quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

A leitura e a grande travessia


A leitura e a grande travessia

Viver é uma grande travessia
no mar da insegurança e precisamos de ilhotas
onde nos refazemos para a viagem continuar...

Reflitamos e veremos que viver é fazer uma longa travessia...

“A vida como uma longa travessia...”
Viver não é estancar num estágio da existência, e como que emperrados em pensamentos, ideias, conceitos, sem nada mudar, rever, transformar, acrisolar para o melhor sempre buscar, não importando se possível ou não alcançar, mas ao menos tentar.

“A vida como uma longa travessia...”
Viver não é recuar para o já conhecido, porque nos confere um quê de segurança, uma vez que o medo quase sempre nos desinstala, desafia, inquieta, por vezes rouba-nos a serenidade e o sonho, porque exige um lançar-se decididamente, sem que se saiba os resultados a serem alcançados.

“A vida como uma longa travessia...”
Viver pode ser comparado a uma grande travessia, a ser feita com suas alegrias e tristezas, angústias e esperanças, sonhos e pesadelos, fracassos e vitórias, facilidades e desafios, luzes e sombras.

“A vida como uma longa travessia...”
Viver o presente intensamente com olhar voltado para o futuro, sem jamais olvidar o passado, com suas lembranças e aprendizados adquiridos. Aprender com os erros cometidos, amadurecer por tê-los responsável e corajosamente assumido.

“A vida como uma longa travessia...”
Viver o presente como dádiva, pela incerteza do futuro, uma vez que o passado se tornou a nossa própria história. Se não podemos mudar, moldar o passado, podemos mudar o presente, em novas conexões e experiências que nos moldarão e nos possibilitarão um novo futuro.

Os textos aqui encontrados, bem como em um livro físico (ou virtual), são como pequenas ilhas nas quais paramos, necessariamente, para recuperarmos o fôlego, nos reabastecermos de pensamentos puros e robustecedores para a continuidade da travessia.

Como viver é uma longa travessia no mar do incerto, do inseguro, do imprevisível, precisamos de ilhotas onde possamos parar e rever o percurso feito.

Tenho como preocupação e anseio que os meus escritos sejam como uma pequena ilha, onde se possa refazer as forças para que jamais se desista da travessia a ser feita.

Desejo que este espaço seja uma luz nesta necessária viagem que todos somos chamados a fazer, pois nisto consiste o viver.

“A vida como uma longa travessia...”
De mar a mar, de ilhas em ilhas continuemos nossa travessia.

Em poucas palavras...

                                                 


Com quem nos identificamos?

“Perante esta página do Evangelho (Mc 3, 20-21), o leitor não pode deixar de se perguntar com quem se identifica: com a multidão ansiosa que aperta Jesus, mas O julga fora de si? Com os discípulos que O ouvem e são instruídos por Ele? Com os parentes que queriam detê-Lo?” (1)

 

(1)              Lecionário Comentado – Volume I do Tempo Comum – Editora Paulus – Lisboa – pág. 105

Em poucas palavras...

                                                              


                                                    Peregrinos na fé

"Eu vos peço: amai comigo, correi crendo comigo, desejemos a Pátria Celeste, suspiremos pela Pátria do alto, sintamo-nos como peregrinos aqui"  -  Santo Agostinho (séc. V)

 

Palavras... Homônimos que fazem a diferença!

                                                                          

Homônimos que fazem a diferença!

Homônimos?
Palavras com a mesma escrita ou pronúncia, mas sentidos diferentes.

Há alguns que devem sobressair em nossa vida.
Eis um caso típico: ora, hora e ora, ora!

Vejamos, por ora, este caso acima:
Há hora para tudo mesmo! Até hora para aprender. A hora fica mais bela para quem na vida ora, porque mesmo quem ora erra! Ora, ora! Quanto mais se não o fizesse! Ai meu Deus, que eu não perca a hora nesta reflexão sobre os homônimos! Ora, ora! Que importa? Se o que importa é o imperativo: Ora a Deus em toda hora!

Se algum erro aqui encontrar...
Que o encontre em frações ínfimas de uma hora!
Se não achar... Ora, ora! Deixe assim por ora.
Mas em toda hora: ora, ora, ora... Sem cessar!

Orar em toda hora, é o que conta! Ora, ora!
Que não se esqueça que é feliz quem em toda hora, a Deus ora!

Quem em todas as circunstâncias ora!
Preparado estará para toda hora:
Horas alegres e tristes;
De luzes e sombras,
Angústias e esperanças...

Nosso sim cotidiano ao chamado divino

                                                          


Nosso sim cotidiano ao chamado divino

“Falai, Senhor, que o Vosso servo escuta.”

A vocação de Samuel é um relato exemplar de vocação: A iniciativa procede de Deus, que Se compraz em chamar os pequenos. A partir deste momento, é preciso uma disponibilidade total e serena para responder aos chamamentos do Senhor.

O chamamento de Deus pode acontecer de muitos modos: ora a partir do desejo de conhecer melhor a Deus, ora a impressão de ter sido tocado pelo Seu olhar, ora pela própria vivência do Mistério que envolve aquele que se sente chamado...

Contudo, ninguém pode confiar nas suas certezas, e precisa sempre recorrer ao juízo, ao discernimento para perceber o chamado de Deus, porém é necessário que a última palavra seja de quem o recebeu, para isso, um mandato específico na Igreja ou na comunidade.

Quem se julga chamado deve permanecer disponível para responder à vontade de Deus, cujas implicações e exigências concretas se vão descobrindo e se tornando mais precisas progressivamente.

A vocação, o chamado divino de alguém é sempre uma história pessoal e singular, tecida de respostas cotidianas incessantes aos chamamentos divinos.

Sendo o chamado uma prerrogativa divina, implica também a participação humana daquele que foi chamado em alegre, confiante e perseverante resposta, fazendo próprias as palavras de Samuel após ter sido chamado por Deus: “Falai, Senhor, que o Vosso servo escuta” (1 Sm 3,19).

Ontem e hoje, Deus continua nos chamando e a graça de encontrar o Senhor no caminho e sentir o Seu olhar de amor a nos convidar é algo que as palavras todas não conseguem expressar. Procurar conhecê-Lo, vinculando-se progressivamente a Ele, configurados a Ele, são etapas de uma vocação cristã que transforma toda a vida e a vida toda.

Assim como Samuel, vamos crescendo nesta consciência do chamado, certos de que o Senhor está conosco e jamais nos desampara: É próprio do Amor de Deus escolher, chamar, assistir com Seu Espírito aquele que foi chamado; é próprio de quem ama não se separar do Amado.

E como Deus nos ama, e nos ama até o fim, por meio de Jesus Cristo, nos confia o Seu Espírito para permanecermos firmes na resposta que um dia demos.

Renovemos a alegria de trabalhar na Vinha do Senhor.

A natureza da verdadeira religião

 


A natureza da verdadeira religião

Com a passagem do Livro de Samuel (1 Sm 15,16-23), refletimos sobre a natureza da verdadeira religião’, que trata das relações de homens e mulheres com Deus.

Segundo o comentário do Missal Cotidiano, essas relações podem ser falsificadas de dois modos: pela presunção e pela ilusão:

“A presunção é a posição de quem diz: ‘Quanto a mim, vivo a religião a meu modo, não quero imposições de ninguém: vou à Igreja quando tenho vontade, pratico as ações que me sinto inclinado a praticar ou, não faço nada disso’.

A ilusão, ao contrário, leva a agir não por inclinação, mas por ignorância, ou porque, tomadas pelo engano do sentimento que faz com que deem muita importância a coisas secundárias ou a práticas supersticiosas, as pessoas se descuidam das que têm relevância fundamental.”

No entanto, a mensagem cristã ‘é de “suprema liberdade” (RC, 92), com um conteúdo bem preciso: “É Deus quem primeiro Se dirige ao homem, é Deus que faz ao homem uma ‘proposta’. Só o conhecimento dessa proposta dá ao homem a possibilidade de estabelecer com Deus um relacionamento autêntico. A escuta da Palavra de Deus e a genuína interpretação que lhe dão os pastores da Igreja oferecem esta possibilidade”.

Oremos:

Ó Deus, afastai de nós toda tentação de vivermos uma religião conforme nossos gostos, marcados pela presunção ou ilusão, o que nos levaria a uma pseudorreligião, e seríamos como sal sem sabor que nada mais presta, senão para ser pisado, e uma luz que não irradiaria a Vossa divina luz a quantos precisam.

Concedei-nos, na acolhida e escuta atenta da Vossa Palavra, que Vosso Filho Jesus Cristo nos transmitiu, colocá-La em prática, fortalecendo vínculos de relacionamentos autênticos Convosco, a fim de que nãos sejamos meros ouvintes, mas praticantes, contando com a presença e ação do Vosso Espírito Santo. Amém.

  

Fonte: Missal Cotidiano – Editora Paulus – pág. 647-648 

A Igreja do Senhor

                                                           

A Igreja do Senhor

Reflexão à luz da passagem da Epístola aos Hebreus (Hb 3,7-14).

Assim lemos no Comentário do Missal Cotidiano:

“A tentação de considerar a fé em Deus como uma espécie de apólice de seguro: contra as desgraças e doenças, contra as injustiças e afrontas, contra as calamidades naturais, contra as próprias enfermidades espirituais.

Deus deve intervir para livrar o mundo das desgraças, punir os maus que não O honram e oprimem os Seus fiéis; deve intervir para livrar das insídias da dúvida e do pecado aqueles que O invocam.

A tentação de considerar a Igreja como um lugar de refúgio seguro, de onde se pode tranquilamente escutar o fragor das ondas que tragam os infelizes que estão ‘fora do porto’”. (1)

Refletindo...

Não se pode conceber a Igreja como uma “apólice de seguro” ou “lugar de refúgio seguro”.

Outra questão importante: como conceber uma Igreja em contínua busca da verdade, que se renova, em contínuo esforço de conversão de suas estruturas, para ser sinal de salvação para toda a humanidade, como assim quis o Senhor?

Retomemos o que nos disse o Papa Francisco, em sua Exortação Evangelii Gaudium:

Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos” (EG n. 49).

Este é o caminho que devemos trilhar, conduzidos e assistidos pelo Espírito do Senhor, que não nos permite sentir qualquer espécie de orfandade divina, na fidelidade a Jesus e à Boa-Nova do Reino de Deus por Ele inaugurado.

Temos plena confiança de que Deus caminha conosco, e que, mesmo nas provações e dificuldades que tenhamos que enfrentar, Ele não Se faz ausente, como experimentaram os discípulos de Emaús (Lc 24), e as primeiras comunidades, em tempos difíceis de perseguição e martírio e ao longo de toda a história da Igreja, e tantos outros exemplos que nos encorajam no bom combate da fé.

Podemos rezar como o Salmista, e afirmar que Deus é nosso rochedo, nossa fortaleza, nosso libertador (Sl 18), mas não nos tira do mundo, não nos infantiliza.

Desde o princípio, quando Jesus chamou os discípulos, exigiu renúncias cotidianas necessárias, acompanhadas do carregar da cruz, para então, com coragem e liberdade, segui-Lo, anunciá-Lo e testemunhá-Lo até os confins do mundo.

Nem apólice de seguro, nem lugar de refúgio, mas uma barca fazendo a travessia no turbulento mar da vida, com coragem, pois com o Senhor não naufragaremos nos mares das adversidades, tristezas, infidelidades, iniquidades.

Portanto, urge que atravessemos o mar, confiantes na Palavra e Presença do Senhor, sobretudo quando d’Ele nos alimentamos no Sacramento dos Sacramentos: a Eucaristia.

(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - pág.631

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