sexta-feira, 24 de julho de 2026

Esperança, a virtude divina que tanto precisamos

                                                      

Esperança, a virtude divina que tanto precisamos
 
"A esperança é o sonho acordado”, afirmou há mais de dois milênios o filósofo Aristóteles. Uma grande intérprete da MPB cantou: “quero ver a esperança de óculos”.
 
Esperança, palavra que ocupou o pensamento dos filósofos, dos Profetas, dos Apóstolos, dos grandes pais espirituais da História da Igreja e luminares de todos os tempos.
 
Esperança, a segunda virtude teologal, nos move, nos impele sempre ao encontro do melhor que Deus tem para nós. Esperança é como uma âncora que atravessou o véu do Santuário e firmou-se no horizonte da eternidade: céu (cf. Hb 6,19)
 
Sem ela não sabemos aonde vamos, tampouco onde nos encontramos, no desenvolver dos emaranhados dos fatos, da teia da vida com seus entrelaçamentos e imbricamentos; por vezes em sobreposição de fatos, noutras com relações tão próximas que se confundem e nos inquietam ao descortinamento, à compreensão. 
 
Como cristãos, cremos que a esperança está ao lado de Deus, acompanhada pelo Seu olhar, para que possamos ver as coisas, o futuro, sobretudo, exatamente como Ele vê, sem inquietações fúteis e autodestrutivas, que em nada colaboram, enriquecem, para relações mais humanas, mais belas e fraternas.
 
Ela é a expectativa de algo positivo para um futuro não tão longínquo, por isto deve dar sustentação ao nosso presente, ainda que tenhamos que enfrentar os dissabores e os insucessos aparentes e provisórias perdas irreparáveis, derrotas irreversíveis...
 
Esperança é, como disse o autor do Apocalipse, ver um novo céu e uma nova terra (Ap 21,1-5a), pois as coisas antigas passaram, passarão o céu e a terra, mas a Palavra do Senhor jamais passará.
 
Esperança é, portanto, contar com o futuro no horizonte da fé, movidos no presente pela caridade, que nos faz imagem e semelhança de Deus.
 
A capacidade de amar e ser amado nos faz verdadeiramente imagens do Deus Trindade Santíssima de Amor e Comunhão.

Esperança é possuir a inquebrantável confiança de que o amanhã será melhor, ainda que hoje as lágrimas insistam em correr, mortes e lutos permaneçam invadindo e aniquilando nosso existir, deixando sombrio nosso cotidiano.
 
Não Se encontra no sepulcro Aquele que pela morte passou, porque o Pai O Glorificou, e o Espírito nos enviou para nos acompanhar nos passos firmes da história.
 
A Ressurreição do Senhor não foi o desmentido do Calvário, ao contrário o confirmou: a Inevitabilidade do calvário e da Cruz, para que a glória seja alcançada.

Encorajando os discípulos, eles os exortavam a permanecer firmes na fé, dizendo-lhes: “É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus” (At 14, 22).
 
A esperança exige audácia, tenacidade, resistência positiva e corajosa diante das dificuldades; superando toda tentação de individualismo, indiferença, niilismo, ceticismo, relativismo etc.
 
Esperança jamais pode ser a espera confiante e passiva, sem nada fazermos, sem em nada nos comprometermos com o mundo novo que há de vir. É preciso uma colaboração operosa e responsável, com gestos expressivos de solicitude e doação, organização, participação em todos os âmbitos e espaços em que vivemos.
 
Renovemos nossa esperança, inspirados nas palavras do Apóstolo Paulo, que nos exorta a imitar o comportamento exemplar de Abraão, o qual “foi com uma esperança, para além do que se podia esperar, que ele acreditou e assim se tornou pai de muitos povos, conforme o que tinha sido dito: Assim será a tua descendência” (Rm 4,18).
 
A Esperança, Virtude Divina que tanto precisamos para dar sentido a nossa vida. É preciso dar razão de nossa esperança. Amém.
 

A alegria cristã não dispensa sacrifícios

                                                      


A alegria cristã não dispensa sacrifícios
 
Viver a vocação profética é assumir a história do povo em marcha, passando da escravidão para a liberdade, olhando o mundo com os olhos de Deus, para testemunhar com fidelidade, confiança e esperança em todas as circunstâncias e em todos os momentos, abandonando, definitivamente, os óculos escuros da desesperança.
 
Com os profetas e com a Carta do Apóstolo São Tiago, aprendemos que a alegria que Deus nos oferece não nos dispensa de compromissos, empenhos, embates, passos largos a serem dados em busca de horizontes inéditos, como que reconstruindo o paraíso que foi manchado pelo pecado.
 
O Apóstolo Tiago nos exorta à paciência e ao olhar de fé que deve ser renovado, cotidianamente, em cada Banquete da Eucaristia celebrado, a fim de que a alegria e a esperança invadam nosso coração.
 
Ele também nos ensina que é sempre tempo de reavivar a confiança e paciência, na espera do Senhor que veio, vem e virá.
 
Recuperar e jamais perder os valores cristãos autênticos e cultivar a paciência, até que ocorra a intervenção final de Deus na história: confiar no Senhor não é sinônimo de cruzar os braços.
 
Urge, portanto, a cada dia, reconstruir o paraíso, não como saudade estéril, mas como esperança e confiança frutuosa. 
 
Reflitamos:

- Em um mundo marcado pela depressão, tristeza, dor, como ser sinal de alegria?
 
- Onde e quando precisamos ser profetas da alegria, portadores de uma Palavra que renova, revigora, refaz forças na construção do Reino de Deus?
 
- Qual o caminho verdadeiro para expor nossas dúvidas com toda sinceridade, diante de Deus e com quem convivemos?
 
Seja nossa vida cristã marcada pela autêntica alegria, edificada sobre a Rocha da Palavra Divina, nutridos pela força que nos vem da Santa Eucaristia.

Em poucas palavras...

 


Ser terra boa é o que importa

“A única coisa que nos importa – comenta são João Crisóstomo – é não sermos caminho, nem pedregal, nem cardos, mas terra boa (...)

O coração não seja caminho onde o inimigo arrebate, como o pássaro, a semente calcada pelos transeuntes, nem pedregal onde a pouca terra faça germinar imediatamente aquilo que o sol queimará, nem carrascal de paixões humanas e cuidados da vida.” (1)

 

(1) Hablarcondios.org

O encontro que marcou a nossa vida

                                          

O encontro que marcou a nossa vida

Ser cristão é ter feito um encontro pessoal com Jesus, que marcou toda nossa vida, dando novo sentido e alargando o horizonte da existência, é sempre tempo de transbordarmos de júbilo por esta graça a nós concedida, não pelos nossos méritos.

Alegres e orgulhosos da filiação divina haveremos sempre de ser, pois Deus veio agir em nós e através de nós.

Deus veio ao nosso encontro e nos chamou pelo nome e nos fez discípulos missionários do Senhor Jesus Cristo, com a graça do Espírito Santo, em nós fazendo Seu Templo, Sua morada, e assim nos divinizando.

Tenhamos a coragem de rever sempre os nossos pensamentos e sentimentos, a fim de que sejam os mesmos de Jesus Cristo: a misericórdia, a justiça, a fraternidade, a solidariedade.

Bem como, tenhamos a coragem para as renúncias necessárias, carregando nossa cruz dia a dia para que frutuoso seja nosso discipulado.

Reflitamos:

- Nossa vida é coerente com o que cremos e professamos?

- O que fazer para que não vivamos uma religião de gestos exteriores, de cumprimento de normas rituais, de práticas religiosas, mas não vivendo o essencial, o duplo Mandamento do Amor a Deus e ao nosso próximo?

- Estamos no contínuo caminho de conversão para que o Evangelho, todos os dias lido, proclamado, não apenas entre em nossos ouvidos, mas toque o nosso coração, transformando a nossa vida, e assim façamos resplandecer a luz divina, com palavras e gestos que revelem em nós a ação do Espírito, com a riqueza de Seus dons?

Roguemos para que Deus nos livre de toda a impermeabilidade que impeça nossa mais atenta e vigilante acolhida e prática da Palavra de Jesus, para que saibamos chorar com os que choram, rir com os que riem, em solidariedade comprovada, e assim não sejamos apenas meros ouvintes, mas praticantes da Palavra, vivendo uma autêntica e pura religião.
 
PS: Fontes inspiradoras - Lc 7, 31-35; Mt 13,1-23
Apropriado para a passagem - (Mt 13,18-23)

Em poucas palavras...

 


A necessária disposição da vontade

“A terra boa, o semeador o mesmo e as sementes as mesmas; e no entanto, como é que uma deu cem, outra sessenta e outra trinta?

Aqui a diferença depende também daquele que recebe, mesmo onde a terra é boa, há muita diferença entre uma parcela e outra.

Podeis ver que a culpa não é do lavrador, nem da semente, mas da terra que a recebe; e não por causa da natureza, mas da disposição da vontade.” (1)

 

(1)Sermão de Santo Agostinho – hablarcondios.org

 

Em poucas palavras...

 


Bebamos da Divina Fonte de Amor...

 

Oremos:

 

Curai, Senhor, nossa surdez

para uma escuta mais autêntica,

a fim de vivermos com toda docilidade e fidelidade

Vossa Santa Aliança e corresponder

ao Vosso indizível amor.

 

Conduzi-nos para que não vagueemos

à procura de cisternas enganadoras 
para saciar nossa sede de vida, 
pois somente em Vós, encontramos

a mais preciosa e inesgotável

Divina Fonte de Amor, Vida, Alegria  e Paz. 
Amém.

 

Fonte: Jr 2,1-3;7-8.12-13

 

Grandes são nossas fraquezas, maior o nosso Remédio

                                                                           

Grandes são nossas fraquezas, maior o nosso Remédio

“Pois são muitas e grandes estas minhas fraquezas.
São muitas e enormes. Porém muito maior é teu remédio”

Sejamos enriquecidos pelas “Confissões”, escrita pelo Bispo Santo Agostinho (Séc. V), em que nos possibilita a contemplação de Jesus Cristo, que por amor, morreu por todos nós.

“Aquele que em Tua secreta misericórdia revelaste aos humildes e lhes enviaste para que nos ensinasse a humildade, o verdadeiro mediador, esse mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus, apareceu entre os pecadores mortais como justo mortal: mortal com os homens, justo com Deus.

Sendo a recompensa da justiça a vida e a paz, pela justiça unida a Deus,  Eale destruiu a morte dos ímpios justificados, através dessa morte que desejou igual à deles.

Quanto nos amaste, Pai bom, que não poupaste Teu Filho único, mas por nós, ímpios, O entregaste! Como nos amaste, quando por nós Ele não julgou rapina ser igual a Ti, fez-Se obediente até à morte da Cruz, Ele, o único livre entre os mortos, com poder de entregar Sua vida e o poder de retomá-la! Tudo Ele fez por nós, diante de Ti vitorioso e vítima, vitorioso porque vítima. Por nós, diante de Ti sacerdote e sacrifício, sacerdote porque sacrifício. Fazendo de nós, servos, filhos para Ti, nascendo de Ti, a nós servindo.

Com muita razão minha grande esperança está n’Ele, porque curarás todas as minhas fraquezas, por Aquele que Se assenta à Tua direita e intercede por nós. De outro modo, desesperaria. Pois são muitas e grandes estas minhas fraquezas. São muitas e enormes. Porém muito maior é Teu remédio.

Teríamos podido pensar que Teu Verbo estava longe de unir-se aos homens e entregarmo-nos ao desespero, se Ele não Se tivesse feito carne e habitado entre nós. Apavorado com meus pecados e com o peso de minha miséria, eu revolvia no espírito e pensava em fugir para o deserto. Mas me impediste e me fortaleceste dizendo-me: Para isto Cristo morreu por todos, para que os que vivem não mais vivam para si, mas para Aquele que por eles morreu.

Agora, Senhor, lanço em Ti meus cuidados para viver e considerarei as maravilhas de Tua Lei. Tu conheces minha ignorância e fragilidade: ensina-me, cura-me! O Teu Único, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência, me remiu por Seu sangue. Não me caluniem os soberbos, porque reflito no preço dado por mim.

Como, bebo, distribuo e, pobre, desejo saturar-me d’Ele entre aqueles que d’Ele comem e são saciados. Com efeito, louvarão o Senhor aqueles que O procuram”.(1)

Contemplemos o amor de Cristo, que nos impele a renovar fidelidade ao Reino de Deus por Ele inaugurado.

Ele, que por todos nós Se entregou, a fim de que ao viver, não vivamos para nós mesmos, mas para Ele, que por nós morreu e Ressurgiu dentre os mortos, e para perseverarmos com constância e fidelidade, sem jamais experimentar a orfandade, nos enviou o Seu Espírito (2Cor 5,14.15b; Rm 8,32a).

Coloquemos nossa miséria nas mãos do Senhor, a revelação da face misericordiosa de Deus; n’Ele renovemos nossas forças, para firmar nossos passos.

“Pai Nosso que estais nos céus...

(1) Liturgia das Horas - Volume Tempo Comum III - Editora Paulus - p. 483-484

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