – Editora Paulus – Lisboa – 2010 – p. 144

Em poucas palavras...

 


Sejamos libertos pelo Senhor

“Novamente, tudo se joga no íntimo das pessoas: na sua disponibilidade em deixar-se libertar das suas trevas, ou seja, em deixar-se salvar por Jesus Cristo, para receber em medida sempre crescente o Seu dom, que supera infinitamente o coração humano.” (1)

 

(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – 2010 – p. 144 – Comentário sobre a passagem do Evangelho de São Marcos (Mc 4,21-25).

Porque sois minha luz, Senhor!

                                                               

 

Porque sois minha luz, Senhor!

“O homem interiormente iluminado não vacila,
não abandona o caminho, tudo tolera.
Vê longe a pátria, por isso suporta as adversidades…”

O Bispo de Nápoles, João, o pequeno em seu Sermão nos enriquece com esta reflexão inspirada no Salmo 27, 1: “O Senhor é minha luz e Salvação: a quem temerei?”

“O Senhor é minha luz e minha salvação: a quem temerei? Grande servo é este que sabia de que maneira era iluminado, donde lhe vinha a luz e quem o iluminava.

Via a luz, não esta que declina à tarde; mas aquela que os olhos não veem. As almas iluminadas por esta luz não caem no pecado, não tropeçam nos vícios.

O Senhor disse: Caminhai enquanto tendes a luz em vós.

De que luz falava Ele? Não seria de Si mesmo? Ele que afirmou: Eu, a luz, vim ao mundo, para que aqueles que veem não vejam e os cegos recebam a luz.

É Ele, o Senhor, nossa luz, sol de justiça, que refulgiu em Sua Igreja católica, espalhada por toda a terra.

O Profeta, figurando-a, clamava: O Senhor é minha luz e minha salvação: a quem temerei?

O homem interiormente iluminado não vacila, não abandona o caminho, tudo tolera.

Vê longe a pátria, por isso suporta as adversidades. Não se entristece com as vicissitudes terrenas, mas em Deus se fortalece.

Humilha o seu coração, é constante, e a sua humildade o torna paciente.

A verdadeira luz que ilumina todo homem que vem a este mundo se dá aos que temem a Deus, inunda a quem quer, onde quer, revelando-Se a quem o Filho quiser.

Quem está sentado nas trevas e na sombra da morte, nas trevas do mal e nas sombras dos pecados, ao ver surgir a luz, horroriza-se, desdiz, arrepende-se, envergonha-se e exclama:

O Senhor é minha luz e minha salvação: a quem temerei? Grande salvação, meus irmãos! Ela não teme a fraqueza, o cansaço não lhe faz medo, não conhece dor.

Digamos, então, com toda força, não só de boca, mas de coração: O Senhor é minha luz e minha salvação: a quem temerei?

Se é Ele quem ilumina, Ele quem salva, a quem poderei temer? Venham as sombrias sugestões, o Senhor é minha luz.

Podem vir, não poderão ir mais longe. Assediam nosso coração, não conseguem vencê-lo. Venham os cegos desejos, o Senhor é minha luz.

Nossa força está em que Ele Se dá a nós e nós o entregamos a Ele.

Correi ao médico enquanto podeis fazê-lo: Não aconteça que não seja mais possível quando o quiserdes.” (1)

Cada tempo tem suas luzes e sombras, recuos e avanços a serem feitos, assim como muitas são as inquietações cotidianas e os  infortúnios que marcam nossa vida.

Deus que jamais nos quer mergulhados em infantilismos espirituais, mas na confiança amadurecida, não dispensando nossa participação, colaboração, acompanha-nos com Sua luz, força, graça e amor.

O batizado é alguém que foi iluminado por Deus; tem a luz divina, por isto que o Senhor Jesus disse: “Eu Sou a luz do mundo, quem Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). 

Eis a nossa missão: ao sermos iluminados, também iluminadores, crendo n’Aquele que é luz do mundo, esta mesma luz testemunhar nas mais diversas situações; n’Ele confiando, Sua Palavra acolhendo e vivendo: 

Não tememos, porque conosco está e estará, sempre,  
a luz das nações. 
 Ele é , incondicionalmente a nossa luz.
Amém.

(1) Liturgia das Horas – Vol. III - p. 110 – 111, Dos Sermões de João, o Pequeno, Bispo de Nápoles (Séc. XIV).

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