Da família do Senhor seremos se...
“Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus
e a põem em prática” (Lc 8,21)
Na passagem do Evangelho ser proclamado na Missa da terça-feira
da 25ª Semana do Tempo Comum, Jesus nos ensina que Sua família é constituída
por todos aqueles que fazem a vontade de Deus, e não tão apenas pelos laços de
sangue (Lc 8, 19-21).
É condição indispensável, portanto, um compromisso com o
Evangelho e com o Reino de Deus, sem jamais fazer a separação entre que o se
crê e o que se vive, o que se celebra e o que se traduz no cotidiano, nos mais
diversos âmbitos da vida.
Deste modo, para Jesus há algumas exigências indispensáveis para
que alguém se torne importante para Ele, e de Sua família faça parte:
- Ouvir a Palavra de Deus, colocando em prática;
- Pautar toda existência pelo Mandamento maior do Amor a Deus e
ao próximo; amando como Ele nos ama – “amai-vos uns aos outros, assim como eu
vos amei” (Jo 13,34);
- Saber perdoar, e procurar o perdão, quando necessário, como
expressão de que todos somos passíveis de erros e necessitados do perdão do
outro, para vivermos a autêntica misericórdia que Ele nos ensinou;
- Ter a alegria de partilhar o melhor que possui, para que o
milagre da multiplicação continue a ser realizado, de modo que não haja
necessitados entre nós;
- Aprender que na acolhida do outro, se acolhe o próprio Jesus,
sobretudo se for um pequenino, pobre, doente, marginalizado;
- Saber se esforçar, quando preciso, em ser sinal de consolo,
compreensão e solidariedade, como a mais bela expressão da compaixão divina com
expressões concretas;
- Ser comprometido com a Boa Nova do Reino, com coragem e
profecia, sem deixar-se submergir no medo, na omissão e na indiferença;
- Viver a doação pura e simples, sem nada esperar em troca, na
mais perfeita alegria;
- Saber ser feliz com os que são felizes, mas também saber
chorar com os que choram;
- A prática da misericórdia para com os pecadores,
caridade com os pobres, amor aos amigos
- A partilha e a solidariedade do melhor que temos
- A acolhida do outro – prática das obras de misericórdia
- Viver na graça, gratidão e gratuidade
- Viver o Programa das Bem-Aventuranças
- Não somente se encontrar e se reunir para celebrar, orar, mas
fazer o necessário prolongamento no dia a dia, jamais separando a Mesa da
Palavra e do Altar das incontáveis mesas do cotidiano.
Evidentemente que poderíamos apresentar outras exigências, mas
estas já são o bastante para avaliarmos o quanto somos, de fato, membros da
família de Jesus.
Neste sentido, contemplamos Maria, Sua Mãe, como a mais perfeita
e integrada em Sua família, porque não somente foi Mãe do Salvador, pela ação
do Espírito Santo, mas em todo o seu viver sempre colocou a vontade de Deus
acima da própria vontade.
Maria é por excelência modelo de escuta e prática da Palavra, e
nos ensina o mesmo fazer, e mais: com ela também podemos contar, para que o
mesmo façamos, ressoando em nosso coração suas palavras que não emanaram de
seus lábios apenas, mas de um coração pleno do amor e graça divinas:
“Fazei tudo
o que Ele vos disser” (Jo 2, 5).
“Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus
e a põem em prática” (Lc 8,21)







