sábado, 6 de dezembro de 2025

A COROA DO ADVENTO

 

A COROA DO ADVENTO

“Sugere-se a coroa do advento, com o progressivo acender das suas quatro luzes, domingo após domingo, até à solenidade do Natal, é memória das várias etapas da história da salvação antes de Cristo e símbolo da luz profética que vai iluminando a noite da expectativa, até o surgimento do Sol da Justiça (DPPL, n.98).

Pode-se valorizar o uso das cores nas velas e, sendo assim, observe uma possível ordem de acendimento (roxa, verde, rosa, branca).

Contudo, pode-se optar por uma única cor e valorizar o acendimento da luz.

Deve-se colocar as velas somente que serão acesas. Observe para que os ramos que compõem a coroa disposta ao redor das velas, estejam sempre verdes e sejam naturais.” (1)

 

(1) Guia Litúrgico-Pastoral – revisado e atualizado – 4ª Edição - 2025 - CNBB – p. 24

“A tríplice confissão apaga a tríplice negação...”

                                                    


“A tríplice confissão apaga a tríplice negação...”

“A força do amor vence o temor da morte”

À luz dos Tratados sobre o Evangelho de São João, do Bispo Santo Agostinho (Séc. V), reflitamos sobre a força do amor que vence o temor da morte.

“O Senhor interroga sobre o que já sabia, não só uma vez, mas duas e três vezes: se Pedro o ama. De todas as vezes, ouve uma só resposta, que Pedro o ama. E, em todas elas, confia a Pedro o pastoreio de suas ovelhas.

A tríplice confissão apaga a tríplice negação, para que a língua não sirva menos ao amor do que ao temor; e não pareça que a iminência da morte o obrigou a falar mais do que a presença da vida. Seja serviço de amor apascentar o rebanho do Senhor, como foi prova de temor negar o pastor.

Quem apascenta as ovelhas de Cristo, como se fossem suas, não ama a Cristo mas a si mesmo.

Contra esses, que também o Apóstolo censura dizendo que procuram os próprios interesses e não os de Cristo, estas palavras que o Senhor repete insistentemente são uma séria advertência.

Então que quer dizer: Tu me amas? Apascenta as minhas ovelhas (Jo 21,17) senão: Se me amas, não penses em te apascentar a ti mesmo, mas as minhas ovelhas; apascenta-as, considerando minhas, não tuas; procura nelas minha glória, não a tua; meus interesses, não os teus; não sejas daqueles que nos tempos de perigo só amam a si mesmos e tudo o que deriva deste princípio, que é a raiz de todo mal.
 
Os que apascentam as ovelhas de Cristo, não amem a si mesmos; não as apascentem como sendo próprias, mas como pertencentes a Cristo.

O defeito que mais devem evitar os que apascentam as ovelhas de Cristo consiste em procurar os próprios interesses e não os de Jesus Cristo, destinando ao proveito próprio aqueles por quem Cristo derramou o seu sangue.

O amor de Cristo deve crescer até atingir tal grau de ardor espiritual naquele que apascenta as suas ovelhas, que supere até mesmo o natural medo da morte, que nos leva a não querer morrer, ainda que queiramos viver com Cristo.

Contudo, por maior que seja o temor da morte, deve vencê-lo a força do amor com que se ama Aquele que, sendo nossa vida, quis sofrer até a morte por nós.

Na verdade, se não houvesse ou fosse insignificante o mal da morte, não seria tão grande a glória dos mártires. Mas, se o Bom Pastor, que deu a vida por suas ovelhas, suscitou tantos mártires entre as suas ovelhas, quanto mais não devem lutar pela verdade até à morte, e até o sangue, contra o pecado, aqueles que receberam o encargo de apascentá-las, isto é, de instruí-las e dirigi-las?

Por este motivo, diante do exemplo da paixão de Cristo, e ao pensar em tantas ovelhas que já o imitaram, quem não compreende que os pastores devem ser os primeiros a imitar o Pastor? Na verdade, os mesmos pastores são também ovelhas do único rebanho, governado pelo único Pastor. De todos nós ele fez suas ovelhas, por todos nós padeceu; para padecer por todos nós, ele mesmo se fez ovelha”. (1)
 
“A tríplice confissão apaga a tríplice negação”, assim aconteceu com Pedro. Também nós precisamos permanentemente declarar nosso amor pelo Senhor, superando possível “negação”, com nossas infidelidades e pecados.

Urge rever nossos caminhos, palavras, pensamentos e atitudes, a fim de que sejamos autênticas testemunhas do Cristo Ressuscitado.

Renovemos em nós a força do amor que vence o temor da morte, bem como a nossa fé no Senhor, que conosco caminha, ainda que não percebamos.

A exemplo de Pedro, renovemos em nós a chama do primeiro amor, para vencermos as dificuldades e tentações do cotidiano, em plena fidelidade ao Senhor, como rezamos na oração que Ele mesmo nos ensinou:

“Pai Nosso, que estais nos céus... Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.”

 

(1) Liturgia das Horas (Volume Advento Natal – pp. 1032-1033)  ao celebrar a Memória de São Nicolau, no dia 06 de dezembro. Bispo de Mira, na Lícia (hoje Turquia). Morreu em meados do século IV e, sobretudo a partir  do século X, é venerado em toda a Igreja

PS: Vivamos o Tempo do Advento, neste propósito de rever nossos caminhos, palavras, pensamentos e atitudes, para que na vigilância e na oração, estejamos melhor preparados para celebrar a vinda do Salvador, na tão esperada Noite de Natal. 

Esperança, caridade e paciência

                                                       

Esperança, caridade e paciência

"Entretanto Tu, Senhor, és Deus compassivo e misericordioso,
rico em paciência, amor leal e justiça;”

Acolhamos um trecho do Tratado sobre o bem da paciência, do Bispo e mártir São Cipriano, (Séc. III), preparando-nos para o Natal do Senhor.

É este o preceito salvífico de nosso Senhor e Mestre: Quem perseverar até o fim, será salvo (Mt 10,22). E ainda: Se permanecerdes na minha Palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (Jo 8,31-32).

É preciso ter paciência e perseverar, irmãos caríssimos, para que, tendo sido introduzidos na esperança da verdade e da liberdade, possamos chegar à verdade e à liberdade. O fato de sermos cristãos exige que tenhamos fé e esperança, mas a paciência é necessária para que elas possam dar seus frutos.

Nós não buscamos a glória presente, mas a futura, como também ensina o Apóstolo Paulo: Já fomos salvos, mas na esperança. Ora, o objeto da esperança não é aquilo que se vê; como pode alguém esperar o que já vê? Mas se esperamos o que não vemos, é porque o estamos aguardando mediante a perseverança (Rm 8,24-25).

A esperança e a paciência são necessárias para levarmos a bom termo o que começamos a ser e para conseguirmos aquilo que, tendo-nos sido apresentado por Deus, esperamos e acreditamos.

Noutro lugar, o mesmo Apóstolo ensina os justos, os que praticam o bem e os que acumulam para si tesouros no céu, na esperança da felicidade eterna, a serem também pacientes, dizendo:

Portanto, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, principalmente aos irmãos na fé. Não desanimemos de fazer o bem, pois no tempo devido haveremos de colher, sem desânimo (Gl 6,10.9).

Ele recomenda a todos que não deixem de fazer o bem por falta de paciência; que ninguém, vencido ou desanimado pelas tentações, desista no meio do caminho do mérito e da glória, e venha a perder as boas obras já feitas, por não ter levado até o fim o que começou.

Finalmente, o Apóstolo, ao falar da caridade, une a ela a tolerância e a paciência. A caridade, diz ele, é paciente, é benigna; não é invejosa, não se ensoberbece, não se encoleriza, não suspeita mal; tudo ama, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (1Cor 13,4-5). Ensina-nos, portanto, que só a caridade pode permanecer, porque é capaz de tudo suportar.

E noutra passagem diz: Suportai-vos uns aos outros com amor; aplicai-vos a guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz (Ef 4,2b-3).

Provou deste modo que só é possível conservar a união e a paz quando os irmãos se suportam mutuamente e guardam, mediante a paciência, o vínculo da concórdia”.

Tempo do Advento é para nós o tempo de fecundar o nosso coração, um tempo favorável da espera e transformação de nossa vida, preparando a chegada do Senhor, e assim, com o coração inflamado do Amor de Deus, vivamos os vínculos da concórdia, com maior paciência para enfrentar as adversidades e as contrariedades que eventualmente possam acontecer.

É tempo de nos fortalecermos na prática das virtudes divinas, fazendo progressos na virtude da paciência.

Ela é a virtude do ser humano que consiste na disposição de suportar a adversidade de forma voluntária, enquanto se está à espera de algo, e, como cristãos, estamos na espera do que não vemos.

Caridade acima de tudo, na espera do Senhor que vem, nos fará mais pacientes com o outro e conosco, porque assim é Deus, como rezou o Salmista: Entretanto Tu, Senhor, és Deus compassivo e misericordioso, rico em paciência, amor leal e justiça.” (Sl 86).

Preparemos com todo zelo e empenho o Natal do Senhor e mantenhamos a paciência nas adversidades próprias da condição humana.

Advento: viver a compaixão na espera do Senhor que vem

                                                          

Advento: viver a compaixão na espera do Senhor que vem

Ouvimos, no 1º sábado do Advento, a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 9,35-10,1.6-8), em que Jesus se enche de compaixão pela multidão, pois estavam cansadas e abatidas como ovelhas sem pastor.

Oportuna é a Homilia do Papa São Gregório Magno (séc. VI), que trata com propriedade o exercício do ministério no cuidado do rebanho que Deus nos confia, como discípulos missionários Seus.

“Ouçamos o que diz o Senhor aos pregadores enviados: A messe é grande, mas poucos os operários. Rogai, portanto, ao Senhor da messe que envie operários a seu campo. São poucos os operários para a grande messe (Mt 9,37-38). Não podemos deixar de dizer isto com imensa tristeza, porque, embora haja quem escute as boas palavras, falta quem as diga.

Eis que o mundo está cheio de sacerdotes. Todavia na messe de Deus é muito raro encontrar-se um operário. Recebemos, é certo, o ofício sacerdotal, mas não o pomos em prática.

Pensai, porém, irmãos caríssimos, pensai no que foi dito: Rogai ao Senhor da messe que envie operários a seu campo. Pedi Vós por nós para que possamos agir de modo digno de Vós.

Que a língua não se entorpeça diante da exortação, para que, tendo recebido a condição de pregadores, nosso silêncio também não nos imobilize diante do justo juiz.

Com frequência, por maldade sua, a língua dos pregadores se vê impedida. Por sua vez, por culpa dos súditos, muitas vezes acontece que seus chefes os privem da palavra da pregação.

Por maldade sua, com efeito, a língua dos pregadores se vê impedida, como diz o salmista: Deus disse ao pecador: Por que proclamas minhas justiças? (Sl 49,16). Por sua vez, por culpa dos súditos, cala-se a voz dos pregadores.

É o que o Senhor diz por Ezequiel: Farei tua língua aderir a teu palato e ficarás mudo, como homem que não censura, porque é uma casa irritante (Ez 3,26). Como se dissesse claramente: A palavra da pregação te é recusada porque, por me exacerbar com suas ações, este povo não é digno de escutar a verdade que exorta. Não é fácil saber por culpa de quem a palavra se furta ao pregador. Porque se o silêncio do pastor às vezes o prejudica, sempre causa dano ao povo, isto é absolutamente certo.

Há ainda outra coisa, irmãos caríssimos, que muito me aflige na vida dos pastores, mas para não pensardes talvez que vos faz injúria aquilo que vou dizer, ponho-me também debaixo da mesma acusação, embora me encontre neste posto não por minha livre vontade, mas impelido por estes tempos calamitosos.

Vimos a nos envolver em negócios externos. Um cargo nos foi dado pela consagração e, na prática, damos prova de outro. Abandonamos o ministério da pregação e, reconheço-o para pesar nosso, chamam-nos de bispo a nós que temos a honra do nome, não o mérito. Aqueles que nos foram confiados abandonam a Deus e nos calamos. Jazem em suas más ações e não lhes estendemos a mão da advertência.

Quando, porém, conseguiremos corrigir a vida de outrem, se descuramos a nossa?

Preocupados com questões terrenas, tornamo-nos tanto mais insensíveis interiormente quanto mais parecemos aplicados às coisas exteriores.

Por isso e com razão, a respeito de seus membros enfraquecidos, diz a santa Igreja:

Puseram-me de guarda às vinhas; minha vinha não guardei (Ct 1,6). Postos como guardas às vinhas de modo algum guardamos a nossa porque, enquanto nos embaraçamos, com ações exteriores, não damos atenções ao ministério de nossa ação verdadeira”.

Reflitamos:

- Grande é a messe, poucos são os operários;
- Muitos são os apelos, clamores, e com limites procuramos dar as devidas respostas;

- Ministros ordenados ou não devem ter o coração pleno de misericórdia como o coração d’Aquele que o chamou para não se omitir no multiplicar de gestos de solidariedade;

- Ninguém pode omitir-se no colocar dos carismas a serviço da comunidade, no fortalecimento e florescimento pastoral a serviço da vida e da esperança;
- Na comunidade não há espaço para omissões, recuos, desânimo e indiferença.

Seja a nossa reflexão e oração acompanhadas da prática concreta da fé, pois ela sem obras é morta.

Sendo assim, multipliquemos Orações ao Senhor da Messe, para que nos envie operários que somem conosco na maravilhosa missão de construir o Reino de Deus pelo Filho inaugurado, com a força, ação e sabedoria do Espírito.

Peçamos ao Senhor que também nos fortaleça nas dificuldades de nossa caminhada de fé, para que a vivamos com renovado ardor e entusiasmo, e nossa esperança não fique desacompanhada das obras de amor, em Sua espera, Ele que veio, vem e virá.

Maranathá! 
Vem, Senhor Jesus!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

“Curai, Senhor, nossa cegueira”

                                                            

“Curai, Senhor, nossa cegueira”

Na sexta-feira da 1ª semana do Tempo do Advento, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 9,27-31) em que Jesus cura dois cegos.

Estes cegos podem ser cada um de nós, pois de um modo ou de outro, também somos passíveis de cegueira, e a maior de todas: a cegueira espiritual”.

Deste modo, precisamos todos da cura do Senhor, e para que isto ocorra, temos que  reconhecer Jesus como Aquele que pode nos curar, desejando no mais profundo de nós a luz, para caminhar na Luz que é Ele mesmo.

Jesus não age em nós contra nossa vontade, mas espera que abramos uma fresta, para que faça em nós maravilhas, com Sua indispensável presença e ação.

Não podemos ser como os fariseus, que pensavam ter os olhos abertos, e por Jesus são proclamados cegos, dada sua presunção e autossuficiência.

Urge que tenhamos a humildade de pôr-se na estrada, como fizeram os cegos mencionados no Evangelho e suplicar ao Senhor que passa – “Tem piedade de nós, Filho de Davi” (Mt 9, 27).

Para nos curar, é preciso que tenhamos fé: – Faça-se conforme a vossa fé” (Mt 9, 29),  para que a vida divina nos seja comunicada e cresça por meio desta fé e pelos Sacramentos celebrados e vividos.

Jesus ao curá-los, fez com que os olhos dos cegos se abrissem (Mt 9,30). Supliquemos ao Senhor que nos cure de nossa cegueira e que nossos olhos se abram, vivendo intensamente este Tempo do Advento.

Oremos:

Curai, Senhor, nossa cegueira, “Tem piedade de nós”, como os cegos vos pedimos: abri nossos olhos, para que renovemos a graça de vos seguir, como fiéis discípulos missionários.

Curai, Senhor, nossa cegueira, para que guiados por vossa Luz que não apenas tendes, mas que sois, também possamos irradiar Vossa luz, a tantos quantos dela precisar.

Curai, Senhor, nossa cegueira, para que nos empenhemos com sagrados compromissos  na transformação da cultura da morte, numa cultura de vida e paz, como desejais e de nós esperais.

Curai, Senhor, nossa cegueira,  para que edifiquemos lares em que a luz divina resplandeça em atitudes de acolhida, paciência, mansidão, perdão e comunhão.

Curai, Senhor, nossa cegueira, para que construamos comunidades, como casas edificadas na solidez da Palavra e Pão da Eucaristia que sois, caridade vivida em permanente missão.

Curai, Senhor, nossa cegueira, para que a Festa do Natal que se aproxima seja verdadeiramente a Festa do Nascimento da Luz que veio, vem e virá iluminar nossa história. Amém.

Continuando a rezar a partir da matemática...

                                                           

Continuando a rezar a partir da matemática...
 
Matemática! Para alguns um sofrimento, para outros um deleite...
 
Quantos rezaram, rezam e continuarão rezando para fazer uma prova de matemática... 
 
Lembro-me das noções elementares aprendidas há muitos anos... Das primeiras lições de tabuada, para muitos, que tormento a memorização.
 
Lembro-me do “lapiz” que não apontava (confesso que tive mais dificuldade de escrever lápis com s e não com z, sem esquecer-me do acento...), pois trazia a tabuada (se era para usar, por que vinha neles). Mas tinha o memorável lápis preto sem nada escrito que consumíamos interminavelmente com os apontadores. Depois vieram as lapiseiras...
 
Mas antes que continue, tive professoras que apaixonadas pela matemática, vocacionadas para tal me levaram ao mesmo sentimento...
 
Lembro-me das operações que nos acompanhariam por toda a vida (adição, subtração, multiplicação e divisão); daquelas enormes expressões algébricas com chave, colchetes, parênteses e o imperativo da ordem a ser obedecida, sem a qual jamais chegaríamos ao pretendido resultado; da raiz quadrada; das equações de primeiro grau e segundo graus, a procura do valor de “x”. Ah, também das equações biquadradas (será isto mesmo? já nem me lembro)...
 
As aulas sobre Conjuntos, que talvez não lembremos tanto quanto deveríamos, mas que estão mais que presentes em nosso cotidiano.
 
Recordar tudo isto, nos possibilita rezar a partir da matemática:

“Conjunto: Coleção de elementos bem definidos...”
 
Lembramos a criação: a Ação Divina que fez tudo e viu que era muito bom! A perfeita harmonia da criação. A beleza da criação, a biodiversidade, o equilíbrio do sistema; a mais que atualíssima questão da sustentabilidade em que um elemento (ser/organismo) depende do outro... A procura do equilíbrio, do respeito às diferenças.
 
A beleza divina manifesta-se na diversidade, multiplicidade, na possibilidade de nos surpreender com elementos novos, traduzidos como conteúdos e enredos novos.
 
Somos os elementos por Deus bem definidos, antes pensados, criados, reconciliados porque, por Ele, sempre amados.
 
“O Conjunto dos números Naturais”, que tem por natureza o infinito, leva-me a refletir sobre a infinitude do Amor de Deus, que tende a nos lançar para o futuro, plantando em nós a semente da eternidade quando de nosso Batismo.
 
Infinitude e imensurabilidade do Amor Divino... 

Há amores finitos são como as ervas da manhã que murcham ao entardecer e orvalhos que secam com os primeiros raios do sol como muito bem expressou o salmista sobre a finitude.
 
“Pertinência: Característica associada a um elemento que faz parte de um Conjunto. Um elemento pode ‘pertencer’ ou ‘não pertencer’ a um determinado Conjunto.”
 
Com a “pertinência” reconhecer que a Deus pertencemos, e por isto diante d'Ele devemos nos submeter: diante do Senhor todo joelho se dobre e toda língua proclame Jesus é o Senhor (Fl 2,1-11).
 
A Deus, que não Se deixa apropriar por mãos humanas, sintamo-nos pertencentes.
 
Quanto maior for este sentimento, maior nossa relação filial de confiança e amor, disponibilidade e serviço.
 
“Relação entre Conjuntos - Contém, não contém, está contido, não está contido...”
 
Como é bom saber que o coração trespassado de Jesus contém a nossa existência.
 
Dilatado foi para que nele coubéssemos. Estamos contidos no coração de Jesus, e quanto mais o amarmos, mais sentiremos Sua presença em nós, e mais em Seu coração desejaremos estar contidos.
 
Contém” - A Sagrada Escritura contém a história da Salvação, e com isto, nela está contida a história do Amor de Deus e todos aqueles que escreveram esta história.
 
Importa vivermos também sentindo-nos nesta história envolvidos, contidos. Quanto mais assumir a Sagrada Escritura como nossa história de salvação, mais nela nos sentiremos contidos.
 
“Operações entre dois Conjuntos - união, intersecção...”
Reflito sobre a União Matrimonial – “O que Deus uniu o homem não separe...” Unidade e indissolubilidade matrimonial a serem vividas cotidianamente como Mistério Pascal.
 
A unidade desejada e rezada por Jesus (Jo 17); exortada por Paulo  em Efésios ( Ef 4); a unidade vivida pelas primeiras comunidades (At 2,42-45).
 
A unidade: a relação dos povos e suas diferenças étnicas, culturais; a unidade no respeito à diversidade tão frágil e tão bela...
 
A matemática muito mais do que nos livros, como martírio ou encanto, como sofrimento ou prazeroso aprendizado está mais do que presente em nossa vida.
 
Urge a  religação dos saberes... O saber da matemática também pode ser e é indispensável para descobrirmos caminhos novos para uma nova humanidade. Rezar a partir da matemática é possível, mais que isto: necessário!
 

Senhor, renovai as nossas forças!

                                                                

Senhor, renovai as nossas forças!

Senhor, a Vós recorremos fadigados, exauridos fisicamente,
Depois de um dia marcado por um número sem fim 
de atividades:
Missas, reuniões, estudos, unções, velórios, administração.

Há dias que outras coisas se somam: 
aconselhamentos, contatos diários,
Atendimento a alguém em busca de sentido para a vida,
Em busca da sobriedade, do equilíbrio e da paz perdida.

Muitos também nos procuraram para uma direção espiritual,
E a santa busca do perdão, 
que costura as feridas da alma, e as cicatriza,
Com a graça do Sacramento, sinal de Vossa misericórdia.

Ainda tem aqueles que nos procuram com seus sonhos,
Por vezes maculados, pisoteados, 
e em pesadelos transformados,
Querendo uma Palavra que os refaçam, os renovem,
Como que desejando remover alguma ferrugem da alma.

Sim, Senhor, a Vós recorremos fadigados fisicamente,
Mas com o espírito renovado, porque pelo Vosso Espírito,
Em todos os momentos, ininterruptamente, assistidos.

Com o espírito renovado, porque iluminados e conduzidos
Por Vossa Palavra, que comunicamos e na Homilia pregamos,
Revigorados pelo Vosso Corpo e Sangue que comungamos,
Sem o que nos renderíamos diante de tantos problemas,
De incontáveis desafios, e das chagas de tantos crucificados.
Porém, recolhidos diante de Vossa Presença,
Na “Oração das Completas”, ao findar de mais um dia,
Reconhecemos nossos pecados e limitações,
E Vos pedimos, ao romper da aurora,
Como foi na madrugada da Vossa Ressurreição,
A graça de nos pormos de pé e escrevermos novas linhas,
Para sermos sinais de Vossa presença, servos do Bom Pastor,
Que nos refaz com a força revitalizante do Divino Amor. 

A Vós, Senhor, entregamos nossos cansaços, bons e maus:
O cansaço bom ao cuidar do rebanho a nós confiado,
O cansaço ruim, por ficar vigilante contra a ação dos inimigos,
Do tentador, que de mil formas deseja nos desvirtuar
Do bom Caminho, que Sois Vós, garantia de plenitude de Vida.
E ainda, o cansaço mais perigoso, o cansaço de nós próprios,
Quando não zelamos pelo encantamento, fascínio e
Apaixonamento incondicional por Vós.

Quando não cuidamos da chama do primeiro Amor,
Ou até o abandonamos, fazendo de nós mesmos
Autorreferenciais, revestidos de um mundanismo
Que maculam as sagradas vestes do Batismo 
E da tão desejada e recebida no Sacramento da Ordem.

A Vós, Senhor, nos entregamos e suplicamos:
Refazei-nos, renovai-nos, revigorai-nos.

Queremos rezar e viver o que tão belo aprendemos:
“Quero ser Padre, somente Padre e totalmente Padre”,
Com o Vosso Espírito, na fidelidade ao Pai,
Amparado e protegido pela Vossa mãe tão gloriosa,
Aquela que está sempre presente, a amável Mãe Maria.
Amém. Aleluia! Aleluia!

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG