terça-feira, 6 de outubro de 2026

Dos lábios do Senhor, mais que simples palavras...

                                                      


Dos lábios do Senhor, mais que simples palavras...

Naquela casa de Marta, Maria e Lázaro (Lc 10,38-42), a presença de Jesus era sempre a presença do Verbo encarnado, que Se fez Carne e habitou entre nós, e fazendo-Se Carne, nos envolveu com Seus laços de ternura, alegria e misericórdia.

Mais que simples palavras, saíam de Seus lábios ao falar com Maria, que escolheu a melhor parte, e assentou-se aos Seus pés: Palavras que ninguém antes falara, porque Ele falava com autoridade, como também o fazia em todos os lugares e todos ficavam extasiados, como narram os Evangelistas.

Mais que simples palavras, saíam dos lábios do Senhor Palavras que, como labaredas, como fogo abrasador, aquecem a alma de quem as ouve, como fazia dirigindo-Se aos enfermos, pecadores, paralíticos, acorrentados da alma, porque possuídos pelo espírito do mal, devolvendo a todos a alegria de viver, porque antes mergulhados na gelidez da indiferença, da dor e da exclusão.

Mais que simples palavras, saíam de Seus lábios. Palavras como que uma luz acesa após a outra, resplandecendo luminosidade divina, porque Ele não é apenas verdadeiramente homem, é também verdadeiramente Deus.

Mais que simples palavras, saíam de Seus lábios, e haverá sempre de sair, Palavras dirigidas a cada um de nós, desde que nos predisponhamos a parar, silenciar, ouvir, acolher e em prática colocá-las.

Entretanto, não basta que as Palavras saiam dos lábios do Senhor, é preciso que elas encontrem, em cada um de nós, um coração fértil, para que, ao cair, produzam muitos frutos para a glória de Deus, através de um amor oblativo, expressão de uma esperança que não nos permite esmorecimentos e tão pouco vacilos na fé, porque sabemos em quem confiamos: no Senhor e nas Palavras que saem de Seus lábios, de modo especial quando da Celebração Eucarística participamos.

Mais que simples palavras, saíam de Seus lábios, e que elas estejam nas entranhadas em nosso coração. Amém.

Glorifiquemos o nome de Deus

                                       


Glorifiquemos o nome de Deus

Com o comentário sobre Ageu, escrito pelo bispo São Cirilo de Alexandria séc. V), refletimos sobre o nome de Deus, que é glorificado entre todas as nações.

“Por ocasião da vinda de nosso Salvador, o templo se manifestou sem comparação mais glorioso e mais divino, mais ilustre e excelente do que o antigo.

Assim o julga quem percebe a diferença entre o culto da religião da lei e o culto evangélico de Cristo, e entre a realidade e sua sombra. 

A este respeito creio poder dizer o seguinte. Existia um só templo, unicamente, em Jerusalém, e um único povo, o israelita, ali oferecia sacrifícios. Todavia, depois que o Unigênito, sendo o Deus e Senhor que resplandeceu para nós (Sl 117,27), conforme a Escritura, Se tornou semelhante a nós, o restante do orbe da terra encheu-se de casas santas e de inumeráveis adoradores que honram com incenso e sacrifícios espirituais o Deus do universo.

Foi isto que, segundo me parece, predisse Malaquias, falando em nome de Deus: Porque sou Eu o grande rei, diz o Senhor, e meu nome é glorificado entre as gentes e em todo lugar se oferece incenso a meu nome e um sacrifício puro (cf. Mal 1,11). 

É, portanto, verdade que a glória do último templo – entenda-se a Igreja – seria maior. Aos dedicados que trabalham em sua edificação será dada pelo Salvador, como recompensa e dom do céu, o Cristo, paz de todos: por quem temos acesso junto ao Pai no único Espírito (cf. Ef 2,18). É o que afirma: Darei a paz a este lugar e paz da alma para aumento de todos quantos houverem trabalhado para levantar este templo (Ag 2,9).

Em outro lugar também diz Cristo: Eu vos dou a minha paz (Jo 14,27). Qual seja sua atuação nestes que O amam, Paulo explica: A paz de Cristo, que ultrapassa todo entendimento, guarde vossos corações e inteligências (cf. Fl 4,7).

Igualmente o sábio Isaías orava: Senhor, nosso Deus, dá-nos a paz, pois Tu nos tratas como nossas ações merecem (Is 26,12). Porque para quem recebeu uma vez a paz de Cristo, torna-se fácil guardar a própria alma e dirigir o esforço para o dom da virtude bem exercida. 

Por isto se declara que será dada a paz a todo aquele que constrói. Seja alguém edificador da Igreja e sacerdote, seja intérprete dos sagrados mistérios, foi estabelecido sobre a casa de Deus. E se cuidar de sua alma, vivendo como pedra viva e espiritual para o templo santo e habitação de Deus no Espírito (cf. Ef 2,22), alcançará por prêmio a salvação sem dificuldade.”

Glorifiquemos o nome de Deus, como Igreja que somos, vivendo como pedra viva e espiritual, para o templo santo e habitação de Deus no Espírito, como disse o apóstolo Paulo aos Efésios.

Como membros da Igreja, todos somos chamados, pelo batismo, a glorificar o nome de Deus, e assim o fazemos, quando nos tornamos alegres discípulos missionários do Senhor, com a força e presença do Espírito, que aquece nossos corações, e teremos a luz divina em nosso olhar.

Teremos, portanto, como os discípulos de Emaús, o coração ardente, os olhos abertos e os pés sempre a caminho, no anúncio e testemunho da Boa Nova do Reino de Deus.

 

Centralize Jesus em sua vida!

                                                          

Centralize Jesus em sua vida!

Naquele dia, o Senhor falou a Marta: “Andas inquieta com tantas coisas; Maria escolheu a melhor parte, e não lhe será tirada.” (Lc 10,38-42).

Ao discípulo (Mc 10,17-30), mandou-lhe que se centralizasse em uma só coisa e se abrisse e confiasse em Sua graça, que pessoalmente lhe propunha para a verdadeira felicidade e a vida eterna.

Mas era necessário para estes e todos nós, como discípulos missionários Seus, a abertura à verdadeira sabedoria, para o conhecimento de Jesus de modo espiritual, isto é, por meio do Espírito Santo, e, por meio d’Ele, o Pai.

Deste modo, o fazer a experiência de Jesus significa fazer a experiência da sabedoria e vice-versa.

Iluminadoras são as palavras de São Bernardo (séc. XII):

“Árido é todo alimento da alma se não for temperado com este óleo; insípido se não for temperado com este sal. Jesus é mel à boca, canto ao ouvido, júbilo para o coração.” (1)

A sabedoria espiritual da qual nos fala a Bíblia, é um ‘saborear e ver’ a Deus; é conhecer e saborear ao mesmo tempo.

Não se trata de um ato do intelecto, mas do coração, isto é, de toda a pessoa, incluído o corpo, e assim o deleite com a Verdade que nos foi revelada na Pessoa de Jesus, a Verdade que nos liberta.

Renunciar a tudo por causa deste conhecimento de Jesus e viver a sabedoria que nos vem do alto, que é loucura para os gregos, escândalo para os judeus (1Cor 1, 18-25).

Somente deste modo Jesus Cristo será o centro de nossa vida, e nada faremos sem que Ele ocupe esta centralidade.

Colocá-Lo no centro, é colocar ao mesmo tempo no centro de nossa vida a Verdade, o Amor, a Alegria, a Paz, a Luz, a Vida, a Salvação e quanto mais d’Ele possamos dizer...

Centralize Jesus em sua vida e seja feliz!
Centralize Jesus em sua vida, e sua família será um santuário da vida.
Centralize Jesus em sua vida, e estará empenhado num mundo mais justo e fraterno.

Centralize Jesus em sua vida, e terá a sabedoria que vem do alto.
Centralize Jesus em sua vida, e será mais humano e fraterno.

Centralize Jesus em sua vida, e terá força para enfrentar toda e qualquer dificuldade.
Centralize Jesus em sua vida, e terá um coração ardente, porque Ele tem a Palavra que abrasa o coração.

Centralize Jesus em sua vida, porque por Ele fomos criados, com Ele devemos viver e nos mover, para que também, um dia, para Deus na comunhão eterna com o Santo Espírito vivamos.

Centralize Jesus em sua vida, e as tardes gris cederão ao brilho do sol, até o seu último raio, se pondo maviosamente no horizonte, escondendo-se atrás de uma colina.

Centralize Jesus em sua vida, e cada amanhecer será precedido da certeza de que o Sol da Justiça nasce para nos aquecer, iluminar e nos conduzir por novos caminhos.

Centralize Jesus em sua vida, e saberá usar as coisas que passam e abraçar as que não passam; que nos conduzem à eternidade.

Centralize Jesus em sua vida...



(1) Serm. 15 super Cantica
PS: Fonte inspiradora: O Verbo se faz carne – Editora Ave Maria - p. 452-453

Sentemo-nos aos pés do Senhor!

                                                               


Sentemo-nos aos pés do Senhor!

O Evangelho de Lucas nos apresenta uma cena tão marcante e conhecida, mas que sempre nos traz algo novo ao coração: “Jesus visitando a casa de Marta e Maria...” (Lc 10,38-42).

Maria aos pés de Jesus, com sabedoria, escolhe a melhor parte que não lhe será tirada; Marta preocupada e mergulhada em suas atividades...

Jesus jamais teria feito apologia do espiritual em detrimento da atividade, do compromisso laboral.

Uma só coisa é necessária: acolher Sua Pessoa e escutar Sua Palavra.

Não há, porém, acolhida de Sua Pessoa sem a escuta de Sua Palavra, bem como é inseparável o imperativo de vivê-la. Não são coisas distintas!

A fecundidade da ação é consequência da intimidade que temos com o Senhor.

A escuta, a Oração, o retirar-se para nos colocarmos diante do Senhor em atitude de silêncio jamais foi ou será perda de tempo...

A escuta nos reenvia diferenciados para a vida cotidiana, algo diferente transparece em cada ato.

Cada atitude, por menor que seja, revestida da Luz Divina, tem uma dimensão de eternidade, e assim saberemos construir uma necessária hierarquia de valores.

Somente a escuta atenta do que Ele tem a nos dizer, a acolhida de Sua Pessoa e Palavra nos farão fazer bem todas as coisas, como Ele sempre o fez! 

A verdadeira hospitalidade passa necessariamente pela acolhida do outro e do Absolutamente Outro: Deus!

Roguemos, portanto, a Sabedoria Divina, colocando-nos, como Maria aos Seus pés, abrindo nossos ouvidos e coração ao que Ele tem a nos dizer e a nos oferecer!

Num mundo marcado pelo ativismo desenfreado, pelos ruídos ensurdecedores da cidade, colocarmo-nos diante do Senhor é como saciar a sede em pleno deserto e assim poder continuar o caminho...

Se como Maria nos pusermos aos pés do Senhor. faremos com novo impulso e ardor todas as coisas. Muito oportuno para nossa espiritualidade missionária, pois se não aprendermos com Maria, muito facilmente poderemos nos cansar e até mesmo desistir de o bem fazer, da Palavra pregar, do amor comunicar.

Não haverá êxito na missão, ou em qualquer coisa que façamos, se não houver antes o silêncio necessário diante do Senhor, que deseja estabelecer conosco a comunhão, o diálogo, a intimidade, a amizade verdadeira, profunda e frutuosa. 

Dentro de cada um de nós há um pouco de Marta e um pouco de Maria. Já vi não poucas pessoas darem espaço demais para a Marta, mergulhando num ativismo estressante, cansaço irreversível, desistência, abandono, indiferença, frieza, estagnação e até mesmo recuo.

Já vi “Marias” tão simplesmente num espiritualismo alienante, descomprometido; num recolhimento estéril (fuga, evasão, alienação, intimismo...)

A beleza da espiritualidade do discípulo do Senhor consiste na busca do equilíbrio: ter o coração e ouvidos de Maria e as mãos e pés de Marta, na exata harmonia.

Saibamos escolher “a melhor parte”, que só pode vir de Jesus, para fazermos bem todas as coisas, porque precedidas de uma atitude de discípulo que escuta e ama; age e se compromete. Em uma palavra: fé e luta; fé e compromisso.

Reflitamos:

- Encontro tempo para acolher e escutar o Senhor?
- Sento-me aos Seus pés para que escutando o que Ele tem a dizer, faça melhor?

- De que modo sintetizo em minha vida as mãos de Marta e os ouvidos e o coração de Maria?


- O correr muito pode levar ao vazio, ao tédio, à solidão, à falta do sentido da vida. Estou correndo este risco?
- Ativismo desenfreado aliena, massacra, asfixia e pode nos levar a lugar nenhum. Como equilibro o silêncio, a oração e a ação?

Enraizados no Amor de Cristo,
somos fortalecidos e vivificados por Ele,
na ação do Espírito que nos
cumula de todo bem e graça.
Ele é o absolutamente essencial em nossa vida.

Aos Teus pés, Senhor

                                                          

Aos Teus pés, Senhor

Aos Teus pés, Senhor, suplico que eu não entenda Tuas palavras dirigidas a Marta, como menosprezo pelo cuidado dos que acolhemos ou convivemos.

Suplico-Te, Senhor, que não me deixe enganar pelo falso enunciado de um princípio que estabelece a hierarquia entre “ação” e “contemplação”.

Aos Teus pés, Senhor, suplico que eu reconheça e valorize a riqueza das vocações e estados da vida religiosa “ativa” e “contemplativa”.

Suplico-Te, Senhor, que eu tenha, como prioridade absoluta, a escuta da Palavra, recuperando o fôlego e a coragem para fazer novas e com amor todas as coisas, e, com sabedoria, fazer as renúncias necessárias.

Suplico-Te, Senhor, que eu me assente regularmente aos Teus pés, como discípulo missionário, atento à Tua Palavra, para colocá-la em prática em meio às muitas ocupações da vida, na expressão de amor e serviço ao próximo.

Aos Teus pés, Senhor, suplico que nada, absolutamente nada (cansaço, doença, preocupações, ou quaisquer outras coisas), me impeça deste acolhimento vital e necessária adoração de Ti, primeiramente, e depois, Te servir concretamente na pessoa do irmão e irmã.

Senhor, sentado aos Teus pés, a exemplo de Maria, tenhamos o coração inflamado pelo Teu amor, que faz arder nosso coração, como fizeste também com os discípulos de Emaús, por esta Palavra nos deixemos iluminar e conduzir, até que um dia Te contemplemos, face a face, na glória de Deus Pai, na plena comunhão com Teu Espírito. Amém. (1)


Fonte inspiradora: Missal Dominical – Editora Paulus – Lisboa – p.1632.
Passagem do Evangelho: Lc 10,38-42

"Os traços comuns dos Mistérios de Jesus"

                                         


"Os traços comuns dos Mistérios de Jesus"


À luz dos parágrafos n.516-518, reflitamos sobre os três traços comuns dos Mistérios de Jesus Cristo, nosso Salvador.

O primeiro Mistério é a Revelação do Pai: considerando que toda a Sua vida é revelação do Pai por Suas palavras, atos, silêncios, sofrimentos, modo de falar e de ser.

Ao Se encarnar no ventre de Maria e habitando entre nós (Jo 1,14), veio para cumprir plenamente a vontade do Pai (Hb 10,5-7).

Deste modo, pôde afirmar: “Quem Me vê, vê o Pai” (Jo 14, 9); e o Pai pôde no-Lo apresentar: “Este é o meu Filho predileto: escutai-O” (Lc 9, 35), de modo que os pequenos pormenores de Seus Mistérios manifestam o imenso amor que Deus tem para conosco (1 Jo 4,9).

O segundo Mistério é o de Redenção: ela nos vem pelo Seu Sangue na Cruz (Ef 1,7; 1 Pd 1,18-19), mas revelado por Sua Encarnação, pela qual, fazendo-Se pobre, nos enriquece com a sua pobreza (2Cor 8,9); na vida oculta que, pela sua obediência, repara a nossa insubmissão (Lc 2,51); na palavra que purifica os seus ouvintes (Jo 15,3); nas curas e expulsões dos demônios, pelas quais “toma sobre Si as nossas enfermidades e carrega com as nossas doenças” (Mt 8, 17: Is 53,4); na ressurreição, pela qual nos justifica (Rm 4,25).

O terceiro Mistério é de Recapitulação: tudo o que Jesus fez, disse e sofreu tinha por fim restabelecer o homem decaído na sua vocação originária: “Quando Ele encarnou e Se fez homem, recapitulou em Si a longa história dos homens e proporcionou-nos, em síntese, a salvação, de tal forma que aquilo que havíamos perdido em Adão – isto é, sermos imagem e semelhança de Deus – o recuperássemos em Cristo Jesus” (Santo Irineu de Lion), e ainda –“Aliás, foi por isso que Cristo passou por todas as idades da vida, restituindo assim a todos os homens a comunhão com Deus” (idem).

Contemplemos o tríplice Mistério de Jesus: Revelação, Redenção e Recapitulação, e por Ele termos sido chamados para a missão evangelizadora, para firmarmos os pilares da evangelização (Palavra, Eucaristia, Caridade e Ação Missionária).

Contemplemos e glorifiquemos o divino Mistério de Jesus, que cremos e professamos não apenas com nossos lábios, mas com o coração e com toda a nossa vida. Amém.

O Banquete do Cordeiro e a “veste” apropriada (XXVIIIDTCA)

                                                       

O Banquete do Cordeiro e a “veste” apropriada

A Liturgia, do 28º Domingo do Tempo Comum (Ano A) apropria-se de uma imagem muito bela: um "Banquete", para nos falar como deve ser o mundo que Deus deseja para nós. 

Deus está sempre nos convidando para participarmos de Seu Banquete de Amor, vida, felicidade, alegria e paz, mas respeita a nossa liberdade, sem nos dispensar da veste nupcial necessária para dele participar: amor, partilha, serviço, misericórdia e o dom da vida.

Participar do Banquete de Deus implica em estarmos na mais perfeita e profunda comunhão, amizade e intimidade com Ele e com nosso próximo. 

Como batizados, fomos revestidos por Cristo e, deste modo, somos sinais de comunhão com o outro, para que nossa comunhão com Deus seja credível, agradável e sinal do Banquete Eterno que prefiguramos em cada Eucaristia que celebramos e participamos.

Na passagem da primeira Leitura (Is 25,6-10a), o Profeta Isaías se utiliza da imagem do Banquete, comunicando, em meio a sinais de morte e desolação, o desejo de Deus, um horizonte esperançoso e promissor: um Banquete de amor e vida a toda humanidade oferecido. 

O Profeta, com sua palavra, exorta a confiança e a esperança numa nova era de paz e de felicidade sem fim, porque Deus vai destruir a morte para sempre e enxugar as lágrimas de todas as faces, eliminando, assim, o opróbrio que pesa sobre o Seu povo.

Na passagem da segunda leitura (Fl 4,12-14.19-20), o Apóstolo Paulo continua falando aos filipenses, exortando para que vivam a gratuidade, a solidariedade e a partilha, com os que mais precisam, revigorados pela força divina – “tudo posso n’Aquele que me fortalece”.

Quanto mais a comunidade vivenciar as exigências mencionadas, mais ela dará espaço para a intervenção divina, abrindo-se à ação da força que o Senhor nos comunica pela ação e presença do Espírito.

Da mesma forma, quanto mais o cristão tiver o coração aberto à partilha e ao dom de si mesmo, em atitude de despojamento, de entrega e de empenho, mais poderá sentir a manifestação divina, e mais alegria terá em colaborar na missão evangelizadora.

Também nossas comunidades devem fazer progressos na solicitude, generosidade, solidariedade a fim de que sejam verdadeiramente missionárias.

Na passagem do Evangelho (Mt 22,1-14), Jesus nos fala do Banquete, que Ele mesmo veio realizar em sua Pessoa e missão, como profetizara o Profeta Isaías.

Não há exclusão no Banquete do Reino, mas há uma exigência: a veste; que consiste na prática da justiça, da qual as autoridades do tempo de Jesus estavam desprovidas, tanto que O rejeitaram e O condenaram à morte. 

Diferentemente, os publicanos, pecadores, prostitutas, os que se encontravam “nas encruzilhadas à beira do caminho” O aceitaram e responderam positivamente ao seu convite, pondo-se num caminho de abertura e conversão à Sua Boa-Nova.  

A aceitação do convite do profeta à conversão e o próprio convite de Jesus, implicam em dar prioridade e corresponder à altura do Amor de Deus, em compromissos incansáveis com os valores do Reino.

Com o Batismo se dá o início desta aceitação e compromisso para uma vida em comunidade. Nesta vivência da fé, tanto o batizado como a própria comunidade corre o grande perigo de perder seu entusiasmo inicial, com consequente instalação e acomodação, esvaziando assim as exigências do Evangelho. 

É preciso eliminar a autossuficiência e viver em total atitude de humildade, de pobreza e de simplicidade, numa dinâmica de constante conversão, uma vez que a Salvação não é conquista findada.

Reflitamos:

- Tenho aceitado este convite do Senhor?
- Tenho me comprometido com este Banquete?

- Estou devidamente “vestido” para dele participar?
- Deus nos ama apesar e por causa de nossas fraquezas e nos convida para nos assentarmos à mesa com Ele. Qual é a nossa resposta?

Saibamos dar um alegre SIM a este convite, para que participantes do Banquete da Eucaristia, por ora, um dia possamos participar do Banquete da Eternidade que o Senhor nos preparou, e que só poderemos participar quando a morte irromper no horizonte de nossa existência, mas vencida, rompida, superada, com a fé na Ressurreição, que nos garante a imortalidade e eternidade de amor ─ o Céu que tanto falamos, cremos e desejamos. Façamos por merecê-lo! 

Oremos:

Ó Deus, Pai Santo, Vós que sois tão misericordioso, que desejais a Salvação do mundo inteiro, convidando-nos para as núpcias do Vosso Filho Amado,

Nós vos pedimos, embora sem nenhum mérito, mas com toda a confiança, que envieis a cada um de nós e a toda Igreja o Vosso Espírito, para que enriquecidos dos sete dons, testemunhemos com alegria, esperança e confiança a fé que abraçamos, vivendo com ardor a missão por Vós confiada.

Que sejamos sempre revestidos da veste nupcial, para sermos dignos de participar de Vosso Banquete de Amor, vida, paz, felicidade, até que um dia possamos nos inebriar no Banquete da Eternidade, porque saciados e nutridos pelo Pão e Vinho de imortalidade. Amém! 

Quem sou eu

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