quarta-feira, 21 de outubro de 2026

No “Pai-Nosso”, tudo que precisamos, encontramos

                                                          


No “Pai-Nosso”, tudo que precisamos, encontramos

Sejamos enriquecidos por este texto da Carta a Proba, de Santo Agostinho, bispo (Séc. V), sobre a oração do “Pai-Nosso”.

“Quem diz, por exemplo: Sê glorificado em todos os povos, assim como foste glorificado em nós (Eclo 36,3) e: Sejam reconhecidos fiéis os Teus profetas (Eclo 36,15), o que diz senão: Santificado seja o Teu nome?

Quem diz: Deus dos exércitos, converte-nos e mostra Tua face e seremos salvos (Sl 79,4), o que diz senão: Venha o Teu reino?

Quem diz: Orienta meus caminhos segundo Tua palavra e nenhuma iniquidade me dominará (Sl 118,133), o que diz senão: Seja feita Tua vontade assim na terra como no céu?

Quem diz: Não me dês indigência nem riquezas (Pr 30,8) o que diz senão: O pão nosso de cada dia dá-nos hoje?

Quem diz: Lembra-Te, Senhor, de Davi e de sua mansidão (Sl 131,1) ou Senhor, se assim agi, se há iniquidade em minhas mãos, se paguei o bem com o mal (cf. Sl 7,14), o que diz senão: Perdoa nossas dívidas assim como perdoamos a nossos devedores?

Quem diz: Arrebata-me de meus inimigos, ó Deus, e dos que se levantam contra mim liberta-me (Sl 58,2), o que diz senão: Livra-nos do mal?

E se percorreres todas as palavras das santas preces, em meu parecer, nada encontrarás que não esteja contido nesta oração dominical ou que ela não encerre. Por isto cada qual ao orar é livre de dizer estas ou aquelas palavras, mas não pode sentir-se livre de dizer coisa diferente.

Sem a menor dúvida, é isso que devemos pedir na oração, por nós, pelos nossos, pelos estranhos e até pelos inimigos; uma coisa para este, outra para aquele, conforme o parentesco mais próximo ou mais afastado, segundo brote ou inspire o sentimento no coração do orante.

Sabes, agora, assim penso, não apenas como rezar, mas o que rezar; não fui eu o mestre, mas aquele que se dignou ensinar-nos a todos nós.

A vida feliz, a ela temos de tender, temos de pedi-la ao Senhor Deus. O que seja ser feliz tem sido muito e por muitos discutido. Nós, porém, para que irmos atrás de muitos e de muitas coisas?

Na Escritura de Deus, com toda a verdade e concisão, se diz: Feliz o povo que tem por Senhor o próprio Deus (Sl 143,15). Para sermos deste povo, chegar a contemplar a Deus e com ele viver sem fim, a meta do preceito é a caridade com um coração puro, consciência boa e fé sem hipocrisia (cf. 1Tm 1,5).

Nestes três objetivos, a esperança corresponde à boa consciência. Portanto a fé, a esperança e a caridade levam a Deus o orante, aquele que crê, que espera, que deseja e que presta atenção ao que pede ao Senhor na oração dominical.”

De fato, nada encontraremos que não esteja contido na oração do Senhor, o “Pai Nosso” (cf. Mt 6,7-15; Lc 11,1-4).

Portanto, devemos rezá-la sempre com amor e confiança, procurando viver o que rezamos no cotidiano, nas pequenas e grandes ações de nossas vidas.

“Pai Nosso que estais nos céus...”

terça-feira, 20 de outubro de 2026

A inteligência artificial e a sabedoria do coração

                                          


A inteligência artificial e a sabedoria do coração 

Suplicamos, ó Deus, a Vossa Sabedoria para que através da inteligência artificial, de mãos dadas com a sabedoria do coração, sejamos promotores de uma comunicação plenamente humana, orientada para o bem de toda a humanidade.

Não permitais, ó Deus, que caiamos na tentação do delírio da onipotência, com a indevida utilização da inteligência artificial, na funesta pretensão de um futuro que prescinda de Vós, ou até mesmo decrete a Vossa morte, como se de Vós não mais precisássemos

Concedei-nos um olhar espiritual, recuperando a sabedoria do coração, para que possamos ler e interpretar a novidade do nosso tempo e descobrir o caminho para uma comunicação plenamente humana.

Convertei o nosso coração para que, de fato, ele seja a sede da liberdade e das decisões mais importantes da vida, como um símbolo de integridade e unidade, sem jamais ocorrer a perda dos afetos, desejos, sonhos e da íntima e necessária comunhão convosco.

Abri nossos horizontes para o encontro com o outro, na sabedoria do saber escutar e falar tão somente o que possa edificar pontes de fraternidade e amizade social; jamais seja a inteligência artificial usada para a edificação de muros que nos fragilizam, e nos distanciam, por vezes, numa terceira guerra em pedaços.

Ajudai-nos na prevenção acompanhada da promoção de uma regulamentação ética que contorne os efeitos danosos, discriminadores e socialmente injustos dos sistemas de inteligência artificial, e não caiamos em polarizações de opiniões púbicas ou a construção de um pensamento único determinante.

Abertos à Sabedoria do Espírito, sejamos promotores de uma comunicação que nos liberte de toda forma de escravidão, e estabeleçamos relações de amor, respeito e liberdade, pois é para a liberdade que o Vosso Filho nos libertou, por Sua Morte e Ressurreição (cf. Gl 5,1).

Nutri nosso coração, portanto, de liberdade, para que cresçamos em Sabedoria, colocando toda e qualquer forma de inteligência artificial, a serviço de uma comunicação plenamente humana; mais uma vez, nós Vos pedimos, por meio do Vosso Filho, em comunhão com o Santo Espírito. Amém.

 

PS: Fonte inspiradora: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/20240124-messaggio-comunicazioni-sociali.html

A Inteligência artificial a serviço da autêntica comunicação

                                          

A Inteligência artificial a serviço da autêntica comunicação
 
Oremos:

Ó Deus, Vós que nos criastes à Vossa imagem e semelhança,
ajudai-nos a preservar a dignidade do rosto e da voz de cada pessoa com quem convivemos,
dentro e fora da comunidade que participamos.


Ajudai-nos, para que jamais percamos
a beleza do encontro humano,
vivendo em espaços nos quais as relações sejam fundadas
no amor, verdade, liberdade.
 
Concedei-nos a Vossa Divina sabedoria,
para o correto uso das novas tecnologias,
e que a inteligência artificial seja instrumento do bem
e jamais substitua a empatia  e fragilize a liberdade humana.
 
Iluminai-nos, para que nossa comunicação favoreça
a cultura do encontro e da vida fraterna,
colaborando no florescer o pensamento crítico,
com a proteção dos mais frágeis e
de toda forma de manipulação, dominação e mentira.
 

Pai de ternura e bondade, firmai nossos passos
nos passos do Vosso Filho,
que Se fez Palavra e veio morar entre nós
Para nos comunicar com a Vida e a Voz 
a Palavra de Vida plena e eterna.

Na fidelidade à Palavra do Vosso Filho,
a Revelação do Vosso rosto de Misericórdia,
ensinai-nos a educar e comunicar em todos espaços, 
reais e virtuais com responsabilidade, como alegres cooperadores de esperança. 

 
Enfim, ó Deus, para que toda inovação
esteja a serviço da humanidade,
Sejam nossas palavras promotoras de paz e a comunhão;
e que nossa voz e nosso rosto revelem sempre Vossa presença,
com a assistência, ação e luz do Vosso Santo Espírito. Amém.
 
 

PS: Inspirado na Mensagem do Papa para o LX Dia Mundial das Comunicações Sociais - 2026, que poderá ser acessada na íntegra
https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/communications/documents/20260124-messaggio-comunicazioni-sociali.html

 

Suplicamos a Sabedoria Divina

                                                          


Suplicamos a Sabedoria Divina

Ó Deus, por meio do Vosso Filho, venha sobre todos nós, a Sabedoria do Santo Espírito para nos iluminar e nos conduzir, encorajando-nos a fazer com que os progressos no desenvolvimento de formas de inteligência artificial sirvam, acima de tudo para a causa da fraternidade humana e da paz.

Iluminai toda a humanidade, como família humana neste inadiável compromisso, a fim de que a paz seja fruto de relações que reconheçam e acolham o outro na sua dignidade inalienável, e de cooperação e compromisso na busca do desenvolvimento integral de todas as pessoas e de todos os povos.

A Vós, ó Pai, por meio de Jesus na comunhão com o Espírito Santo, suplicamos para que o rápido desenvolvimento de formas de inteligência artificial não aumente as  demasiadas desigualdades e injustiças já presentes no mundo, mas contribua para pôr fim às guerras e conflitos e para aliviar muitas formas de sofrimento que afligem a família humana.

Enviai Vosso Espírito de Sabedoria para que os fiéis cristãos, os crentes das várias religiões e os homens e mulheres de boa vontade colaborem harmoniosamente para aproveitar as oportunidades e enfrentar os desafios colocados pela revolução digital, e entregar às gerações futuras um mundo mais solidário, justo e pacífico. Amém.

 

PS: Fonte inspiradora – Mensagem do Santo Padre Francisco para a Celebração do Dia Mundial da Paz - 1º de janeiro de 2024 – “Inteligência artificial e paz”.

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/20240124-messaggio-comunicazioni-sociali.html

Falar somente o que for de proveito espiritual

                                         


Falar somente o que for de proveito espiritual

Assim nos falaram os Pais do Deserto em um dos ditos anônimos:

“Um dos anciãos disse: ‘No início, costumávamos reunir-nos e falar do proveito espiritual; tornamo-nos como coros, coros de anjos, e éramos elevados ao céu.

Agora nos reunimos e chegamos a caluniar, afastando-nos um aos outros para o abismo’.”  (1)

Este dito pode nos ajudar nos tempos atuais, sobretudo no mundo virtual, em que se multiplicam postagens, comentários, críticas privadas de caridade, que por vezes podem criar muros, distanciamentos e não pontes de fraternidade, comunhão e amizade sincera.

E se considerarmos o avanço da Inteligência Artificial na geração de conteúdos, pode se tornar ainda mais grave.

O problema não são as ferramentas disponíveis, mas o bom uso que delas façamos, lembrando as palavras do Papa Leão XIV:

“Por isso, a exposição mediática, o uso das redes sociais e de todos os instrumentos hoje à disposição devem ser sempre avaliados com sabedoria, tendo como paradigma de discernimento o serviço à evangelização. ‘Tudo me é lícito ! Sim, mas nem tudo convém’ (1 Cor 6,12)”. (2)

Concluo com as palavras do Papa Francisco:

“Na era da inteligência artificial, não podemos esquecer que a poesia e o amor são necessários para salvar o humano. O que nenhum algoritmo conseguirá abarcar é, por exemplo, aquele momento de infância que se recorda com ternura e que continua a acontecer em todos os cantos do planeta, mesmo com o passar dos anos.” (3)

 

(1) Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n.238 – pp. 173

(2)Carta Apostólica –“Uma fidelidade que gera futuro” de 8 de dezembro de 2025

(3)Carta Encíclica Dilexit Nous – Papa Francisco – 2024 – parágrafo n. 20

A Evangelização: lançar as redes em águas mais profundas

 


A Evangelização: lançar as redes em águas mais profundas
 
“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6)
 
Um Planejamento Pastoral deve ser fruto do trabalho conjunto de muitas mãos, mentes e corações, que possibilita a continuidade da ação evangelizadora.
 
Um valioso instrumento que ajuda a lançar as redes em águas mais profundas (Lc 5,1-11), pois a evangelização prima pela superação da superficialidade e ativismo inconsequente; provoca-nos para respostas comunitárias, sem ações individualizadas, mas inseridas na Pastoral de Conjunto.
 
Precisamos buscar respostas evangélicas para os grandes desafios que enfrentamos na realidade urbana e pós-moderna:
 
- A realidade urbana: desafios e respostas;
- A evangelização da família;
- O resgate da pessoa humana no exercício de sua cidadania;
- O aprimoramento das atitudes de acolhida e fortalecimento dos vínculos de comunhão fraterna;
- O desafio da evangelização da juventude;
- Um projeto missionário que expresse a dimensão missionária de toda a Igreja;
- Presença evangelizadora nas escolas e universidades;
- A necessidade de uma linguagem comum para os Sacramentos;
- Formação bíblica e espiritualidade do agente de pastoral;
- Maior cuidado com os momentos litúrgicos, para que sejam momentos fortes de oração;
- Evangelizar através dos Meios de comunicação social contando com a sóbria utilização dos recursos da inteligência artificial;
- Fortalecimento das pastorais sociais na promoção da dignidade da vida e o cuidado da Casa Comum.
 
Deste modo, é necessário que as vocações cristãs leigas, alimentadas pela Palavra e Eucaristia, atuem em sintonia com padres, Bispo, religiosos e religiosas, em diversas estruturas, organismos e pastorais.
 
Urge que no espírito sinodal, comunhão e participação, e na evangélica opção preferencial pelos pobres, participemos da construção de uma sociedade justa, fraterna e mais solidária, a caminho do Reino definitivo.
 
Tenhamos sempre em mente que o Protagonista da evangelização é o Espírito Santo, de modo que a diversidade de carismas, dons e ministérios devem ser compartilhados, garantia de êxito na evangelização (1 Cor 12-30), na fidelidade a Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida (cf. Jo 14,6), e tão somente assim evangelizaremos e avançaremos para as águas mais profundas.

“Vigiai e orai…”

                          


“Vigiai e orai…”

"Ah, se soubesses o que Deus tem preparado para ti…"

A Liturgia da terça-feira da 29ª Semana do Tempo Comum nos convida à vigilância ativa e na Oração, conforme a passagem do Evangelho proclamada (Lc 12,35-38).

A vigilância e a oração, quanto mais intensas, verdadeiras, profundas, possibilitarão participar da Alegria e Bondade divinas, sobretudo para que sejamos discípulos missionários do Senhor.

Deus incansavelmente, por nós faz maravilhas, ainda que não o percebamos, ainda que momentos difíceis passemos.

A vigilância e a Oração devem nos acompanhar por toda vida para maior fidelidade ao Senhor.

Na vigilância ativa, quanto mais dons de Deus recebemos, mais temos que nos empenhar.

Ele nos dá o melhor que pode e espera de nós o melhor que pudermos: “… A quem muito foi dado muito, será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!” (Lc 12,48).

Deus não faz pacto com a mediocridade como é próprio dos homens que mergulham no mar da mediocridade da mentira, da corrupção, da cobiça…

Na vigilância ativa somos o prolongamento do Senhor para com o nosso próximo, que precisa de nossa presença, como presença do próprio Senhor.

Se por um lado somos o prolongamento de Sua presença, de outro lado, na vigilância e na oração, sentimos quanto o Senhor nos encurta a distância para maior proximidade e intimidade com Ele, para que melhor vivamos na partilha, na liberdade, no amor… O mais belo, perfeito e desejável prolongamento de Sua presença.

Na vigilância esperemos sempre o melhor de Deus,
que está sempre vindo e há sempre de vir:
Ah, se soubesses o que Deus tem preparado para ti…

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG