sexta-feira, 1 de maio de 2026

Rezando com os Salmos - Sl 73 (74)

 


Deus jamais nos decepciona e escuta nossos lamentos

“–1 Ó Senhor, por que razão nos rejeitastes para sempre
e Vos irais contra as ovelhas do rebanho que guiais?
=2 Recordai-Vos deste povo que outrora adquiristes,
desta tribo que remistes para ser a Vossa herança,
e do monte de Sião que escolhestes por morada!

–3 Dirigi-Vos até lá para ver quanta ruína:
no santuário o inimigo destruiu todas as coisas;
–4 e, rugindo como feras, no local das grandes festas,
lá puseram suas bandeiras os ímpios inimigos.

–5 Pareciam lenhadores derrubando uma floresta,
6 ao quebrarem suas portas com martelos e com malhos.
–7 Ó Senhor, puseram fogo mesmo em Vosso santuário!
Rebaixaram, profanaram o lugar onde habitais!

–8 Entre si eles diziam: 'Destruamos de uma vez!'
E os templos desta terra incendiaram totalmente.
–9 Já não vemos mais prodígios, já não temos mais profetas,
ninguém sabe, entre nós, até quando isto será!
–10 Até quando, Senhor Deus, vai blasfemar o inimigo?
Porventura ultrajará eternamente o Vosso nome?
–11 Por que motivo retirais a Vossa mão que nos ajuda?
Por que retendes escondido Vosso braço poderoso?
–12 No entanto, fostes Vós o nosso Rei desde o princípio,
e só Vós realizais a salvação por toda a terra.

–13 Com Vossa força poderosa dividistes vastos mares
e quebrastes as cabeças dos dragões nos oceanos.
–14 Fostes Vós que ao Leviatã esmagastes as cabeças
e o jogastes como pasto para os monstros do oceano.
–15 Vós fizestes irromper fontes de águas e torrentes
e fizestes que secassem grandes rios caudalosos.

–16 Só a Vós pertence o dia, só a vós pertence a noite;
Vós criastes sol e lua, e os fixastes lá nos céus.
–17 Vós marcastes para a terra o lugar de seus limites,
Vós formastes o verão, vós criastes o inverno.

–18 Recordai-Vos, ó Senhor, das blasfêmias do inimigo
e de um povo insensato que maldiz o Vosso nome!
–19 Não entregueis ao gavião a Vossa ave indefesa,
não esqueçais até o fim a humilhação dos Vossos pobres!

–20 Recordai Vossa Aliança! A medida transbordou,
porque nos antros desta terra só existe violência!
–21Que não se escondam envergonhados o humilde e o pequeno,
mas glorifiquem Vosso nome o infeliz e o indigente!

–22 Levantai-Vos, Senhor Deus, e defendei a Vossa causa!
Recordai-Vos do insensato que blasfema o dia todo!
–23 Escutai o vozerio dos que gritam contra Vós,
e o clamor sempre crescente dos rebeldes contra Vós!”

O Salmo 73(74) é uma profunda lamentação sobre o templo devastado:

“Depois da destruição do Templo e da Cidade Santa (586 a.C.), o povo eleito está prostrado. Mas a recordação das maravilhas de Deus na Criação e na História faz crer que Deus não esquecerá seu povo.” (1)

Também podemos viver situações desoladoras, tanto pessoal como social. No entanto é preciso manter viva a fé, dando razão de nossa esperança, perseverando na prática da caridade, e contanto com a intervenção e manifestação da onipotência do amor de Deus que jamais nos abandona ou nos decepciona.


(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – pág. 788

Oração a São José Operário (1)

                                                                            

Oração a São José Operário

Ó Deus, que aprendamos com São José
Operário, homem de bondade, esperança e
humildade, o carpinteiro de Nazaré, que disse sim ao
 Senhor, cuidar de nossas famílias como ele fez com a Sagrada Família.

Ó Deus, que aprendamos com ele,
homem do povo, patrono de todos
trabalhadores, compromissos inadiáveis com
 a justiça, a esperança, a paz, o amor e a fraternidade.

Ó Deus, por intercessão de São José Operário,
Vos pedimos que nunca nos falte trabalho digno
e salário justo, para que continuemos com força e coragem
a fazer do trabalho um prolongamento da Vossa Obra da Criação.

Que a exemplo de São José Operário,
aprendamos a amar, a vibrar e a sorrir com o labor
de cada dia, para que muitos frutos sejam produzidos.

Por intercessão deste grande Santo
agradecemos, ó Deus Todo-Poderoso, pelos benefícios
que nos tendes concedido, por meio do Vosso Amado Filho
que vive e reina em comunhão com Vosso Espírito. Amém. 

Oração a São José Operário (2)

                                                           


Oração a São José Operário

Ó São José Operário, 
homem justo, 
patrono de todo trabalhador e trabalhadora, 
interceda a Deus por nós, 
para que nunca nos falte trabalho digno e salário justo, 
e continuemos, 
com força e coragem, 
a fazer do nosso trabalho um prolongamento
da obra da criação divina. 
Por Cristo, Nosso Senhor.
Amém!


PS: Esta Oração, rezamos na 42ª Missa do trabalhador em 2018, ao celebrar a Solenidade de José Operário, com o Povo de Deus de nossas Paróquias da Região Episcopal Nossa Senhora Aparecida - RENSA - Arquidiocese de Belo Horizonte - MG.

Somente Jesus nos conduz ao Pai

                                                                

Somente Jesus nos conduz ao Pai

                                                    Sejamos cristãos alegres, corajosos, 
                                                              convictos a caminho do céu,
vivendo  no tempo presente 
a nossa fé em Jesus Cristo, 
que nos conduz ao Pai, com a força, 
presença e ação do Seu Espírito.

Na 4ª sexta-feira do Tempo da Páscoa, ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 14,1-6), em que Jesus Se apresenta como Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14,6).

Reflitamos sobre a missão da Igreja, que nasce de Jesus, na fidelidade ao Pai, é vivificada com a presença e ação do Espírito Santo, continuando o caminho que é o próprio Jesus.

A comunidade continua a Sua missão, no anúncio e testemunho do Evangelho, como homens novos, com vida em plenitude, porque integrados à Família Trinitária: Pai, Filho e Espírito Santo.

A passagem retrata um contexto de despedida de Jesus, e com isto Ele quer deixar no coração dos discípulos uma palavra de confiança e esperança, para que não se desviem e nem abandonem a caminhada com Ele iniciada.

Ele vai para o Pai e garante a todos que O seguirem o mesmo destino: a glória da eternidade, de modo que a comunidade, acolhendo o Espírito que Ele enviará do Pai, viverá na obediência e fidelidade a Deus, em total entrega de amor e serviço ao próximo.

No entanto, para fazer parte de Sua família é preciso que os discípulos vivam esta total obediência a Deus, trilhando o Caminho que é o próprio Jesus que ama até o fim, porque de fato, cristãos são os que se põem a caminho. Não se pode viver uma fé instalada, acomodada, e tão pouco conceber possíveis recuos, pois “a fé começa pelos pés”.

E como vemos na passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 6,1-7), a Igreja em Jerusalém, com seu testemunho, tinha alguns aspectos que davam a ela sua identidade:

Uma comunidade santa, embora formada por pecadores, num contínuo processo de conversão, procurando viver a fidelidade apesar das falhas e dificuldades;

Possui uma organização hierárquica com a responsabilidade de conduzir e orientar a direção da comunidade, favorecendo o diálogo e a participação consciente, ativa e frutuosa;

Uma comunidade de servidores que colocam em comum os dons de Deus recebidos;

Finalmente, uma comunidade criada, animada e dinamizada pelo Espírito Santo, para que dê testemunho de Jesus Cristo Ressuscitado.

Sejamos cristãos alegres, corajosos, convictos a caminho do céu, vivendo no tempo presente a nossa fé em Jesus Cristo, que nos conduz ao Pai, com a força, presença e ação do Seu Espírito.

Renovemos em nosso coração o Amor de Deus, infundido em nós pela ação do Espírito, para continuarmos com os pés firmes neste Bom Caminho que nos conduz aos céus, à comunhão plena e eterna de Amor: Céu. 


PS: Apropriado para o 5º Domingo da Páscoa Ano A

O suor de José e o Suor de Jesus!

                                                             

O suor de José e o Suor de Jesus!

Visitemos aquela, não conhecida, oficina,
Em Nazaré da Galileia, da Sagrada Família.
Contemplemos o árduo trabalho de José:
Trabalho humilde que ao Filho ensina!

José tem em suas mãos precárias ferramentas,
Móveis, casas, outros bens a construir...
Operário, trabalhador, pai adotivo do Senhor
Com docilidade, trabalha, não lamenta.

Ó José, contemplo o suor de teu rosto caindo,
Vertendo copiosamente sobre o chão,
Não esmorece e não se cansa, porque sabes
Que, com teu suor, garante para Jesus o pão.

Tua amada esposa, contemplando tamanha dedicação,
Oferece-te um pouco d’água com carinho, próprio de Maria!
Ela sabe que asseguras ao Filho o que podes, o melhor,
Para que Ele cresça em tamanho, graça e sabedoria!

Do suor de José vamos contemplar outro Suor:
Suor da humanidade de José garante o pão cotidiano,
O outro Suor, do Filho Adotivo, outro Pão nos garantirá;
Será o Suor do Sangue derramado, mais que amor humano.

Contemplemos aquela cena que não se apaga do coração:
No Monte das Oliveiras, noite de intensa agonia...
O Sangue do rosto de Cristo copiosamente vertendo,
Certamente em Oração à sempre presente Mãe Maria.

Sangue de Jesus derramado pela humanidade...
Sangue que nos redime, nos salva e nos eterniza.
Suor que anuncia crudelíssimo e insano sacrifício.
Amor que nos ama, quem deste Amor não precisa?

Suor de José na humilde oficina,
Suor do humano trabalho santificador,
Suor de Jesus no Monte das Oliveiras,
Suor da redenção de todo pecador!

Suores diferentes, por ambos derramados,
Mas que expressam pela vida grande amor,
Ó Sangue Preciosíssimo, que nos redime!
Suemos por amor à vida, por amor ao Senhor!

Do suor de José veio o pão material,
Do Suor de Cristo, o Pão Espiritual
Em cada Eucaristia que celebramos.
Ó Amor incrível, o Amor celestial!

A atividade humana e sua contribuição em favor da vida

                                                       

A atividade humana e sua contribuição em favor da vida

No dia 1º de maio, celebraremos a Festa em louvor a São José Operário, protetor e modelo de todos os trabalhadores e trabalhadoras.

Sejamos enriquecidos por dois parágrafos (nºs 33 e 34) da Constituição pastoral “Gaudium et spes” sobre a Igreja no mundo contemporâneo, do Concílio Vaticano II (séc. XX), que nos fala sobre a atividade humana no mundo.

“Por seu trabalho e inteligência, o homem procurou sempre mais desenvolver a sua vida. Hoje em dia, porém, ajudado antes de tudo pela ciência e pela técnica, ele estendeu continuamente o seu domínio sobre quase toda a natureza; e, principalmente, graças aos meios de intercâmbio de toda espécie entre as nações, a família humana pouco a pouco se reconhece e se constitui como uma só comunidade no mundo inteiro. Por isso, muitos bens que o homem esperava antigamente obter, sobretudo, de forças superiores, hoje os  consegue por seus próprios meios.

Diante deste esforço imenso, que já penetra a humanidade inteira, surgem muitas perguntas entre os homens. Qual é o sentido e o valor desta atividade? Como todas estas coisas devem ser usadas? Qual a finalidade desses esforços, sejam eles individuais ou coletivos?

A Igreja, guardiã do depósito da Palavra de Deus, que é a fonte dos seus princípios de ordem religiosa e moral, embora ainda não tenha uma resposta imediata para todos os problemas, deseja, no entanto, unir a luz da revelação à competência de todos, para iluminar o caminho no qual a humanidade entrou recentemente.

Para os fiéis é pacífico que a atividade humana individual e coletiva, aquele imenso esforço com que os homens, no decorrer dos séculos, tentaram melhorar as suas condições de vida, considerado em si mesmo, corresponde ao plano de Deus.

Com efeito, o homem, criado à imagem de Deus, recebeu a missão de dominar a terra com tudo o que ela contém e de governar o mundo na justiça e na santidade, isto é, reconhecendo a Deus como Criador de todas as coisas, orientando para Ele o seu ser e todo o universo; assim, com todas as coisas submetidas ao homem, o nome de Deus seja glorificado na terra inteira.

Isto diz respeito também aos trabalhos cotidianos. Pois os homens e as mulheres que, ao procurar o sustento para si e suas famílias, exercem suas atividades de maneira a bem servir à sociedade, têm razão para ver no seu trabalho um prolongamento da obra do Criador, um serviço a seus irmãos e uma contribuição pessoal para a realização do plano de Deus na história.

Portanto, bem longe de pensar que as obras produzidas pelo talento e esforço dos homens se opõem ao poder de Deus, ou considerar a criatura racional como rival do Criador, os cristãos, pelo contrário, estão convencidos de que as vitórias do gênero humano são um sinal da grandeza de Deus e fruto de seus inefáveis desígnios. Quanto mais, porém, cresce o poder dos homens, tanto mais aumenta a sua responsabilidade, seja pessoal seja comunitária.

Donde se vê que a mensagem cristã não afasta os homens da tarefa de construir o mundo nem os leva a negligenciar o bem de seus semelhantes; mas, antes, os impele a sentir esta obrigação como um verdadeiro dever.”

Como vemos, a atividade humana pode em muito contribuir na promoção da vida, melhorando as condições das pessoas.

Pelo trabalho, vemos que a atividade humana é um prolongamento da obra do Criador, e neste sentido é preciso criar sempre a possibilidade de trabalho digno para todos; e com ele, os direitos sociais próprios.

Deste modo, todos os esforços devem ser feitos, em todos os âmbitos, organizações, poderes constituídos, para que não sejam condenadas milhões de pessoas ao desemprego ou subemprego.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

O abandono do “cântaro”

                                                         

O abandono do “cântaro”

O encontro de Jesus com a Samaritana, ao meio dia, na beira do poço... (Jo 4,5-15.19b-26.39a.40-42), possibilita inesgotáveis possibilidades de reflexão.

Por exemplo, quando o Evangelista diz que “A mulher abandonou o cântaro, foi à cidade...” (Jo 4,28) o que significa este abandono?

Um dos sentidos é o rompimento com todos os esquemas de procura de felicidade, egoístas, para abraçar a verdadeira e única proposta de vida plena trazida por Jesus. 

Ele é a fonte de vida nova, e estabelece com a Samaritana um novo modo de relacionamento.

Certamente ela foi amada como nunca fora antes; com um amor que faz enaltecer o esplendor da dignidade que todos possuímos, porque feitos à imagem e semelhança de Deus.

Também significa e representa o abandono de tudo aquilo que nos dá acesso a propostas limitadas, falíveis, incompletas de felicidade; marca um novo começo...

Se o coração está pleno do Amor de Deus, não há necessidade de “cântaros”, haja vista que o coração humano é o grande "cântaro" de Deus, onde Ele quis habitar e cumular de graças, ternura, bondade, misericórdia, sabedoria, compaixão...

O cântaro abandonado junto ao poço leva-nos a pensar que o mesmo perdera sua importância. O cântaro seria para a Samaritana um empecilho que dificultaria na ânsia de levar a boa nova da acolhida aos seus amigos. Sem ele estaria livre para correr.

Reflitamos:

- Estamos dispostos a abandonar o caminho da felicidade egoísta, parcial, incompleta, e a abrir o nosso coração ao Espírito que Jesus nos oferece e que exige uma vida nova?

- Quais são os “cântaros” que devemos abandonar para que com maior disponibilidade possamos vivenciar alegre e prontamente a missão de Discípulos Missionários do Senhor?

- Num mundo em que nos encontramos com pessoas procurando um sentido para vida, às vezes vazias de espiritualidade, de compromissos solidários, somos capazes de apontar Àquele que dá sentido a nossa vida?

- Onde e como enchemos o “cântaro” do coração para não voltarmos a procurar velhos e indesejáveis cântaros?

Concluindo, é sempre tempo de abandonar “o velho cântaro”; de esvaziar o coração de quaisquer ressentimentos, mágoas, indiferenças etc.

É sempre tempo de abertura e predisposição para acolher o que de melhor Deus tem para nos conceder, por meio do Seu Filho, a Divina Fonte, que nos assegura a Água Viva do Espírito.

Tenhamos a alma irrigada pela Água Cristalina do Senhor, para que em Seus prados divinos e viçosos, sombras, flores e frutos, possamos contemplar e saborear.

Façamos nossas passagens, nossos abandonos necessários, que são imprescindíveis para verdadeiros encontros santificantes e santificadores, pascais:

Do cântaro da vida vazia ao deleite do encontro com a Vida plena, Jesus.

Do cântaro da vida amarga vivida ao novo momento pela Misericórdia Divina concedida.

Do cântaro da mesmice, do vácuo de perspectivas à alegria da Missão de Discípulos Missionários.

Do cântaro ao cântaro do Coração de Jesus.

Do cântaro antigo ao novo cântaro, o Coração de Jesus, pleno de Amor...

Não mais o cântaro, mas o coração em sintonia com o Coração Fornalha Ardente de Amor, Jesus!

Não mais o cântaro do provisório, 
mas o Cântaro que nos ama 
e nos introduz na eternidade. 
Amém!

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG