sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Não desistir diante das provações

                                              


                                            Não desistir diante das provações

Diante da história de todos nós, com suas páginas de provações, tribulações, dificuldades, tropeços e inquietações, como fazer a necessária superação?

Precisamos, a partir da fé, escrever novas páginas de paciência, esperança, perseverança, perfeição, integridade e de verdadeira alegria.

Como Igreja Sinodal, peregrinos de esperança, sejamos iluminados e fortalecidos pela Palavra de Deus, que é luz para o nosso caminho (Sl 119,105), no bom combate da fé (2 Tm 4,7-8).

Urge firmar nossos passos, escrevendo páginas de acrisolamento, amadurecimento, aperfeiçoamento, vivendo o Mistério da Paixão e Morte do Senhor, para com Ele Ressuscitar, e com Ele, sermos mais que vencedores:

– “Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores por Aquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus” (Rm 8,37-39).

O Apóstolo São Paulo também nos ajuda neste santo propósito, como peregrinos do Senhor que somos:

-  “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.

E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não decepciona, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,1-5).

Por fim, acolhamos e aprofundemos nossa reflexão, à luz das palavras do Apóstolo São Tiago:

-  “Meus irmãos, quando deveis passar por diversas provações, considerai isso motivo de grande alegria, por saberdes que a comprovação da fé produz em vós a perseverança. Mas é preciso que a perseverança gere uma obra de perfeição, para que vos torneis perfeitos e íntegros, sem falta ou deficiência alguma.” (Tg 1,2-4)


Nota-se um itinerário que o cristão precisa percorrer, na vivência da fé:

1º - A provação, como motivo de grande alegria;

2º - A comprovação da fé;

3º - A perseverança na fé;

4º - A geração da obra de perfeição;

5º - A perfeição e integridade (sem falta ou deficiência alguma).

Concluindo, vejamos o que nos diz o Catecismo da Igreja Católica sobre o caminho da perfeição que devemos trilhar:

“O caminho da perfeição passa pela Cruz. Não existe santidade sem renúncia e sem combate espiritual. O progresso espiritual envolve ascese e mortificação, que levam gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças.” (1)

Façamos as renúncias necessárias, tomemos nossa cruz de cada dia e sigamos o Senhor (cf. Lc 9,23), cujo fardo é leve e o jugo é suave (cf. Mt 11,28-30), revitalizando-nos com o Pão da Palavra e o Pão da Eucaristia, que são os imprescindíveis e divinos Pães de nossa vida, no tempo presente e na eternidade. Amém.

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – n. 2015 

Antes que o sol se ponha...

 


Antes que o sol se ponha...

Que a esperança jamais se ponha.
Antes que o sol se ponha atrás da montanha,
cerro meus ouvidos aos que bradam o fim da história,
que não há esperança alguma no horizonte da humanidade,
ou que em estéril saudosismo, dizem que nada é mais como antes.
 
Cerrados sejam também para os que semeiam dogmatismos,
Fundamentalismos, sectarismos que criam muros, insanas divisões.
Seja nos espaços reais da convivência cotidiana,
Seja nos espaços virtuais que semeiam discórdias e violência.
 
O sol se porá, inevitavelmente, como todos os dias,
O véu da escuridão cobrirá mais uma vez a Terra.
E, na espera dos raios de sol em nova aurora,
Peço as luzes de quem tem algo salutar a dizer.
 
Quero ouvir os que me fazem crer no novo humanismo;
que não poupam esforços para não incorrermos em barbáries,
porque se não vigilantes, ela é sempre possível,
e não podemos recuar jamais nos avanços históricos alcançados.
 
Recolhido na espera dos primeiros raios de um novo dia,
Releio, reflito e compartilho com pessoas de boa vontade,
Palavras que nos fazem reacender a esperança de um novo tempo,
Porque a fé também assim exige, expressa em fecunda caridade:
 
“Ser humanista doravante não é apenas pensar que os perigos, as incertezas e as crises (entre as quais a da democracia, a do pensamento político, a provocada pela explosão do lucro, a da biosfera e a multidimensional da pandemia) nos uniram numa comunhão de destinos.


Ser humanista não é apenas saber que somos todos humanos semelhantes e diferentes, não é apenas querer escapar das catástrofes e aspirar um mundo melhor.


Ser humanista é também sentir intimamente que cada um de nós é um momento efêmero de uma aventura extraordinária, a aventura da vida que deu origem à aventura humana, que, ao longo das criações, tormentos e desastres, chegou a uma crise gigantesca, na qual está em jogo o destino da espécie.


O humanismo regenerado, não é apenas o sentimento de comunidade humana, de solidariedade humana, é também o sentimento de estar no interior dessa aventura desconhecida e incrível, e desejar que ela continue em direção a uma metamorfose, da qual nascerá um novo devir.” (1)

Sigamos em frente... que o sol se ponha,
Mas jamais se ponha com ele a esperança.
Renovam-se as forças, novas linhas escrever,
O inédito do melhor nos desafia... Amém.

  
 
(1)
 Lições de um século de vida - Edgar Morin – Bertrand Brasil – p. 86.88

A caridade nos impele na missão

                                               

A caridade nos impele na missão

Reflitamos à luz da passagem da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios (2 Cor 13,11), na qual o Apóstolo nos faz exortações fundamentais, para que vivamos como discípulos missionários do Senhor.

“Irmãos, alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco”.

Notemos os verbos apresentados no imperativo, em apenas um versículo: “alegrai-vos”, “trabalhai”, “encorajai-vos”, “cultivai” e “vivei”.

Como tem insistido o Papa Francisco, em suas exortações e mensagens, o discípulo deve ter a marca da “alegria”, que não dispensa o trabalho, como sinônimo de esforço, aperfeiçoamento espiritual, edificação da santidade.

Não sendo poucas as dificuldades, é preciso que nos encorajemos mutuamente na fidelidade ao Senhor, para que vivamos frutuoso discipulado, a fim de que a Igreja continue a missão que foi por Ele confiada, com a assistência do Espírito Santo.

Não se pode perder de vista a concórdia, a harmonia, com a necessária abertura ao diálogo, para juntos realizarmos a missão, com a consciência de que, como Igreja, somos um só Corpo, do qual Ele, Jesus, é a Cabeça.

Tão somente assim, viveremos em paz, construindo a unidade, que se difere da uniformidade, porque edificada sobre a caridade, que cria comunhão e fortalece os vínculos fraternos.

Deste modo, teremos conosco a certeza da presença de Deus, que nos acompanha e Se faz sempre presente, atento às nossas súplicas e clamores, angústias e esperanças, alegrias e tristezas, a fim de que empenhados na construção do Seu Reino, eliminemos toda dor, pranto e sofrimento, na espera de um novo céu e uma nova terra.

Que jamais percamos...

                                                            


Que jamais percamos...

Jamais percamos...
A certeza de que podemos algo mudar, mesmo que pouco tenhamos;
A convicção de que estamos no caminho, sem desvios para abismos.

A capacidade de superação, sem precisar nada de assombroso,
Tão apenas confiando em Vossa divina presença, Glorioso;

A graça de sermos instrumentos da alegria para quantos possamos,
Ainda que sinais de tristeza e luto, dor e pranto nos rodeiem.

Jamais percamos...
A consciência de que nada podemos desperdiçar:
Esforços, inteligência, energias, a serviço da humanidade;

A sensibilidade, para não ficarmos frios e indiferentes,
Com sentimentos de inferioridade ou o seu contrário;

A contemplação de Vossa presença suave de Amor,
Que afasta todo medo que rouba nossas forças, porque inibidor.

Jamais percamos...
A fé que nos move, que nos impele, que nos faz avançar,
Recuperando os traços da imagem Vossa em cada um de nós;

A confiança na ação divina, quando parecer que nada podemos;
A esperança de superação, quando tudo parecer imutável;

O zelo necessário, para que mantenhamos acesa,
No mais profundo de nós, a chama viva da caridade. Amém.


Em poucas palavras...

                                             


Cristãos: templo do Espírito Santo

“«Justificados pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus» (1 Cor 6, 11), «santificados e chamados a serem santos» (1 Cor 1,2) os cristãos tornaram-se «templo do Espírito Santo» (1 Cor 6, 19).

Este, que é o «Espírito do Filho», ensina-os a orar ao Pai (Gl 4,6) e, tendo-Se feito vida deles, impele-os a agir (Gl 5,25) para produzirem os frutos do Espírito (Gl 5,22) mediante uma caridade ativa.

Curando as feridas do pecado, o Espírito Santo renova-nos interiormente por uma transformação espiritual (Ef 4,23), ilumina-nos e fortalece-nos para vivermos como «filhos da luz» (Ef 5, 8) «em toda a espécie de bondade, justiça e verdade (Ef 5, 9).”   (1)

 

 

(1)  Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 1695

Com o Senhor, somos mais que vencedores!

                                                    

Com o Senhor, somos mais que vencedores!

A Liturgia da sexta-feira da 27ª Semana do Tempo Comum nos apresenta a passagem em que Jesus expulsou os demônios pelo dedo de Deus, anunciando a chegada do Reino (Lc 11,15-26).

Muitas dificuldades encontramos para o testemunho de uma vida cristã autêntica, porque muitas são as forças que se contrapõem ao Reino de Deus.

Entretanto, se forte e poderosa é a força demoníaca, muito mais forte e incomparável é a força de Deus atuando em cada um de nós, em permanente vigilância:

“A batalha do Messias exige uma decisão clara a favor ou contra Ele. Não é possível neutralidade alguma. Além disso, quem foi libertado da presença de Satanás não se deve julgar inatacável e completamente seguro. Sem vigilância, mesmo que se converter pode ficar pior do que antes (Hb 6,4-6).” (1)

Para que vençamos as forças satânicas, que nos fragilizam e nos desviam de uma relação sincera e amorosa com Deus e com nosso próximo, é preciso o dom da fé, para que façamos o devido discernimento da presença de Deus em nossa vida.

Ao dom da fé, se some:

- A escuta orante da Palavra de Deus, de modo especial no aprendizado do exercício da Leitura Orante, insistentemente motivado pelo Papa Francisco (leitura, meditação, Oração, contemplação e ação);

-   A vivência dos Sacramentos e sua riqueza imensurável;

- Uma vida litúrgica ativa, piedosa, consciente e frutuosa: participação nas Missas dominicais e feriais, e quanto mais se possa, para que sejamos nutridos pelo Pão de Imortalidade, antídoto contra todos os males.

Ressoem as palavras de Santo Tomás de Aquino: 

- “Poderia haver algo de mais admirável que este Sacramento? De fato, nenhum outro Sacramento é mais salutar do que este; nele os pecados são destruídos, crescem as virtudes e a alma é plenamente saciada de todos os dons espirituais”;

A solidariedade concreta em favor dos que mais precisam nos revigora, e revitaliza nossos sonhos e compromissos com o Reino de Deus. Enquanto houver uma centelha de bondade e disponibilidade dentro de nós, podemos nos empenhar contra o domínio do Maligno, sobretudo se batizados e enxertados em Cristo, a Videira do Pai, deixando-nos revitalizar sempre com a Seiva do Amor do Santo Espírito, em fidelidade incondicional a Deus.

O Missal Cotidiano expressa de maneira contundente:

“Existem homens quase totalmente possuídos pelo espírito maligno, mas não temos o poder nem o direito de julgar os homens. Uma centelha de bondade e disponibilidade, portanto de contato com Cristo, pode ainda existir sob as cinzas em muitas vidas aparentemente rebeldes, egoístas e depravadas. E Jesus certamente não apagará a centelha.” (2) 

Acolhamos a Palavra do Senhor renovando sagrados compromissos com o Reino e agradecendo a Deus a sua misericórdia e paciência conosco:

“Ele não quebrará o caniço rachado, nem apagará o pavio que ainda fumega, até que leve o julgamento à vitória. E no Seu nome as nações terão esperança” (Mt 12,20-21).

Concluo com as palavras do Apóstolo Paulo:

“Mas em todas essas coisas somos bem mais que vencedores, graças Àquele que nos amou.

Pois estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes, nem a altura nem a profundeza, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do Amor de Deus, manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,37-39).


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - p.527.
(2) Missal Cotidiano - Editora Paulus - p.1368.

A linha de chegada e a superação do desânimo

                                    


                       A linha de chegada e a superação do desânimo
 
“Perguntaram a um ancião: ‘
Por que estou continuamente desanimado?
Ele respondeu:
‘Porque ainda não vês a linha de chegada’” (1)
 
Vivendo as primeiras páginas do Ano Novo, é tempo favorável de dar passos na realização de nossos projetos, ainda que não muitos, mas que não fiquem apenas no pensamento, na tela ou no papel.
 
Caso venham dificuldades e provações em sua realização, fundamental que não haja desistência: 

     - Avaliar e rever o que pode ser mudado é possível e desejável, mas não desanimar e tão pouco desistir.
 
Ressoem as palavras do Bispo São Pedro Crisólogo  (séc. V):
 
“Deus, que o mundo não pode conter, como o olhar limitado do homem o abrangeria? Mas o que deve ser, o que é possível, não é a regra do amor. O amor ignora as leis, não tem regra, desconhece medida. O amor não desiste perante o impossível, não desanima diante das dificuldades.”
 
Mais uma vez retomo um dito anônimo dos Pais do Deserto, em que nos chama a atenção para algo fundamental - que se entrelacem o pensamento, palavra e ação em cada passo, cada conquista, até a consumação do projeto pensado:
 
“Um ancião disse:
‘É isto que Deus exige de um homem:
Pensamento, palavra e ação.” (2)
 
Concluindo, creiamos que a “linha de chegada” logo adiante se apresentará, e isso nos ajudará a recobrar as forças. E, para quem crê, é fundamental que se ilumine e se deixe conduzir pela Palavra do Apóstolo Paulo – “Tudo posso n’Aquele que me fortalece.” (3)
 
 
(1)   Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n.92 – p.88
(2)  Idem – n.11-  p.94
(3) 
Fl 4,13



PS: Oportuno para todo o tempo.

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