terça-feira, 24 de março de 2026

Ele trouxe o céu à terra e elevou a terra ao céu

 


Ele trouxe o céu à terra e elevou a terra ao céu
 
Na Quaresma somos envolvidos de modo indescritível pela misericórdia divina.
 
A Liturgia da Palavra da quinta Terça-feira da Quaresma é um canto contínuo do Amor de Deus, narrado pelos autores sagrados; revelado e vivido plenamente pelo Filho Amado, anunciado e testemunhado pela Igreja desde seus dias nascentes, prolongado e perpetuado por aqueles que aderem e continuam servindo e seguindo o Senhor em cada irmão e irmã.
 
O Bispo Santo Agostinho assim escreveu sobre a misericórdia divina e a realidade humana:
 
“A miséria e a misericórdia estão diante uma da outra”. Jesus revela com Seu ser, Sua Palavra, em cada gesto, a Misericórdia do Pai (cenas bíblicas nos Evangelhos são abundantes).
 
Por Seu Amor vivido na radicalidade, totalidade e sem limites, nos alcançou a vida sem limites, a vida plena, e na sua expressão máxima: a imortalidade.
 
Por Seu Amor e fidelidade; Paixão, Morte e Ressurreição, Ele nos alcançou a glória da eternidade, quando ainda éramos pecadores.
 
Um Deus que Se fez Homem, assumindo nossa condição humana. O Verbo Encarnado armou Sua tenda entre os Homens, e nós vimos a Sua Glória...
 
Assim professamos no Credo: “... Creio em Jesus Cristo, Seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo... Foi crucificado, morto e sepultado. Desceu à mansão dos mortos, Ressuscitou ao terceiro dia...”
 
“Por nós e para nossa Salvação desceu dos céus.” É Ele que traz o Céu à terra e eleva a terra ao Céu, como muito bem expressou Santo Ambrósio (séc. IV): “Ille in terris, ut tu in stellis”.
 
Com Jesus o Céu e a Terra se tocaram, sobretudo, no Mistério Pascal: “Suspenso da Cruz, elevado da terra, o Filho de Deus atrai tudo a Si.
 
O aniquilamento coincide com a Sua exaltação, a Sua morte ignominiosa com a Sua glorificação. Já não é a serpente de bronze que dá a cura, mas é o Crucifixo que dá a vida a todos os que se dirigem a Ele com fé. ‘Cá em baixo’ e ‘lá em cima’ encontram-se na Cruz, não por uma explosão, mas por um abraço”. (1)
 
Quaresma é Tempo:
 
- Favorável de reconhecermos nossa miséria, nossa condição pecadora, e nos abrirmos decididamente à misericórdia divina.
 
-  De contemplarmos o Amor de Deus n'Aquele que aceitou a Morte de Cruz para nos redimir; com Seu Coração trespassado, Vida e Alimento para a humanidade.
 
- De reconhecermos e correspondermos ao Amor de Deus por nós, em respostas mais ousadas e sinceras de amor para com Ele e com nosso próximo.
 
- Renovarmos nossos compromissos de contemplar o céu, que começa aqui e agora, pela nossa vida, nossos sonhos, doação, como um grão de trigo em silenciosa fecundação.
 
- Da germinação secreta do Reino, que acontece quando temos a coragem de renúncias e despojamentos necessários para seguir Jesus.
 
- De elevar a terra ao céu. Uma terra nova, um mundo novo, uma família nova, pessoas novas.
 
- De purificação, de renovação.
 
É Quaresma...
 
Silenciemo-nos! Deixemo-nos modelar pela mão divina e Sua misericórdia, para que nosso coração seja semelhante ao coração do Filho Amado.
 
Mergulhemos com toda nossa miséria no mar de misericórdia divina, e Mistérios profundos imensuráveis contemplemos.
 
Nossa miséria foi assumida e redimida, para que nas asas do Espírito alcemos voos mais altos, até que alcancemos as alturas
da glória, da eternidade, do céu. Amém! 
 
 
(1) Lecionário Comentado – Vol. Quaresma/Páscoa – p. 241.
 

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