quarta-feira, 8 de abril de 2026

Como os Discípulos de Emaús, suplicamos: “Fica conosco, Senhor” (Parte I)

                                                          

Como os Discípulos de Emaús, suplicamos:
“Fica conosco, Senhor”

Recordemos as palavras do Papa Bento XVI, quando da Realização da V Conferência Geral Latino América e do Caribe (2007).

Façamos nossa a súplica dos Discípulos de Emaús: ‘Fica conosco, Senhor’ - "Fica conosco, pois a noite vai caindo e o dia está no ocaso" (Lc 24, 29).

“Fica conosco, Senhor, acompanha-nos mesmo se nem sempre te soubemos reconhecer. Fica conosco, porque se vão tornando mais densas à nossa volta as sombras, e Tu és a Luz; em nossos corações insinua-se o desespero, e Tu os fazes arder com a esperança da Páscoa.

Estamos cansados do caminho, mas Tu nos confortas na Fração do Pão para anunciar a nossos irmãos que na verdade Tu ressuscitaste e que nos deste a missão de ser testemunhas da Tua Ressurreição.

Fica conosco, Senhor, quando à volta da nossa fé católica surgem as nuvens da dúvida, do cansaço ou da dificuldade: Tu, que és a própria Verdade como revelador do Pai, ilumina as nossas mentes com a Tua Palavra; ajuda-nos a sentir a beleza de crer em Ti.

Fica nas nossas famílias, ilumina-as nas suas dúvidas, ampara-as nas suas dificuldades, conforta-as nos seus sofrimentos e na fadiga cotidiana, quando à sua volta se adensam sombras que ameaçam a sua unidade e a sua natureza.

Tu que és a Vida, permanece nos nossos lares, para que continuem a ser berços onde nasce a vida humana abundante e generosamente, onde se acolhe, se ama, se respeite a vida desde a sua concepção até ao seu fim natural.

Permanece, Senhor, com os que nas nossas sociedades são mais vulneráveis; permanece com os pobres e humildes, com os indígenas e afro-americanos, que nem sempre encontraram espaços e apoio para expressar a riqueza da sua cultura e a sabedoria da sua identidade.

Permanece, Senhor, com as nossas crianças e com os nossos jovens, que são a esperança e a riqueza do nosso Continente, protege-os das tantas insídias que atentam contra a sua inocência e contra as suas legítimas esperanças.

Óh Bom Pastor, permanece com os nossos idosos e com os nossos enfermos! Fortalece todos na sua fé para que sejam Teus discípulos e missionários!”

Como os Discípulos de Emaús, suplicamos: “Fica conosco, Senhor” (continuação)

                                                                 

Como os Discípulos de Emaús, suplicamos:
“Fica conosco, Senhor”                             

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas - os Discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35).

Retomemos as palavras do Papa Bento XVI, fundamentadas nesta passagem: "Fica conosco, pois a noite vai caindo e o dia está no ocaso" (Lc 24, 29).

Quanta beleza nas palavras do Papa!
Densidade das sombras que nos acompanham; o desespero cedendo lugar para a esperança; o cansaço refeito para que se siga em frente no caminho e com o Caminho, Jesus. Ele fica conosco para que sejamos arautos da Boa Nova da Ressurreição, alegres testemunhas do Ressuscitado.

As nuvens das dúvidas que a fé católica, como em qualquer outra profissão de fé, são passageiras, não se cristalizam em empecilhos irremovíveis que nos impeçam de a cruz carregar, com olhos voltados para o horizonte da eternidade.

As dificuldades existem e podem ser superadas, sempre com Ele, cujo fardo é leve e jugo suave, que nos conduz às verdes pastagens, porque Bom Pastor, por Amor que não se conteve, em extremo ato de entrega, a vida por nós deu, o Pai novamente a concedeu, de forma nova, gloriosa, Ressuscitado!

As mentiras que nos desviam das verdades que devem iluminar nossa vida são evidenciadas e superadas com o esplendor da Verdade que é o Senhor. Por isto a súplica: Fica conosco, Senhor!

Ficai conosco, Senhor, na família, berço da vida, desde a concepção até seu declínio natural. Que ela seja espaço da acolhida, do amor, do respeito mútuo, do diálogo sincero e amadurecido e de um mundo novo inaugurador...

Ficai conosco, Senhor, com as crianças amadas e desamadas; com os jovens para que se esperança tiverem, a concretizem; se não tiverem que a ressuscitem e voltem a sonhar...

Ficai conosco, Senhor, com os enfermos, pois são Vossa presença, como nos diz no Evangelho; com os idosos, assistidos e amados por suas famílias ou não...

Em todo e em qualquer momento,
Em toda e em qualquer situação:
Uma súplica, uma singela Oração.

Como os Discípulos de Emaús suplicamos:
Ficai conosco, Senhor!

Presença tão divina, na Palavra, na Eucaristia,
Que Vossa Palavra continue fazendo nosso coração arder,
Que no Pão partilhado, nossos olhos se abram,
A Vós reconheça, e no coração uma certeza:
Não estamos sós... Conosco estais. 
Amém. Aleluia! Aleluia!

“A Paixão do Salvador é a salvação da vida humana”

                                                    

“A Paixão do Salvador é a salvação da vida humana”
 
Sejamos enriquecidos pela antiga Homilia Pascal sobre Jesus Cristo, Autor da Ressurreição e da vida:
 
“Lembrando a felicidade da salvação recuperada, Paulo exclama: assim como por Adão entrou a morte neste mundo, da mesma forma por Cristo foi restituída a salvação ao mundo. (cf. Rm 5,12). E ainda:
 
O primeiro homem, tirado da terra, é terrestre; o segundo Homem, que vem do céu, é celeste (1Cor 15,47).
 
E prossegue, dizendo: Como já refletimos a imagem do homem terreno, isto é, envelhecido pelo pecado, assim também refletimos a imagem do celeste (1Cor 15,49), ou seja, conservaremos a salvação do homem recuperado, redimido, renovado e purificado em Cristo.
 
Segundo o mesmo Apóstolo, Cristo é o princípio, quer dizer, é o Autor da Ressurreição e da vida; em seguida, vêm os que são de Cristo, isto é, os que vivendo na imitação da Sua santidade, podem considerar-se sempre seguros na esperança da Sua Ressurreição e receber com Ele a glória da promessa celeste.
 
É o próprio Senhor quem afirma no Evangelho: Quem me segue não perecerá, mas passará da morte para a vida (cf. Jo 5,24).
 
Deste modo, a Paixão do Salvador é a salvação da vida humana. Precisamente para isso Ele quis morrer por nós, a fim de que, acreditando n’Ele, vivamos para sempre.
 
Ele quis, por algum tempo, tornar-Se o que somos, para que, alcançando a Sua promessa de eternidade, vivamos com Ele para sempre.
 
É esta a imensa graça dos Mistérios celestes, é este o dom da Páscoa, é esta a grande Festa anual tão esperada, é este o princípio da nova criação.
 
Nesta solenidade, os novos filhos que são gerados nas águas vivificantes da Santa Igreja, com a simplicidade de crianças recém-nascidas, fazem ouvir o balbuciar da sua consciência inocente.
 
Nesta solenidade, os pais e mães cristãos obtêm, por meio da fé, uma nova e inumerável descendência.
 
Nesta solenidade, à sombra da árvore da fé, brilha o esplendor dos Círios com o fulgor que irradia da pura Fonte Batismal.
 
Nesta solenidade, desce do céu o dom da Graça que santifica os recém-nascidos e o Sacramento espiritual do admirável Mistério que os alimenta.
 
Nesta solenidade, a Assembleia dos fiéis, alimentada no regaço materno da Santa Igreja, formando um só povo e uma só família, adorando a Unidade da natureza divina e o nome da Trindade, canta com o Profeta o Salmo da grande festa anual: Este é o Dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos (Sl 117,24).
 
Mas, pergunto, que Dia é este? Precisamente, aquele que nos trouxe o princípio da vida, a origem e o Autor da luz, o próprio Senhor Jesus Cristo que de Si mesmo afirma: Eu sou a luz. Se alguém caminha de dia, não tropeça (Jo 8,12; 11,9), quer dizer, aquele que em todas as coisas segue a Cristo, chegará, seguindo os Seus passos, ao Trono da eterna luz.
 
Assim pedia Ele ao Pai em nosso favor, quando ainda vivia em Seu corpo mortal, ao dizer: Pai, quero que onde Eu estou, aí estejam também os que acreditaram em mim; para que assim como Tu estás em mim e Eu em Ti, assim também eles estejam em nós (cf. Jo 17,20s).” (1)
 
Vivamos a graça e reflitamos sobre o dia de nosso Batismo; sobre a iluminação alcançada por este Sacramento, pelo selo do Espírito com que fomos marcados.
 
Haverá dia mais importante, em nossa vida, do que o dia de nosso Batismo? “Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e n’Ele exultemos” (Sl 117,24).
 
Deste modo, contemplemos Cristo, o autor da Ressurreição e da Vida!
 
Vivendo o Tempo da Páscoa do Senhor; sintamos o transbordamento da alegria, que se prolonga nestes dias da Oitava da Páscoa, como num só Domingo.
 
As flores, o Hino de louvor, o branco da Liturgia, os cantos, a Palavra proclamada, o soar do sino, o Aleluia cantado com exultação e alegria, os votos de Feliz Páscoa, o brilho no olhar, o arder dos corações e muito mais que se possa dizer...
 
De fato, com o suor de Sangue do Senhor derramado, e não apenas, na Cruz pregado, por amor incondicional a todos nós pecadores, agora redimidos por sua Morte, fomos eternizados, com a Sua Vitória, com sua gloriosa Ressurreição.
 
Agora é o soar dos sinos anunciando ao mundo: Ele venceu! Ele vive! Ele Reina! Ele está em nosso meio!
 
 
Reflitamos:
 
- Como tenho vivido o Batismo que recebi?
- Tenho sido sal da terra e luz do mundo?
 
- Configuro-me a Cristo, no Mistério de Sua Paixão e Morte, para alcançar também a Ressurreição?
 
 
Com o autor da Homilia, digamos:

“A Paixão do Salvador se tornou a Salvação da vida humana” Aleluia! Aleluia! 
 

Professemos nossa fé: 
 
"Creio em Deus Pai todo poderoso…"

"Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé!"

Oremos:

Conceda-nos, Senhor, o desejo de viver sempre mais intensamente o Batismo que nos foi dado como dom, como graça, sem nenhum mérito de nossa parte, mas por puríssima Bondade Divina! Amém. Aleluia!
 
 
 
 
 
(1) Liturgia das Horas – Vol. II - p. 521-523. 

O Senhor caminha conosco

                                                         

O Senhor caminha conosco

Senhor, Vós sois nosso companheiro na estrada,
Seja ela fácil ou não, com pedras ou espinhos.

Senhor, Vós que sois nosso companheiro na estrada,
Aquecei nossos corações com a Vossa Palavra.

Senhor, Vós que sois nosso companheiro na estrada,
Em tempos de provação, fortalecei nossa fé.

Senhor, Vós que sois nosso companheiro na estrada,
Nos tempos sombrios que vivemos, reanimai nossa esperança.

Senhor, Vós que sois nosso companheiro na estrada,
Em tempos de partilha e solidariedade, ensinai-nos a santa caridade.

Senhor, Vós sois nosso companheiro na estrada,
Sentimos Vossa presença caminhando com a nossa comunidade.

Senhor, Vós sois nosso companheiro na estrada,
Vos reconhecemos nas Escrituras e no partir do Pão.

Senhor, Vós sois nosso companheiro na estrada,
Ficai conosco, porque a tarde cai.

Senhor, Vós que sois nosso companheiro na estrada,
Refazei-nos do cansaço para novo caminhar.

Senhor, Vós que sois nosso companheiro na estrada,
Abri nossos olhos, aquecei nosso coração.

Senhor, Vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo, sois nosso companheiro na estrada, ontem, hoje e sempre. 
Amém. Aleluia! 

PS: passagem do Evangelho de Lucas (Lc 24,14-35)

Com o Senhor, tudo se renova

                                                              

Com o Senhor, tudo se renova

À luz da passagem do Evangelho (Lc 24, 13-35) - Os dois discípulos de Emaús e a manifestação do Ressuscitado que com eles caminhou, fazendo arder seus corações, como quando Se deu a conhecer na partilha do Pão - apresento dez breves lições para nosso discipulado; para melhor anunciarmos e testemunharmos a Boa-Nova do Ressuscitado na missão evangelizadora:

1 - A presença do Senhor é sentida quando se caminha em comunidade;
2 - Não se caminha para frente, não se faz progressos espirituais solitariamente;

3 - Jesus é o verdadeiro evangelizador, que entra em nossa história quando nos pomos a caminho e por Ele nos deixamos conduzir;

4 - Somente quando caminhamos e acolhemos com fé Sua Palavra, nossos corações ardem verdadeiramente; nossa alma é “incendiada”, porque desperta em nós o Amor, a presença do Seu Espírito;

5 - Somente Ele tem Palavra de Vida Eterna que nos devolve o sentido do viver;

6 - Com Ele, o aparente fracasso e a desilusão são relidos, e assim, Ele se torna um farol guia, uma luz que ilumina os caminhos obscuros, ou os mares agitados da vida;

7 - Está sempre pronto a permanecer conosco, desde que também queiramos e supliquemos que Ele fique;

8 - Somente a Sua presença forma uma nova comunidade;
   
  9 - Ele Se dá verdadeiramente a conhecer quando damos respostas concretas aos Seus apelos de amor, na alegria do Pão Eucarístico e de vida partilhadas;

   10 - Ele nos faz novas testemunhas da Ressurreição, enfrentando nossa “Jerusalém de cada dia”, onde o Senhor culminou Sua missão, passando pela morte e alcançando a Ressurreição. 

Com o Senhor, com renúncias necessárias, tomemos nossa cruz e O sigamos, com pleno amor, obediência e fidelidade.

Sigamos em frente, iluminados pelo esplendor da Ressurreição neste tempo obscuro e sombrio de combate da fé.

É tempo de viver a fé, dar razão de nossa esperança, impelidos pelo Amor que o Senhor derrama abundantemente em nosso coração. Aleluia! Aleluia!

Caminhemos com o Ressuscitado

                                                               

Caminhemos com o Ressuscitado

“Não estava ardendo o nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24,32)

Reflexão à luz da passagem dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35), e refletimos sobre o itinerário para quem deseja descobrir a presença do Ressuscitado.

Descobrir o Senhor que conosco Se põe a caminho, para podermos confessá-Lo com palavras e obras, não nos curvando diante das problemáticas e dificuldades existenciais, com suas contradições, contrariedades.

Aquele que crê é sempre chamado a sair de si para o encontro com o Absoluto, Deus, que Ressuscitou e nos dirige Sua Palavra e nos comunica Sua amável presença, reconhecida no partir do Pão, em cada Banquete Eucarístico que participamos.

Como todo itinerário, temos etapas a serem vivenciadas em contínuo movimento:

Repensar as experiências passadas, procurando reler os fatos, percebendo a presença de Deus em Sua aparente ausência. O que aparentemente se nos apresenta como derrota, pode se transformar em vitória; o caos que parece eterno pode ser iluminado com o esplendor da luz do Ressuscitado. Às possíveis situações em que não aparecem perspectivas, com asfixia eminente, aparece de repente uma fresta por onde o ar entra e nos revitaliza.

Pôr-se em atenta escuta da Palavra do Senhor, sobretudo em vida comunitária. A comunidade cristã há que ser sempre o espaço privilegiado da escuta da Palavra do Senhor, que está sempre pronto a iluminar nossa vida, de modo que nossos horizontes se alarguem em conformidade com os desígnios divinos, superando quaisquer resquícios de individualismos e acomodações indesejáveis, com matizes de fechamentos e empobrecimentos, dor, sofrimento, luto e morte sem perspectivas de Ressurreição.

- E, assim, nesta escuta atenta, deixar ressoar a força da Palavra do Ressuscitado e deixar Sua chama ardente fazer arder nossos corações (como aconteceu aos discípulos de Emaús). O Encontro entre a Palavra e a vida torna-se fecundo, neste aquecimento desejável, porque nos ajuda a avaliar, rever, reorientar o caminho com novas perspectivas. Sem voltar para Emaús, mas voltar para Jerusalém, lugar do conflito, dos desafios, da continuidade, do não desistir do corajoso anúncio e testemunho do Ressuscitado – Emaús ou Jerusalém, qual é a nossa escolha?

- Desta escuta, vem um passo fundamental: a Oração – “Fica conosco Senhor”. É bom estar com o Senhor, permitir que Ele faça morada conosco e em nós. Como é bom estar do lado do Amado! Bem disse Pedro: “Só Tu tens Palavras de vida eterna”, e por isto o discípulo amado chegou primeiro ao túmulo para ver e acreditar na presença nova do Ressuscitado, que caminha com a comunidade.

- Chega-se ao momento ápice: o partir do Pão e o reconhecimento do Senhor Jesus, Ressuscitado, fazendo o mesmo gesto que tantas vezes fizera com eles. Uma anamnese maravilhosa “Anunciamos Senhor a vossa morte e proclamamos a vossa Ressurreição, vinde Senhor Jesus”, e como falamos na Missa, quando partimos o Pão: “Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós. Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, dai-nos a paz”.

A escuta da Palavra, a partilha do Pão preanunciando a Eucaristia (com as Mesas da Palavra e da Eucaristia) remete-se nos ao cotidiano, multiplicando gestos de amor, comunhão, partilha, compromisso e solidariedade.

A comunidade que ouve a Palavra e celebra a Eucaristia é agora aquela que continuará a Missão do Ressuscitado. Isto deve fazer transbordar nosso coração de alegria. Aleluia!

Continuar a missão do Ressuscitado, que mais Deus poderia nos confiar?

Renovemos em cada Banquete Eucarístico esta graça. Ele Se faz presente na comunidade, na Palavra proclamada, ouvida, acolhida, acreditada e vivida.

Ele Se faz presente na comunidade quando o Pão partilhado no Altar, levando-nos também à partilha do pão cotidiano com os que mais precisam.

De Banquete em Banquete caminhamos para o Encontro do Banquete Eterno quando O veremos face a face...

Celebrando o Tempo Pascal e o transbordamento da alegria da Ressurreição do Senhor, é tempo de nos sentirmos uma nova criatura, buscando as coisas do alto.

Ouvidos que a Palavra acolhem, coração que arde,
olhos que se abrem, mãos que também assim o fazem,
pés que se põem a caminho para o alegre anúncio
e testemunho do Ressuscitado.

Com Ele morramos, com Ele ressuscitemos.
Amém. Aleluia! Aleluia!

A tríplice ação dos Apóstolos

                                                         


A tríplice ação dos Apóstolos

Libertar, curar e firmar os passos

A passagem bíblica: Atos 3, 1-10,  proclamada na quarta-feira da oitava da Páscoa: .

Acontecimento: a cura de um homem, coxo de nascença, que costumavam colocar, todos os dias, na porta do Templo, chamada formosa, a fim de que pedisse esmolas aos que entravam.

Ação dos Apóstolos Pedro e João: a cura do mesmo em nome de Jesus, o Nazareno, como assim ouvimos – Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!” (At 3,6).

A cura realizada: “Pegando-lhe a mão direita, Pedro o levantou. Na mesma hora, os pés e os tornozelos do homem ficaram firmes. Então ele deu um pulo, ficou de pé e começou a andar e entrou no Templo junto com Pedro e João, andando, pulando e louvando a Deus” (At 3, 7-8).

Refletindo

Os Apóstolos continuam a missão de Jesus Cristo Ressuscitado, com o mesmo poder: libertar, curar e firmar os passos daqueles que aderem à Boa-Nova do Evangelho.

Oremos:

Libertai-nos, Senhor, pelo Vosso poder, de toda e qualquer forma de indigência que nos roube a dignidade, o encantamento pela vida, condenando-nos a uma dependência que nos enfraquece e rouba as nossas forças e a graça de amar e servir ao nosso próximo.

Curai-nos, Senhor, pelo Vosso poder, de toda a forma de paralisia, que imobiliza e esvazia nosso ardor e compromisso com a inauguração do Reino de Deus, a fim de que vejamos novas relações marcadas por justiça, fraternidade, amor, vida e paz.

Firmai “nossos pés e tornozelos”, pelo Vosso poder, para que nos coloquemos a Caminho, que sois Vós mesmo, que nos conduz a Deus, na plena comunhão com Vosso Espírito, em frutuosa comunhão fraterna, com vida plena e feliz. Amém. Aleluia!

O Ressuscitado caminha conosco. Alegremo-nos!

                                                         

O Ressuscitado caminha conosco. Alegremo-nos!

A passagem dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35) marca profundamente nossa Espiritualidade genuinamente Pascal, e por nos sentirmos, por vezes, profundamente com eles identificados, sejamos enriquecidos por este Comentário.

“A caminhada dos dois discípulos de Emaús coloca-nos perante o Mistério da Ressurreição de Jesus e o nosso modo de O reconhecermos.

É importante, em primeiro lugar, não banalizar esta realidade central do cristianismo com representações insuficientes: a Ressurreição de Jesus não é como a de Lázaro, o qual regressa à vida com um corpo igual ao precedente, para depois morrer de novo.

Neste caso, os discípulos teriam certamente reconhecido o Homem que até três dias antes tinham visto vivo, se a Sua Ressurreição fosse semelhante à de Lázaro. Pelo contrário, Jesus Ressuscitado entrou numa condição radicalmente nova e inconcebível para os recursos humanos apenas, à qual Ele dá origem precisamente com a Sua Páscoa.

Jesus está vivo para sempre e por isso pode aproximar-Se de cada homem. É verdade que a Sua aproximação e o Seu caminhar conosco não é reconhecível por nós só com os olhos do corpo: é preciso que o próprio Ressuscitado nos abra os olhos fazendo-nos percorrer um caminho de conversão [...].

O texto quer refletir precisamente acerca disto: como podemos encontrar o Ressuscitado, cuja presença não nos é dada na forma de uma realidade que podemos ver e tocar?

Os olhos do corpo já não bastam (como não foram suficientes para os discípulos da primeira hora), e então é preciso refletir sobre a condição mediante a qual o Ressuscitado Se apresenta, sobre o modo no qual Ele concede também a nós que O reconhecemos [...].

Os discípulos estão dominados pelas suas desilusões, mas ao mesmo tempo compreende-se que a sua vida não fora até então uma vida de pessoas superficiais: eles tinham-se deixado inflamar pelo Projeto de Jesus (“Esperávamos”; Lc 24,31).

Ambos representam uma Humanidade que procura, deseja ou que pelo menos soube a certa altura desejar coisas grandes; são pessoas dispostas a gastar a sua vida por coisas grandes, e embora na desilusão não se fecham, confessam a sua tristeza (“entristecidos”: Lc 24,17), aceitam qualquer palavra que possa eventualmente chegar até eles e abrem espaço a um desconhecido que se intromete e se põe a caminho com eles. [...]

É importante então compreender que os olhos não veem, não porque o Ressuscitado não está realmente presente, mas porque estão ainda prisioneiros e devem ‘adaptar-se’ à nova luz, porque o coração ainda não sabe arder.

Não veem porque ainda não descobriram a fulgurante sabedoria divina da Cruz, de um Deus que Se ofereceu aos homens sofrendo e morrendo de modo que compreendessem toda a Sua ‘Paixão’ por eles.

Pois bem, só a familiaridade com a Palavra de Deus pode introduzir-nos nesta sabedoria. A Escritura é a meditação contínua dessa Palavra que nos torna acessível o conhecimento do Amor Crucificado por Deus; a Escritura não tem mais para dizer senão o Amor do Pai em todas as suas cambiantes.

É depois na Fração do Pão que nos é entregue, num modo real e imediato, o gesto que abrange e exprime o sentido da vida de Jesus, inteiramente marcada pelo dom total de Si mesmo.

Com estes meios, ainda hoje Jesus Ressuscitado liberta os olhos e o coração do homem e permite-lhe reparar n’Ele, o Vivente, que partilha a caminhada conosco.” (1)

Concluindo, que sintamos renovar em nosso coração, o desejo de caminhar com Jesus Ressuscitado, com a comunidade, espaço privilegiado para ouvir, acolher Sua Palavra, e nos alimentarmos de Sua Divina presença no Pão da Eucaristia, que se partilha na mais bela Mesa da comunhão e da Vida Plena: o Altar do Senhor.

Amém. Aleluia! Aleluia!


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - p. 441-443. 

No declínio do dia e sempre, ficai conosco Senhor

                                                    



No declínio do dia e sempre, ficai conosco Senhor

Senhor Jesus Cristo, Vós que iluminastes o mundo com a glória de Vossa ressurreição, ficai conosco, pois já é tarde e dia drclina, como assim disseram os discípulos de Emaús (1).

Vós que Vos fizestes companheiro de viagem dos dois discípulos a caminho de Emaús, permanecei sempre com Vossa Igreja, peregrina da esperança sobre a terra, na espera e compromisso com o novo céu e a nova terra,

Não permitais, jamais,  que sejamos lentos para crermos, mas, com alegria e ardor, proclamemos Vosso triunfo sobre a morte, desde aquela madrugada da Ressurreição, em que Vos revelastes Ressuscitado à Apóstola dos Apóstolos.

Ficai conosco e olhai com bondade para aqueles que ainda não Vos reconhecem no caminho de suas vidas e, por vezes, enveredam por atalhos que conduzem a abismos da desesperança e não vida, revelai-lhes o Vosso Rosto para que reencontrem a luz no escuro caminho.

Vós, que, pela cruz, reconciliastes toda a humanidade, reunindo-a num só corpo,
concedei a paz e a unidade a todas as nações, e ficai conosco, para que se refaçam nossas forças com o Pão da Eucaristia, Pão de Imortalidade, e aquecei  nosso coração com Vossa Palavra de Vida Eterna. Amém.


(1) Lc 24,11-35

“Parêntesis de ilusão e de fracasso”

                                                     


“Parêntesis de ilusão e de fracasso”

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 24,13-35), em que nos apresenta os discípulos regressando para Emaús, após a morte de Jesus, que, inicialmente, pareceu a eles um “parêntesis de ilusão e de fracasso”:

A primeira coisa que surpreende nos discípulos de Emaús, é a atitude de fuga: tinham perdido Jesus e dispersam-se; deixam o grupo de discípulos e voltam, cada um, ao seu antigo mundo, às suas ocupações passadas, como se todo o assunto de Jesus tivesse sido um parêntesis de ilusão e de fracasso no caminho das suas vidas.

Eles fogem, mas Jesus sai-lhes ao encontro. Não lhes diz nada, contudo eles tendem. Têm que voltar para junto dos irmãos. O seu lugar, é ali, na edificação da nova comunidade dos discípulos de Jesus, no testemunho e na missão do que sabem. Por isso, deixando tudo como estava, apressadamente, no meio da noite, tomam o caminho de regresso (Lc 24,33). Descobriram que Jesus Ressuscitado está onde se encontram os irmãos”. (1)

Caminhando com Jesus que se lhe manifesta no caminho, ao ouvir quando lhes falava das Escrituras, o coração de ambos ardeu, o que acontece com todo aquele que ouve, acolhe e se deixa seduzir e iluminar pela presença e Palavra de Jesus Vivo e Ressuscitado que é “o fato por excelência, o fato no qual se funda a nova humanidade dos salvos” (2).

Acolhendo, em sua casa, o Ressuscitado, que atende ao pedido de ambos: “Fica conosco Senhor, pois já é tarde e a noite vem chegando” (Lc 24, 29), têm a graça de reconhecê-Lo no partir do Pão (Lc 24,35).

A vida cristã deve ser marcada pelo caminhar com Jesus e ouvir Sua Palavra, reconhecê-Lo no partir do Pão Eucarístico, transformando o aparente “parêntesis de ilusão e de fracasso” numa grande expressão da verdade de Sua presença que nos cumula de alegria, de modo que nosso coração fica transbordante de alegria, como tão bem expressa o Prefácio da Missa da Páscoa.

Todos nós passamos por momentos difíceis na vivência da fé, em que podemos nos sentir tais quais os discípulos de Emaús, mas não nos curvamos a este “parêntesis”, e, crendo na Ressurreição do Senhor, continuamos a escrever a história de nossa fé, com a graça do nosso Batismo, como profetas, sacerdotes e reis.

Crendo no Ressuscitado que venceu a morte, daremos ao mundo razão de nossa esperança, porque nossa fé se ancora neste fato fundamental de nossa vida: a Ressurreição. Assim, somos impulsionados pelo Espírito a viver a caridade, o Novo Mandamento que Ele nos deu naquela noite, em que nos tendo amado, amou-nos até o fim.

Nisto consiste a vida cristã, transformar o "parêntesis de ilusão" e de fracasso numa autêntica e frutuosa experiência pascal da Ressurreição do Senhor até que alcancemos a eternidade ao lado do Eterno, no tempo eterno. 

Amém. Aleluia! Aleluia!

Comentários à Bíblia Litúrgica - Gráfica de Coimbra 2
(1) p. 1206-1207
(2) p. 1209

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