quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Aprendamos com Maria o segredo da felicidade

                                                              

Aprendamos com Maria o segredo da felicidade

A anunciação do Anjo Gabriel a Maria de que seria a Mãe do Salvador é uma das páginas mais belas da Sagrada Escritura: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Tua Palavra” (Lc 1,26-38).

Este sim de Maria – “Faça-se em mim” é ao mesmo tempo disposição passiva e adesão ativa. É uma adesão singela e pura de Maria à vontade de Deus. 

Jamais poderíamos entender disposição passiva como imposição da vontade Divina, que respeita a nossa vontade.

Ele não impõe Sua vontade, mas a acolhida e a realização da mesma implicam em alegre tomada de decisão.

Em Maria, a adesão à vontade de Deus e sua obediência não se traduziram em preguiça e dificuldade, mas alegria e decisão. Quem a Deus segue está pleno de Seu Espírito e caminha de coração alegre, de ânimo notável, ainda que por estradas fatigantes.

Deus não quer nossa passividade, ao contrário, nos quer ativos e conscientes dentro de Seu Projeto de Salvação. De modo que podemos afirmar que a felicidade humana é diretamente proporcional à acolhida e realização da vontade de Deus.

Por isto também podemos afirmar que Maria foi e é a mulher mais feliz que o mundo conheceu, cheia de graça divina, primeiro tabernáculo do Verbo.

Logo em seguida da anunciação, o Evangelista Lucas nos apresenta outro momento de extrema beleza: a visitação de Maria à sua prima Isabel. Duas mães, embora de idades tão diferentes, se encontram e entoam um único hino de louvor e alegria a Deus.

Lucas retratando a visitação faz um paralelo muito interessante entre a Arca da Aliança e o Verbo no ventre de Maria. Tanto Maria como a Arca permanecem três meses numa casa da Judeia (cf. Lc 1,56 e 2 Sm 6,11).

Ele apresenta Maria como sendo a nova Arca da Aliança. Quando na plenitude dos tempos Deus enviou Seu Filho, nascido de uma mulher (Gl 4,4), Ele já não habita mais em construções de pedra, mas num templo sagrado, no seio de uma mulher e ela,  Maria,  tornou-se o primeiro Sacrário do Verbo que se fez Carne.

A presença de Maria – a nova Arca da aliança – é uma irradiação e explosão de alegria. Contemplemos João exultando de felicidade e Isabel em calorosas exclamações de alegria por ser visitada pela Mãe do Seu Senhor.

Santo Ambrósio sobre esta passagem assim comenta:

“A criança exultou, a mãe ficou cheia do Espírito Santo. A mãe não se antecipou ao filho; mas estando o filho cheio do Espírito Santo, comunicou-o a sua mãe. João exultou; o espírito de Maria também exultou.

A alegria de João se comunica a Isabel; quanto a Maria, porém, não nos é dito que recebesse então o Espírito, mas que seu espírito exultou. – Aquele que é incompreensível agia em Sua mãe de modo incompreensível – Isabel recebe o Espírito Santo depois de conceber; Maria recebeu antes. Por isso, Isabel diz a Maria: Feliz és tu que acreditaste (cf. Lc 1,45).”

É a grande exultação dos pobres pela promessa de libertação, que agora é mais do que uma realidade em si. Esta alegria perpassará por todo o tempo e por toda a história da humanidade.

Quem melhor do que ela, Maria, a pobre por excelência, a serva do Senhor, a nova Arca da Aliança, para nos ensinar o segredo da felicidade?

Igrejas, santuários e peregrinações

                                              


Igrejas, santuários e peregrinações

Vejamos o que nos diz o parágrafo n. 2691 do Catecismo da Igreja Católica sobre a igreja:

“A igreja, casa de Deus, é o lugar próprio da oração litúrgica para a comunidade paroquial. É também o lugar privilegiado para a adoração da presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento. A escolha dum lugar favorável não é indiferente para a verdade da oração:

– para a oração pessoal, pode servir um «recanto de oração», com a Sagrada Escritura e ícones (imagens) para aí se estar «no segredo» diante do Pai (Mt 6,6). Numa família cristã, este gênero de pequeno oratório favorece a oração em comum;

– nas regiões onde existem mosteiros, tais comunidades estão vocacionadas para favorecer a participação dos fiéis na Liturgia das Horas e permitir a solidão necessária para uma oração pessoal mais intensa (Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Perfectae caritatis, 7: AAS 58 (1966) 705);

– as peregrinações evocam a nossa marcha na terra para o céu. São tradicionalmente tempos fortes duma oração renovada. Os santuários são, para os peregrinos à procura das suas fontes vivas, lugares excepcionais para viver «em Igreja» as formas da oração cristã.”

Como é importante cuidar bem de nossas igrejas, para que favoreçam nosso encontro de recolhimento e encontro com o Mistério de Amor da Santíssima Trindade.

Sejam elas espaços do encontro com nossos irmãos e irmãs, para a celebração dos Sacramentos, e de modo especialíssimo, do Sacramento da Eucaristia, fonte e ápice da vida cristã, vivendo o Ano Jubilar (2025) como  tempo de graça, reconciliação e renovação espiritual.

Segundo a tradição, cada Jubileu é proclamado através da publicação de uma Bula Papal (ou Bula Pontifícia) de Proclamação.

A “Bula” é um documento oficial, geralmente escrito em latim, com o selo do Papa, cuja forma dá o nome ao documento. 

Para este Jubileu, temos a Bula “Spes non confundit”, do Papa Francisco, que proclamou o Jubileu Ordinário de 2025, com o tema central “A esperança não decepciona” (Rm 5,5).

É fundamental retomarmos o que se disse sobre santuários e igrejas em relação às peregrinações:

“– as peregrinações evocam a nossa marcha na terra para o céu. São tradicionalmente tempos fortes duma oração renovada. Os santuários são, para os peregrinos à procura das suas fontes vivas, lugares excepcionais para viver «em Igreja» as formas da oração cristã.”

Vivamos o Jubileu com criatividade e, dentro das possibilidades, façamos nossas romarias, peregrinações, e que estas atividades todas nos façam cada vez mais comprometidos com a vida nova que brota da misericórdia de Deus a nós comunicada, com as indulgências e perdão alcançados. Amém.


PS: Escrito em 2025 - mas oportuno para todo o tempo.

“Venha a nós o Vosso Reino..."

                                                                            

“Venha a nós o Vosso Reino..."

Aprofundemos esta súplica que sempre fazemos ao rezar a Oração do Senhor, o Pai Nosso: “Venha a nós o Vosso Reino...”

Oportunas são as palavras do Prefácio da Missa da Solenidade de Cristo Rei:

“Com óleo de exultação, consagrastes Sacerdote Eterno e Rei do universo Vosso Filho único, Jesus Cristo, Senhor nosso. Ele, oferecendo-Se na Cruz, vítima pura e pacífica, realizou a redenção da humanidade. Submetendo ao Seu poder toda criatura, entregará à Vossa infinita majestade um Reino eterno e universal:Reino da verdade e da vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz...”

Reino Eterno: 
Quantos reinos passaram, quantos impérios sucumbiram, pois nenhum poder terreno é eterno.
A história tem suas escritas, suas lembranças, ora belas, ora amargas da dominação de verdadeiros impérios, domínios, reinos...
Humanos que  pretenderam ser como deuses, infalíveis, eternos... Mas, ficaram apenas lembranças, às vezes edificantes, outras vezes nem tanto...

O Reino de Jesus é eterno porque implantado no amor e pelo amor. Carrega em sua origem, o princípio vital da eternidade porque procede e volta para oEterno: Deus. Como Deus é Amor, e o Amor jamais passará, Seu Reino jamais passará. 

Reino Universal: 
O Reino de Deus não conhece limites do tempo, nem do espaço e abrange todo o tempo, toda existência, todos os povos, todo o universo.

É a recapitulação e reconciliação da História, de toda criação e de toda criatura.  Sua universalidade faz de todos os povos um só povo, expressão da mais perfeita comunhão, fraternidade e paz.

Reino da Verdade:
Ele mesmo Se apresentou a nós como a Verdade que liberta – “conhecereis a Verdade e vos tornareis verdadeiramente livres”.
Toda Sua vida foi uma verdade absoluta e irrevogável do amor de Deus por nós.

Seu agir foi todo pautado pela verdade, denunciando mentiras e hipocrisias, enfrentando o pai da mentira (Satanás).
Desamarrou as correntes da mentira que aprisionavam as pessoas, rompeu tudo aquilo que impedia emergir no coração e na mente humana a verdade que traz alegria, serenidade, noites bem dormidas, amanhecer pleno de luz.

Reino da Vida:
Também Se apresentou a toda humanidade e em todo o tempo, como a Vida, e disse literalmente:
“Vim para que todos tenham vida e tenham vida plenamente”.

Não veio trazer vida apenas para o presente, para nós trouxe a vida livre da temporalidade inexorável.
Abriu-nos as portas da vida na eternidade.

Rompeu os muros que nos separavam da vida eterna, construída pelo pecado, pela desobediência. O esplendor da vida que perdêramos com o pecado de nossos pais, Ele nos recuperou plenamente. Assegurou-nos a beleza da vida desde sua concepção até seu declínio natural, para que possa desabrochar na presença de Deus: céu. 

Reino da Santidade:
Fomos predestinados a uma vocação única: A santidade. Santidade, não como uma vida para além das nuvens. Pés fincados no chão, coração para Deus voltado, olhos por Ele iluminados com o indispensável colírio da fé. 

Santidade como compromisso com aqueles que nos rodeiam, como desejo de construir pontes indestrutíveis que nos fazem mais humanos, mais fraternos, mais verdadeiramente imagem e semelhança de Deus.

Santidade não como angelismo desencarnado, irresponsável e estéril, que nos faria infantilizados. Santidade rima na palavra e no conteúdo com responsabilidade, fraternidade, maturidade, dignidade, sobriedade... 

Reino da Graça: 
Deus Se relaciona conosco no puro amor, na perfeita doação, ação restauradora; cumula-nos com todos os benefícios; Sua ternura por nós é transbordante; gera e edifica cada pessoa que o coração a Ele abre.

Reino da graça é o Reino em que não há espaço para a violação da vida, como a fome, o frio, o abandono, a solidão, o encarceramento, a enfermidade sem presença amorosa e confortadora.

A acolhida da graça de Deus torna a vida mais bela, pois esta é o Seu cuidado para conosco em todo o tempo.
 
Reino da Justiça: 
Um Reino em que as relações se dão na perfeita harmonia, na justa medida, chegando à expressão da misericórdia.
A justiça humana não dispensa o aprendizado da misericórdia divina. A justiça extingue toda possibilidade de roubo, exclusão, oportunismo, mentira, hipocrisia, indiferença, omissão... 

Reino do Amor: 
Será que é preciso dizer algo sobre esta marca de Seu Reino?
Se algo faltar em sua reflexão, convido-o a retomar o Evangelho de São João (15), em que nos exorta a amar como Ele nos amou, eis o novo Mandamento.

Ou ainda o capitulo 13 de São Paulo aos Coríntios: O hino da caridade. Se ainda algo fosse preciso dizer, se ainda não se sinta saciado é imprescindível e deleitoso ler a 1.ª Carta de São João...

Reino da Paz: Shalon! 
Plenitude de bens, abundância de tudo aquilo que nos faz pessoas verdadeiramente felizes, porque quem participa do Reinado de Jesus, Rei Bom Pastor, Rei Soberano e Juiz, só pode gozar da plenitude da alegria, da vida e da  paz.

“Venha a nós o Vosso Reino” 

É fazer de nosso coração o trono em que Ele possa reinar. E quando Ele reina em cada um de nós, nossa vida fica marcada pela verdade, com desejo profundo de santidade, na acolhida e abertura da graça, para que nos relacionemos na justiça, testemunhando O Amor que traz a verdadeira paz!

Seremos eternos e nos comunicaremos na linguagem da universalidade, a linguagem do Espírito: A linguagem do amor.

“... Senhor eu sei que é Teu este lugar, todos querem Te adorar...
Podes Reinar Senhor Jesus oh sim,
O Teu poder Teu povo sentirá. Que bom,
Senhor, saber que estás presente aqui,
Reina, Senhor, neste lugar...”


PS: Oportuno para reflexão da passagem da Primeira Carta de Paulo aos Tessalonicenses ( 1 Ts 3,12-4,2).

Em poucas palavras...

                                    


Acolhida e hospitalidade fecunda

“Tendo acreditado em Deus (Gn 15,6) caminhando na sua presença e em Aliança com Ele (Gn 17,1-2), o patriarca está pronto para acolher na sua tenda o Hóspede misterioso: é a admirável hospitalidade de Mambré, prelúdio da Anunciação do verdadeiro Filho da promessa (Gn 18,1-5; Lc 1,26-38).

Desde então, tendo-lhe Deus confiado o seu desígnio, o coração de Abraão fica em sintonia com a compaixão do seu Senhor pelos homens e ousa interceder por eles com uma confiança audaciosa (Gn 18,16-33).” (1)

 

 

(1)               Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2571

Com Maria, sejamos sim para Deus

                                                               

Com Maria, sejamos sim para Deus

À luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 1,26-38), refletimos sobre o Projeto de Salvação que Deus tem para todos os povos, a ser realizado por meio de Jesus Cristo, como nos fala o Apóstolo Paulo (Rm 16,25-27), com o Sim de Maria para a sua Encarnação.

Com Jesus Cristo, por Sua vida, com Suas palavras, gestos, sobretudo com Sua Morte e Ressurreição, nos tornamos partícipes da herança.

No diálogo do anjo Gabriel com Maria, contemplamos o sim de uma jovem para a realização deste Projeto de Salvação.

De uma aldeia, de um lugar insignificante, Deus quis nascer e inaugurar uma nova história, contando com a participação de uma simples jovem, desconhecida do povo. Ele não nasceu em palácios nem de notáveis.

Jesus nascendo de Maria por obra do Espírito Santo, contando também com a participação de José, Deus lhe confere a descendência real da estirpe de Davi.

Voltemo-nos para Maria: Ela é cheia de graça, segundo o anjo, porque é objeto da predileção divina. “O Senhor está contigo”, significa que é vocacionada pelo Pai e conta com a ação e assistência do Espírito Santo. Maria é amada, escolhida, e tem papel fundamental no Projeto Divino.

Contemplemos a forma como Maria vai acolhendo em seu coração a vontade de Deus: diálogo sincero, aberto, sem máscaras, coloca nas mãos do anjo mensageiro de Deus suas dúvidas, medos, incertezas.

Maria embarca numa aventura de amor, consciente, confiante e totalmente disponível, mais ainda, em disponibilidade incondicional.

Maria é simplesmente um sim incondicional ao Projeto de Deus, com confiança plena e incontestável.

O diálogo com o Anjo possibilita, também, a contemplação da onipotência divina que conta, paradoxalmente, com a fragilidade humana, sintetizada de modo muito especial na figura de Maria.

Reflitamos:

-   Qual é a minha disponibilidade de participação neste Projeto Divino de Salvação?
-   Deus pode contar comigo em Seu projeto de Salvação?

-   Qual a intensidade de esperança, alegria e gratidão por ser participante deste Projeto?
-   Como tem sido a minha preparação para acolhida do Verbo?

-   Qual é a profundidade da comunhão e sintonia com Deus e a Sua vontade em minha vida?
-   Dou um sim incondicional para que a vontade de Deus se cumpra?

Pelo sim de pessoas tão humildes e pobres, atentas à vontade de Deus, Jesus entra na História da Salvação da humanidade.

Como Igreja, tenhamos a fecundidade do Espírito, a exemplo de Maria, que acolheu o Verbo e exultou de alegria, como mãe de uma geração santa e irrepreensível na concretização da vontade divina, como instrumentos do Seu Reino.

Contemplemos a presença do “Senhor Onipotente” em nosso meio, contando conosco, mesmo com nossas imperfeições, fraquezas, como servos inúteis que o somos.

Que o Sim de Maria ressoe no mais profundo de nós:
“Eis aqui a serva do Senhor, faça-se
em mim conforme Sua Palavra”.

“Pai Nosso que estais nos céus...”

                                               


“Pai Nosso que estais nos céus...”
 
Disse o Senhor na passagem do Evangelho de João (Jo 16,23b-28): “Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, Ele vo-la dará” (Jo 16,23b).
 
Oportuno um aprofundamento sobre a autêntica oração, que deve acompanhar a vida do  discípulo missionário do Senhor, pois esta, feita em Seu nome, deve nascer da profunda intimidade com Ele, de tal modo que, a Ele configurados, haveremos de ter mesmos sentimentos (Fl 2,1-11).
 
Tudo isto nós vemos e encontramos na mais bela oração que Ele mesmo no-la ensinou: o “Pai-Nosso” (Mt 6,7-15; Lc 11,1-4), que ora refletimos:
 
- A manifestação da glória do Pai – “Pai Nosso que estais nos céus, santificado seja o Vosso nome” – amar a Deus sobre todas as coisas; santificar Seu nome por uma vida que expresse nossa filiação, como imagem e semelhança D’Ele criados; profunda e perfeita sintonia com Deus em todos os momentos;
 
- A vinda do Reino de Deus – “Venha a nós o Vosso Reino” – o Reino de Deus, como assim rezamos no Prefácio da Missa da Solenidade de Cristo Rei: “Com óleo de exultação, consagrastes Sacerdote Eterno e Rei do universo Vosso Filho único, Jesus Cristo, Senhor nosso. Ele, oferecendo-Se na Cruz, vítima pura e pacífica, realizou a redenção da humanidade. Submetendo ao Seu poder, toda criatura entregará à Vossa infinita majestade um Reino eterno e universal: Reino da verdade e da vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz...” 
 
- A  amorosa  vontade  divina  –  ―”Seja  feita  a  vossa  vontade  assim  na  terra  como  nos céus” -  Nada pode sobrepor à vontade divina, de modo que não podemos nos submeter à busca de fins mesquinhos e egoísticos. Ser capaz de sacrificar caprichos e vontades de tal modo que estas sejam cada vez mais em conformidade à vontade divina, que nem sempre poderá corresponder à nossa, na mais perfeita sintonia;
 
- A súplica pelo pão cotidiano – “O pão nosso de cada dia nos dai hoje” – é preciso pedir o pão cotidiano, porque a salvação atua neste mundo e na história. Peçamos O Pão de Eternidade, O Pão da Eucaristia e com ele o amor, a vida, a alegria, a paz, a solidariedade, a salvação. Podemos e devemos, como cristãos, também, pedir as coisas temporais, mas desde que sejam fundamentais para o nosso viver com sobriedade, numa vida fugaz, sem ficarmos presos às armadilhas do consumo supérfluo, sem critérios ou sem medidas, numa insaciabilidade prejudicial a si mesmo, sem a solidariedade com os mais empobrecidos do essencial para uma vida digna;
 
- O perdão dos pecados – “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” – Suplicar o perdão divino é necessário, mas não nos dispensa de viver o mesmo em relação ao nosso próximo. Se experimentarmos o amor e o perdão divinos, verdadeiramente, poderemos viver a graça do perdão também concedido – “Pois, se perdoardes aos homens os seus pecados, também Vosso Pai celeste vos perdoará: mas se não perdoardes aos homens, vosso Pai também não perdoará vossos delitos” (Mt 6,14);
 
- Preservação e libertação da tentação – “Não nos deixeis cair em tentação” – as tentações do Maligno, que Nosso Senhor venceu no deserto (ter, poder e ser – acúmulo, domínio e prestígio respectivamente) – (Mt 4,1-11; Mc 1,12-13; Lc 4,1-13), e nos ensinou o mesmo a fazer, para que vivamos na liberdade, pois é para ela que Ele nos libertou, para que sejamos verdadeiramente livres (Gl 5,1); e ainda nos falou o Senhor – “Se permanecerdes na minha Palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8, 31-32);
 
- A libertação do mal – “Mas livrai-nos do mal” – para isto precisa da ação e presença dos dons do Espírito Santo para o discernimento, orientação dos passos e perseverança no testemunho das virtudes divinas (fé, esperança e caridade). Aqui lembramos as palavras que rezamos na conclusão do Pai Nosso ao celebrar a Santa Missa: “Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. Ajudados por vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto aguardamos a feliz esperança, e a  vinda do nosso Salvador, Jesus Cristo. Vosso é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém!”.
 
Concluímos com a leitura orante da passagem da Carta de São Paulo aos Gálatas (Gl 5,1-26), na qual ele nos exorta a viver a verdadeira liberdade e caridade, que devem ser marcas fundamentais dos discípulos missionários do Senhor, não satisfazendo os desejos da carne, mas conduzidos pelo Espírito.
 
Fonte: Missal Cotidiano – Editora Paulus – 1998 – p. 468-469.
 

Em poucas palavras...

                                                         


“Derramai, ó Deus, a vossa graça em nossos corações...”


Oremos:

“Derramai, ó Deus,  a vossa graça em nossos corações, para que, conhecendo pela mensagem do Anjo a encarnação do vosso Filho, cheguemos, por sua paixão e cruz, à glória da ressurreição. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.”


PS: Antiga fórmula do Missal Romano


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