sexta-feira, 17 de julho de 2026
A autenticidade da oração
Eucaristia: Salutar Sacramento dos peregrinos do Senhor
Eucaristia: Salutar Sacramento dos peregrinos do Senhor
Sejamos enriquecidos pelo Tratado sobre os Mistérios, escrito pelo bispo Santo Ambrósio (Séc. IV):
“Vemos que são maiores as obras da graça do que as da natureza. Entre as obras da graça, incluímos a graça da bênção profética. Se a bênção humana teve a força de mudar a natureza, que diremos da própria consagração divina, em que agem as palavras mesmas do Senhor e Salvador? Porque este sacramento que recebes se realiza pela palavra de Cristo. Se tanto pôde a palavra de Elias que fez o fogo descer do céu, não terá a palavra de Cristo o poder de mudar a substância dos elementos? Já leste acerca da criação do mundo inteiro que Ele falou e tudo foi feito, ele ordenou e tudo foi criado. Portanto a palavra de Cristo, que pôde do nada fazer o que não era, não poderá mudar o que existe para aquilo que não era? Dar novas naturezas às coisas não é menos do que mudá-las.
Mas por que apresentamos argumentos? Voltemo-nos para seus exemplos, confirmemos pelos mistérios da encarnação a verdade do mistério. Acaso, quando Jesus nasceu de Maria, foi observada a natureza comum? Normalmente, a mulher concebe pela união com o homem. Está, portanto, bem claro que a Virgem gerou fora da ordem natural. E este que consagramos é o corpo que proveio da Virgem. Por que exiges aqui que seja segundo a natureza, quando foi além da natureza que da Virgem se deu o nascimento do mesmo Senhor Jesus? É realmente a verdadeira carne de Cristo que foi crucificada, sepultada; é verdadeiramente o sacramento desta carne. O próprio Senhor Jesus declara: Isto é o meu corpo. Antes da bênção das palavras celestes era outra realidade; depois da consagração, entende-se o corpo. Ele mesmo diz que é seu sangue. Antes da consagração é outra coisa; depois da consagração, chama-se sangue. E tu dizes: ‘Amém’; o que quer dizer: ‘É verdade’. Confesse o nosso interior o que proclamam os lábios, sinta o afeto o que a palavra soa.
Vendo tão grande graça, a Igreja exorta seus filhos, exorta os amigos a que acorram ao sacramento: Comei, amigos meus, bebei e inebriai-vos, meus irmãos. O que comemos, o que bebemos, o Espírito Santo pelo Profeta o exprimiu: Provai e vede, como é suave o Senhor; feliz de quem n’Ele confia. Neste sacramento está Cristo porque é o corpo de Cristo. Não é, por conseguinte, alimento corporal, mas espiritual. O Apóstolo, falando da sua figura, dizia: Nossos pais comeram o pão espiritual e beberam da bebida espiritual. O corpo de Deus é corpo espiritual; o corpo de Cristo é corpo do espírito divino, porque Cristo é Espírito, como lemos: O Espírito diante de nossa face, o Cristo Senhor. E na Carta de São Pedro encontramos: E Cristo morreu por vós. Por fim este pão fortalece o nosso coração e esta bebida alegra o coração do homem; assim nos lembra o Profeta.” (1)
O Sacramento da Eucaristia é verdadeiramente a presença de Jesus Cristo, e ao recebê-La, somos fortalecidos para o testemunho da fé, nosso coração se plenifica de alegria, no carregar da cruz cotidiana, com suas renúncias necessárias:
“O primeiro anúncio da Eucaristia dividiu os discípulos, tal como o anúncio da paixão os escandalizou: «Estas palavras são insuportáveis! Quem as pode escutar?» (Jo 6, 60).
A Eucaristia e a Cruz são pedras de tropeço. É o mesmo mistério e não cessa de ser ocasião de divisão. «Também vos quereis ir embora?» (Jo 6, 67): esta pergunta do Senhor ecoa através dos tempos, como convite do Seu amor a descobrir que só Ele tem «Palavras de vida eterna» (Jo 6, 68) e que acolher na fé o dom da Sua Eucaristia é acolhê-Lo a Ele próprio” (2)
Peregrinos da esperança sejamos, pela Eucaristia nutridos para o bom combate da fé. Amém.
(1) Liturgia das Horas – Volume Tempo Comum III - Editora Paulus - p.460-462
(2) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.1336
Fidelidade à amizade verdadeira
Fidelidade à amizade verdadeira
“Devemos ser fiéis à amizade verdadeira, porque não há nada mais belo nas relações humanas.
Consola muito nesta vida ter um amigo a quem abrir o coração, a quem descobrir a própria intimidade e manifestar as penas da alma; alivia muito ter um amigo fiel que se alegre contigo na prosperidade, compartilhe a tua dor nas adversidades e te sustente nos momentos difíceis” (1)
(1) Santo Ambrósio (séc. IV) - citado em www.hablarcomdios.com
Sede de autênticas e salutares amizades
Sede de autênticas e salutares amizades
A autêntica amizade nos impulsiona mutuamente para voarmos em direção das estrelas e alcançarmos a luz que nos vem do alto; a luz divina, que nos ilumina e nos conduz por noites e caminhos, vales escuros e, por vezes, sombrios.
E assim alcançam um outro olhar, quando perspectivas pareciam não mais existir, ou quando muito parcas, fracas ou o não bastante para passos trocar pelo peso do sofrimento, dor e a frágil humana condição.
Amizades, precisamos para acender a luz da esperança no mundo, e assim podemos, porque a esperança não decepciona, e ela tem nome: Jesus, sobretudo porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações por meio do Espírito Santo (cf. Rm 5,5).
Sede de amizades autênticas haverá de sempre nos acompanhar, porque sem elas, que sentido a vida teria, que beleza e encanto possuiria?
Também o Senhor tem sede de nossa amizade e por isto não nos chamou e tratou como servos, mas nos chamou e conosco se relacionou como Amigo.
Como o discípulo amado, em Seu peito reclinemos, e em Suas Chagas gloriosas mergulhemos, para que forças e reencanto reencontremos, e com Ele, n’Ele, na Palavra e na Eucaristia, amizade autêntica eternizada. Amém. Aleluia!
Estamos contigo!
Estamos contigo!
"Já não vos chamo servos,porque o servo não sabe o que seu senhor faz;mas vos chamo amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai vos dei a conhecer." (1)
Faz tempo que não te vejo sorrir,
Há tempo não ouço tua voz.
Parece que mergulhou no aparente silêncio para sempre.
Quando voltará o sorriso e poderei te ouvir?
Mas tenha certeza, saberei esperar,
Porque amigos compreendem o tempo do outro,
Ainda que minha alma fique inquieta
Na espera de um sinal, tudo há de passar.
Por ora, fico em vigilância necessária,
Mãos para os céus suplicantes,
Na esperança de que, como o incenso,
Subam e alcancem a escuta divina.
Ainda que tuas dores sejam cortantes,
Não tão potentes que possam se eternizar.
Ainda que alma em dor dilacerante,
Deus, em Sua infinita bondade, a dor há de amenizar.
Haverá novo luminoso amanhecer,
Estou contigo, ainda que não me veja,
No recolhimento da minha oração,
O brilho em teu olhar voltará a resplandecer.
Estou contigo amigo, conte comigo,
Em momentos tranquilos, ou em turbulentos.
E Ele também conosco está, em todo o tempo.
Ele que nos chama não de servos, mas de amigos. Amém.
(1) João 15,15
Em poucas palavras... (Amizade)
O Amigo e o Amado
“O amigo disse ao seu Amado que lhe pagasse o tempo em que o havia servido. O Amado fez a conta dos pensamentos, desejos, prantos, perigos e trabalhos que o amigo padecera por amor dele, e acrescentou à conta a eterna bem‑aventurança, e deu‑se a Si próprio em pagamento ao seu amigo” (1)
(1) R. Llull, Livro do amigo e do Amado, 64.
Precisamos de companheiros de viagem nas tribulações
Precisamos de companheiros de viagem nas tribulações
“Frequentemente, um fato humano difícil como o de Jó é a ocasião para alguém enveredar pelo caminho nada fácil do sentido real das coisas, de um significado que possa realmente dar valor à luta quotidiana pela vida.
Nesta caminhada, tão profundamente humana, todos podemos descobrir-nos irmãos, companheiros de viagem e iluminar-nos reciprocamente com os dons que Deus concede a cada um.” (1)
(1) Lecionário Comentado – Tempo Comum – Volume II – Editora Paulus – Lisboa – pág. 474 - passagem do Livro de Jó (Jó 38,1.12-21;40,3-5)







