domingo, 29 de junho de 2025

O Senhor afasta de nós todo o medo (XIIIDTCA)

 Exigências no seguimento de Jesus

A Liturgia do 13º Domingo do Tempo Comum (ano A) nos propõe como Leituras: 2Rs 4,8-11.14-16ª; Salmo 89 (88); Rm 6,3-4. 8-11; Mt 10,37-42.

Dois temas nos inspiram: as condições para seguirmos Jesus e a acolhida e hospitalidade.

Para bem realizamos nossos discipulado precisamos do desprendimento (liberdade de laços familiares, e até mesmo desprendimento de si mesmo, da própria vida); renúncias necessárias para carregarmos a cruz cotidiana; confiança total na graça divina e incondicional disponibilidade.

Quanto ao acolhimento também implica em renúncia, disponibilidade, gratuidade, superação de toda sombra de desconfiança e suspeita e não extinguir o sopro do Espírito que nos fala pela Igreja, e de outras tantas formas.

O senso de acolhimento constitui num dos sinais mais expressivos para que possa mensurar a verdadeira fidelidade em nossas comunidades cristãs ao Evangelho.

Quanto mais acolhedoras nossas comunidades o forem (não me restrinjo ao acolhimento na porta da Igreja, pois o acolhimento em muito a isto ultrapassa; refiro-me ao que Ele mesmo nos falou em Mateus 25), mas testemunhas da presença do Cristo Vivo e Ressuscitado serão.

Inspirados na segunda leitura, o Apóstolo Paulo nos exorta a viver o Batismo, conscientes de que somos chamados a viver a vida nova dos filhos e filhas de Deus:

- Morrer para o pecado, para o egoísmo, à carne que são expressão do homem velho que em nós habita;
- Ressurgir para uma vida nova de amor e graça, voltada para o Espírito, como expressão do homem novo.

Em resumo: morrer para o pecado e viver para Deus. No seguimento de Jesus haveremos de viver um cristianismo verdadeiramente pascal, que não é, jamais, sinônimo de facilidades e de fuga do sofrimento.

Não há cristianismo sem cruz; logo não há discipulado sem o carregar corajoso e confiante da cruz, contando sempre com a graça divina que nos é abundantemente derramada.

O discípulo de Jesus sabe que o esplendor da manhã da Páscoa é sempre precedido pelas trevas da Sexta-feira Santa. Sabe que o caminho de Jesus é uma via sacra, levando ao Calvário. Mas também sabe que este não é a última etapa do caminho. Trilha passos corajosos porque acredita que tudo culmina na glória da Ressurreição, experimentada na manhã de Páscoa.

Concluo retomando a Oração pós-Comunhão do Dia:

Ó Deus, o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, que oferecemos em sacrifício e recebemos em comunhão nos transmitam uma vida nova, para que unidos a Vós pela caridade que não passa, possamos produzir frutos que permaneçam.


Por Cristo, nosso Senhor. Amém!”

Exigências no seguimento de Jesus (XIIIDTA)

 Exigências no seguimento de Jesus

A Liturgia do 13º Domingo do Tempo Comum (ano A) nos propõe como Leituras: 2Rs 4,8-11.14-16ª; Salmo 89 (88); Rm 6,3-4. 8-11; Mt 10,37-42.

Dois temas nos inspiram: as condições para seguirmos Jesus e a acolhida e hospitalidade.

Para bem realizamos nossos discipulado precisamos do desprendimento (liberdade de laços familiares, e até mesmo desprendimento de si mesmo, da própria vida); renúncias necessárias para carregarmos a cruz cotidiana; confiança total na graça divina e incondicional disponibilidade.

Quanto ao acolhimento também implica em renúncia, disponibilidade, gratuidade, superação de toda sombra de desconfiança e suspeita e não extinguir o sopro do Espírito que nos fala pela Igreja, e de outras tantas formas.

O senso de acolhimento constitui num dos sinais mais expressivos para que possa mensurar a verdadeira fidelidade em nossas comunidades cristãs ao Evangelho.

Quanto mais acolhedoras nossas comunidades o forem (não me restrinjo ao acolhimento na porta da Igreja, pois o acolhimento em muito a isto ultrapassa; refiro-me ao que Ele mesmo nos falou em Mateus 25), mas testemunhas da presença do Cristo Vivo e Ressuscitado serão.

Inspirados na segunda leitura, o Apóstolo Paulo nos exorta a viver o Batismo, conscientes de que somos chamados a viver a vida nova dos filhos e filhas de Deus:

- Morrer para o pecado, para o egoísmo, à carne que são expressão do homem velho que em nós habita;
- Ressurgir para uma vida nova de amor e graça, voltada para o Espírito, como expressão do homem novo.

Em resumo: morrer para o pecado e viver para Deus. No seguimento de Jesus haveremos de viver um cristianismo verdadeiramente pascal, que não é, jamais, sinônimo de facilidades e de fuga do sofrimento.

Não há cristianismo sem cruz; logo não há discipulado sem o carregar corajoso e confiante da cruz, contando sempre com a graça divina que nos é abundantemente derramada.

O discípulo de Jesus sabe que o esplendor da manhã da Páscoa é sempre precedido pelas trevas da Sexta-feira Santa. Sabe que o caminho de Jesus é uma via sacra, levando ao Calvário. Mas também sabe que este não é a última etapa do caminho. Trilha passos corajosos porque acredita que tudo culmina na glória da Ressurreição, experimentada na manhã de Páscoa.

Concluo retomando a Oração pós-Comunhão do Dia:

Ó Deus, o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, que oferecemos em sacrifício e recebemos em comunhão nos transmitam uma vida nova, para que unidos a Vós pela caridade que não passa, possamos produzir frutos que permaneçam.


Por Cristo, nosso Senhor. Amém!”

O amor de Deus pela vida e a fé necessária (XIIIDTCB)

 


O amor de Deus pela vida e a fé necessária


Com a Liturgia do 13º Domingo do Tempo Comum (ano B), refletimos sobre a ação de Deus que ama, cura, liberta e salva a humanidade, pois jamais se alegra com nosso sofrimento e morte.
 
A passagem da primeira Leitura (Sb 1,13-15; 2,23-24), extraída do Livro da Sabedoria, composto um pouco antes da vinda de Jesus, é uma doutrina mais serena em relação aos mais antigos, e nos convida a contemplar o rosto de Deus, que ama a vida, e não é autor da morte – “Deus não fez a morte, nem tem prazer com a destruição dos vivos” (Sb 1,13).
 
Ele, ao contrário, cria a vida e a entrega à humanidade, modelada à Sua imagem, e pronto a restaurá-la quando se encontra em perigo ou a se apagar – “Deus não criou o homem para que caísse na espiral do nada” (1).
 
Na passagem da segunda Leitura (2 Cor 8,7.9.13-15), o Apóstolo Paulo  exorta a comunidade a viver a mútua ajuda, partilha e solidariedade, por ser uma comunidade que professa a fé no Senhor, como vemos em Atos dos Apóstolos (At 4,32-35).
 
Na passagem do Evangelho de Marcos (Mc 5,21-43), contemplamos a ação de Jesus que cura uma menina que estava nas últimas, e também uma mulher com hemorragia há doze anos.
 
Acima de tudo, manifesta-se a ação divina, por meio de Jesus, o Verbo encarnado, a pleníssima revelação da onipotência e bondade de Deus para com quem se sente impossibilitado de viver, vendo a vida se esvair no sangue derramado daquela mulher ou nas forças exauridas daquela criança.
 
Afinal, é próprio do Amor de Deus vir ao encontro de nosso sofrimento, fraqueza, limitações, e intervir para que tudo mude, exatamente quando nada mais parece possível. Deus nos dá a vida, quando esta parece perdida, como nos revela a ação de Jesus.
 
A cura da mulher, meditada na perspectiva da fé: o sangue propriamente dito é a vida; a hemorragia, por sua vez, consiste na perda do sangue, logo, a perda da vida.
 
Entretanto, o Sangue do Senhor que jorrou no alto da Cruz, com Sua Ressurreição, tornou-se plenitude de vida para todo aquele que crê: Sangue jorrado que redime e nos devolve a vida.
 
Aquela mulher é a imagem de todos nós que, sem a intervenção divina, vemos nossa vida se esvair, nossas forças sendo subtraídas, nossos sonhos diminuídos, nossos propósitos retrocedidos, nossas utopias amareladas e ultrapassadas porque não mais mantêm, e nem sustentam nossa fome de novos horizontes.
 
É também a imagem de todo aquele que somente em Deus tem a cura, o resgate, o reencontro, a redefinição de rumos, o revitalizar dos passos, o revigorar das forças, o renascimento dos compromissos com a vida, o imprescindível cultivar das virtudes que nos movem e nos direcionam, as delicadas e indescritíveis sementes da fé, esperança e caridade.
 
Diante do Senhor a morte se curvou, tudo se dobrou diante de Sua presença. Deus tem sempre a última Palavra, porque Ele é a Palavra:
Aquela criança, que tida como morta, diante da Palavra do Senhor recupera a vida – “Menina, Eu te digo, levanta-te”. 
  
A menina que nunca vimos, somos nós que, a cada dia, escutamos Deus falar no mais profundo de nós as mesmas palavras.
 
Quantas vezes vimos sonhos morrerem para novos e melhores nascerem. Quantas vezes projetos desmoronados para outros de qualidade incomparável aparecer.
 
Quantas vezes, quando tudo parecia nada, redução de cinzas fúnebres, a semente da fé brotou, para que a esperança viesse a se transfigurar e se materializar em atos indispensáveis de amor! 
 
Assim é o Amor de Deus: devolve-nos vida, porque é a Fonte da Vida e vida Plena (Jo 10,10), e nos chama, constantemente à vida, do princípio ao fim, na Sagrada Escritura – “... quem participa do Cristo, participa da vida. Por Cristo e pela Sua Ressurreição, quem crê, mesmo sabendo que deve morrer, vê a morte como um momento para passar a uma vida sem fim. A morte se torna ‘passagem’. Assume assim o caráter pascal de vitória.” (2)
 
Oportunas as palavras de São Francisco de Assis – “Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã morte corporal, da qual nenhum homem vivo pode escapar”. (3)
 
Coloquemo-nos no lugar da mulher e da criança, e não seremos mais os mesmos, pois é próprio do Amor de Deus não nos permitir encurvados, derrotados, inertes, mórbidos, mortos.
 
Deste modo, Deus pode realizar maravilhas em nossa vida, mas é preciso que tenhamos fé na onipotência divina, e, também, ressalte-se, que não podemos transferir para Ele nossa responsabilidade, cuidando e promovendo a vida, com recursos necessários, bem como o acesso para todos, sobretudo para os mais vulneráveis.
 
A fé cristã jamais dispensa nossos sagrados compromissos no amor e cuidado com a vida, tanto das pessoas como de nosso planeta, nossa Casa Comum.
 
Deus por Seu amor, pela prática de Jesus, nos recria, para vivermos a como templos do Seu Espírito.
 
Oremos:
 
“Ó Deus, pela Vossa graça, nos fizestes filhos da luz. Concedei que não sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas brilhe em nossas vidas a luz da Vossa verdade. Por N.S.J.C. Amém.
 
(1) Missal Dominical–Editora Paulus – 1995 – p. 945           
(2) (3) idem – p.946   
 

Discípulos do Amor Exigente, do pecado jamais conivente (XIIIDTCA)

Discípulos do Amor Exigente, do pecado jamais conivente

Apresento alguns aspectos no envio e acolhida do Discípulo Missionário do Reino do Senhor, como que numa espécie de “manual do missionário cristão”:

- Trilhar o caminho do amor e entrega da vida;
- Viver na graça, com constantes renúncias ao pecado;
- Abandonar as obras das trevas, comunicar a luz divina;

- Ser credível testemunha da Boa-Nova que proclama;
- Saber que Deus jamais o abandona na missão;

- Ter consciência de que é enviado como missionário do Reino, como homem de Deus. Uma vez acolhido será canal da comunicação das graças e bênçãos para aquele que acolhe. De fato, quem colabora com Deus em Sua obra não fica sem a recompensa. A responsabilidade de colaboração é de todos;

- A gratuidade na missão deve ser uma marca, seja para quem é enviado, seja para quem acolhe o enviado de Deus;

- Exigência do afeto, solidariedade e compreensão para com os servidores de Deus. São homens e mulheres com limitações próprias que se permitem modelar pela mão divina;

- Que o discípulo tenha consciência e corresponda dando o melhor de si para que leve o outro a descobrir o fascínio da Boa Nova e da presença de Deus. Para tanto deverá ter seu coração seduzido pelo Amor Divino, verdadeiramente configurado a Cristo Bom Pastor;

- Cristãos pelo Batismo são enxertados em Cristo para viverem no amor, na partilha, em total dom de si mesmo, rompendo com as amarras do pecado num empenho constante de vida na graça;

- Carregar a cruz – o seguimento de Jesus não é um caminho fácil e consensual, acompanhado por aplausos e encorajamentos. É um caminho radical, que muitas vezes nos leva a rupturas e opções exigentes, em posturas éticas contrastantes ao mundo que nos cerca;
- Somos anunciadores e seguidores de Jesus que jamais Se apresentou como um demagogo com promessas fáceis;

- A preocupação do discípulo missionário não fixa âncoras na quantidade, mas na qualidade, sem deixar de exercer a misericórdia, sendo exigente, sem nenhuma conivência com o pecado;

- Como homens de Deus, se assim o formos, encontraremos no coração do outro um quarto feito no terraço do coração (2Rs 4,8-11.14.16a).

Renovemos a graça de sermos autênticos Discípulos Missionários do Reino do Senhor, sinais e instrumentos de um Amor exigente, porque se funda e se nutre no Amor Trinitário, que se expressa na misericórdia, com feições de amor, testemunhado em gestos incontáveis de caridade.

Sinais e instrumentos de um Amor exigente, porque se funda e se nutre no Amor Trinitário, que se expressa na misericórdia, com feições de amor, testemunhado em gestos incontáveis de caridade.

Não sejamos discípulos de um amor conivente que nada questiona e nada muda, porque antes falam os interesses mesquinhos e egoístas próprios.

Amor Exigente, jamais com o pecado conivente!
Como seguidores do Senhor que somos,
um  só caminho é possível,
mais do que evidente.

O Caminho do amor que ama o pecador,
que elimina todo pecado, porque puro e verdadeiro.
Assim ama o Senhor!


PS: 13º Domingo do Tempo Comum - Leituras: 2Rs 4,8-11.14-16a; Salmo 89 (88); Rm 6,3-4. 8-11; Mt 10,37-42.

sábado, 28 de junho de 2025

Curados pelo Senhor para o discipulado (27/06)

                                                         

Curados pelo Senhor para o discipulado

A Liturgia do sábado da 12ª Semana do Tempo Comum nos apresenta a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 8, 5-17) em que Jesus cura a sogra de Pedro, e curada põe-se a servi-Lo.

Oportuno para refletirmos sobre qual é o sentido do sofrimento e da dor que acompanham a caminhada da humanidade, apesar de Deus possuir um Projeto de vida verdadeira e felicidade plena e infinita para a mesma.

Como explicar o sofrimento dos bons, dos justos, dos inocentes?

No Livro de Jó (7, 1-4.6-7) já fora retratado sobre o sofrimento do justo, do inocente.

O sofrimento de Jó leva-nos a afirmar que fora de Deus não há nenhuma possibilidade de salvação: Deus é nossa única esperança. O grito de revolta de Jó é ao mesmo tempo a afirmação de que somente em Deus encontra-se o sentido da existência e da salvação, insisto.

Jó procura o verdadeiro rosto de Deus – “... numa busca apaixonada, emotiva, dramática, veemente, temperada pelo sofrimento, marcada pela rebeldia e, às vezes, pela revolta, Jó chega ao face a face com Deus. Descobre um Deus onipotente, desconcertante, incompreensível, que ultrapassa infinitamente as lógicas humanas; mas descobre também um Deus que ama com Amor de Pai cada uma das Suas criaturas. Jó reconhece, então, a sua pequenez e finitude, a sua incapacidade para compreender os Projetos de Deus. Reconhece que ele não pode julgar Deus, nem entende-Lo à luz da lógica dos homens. A Jó, o homem finito e limitado, só resta uma coisa: entregar-se totalmente nas mãos desse Deus incompreensível, mas cheio de Amor, e confiar plenamente n'Ele. É isso que Jó faz, finalmente”.

Voltando à passagem do Evangelho, vemos qual é a preocupação de Deus a partir da atividade pastoral de Jesus, que torna o Reino uma realidade na vida das pessoas.

A ação de Jesus é para nos libertar de nossas misérias mais profundas, sejam quais forem. Jesus Se aproxima da sogra de Pedro, levanta-a tomando pela mão e esta curada põe-se a servir. Assim acontece quando o Senhor de nós Se aproxima, nos toca, nos cura. Põe-nos curados, de pé para amar e servir. Assim é a atitude e a vida de quem crê no Ressuscitado.

Reflitamos:

- Como enfrentamos a dor e sofrimento em nossa vida?
- O que eles nos ensinam?
- O que aprendemos com Jó?
- Como e onde procuramos encontrar a verdadeira Face de Deus?
- O que aprendemos com a cura da sogra de Pedro?
- O que a ação de Jesus nos ensina para que sejamos discípulos missionários como assim Ele deseja?

Oremos: 

Ó Deus, enraizados no Vosso Amor de Pai, tornemo-nos testemunhas eficazes do Reino, na fidelidade a Boa-Nova do Vosso Filho com a Luz e Sabedoria do Espírito. Amém.

Curados para amar e servir (27/06)

                                                         

Curados para amar e servir

 “Minhas lágrimas e minha penitência
têm sido para mim como o Batismo”

Ouvimos, no sábado da 12ª Semana do Tempo Comum, a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 8, 5-17) em que Jesus cura a sogra de Pedro que estava com febre.

Sejamos iluminados pelo Comentário de São Jerônimo, doutor da Igreja, (séc. V).

“A sogra de Pedro estava com febre.
Oxalá venha e entre em nossa casa o Senhor e com uma ordem Sua cure as febres de nossos pecados! Porque todos nós temos febre.

Tenho febre, por exemplo, quando me deixo levar pela ira. Existem tantas febres como vícios. Por isso, peçamos que intercedam frente a Jesus, para que venha a nós e segure nossa mão, porque se Ele segura a nossa mão, a febre foge em um instante. Ele é um médico nobre, o verdadeiro protomédico. Médico foi Moisés, médico Isaías, médico todos os Santos, mas este é o protomédico. Sabe tocar sabiamente as veias e perscrutar os segredos das enfermidades.

Ele não toca o ouvido, não toca a fronte, não toca nenhuma outra parte do corpo, mas a mão. Tinha febre, porque não possuía boas obras.

Em primeiro lugar, portanto, tem que curar as obras, e logo remover a febre. A febre não pode fugir se não são curadas as obras. Quando nossa mão possui más obras, jazemos no leito, sem podermos levantar, sem poder andar, pois estamos totalmente consumidos na enfermidade.

E aproximando-Se daquela que estava enferma.
Ela mesma não pôde levantar-se, pois jazia no leito e, portanto, não pôde sair ao encontro do que vinha. Porém, este médico misericordioso, ele mesmo acode ao leito; Aquele que tinha levantado sob Seus ombros a ovelhinha enferma, Ele mesmo acorre ao leito. E aproximando-Se...Sobretudo Se aproxima, e o faz para curá-la. E aproximando-Se... Observa o que Ele diz. É como dizer: seria suficiente sair-me ao encontro, achegar-te à porta e receber-me, para que tua saúde não fosse totalmente obra de minha misericórdia, mas também de tua vontade. Porém, já que te encontras oprimida pelas altas febres e não pode levantar-se, Eu mesmo venho a ti.

E aproximando-Se, a levantou.
Visto que ela mesma não podia levantar-se, é segurada pelo Senhor. Ele a levantou, tomando-a na mão. Segurou-a precisamente na mão. Também Pedro, quando perigava no mar e afundava, foi agarrado na mão e erguido. E levantou-a tomando-a pela mão, Com Sua mão o Senhor tomou a mão dela. Ó feliz amizade, ó formoso afago! Levantou-a segurando-a com Sua mão: com Sua mão curou a mão dela. Segurou sua mão como um médico, tomou o pulso, comprovou a intensidade das febres, Ele mesmo, que é médico e medicina ao mesmo tempo.

Jesus a toca e a febre foge. Que Ele toque também a nossa mão, para que nossas obras sejam purificadas, que Ele entre em nossa casa: por fim, levantemo-nos do leito, não permaneçamos abatidos. Jesus está de pé frente ao nosso leito, e nós permanecemos deitados? Levantemo-nos e fiquemos de pé: é para nós uma vergonha que estejamos recostados diante de Jesus.

Alguém poderá dizer: Onde está Jesus? Jesus está aqui agora. No meio de vós, diz o Evangelho, está alguém a quem não conheceis. O Reino de Deus está no meio de vós. Creiamos e vejamos que Jesus está presente. Se não podemos tocar Sua mão, prostremo-nos aos Seus pés. Senão podemos chegar à Sua cabeça, ao menos lavemos Seus pés com nossas lágrimas. Nossa penitência é unguento do Salvador. Vede quão grande é a Sua misericórdia. Nossos pecados fedem, são podridão e, contudo, se fizermos penitência pelos pecados, se os chorarmos, nossos pútridos pecados se convertem em unguento do Senhor. Peçamos, portanto, ao Senhor que nos tome pela mão.

E no mesmo instante, afirma, a febre a deixou.
Apenas a segura pela mão e a febre a deixa. Observa o que segue: No mesmo instante a febre a deixou. Tem esperança, pecador, contanto que te levantes do leito.

O mesmo ocorreu com o santo Davi, que tinha pecado, deitado na cama com a mulher de Urias, o hitita, sentindo a febre do adultério, depois que o Senhor o curou, depois de ter dito: tem piedade de mim, ó Deus, por tua grande misericórdia, assim como: Contra Ti, só contra Ti pequei, cometi o mal aos Teus olhos. Livra-me do sangue, ó Deus, Deus meu... Porque ele tinha derramado o sangue de Urias, ao ter ordenado derramá-lo. Disse: livra-me do sangue, ó Deus, Deus meu, e renova meu espírito em meu interior.

Observa o que diz: Renova. Porque o tempo em que cometi o adultério e perpetrei o adultério e o homicídio, o Espírito Santo envelheceu em mim. E o que mais ele diz? Lava-me e ficarei mais branco do que a neve. Porque me lavaste com minhas lágrimas.

Minhas lágrimas e minha penitência têm sido para mim como o Batismo. Observa, então, de penitente em que se converte. Fez penitência e chorou, por isso foi purificado. O que acontece em seguida? Ensinarei aos iníquos Teus caminhos e os pecadores voltarão a Ti. De penitente se tornou mestre.

Por que disse tudo isto? Porque aqui está escrito: E no mesmo instante a febre a deixou e se pôs a servir-lhes. Não basta que a febre a deixasse, mas também se levanta para o serviço de Cristo. E se pôs a servi-lhes. Servia-lhes com os pés, com as mãos, corria de um lugar ao outro, venerava ao que lhe tinha curado. Sirvamos também nós a Jesus. Ele acolhe com gosto o nosso serviço, mesmo que tenhamos as mãos manchadas: Ele Se digna olhar aquele que curou, porque Ele mesmo o curou. A Ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.” (1)

Jesus é, ao mesmo tempo, o médico e a medicina. Ele tem a cura para nossas enfermidades, sejam quais forem.

Assim como Jesus curou a sogra de Pedro da febre que a acometia, e ela logo se pôs a serviço, também sejamos curados de nossas febres de tantos nomes (soberba, avareza, luxúria, ira, inveja, gula e preguiça), que consistem exatamente nos sete pecados capitais, que nos escravizam e nos roubam a alegria do serviço.

Curados pelo Médico e pela Medicina, curados pelo próprio Senhor, tomados pela Sua Mão, levantemo-nos e coloquemo-nos a serviço da vida e da esperança, para que a justiça e a paz se abracem, o amor e a verdade se encontrem, como rezou o Salmista (Sl 85,11). 

A sogra foi curada de uma febre para pôr-se a serviço; Pedro precisou, mais tarde, ser tomado pela febre de amor, para que o Senhor lhe confiasse o rebanho.

Há febres que precisamos ser curados, e há uma febre que deve, a cada dia mais, tomar conta de nosso coração: a febre de amor pelo Senhor.

Tão somente febris de amor pelo Senhor é que somos curados das febres indesejáveis que nos afastam da alegria da participação da construção do Seu Reino.


Lecionário Patrístico Dominical – 2013 - Editora Vozes - pp.382-384

sexta-feira, 27 de junho de 2025

“Jesus: Sublime Mestre, Divino Salvador” (26/06)

                                                      

“Jesus: Sublime Mestre, Divino Salvador”

Na reflexão da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 8,1-4), proclamado na sexta-feira da 12ª Semana do Tempo Comum, encontramos esta afirmação do Missal Cotidiano:

“No monte, Jesus é o Mestre Sublime; na planície onde vivem os homens despedaçados pela dor e pelo pecado, é o Salvador...” (pág. 952). 

De fato, na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5,1-12), encontramos o Sermão de Jesus, o Sermão da Montanha.

No alto do monte Ele é verdadeiramente um Sublime Mestre, que nos ensina um novo modo de ser e viver.

Oferece-nos novos princípios e nos desafia a novas atitudes, desdobradas nos capítulos 6 e 7, e ainda encontramos a graça de aprendermos a rezar como Ele nos ensinou: “Pai nosso que estais nos céus...”

Não temos mais belo e sublime Mestre do que Jesus e nem programa de vida mais amplo, revolucionário que o programa das Bem-Aventuranças.

Se de um lado, na montanha Jesus é o Sublime Mestre, na planície da existência humana (a partir do capítulo 8 de Mateus), no chão da história, para toda a humanidade é o Divino Salvador. 

Com sua Vida vivida no amor que ama até o fim, amor sem limites, amor que ama até as últimas consequências. Pelo Sangue, por amor derramado, é que nos vem a Salvação.

Antes de consumar em ato extremo de amor, amor que muitas vezes é incompreendido que nos dá “vertigem”, porque ultrapassa nossa compreensão, limitações e medidas, e todo o parâmetro, a todos Se apresentou, mais ainda foi e é para todo o sempre o Divino Salvador, por isto a Ele toda honra, glória, poder e louvor.

Oremos:

Ó Sublime Mestre da montanha,
Divino Salvador de nossa planície!

Ó Divino que viestes do Pai, viestes do Alto,
Elevai-nos um dia para junto de Vós,
Que à direita do Pai, glorioso estais!


Divino Salvador, como não amá-Lo e segui-Lo?
Divino Salvador, como não ter de Vós os mesmos pensamentos e sentimentos?                                                                                              
Divino Salvador que cura, liberta, ensina, anima, acolhe, perdoa, e salva.
Divino Salvador que a fome sacia, que a tristeza transforma em alegria...
Divino Salvador que a escuridão faz clara como a luz de um belo dia...

Divino Salvador, Vós sois o Caminho que nos conduz ao Pai.
Divino Salvador, Vós sois a verdade que ilumina os povos.
Divino Salvador, Vós sois a vida que renova o mundo!

Divino Salvador, que fortalece nossa fé,
Divino Salvador, que revigora nossa esperança,
Divino Salvador, que a chama de nosso amor inflama!

Nós vos suplicamos sem nenhum merecimento:
Purificai-nos de tudo aquilo que fere a nossa dignidade,
Afastai tudo que crie divisões e desigualdades.
Acalmai-nos e protegei-nos nas mais impetuosas tempestades!

Na montanha, quão belas lições,
Na planície, quão belas ações...
Nós vos amamos,  Sublime Mestre,
Nós vos adoramos, Divino Salvador! 
Amém.


Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG