segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Peregrinar conduzidos pela Sabedoria Divina

                                                             

Peregrinar conduzidos pela Sabedoria Divina 

“Se de fato é feliz o homem que encontra a sabedoria,
também é feliz, e mais ainda, 
o homem que permanece firme na sabedoria: 
isto refere-se certamente à abundância”


Em um de seus Sermões, o Abade São Bernardo (séc. XII) nos fala da necessária busca da sabedoria.

“Trabalhemos pelo alimento que não se perde. Trabalhemos na obra de nossa salvação. Trabalhemos na vinha do Senhor, para merecermos receber o salário de cada dia. Trabalhemos na sabedoria, pois esta diz: Quem trabalha em mim, não pecará. O campo é o mundo, diz a Verdade. Cavemos nele, pois aí está um tesouro escondido. Vamos desenterrá-lo! É assim a sabedoria, que se extrai de coisas ocultas. Todos nós a buscamos, todos nós a desejamos.

 

Foi dito: se quereis procurá-la, procurai. Convertei-vos e vinde! Queres saber do que te converter? Afasta-te de tuas vontades. Mas se não encontro em minhas vontades, onde então encontrarei a sabedoria? Minha alma deseja-a ardentemente; se vier a encontrá-la, isto não me basta. Cumpre pôr em meu seio uma medida boa, apertada, sacudida e transbordante. Tens razão. Feliz é o homem que encontra a sabedoria e que está cheio de prudência. Procura-a, pois, enquanto podes encontrá-la; e enquanto está perto, chama-a!

 

Queres saber como está perto a sabedoria? Perto está a palavra, no teu coração e na tua boca; mas somente se a procurares de coração reto. No coração encontrarás a sabedoria, e a prudência fluirá de teus lábios. Cuida, porém, de tê-la em abundância e que não te escape como num vômito.

 

Na verdade, se encontraste a sabedoria, encontraste mel. Não comas demasiado, para que, saciado, não o vomites. Come de modo a sempre teres fome. A própria sabedoria o diz: Aqueles que me comem, ainda têm fome. Não julgues já teres muito. Não te sacies para que não vomites e te seja retirado aquilo que pareces possuir, por teres desistido de procurar antes do tempo. Pelo fato de a sabedoria poder ser encontrada enquanto está perto, não se deve deixar de buscá-la e invocá-la. De outro modo, como disse ainda Salomão: assim como não faz bem a alguém tomar o mel em demasia, assim quem perscruta a majestade, sente-se oprimido pela glória.

 

Feliz o homem que encontra a sabedoria. Feliz, ou, antes, muito mais feliz quem mora na sabedoria. Talvez Salomão queira aqui significar a superabundância. São três as razões de fluírem em tua boca a sabedoria e a prudência: se houver nos lábios primeiro a confissão da própria iniquidade; segundo a ação de graças e o canto de louvor; terceiro a palavra de edificação. Na verdade pelo coração se crê para a justiça, pela boca se confessa para a salvação. De fato, começando a falar, o justo se acusa. Depois, engrandece ao Senhor. Em terceiro, se até este ponto transborda a sabedoria, deve edificar o próximo”. 

Nesta busca pela Sabedoria, sejamos atentos ao que nos disse o Abade: confessemos nossa iniquidade; tenhamos sempre em nossa boca um canto de louvor e ação de graças a Deus, e tenhamos sempre palavras para a edificação no relacionamento com o outro. 

Peregrinos de esperança, amemos a Sabedoria mais do que a saúde e a beleza, e a prefiramos mais que a luz do sol, uma vez que todos os bens que possuímos vêm juntamente com ela: Amá-la e procurá-la desde sempre, apaixonados por sua indescritível beleza, e por ela conduzidos em todos os momentos.

Que nosso testemunho de fé revele o quanto ela age em nossos pensamentos, palavras e ações. Amém.

Jesus, nosso Senhor e nosso Deus

                                                                    

Jesus, nosso Senhor e nosso Deus

“Por que pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo:
jamais lhe será dado um sinal” (Mc 8,12)

Senhor Jesus, libertai-nos da cegueira incredulidade farisaica, que não nos permite Vos reconhecer como presença da Salvação de Deus para toda a humanidade.

Senhor, libertai-nos da presunção da exigência das provas de Vosso amor por nós, de tal modo que jamais venhamos impor normas e condições para amá-Lo e segui-Lo.

Senhor Jesus, que não sejamos incrédulos, insensíveis e duros de coração, a ponto de arrancar de Vós “suspiros profundos”, Vós que sois a plenitude de mansidão e humildade.

Senhor Jesus, que jamais nos fechemos à Salvação, que nos veio alcançar por Sua Paixão, Morte e Ressurreição, vivendo e crendo em Vós, Ressurreição e Vida.

Senhor Jesus, Bom Pastor, jamais nos fechemos à vontade e desígnios divinos, que nos pensa e cuida com todo o carinho, para que felizes sejamos, vida plena tenhamos.

Senhor Jesus, ajudai-nos a acolher Vossa mensagem em profundidade num coração fecundo, em que a semente de Vossa Palavra produza os frutos por Deus esperados.

Senhor Jesus, concedei-nos a necessária abertura de mente e coração, humildade, confiança, serenidade e adesão livre a Vós, à Vossa Palavra e Projeto do Reino.

Senhor Jesus, conduzi Vossa Igreja com Vosso Espírito, na fidelidade ao Pai de amor, abrindo nosso coração, numa busca humilde e sincera do bem, da verdade, justiça, comunhão e fraternidade. Amém.


Fonte de inspiração: Missal Cotidiano - Editora Paulus – p.769 (Mc 8,11-13)

A fé no Senhor é o caminho de salvação

                                                              

A fé no Senhor é o caminho de salvação

Na segunda-feira, da sexta semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 8,11-13), em que os fariseus pedem a Jesus um sinal do céu, e Ele responde, depois de suspirar: “Por que esta geração pede um sinal? Em verdade, vos digo, a esta gente não será dado nenhum sinal” (v. 12).

O Evangelista Lucas também nos apresenta Jesus, que nos diz que nenhum sinal seria dado para que n’Ele cressem, pois Ele é o grande sinal, o Filho do Homem esperado que veio trazer a Salvação para a humanidade (Lc 11, 28-32).

Para melhor compreensão das Palavras de Jesus, voltemo-nos à passagem do Livro de Jonas (Jn 3, 1-10), que foi enviado por Deus para pregar a destruição de Nínive, porém Deus desiste de destruí-la, porque o povo se abriu e se converteu à pregação de Jonas.

Evidentemente que também nós, hoje e sempre, como cristãos, precisamos nos colocar no itinerário cristão, num caminhar contínuo acompanhado de sincera conversão e fidelidade ao  Senhor:

“Os cristãos foram escolhidos por Deus, não para um privilégio, e sim para um serviço. Fomos escolhidos por Ele para testemunhar uma salvação oferecida a todos... Só podemos proclamar o convite à conversão se pudermos dar testemunho de que ela tem significado para nós”  (1)

Voltando à passagem do Evangelho, trata-se de uma alusão de Jesus ao fato que diz que nenhum sinal seria dado a esta geração, a não ser o sinal de Jonas, e Ele, Jesus, é maior do que Jonas (v. 32). É preciso crer na Pessoa e na Palavra de Deus, na escuta e acolhida de Seu Projeto de Vida e Salvação para toda a humanidade.

“A fé não se baseia nos milagres, mas na confiança concedida à Pessoa de Jesus. O próprio milagre não seria percebido sem uma fé inicial, que Ele pode confirmar ou reforçar... A rainha do sul e os ninivitas, que aceitaram prontamente a sabedoria de Salomão e a pregação de Jonas, são-nos propostos por Jesus como exemplos de fé e de conversão interior a imitarmos. Acrescente-se uma precisão: hoje, de fato, o cristão é que deve ser no mundo um sinal que seja apelo à conversão.” (2)

De fato, o Amor de Deus se revela na Pessoa e missão de Jesus, e em Sua Palavra que, se acolhida no mais profundo de cada de um nós, é sempre um forte apelo de conversão (metanoia):

“Também para nós é difícil sair dos nossos esquemas, dos nossos juízos, das nossas condenações sobre nós mesmos (quantas vezes somos o juiz mais desapiedado para conosco próprios!) e acolher a sabedoria tão diferente da de Deus, esse sinal supremo que é a morte e Ressurreição de Cristo, como epifania do grande Amor de Deus para cada homem”. (3)

Portanto, trilhar o caminho de conversão requer de nós a multiplicação de gestos de caridade suscitados pela própria caridade, fecundada na fé fundante e geradora de sagrados compromissos, que tornam visível a esperança de uma nova realidade.

Neste caminho de conversão, somos levados à renúncia de algo que achamos necessário, e é tão apenas supérfluo, concentramo-nos no essencial, porque mais atentos e abertos à mensagem da Palavra Divina, num diálogo frutuoso, em sincera Oração, que nos leve, inevitavelmente, à atenção e solidariedade aos que mais precisam, e que se encontram perto ou mesmo distantes de nós.

A conversão genuína leva à abertura de horizontes novos, porque nos liberta das âncoras de nossas seguranças e nos torna mais disponíveis para o acolhimento da Boa-Nova Pascal de Jesus Cristo.

Somente quando nos abrimos à epifania do Amor de Deus, revelada e a nós comunicada por Jesus, abrimo-nos à ação do Santo Espírito, plenificados por Sua presença.

Deste modo, pomo-nos no caminho da Salvação, cremos no coração, professamos o que cremos com nossos lábios e testemunhamos com a nossa vida, sempre à luz do Mistério Pascal, Mistério de Morte e Ressurreição, sem jamais prescindir da Cruz, assumida corajosamente, cheios de fé, com o ardor da caridade, o fogo do amor de Deus inflamado em nossos corações.



(1) Missal Cotidiano - p. 190.
(2) Idem - p. 191.
(3) Leccionário Comentado - p. 78.

PS: Apropriada para a 27ª terça-feira do Tempo Comum (ano ímpar), quando se proclama a passagem do Livro de Jonas (Jn 3,1-10), e também 16ª segunda-feira do Tempo Comum (Mt 12,38-42)

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Rezando com os salmos - Sl 136 (137), 1-6

 


Jamais a perda da esperança e confiança em Deus

“=1 Junto aos rios da Babilônia
nos sentávamos chorando,
com saudades de Sião.
–2 Nos salgueiros por ali
penduramos nossas harpas.

–3 Pois foi lá que os opressores
nos pediram nossos cânticos;
– nossos guardas exigiam
alegria na tristeza:
– 'Cantai hoje para nós
algum canto de Sião!'

=4 Como havemos de cantar
os cantares do Senhor
numa terra estrangeira?
=5 Se de ti, Jerusalém,
algum dia eu me esquecer,
que resseque a minha mão!

=6 Que se cole a minha língua
e se prenda ao céu da boca,
se de ti não me lembrar!
– Se não for Jerusalém
minha grande alegria!”

O Salmo 136(137),1-6 expressa a realidade vivia no exílio, junto aos rios da Babilônia, e este cativeiro do povo deve-se entender como símbolo do nosso cativeiro espiritual (Santo Hilário).

Temos retratado o “drama do povo exilado, depois que Jerusalém foi destruída e incendiada. Longe da cidade santa, não podem esquecer-se da pátria. Conforme a lei do talião (Ex 21,24), desejam ao opressor o mesmo mal que este lhes fez.” (1)

Podemos também viver situações difíceis, em que somos desafiados a renovar nossa confiança em Deus, sem jamais permitir a perda da esperança. Fazer da tribulação ocasião de purificação e amadurecimento na fé, impelidos pela caridade (Gl 5,6).

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 845

Só Deus nos garante a verdadeira felicidade (VIDTCA)

                                                             

Só Deus nos garante a verdadeira felicidade

"Enquanto o amor humano tende
a apossar-se do bem que encontra no seu objeto,
o Amor Divino cria o bem na criatura amada" .

Com a Liturgia do 6º Domingo do Tempo Comum (Ano A) refletimos o desdobramento do Sermão da Montanha, apresentado nos primeiros versículos do quinto capítulo do Evangelho de Mateus.

Vemos que Deus tem um Projeto de Salvação para a humanidade, mas somente na fidelidade a Ele e aos Seus Mandamentos é que alcançaremos vida plena e feliz.

Na passagem da primeira Leitura (Eclo 15, 16-21) encontramos uma mensagem clara e incontestável: Deus nos concede liberdade para escolhas. Se escolhermos Sua proposta, no cumprimento de Seus Mandamentos, teremos vida e felicidade. Porém, bem diferente será o que alcançaremos se d’Ele e de Sua Lei nos afastarmos, encontraremos o pecado e a morte.

O Povo de Deus, no século a. C, vivia um contexto de abandono da fé, com fortes influências da cultura helênica. O autor sagrado exorta a fidelidade a Deus e à Sua Palavra para que não perca a sua identidade, e com isto o afastamento da felicidade.

É explícito o tema: temos sempre que fazer escolhas: ou o caminho da vida e da felicidade, ou o caminho da morte, da desgraça (orgulho, egoísmo, autossuficiência, isolamento...).

Fomos criados por Deus e Ele nos concedeu o livre arbítrio, temos que saber escolher. Somos eternamente responsáveis pelas nossas escolhas, pela proximidade ou afastamento de Deus que elas trarão.

Reflitamos:

- De que modo usamos a liberdade que Deus nos concedeu?
Quais são nossas escolhas? Serão elas acertadas, conforme a vontade de Deus?

- Qual caminho trilhamos: da fidelidade ou indiferença à Proposta de Deus?

- Quais são as consequências de nossas escolhas? 
- Somos capazes de assumi-las sem atribuir culpas a Deus, em caso de resultados adversos?

Na passagem da segunda Leitura (1 Cor 2,6-10), mais uma vez o Apóstolo nos exorta a viver nossa fidelidade ao Senhor que, por amor sem medida, não evitou a Cruz. Nela Jesus viveu a doação total, o Amor que ama até o fim.

É na Cruz de Nosso Senhor Jesus que se encontra a mais bela história de Amor, em que Ele, o Filho Amado, vai até o extremo de Sua doação e Amor por nós; e como discípulos missionários do Senhor, haveremos de fazer o mesmo caminho.

Abraçar a Cruz, por amor, consiste na verdadeira sabedoria divina, infinitamente superior à sabedoria humana.

A verdadeira sabedoria vem, paradoxalmente, da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Apóstolo é convicto de que Jesus Cristo é o único Mestre e que a verdadeira sabedoria não é aquela que nasce do brilho e elegância das palavras, nem mesmo pela coerência dos sistemas filosóficos.

Na identificação total com Cristo, é o Espírito que nos anima e nos conduz, para que jamais recuemos na vida de fé, mas avancemos sempre para as águas mais profundas, na travessia do mar da vida.

A prática de Jesus nos revela que Deus não força ninguém a esta identificação, não força ninguém a segui-Lo, mas se quisermos segui-Lo, é preciso renúncias cotidianas, tomando a cruz e pondo-nos a caminho, na fidelidade total aos Mandamentos Divinos que nos conduzem nesta opção, sempre enamorados e apaixonados por Ele, Jesus, Nosso Senhor.

O cristianismo não é um conjunto de ideias, mas o encontro pessoal com Jesus Cristo que transformou  a nossa vida para sempre. Quem se encontrou com o Senhor, de fato, nunca mais será a mesma pessoa, e se torna impossível viver sem Ele e o Seu Amor.

Na passagem do Evangelho (Mt 5,17-37), Jesus com Seus ditos nos exorta à prática das Bem-Aventuranças, com seus desdobramentos no cotidiano.

Não será o cumprimento das regras externas que nos levará ao alcance da felicidade e de uma religião a Deus agradável, mas antes a atitude de adesão interior a Deus e à Sua Proposta.

O Missal Dominical afirma que “o amor é querer o bem do amado”. E com esta expressão sintetizamos a mensagem do Evangelho deste Domingo.

Viver as Bem-Aventuranças, e ser sal da terra e luz do mundo, é viver um amor que quer e cria o bem do amado. Isto nos remete a dois grandes Santos da Igreja, São Tomás de Aquino e São João da Cruz que, respectivamente, assim disseram:

“Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada" .

"O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do Amor, tornar aquele que Ama semelhante ao amado."

Por isto, Jesus dá quatro exemplos em que o amor verdadeiro e puro tem que falar mais alto, se sobrepondo a qualquer sentimento de ódio, indiferença, ira, posse, condenação, falsidade...:

1 - As relações fraternas e a contínua necessidade da reconciliação;
2- O adultério e a necessidade de conversão, vendo no outro a imagem e templo de Deus;
3 - A confirmação da aliança indissolúvel do matrimônio, desde a criação, ratificando, assim, o Plano de Deus;
4 - A importância de nos relacionarmos na sinceridade e na confiança, tornando os relacionamentos sadios e edificantes.

Em resumo, a questão essencial é: para quem quiser viver na dinâmica da Boa Nova do Reino de Deus, não basta o cumprimento rigoroso e escrupuloso da Lei, seguindo a casuística das regras da Lei.

É preciso que se tenha uma atitude interior nova, que revele um compromisso verdadeiro com Deus, envolvendo a pessoa toda, transformando seu coração, suas escolhas, seus relacionamentos, sua postura diante do Criador e Suas criaturas: em relação a Deus sejamos filhos e filhas, em relação ao próximo sejamos fraternos e solidários.

Reflitamos:

- Cumprimos os Mandamentos da Lei Divina por medo ou amor?

- Para Jesus, “não matar” é evitar tudo aquilo que cause dano ao próximo (egoísmo, prepotência, autoritarismo, injustiça, indiferença...). O que podemos evitar para que sejamos fiéis ao Senhor?

- Fazemos dos Mandamentos Divinos sinais indicadores no caminho que conduz à vida plena?

- Em que as afirmações dos Santos da Igreja, citadas acima, nos ajudam para que vivamos as Bem-Aventuranças e sejamos sal da terra e luz do mundo?

O Sermão de Nosso Senhor foi e continua sendo ouvido na montanha, mas é preciso que desçamos à planície do cotidiano. Eis o grande desafio para todos nós.

Temos a missão de ser sal da terra e luz do mundo. Por isto, se faz necessária a invocação da Sabedoria Divina, a Sabedoria do Santo Espírito, para que sejamos uma Igreja no coração do mundo, e ao mesmo tempo homens e mulheres do mundo no coração da Igreja.

Somente assim não seremos sal insípido, sem gosto, que para nada serve, como já nos alertara o Senhor.

Progredir na Lei do Senhor Deus (VIDTCA)

                                                              

Progredir na Lei do Senhor Deus

Retomemos o refrão do salmo (Sl 118, 1), da Missa do 6º Domingo do Tempo Comum (ano A), para reflexão:

“Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que Lei do Senhor Deus vai progredindo!”

A vida mais que uma sucessão de dias, é uma escrita que vai deixando a marca do caminho. De vez em quando, é preciso olhar retrospectivamente para ver o caminho feito, e para onde ele nos conduz; se marcado pelo pecado ou pela graça, por sábias escolhas, ou se nem tão sabias assim, porque nos fechamos à Sabedoria do Alto, onde Deus habita.

Não basta que vivamos, precisamos progredir em todos os aspectos, sobretudo “na Lei do Senhor”.

É preciso que progridamos, incessantemente, na fidelidade ao Senhor, por isto a felicidade é diretamente proporcional ao progresso que fizermos no conhecimento e na observância da Lei do Senhor, ou seja, em sua prática.

Deste modo, Deus, pacientemente, volta para nós Seu olhar e espera o melhor de nós, na correspondência ao seu Amor, pois é próprio de quem ama criar o bem no coração do amado.

Silenciemo-nos, e certamente Deus nos dirá:

“Seja feliz, e na minha Lei vai progredindo, sem jamais desistir, sem cansaços, sem resistências. Confie apenas e trilhe o caminho. Sim, vai progredindo em minha Lei, e seja feliz.

Vai progredindo na Lei do Senhor e não matarás...
Nem com armas, propriamente, atitudes de desprezo, preconceitos, indiferenças.

Não matarás com as palavras, que podem ser caladas, nem com a omissão que gere dor, morte e sofrimento.

Não matarás a esperança, a alegria, a paz, os valores sagrados que devem nortear a vida.

Não matarás os sonhos, a esperança e as mais belas utopias, que  impulsionam em incansáveis e eternas buscas.

Não matarás a semente da Palavra que cai no chão do teu coração, para que ela produza os frutos que tanto espero de ti.

Não matarás com o olhar o teu próximo, ou com o teu fechamento, como quem não quer ver desafios, compromissos, trabalhos a serem realizados, para que o mundo seja melhor.

Não matarás as pequenas atividades, fazendo-as sem amor, empenho e alegria. Sê fiel nas pequenas, para que também o sejas nas grandes.

Amarás a beleza da vida, o planeta em que habitas, e tudo farás para que vivam todos bem, dando aos que virão à mesma possibilidade.

Não matarás a ética, a sacralidade da vida, a terra, tua casa comum e tudo mais que se possa dizer, como que pulsando e gritando para não morrer, porque se assim o for, será a morte da humanidade, portanto, a tua própria também.

Vai progredindo na Lei do Senhor e amarás a Deus e ao teu próximo...
Amarás tua família, teus filhos e todos os que te rodeiam, e também amarás os da família maior, que se liga pelos laços da fé, ouvindo e pondo em prática a minha Palavra.

Amarás o outro sem olhares de cobiça, de instrumentalização e posse.

Amarás gerando o bem no coração de quem tu amas, ampliando teu horizonte e laços de amizades possíveis.

Amarás e não farás o outro objeto de prazer, e não compactuarás com uma sociedade que vê o outro como descartável.

Amarás na contramão do líquido mundo moderno, que anuncia a liquidez do amor, estabelecendo e mantendo relacionamentos duradouros, próximos, fraternos e eternos e não apenas midiáticos, em que se pode deletar, excluir sem crise de consciência ou constrangimento, porque não acompanhados de verdadeiros sentimentos.

Amarás a mim sobre todas as coisas e não se dobrarás diante da idolatria de mil nomes: poder, riqueza, dinheiro, sexo, fama, prestígio, sucesso a qualquer custo.

Amarás como meu Filho te mandou: amar como Ele, ao próximo e  toda a humanidade.

Amarás como o meu Apóstolo te ensina em sua Carta (1 Cor 13,1-13).

Vai na Lei do Senhor progredindo, não jurarás falso...
Farás progressos nos relacionamentos, porque serão marcados pela sinceridade e transparência.

Não precisarás longos discursos para provar nada, porque a verdade transparecerá, não apenas no falar, mas, sobretudo, no próprio agir, no caminho que se fez, nos legados que deixou.

Teu sim será sim, e o não será não, como disse o meu Filho, dispensando explicação de contradições, que devem ser evitadas, porque fragilizaria o testemunho do Evangelho que crês, anuncias e testemunhas.

Serás feliz em teu progresso espiritual e tuas amizades sobreviverão porque foram construídas em bases sólidas da confiança, da mútua ajuda, seja nos momentos em que o voo foi mais alto, ou na iminência do cair num abismo: amigos voam com os sonhos e projetos do amigo, e tudo fazem para que não vejam o limite profundo do abismo.

Progredirás na Lei do Senhor, e não usarás nenhum meio ou recurso ilícito para que não acumules riquezas pecaminosas, alcance prestígio ou fama, contrariando os princípios que crês e pregas, e te embriagues com néctar do poder, com atitudes autoritárias e tirânicas”.

Vamos, com a Sabedoria Divina, na Lei do Senhor progredindo, e que se cumpra a Palavra de Deus em nossa vida: “Mas, como está escrito, ‘o que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram, nem os ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu’. A nós Deus revelou esse mistério através do Espírito. Pois o Espírito esquadrinha tudo, mesmo as profundezas de Deus” (1 Cor 2,9-10).

Vamos progredindo na fraternidade, no amor e na sinceridade.


PS: Continuemos a reflexão com a passagem do Evangelho de São Marcos (Mc 12,28b-34; Mt 22,34-40) sobre os inseparáveis Mandamentos do amor a Deus e ao próximo.

Rezando com os Salmos - Sl 135 (136)

 


“Porque eterno é Seu amor!”


“–1 Demos graças ao Senhor, porque Ele é bom:
Porque eterno é Seu amor!
–2 Demos graças ao Senhor, Deus dos deuses:
Porque eterno é Seu amor!
–3 Demos graças ao Senhor dos senhores:
Porque eterno é Seu amor!

–4 Somente ele é que fez grandes maravilhas:
Porque eterno é Seu amor!
–5 Ele criou o firmamento com saber:
Porque eterno é Seu amor!
–6 Estendeu a terra firme sobre as águas:
Porque eterno é Seu amor!

–7 Ele criou os luminares mais brilhantes:
Porque eterno é Seu amor!
–8 Criou o sol para o dia presidir:
Porque eterno é Seu amor!
–9 Criou a lua e as estrelas para a noite:
Porque eterno é Seu amor!

–10 Ele feriu os primogênitos do Egito
Porque eterno é Seu amor!
–11 E tirou do meio deles Israel:
Porque eterno é Seu amor!
–12 Com mão forte e com braço estendido:
Porque eterno é Seu amor!

–13 Ele cortou o mar Vermelho em duas partes:
Porque eterno é Seu amor!
–14 Fez passar no meio dele Israel:
Porque eterno é Seu amor!
–15 E afogou o Faraó com suas tropas:
Porque eterno é Seu amor!

–16 Ele guiou pelo deserto o seu povo:
Porque eterno é Seu amor!
–17 E feriu por causa dele grandes reis:
Porque eterno é Seu amor!
–18 Reis poderosos fez morrer por causa dele:
Porque eterno é Seu amor!

–19 A Seon que fora rei dos amorreus:
Porque eterno é Seu amor!
–20 E a Og, o soberano de Basã:
Porque eterno é Seu amor!

–21 Repartiu a terra deles como herança:
Porque eterno é Seu amor!
–2 Como herança a Israel, seu servidor:
Porque eterno é Seu amor!
–23 De nós, seu povo, humilhado, recordou-se:
Porque eterno é Seu amor!

–24 De nossos inimigos libertou-nos:
Porque eterno é Seu amor!
–25 A todo ser vivente ele alimenta:
Porque eterno é Seu amor!
–26 Demos graças ao Senhor, o Deus dos céus:
Porque eterno é Seu amor!”

O Salmo 135(136) é um hino pascal pelas maravilhas do Deus criador e libertador:

“Ladainha em louvor da bondade de Deus manifestada na criação e na organização do universo; e também em louvor da Providência divina que governa a caminhada dos hebreus pelo deserto.” (1)

Anunciar as maravilhas de Deus é louvá-Lo (Cassiodoro). Com o Salmista também louvemos e glorifiquemos as maravilhas que Deus realiza em nosso favor. Amém.



(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 844

Rezando com os Salmos - Sl 134 (135)

 


O Senhor faz por nós maravilhas


“–1 Louvai o Senhor, bendizei-O;
louvai o Senhor, servos Seus,
–2 que celebrais o louvor em seu templo
e habitais junto aos átrios de Deus!

–3 Louvai o Senhor, porque é bom;
cantai ao Seu nome suave!
–4 Escolheu para Si a Jacó,
preferiu Israel por herança.

–5 Eu bem sei que o Senhor é tão grande,
que é maior do que todos os deuses.
=6 Ele faz tudo quanto Lhe agrada,
nas alturas dos céus e na terra,
no oceano e nos fundos abismos.

=7 Traz as nuvens do extremo da terra,
transforma os raios em chuva,
das cavernas libera os ventos.

–8 No Egito feriu primogênitos,
desde homens até animais.
–9 Fez milagres, prodígios, portentos,
perante Faraó e Seus servos.
–10 Abateu numerosas nações
e matou muitos reis poderosos:

=11 A Seon que foi rei amorreu,
e a Og que foi rei de Basã,
como a todos os reis cananeus.
–12 Ele deu sua terra em herança,
em herança a Seu povo, Israel.

–13 Ó Senhor, Vosso nome é eterno;
para sempre é a Vossa lembrança!
–14 O Senhor faz justiça a Seu povo
e é bondoso com aqueles que O servem.

–15 São os deuses pagãos ouro e prata,
todos eles são obras humanas.
–16 Têm boca e não podem falar,
têm olhos e não podem ver;

–17 tendo ouvidos, não podem ouvir,
nem existe respiro em sua boca.
–18 Como eles serão seus autores,
que os fabricam e neles confiam!

–19 Israel, bendizei o Senhor;
sacerdotes, louvai o Senhor;
–20 levitas, cantai ao Senhor;
fiéis, bendizei o Senhor!
–21 Bendito o Senhor de Sião,
que habita em Jerusalém!”

Com o Salmo 134(135) elevamos louvor ao Senhor por Suas infinitas maravilhas em favor do povo que Ele conquistou para Si, libertando-o da escravidão do Egito e concedendo o domínio sobre a terra prometida (cf. 1 Pd 2,9).

Elevemos com o Salmista nos cantos e louvores pelas maravilhas que Ele continua realizando em nosso favor, porque Sua bondade é infinita e é para todo o sempre. Amém.

Rezando com os Salmos - Sl 133 (134)

 


Louvemos ao Senhor

“–1 Vinde, agora, bendizei ao Senhor Deus,
vós todos, servidores do Senhor,
– que celebrais a liturgia no seu templo,
nos átrios da casa do Senhor.

–2 Levantai as vossas mãos ao santuário,
bendizei ao Senhor Deus a noite inteira!
–3 Que o Senhor te abençoe de Sião,
o Senhor que fez o céu e fez a terra!”

O Salmo 133(134) é uma Oração da noite no templo:

“Último dos salmos de romarias (120-134). Convida os sacerdotes ao louvor noturno e os exorta a orar pelos que voltam para casa. Despedindo o povo, ao terminar a liturgia, o sacerdote dá a bênção.” (1)

Em todo o tempo louvemos ao nosso Deus, como nos exorta o autor do Livro do Apocalipse – “Louvai o nosso Deus todos os seus servos e todos os que o temeis, pequenos e grandes!” (Ap 19,5).

Em todo o tempo louvemos ao Senhor, e podemos elevar esta oração, de modo especial ao terminar mais um dia que o Senhor tenha nos concedido. Amém.

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 134

Caminhando pelos vales, campinas e colinas

                                                    


Caminhando pelos vales, campinas e colinas

“Fala com sabedoria, ensina com amor” (Pr 31,26)
 
Caminhei por vales, campinas  e colinas pensando em vocês,
Meu pensamento me levou a histórias - minhas ou não.
Depende de quem com elas se identificar, memoravelmente.
Quem se puser a caminhar, ou não, também se lembrará...
 
De alguns lembrei por serem presenças iluminadoras,
pelo conteúdo ensinado, ou pelos laços criados
De amizade - ainda que hoje não cultivada, mas inesquecíveis.
Passa o tempo, mas não se apaga da memória.
 
De outros por me fazerem encantar pela temida disciplina
Da matemática, com suas certezas inquestionáveis,
Passando pelas operações, fórmulas, equações...
Álgebra, Aritmética, Trigonometria... terror ou poesia?
 
Também lembrei de quem soube ensinar com autoridade,
Sem impor ideias, valores, sentimentos, condicionamentos.
Como jardineiros, pacientes em lançar sementes do saber,
Com o puro desejo para nosso crescer, florescer, frutificar.
 
Vem à mente os que ficaram para sempre no coração,
Porque souberam fecundar e polir nosso espírito,
Questionaram e ampliaram nossos horizontes,
Para a necessária fraternidade e promoção do bem comum.
 
Lá no recôndito pouco visitado da mente/memória,
Lembrei dos que souberam ilustrar as faculdades,
Da inteligência, libertando-se e nos libertando,
De uma insana e funesta ignorância, que nos aprisiona.
 
Continuarei caminhando entre vales, campinas e colinas...
Com certeza, haverá muitos outros a serem lembrados.
A eles, nosso reconhecimento, carinho e eterna gratidão.
Mãos aos céus elevadas, ação de graças e súplica: oração.
Amém.
 

Quando caírem os véus da mediocridade...

                                                

Quando caírem os véus da mediocridade...

Em tempo de carnaval, vendo tantas máscaras...
Contemplo algumas que são mais que máscaras,
Porque impregnadas nos desumanizam.

Verborrágicos extintos serão mais que dispensáveis,
Porque de palavras vazias e inúteis nos entulharam.
O que mais se precisa é palavra dita e firmada,
Palavras que a alma deleitam, enfeitam: mais nada!

Que eu não seja, que não sejamos verborrágicos!

Frenéticos, agitados, inquietos, se assim o for,
Que seja para um novo mundo sonhar e propor.
Onde não mais morte, escândalos, roubos, infidelidades
Onde não mais violência, barbáries e atrocidades!

Que eu não seja, que não sejamos frenéticos!

Acríticos serão dispensáveis na aurora próxima,
Porque sem criticidade e discernimento, fatalmente
Seremos ludibriados, manipulados e entorpecidos.
Urge mentes que pensem o novo ou algo parecido!

Que eu não seja, que não sejamos acríticos!

Despóticos cederão para quem o poder souber usar,
Sem tiranias insanas, ditaduras tacanhas, medonhas.
Poder serviço, promoção inadiável do bem comum,
Sem resquícios de autoritarismo, em lugar algum!

Que eu não seja, que não sejamos despóticos!

Rústicos pensamentos e atitudes serão refinados.
O sonho e a poesia não serão privilégios de poucos,
Porque a leveza e fineza dos pensamentos humanos
Aprimorados, revigorados, menos erros e enganos!

Que eu não seja, que não sejamos rústicos!

Verborrágicos extintos!
Frenéticos reorientados!
Acríticos libertados!
Despóticos destronados!
Rústicos refinados!

Mundo novo, sonhado, desejado, querido...
Mundo novo é mais do que crível!
Não saudades estéreis de um perdido paraíso:
Redescobri-lo e reconstruí-lo é possível.

Fé que nos impulsiona e motiva.
Esperança que nos dinamiza e move.
Caridade que nos inflama e direciona.
Trindade que jamais nos decepciona!

Senhor, em tuas mãos me ponho,
E a Vós suplico:
Que caiam as nossas máscaras, 
e nosso rosto reflita a imagem divina!

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG