quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Com Maria, contemplemos e adoremos a Divina Criança

                                                  

Com Maria, contemplemos e adoremos a Divina Criança

Ao celebrar a Solenidade da Mãe de Deus, Maria, sejamos enriquecidos pelo Sermão de São Basílio de Selêucia (séc. V).

“O Criador do Universo, o todo-poderoso, nascido da Virgem Mãe de Deus, uniu-se à natureza humana; Ele assumiu uma carne verdadeiramente dotada de uma alma, e não experimentou culpa alguma: ‘Ele não cometeu pecado, nem se achou falsidade em sua boca’.

Corpo sagrado que abrigava o Senhor! Em Maria foi anulada a constatação de nosso pecado, pois foi nela que Deus Se fez homem, permanecendo Deus.

Ele quis submeter-se a esta gravidez, e Se humilhou ao nascer como nós, sem abandonar o seio do Pai, satisfez-Se com os afagos de sua Mãe. Porque Deus não fica dividido quando cumpre sua vontade; isto é, mesmo permanecendo para todos indivisível, Ele dá a Salvação ao mundo.

Gabriel veio à Virgem Maria sem deixar o céu, e o Verbo de Deus que abraça toda a criação, enquanto nela esteve encarnado, não cessou de ser adorado no céu.

Será necessário intervir com tudo o que os profetas disseram anunciando o advento de Cristo que nasceria da mãe de Deus? Que voz seria assaz sublime para entoar hinos que convenham a sua dignidade? De que flores nós lhe trançaríamos a coroa que a ela é devida? Porque é dela que ‘germinará a flor de Jessé’, e que tem coroado nossa raça de glória e de honra.

Que presentes dignos dela lhe ofereceremos, quando tudo o que há no mundo é indigno dela? Porque, se São Paulo disse dos demais santos: que o mundo não era digno’ deles, o que diremos da Mãe de Deus que resplandeceu acima de todos os mártires tanto quanto o sol brilha mais do que as estrelas?

Ó Virgindade pela qual os anjos, inicialmente distanciados do gênero humano, se alegram com razão por serem colocados a serviço dos homens! E Gabriel exulta por ser incumbido de anunciar a concepção divina, porque ele percorre sua mensagem de Salvação que invoca a alegria e a graça.

‘Alegra-te, cheia de graça’, assume um rosto jovial, pois é de ti que vai nascer a alegria de todos, com Este que, depois de ter destruído a potência da morte, e ter dado a todos a esperança de ressuscitar, nos libertará da antiga maldição.

O Emanuel foi rebento deste mundo que outrora havia criado, aparecendo como um recém-nascido, Ele que era Deus antes da eternidade; recostado em uma manjedoura, excluído do habitat comum. Então veio para preparar as moradas eternas.

Confinado a uma gruta e apontado por uma estrela, cumulado de presentes pelos magos e pagando o resgate do pecado, carregado nos braços de Simeão e abraçando o Universo pela extensão de sua potência divina, visto como um infante pelos pastores e reconhecido como Deus pelo exército dos anjos que cantavam ‘sua glória no céu, a paz sobre a terra, a benevolência de Deus para os homens’.

Tudo isso, a Santa Mãe do Senhor do Universo ‘meditava em seu coração’, diz o Evangelho. Ela se alegrava interiormente pela reunião destas maravilhas, ao mesmo tempo em que é transtornada pela grandeza de Seu Filho que é Deus, grandeza que ela percebe pelos olhos da alma.

Como ela (Maria) ficava a contemplar o Divino Infante, como eu o creio, por impulsos cheios de respeito, ela estava sozinha a conversar com o Único.” (1)

Iniciamos mais um ano com a certeza de que a graça e o amor de  Deus serão abundantemente derramados em nossos corações por meio do Espírito Santo; e também, que Ele, feito infante, frágil e com sua Vida, Paixão, Morte e Ressurreição, trouxe-nos vida plena e feliz, abrindo-nos as portas da eternidade.

Convictos também de que não nos faltará o olhar, o afago de Sua Amantíssima Mãe, Mãe de Deus e nossa Mãe em todos os momentos, assim como Jesus sempre o teve: na Encarnação, na vida, na Paixão e Morte, ao pé da Cruz, Mistério de amor e dor, e na alegria da gloriosa Ressurreição, ao lado dos apóstolos.

Iniciando um ano novo, sejamos abençoados por Deus e contemos com o olhar e ternura de Maria, que jamais se desviou e se afastou de Seu Filho, agora e na hora de nossa morte. Amém.

 

(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp. 297-298

Em poucas palavras... (Mãe de Deus)

                                             


Maria, a Estrela do Mar

“A piedade dos primeiros cristãos dá ao nome de Maria diversos significados: Muito amada, Estrela do Mar, Senhora, Princesa, Luz, Formosa... 

É São Jerônimo quem a chama Stella Maris, Estrela do Mar; Ela nos guia para o porto seguro no meio de todas as tempestades da vida.” (1)

 

(1) hablarcomdios.org - Francisco Fernandez-Carvajal.

A Luz Divina iluminará nossos passos

                                                       


      A Luz Divina iluminará nossos passos

“E o Verbo Se fez carne,

e habitou entre nós” (Jo 1,14)

Com o  olhar voltado para o ano novo, a fim de que evitemos novos erros, multiplicar os acertos, em nossa árdua missão evangelizadora.

São oportunas, neste sentido, as palavras do Papa Francisco em sua Exortação Apostólica:

Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de procurá-Lo dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito, já que ‘da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído’” (Evangelii Gaudium n.3).

Momento propício para este encontro e renovação, foi para nós, o Tempo do Advento, em que nos preparamos para a celebração do acontecimento que mudou o rumo da História da humanidade: a Encarnação do Verbo:  E o Verbo Se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1,14).

Além da espiritualidade própria da Liturgia do Advento, tivemos a graça das Novenas de Natal, acompanhada do indispensável e fecundo Sacramento da Penitência, para bem celebrar o nascimento do Senhor no mais profundo de nós, que veio uma vez mais ao nosso encontro, com o desejo de que O acolhêssemos.

Vivendo a alegria do Natal celebrado, urge multiplicar gestos de amor, partilha, reconciliação, fraternidade, solidariedade e paz, afastando-nos de todo o mal, procurando viver com equilíbrio, justiça e piedade, como nos falou a segunda Leitura da Missa da Noite de Natal (Tt 2,11-14).

Urge que nos empenhemos, para que a Noite de Natal jamais fique reduzida a ceias, amigos secretos e trocas de presentes, o que levaria ao esvaziamento do seu verdadeiro sentido, que é a celebração do Nascimento do Menino Jesus, Aquele que cresceu em tamanho, sabedoria e graça diante de Deus, e deu Sua vida por todos nós, para que fôssemos redimidos e salvos, mas que antes nos comunicou a Boa-Nova do Reino.

Celebramos o Natal com gosto de Páscoa, renovando os sagrados compromissos na espera de um novo céu e uma nova terra, alegres e solícitos, pois Jesus, é a própria Misericórdia Divina que se encarnou para conosco caminhar, de modo que, parafraseando o Evangelista afirmamos: “O Verbo Se fez Misericórdia e encarnou entre nós e nós vimos a Sua Glória” (cf. Jo 1,14).

Iniciamos mais um ano tendo feito este encontro e acolhida do Verbo, deixando-nos envolver pelo Seu amor e ternura, iluminados por Sua Luz, que nunca se apaga,  e nos acompanha em todos os instantes.

Deste modo, conduzidos pelo Divino Espírito, sejamos misericordiosos como o Pai, firmando os nossos passos, para que tenhamos uma vida plena e feliz, empenhados na construção de um mundo justo e fraterno, como sinal do Reino de Deus por Jesus inaugurado.

Que a Luz Divina, que veio ao nosso encontro ilumine todos os dias do novo a ser iniciado. 

“Mãe da Vida...”

                                                                     

 “Mãe da Vida...”

“Mãe da vida, 
no vosso seio materno formou-Se Jesus,     
que é o Senhor de tudo o que existe.
Ressuscitado, Ele transformou-Vos com a Sua luz  
e fez-Vos Rainha de toda a criação.
Por isso Vos pedimos que reineis, Maria,   
no coração palpitante da Amazônia.

Mostrai-Vos como mãe de todas as criaturas,        
na beleza das flores, dos rios,
do grande rio que a atravessa         
e de tudo o que vibra nas suas florestas.     
Protegei, com o vosso carinho, aquela explosão de beleza.

Pedi a Jesus que derrame todo o seu amor 
nos homens e mulheres que moram lá,       
para que saibam admirá-la e cuidar dela.

Fazei nascer Vosso Filho nos seus corações
para que Ele brilhe na Amazônia,   
nos seus povos e nas suas culturas,  
com a luz da Sua Palavra, com o conforto do Seu amor,    
com a Sua mensagem de fraternidade e justiça.

Que, em cada Eucaristia,     
se eleve também tanta maravilha     
para a glória do Pai.

Mãe, olhai para os pobres da Amazônia,    
porque o seu lar está a ser destruído
por interesses mesquinhos.   
Quanta dor e quanta miséria,          
quanto abandono e quanto atropelo
nesta terra bendita,   
transbordante de vida!

Tocai a sensibilidade dos poderosos
porque, apesar de sentirmos que já é tarde,
Vós nos chamais a salvar     
o que ainda vive.

Mãe do coração trespassado,
que sofreis nos vossos filhos ultrajados       
e na natureza ferida, 
reinai Vós na Amazônia       
juntamente com vosso Filho.
Reinai, de modo que ninguém mais se sinta dono   
da obra de Deus.

Em Vós confiamos, Mãe da vida!    
Não nos abandoneis 
nesta hora escura.    
Amém”.

PS: Oração conclusiva da Exortação Apostólica Pós-Sinodal sobre a Amazônia – Papa Francisco – 12/2/2020

Em poucas palavras...

                                                        


Maria, modelo de vida cristã

“Maria não é a meta da existência cristã, mas seu modelo e, neste sentido é insubstituível.”  (1)

 

(1)       Comentário Missal Cotidiano – Editora Paulus – pág. 1767

Em poucas palavras

                                                 


“Maria, sarça ardente da teofania definitiva”

“Em Maria, o Espírito Santo manifesta o Filho do Pai feito Filho da Virgem. Ela é a sarça ardente da teofania definitiva: cheia do Espírito Santo, mostra o Verbo na humildade da sua carne; e é aos pobres (Lc 2,15) e às primícias das nações (Mt 2,11) que Ela O dá a conhecer.” (1)

 

 

(1)Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 724

Mensagem do Santo Padre Francisco para o 56º Dia Mundial Da Paz (síntese)

 


Mensagem do Santo Padre Francisco para o 56º Dia Mundial Da Paz (síntese)

A mensagem tem como título: – “Ninguém pode salvar-se sozinho. Juntos, recomecemos a partir de covid-19 para traçar sendas de paz”, e como inspiração bíblica, a passagem da Carta de Paulo aos Tessalonicenses – “Quanto aos tempos e aos momentos, irmãos, não precisais que vos escreva. Com efeito, vós próprios sabeis perfeitamente que o Dia do Senhor chega de noite como um ladrão” (1Ts 5, 1-2).

Em vários parágrafos, apresenta a realidade atual: “trágicos os acontecimentos da nossa existência sentindo-nos impelidos para o túnel obscuro e difícil da injustiça e do sofrimento”:

A Covid-19 precipitou-nos no coração da noite, desestabilizando a nossa vida quotidiana, transtornando os nossos planos e hábitos, subvertendo a aparente tranquilidade mesmo das sociedades mais privilegiadas, gerando desorientação e sofrimento, causando a morte de tantos irmãos e irmãs nossos.”.

Porém, somos chamados a manter o coração aberto à esperança, confiando em Deus que Se faz presente, nos acompanha com ternura, apoia os nossos esforços e, sobretudo, orienta o nosso caminho:

“Passados três anos, é hora de pararmos um pouco para nos interrogar, aprender, crescer e deixar transformar, como indivíduos e como comunidade; um tempo privilegiado para nos prepararmos para o «Dia do Senhor».”

Diante de uma crise nunca saímos iguais, ou se sai melhor ou pior. Portanto, é preciso nos questionarmos, assim afirma o Papa, e apresenta três questões fundamentais:

- O que é que aprendemos com esta situação de pandemia?

- Quais são os novos caminhos que deveremos empreender para romper com as correntes dos nossos velhos hábitos, estarmos melhor preparados, ousarmos à novidade?

Que sinais de vida e esperança, podemos individuar para avançar e procurar tornar melhor o nosso mundo?

A maior lição que tivemos: “a consciência de que todos precisamos uns dos outros, que o nosso maior tesouro, ainda que o mais frágil, é a fraternidade humana, fundada na filiação divina comum, e que ninguém pode salvar-se sozinho.”

Deste modo, é urgente buscar e promover, juntos, os valores universais que traçam o caminho desta fraternidade humana.

Outro aprendizado: “a confiança posta no progresso, na tecnologia e nos efeitos da globalização não só foi excessiva, mas transformou-se numa intoxicação individualista e idólatra, minando a desejada garantia de justiça, concórdia e paz.”.

Brotou, também, a “mais forte a consciência que convida a todos, povos e nações, a colocar de novo no centro a palavra «juntos». Com efeito, é juntos, na fraternidade e solidariedade, que construímos a paz, garantimos a justiça, superamos os acontecimentos mais dolorosos... Só a paz que nasce do amor fraterno e desinteressado nos pode ajudar a superar as crises pessoais, sociais e mundiais.”.

Quando se pensava ter sido superado o pior da pandemia de Covid-19, o Papa fala da terrível desgraça que se abateu sobre a humanidade: o “aparecimento doutro flagelo – uma nova guerra – comparável em parte à Covid-19 mas pilotado por opções humanas culpáveis. A guerra na Ucrânia ceifa vítimas inocentes e espalha a incerteza, não só para quantos são diretamente afetados por ela, mas de forma generalizada e indiscriminada para todos, mesmo para aqueles que, a milhares de quilômetros de distância, sofrem os seus efeitos colaterais: basta pensar nos problemas do trigo e nos preços dos combustíveis.”

Diante deste quadro, não podemos ter em vista apenas a proteção de nós próprios, mas é hora de nos comprometermos todos em prol da cura da nossa sociedade e do nosso planeta, criando as bases para um mundo mais justo e pacífico, seriamente empenhado na busca de um bem que seja verdadeiramente comum, afirma o Papa.

Somos chamados a enfrentar, com responsabilidade e compaixão, os desafios do nosso mundo, repassando o tema da garantia da saúde pública para todos; promover ações de paz para acabar com os conflitos e as guerras que continuam a gerar vítimas e pobreza; cuidar de forma concertada da nossa casa comum e implementar medidas, claras e eficazes, para fazer face às alterações climáticas; combater o vírus das desigualdades e garantir o alimento e um trabalho digno para todos, apoiando quantos não têm sequer um salário mínimo e passam por grandes dificuldades. Fere-nos o escândalo dos povos famintos.

Também se faz necessário desenvolver, com políticas adequadas, o acolhimento e a integração, especialmente em favor dos migrantes e daqueles que vivem como descartados nas nossas sociedades.

Esta missão é de todos nós, de todas as pessoas de boa vontade, com a esperança de que, no novo ano, possamos caminhar juntos valorizando tudo o que a história nos pode ensinar, exorta o Papa, acompanhado dos votos de todo bem aos Chefes de Estado e de Governo, aos Responsáveis das Organizações Internacionais, aos líderes das várias religiões.

Somos todos artesãos de paz, na construção de um ano feliz, com a intercessão de Maria Imaculada, Mãe de Jesus e Rainha da Paz.

 

PS: Desejando ler a mensagem na integra, acesse:

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/peace/documents/20221208-messaggio-56giornatamondiale-pace2023.html

 

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