quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Eucaristia: salutar Alimento

                                          


Eucaristia: salutar Alimento

Sejamos enriquecidos pelo Tratado contra as heresias, escrito por Santo Irineu de Lião (sec. II).

“Estão inteiramente loucos aqueles que rejeitam toda a economia de Deus, ao negar a salvação da carne e desprezar o seu novo nascimento, pois dizem que ela não é capaz de ser incorruptível. Pois se a carne não se salva, então nem o Senhor nos redimiu com o seu sangue, nem o cálice da Eucaristia é comunhão com o seu Sangue, nem o pão que partimos é a comunhão com o seu Corpo. Porque o sangue não pode ter origem a não ser das veias e da carne, e de tudo o que forma a substância do homem, pelo qual, tendo o Verbo de Deus a assumido verdadeiramente, nos redimiu com seu Sangue.

Como diz o Apóstolo: N’Ele temos a redenção pelo seu sangue e a remissão dos pecados. E, como somos os seus membros, e nos alimentamos por meio das coisas criadas, Ele mesmo põe à nossa disposição a sua criação, fazendo se erguer o sol e chover como Ele quer. Porque Ele mesmo ainda confessou que o cálice, tirado da natureza criada, é seu Sangue, com o qual fortifica nosso sangue; e o pão, que também é tirado da natureza criada, declarou ser seu próprio Corpo, com o qual fortifica nossos corpos.

Em consequência, se o cálice misturado com água e o pão que foi produzido recebem a Palavra de Deus para converterem-se na Eucaristia do Sangue e do Corpo de Cristo, e mediante estes a carne de nosso ser se fortalece e se desenvolve, como eles podem negar que a carne seja capaz de receber o dom de Deus que é a vida eterna, já que se nutriu com o Sangue e o Corpo de Cristo, e se converteu em seu membro?

Quando o bem-aventurado Apóstolo escreve em sua Carta aos Efésios: Somos membros de seu corpo, de sua carne e de seus ossos, não diz isto de algum homem espiritual e invisível - pois um espírito não tem carne nem ossos -, mas daquele ser que é verdadeiro homem, que está formado por carne, ossos e nervos, o qual se nutre do Sangue do Senhor e se desenvolve com o pão de seu Corpo.

Quando um galho separado da videira é plantado na terra, apodrece, cresce e se multiplica por obra do Espírito de Deus que contém tudo.  Logo, pela sabedoria divina, torna-se útil aos homens, e recebendo a Palavra de Deus se converte na Eucaristia, que é o Corpo e o Sangue de Cristo. De modo semelhante, também nossos corpos, alimentados por esta Eucaristia e sepultados na terra, nela apodrecem para ressuscitar no tempo oportuno, quando o Verbo de Deus os fará ressuscitar para a glória de Deus Pai.

Ele é quem transforma o mortal em imortal e ao corruptível concede gratuitamente tornar-se incorruptível, pois o poder de Deus se manifesta na fraqueza.” (1)

O Tratado de Santo Irineu de Lion nos remete a Santo Inácio, que dizia que a Eucaristia "é remédio de imortalidade, antídoto para não morrer, mas para viver em Jesus Cristo para sempre".

Participantes da Mesa da Eucaristia, nos alimentamos do Corpo e Sangue do Senhor, pão e vinho transubstanciados na Oração Eucarística.

Oportuno que rezemos, aprofundemos e saboreemos em cada Missa, as riquezas dos Prefácios das Orações Eucarísticas, bem como a diversidade de Orações Eucarísticas que o Missal Romano nos oferece.

Fundamental que sejam escolhidas sempre em conformidade com a Liturgia celebrada, na estreita relação da Mesa da Palavra com a Mesa da Eucaristia, para ressoar no testemunho cotidiano. Amém.

 

 

(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - pág. 446-447

Em poucas palavras...

                                                              


Óleo da Consolação e Vinho da Esperança

“Em sua vida terrena, Ele passou fazendo o bem e socorrendo todos os que eram prisioneiros do mal.

Ainda hoje, como bom samaritano, vem ao encontro de todos os que sofrem no corpo ou no espírito, e derrama em suas feridas, o óleo da consolação e o vinho da esperança.

Por este dom da vossa graça, também quando nos vemos submergidos na noite da dor, vislumbramos a luz Pascal em vosso Filho morto e ressuscitado.” (1)

 

 

(1) Missal Romano – Prefácio Tempo Comum VIII

Em poucas palavras...

                                            


“A escolha dos Doze...”

“O Senhor Jesus dotou a sua comunidade duma estrutura que permanecerá até ao pleno acabamento do Reino. Temos, antes de mais, a escolha dos Doze, com Pedro como chefe (Mc 3,14-15).

Representando as doze tribos de Israel (Mt 19,28; Lc 22,30), são as pedras do alicerce da nova Jerusalém (Ap 21,12-14).


Os Doze (Mc 6,7) e os outros discípulos (Lc 10,1-2) participam da missão de Cristo, do seu poder, mas também da sua sorte (Mt 10,25; Jo 15,20). 

Com todos estes atos, Cristo prepara e constrói a sua Igreja.” (1)

 

(1)              Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 765


Pelo sim de Maria, Ele Se fez Carne e habitou entre nós

                                                                


Pelo sim de Maria, Ele Se fez Carne e habitou entre nós

No dia 7 de outubro celebramos a memória de Nossa Senhora do Rosário, e a Igreja nos apresenta, no Ofício das Leituras, parte do Sermão do Abade São Bernardo (séc. XII), que nos enriquece na meditação sobre os Mistérios da Salvação.

“O Santo, que nascer de ti, será chamado Filho de Deus (cf. Lc 1,35), fonte de sabedoria, o Verbo do Pai nas alturas! Este Verbo, através de ti, Virgem santa, Se fará Carne, de modo que Aquele que diz: Eu no Pai e o Pai em mim (Jo 10,38), dirá também: Eu saí do Pai e vim (Jo 16,28).

No princípio, diz João, era o Verbo. Já borbulha a fonte, mas por enquanto apenas em si mesma. Depois, e o Verbo era com Deus (Jo 1,1), habitando na luz inacessível.

O Senhor dizia anteriormente: Eu tenho pensamentos de paz e não de aflição (cf. Jr 29,11). Mas teu pensamento está dentro de ti, ó Deus, e não sabemos o que pensas; pois quem conheceu a mente do Senhor ou quem foi seu conselheiro? (cf. Rm 11,34).
  
Desceu, por isto, o pensamento da paz para a obra da paz: O Verbo Se fez Carne e já habita em nós (Jo 1,14). Habita totalmente pela fé em nossos corações, habita em nossa memória, habita no pensamento e chega a descer até a imaginação.

Que poderia antes o homem pensar sobre Deus, a não ser talvez fabricando um ídolo no coração? Era incompreensível e inacessível, invisível e inteiramente impensável; agora, porém, quis ser compreendido, quis ser visto, quis ser pensado.

De que modo, perguntas? Por certo, reclinado no presépio, deitado ao colo da Virgem, pregando no monte, pernoitando em Oração; ou pendente da Cruz, pálido na morte, livre entre os mortos e dominando o inferno; ou ainda ressurgindo ao terceiro dia, mostrando aos Apóstolos as marcas dos cravos, sinais da vitória, e, por último, diante deles subindo ao mais alto do céu.

O que não se poderá pensar verdadeira, piedosa e santamente disto tudo? Se penso algo destas realidades, penso em Deus e em tudo Ele é o meu Deus. Meditar assim, considero sabedoria, e tenho por prudência renovar a lembrança da suavidade que, em essência tão preciosa, a descendência sacerdotal produziu copiosamente, e que, haurindo do alto, Maria trouxe para nós em profusão.”

Pelo “sim” de Maria, o Verbo Se fez Carne e habitou entre nós, por obra do Espírito Santo e habitou entre nós. O Verbo veio do alto para nos redimir, como tão bem expressou o Abade: 

Aquele que “era incompreensível e inacessível, invisível e inteiramente impensável; agora, porém, quis ser compreendido, quis ser visto, quis ser pensado.”

Temos em tão poucas palavras um itinerário da Encarnação do Verbo, feito criança até a Sua glorificação no céu, onde Reina glorioso junto de Deus.

Silenciemo-nos e contemplemos Jesus:

“... reclinado no presépio, deitado ao colo da Virgem,
pregando no monte, pernoitando em oração;
ou pendente da Cruz, pálido na morte,
livre entre os mortos e dominando o inferno;
ou ainda ressurgindo ao terceiro dia,
mostrando aos Apóstolos as marcas dos cravos,
sinais da vitória, e, por último, diante deles subindo
ao mais alto do céu”.

A Oração que o Senhor nos ensinou...

                                                           

A Oração que o Senhor nos ensinou...

Na passagem do Evangelho (Lc 11,1-4), Jesus nos ensina a rezar, de modo que a Oração daquele que crê deve ser um diálogo confiante, como uma criança em relação ao pai.

Para Jesus, a Oração é o espaço do encontro pessoal e íntimo com o Pai, e o momento fundamental para o discernimento de Sua vontade, de Seu Projeto a ser realizado.

Jesus nos ensina a Oração do Pai Nosso e nos coloca em atitude de diálogo com o Pai, como filhos, e ao mesmo tempo nos põe no caminho da realização do Seu Plano, na construção de um mundo novo, numa comunhão fraterna a ser construída cotidianamente.

A caminho de Jerusalém, nos ensina a força e a importância da Oração na vida dos Seus seguidores, assim como foi fundamental em todos os grandes momentos decisivos do próprio Jesus, como tão bem nos apresenta o Evangelista Lucas na Eleição dos Doze (Lc 6,12); antes do primeiro anúncio da Paixão (Lc 9,18); na Transfiguração (Lc 9,28-29); após o regresso dos discípulos da missão (Lc 10,21); na última Ceia (Lc 22,32); no Getsemani (Lc 22,40-46); na Cruz (Lc  23, 34-46).

Quanto ao conteúdo:

“Santificado seja o Vosso nome” – que Deus Se manifeste como Salvador aos olhos de todos, através de nossa conduta, marcada pela justiça, bondade e santidade;

“Venha o Vosso Reino” – que o mundo novo proposto por Jesus se torne uma realidade na vida da humanidade – Reino de amor, verdade, justiça e liberdade...

“O pão de cada dia” – Deus nos concede o essencial para vivermos. Oferece o pão material, mas acima de tudo o Pão espiritual. Com Deus nada nos falta. Ele nos dá o próprio Filho, o Pão da Vida que sacia a fome e a sede da humanidade: amor, alegria, perdão, comunhão, fraternidade...

“Perdão dos pecados” – sem a experiência da misericórdia divina, somos incapazes de perdoar e pedir perdão. Acolhidos pela misericórdia e por ela perdoados, para também acolher e perdoar o irmão que pecou contra nós.

“Não nos deixeis cair em tentação” – que nosso coração não seja seduzido por felicidades ilusórias e transitórias, mas que pautemos a nossa vida na busca da felicidade duradoura, eterna, a fim de que tenhamos vida plena e feliz.

A Oração do Pai Nosso, em síntese, pode ser assim apresentada:

- Que Deus seja reconhecido como Deus: um Pai misericordioso e nos trata como filhos;

- Um Projeto de Amor que Deus tem para a humanidade;

- Três pedidos fundamentais: pão para viver; perdão para amar e liberdade para ficar de pé e pôr-se sempre a caminho.

Pode parecer estranha a afirmação, mas na Escola de Jesus aprendemos a rezar verdadeiramente, em forma e conteúdo. A Oração que Jesus nos ensina transforma a vida de quem a reza e põe em prática.

Não podemos repetir a Sua Oração, sem saborearmos Palavra por Palavra de seu conteúdo vital e irradiador de alegria e luz, que plenifica com a Sua vida e a Sua graça, porque feita sob a ação e presença do Espírito, dirigida confiantemente ao Pai.

Uma Oração verdadeira precisa ser essencialmente Trinitária, nos inserindo nesta comunhão intensa e profunda de Amor.

Com isto, a Oração é, em sua exata medida, um diálogo intenso, profundo com a Trindade Santa, que nos envolve pela presença e ternura divinas.

Rezando o Pai Nosso, repetimos as Palavras de Nosso Senhor, e é fundamental que sejamos guiados pelo Espírito Santo para colocar em prática aquilo que rezamos, para que a vontade de Deus Pai se realize. Amém. 

Em poucas palavras...

                                    


Proclamação do Mistério de Cristo

“Unidos no amor, celebramos a sua morte; vivendo a fé, proclamamos a sua ressurreição e, com firme esperança, aguardamos a sua vinda na glória.” (1)

 

 

(1)               Prefácio Comum V – Missal Romano

“Aonde chega Deus, aí chega também a alegria”

                                                              


“Aonde chega Deus, aí chega também a alegria”

A passagem do Evangelho de Lucas (Lc 1,26-38) nos apresenta a visitação do Arcanjo Gabriel a Maria, e seu “sim” dado, para que a Encarnação do Verbo acontecesse, sendo nela gerado pela ação do Espírito Santo.

Sem dúvida, uma página que nos convida a refletir sobre os efeitos da chegada de Deus em nossas vidas, em todo o Tempo:

“Aonde chega Deus, aí chega também a alegria: a narração começa com o convite ‘Alegra-te’ (Lc 1,28); traduzido com a saudação ‘Ave’ e termina com a exclamação jubilosa da Virgem: ‘Faça-se!” (Lc 1,38)”.

Continuemos nos preparando para celebrar o Nascimento do Salvador, do Menino Jesus, não como um acontecimento do passado, mas que se dá em cada momento da nossa vida, quando aprendemos, com Maria, a ser totalmente “sim” para a vontade divina, pois de fato, “aonde chega Deus, aí chega também a alegria”. 

Continuemos vigilantes e em oração, à espera do Senhor que veio, vem e virá, cumulando-nos de amor e alegria.

Aguardemos, ansiosos, a “chegada de Deus”, e esta alegria que chegará com Ele, seja comunicada a tantos quantos precisam de nossa presença, acolhida e solidariedade.

Seja o Natal a Festa da chegada d’Aquele que vem para conosco continuar a caminhar, lado a lado, em nossa difícil e desafiadora missão de evangelizar, sobretudo num contexto de mudança de época.

Se muitos são os desafios, bem mais forte e necessária será a presença de Jesus conosco.

Alegremo-nos, pois Ele está para chegar! Já sentimos a irradiação da alegria com a Sua divina e desejada chegada, e que encontre acolhida e espaço em nossos corações e em nossos lares, bem como em todos os corações de boa vontade.

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