quinta-feira, 10 de setembro de 2026

O luto na perspectiva cristã, como lidar?

                                                          

O luto na perspectiva cristã, como lidar?

Vivemos e convivemos com a dor e o seu ponto final, a própria morte. Quando esta irrompe em nossa vida, parece tudo desmoronar. A alguns ela provoca o desalento, o desânimo, a fuga, a compensação indesejável na droga, ou até outros meios (que não são poucos) para sua superação e explicação da mesma, na procura de  algo que possa preencher o vazio deixado.

Há muitos estudos especializados sobre o luto ou possíveis perdas (emprego, amizade, algo alcançado etc.), porém um que pertence a Elisabeth Kübler-Ross (1969) nos apresenta os vários passos de sua vivência e superação, e que se tornaram conhecidos como “Os cinco Estágios do Luto” (ou da Dor da Morte, ou da Perspectiva da Morte).

Podem ser assim esquematicamente apresentados os “Estágios do Luto”:

1.  Negação, recusa e Isolamento: "Isso não pode estar acontecendo”, "não pode ser"; " é mentira". Diante do fato paralisante, a pessoa naturalmente poderá chorar desconsoladamente, e nenhuma palavra lhe faz sentido.

2.  Cólera (Raiva): "Por que eu? Não é justo."; “por que exatamente comigo? Não é justo o que ocorreu". É o momento em que a pessoa percebe os limites incontroláveis da vida e ocorre uma reluta dramática em reconhecê-los. Normalmente se culpa pela perda, por não ter feito o que devia ou por ter deixado de fazer o que poderia para que não acontecesse tal fato.

3.  Negociação: "Me deixe viver apenas até meus filhos crescerem." Há o autofortalecimento mediante uma espécie de negociação com a dor da perda: "não posso sucumbir nem afundar totalmente; preciso aguentar esta dilaceração, garantir meu trabalho e cuidar de minha família". Já aparece um ponto de luz nesta longa noite escura.

4.  Depressão: "Estou tão triste. Por que se preocupar com qualquer coisa?" Há o vazio assumido a ser preenchido quando se der a aceitação que consiste no estágio seguinte.
           
5.  Aceitação resignada e serena do fato incontornável: "Tudo vai acabar bem." Há um processo dolorido de amadurecimento. Ninguém sai do luto como entrou.

Evidentemente, na vida de cada um estes estágios não acontecem assim tão claramente como apresentados, mas com certeza o leitor deve ter refletido sobre a experiência do luto já vivido.

- Mas como a fé pode intervir e ajudar nesse processo de recusa, cólera, negociação, depressão e aceitação?
- Em que nos diferenciamos?
- Qual é o elemento que nos leva a dar um passo e a ter um olhar transcendente?

A fé na Ressurreição, o olhar que transcende à própria morte, que para quem crê em Jesus Cristo Ressuscitado, não tem a palavra última.

Quando tomei conhecimento destes “estágios do luto e da perda”, foi a primeira interrogação que me descortinou no horizonte do Ministério de Pastor, e ao mesmo tempo frente à própria experiência da morte de entes queridos.

Primeiramente me dei conta de que há um tempo para que o luto aconteça, que não se dá tão logo façamos o enterro. Ficamos num processo prolongado, variando de pessoa para pessoa. Aqui entra o elemento indispensável da fé e a riqueza de citações bíblicas que poderiam ser mencionadas para refazermos nossas forças.

A primeira delas que vemos em tantas salas de velórios: “Eu sou a Ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim jamais morrerá” (Jo 11,25-26). O próprio Senhor nos garantiu que foi para a casa do Pai para nos preparar uma morada e nos exortou a não nos perturbamos diante do inevitável fato da morte (Jo 14,2-3).

O Apóstolo Paulo na Carta aos Coríntios (cf. 1Cor 15, 12-20), nos diz literalmente que se Cristo não Ressuscitou vazia é a nossa fé, a nossa pregação.

Salmos, Evangelhos, Epístolas, entre outros Livros da Sagrada Escritura, são nestes momentos o Pão da Palavra que nos reanima, fortalece, e porque fundados na fé. Vemos, à luz da Palavra, o horizonte último da eternidade se abrir para aqueles que nos antecederam, e com os quais nos encontraremos se enraizados e solidificados na caridade, pois o céu será o epílogo do presente, o amor que vivemos, prolongado e plenificado sem medida, pois estaremos na plena comunhão com Deus e Seu Amor Trino, imensurável que já experimentamos, antegozamos. Amém.

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