quinta-feira, 4 de junho de 2026

Supliquemos: Luz, Palavra, Pão e o Espírito (Corpus Christi)

                                                            

Supliquemos: Luz, Palavra, Pão e o Espírito

Ó Deus, Pai de Misericórdia, pelo Vosso Filho Jesus e Senhor nosso,
Que convosco vive e reina, na mais perfeita comunhão de vida e amor,
Hoje e sempre, a Vós, os joelhos dobramos, as mãos elevamos e suplicamos:

Concedei-nos, pelo Vosso Filho Ressuscitado, a Luz da vida,
Sobretudo, quando vivemos momentos sombrios e difíceis.
Vós que pela coluna de fogo iluminastes Vosso Povo no deserto.

Concedei-nos, pelo Vosso Filho Ressuscitado, a Palavra de vida,
Sobretudo, quando vemos sinais de morte e a própria bem perto de nós,
Vós que pela voz de Moisés ensinastes o Vosso povo no monte Sinai.

Concedei-nos pelo Vosso Filho Ressuscitado o Pão da Vida,
Sobretudo, quando estamos famintos de alegria, amor e paz.
Vós que com o maná alimentastes o Vosso Povo peregrino.

Concedei-nos pelo Vosso Filho Ressuscitado o Espírito que dá Vida,
Sobretudo, quando o espírito do medo e timidez teima em devorar nossas forças.
Vós que com a água do rochedo destes de beber ao Vosso Povo eleito.

Concedei-nos Senhor:

Luz para iluminar as linhas da escuridão da história;
Palavra de Vida e Eternidade para nos conduzir em
Meio às palavras transitórias e vazias de conteúdo;

O Pão da Vida que sacia nossa fome de Eternidade,
E o Vosso Espírito que nos conduz, orienta e ilumina,
E nos dá a certeza de que jamais caminhamos sozinhos.
Amém. Aleluia!

PS: Livre adaptação das Preces das “Laudes”  da 4ª quinta-feira da Páscoa.

Eucaristia: Salutar Sacramento (Corpus Christi)

                                                 


Eucaristia: Salutar Sacramento

“Poderia haver algo de mais admirável que este Sacramento? De fato, nenhum outro Sacramento é mais salutar do que este; nele os pecados são destruídos, crescem as virtudes e a alma é plenamente saciada de todos os dons espirituais.”  (Santo Tomás de Aquino – séc. XIII)

Aprofundemos a passagem da Carta aos Hebreus (Hb 10,11-18) proclamada na quarta-feira da 3ª Semana do Tempo Comum (ano ímpar).

Como se explica que, cada dia, sobre milhares de altares do mundo inteiro, se "renove" o sacrifício da cruz, se, na Nova Aliança, há uma única oblação para o perdão dos pecados e a santificação?

Assim, lemos no Comentário do Missal Cotidiano:

“Na realidade, não se trata de ‘renovar’, no sentido de fazer novamente, mas de ‘reapresentar’ ao Pai o sacrifício do Seu Filho, para que olhando para este, nos conceda os bens que Sua morte e ressurreição nos alcançou.

A Igreja ‘celebra a memória’ do sacrifício pascal de Jesus, ‘rendendo graças’, como Ele faz na última ceia, por todo o mistério da salvação, cujos pontos principais recorda na oração eucarística” (1).

Participemos ativa e conscientemente da Santa Missa (Celebração Eucarística), como nos ensina a Igreja, pois ela é “Ação de Graças”, o  verdadeiro Sacrifício da Igreja; porém, não se trata de outro sacrifício, embora torne presente e atual a morte-ressurreição de Jesus, "cada vez", "até Sua vinda", como dizemos após a consagração do Pão e do Vinho, Corpo e Sangue do Senhor (três fórmulas):

1ª fórmula:

-  “Mistério da fé!”

- “Anunciamos, Senhor, a Vossa Morte e proclamamos a Vossa Ressurreição. Vinde Senhor Jesus!”.

2ª fórmula:

- “Mistério da fé e do amor!”

- “Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos a vossa vinda!”

3ª fórmula:

- Mistério da fé para a salvação do mundo!”

- “Salvador do mundo, salvai-nos, vós que nos libertastes pela cruz e ressurreição.”

Oremos:

Cremos, Senhor, que o pão partido e o vinho derramado sobre o Vosso altar são símbolos de Sua morte dolorosa.

Cremos, Senhor,  que a participação no pão e vinho nos coloca em comunhão com os Vossos sentimentos de filial abandono ao Pai e de supremo amor por nós,

Cremos, Senhor,  no Vosso sacrifício, ato supremo, duradouro e perene de amor por nós, ainda que não mereçamos.

Cremos, Senhor,  que em cada Eucaristia Celebrada, ao receber o mais Salutar dos Sacramentos, nossos pecados são destruídos, crescem nossas virtudes, e nossa alma é plenamente saciada de todos os dons espirituais. Amém.  (2)

(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus – pág. 685 – Comentário da passagem bíblica – Hb 10,11-18

(2)Santo Tomás de Aquino

Crer e viver a Eucaristia que celebramos no altar

 


Crer e viver a Eucaristia que celebramos no altar

A Comunidade do Ressuscitado que se encontra para Celebrar a Eucaristia, deve fazê-lo apaixonadamente, crer piamente no que se celebra para que se possa viver intensamente.

Assim era a comunidade dos coríntios que celebrava a Eucaristia durante o ágape (= caridade), festim de amizade, com o objetivo de  cimentar a fraternidade da comunidade.

No entanto, este ágape muitas vezes divide a comunidade por força do egoísmo dos participantes, o que levou o apóstolo Paulo a recordar que o aspecto comunitário e o aspecto sacrificial devem ser dignamente avaliados, a fim de que não se dissociem: a Eucaristia não é só festim, mas também encontro comunitário com Cristo em Seu sacrifício.

Ao celebrar a Eucaristia, faz-se a Memória da morte de Cristo e exprime a certeza de que Ele enfrentou a morte em perfeita obediência ao Pai.

Afirma-se e solidifica a decisão de seguir a Jesus Cristo no mesmo caminho de obediência e amor incondicionais ao Pai, ou seja “faz-se corpo” com Ele, viver com e como Ele, alimentar-se d’Ele, a fim de que nos comprometamos com o Reino e alcancemos a vida eterna.

Tão somente assim, seremos peregrinos da esperança, nutridos pela Eucaristia, fonte e ápice de toda a vida cristã, edificando uma Igreja Sinodal, fortalecendo os vínculos da participação e comunhão fraterna.

Oremos:

“Ó Deus, ao participarmos da alegria da salvação que encheu de júbilo são Mateus, recebendo o Salvador em sua casa, concedei sejamos sempre refeitos à mesa d’Aquele que veio chamar à salvação não os justos, mas os pecadores. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.”

 

PS: Fonte - Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.1270 – Comentário da passagem  (1 Cor 11,17-26.33)

Contemplemos o Mistério de nossa Redenção (Corpus Christi)

                                                     

Contemplemos o Mistério de nossa Redenção

Adoramos-vos, Senhor Jesus Cristo, e contemplamos o Mistério de nossa Redenção que nos alcançastes.

Gloriamo-nos em Vossa Santa Cruz, da qual pendeu a Salvação do Mundo, pelo Vosso Sangue e pela Água, do lado trespassado, derramados.

Contemplamos o Mistério de Vossa Encarnação, pela qual, fazendo-Se pobre, nos enriquecestes com a Vossa pobreza.

Meditamos sobre Vossa vida oculta que, por obediência, reparastes a nossa insubmissão.

Ouvimos e acolhemos Vossa Palavra nas fibras mais íntimas do nosso ser, pois ela nos purifica e ilumina nossos passos.

Por Vós, somos curados e libertos de todos os demônios, tomando sobre Vós nossas enfermidades, carrega com as nossas doenças.

Cremos e testemunhamos Vossa gloriosa ressurreição, pela qual nos justificastes, com o Pai nos reconciliastes, e o Espírito nos enviastes.

Agradecemos-Vos por fazer-Se real presença na Santa Eucaristia, Divina Bebida e Salutar Alimento. Amém.


Fonte: Catecismo da Igreja Católica - nn.516-517

A comunhão das mesas e a Mesa da Comunhão! (Corpus Christi)

                                                       

A comunhão das mesas e a Mesa da Comunhão!

Jesus Ressuscitado está em perfeita comunhão com o Espírito. Cremos também piamente que depois veio juntar-se a Ele Sua querida Mãe... Poderemos ter o mesmo destino.

Ele foi o primeiro que conquistou o Reino. Com Sua morte, Jesus demonstrou que a entrada no Reino é um privilégio que não se restringe a alguns, impossibilitando que outros o tenham também.

No entanto, depende do quanto nos empenhamos em amá-Lo e segui-Lo, do quanto estamos dispostos a morrer por Ele e com Ele.

O convite se destina a todos e a passagem se deu pela Sua morte, morte de Cruz. Estreita porta da eternidade que se abriu na morte de Cruz!

Destruiu a morte abrindo-nos acesso aos céus, onde a vida não conhece o ocaso, onde o sol jamais se põe, onde o amor jamais se ausenta.

Não há outra forma de nos credenciarmos para a eternidade a não ser amar e viver como Jesus viveu!

A comunhão que criamos com o próximo no tempo presente, em mesas passageiras, é indispensável para que entremos na alegria do Reino e sejamos partícipes da Mesa do Banquete Eterno que se prefigura na Mesa da Eucaristia.

O que ora experimentamos já nos dá um sinal, uma pequena amostra do que será o Banquete dos céus.

Como não desejá-lo e não buscá-lo?

Por outro lado, como o fazemos e fazem nossas comunidades?

Concluindo:

Assim é a lógica da vida: comunhão de mesas que se voltam para a Mesa da Eucaristia, que aponta para a Mesa do Banquete Eterno.

Há mesas e Mesas!
O convite à Mesa do Banquete Eterno
tem uma única resposta:
Dar a vida a exemplo de Cristo!

Somente com Ele se assentará quem a vida por amor viver,
por amor consumir, por amor se entregar,
por amor ao próximo em gestos multiplicar. Amém.


PS: Oportuno para a reflexão da passagem do Livro de Neemias (Ne 8,2-4a.5-6.8-10)

Os sentimentos de Maria (Corpus Christi)

                                                               

Os sentimentos de Maria

"Impossível imaginar os sentimentos
de Maria, ao ouvir dos lábios de Pedro, João,
Tiago e restantes Apóstolos as palavras da Última Ceia:
 'Isto é o meu corpo que vai ser entregue por vós'" (Lc 22, 19).

Assim lemos na Carta Encíclica “Ecclesia de Eucharistia”  (Papa São João Paulo II - 2003). 

“Ao longo de toda a sua existência ao lado de Cristo, e não apenas no Calvário, Maria viveu a dimensão sacrificial da Eucaristia. Quando levou o menino Jesus ao templo de Jerusalém, « para O apresentar ao Senhor » (Lc 2, 22), ouviu o velho Simeão anunciar que aquele Menino seria « sinal de contradição » e que uma « espada » havia de trespassar também a alma d'Ela (cf. Lc 2, 34-35).

Assim foi vaticinado o drama do Filho crucificado e de algum modo prefigurado o « stabat Mater » aos pés da Cruz. Preparando-Se dia a dia para o Calvário, Maria vive uma espécie de « Eucaristia antecipada », dir-se-ia uma « comunhão espiritual » de desejo e oferta, que terá o seu cumprimento na união com o Filho durante a Paixão, e manifestar-se-á depois, no período pós-pascal, na sua participação na celebração eucarística, presidida pelos Apóstolos, como « memorial » da Paixão.

Impossível imaginar os sentimentos de Maria, ao ouvir dos lábios de Pedro, João, Tiago e restantes apóstolos as palavras da Última Ceia: « Isto é o meu corpo que vai ser entregue por vós » (Lc 22, 19). Aquele corpo, entregue em sacrifício e presente agora nas espécies sacramentais, era o mesmo corpo concebido no seu ventre!

Receber a Eucaristia devia significar para Maria quase acolher de novo no seu ventre aquele coração que batera em uníssono com o d'Ela e reviver o que tinha pessoalmente experimentado junto da Cruz”. (n.56).

Contemplar as virtudes de Maria: suavidade, ternura, confiança, coragem, doçura...

Em cada Eucaristia celebrada, sintamos a presença maternal de Maria, sempre ressoando suas palavras, desde o primeiro sinal em Caná da Galileia: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).

Sintamos, também, a presença doce e suave de Maria, na mais perfeita comunhão dos Santos que professamos na fé.

Contemos com a sua proteção, gestos de amor e partilha, como ela tão bem fez, sejam multiplicados.

Salve Rainha, Mãe de Misericórdia...

Participação autêntica na Eucaristia (Corpus Christi)

                                                            

Participação autêntica na Eucaristia

“O Espírito é que dá vida,
a carne não serve de nada.” (Jo 6,63)

Senhor, iluminai nosso discipulado, para que nossa fé seja vivida de modo verdadeiramente agradável a Vós, expresso pela prática e observâncias religiosas frutuosas.

Senhor, que não nos contentemos com a obediência externa às leis promulgadas, e sintamos Vossa proximidade, vivendo Vossos Mandamentos com sabedoria e inteligência.

Senhor, que nada tiremos ou acrescentemos à Vossa Lei, para que não Vos ofendamos, porque mergulharíamos num vale profundo de escuridão.

Senhor, dai-nos Sabedoria para entender e concretizar Vossos Mandamentos que não são artigos de um código escrito de uma vez para sempre, e que saibamos vivê-los, tendo em conta as exigências do tempo, do lugar e das pessoas.

Senhor, não permitais que confundamos a vontade de Deus com as tradições humanas, mesmo que seculares; e menos ainda com modos de agir que, na realidade, atraiçoam ou ridicularizam  a Vossa Lei.

Senhor, Vossa Lei não nos esmaga, ao contrário, nos põe de pé para caminhar com coragem, firmeza, pois suas prescrições são indicações para que não nos percamos neste caminho.

Senhor, vivendo Vossa Lei, não aventuraremos por caminhos sem saída ou por encostas, aparentemente fáceis, mas expostas a avalanchas mortais.

Senhor, convosco caminhamos com passadas regulares, conduzidos e iluminados pelos Vossos Mandamentos, que nos permitem, dia a dia, nos aproximarmos cada vez mais de Vós.

Senhor, que nossa fidelidade, perseverança e alegria levem os outros a seguirem o mesmo itinerário, fortalecidos na prática da justiça, amor, verdade, fraternidade e liberdade.

Senhor, que a Vossa Lei e Palavra sejam inscritas no mais profundo de nosso coração, pois, como Vós dissestes, ‘ é do interior do homem que saem os pensamentos perversos: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças... todos estes vícios saem do interior do homem e o tornam impuro’ (Mc 7,14-23).

Senhor, que nunca nos esqueçamos que o critério último e decisivo da justa observância de Vossa Lei é o amor eficaz ao próximo, que confere assim a autenticidade da participação na Eucaristia que é o Sacramento do Vosso Amor, até que um dia mereçamos tomar posse da herança prometida. Amém.



PS: Livre adaptação - Missal Quotidiano Dominical e Ferial - Lisboa – p.1852

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