Ele trouxe o céu à terra e elevou a
terra ao céu Na Quaresma somos envolvidos de modo indescritível pela misericórdia
divina. A Liturgia da Palavra da quinta Terça-feira da Quaresma é um canto
contínuo do Amor de Deus, narrado pelos autores sagrados; revelado e vivido
plenamente pelo Filho Amado, anunciado e testemunhado pela Igreja desde seus
dias nascentes, prolongado e perpetuado por aqueles que aderem e continuam
servindo e seguindo o Senhor em cada irmão e irmã. O Bispo Santo Agostinho assim escreveu sobre a misericórdia divina e a
realidade humana: “A miséria e a misericórdia estão diante uma da outra”. Jesus revela com Seu
ser, Sua Palavra, em cada gesto, a Misericórdia do Pai (cenas bíblicas nos
Evangelhos são abundantes). Por Seu Amor vivido na radicalidade, totalidade e sem limites, nos
alcançou a vida sem limites, a vida plena, e na sua expressão máxima: a
imortalidade. Por Seu Amor e fidelidade; Paixão, Morte e Ressurreição, Ele nos
alcançou a glória da eternidade, quando ainda éramos pecadores. Um Deus que Se fez Homem, assumindo nossa condição humana. O Verbo
Encarnado armou Sua tenda entre os Homens, e nós vimos a Sua Glória... Assim professamos no Credo: “... Creio em Jesus Cristo, Seu único
Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo... Foi
crucificado, morto e sepultado. Desceu à mansão dos mortos, Ressuscitou ao
terceiro dia...” “Por nós e para nossa Salvação desceu dos céus.” É Ele que traz o Céu
à terra e eleva a terra ao Céu, como muito bem expressou Santo Ambrósio (séc.
IV): “Ille in terris, ut tu in stellis”. Com Jesus o Céu e a Terra se tocaram, sobretudo, no Mistério Pascal: “Suspenso
da Cruz, elevado da terra, o Filho de Deus atrai tudo a Si. O aniquilamento coincide com a Sua exaltação, a Sua morte ignominiosa
com a Sua glorificação. Já não é a serpente de bronze que dá a cura, mas é o
Crucifixo que dá a vida a todos os que se dirigem a Ele com fé. ‘Cá em baixo’ e
‘lá em cima’ encontram-se na Cruz, não por uma explosão, mas por um abraço”. (1) Quaresma é Tempo: - Favorável de reconhecermos nossa miséria, nossa condição pecadora, e
nos abrirmos decididamente à misericórdia divina. - De contemplarmos o Amor de Deus
n'Aquele que aceitou a Morte de Cruz para nos redimir; com Seu Coração
trespassado, Vida e Alimento para a humanidade. - De reconhecermos e correspondermos ao Amor de Deus por nós, em
respostas mais ousadas e sinceras de amor para com Ele e com nosso próximo. - Renovarmos nossos compromissos de contemplar o céu, que começa aqui e
agora, pela nossa vida, nossos sonhos, doação, como um grão de trigo em
silenciosa fecundação. - Da germinação secreta do Reino, que acontece quando temos a coragem de
renúncias e despojamentos necessários para seguir Jesus. - De elevar a terra ao céu. Uma terra nova, um mundo novo, uma família
nova, pessoas novas. - De purificação, de renovação. É Quaresma... Silenciemo-nos! Deixemo-nos modelar pela mão divina e Sua misericórdia,
para que nosso coração seja semelhante ao coração do Filho Amado. Mergulhemos com toda nossa miséria no mar de misericórdia divina, e
Mistérios profundos imensuráveis contemplemos. Nossa miséria foi assumida e redimida, para que nas
asas do Espírito alcemos voos mais altos, até que alcancemos as alturasda glória, da eternidade, do céu. Amém!
(1) Lecionário Comentado – Vol. Quaresma/Páscoa – p. 241.
Por Seu Amor vivido na radicalidade, totalidade e sem limites, nos
alcançou a vida sem limites, a vida plena, e na sua expressão máxima: a
imortalidade.
Com Jesus o Céu e a Terra se tocaram, sobretudo, no Mistério Pascal: “Suspenso
da Cruz, elevado da terra, o Filho de Deus atrai tudo a Si.


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