quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Indefinibilidade do amor...

                             

Indefinibilidade do amor... 

Assim conclui a reflexão do Missal Cotidiano, quando se proclama o trecho da Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 13,8-10):

“O amor não se define, vive-se. Importa amar para ver claro. E se quisermos que algum outro veja claro, a única estratégia eficiente é amá-lo sem condições, como a nós mesmos. Deus é Aquele que ama primeiro: ama-nos antes de nós mesmos...”

Lembramos as Palavras do Apóstolo aos Romanos: ”A caridade é a plenitude da lei” (Rm 13,10).

Também somos enriquecidos pelo seu memorável texto sobre o amor, que encontramos na Primeira Carta aos Coríntios 13.

Um texto indiscutivelmente inspirador de tantos outros, para cristãos ou não.

Remete-nos a Luís Vaz de Camões (1524-1580), grande poeta da língua portuguesa e sua ímpar poesia:

               “Amor é fogo que arde sem se ver;          
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”


Lembramos “Monte Castelo”, do grupo Legião Urbana, que fez uma releitura musical dos textos acima!

Bíblia, poesia e música: que nossa alma se eleve para amar, sem procura de definições conceituais.

Amar na bela e plena medida como Cristo amou e nos ama...
Amor não se define, vive-se!

Contemplemos o amor que se concretiza
Em múltiplas expressões e relações.

Contemplemos o amor que se eterniza
Em versos, sonetos e belas canções.

Contemplemos o amor que nos eterniza,
Porque condição e meta do existir.

Contemplemos o amor, que nos nutre
E fortalece para tudo que há de vir!

Ah! indefinibilidade do amor!
Ah! inesgotabilidade do amor!

Sobretudo o amor de Nosso Senhor!
que possui o mais belo esplendor! Amém.

A comunidade do Ressuscitado

                                             

A comunidade do Ressuscitado

Retomemos a passagem da Carta de Paulo aos Colossenses (Cl 1, 2b-6a ):

“A vós, graça e paz da parte de Deus nosso Pai. Damos graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, sempre rezando por vós, pois ouvimos acerca da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que mostrais para com todos os santos, animados pela esperança na posse do céu. Disso já ouvistes falar no Evangelho, cuja Palavra de verdade chegou até vós. E como no mundo inteiro, assim também entre vós ela está produzindo frutos e se desenvolve”.

O Apóstolo saúda a comunidade com aquilo que é essencial em nossa vida: “graça e paz da parte de Deus nosso Pai”, para que vivamos nosso Batismo, irradiando a luz que nos foi acesa, sobretudo nas situações ou momentos mais obscuros e adversos.

A contínua oração do Apóstolo pela comunidade leva-nos a, também, intensificar nossas orações pelas comunidades que fazem parte de nossa história; comunidades por onde passamos e, sobretudo, aquelas em que estamos inseridos.

O Apóstolo ressalta as virtudes divinas que devem estar presentes em todas as comunidades: “a fé em Cristo Jesus”; “o amor que mostrais para com todos os santos”; “animados pela esperança na posse do céu”.

Por fim, a acolhida do Evangelho, como Palavra semeada nos corações dos ouvintes, deve produzir os frutos por Deus esperados, frutos abundantes e que permanecerão para sempre, pois, tão somente unidos a Jesus, e com a linfa vital do Espírito, estes frutos serão possíveis.

Firmemos nossos passos na caminhada de fé, como Igreja Missionária, enviada a proclamar a Boa-Nova do Evangelho de Jesus Cristo a todos os povos, em todos os lugares, sobretudo nos mais desafiadores e novos areópagos no mundo pós-moderno.

Confiança plena no Senhor

                                                            


Confiança plena no Senhor

Sobre a passagem do Evangelho (Lc 5,1-11), assim reflete o Missal:

“A abundância da pesca evoca o êxito extraordinário da pregação apostólica e explica de antemão o valor dos Apóstolos convertidos em ‘pescadores de homens’, que remarão pelo mar adentro para ganhar para Cristo o maior número de ouvintes.

A tarefa poderia mesmo espantá-los. Mas Jesus diz-lhes: ‘Não temais’. Isto basta para infundir-lhes a coragem necessária para deixar tudo e ‘segui-Lo’, esquecendo-se do seu passado...

A contemplação de Cristo e a cena milagrosa vêm reavivar o valor, a confiança e o empenho missionário das comunidades cristãs, que se poderiam sentir enfraquecidas pela aparente inutilidade dos seus esforços” (1)

Como discípulos missionários, continuamos lançando nossas redes em águas mais profundas, sentindo a presença de Deus em todos os momentos e em todas as situações, favoráveis ou adversas, pois desconheceremos o fracasso, se confiarmos plenamente na Palavra do Senhor.

Também escrevendo as linhas de nossa história, podemos experimentar aparente inutilidade de nossos esforços, mas é preciso que façamos o melhor que pudermos, confiantes de que aquele que em Deus confia, desconhece o fracasso, porque, n’Ele e com Ele, somos mais que vencedores (Rm 8,37)

Renovemos a alegria de ser discípulos d’Ele, nosso Mestre e Senhor, assim como viveram os primeiros que ouviram o Seu chamado, e confiaram em Sua Palavra e presença, confiantes na Palavra do Senhor, fazendo o que nos é próprio e com certeza nossas redes jamais retornarão vazias.


(1) Missal Dominical e Quotidiano – Ed. Paulus – Lisboa – p.1221.

Lançando redes em águas mais profundas

 

                                                  
Lançando redes em águas mais profundas
 
Iluminadora é a passagem em que Jesus convida Pedro a avançar para as águas mais profundas e lançar as redes, depois de uma noite de fracasso e de redes vazias. Pedro, em atenção à Palavra de Jesus, joga as redes, que foram puxadas cheias de peixes (Lc 5,1-11).
 
Aquela noite de fracasso, de cansaço inútil e redes vazias, cedeu lugar à pesca milagrosa, à abundância de peixes. Desde então, Pedro, João e Tiago deixaram os barcos e as redes e se tornaram pescadores de homens, conforme o Senhor mesmo o disse.
 
Nisto consiste a missão da Igreja, ontem, hoje e sempre: confiar na Palavra do Senhor, e, com coragem e ousadia, resgatar a humanidade para uma vida mais plena e feliz.
 
Confiantes na Palavra e presença do Senhor e do Seu Espírito, nossos trabalhos se multiplicam para que o Reino de Deus se torne uma realidade, ainda que em pequenos sinais, antecipando a glória do Reino definitivo.
 
Urge que edifiquemos uma Igreja em estado permanente de missão; uma Igreja como lugar da Iniciação à Vida Cristã; uma Igreja como o lugar de Animação Bíblica da Vida e da Pastoral; uma Igreja como Comunidade de Comunidades; e uma Igreja a Serviço da Vida Plena Para Todos, tendo como pilares fundamentais: Palavra, Pão, Caridade e Ação Missionária.
 
Em todo o tempo, tenhamos a graça da sincera conversão, desinstalados de qualquer tentação de acomodação ou omissão, e em total fidelidade à Palavra de Jesus, evangelizando com zelo, amor e alegria.
 
Com o Senhor, temos certeza de que nossas redes jamais ficarão vazias, e nossas noites escuras jamais serão um prolongado fracasso, sem esperança. 

Crendo em Jesus Cristo, e com Ele caminhando, assumindo com coragem a nossa cruz de cada dia, continuemos dando passos para celebrarmos sempre no Altar do Senhor as incontáveis graças recebidas. E como discípulos missionários d’Aquele que tem a última Palavra; d’Aquele que fez, faz e fará sempre novas todas as coisas, com a Sua Ressurreição, de modo que transborde em nosso coração a alegria Pascal.

 

Saibamos ouvir a voz do Amor

                                                                    


Saibamos ouvir a voz do Amor

“Quando se escuta a voz do Amor,
o mundo torna-se melhor e mais belo.
É o mundo dos botões que florescem,
do canto dos passarinhos, da vida que triunfa.”

O que falar mais sobre o Livro do Cântico dos Cânticos, uma das mais belas literaturas do mundo?

Qual outro livro do Antigo Testamento tenha fascinado tanto a alma dos cristãos e não cristãos como este poema que exalta o amor entre um jovem e a sua encantadora e tão bela noiva?

Que releitura mais bela poderia ter sido feita a Igreja, do que temos retratada neste maravilhoso Livro da Sagrada Escritura, num sentido místico e espiritual?

As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam.” (Ct 8, 7). 

Como não ver a figura dos noivos enamorados, apaixonados, num amor que é mais forte do que a morte, que rios de água não podem conter: a relação de Cristo e a Sua Igreja?

Ontem o Amado foi fecundado pelo Amor como obra do Amante no ventre de Maria, rememorando as palavras de Santo Agostinho.

O Amado vem sempre ao nosso encontro, e quer ser acolhido num coração que foi fecundado no silêncio, na Oração, no esforço de conversão, com novenas, renúncias, aberturas, transformação...

Vem em cada Natal que celebramos, e quer conosco uma relação de sedução, amor, encanto, apaixonamento, porque Deus não sabe outro modo conosco Se relacionar.

Veio, vem e virá sempre e será acolhido, porque aqueles que O desejam e O procuram, procuram e O desejam, amam e O encontram, encontram e o amam, como nos ensinaram os Santos da Igreja.

Escutemos a voz do Amor e Sua mensagem de vida, paz, alegria, fraternidade e salvação do mundo, na mais perfeita e desejada sintonia, para que cresçamos em alegria e amor profundos.

Cessem os ruídos ensurdecedores! Silêncio saibamos fazer para a escuta da voz do Amante, Amado e Amor, que inseparáveis sendo, também não Se separam de cada um de nós.

O Senhor quer comunicar, a quem tem ânsias de amor e de eternidade, uma alegre notícia: deixemos toda a tristeza, eliminemos prantos, luto e lamento. 

Com o Amor, tudo fica melhor mais belo!

A voz de Jesus, que um dia foi Menino e, crescendo em tamanho e sabedoria e graça diante de Deus, por amor a cada um de nós a vida entregou, padeceu e na Cruz morreu, na glória entrou: Ressuscitou!

Vem Senhor Jesus – Maranathá!
Vem Senhor Jesus – Aleluia!

“Em atenção à Tua Palavra...”

                                                    


“Em atenção à Tua Palavra...”

Avançando para águas mais profundas, como nos manda o Senhor (cf. Lc 5,1-11), continuamos nossas atividades na ação evangelizadora, sempre com amor, zelo e alegria; inspirados e motivados em viver o Projeto que Ele nos apresentou no Sermão da Montanha (cf. Mt 5,1-12), para que, na planície do cotidiano, sal da terra e luz no mundo sejamos.

Fiel é o Senhor no cumprimento de Sua Palavra: depois de uma noite sem nada pescar, Ele convida os discípulos a lançarem a rede, e Simão responde: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à Tua palavra, vou lançar as redes” (Lc 5,5). As redes foram puxadas, e havia tamanha quantidade de peixes que elas se romperam. Assim também acontece conosco, quando vivemos a fidelidade ao Senhor.

Confiantes na Palavra do Senhor, que jamais nos decepciona, cuidemos do fortalecimento das diversas pastorais, bem como o nascimento de outras; fortalecendo também os movimentos e serviços, sempre com as redes cheias, porque muitos foram e são os agentes de pastoral que somam nesta missão, com dedicação, fidelidade, empenho e renovado compromisso pela graça do batismo, como profetas, sacerdotes e reis.

Que o Espírito do Senhor, o verdadeiro protagonista da evangelização, continue repousando sobre nós, pois bem sabemos que somos apenas Seus instrumentos: se a Ele nos abrirmos, confiantes em Sua Palavra, nossas redes estarão sempre cheias, e teremos sempre a alegria dos sinais do Reino de Deus diante de nossos olhos, fazendo pulsar mais forte e transbordar de alegria o nosso coração.

Contemos com a presença e intercessão de Maria, a Estrela da evangelização, em nossos trabalhos, de modo que jamais nos esqueçamos de suas palavras: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5), pois somente assim, a certeza de vinho novo e pescas abundantes.

Crer e viver a Eucaristia que celebramos no altar

 


Crer e viver a Eucaristia que celebramos no altar

A Comunidade do Ressuscitado que se encontra para Celebrar a Eucaristia, deve fazê-lo apaixonadamente, crer piamente no que se celebra para que se possa viver intensamente.

Assim era a comunidade dos coríntios que celebrava a Eucaristia durante o ágape (= caridade), festim de amizade, com o objetivo de  cimentar a fraternidade da comunidade.

No entanto, este ágape muitas vezes divide a comunidade por força do egoísmo dos participantes, o que levou o apóstolo Paulo a recordar que o aspecto comunitário e o aspecto sacrificial devem ser dignamente avaliados, a fim de que não se dissociem: a Eucaristia não é só festim, mas também encontro comunitário com Cristo em Seu sacrifício.

Ao celebrar a Eucaristia, faz-se a Memória da morte de Cristo e exprime a certeza de que Ele enfrentou a morte em perfeita obediência ao Pai.

Afirma-se e solidifica a decisão de seguir a Jesus Cristo no mesmo caminho de obediência e amor incondicionais ao Pai, ou seja “faz-se corpo” com Ele, viver com e como Ele, alimentar-se d’Ele, a fim de que nos comprometamos com o Reino e alcancemos a vida eterna.

Tão somente assim, seremos peregrinos da esperança, nutridos pela Eucaristia, fonte e ápice de toda a vida cristã, edificando uma Igreja Sinodal, fortalecendo os vínculos da participação e comunhão fraterna.

Oremos:

“Ó Deus, ao participarmos da alegria da salvação que encheu de júbilo são Mateus, recebendo o Salvador em sua casa, concedei sejamos sempre refeitos à mesa d’Aquele que veio chamar à salvação não os justos, mas os pecadores. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.”

 

PS: Fonte - Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.1270 – Comentário da passagem  (1 Cor 11,17-26.33)

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