quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Do pretérito perfeito ao futuro do presente


Do pretérito perfeito ao futuro do presente

Viver às vezes pede a conjugação no pretérito perfeito:
Excluí, eliminei, apaguei, limpei, varri, extirpei,
Curei, “deletei”, impus um ponto final. Ponto final?
Mas também a conjugação no futuro do presente...

Excluí todo pensamento que me rouba os sonhos,
Eliminei a ferrugem da alma que ofusca o esplendor divino,
Apaguei toda lembrança que me consome inapelavelmente,
Limpei aquilo que corrói o ardor do empenho no melhor.

Varri para um lugar inacessível, o que é impensável,
Extirpei aquilo que, a quem crê, é mais do que detestável.
Curei a dor da alma, sem me eximir do carregar da cruz,
“Deletei” do coração, sem envio para a “lixeira” da história.

Há pretéritos perfeitos que se conjugados
Sem dúvida me faria um pouco melhor.
Como viver consiste num eterno aprender
A conjugá-los no futuro do presente...

Somarei a eles outros verbos:
Amar, perdoar, acolher, sorrir,
Caminhar, lutar, resistir, viver
Persistir, aprender, vencer...

Do Verbo Maior, outros verbos aprender...

PS: Poesia inspirada na passagem do Evangelho (Mt 13, 1-23), em que somos exortados a transformar nosso coração em terra fértil. Isto começa com um aprendizado inadiável e com toda coragem: do pretérito perfeito ao futuro do presente; conversão no mais profundo de nosso coração, nos recônditos mais obscuros de nossa alma.

“Nossas fadigas não são em vão”

“Nossas fadigas não são em vão”

Iniciamos mais um ano, e com ele, aos poucos, as atividades pastorais diversas.

É preciso firmar os passos na caminhada evangelizadora, com paixão incondicional pelo Senhor, na força do Espírito em total fidelidade ao Deus de Amor. Se envolvidos pelo Amor Trinitário, não haverá cansaço, sensação indesejável de tempo perdido, desgastes com futilidades.

Nas cidades, de modo geral, muitos clamam por uma Palavra de Luz, sobretudo porque nelas se multiplicam os gritos dos famélicos, dos dependentes químicos, dos desesperados, enfim, dos marginalizados que esperam que alguém lhes estenda a mão criando a possibilidade de uma nova etapa em sua existência. 

Em plena fidelidade ao Evangelho e à Doutrina da Igreja, urge que lancemos as redes em águas mais profundas, pois esta é a essência da evangelização.

É preciso anunciar e testemunhar Aquele que encontramos, cujo Natal há poucos dias celebramos, fazendo bem e com amor o que nos for próprio.

Certamente, teremos mais um ano com grandes desafios, e entre eles, o acompanhamento daqueles que foram eleitos nas últimas Eleições para Presidente, Senadores, Deputados e Governadores, para que nossas expectativas de dias melhores em todos os sentidos se concretizem.

Firmemos nossos passos no esplendor e na solidez da Palavra de Deus, Pão que nos alimenta e que nunca nos falta, sobretudo, quando Eucarísticos o somos e às Missas não apenas vamos, mas nos entregamos e nos comprometemos, na mais frutuosa comunhão das Mesas: da Palavra, da Eucaristia e do cotidiano.

Sejamos iluminados pelas palavras do Apóstolo Paulo: “Sede firmes, inabaláveis, progredindo sempre na obra do Senhor, certos de que vossas fadigas não são em vão, no Senhor” (1Cor 15,58).

E, se ainda não fomos despertos de nosso sono, que Paulo fale mais uma vez e com ele repitamos, fazendo nossas suas palavras: “Ai de mim se eu não evangelizar” (1Cor 9,16).

MENSAGEM DO SANTO PADRE LEÃO XIV PARA O LIX DIA MUNDIAL DA PAZ - 1 DE JANEIRO DE 2026 (síntese)

 


MENSAGEM DO SANTO PADRE LEÃO XIV PARA O  LIX DIA MUNDIAL DA PAZ - 1 DE JANEIRO DE 2026 (síntese)

A Mensagem tem como título “A paz esteja com todos vós. Rumo a uma paz desarmada e desarmante” e tem como motivação bíblica a passagem do Evangelho de João em que Jesus Ressuscitado saúda os seus discípulos na noite de Páscoa - “A paz esteja convosco!” ( Jo 20, 19.21):

“Do mesmo modo que, na noite de Páscoa, Jesus entrou no lugar onde se encontravam os discípulos assustados e desanimados, assim a paz de Cristo ressuscitado continua a atravessar portas e barreiras com as vozes e os rostos das suas testemunhas. É o dom que permite não esquecer o bem, reconhecê-lo como vencedor, escolhê-lo novamente e juntos.”

Na introdução, ao citar o Papa Francisco, nos fala da importância da promoção da paz do Cristo Ressuscitado, sobretudo se considerarmos o contexto atual: “O Ressuscitado introduziu-nos neste horizonte. É neste sentir que vivem os promotores da paz que, no drama daquilo que o Papa Francisco definiu como “terceira guerra mundial em pedaços”, ainda resistem à contaminação das trevas, como sentinelas na noite”.

A paz, afirma o papa, tem o sopro da eternidade: “enquanto ao mal se ordena ‘basta’, a paz se suplica para sempre’.

Urge uma paz desarmada, como é a paz de Jesus Ressuscitado, porque desarmada foi a Sua luta, dentro de precisas circunstâncias históricas, políticas e sociais.

Esta urgência é fundamental, sobretudo se considerarmos que “... ao longo de 2024, as despesas militares a nível mundial aumentaram 9,4% em relação ao ano anterior, confirmando a tendência ininterrupta dos últimos dez anos e atingindo o valor de 2,72 biliões de dólares, ou seja, 2,5% do PIB mundial.”

O cenário, afirma o Papa é de uma espiral de destruição sem precedentes, que compromete o humanismo jurídico e filosófico do qual qualquer civilização depende e pelo qual é protegida.

Também nos alerta para os recentes avanços tecnológicos e a aplicação das inteligências artificiais no âmbito militar que radicalizaram a tragédia dos conflitos armados – “Está-se a delinear até mesmo um processo de desresponsabilização dos líderes políticos e militares devido ao crescente “delegar” às máquinas as decisões relativas à vida e à morte das pessoas...”

Deste modo, reitera o apelo dos padres conciliares, acenando para o diálogo como a via mais eficaz em todos os níveis.

Urge uma paz desarmante e a bondade é desarmante, afirma o Papa, com o necessário desarmamento integral, desde há muito proclamado pelo Magistério da Igreja

 Afirma, portanto, que com ação, é mais do que nunca necessário cultivar a oração, a espiritualidade, o diálogo ecumênico e inter-religioso como caminhos de paz e linguagens de encontro entre tradições e culturas; de tal modo que, cada comunidade se torne uma “casa de paz”, onde se aprende a neutralizar a hostilidade através do diálogo, onde se pratica a justiça e se conserva o perdão.

Mais do que nunca é preciso promover a paz que não é uma utopia, através de uma criatividade pastoral atenta e generativa, completa o Papa.

Acena para o caminho desarmante da diplomacia, da mediação, do direito internacional, infelizmente contrariado por violações cada vez mais frequentes de acordos alcançados com grande esforço, num contexto que exigiria não a deslegitimação, mas sim o fortalecimento das instituições supranacionais.

Conclui exortando que, como um dos frutos do Jubileu da Esperança, nos redescubramos como peregrinos, com o necessário desarmamento do coração, da mente e da vida, certos de que Deus não tardará em responder, cumprindo as Suas promessas:

«Ele julgará as nações, e dará as suas leis a muitos povos, os quais transformarão as suas espadas em relhas de arados, e as suas lanças, em foices. Uma nação não levantará a espada contra outra, e não se adestrarão mais para a guerra. Vinde, Casa de Jacob! Caminhemos à luz do Senhor» (Is 2, 4-5).

Amor, quem o tem tudo supera!

                                           

Amor, quem o tem tudo supera!

Numa Missa Dominical,
A Salmista o Salmo não cantou...
Na hora não entendi,
A melodia por que faltou?

Dias mais tarde, soube que
Veio à Missa, apesar de febril,
O Salmo rezou...
Do Pão Eucarístico se alimentou!

Então dei conta que a melodia
Veio com seu esforço e dedicação.
Quando todas as coisas fazemos com alma,
Por amor simplesmente, chega ao coração.

Uma entre tantas e tantos que por amor,
Amor puro por Jesus e o Mistério da fé,
Esforços não medem, superam-se a si mesmos.
Incontáveis pessoas assim encontramos todos os dias!

Sinal do amor que não cansa nem descansa
Na lida pastoral, na vida familiar e conjugal,
No zeloso exercício da atividade profissional,
Fé não vacilante e nem esmorecida esperança!

Amor ativo com o Espírito em perfeita sintonia,
Prolongando em gestos o que se celebra na Eucaristia!
O amor quando presente fala mais alto que vozes.
Amor que ama amantes e próprios algozes.

Alcança o aparentemente inatingível
Realiza o que diriam inviável, impossível.
Amor, quem o tem tudo supera!
Amor, quem o tem em tudo se esmera!

Estas palavras dedico a quem por amor
Nas diversas pastorais com ardor se dedica.
A quem, apesar das dificuldades,
Não se omite em suas atividades.

Nada somos sem a Sabedoria Divina

Nada somos sem a Sabedoria Divina

Sempre que posso volto às narrativas mitológicas que muito nos inspiram em situações diversas que a vida nos apresenta.

Dentre tantas que poderia citar, ofereço ao leitor como exemplo uma da mitologia grega: “Os doze trabalhos de Hércules”, trabalhos realizados em redenção à atrocidade cometida pela carnificina de seus próprios filhos.

No quinto trabalho, em obediência a ordem do Rei Euristeu, seu primo, o herói tem que limpar os célebres e imundos currais do Rei Áugias, governante de Élis.

O Rei Áugias possuía os maiores rebanhos do mundo e, por graça divina, seus animais estavam livres de doenças, além de gozar de uma fertilidade sobrenatural.

Ele possuía tantos bois, cavalos e ovelhas que nem mesmo um exército de servos seria capaz de limpar diariamente os seus currais, que há trinta anos acumulavam esterco em grotescas e imensas camadas nos pátios e paredes.

Como Hércules haveria de fazer tal trabalho? Impensável, de balde em balde... Nem tempo, nem força. Impossível o êxito.

Mas Hércules abrindo duas brechas nas paredes do curral, e desviando o curso dos rios, Alfeu e Mênio, fez com que a torrente de água varresse os pátios arrastando toda sujeira que por tanto tempo fora acumulada.

Foi necessário apenas um dia para a mais célebre faxina da mitologia grega, sem que Hércules sujasse suas mãos.

Agora, passemos da mitologia para a vida, e encontraremos luzes incontáveis.
Talvez não tenhamos currais com estercos acumulados a limpar, mas podemos ter outros tantos acúmulos na alma e no coração, e que precisam ser removidos.

Não mais a faxina dos currais, mas a faxina da alma, que por certo é bem mais difícil, porque por vezes podemos teimar em conservar dentro de nós o que não é mais necessário, que torna tão apenas mais desagradável e desgastante a vida.

Há situações em que devemos buscar alternativas: não nos contentarmos com “pequenos baldes”, mas usarmos o recurso do desvio de rios para que a sua corrente possa remover quaisquer sinais de dificuldades, obstáculos que impeçam nossa felicidade.

Quantas vezes nos encontramos em situações desesperadoras, aparentemente intransponíveis, e nos perguntamos o que fazer.

Alguns nem se permitem a possibilidade de encontrar soluções. Outros mal começam e param. Entretanto, há aqueles que não se curvam diante de dificuldades e abrem rios, são criativos, buscam saídas alternativas, novas possibilidades.

Não posso concluir sem lembrar as palavras do Senhor, tantas vezes ressoada no coração dos discípulos missionários: “Não tenhais medo”.

Diante de quaisquer dificuldades, em tudo que fizermos, em todo trabalho a que nos propusermos fazer, invoquemos antes a ajuda e a sabedoria de Deus, que não nos dará apenas “pequenos baldes”, mas nos fará mais sábios, mais aptos para toda e qualquer missão, porque nos concede a Sabedoria do Santo Espírito.

Deixemos os baldes quando preciso for, desviemos o curso dos rios... 
E, assim, os desafios enfrentaremos e os venceremos!

Problemas...

                                                          

Problemas...

Sem problema! Assim penso,
Nem problema vejo.
Tem problema? Não creio!
Cem problemas maiores existem? Sem dúvida!
Vem problema maior? Preparemo-nos!”
Quem não tem problemas, não será o problema em si?

Bom, problemas
Todos, de fato, temos,
Eles existem para serem enfrentados,
Se nós existirem, são para serem desatados.

Não comungo com quem diz:
“Cada um com seus problemas”,
Penso que podemos nos solidarizar
E, assim, problemas são amenizados,
Caminhos novos são encontrados...

Problemas tanto podem ser o ponto final,
Como o começo de um novo fim;
Podem ser apenas reticências...
Situações a serem devidamente reescritas
Ou apenas um parêntese
De uma história que se revela aos poucos.

Problemas?
Diante deles se curvar?
Dar-se por vencido?
Refugiar-se medonhamente,
Atestando incompetência e covardia?
Não penso que seja assim.

A fé me ensina outro modo de enxergar as adversidades:

“Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a Oração, as súplicas e a ação de graças” (Fl 4, 6).

Aprendo com as Palavras do próprio Senhor:

“Coragem! Sou Eu. Não tenhas medo!” (Mt 14, 27)

Problemas existem, sim,
Mas devem ser vistos na exata medida,
E superados com a imensurável medida
Da força que nos vem sempre de Deus
Quando a Ele acorremos e suplicamos:

“Vinde Espírito Santo...”

“A paz segundo São Leão Magno”

“A paz segundo São Leão Magno”

Iniciamos mais um ano, e é sempre oportuno retomar parte do Sermão deste grande Papa da Igreja , São Leão Magno (séc. V):

“Ora, no tesouro das liberalidades de Deus, que podemos encontrar de mais próprio para celebrar esta festa do que a paz, que o canto dos anjos anunciou em primeiro lugar no nascimento do Senhor?

É a paz que gera os filhos de Deus e alimenta o amor; ela é a mãe da unidade, o repouso dos bem aventurados e a morada da eternidade; sua função própria e seu benefício especial é unir a Deus os que ela separa do mundo...

O Natal do Senhor é o Natal da Paz. Como diz o Apóstolo, Cristo é a nossa paz, Ele que de dois povos fez um só (cf. Ef 2,14); judeus ou gentios, em um só Espírito, temos acesso junto ao Pai (Ef 2,18)”.

Com Jesus, nossa Paz, cerramos as cortinas de mais um ano e, 
ao mesmo tempo, abrimos as mesmas para Novo Ano.

Com Ele, nossa Paz, nossas forças sejam revigoradas;
Nossos sonhos se tornem mais próximos da realidade.
Com Ele, nossa vida de luz seja em maior intensidade.
Com Ele, nosso vigor, alegria, esperança renovadas!

Com Ela, Maria, terminamos longos dias de um ano,
Com a certeza de que por Ela desamparados jamais!
Com Ela, redescobrir o dulcíssimo gosto da paz!
Com Ela, aprender a fortalecer laços fraternos e humanos!

Feliz Ano Novo que no Natal do Senhor se anunciou!
Feliz Ano Novo, que não sejam palavras repetidas e frias,
Que expressem compromissos, sem coração e mãos vazias.
Somente transbordará no coração daquele que crê e testemunhou!

Graça e Paz da parte de Cristo Nosso Senhor!
Feliz Ano Novo acompanhado de bênçãos e alegria no Senhor.

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG